Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

domingo, 30 de março de 2014

"A Terra não contém, simplesmente, vida. Ela é viva, um super-organismo vivente, denominado pelos andinos de Pacha Mama e pelos modernos de Gaia, o nome grego para a Terra viva." (Leonardo Boff)
The Flaming Lips Releasing Companion Album to Pink Floyd's The Dark Side of the Moon

sábado, 29 de março de 2014

"Parte da comunidade científica não aceita que as plantas possam ser descritas como dotadas de inteligência. Temos um bloqueio psicológico em reconhecer a existência de seres tão ou mais espertos do que nós." (Frantisek Baluska, biólogo eslovaco)
"A história nos ensina que a história não nos ensina nada." (Rubens Ricupero)
Agora mesmo há cerca de 90.000 aviões sobrevoando o planeta. A chance de um de seus passageiros morrer é de uma em 7.229. Muito menor do que em um acidente de carro (uma em 749) ou mesmo engasgado com comida (uma em 3.842). (Veja)
O mundo nunca esteve tão calmo. Menos gente morreu em conflitos armados no século 21 do que em qualquer década do século passado. Foram 55 mil mortos por ano, contra o dobro disso nos anos 90 e o triplo na Guerra Fria. O número de governos eleitos subiu de 69 em 1991 para 118 em 2013, e democracias modernas nunca fizeram guerras entre si. A última vez em que tudo parecia tão em ordem globo afora foi justamente há cem anos. No começo de 1914, o mundo vivia um auge inédito de paz e progresso. (...) A China aumentou de 1% para 10% sua fatia no orçamento miliar no planeta. Começou a mostrar ods dentes ao Japão na disputa por algumas ilhotas e continua a passar a mão na cabeça da Coreia do Norte, a ditadura atômica que vive de fazer ameaças insanas. (Mauricio Horta/Revista Super)
Algumas pessoas não têm imaginação, outras sim. As que não têm acham que o avião da Malásia só pode ter caído ou sido sequestrado. Ou um ou outro, nada mais. "Esse tempo todo? Esse avião caiu. Se tivesse sido sequestrado, já haveria pedido de resgate." Por quê? O avião pode estar sendo usado pra infinitas outras coisas que ainda não cogitamos, assim como não cogitávamos que aviões poderiam ser jogados contra edifícios (por pessoas que têm imaginação). O avião da Malásia pode estar sendo usado num experimento fringe. Pode estar sendo usado como instrumento musical. Sei lá. Assim como a China, quero provas de que ele caiu.
17º Karmapa (Tibete, 1985 ~ ):

Às vezes, somos como crianças; quando se trata de lidar com nossas próprias necessidades, com frequência não mostramos nenhum sinal de maturidade. Basta pensar nisso: quando uma criança pequena chora, a maneira mais fácil de fazê-la parar é dar um brinquedo. Nós penduramos e balançamos a coisa na frente dela para chamar a atenção, até que ela vai lá e pega. Quando finalmente, damos o brinquedo, ela se aquieta. Nosso objetivo foi apenas parar o choro. Não tentamos lidar com as necessidades subjacentes da criança. Demos a ela alguma outra coisa para desejar e — com esse truque — ela, por enquanto, ficou quieta.

Como adultos, também usamos nossos eletrônicos e outros “brinquedos” de consumo de modo similar — para nos distrair de tudo que realmente esteja incomodando. Mas em nosso caso, dizemos que é só um pouco de diversão, um pouco de entretenimento. Nosso consumo com frequência se limita a tais objetivos de curto prazo, sem nenhuma preocupação com os hábitos a longo prazo que estamos criando, ou o impacto mais amplo de nossas ações. Raramente sequer nos perguntamos por que estamos insatisfeitos ou necessitados em primeiro lugar.

Precisamos compreender que há algo terrivelmente errado em permitir que nossos anseios e cobiça controlem nosso consumo dessa maneira. Ficamos cegos pela cobiça, e abrir os olhos é algo que depende de nós. Agir depende de nós. A cobiça em si não tem limites. É algo que nós mesmos devemos reconhecer, contra-atacar e ativamente limitar.
Charlotte Joko Beck (EUA, 1917 ~ 2011):

Nosso problema básico como humanos é a relação sujeito-objeto. Quando ouvi pela primeira vez isso há muitos anos, parecia abstrato e irrelevante em minha vida. No entanto, toda nossa desarmonia e dificuldades vêm de não sabermos como lidar com a separação sujeito-objeto.

Em termos cotidianos, o mundo é dividido em sujeitos e objetos: eu vejo você, eu vou ao trabalho, eu sento na cadeira. Em cada um desses casos, considero a mim mesma como um sujeito se relacionando com um objeto: você, meu trabalho, a cadeira. Mas, intuitivamente, sabemos que não estamos separados do mundo e que a divisão sujeito-objeto é uma ilusão. Ganhar esse conhecimento intuitivo é o motivo de praticarmos.

Não entendendo a dualidade sujeito-objeto, vemos os objetos em nosso mundo como a fonte de nossos problemas: você é meu problema, meu trabalho é meu problema, minha cadeira é o problema (quando vejo a mim mesma como o problema, transformei-me eu mesma em um objeto).

Então nos afastamos dos objetos que percebemos como problemas e buscamos objetos que vemos como não-problemas. A partir desse ponto de vista, o mundo consiste em: eu e as coisas que me agradam ou desagradam.
Trechos Budistas do darma.info

"Mesmo se você reside na floresta, se não abriu mão dos objetivos mundanos e não protege sua mente da ânsia pelos objetos dos sentidos, então você falhou em se beneficiar com o Darma. Isso é chamado de 'não completar a própria tarefa'." (Atisha)

"É importante não ceder à nossa tendência de preguiça e de adiar a prática para amanhã, o mês seguinte ou o ano que vem. Podemos gastar nossas vidas pensando: 'vou praticar amanhã, ou depois', então a vida se esgota e, um dia, é hora de morrer." (Yongey Mingyur Rinpoche)

"A verdadeira segurança só chega a partir do conforto com a insegurança. Se estamos confortáveis com o fluxo das coisas, se estamos confortáveis estando inseguros, então essa é a maior segurança, porque nada pode derrubar nosso equilíbrio. Enquanto tentamos solidificar, interromper o fluxo da água, criar uma barragem, manter as coisas do jeito que elas estão apenas porque isso nos faz sentir seguros e protegidos, então estamos em apuros. Essa atitude vai exatamente contra todo o fluxo da vida." (Tenzin Palmo)

"A essência da prática budista não é tanto um esforço para mudar seus pensamentos ou comportamento para que possa se tornar uma pessoa melhor, mas sim em realizar que não importa o que você pense sobre as circunstâncias que definem sua vida, você já está bem, inteiro e completo. Trata-se de reconhecer o potencial inerente de sua mente. Em outras palavras, o budismo não se preocupa muito com sentir-se bem, mas em reconhecer que você é — bem aqui e agora — tão completo, tão bom, que está tão essencialmente bem quanto jamais poderia ter a esperança de estar." (Yongey Mingyur Rinpoche)

