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domingo, 26 de setembro de 2010

"O que torna uma mulher bela não é exatamente a beleza que o outro vê, mas qualquer coisa de estranho e de esquisito que dá um toque desconcertante à harmonia dos traços e faz dessa beleza insuportavelmente bela. Uma mulher pode ser bela para muitas pessoas em concordância, mas a beleza que é fatal só o é para aquele que é afetado de maneira muito particular. O ver da beleza fatal não é o mesmo da contemplação, é um ver que não se contenta apenas com o que se vê, é um ver que se vê com todas as vísceras. Essa beleza não se explica pelo espiritismo da perfeição, e pode acontecer lá onde a delicadeza se mistura com tonalidades de maldade, um olhar doce e ao mesmo tempo flamejante, um detalhe de sombrancelha que escorre ironia e aponta para o perigo, os labirintos abismais de um olhar estrábico, uma voz aveludada e venenosa... há qualquer coisa de incompreensível nessa beleza que é fatal, e que como um raio atravessa o corpo daquele que o percebe como tal e leva os pensamentos a disputarem entre si o privilégio do suicídio: não se fica sem pensamento, mas com pensamentos que se suicidam desenfreadamente. Esse homem arrancado de si por um detalhe bem particular de um monumento feminino, tem seu corpo em chamas enlouquecido por essa beleza que ele mesmo criou sem saber como, e só ele está condenado a se resolver com a beleza elevada em seu mais elevado grau de crueldade. Só ele? Provável que sim, pois em geral o outro não vê mais do que feiura no que é encanto para o singular, ou apenas beleza, mas somente a beleza que é bela por não desagradar aos olhos, ao contrário da beleza que entra rasgando pelos olhos, deixa-os paralisado e explode nos nervos. As coisas não são belas nem deixam de ser belas, só há beleza para o expectador humano. Contudo, não é nenhum incompreensível imaginar que um homem possa ir à forca ou ascender a novas galáxias pela beleza extraordinária que viu em uma mulher; não é nenhum incompreensível compreender que a beleza pode ser de um horror que desespera, o desespero de querer eternizar o instante em que se é capturado e enfeitiçado por essa espécie de absurdo." (Adriel)

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