
Do blog do Porto Alegre Em Cena. Foto de Lenise Pinheiro/PMPA.
" . . . talvez falte à montagem um maior entendimento do que Hans Thies Lehmann (que recentemente esteve por estas plagas) chama de poética da perturbação, no interior da qual 'as imagens perturbam as palavras', poética esta capaz de instaurar uma narrativa em paradoxo e não um circuito em que as palavras remetem às ações e vice-versa. Na montagem londrinense, há dois atores, pequena mesa, cadeira hospitalar, uma cadeira de rodas e remédios. Em Psicose 4h48, Rosana Stavis é corajosa e sabe despojar-se de vaidades, fazendo uma interpretação forte mas que, por vezes, desliza para o exagero com choro e gritos em excesso. Receita esta que, na minha opinião, sublinham mais do que acrescentam." (Jacqueline Pinzon)

Foto de Ivo Gonçalves/PMPA.
"Senti muito não ter gostado da peça, porque admiro Sarah Kane, e acho tudo o que ela escrevia muito forte e poético. O problema principal, em minha opinião, foi o da redundância da encenação, que insiste em nos mostrar um universo cinzento, niilista, desesperançado e angustiante, estendendo essas imagens pessimistas por cada minuto e cada centímetro da encenação, sem nenhum tipo de refresco ou transcendência. (...) A direção de Marcos Damaceno nos coloca em um espaço bastante pequeno, próximos aos atores, que estão iluminados por algumas lâmpadas fluorescentes, que frequentemente reduzem-se a um simples 'bafo de luz'. A penumbra é constante, como que reforçando a ideia de que 'é uma peça dark, então o visual tem que ser dark'. Não concordo com isso: essa nota única, que perpassa o espetáculo do início ao fim, cansa em determinado momento. No programa do espetáculo, o diretor escreve que a peça de Sarah Kane 'incita, a quem se debruça a encená-la, a criar correspondentes cênicos e interpretativos à singularidade poética do texto'. Infelizmente isso não aconteceu, pelo contrário. Damaceno não nos dá nenhuma imagem que fuja da situação pseudo-realista de uma mulher internada em uma instituição psiquiátrica. E olhe que o texto de Kane é riquíssimo de possibilidades: na versão impressa da peça que possuo, algumas páginas se aproximam de poemas concretos, tal a profusão de números, fórmulas, espaçamentos de texto que se encontram. Sarah Kane não escreveu uma peça próxima do convencional; quem fez isso foi o diretor do espetáculo." (Marcelo Adams)

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