"'A pessoa é seu próprio refúgio, quem mais poderia ser o refúgio?', disse o Buda. Ele aconselhou seus discípulos a serem 'um refúgio em si mesmos', e jamais buscar refúgio ou amparo de qualquer outra pessoa." (Walpola Rahula)

"Nós não estamos fazendo meditação do calmo descansar para lidar com nosso estresse. Estamos praticando o calmo descansar e a meditação para alcançar o estado búdico para o benefício de todos os seres. Precisamos estar progredindo verdadeira e sinceramente, não apenas tentando se sentir bem. Podemos nos sentir bem, mas isso é um bônus. É permitido que nos sintamos bem, não há nada de errado com isso, mas se estamos fazendo nossa meditação para nos sentir confortáveis então estamos fazendo pelo motivo errado. Posso descrever esse sentimento ao qual é possível ficarmos apegados: da cabeça aos pés, sentimos como se não houvesse doença, moléstia, desconforto — sentimos tudo como absolutamente perfeito. Mesmo se temos um resfriado, na meditação é como se eu estivesse nadando em um oceano de mel — perfeito. No entanto, se ficamos apegados a esse estado, voltamos à estaca zero."
"A culpa não é da vítima." Sim. Mas reflitamos. Há um culpado? Existe culpa senão na lei e na raiva de cada um (contra o outro ou contra si)? Por que precisa haver um culpado? Condenar resolver alguma coisa? O filme "Prisoners" (do canadense Denis Villeneuve, com Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal e Paul Dano) ilustra bem essa dúvida: quem é mais prisioneiro? Quem é culpado ou quem culpa? 

Rinpoche:
O desafio é deixar de lado nossos julgamentos e preconceitos, inclusive a distinção que fazemos entre vítima e agressor. Se um parente, ou mesmo um estranho, é atingido pela desgraça, a maioria de nós sente compaixão. Em contrapartida, temos a tendência de nos alegrar quando um inimigo sofre. Pensamos que o sofrimento é merecido porque, de algum modo, ele prejudicou a nós ou a um dos “nossos”. 
Além de não ajudar ninguém, essa postura gera desvirtude. Na verdade, ao ferir uma pessoa com palavras ou gestos, ou mesmo ao desejar seu sofrimento, estamos prejudicando a nós mesmos. A repercussão cármica de bater em alguém, por exemplo, é muito pior do que a dor de ser atingido. A mente é um campo fértil onde uma única semente cármica pode produzir muitos frutos, assim como uma única semente de maçã pode se transformar em uma árvore que produz centenas de frutos ano após ano. 
Se o agressor que age levado pela ignorância e confusão não purificar esse carma, no futuro sofrerá muito mais que a vítima. É como se a vítima sofresse agora as consequências do veneno que tomou no passado, ao passo que o agressor ingere uma dose ainda mais letal do mesmo veneno. Precisamos encontrar uma maneira de ajudar os dois.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Com a palavra, Tony da Gatorra:

minha pervisao é que nao averá copa do mundo no brasil a fifa já está pensando mesmo em fazer a copa lá na mangólia; entao voceis ganãnciosos por dinheiro vao tirando o cavalinho da chuva e conprar uma pasagem para a mangólia que é um distrito da súmália lá no fim cafundó.e graças a deus longe de mim esta copa insana e criminosa que poderia só trazer disgraça miséria e fome para o brasil.

eu vejo 190 milhoes puchando a carroça para os mercenários politiqueiros de brasilia . pessoal ;;; nao adianta echer um balde onde o furo de baixo e maior doque de cima o trabalhador brasileiro é como um cavalo que pucha a carroça porque nao sabe a força que tem....

O BRASIL NAO TEM AS MINIMAS CONTIÇOES DE SEDIAR UM EVENTO TIPO COPA DO MUNDO VEJA BEM A POPULAÇAO NAO TEM MORADIA.. NAO TEM HOSPITAIS NAO TEM POSTOS DE SAÚDE . NAO TEM SEGURANÇA.. NAO TEM JUSTIÇA NAO TEM LEI.NAO EXISTE O ESTADO DE DIREITO. ONDE OS BANDIDOS DITAM AS REGRAS E NAO EXISTE A JUSTIÇA E AS LEIS ESTAO SÓ NA GAVETA E EM BRASILIA SÓ LADROES E CHEIRADORES DE FARINHA. DEPUTADOS VAGABUNDOS QUE NUNCA SOUBERAM OQUE É TRABALHAR PARA COMER DIGNAMENTE. PESSOAS MORREAM NOS HOSPITAIS SEM ATENDIMENTO..... NAO TEM MÉDICOS.. E O TRABALHADOR PAGA.. SAO BANDIDOS ´´GOVERNANDO´´O BRASIL ATÉ QUANDO ABOLIÇAO A ESCRAVATURA JÁ.

e o responsável por isso é voceis capitalistas desumanos desgrasados filhos do demonio mas que um dia prestarao conta com o criador e irao ce juntar no quinto dos infernos com seus amigos demonios... e nao tem volta...

no brasil qualquer um pode ser presidente; basta ter dinheiro; ser fluente;;e ser mentiroso; eu por axenplo jamais poderia ser presidente ; porque ; nao tenho dinheiro; nao sou fluente; e nao sou mentiroso; no brasil presidentes .. ministros ; e deputados. sao tudo que nao presta. após nós trabalhador sofrermos o golpe militar ; agora estamos sofrendo o golpe civil neste triste e cruel regime capitalista insano;;; fora mercenários ladroes dos inocentes.

o problema é que a pelegada de carrapatos situados no palácio do planáuto e congresso nacional só se preocupam em ocupar os cargos de ministros e deputados mas se negam e se omitem de exercer a funçal pelo quel foi designados. e só visam a grana que nós pagamos e é um salário de marajá até quando vao estas mordomias. e ainda querem a copa do mundo; enquanto ninguem tem moradia a saúde é pésima colégios sucatiados a liberdade de ir e vir conprometida com risco nao existe . crianças pasando fome mendigos sem ajuda FORA COPA DAS ELITES CAPITALISTAS; NAO VAI AVER COPA DO MUNDO NO BRASIL AQREDITE FORA.... EU PROTESTO

E AINDA QUEREM A COPA NO BRASIL - TEM DINHEIRO PARA A COPA MAS NAO TEM PARA ALIMENTAR UMA CRIANÇA.... AS ARENAS DE LUXO E CRIANÇAS MORRENDO DE FOME NO BRASIL. E NAO TEM HOSPITAIS NAO TEM SEGURANÇA . PARA jOGAR BOLA NO BRASIL BASTARIA UMAS ARQUIBANCADAS DE MADEIRA E UMS BANHEIROS QUIMICOS E NAO GASTAREM MILHOES E PESSOAS MORRENDO NOS HOSPITAIS E CRIANÇAS CHORANDO DE FOME. OS DIRIGENTES DA FIFA NAO PASAM DE UM SACO DE CARNE ABUTRES LADROES FILHOS DA PUTA CARNICEIROS DESGRASADOS..

esta é a cara do brasil onde pessoas estao sendo mortas como gado no matadouro e policiais páis de familia sendo disimados mortos por bandidos um paiz onde nao vigora o estado de direito e crianças pasando fome e o ´´´´governo´´´´federal dando dinheiro do contribuinte para satisfazer os caprichos das elites capitalistas e encherem os bolsos dos cartolas . pura insanidade esta copa criminosa . mas esse ´´´´governo´´´vai responder amanhã por este erro doentiu e criminosso desta copa insana que vai trazer muita miséria e fome para os inocentes realmente os humanos sao egoistas por natureza; eu protesto; pelegada de ladrões sem conciencia saco de carne espirito imundo;;;;

veja os ´´ deputados´´ do povo aprovaram que o trabalhador pague 25 milhoes para enfeitar o entorno do estádio beira rio para satisfazer os cartolas da elite capitalistas da fifa. eu protesto estes 31 ´´deputados´´ que sao pagos para trabalhar em prol do povo trabalha para o capitalismo insano e crminoso sao mercenários corruptos

os cartolas da FIFA começaram a enlouquecer e já sintiram que nao averá copa do mundo no brasil e ce houver será o maior desatre humano e anarquia jamais acontecida antes eles sao doentes e nao valorizam a vida veja os deputados estadual querem nosso dinheiro para custear a copa do nosso inposto e para a saúde eles nao arumam nada sao uns filhos do demonio FORA COPA VAO FAZER A COPA DE VOCEIS NO INFERNO SEUS DOENTES LADRÕES DOS INOCENTES

vamos inpedir esta copa do mundo aqui no brasil para nao ter mais miséria doença e fome dos inocentes que terao de pagar os caprichos das elites de ladroes que vem aqui no brasil pensando que todu mundo é trouxa ; vamos mostrar pra eles que esta terra tem dono ...
Sem os impostos da Fifa, o País deixará de arrecadar cerca de R$ 1,08 bilhão, segundo estudo feito no início do ano pelo TCU. O MPF entende que, ao conceder benefícios fiscais à Fifa, o governo está ferindo a Constituição e está sendo injusto com as demais empresas, que vão continuar pagando seus impostos normalmente. Tal bondade só pode ser concedida, segundo Gurgel, quando a renúncia de impostos é revertida "em prol da sociedade". Ele entende que não é "possível vislumbrar nenhuma razão que justifique o tratamento diferenciado da Fifa". Gurgel pede que a Justiça cancele sete artigos da lei 12.350. Se o STF entender que o procurador-geral está certo, a Fifa, suas afiliadas e empresas que prestarão serviços à entidade durante a Copa teriam que recolher Imposto de Renda, IOF (Imposto sobre Operações de Crédito), contribuição para o PIS/Cofins-Importação, IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), entre outras contribuições sociais, como fazem as demais empresas. (UOL)
Porto Alegre e o legado da Copa FIFA.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Skaetlyn Osmond (CANADÁ). Campeonato Mundial 2014, em Saitama, Japão. Fez perfeito e ficou faceiríssima :D



Carolina Kostner (ITA), nesse Programa Curto, ficou na frente da Lipnitskaya!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Avey Tare! Strange colores :)

Os covardes encoxadores... no Fantástico.
Dave Anderson, biólogo marinho que observa baleias e golfinhos, conseguiu filmar, usando um drone, centenas de golfinhos e baleias em sua vida selvagem.

Augusto Darde escreveu no Facebook:
Existe uma tendência que condena o discurso da meritocracia. Pretendo mostrar que esse discurso se desdobra em dois. Na meritocracia tradicional, são exemplos expressões do tipo "vagabundo bom é vagabundo morto"; "sou a favor de direitos humanos para humanos direitos"; "só é vagabundo porque quer". A crítica a essa meritocracia tradicional pretende mostrar que as formações do indivíduo social são complexas, que dificilmente os indivíduos pertencentes a classes sociais diferentes enfrentarão a vida com a mesma disposição ou terão as mesmas dificuldades quando encontrados lado a lado em um momento de concorrência.

Eis um discurso meritocrático menos tradicional: Chamemo-lo "Meritocracia da estrutura psicológica". Já vi muitos que são contra o tradicional discurso de meritocracia utilizarem o discurso de meritocracia psicológica. Por exemplo: se um indivíduo tem acesso a todos os meios materiais e intelectuais que possam torná-lo, digamos, socialmente feliz, realizado, e mesmo assim não o seja, eis algumas expressões que exemplificam esse último tratamento meritocrático: "tem tudo na vida, e ainda é infeliz"; "não sabe dar valor para o que tem"; "esse gosta de ser triste"; aqui, o tradicional "só é vagabundo porque quer" é substituído pelo "gosta de ser infeliz".

A meritocracia da estrutura psicológica parece estar no caminho de diagnosticar o que chamaríamos de "patologia emocional" ou "melancolia". Mais que explorar os "limites da normalidade", quero dizer: Se a meritocracia tradicional não expõe as complexidades da formação do indivíduo social num sentido material/intelectual/coletivo, a meritocracia psicológica não explora as complexidades das formações idiossincráticas subjetivas, que muitas vezes se desenvolvem independentemente do pertencimento a determinada classe social (ou cultural). Qualquer discurso meritocrático é julgador, justamente por se estabelecer em valores pré-concebidos, estar entre claros limites. Se a intenção for desbancar todo discurso meritocrático, recomendo orientarmos a nossa crítica para muito além dos limites compreendidos nas classes sociais e culturais.

domingo, 23 de março de 2014

Joaquim Barbosa acusa jornalista Ricardo Noblat de crime racial.


Ricardo Noblat:
(...) Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor – sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.

Joaquim é assim se lhe parece. Sua promoção a ministro do STF em nada serviu para suavizar-lhe a soberba. Pelo contrário.

Joaquim foi descoberto por um caça talentos de Lula, incumbido de caçar um jurista talentoso e... negro.

“Jurista é pessoa versada nas ciências jurídicas, com grande conhecimento de assuntos de direito”, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

Falta a Joaquim “grande conhecimento de assuntos de direito”, atesta a opinião quase unânime de juristas de primeira linha que preferem não se identificar. Mas ele é negro.

Havia poucos negros que atendessem às exigências requeridas para vestir a toga de maior prestígio. E entre eles, disparado, Joaquim era o que tinha o melhor currículo.

Não entrou no STF enganado. E não se incomodou por ter entrado como entrou.

Quando Lula bateu o martelo em torno do nome dele, falou meio de brincadeira, meio a sério: “Não vá sair por aí dizendo que deve sua promoção aos seus vastos conhecimentos. Você deve à sua cor”.

Joaquim não se sentiu ofendido. Orgulha-se de sua cor. E sentia-se apto a cumprir a nova função. Não faz um tipo ao destacar-se por sua independência. É um ministro independente. Ninguém ousa cabalar seu voto. (...)

sábado, 22 de março de 2014

“O melhor indicador do seu nível de consciência é como você lida com os desafios da vida, quando eles vêm. Por meio desses desafios, uma pessoa já incosciente tende a ficar mais profundamente afastada da consciência, e uma pessoa consciente fica mais intensamente perto dela. Você pode usar um desafio para acordar, ou para se empurrar a um sono ainda mais profundo.” (Eckhart Tolle)
“Não gosto da arquitetura nova, porque a arquitetura nova não faz casas velhas. Não gosto das casas novas, porque as casas novas não têm fantasmas. E, quando digo fantasmas, não quero dizer essas assombrações vulgares que andam por aí... É não sei-quê de mais sutil nessas velhas, velhas casas, como em nós, a presença invisível da alma... Tu nem sabes a pena que me dão as crianças de hoje! As suas casas não têm porões nem sótãos, são umas pobres casas sem mistério. Como pode nelas vir morar o sonho?” (Mario Quintana)

quinta-feira, 20 de março de 2014

"Uma criança de 0 a 2 anos consome 87% da energia metabólica para a constituição do cérebro. Se essa criança pega uma doença forte, crônica, um parasita, ou tem uma diarreia muito forte nesse período crítico da formação do cérebro, isso compromete a formação neural para o resto da vida. Porque ela veio com o cérebro muito informe, e essa doença crônica bem no início da trajetória é comprometedora. É gente que vai começar o ensino fundamental e vai repetir o primeiro ano muitas vezes porque não consegue aprender. Um país em que metade dos domicílios não têm saneamento básico está condenando uma proporção gigantesca de crianças a doenças crônicas, parasitas e diarreias que vão comprometer a sua capacidade cognitiva para o resto da vida. E nós não estamos sabendo resolver isso - no século 21. Nós chegamos ao século 21 sem ter resolvido um problema de agenda social do século 19, que é coleta de esgoto. O país quer construir estádios, o país quer construir trem-bala, e quer continuar vivendo miseravelmente." (Eduardo Gianetti)
No vídeo se fala e se ouve: - "O país quer construir estádios, o país quer construir trem-bala, e quer continuar vivendo miseravelmente."

A legenda automática traduz: - "Em um país que a fazem estados do país quer fazer também a aula isto é continua vivendo no luxo novamente."

https://www.youtube.com/watch?v=hwL_xFbXtvs
Luvas Mi.Mu Gloves for Music. A Imogen Heap explica.


quarta-feira, 19 de março de 2014

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Califórnia, membros do Bicep2, assinalam que - "com a inflação provocada pelo Big Bang, minúsculas flutuações quânticas do universo inicial foram amplificadas enormemente e este processo criou ondas de densidade que geraram pequenas diferenças de temperatura no céu, pontos de maior densidade que acabaram condensando-se em galáxias e grupos de galáxias; mas a inflação também teria produzido ondas gravitacionais primordiais, dobras no espaço-tempo propagadas pelo universo". Pois se isto não fosse o bastante, a descoberta destes sinais do início dos tempos dá também credibilidade à teoria do multiverso. O crescimento inicial, em um lapso de tempo após o Big Bang, teria causado com que algumas partes do espaço-tempo se expandissem mais rápido, criando bolhas que poderiam ter desenvolvido outros universos. Estes universos gerados nas bolhas seminais da expansão teriam suas próprias leis físicas. Leia mais em: Ondas gravitacionais confirmariam o Big Bang e apontariam à existência de um multiverso - Metamorfose Digital.
Portais entre os campos magnéticos da Terra e do Sol!

1:15
Most portals are small and short-lived;
1:18
others are yawning, vast, and sustained.
1:22
Energetic particles can flow through the openings,
1:24
heating Earth's upper atmosphere,
1:26
sparking geomagnetic storms,
1:29
and igniting bright polar auroras.
1:32
NASA is planning a mission called 'MMS,'
1:34
short for Magnetospheric Multiscale Mission,
1:38
due to launch in 2014, to study the phenomenon.
1:41
Bristling with energetic particle detectors and magnetic sensors,
1:46
the four spacecraft of MMS will spread out in Earth's magnetosphere
1:50
and surround the portals to observe how they work.
1:52
Just one problem: Finding them.
1:56
Magnetic portals are invisible, unstable, and elusive.


terça-feira, 18 de março de 2014

"O processo de alfabetização é leitura do mundo, é leitura de si, leitura dos outros, leitura da realidade. E como estar vivo é ler, reler, continuar lendo, desconstruindo as palavras e os sentidos e construindo novos, somos permanentes alfabetizandos e alfabetiza- dores, nesse sentido. Não sabemos tudo, e aquele que se julga 'não, já sei de tudo', cutuque porque morreu! Virou múmia. Porque sintoma de vida é pergunta, é problema, é perdição, é caos criador." (Madalena Freire via Viviane Mosé)
Já compartilhei aqui este paraíso do Depeche Mode? Heaven.

Tira-gosto de Breadcumb Trail, documentário de Lance Bangs (marido da Corin Tucker, das Sleater-Kinney) sobre os adolescentes do lendário Slint (uma das influências do gênero post-rock) e a cena de Louisville de onde eles emergiram.

segunda-feira, 17 de março de 2014

"Sempre que você interagir com pessoas, não esteja ali predominantemente como uma função ou um papel, mas como o campo de Presença consciente. Você pode perder algo que você tem, mas nunca algo que você é." (Eckhart Tolle)

domingo, 16 de março de 2014

Miséria do debate 
(Miriam Leitão)

O Brasil não está ficando burro. Mas parece, pela indigência de certos debatedores que transformaram a ofensa e as agressões espetaculosas em argumentos. Por falta de argumentos. Esses seres surgem na suposta esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais, ou na direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.

É tão falso achar que todo o mal está no PT quanto o pensamento que demoniza o PSDB. O PT tem defeitos que ficaram mais evidentes depois de dez anos de poder, mas adotou políticas sociais que ajudam o país a atenuar velhas perversidades. O PSDB não é neoliberal, basta entender o que a expressão significa para concluir isso.

A ele, o Brasil deve a estabilização e conquistas institucionais inegáveis. A privatização teve defeitos pontuais, mas, no geral, permitiu progressos consideráveis no país e é uma política vencedora, tanto que continuou sendo usada pelo governo petista. O PT não se resume ao mensalão, ainda que as tramas de alguns de seus dirigentes tenham que ser punidas para haver alguma chance na luta contra a corrupção. Um dos grandes ganhos do governo do Partido dos Trabalhadores foi mirar no ataque à pobreza e à pobreza extrema.

Os epítetos “petralhas” e “privataria” se igualam na estupidez reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao debate. São maniqueísmos que não veem nuances e complexidades. São emburrecedores, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam. Ou algo bem mais sonante. Tenho sido alvo dos dois lados e, em geral, eu os ignoro por dois motivos: o que dizem não é instigante o suficiente para merecer resposta e acho que jornalismo é aquilo que a gente faz para os leitores, ouvintes, telespectadores e não para o outro jornalista. Ou protojornalista. Desta vez, abrirei uma exceção, apenas para ilustrar nossa conversa.

Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como “rottweiller” um recém-contratado pela “Folha de S.Paulo” para escrever uma coluna semanal. A ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.

Certa vez, escreveu uma coluna em que concluía: “Desculpe-se com o senador, Miriam”. O senador ao qual eu devia um pedido de desculpas, na opinião dele, era Demóstenes Torres. Não costumo ler indigências mentais, porque há sempre muita leitura relevante para escolher, mas outro dia uma amiga me enviou o texto de um desses articulistas que buscam a fama. Ele escreveu contra uma coluna em que eu comemorava o fato de que, um século depois de criado, o Fed terá uma mulher no comando.

Além de exibir um constrangedor desconhecimento do pensamento econômico contemporâneo, ele escreveu uma grosseria: “O que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?” Mostrou que nada tem na cabeça. Não acho que sou importante a ponto de ser tema de artigos. Cito esses casos apenas para ilustrar o que me incomoda: o debate tem emburrecido no Brasil. Bom é quando os jornalistas divergem e ficam no campo das ideias: com dados, fatos e argumentos.

Isso ajuda o leitor a pensar, escolher, refutar, acrescentar, formar seu próprio pensamento, que pode ser equidistante dos dois lados. O que tem feito falta no Brasil é a contundência culta e a ironia fina. Uma boa polêmica sempre enriquece o debate. Mas pensamentos rasteiros, argumentos desqualificadores, ofensas pessoais, de nada servem. São lixo, mas muito rentável para quem o produz.
Reequilibrando um ecossistema.

Millie Brown vomita pintura.




Vomitou na Lady Gaga.

Wolves

sábado, 15 de março de 2014

Serve para tudo, não só o futebol:
Por Mauro Cezar Pereira (ESPN):

Na mesma medida em que ela [a arquibancada] se esvazia, parecem se multiplicar os torcedores de perfil... estranho. Alguns pelo jeito raras vezes (ou jamais) foram a um estádio. E convenhamos, em toda cidade existe um e nele está a boa e velha arquibancada. Não vai lá quem não quer. 
Jovens, em sua maioria, que escolhem um time lá de fora e acham que torcer é decorar quantidade interminável de informações dispensáveis sobre vários clubes e jogadores. Não são poucas as vezes nas quais se exibem desfilando cultura inútil. Acham que para entender o futebol basta saber quem foi um zagueiro búlgaro, um lateral uzbeque ou técnico hondurenho.   
Será que eles tentam chamar a atenção das garotas falando em duas linhas de quatro? Na cobertura dos laterais, no "falso" nove ou no encaixe da marcação? Será que esses rapazes e moças acreditam realmente que o futebol é apenas isso, quase uma ciência exata? 
Agem como integrantes de seitas pautadas pela demonstração de conhecimentos que na realidade são meros detalhes de interesse deles mesmos. E interessam porque os próprios competem tentando mostrar que entendem muito de futebol. Mas na verdade não entendem porque não o sentem. Conhecem de vista, como aquela vizinha que apenas às vezes lhes diz "bom dia".

sexta-feira, 14 de março de 2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

Compilei declarações da bióloga-ativista Ana Paula Maciel, a fim de esclarecer a questão do ensaio sensual que ela fez, já que isso está lhe rendendo críticas por aí, das quais eu discordo.
“Achei bacana o resultado, ficou bem natural e passou o que realmente era a intenção, que era fazer uma analogia ao que aconteceu na Rússia, mas ao mesmo tempo mostrando a beleza da Ana Paula que estava presa. Participei de tudo desde o princípio. Tudo foi compartilhado: cenário, como fazer as fotos, desde a maquiagem até a escolha do traje. Eu me acho linda e me amo do jeito que eu sou. Me cuido, mas por saúde. Existem mini-academias dentro dos navios e, se o trabalho não é muito pesado durante o dia, faço musculação à noite. Eu mesma corto o meu cabelo e ele é igual desde a infância, nunca pintei nem alisei. Nessa foto feita para a edição de março da Playboy, pedi que não usassem Photoshop. Sou uma pessoa normal, não uma top model, e espero que os leitores vejam isso como um ponto positivo. Eu não busquei a fama, foi algo que aconteceu de forma espontânea. E essa oportunidade, assim como muitas outras, se abriram para mim por causa da repercussão que teve a prisão. É uma única foto que vai sair em folha dupla e, dependendo da repercussão que tiver, eu negociaria com a revista um ensaio completo com o pagamento de um cachê. Como esse rumor do ensaio começou quando eu ainda estava em São Petersburgo, nós brincávamos sobre essa possibilidade e, naquele momento, todos eles com os quais eu falei me apoiaram, todos de nacionalidades diferentes e culturas diferentes, unanimemente. Minha decisão, pessoal, não apaga tudo que fiz pela causa ambiental. Acredito na ideia de Aristóteles, do caminho do meio, da flexibilidade. Com equilíbrio e respeito se vai muito mais longe. Não sou ativista radical, não sou vegetarianista radical, de nenhuma maneira. Na organização mesmo, meus amigos são pessoas, porque o Greenpeace é um nome, mas são as pessoas que fazem o que ela é... E quando todos buscam um caminho do meio para seguir em frente, todos acabam pensando mais ou menos como eu. Fui criticada por ser presa, depois por chegar a Porto Alegre e comer churrasco. Veganos e vegetarianos me criticaram por isso. Agora, não espero ser consenso. O que diria para quem acha que o ensaio sensual diminui o poder da mulher? Diria que a minha bandeira é das causas ambientais. E que essas críticas são recheadas de falso moralismo. Se a pessoa levanta do sofá e vai defender uma causa, é isso que importa. Eu não preciso ser um super-herói e defender tudo ao mesmo tempo. Minha paixão são os animais silvestres e é por isso que eu luto. Quero financiar um santuário para animais apreendidos pela Polícia Federal, vítimas de tráfico ilegal. Quando a gente tem a oportunidade de realizar um sonho, tem mais é de vencer os medos e encarar. Trabalhar com animais selvagens e ajudá-los de alguma forma é um sonho de adolescente, mas é algo que precisa de um certo investimento. Se estão me dando uma oportunidade de fazer um trabalho honesto com a melhor das intenções, não há problemas. Pretendo aproveitar essa oportunidade para atingir públicos com a questão ambiental que, de repente, eram inatingíveis, por nunca terem parado para pensar sobre isso. Vou esperar a repercussão da primeira foto de biquíni na Playboy. Dela depende o meu ensaio nua. Então, se há pessoas que me admiram e querem me ajudar a realizar o sonho de criar a reserva, elas podem escrever para a revista pedindo mais."

Fontes: Terra - Jornal NH - Marie Claire



Publicado originalmente em 11/03/2014.
Atualização - Resultado da enquete do programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, hoje:

"Quando estamos com a Atenção Plena Correta, ou seja, conscientes, nosso pensar é o Pensamento Correto e o falar, a Fala Correta, e assim por diante. A Atenção Plena Correta é a energia que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo. O Primeiro Milagre da Atenção Plena é estar presente e ser capaz de entrar em contato profundo com algo ou alguém. O Segundo Milagre da Atenção Plena é fazer com que o outro (algo ou alguém) também esteja presente.  O Terceiro Milagre da Atenção Plena é nutrir o objeto de sua atenção. O Quarto Milagre da Atenção Plena é aliviar o sofrimento de outra pessoa. Pode dizer isso com palavras ou simplesmente pela forma como olha para a pessoa. O Quinto Milagre da Atenção Plena é a contemplação profunda (vipashyana), que também é o segundo aspecto da meditação. Relaxado e concentrado, você está realmente preparado para olhar em profundidade. Você irradia a luz da atenção plena sobre o objeto que observa, e ao mesmo tempo irradia a luz da atenção plena para si mesmo. O Sexto Milagre da Atenção Plena é a compreensão. Quando entendemos algo, quando vemos alguma coisa que não víamos antes. Ver e compreender são processos que surgem dentro de nós. Ao usar a atenção, entramos em contato com o momento presente, profundamente, e podemos ver e ouvir com clareza. Isso gera frutos, que são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar a dor e trazer alegria. Quando você entende alguém, não consegue deixar de amar esta pessoa. A compreensão é o verdadeiro alicerce do amor. O Sétimo Milagre da Atenção Plena é a transformação." (Thich Nhât Hanh)
testetemplate: [CRÍTICA] The Girl Who Became Three Boys: Vinte e um anos de idade, Gemma Barker de Staines está cumprindo 30 meses de prisão por fraude e abuso sexual. Ao longo de vários...

quarta-feira, 12 de março de 2014

"A cegueira que nos impede de ver tanto a riqueza da diversidade quanto a própria diversidade é o que chamo de monocultura da mente. Funciona maravilhosamente a partir de uma posição de poder. Você extermina a vida. Você extermina a auto-organização da vida. Você extermina a sustentabilidade das comunidades locais. E você torna tudo dependente de seu poder, seu controle, sua propriedade. Uma monocultura da mente é, literalmente, a raiz da ditadura sobre a Terra." (Vandana Shiva, indiana, Ph.D. em filosofia e ativista ecológica)
A Lógica Fuzzy é a lógica do “e”, que é includente e não dicotômica, e permite sair do dilema da lógica aristotélica, a lógica do “ou”, que é excludente, dicotômica e não representa muito bem a ambiguidade e a imprecisão dos atos e dos fatos da realidade, que correspondem à permeabilidade dos limites e à autossimilaridade dos fractais. (KOSKO, 1995)
"As bonecas sexuais humanas são geralmente crianças entre 8 a 10 anos, compradas de famílias miseráveis em países aonde a pobreza extrema atinge a maioria da população. Por centenas de dólares essas crianças são adquiridas pelos 'Dolls Makers'. Em seguida, acredita-se que são levadas a centros cirúrgicos clandestinos e transformadas em bonecas vivas que não apresentem resistência às perversões sexuais dos seus donos. Seus membros, braços e pernas, são amputados e substituídos por próteses de silicone. As cordas vocais são retiradas e os dentes arrancados e trocados por imitações de borracha. Todo procedimento dura de duas à três semanas e só é iniciado após a 'boneca' ter sido encomendada. O preço varia de 40 a 700 mil dólares, dependendo das exigências feitas. A boneca ainda viria com uma espécie de manual de instruções, dizendo como alimentá-la e realizar as demais necessidades básicas humanas para a sobrevivência, já que dependeria do dono para tudo a partir daí. A estimativa de vida seria reduzida há um ano após o inicio dos procedimentos cirúrgicos." (Os oito piores casos da Deep Web descobertos por internautas da Surface)

terça-feira, 11 de março de 2014

Uma ferida profunda na paisagem 
(El País)

O artista sueco Jonas Dahlberg, de 43 anos, irá realizar três obras que serão interligadas nos locais onde Anders Behring Breivik desencadeou o terror e semeou a morte em 22 de julho de 2011. Dahlberg abrirá fisicamente cerca de 100 metros cúbicos de rocha e terra em Cabo Sørbråtan, Utoya (Noruega), no mesmo lugar onde Breivik matou 69 pessoas, a maioria delas jovens. Esta vala medirá cerca de três metros de altura e abrirá uma brecha na terra que "representará a ferida deixada na sociedade norueguesa por Breivick" e dividirá duas paredes de pedra do lago Tyrifjorden. Os nomes das vítimas serão inscritos em um dos lados da abertura. No outro lado, os visitantes vão andar, mas sem tocar nos nomes das vítimas, já que a água do lago vai impedir esse contato. "O vácuo criado será físico", o júri escreveu em sua decisão "e a impotência de tocar o nome das vítimas evoca o sentimento de perda súbita da sociedade norueguesa e reaviva a memória daqueles que pereceram".

A pedra e a terra tiradas da ilha de Utoya serão levadas a Oslo para a construção de um memorial em homenagem às oito pessoas que morreram na capital norueguesa duas horas antes da chacina de Utoya depois de Breivik explodir duas bombas em dois edifícios ministeriais. Essas obras de Dahlberg serão uma exibição instalada entre Grubbegata e Biblioteca Deichmanske, numa espécie de anfiteatro com árvores e plantas trazidas de Sørbråtan , Utoya. Um lugar onde, segundo Dahlberg escreveu na sua própria proposta de trabalho, "nos lembra que a vida tem que continuar. "

Essas três obras de Dahlberg, concentradas em um único memorial que será chamado de Paisagem Ferida, custará ao Governo 8,8 milhões de reais. Estima-se que duas delas, a ‘ferida’ de Sørbråtan e o passeio de Oslo, sejam concluídas em 22 de julho de 2015, coincidindo com o quarto aniversário dos ataques. O anfiteatro será concluído mais tarde. Dahlberg, que foi eleito por unanimidade pelo júri, venceu o concurso internacional em uma disputa com outros 300 participantes, entre os quais estava o ex-vencedor do prêmio Turner Jeremy Deller.




Macaco, NÃO! 
(Chico Garcia)

Estamos vivendo um novo momento. De reflexão. Os casos de racismo estão se tornando frequentes. Os fatos envolvendo os jogadores Tinga e Arouca e o árbitro Márcio Chagas estão provocando um debate que deve ser ampliado. E ele começa aqui em Porto Alegre.A torcida do Grêmio não é racista. O torcedor gremista quando chama um colorado de Macaco não quer discriminar o rival pela sua cor. A intenção é de uma provocação contra o adversário, dentro da histeria coletiva de competição criada pelo futebol. Há muitos torcedores negros, inclusive, chamando jogadores colorados caucasianos de macacos. Logicamente não há racismo aí. Mas o termo é racista.

Não podemos desconsiderar a origem. O Internacional se autointitula "Clube do Povo", pois a sua história foi construída através de jogadores e torcedores das classes mais pobres, onde a maioria era composta por negros. O período pós-abolição ainda guarda vestígios e isso perpetuou por muito tempo. Infelizmente permanece até hoje. Macaco é um termo ultrajante, segrega uma pessoa à uma condição diferente e menor por conta da sua cor escura. O objetivo de quem adjetiva é insultar, especialmente se for acrescido de um "imundo", "sujo", "fdp", etc.

O Internacional tentou acabar com isso. Criou um novo mascote em forma de um macaquinho bonitinho chamado Escurinho, um dos símbolos negros da sua história. A torcida colorada começou a se autodenominar "macacada". Isso significa aceitar o preconceito? Não, pelo contrário. A medida nada mais é do que uma autodefesa lúdica. Uma espécie de "tapa de luva" no racismo. Assumir para si uma condição que é vista como rebaixada pelo rival. Criar um mecanismo em que as crianças não se sintam ofendidas por torcerem para o Inter e depois serem chamadas de macacos nas ruas. É como aquela receita de não rejeitar o apelido, pois assim é que ele pega, entende?!

Talvez seja hora do Inter repensar o Macaco como mascote. Não deu certo. Virou desculpa para os racistas infiltrados na torcida do Grêmio e de outros clubes poderem bradar termos racistas e disseminarem o preconceito por aí, escondidos pela liberdade que o futebol nos dá.

Espero que o próprio torcedor do Grêmio reflita sobre isso. Não são racistas, mas o termo é. Na dúvida, por que cantar? Por que não podemos fazer festa simplesmente exaltando o nosso time? Não sou ingênuo e sei que, no futebol, o insulto está presente, faz parte do cântico, da loucura em querer levar o seu time à vitória. Mas tem como fazer isso sem agredir de forma tão baixa né?

Existe um outro debate que também quero fazer. Os cânticos da torcida do Inter chamando os gremistas de "gazelas", ou lembfrando a Coligay, algo tão nobre e pioneiro, tem caráter homofóbico sim e deve ser condenado. Não quero tornar o futebol chato, mas civilizado, sem uma característica belicosa, que pode nos trazer consequências mais graves, como a violência.

Vamos torcer, gritar, cantar e até xingar, mas "macaco", não! Acho que seria um bom começo.

Charge de Latuff



Ver pessoas "estranhas" se beijarem pela primeira vez é realmente bonito.

)

segunda-feira, 10 de março de 2014

"A eterna luta do homem racional é a disparidade entre a imagem que faz de si mesmo e aquilo que consegue ser em seu dia a dia. A racionalidade isolou o homem em si mesmo e o fez acreditar, especialmente a partir da modernidade, que ele era princípio de suas próprias ações; distante do mundo e de suas infinitas conexões, sem o alimento explosivo da exterioridade com seus conflitos, o homem, fraco, sem vida, passou a querer alimentar-se de si mesmo, a partir das avaliações de sua própria razão. Uma cabeça obesa é o que restou como herança, e uma vida idealizada arrastada por um corpo raquítico." (Viviane Mosé)

domingo, 9 de março de 2014

O poder da influência sutil.


(John Briggs e F. David Peat, A sabedoria do caos)


O antropólogo polonês Bronislaw Malinowski foi o primeiro a ressaltar como o que ele denominava 'discurso fático' - perguntas sobre o tempo ou o cumprimento nas ruas - cria a atmosfera geral que mantém a coesão da sociedade. Os índios Micmac, do leste do Canadá e da Nova Inglaterra, concordam. Para eles, a tarefa mais importante do dia da pessoa é dar uma volta pela comunidade e jogar conversa fora. No caso, o conteúdo da conversa é obviamente menos importante que o fato de se tomar parte nela. É aí que está a verdadeira influência de cada um. A influência sutil é a que cada pessoa exerce, para o bem ou para o mal, por ser como é. Quando somos negativos ou desonestos, isso gera uma influência sutil sobre os outros, independentemente de qualquer impacto direto que o nosso comportamento possa ter. Nossa atitude e nossa maneira de ser criam o clima em que os demais vivem, a atmosfera que respiram. Ajudamos a fornecer os nutrientes do solo em que os outros crescem. Se somos genuinamente felizes, positivos, solícitos, prestativos e honestos, isso influencia as pessoas ao nosso redor de maneira sutil. Em se tratando de crianças, todos sabem disso. Elas reagem a quem você é muito mais do que àquilo que você diz. Não obstante, todos somos afetados de modo muito profundo e sutil pela maneira de ser alheia.

O poder da borboleta destaca como as pessoas comuns podem ter uma profunda influência na sociedade. Porém, também aponta para a humildade fundamental necessária para se exercer essa influência de modo positivo. Tal como ocorre com as flutuações aleatórias constantes na panela de água aquecida, jamais podemos ter certeza do grau de importância que terá a nossa própria contribuição individual. Nossa ação pode perder-se no caos que nos cerca, ou pode vir a fazer parte de um daqueles muitos ciclos que sustentam e reabastecem uma comunidade aberta e criativa. Em raras ocasiões, pode até ser apanhada e amplificada até transformar toda a comunidade em algo novo. Não podemos saber o resultado imediato. Podemos jamais vir a saber se, ou como, ou quando nossa influência terá um efeito. O melhor que podemos fazer é agir com verdade, com sinceridade e com sensibilidade, lembrando que nunca é uma pessoa que provoca a mudança, mas sim o feedback da mudança em todo o sistema.


Sete métodos de enfrentar o caos cotidiano:

1. usar a criatividade;
2. usar o poder demonstrado pela metáfora da borboleta;
3. nadar com a corrente;
4. explorar o que se insinua nas entrelinhas;
5. observar o que o mundo tem em comum com as artes;
6. viver no âmago do tempo; e
7. reintegrar-se ao Todo.

O termo “caos” refere-se a uma interconectividade subjacente que existe em fatos aparentemente aleatórios. A ciência do caos enfoca matizes, padrões ocultos, a “sensibilidade” das coisas e as “regras” que regem os meios pelos quais o imprevisível causa o novo. É uma tentativa de compreender os movimentos que criam as tempestades, rios turbulentos, furacões, picos pontiagudos, litorais nodosos e todos os tipos de padrões complexos, desde deltas de rios até os nervos e vasos sangüíneos do nosso corpo. Há três temas subjacentes que permeiam essas lições do caos: controle, criatividade e sutileza.

A teoria do caos diz que a competição e a cooperação não são ideias que se excluem. Elas se entrelaçam de maneira complexa. Um sistema caótico complexo, como uma floresta tropical ou o corpo humano, contém uma dinâmica criativa em constante desdobramento, na qual o que chamamos de competição pode subitamente converter-se em cooperação e vice-versa. Nos sistemas caóticos, as interconexões fluem entre elementos individuais em muitos níveis diferentes. No corpo, esses níveis incluem as moléculas que se movem entre as células, as próprias células, os tecidos, os órgãos e os sistemas distribuídos - como os sistemas imunológico e endócrino, com seus hormônios secretados por glândulas diversas. Em vez de ver esses níveis de ordem em termos de competição, o caos concentra-se em como os elementos dentro dos sistemas e as relações entre estes estão em contínua reorganização à beira do caos.

A atividade de um sistema caótico, composta de feedback interativo entre as muitas escalas de “partes”, às vezes é chamada pelo nome poético de “atrator estranho”. Quando os cientistas dizem que um sistema tem um “fator de atração”, querem dizer que, se fizerem no espaço matemático um gráfico das mudanças ou do comportamento do sistema, ele mostrará que o sistema repete um padrão. O sistema é “atraído” por esse padrão de comportamento, dizem os cientistas. Em outras palavras, se perturbarem o sistema, afastando-o do seu comportamento, ele tenderá a retornar ao seu padrão o mais rápido possível. De modo geral, um organismo saudável, animal ou vegetal, tem um atrator estranho e é um atrator estranho – indo e vindo, movendo-se, mudando, cheio de ciclos de feedback positivos que empurram o sistema em novas direções e ciclos de feedback negativos que evitam que os processos descambem para o mero esquecimento aleatório. Dentro do atrator estranho geral do organismo escondem-se muitos subconjuntos de atratores (por exemplo, o coração e o cérebro), cada qual com seu próprio grau particular de “regularidade” – em outras palavras, cada qual mais ou menos estranhos.

[Emergência]

Quando indivíduos variados se encontram, eles têm um tremendo potencial criativo. Na medida em que os indivíduos – cada qual com sua própria criatividade auto-organizada – se agregam, eles abrem mão de alguns graus de liberdade, mas descobrem outros. Surge assim uma nova inteligência coletiva, um sistema aberto, imprevisível em relação a qualquer coisa que alguém pudesse esperar observando os indivíduos agindo apenas isoladamente.

Nossos governos, as corporações para as quais trabalhamos e mesmo os grupos de lazer e os grupos religiosos aos quais pertencemos às vezes fazem coisas terríveis em nosso nome. Quando isso ocorre, jogamos a culpa nos líderes ou nos demais membros do grupo. Sentimo-nos alienados da atividade coletiva de que somos parte integrante e conivente. Em determinado nível, podemos nos identificar totalmente com a organização, mas, em outro, sentimos que ela constitui um outro estranho, um eles. O ponto de vista do caos permite-nos ver que a nossa aflição tem muito a ver com o modo como assumimos o pressuposto de que as organizações se sustentam basicamente na liderança, na competição e no poder.

Aparentemente criamos uma realidade em que as organizações e os indivíduos nela inseridos lutam com unhas e dentes. Entretanto, não é isso o que diz o caos. Segundo ele, o problema e que nós pensamos que vivemos nessa realidade. Como achamos que é nela que vivemos, o poder, a competição e a hierarquia acabam por dominar nossa mente. Não obstante, o caos diz que, se examinarmos atentamente as organizações de hoje, veremos que há algo muito diferente de tudo isso ocorrendo lá dentro – algo que pode até nos estimular a mudar o nosso modo de pensar. O caos revela que as corporações reais são tanto atrações estranhas quanto hierarquias. São tanto sistemas não-lineares abertos – inextricavelmente entrelaçados com o ambiente que proporcionou sua existência, sujeitos às flutuações desse ambiente e do pessoal que flui através deles – quanto centros de poder. Com efeito, as influências sutis e o feedback caótico estão em constante atividade dentro das organizações.

Do ponto de vista do caos, o verdadeiro problema é que – talvez desde o início da 'civilização' -, os seres humanos impuseram ideologias de hierarquia, de poder e de competição às suas tendências naturais à atividade criativa coletiva. Ampliamos certos elementos do processo coletivo até eles se tornarem o processo inteiro. O resultado é que agora temos um mundo repleto de organizações que se frustram mutuamente e estão sufocando a criatividade dos indivíduos que as constituem. Estão gerando tormentos desnecessários e disputas psicológicas.

A vida é simples ou complexa? A teoria do caos diz que pode ser as duas coisas, e mais – pode ser ambas ao mesmo tempo. O caos revela que o que parece incrivelmente complicado pode ter uma origem simples, enquanto a simplicidade pode ocultar algo de assombrosa complexidade. O muito simples e o altamente complexo são reflexos um do outro. São como o deus romano Jano, que geralmente é representado olhando em duas direções ao mesmo tempo e, assim, possuindo duas faces inseparáveis entre si. Estresse demais faz as pessoas ficarem doentes, mas os pesquisadores descobriram que é necessário um pouco do caos na vida para que o sistema imunológico funcione corretamente. A teoria do caos diz que, quando a vida parece complicada ao extremo, pode haver uma ordem simples bem ao nosso lado. E, quando tudo parece simples, devemos ficar atentos às nuances e sutilezas ocultas.

Em nosso mundo moderno, o tempo tornou-se o nosso captor. A essência do tempo foi reduzida a uma mera quantidade, uma medida numérica de segundos, minutos, horas e anos. Parecemos nunca ter tempo suficiente, mas quando conseguimos um pouco de tempo nós o desperdiçamos. As qualidades do tempo desapareceram. Para nós, o tempo perdeu sua natureza interna. Em outras sociedades, o tempo é uma energia do Universo, um rio a ser navegado, um seio onde encontrar repouso. Neste mundo pós-industrial, o tempo tornou-se mecânico, impessoal, externo e desconectado da nossa experiência mais íntima. Enquanto acreditarmos que o tempo é uma linha reta será difícil explicar muitas das nossas experiências temporais internas.

A ideia de que o tempo tem uma dimensão fractal está de acordo com a nossa experiência imediata. Aí está a porta para entrarmos nos redemoinhos e nas correntes do tempo e explorar seus vórtices turbulentos. Na verdade, provavelmente já estivemos lá. Durante um acidente com risco de vida, o tempo parece ficar suspenso. Os eventos se sucedem em câmara lenta. Temos um estranho mundo de tempo para decidir se devemos frear ou acelerar para escapar a uma possível batida. É como se cada acontecimento do processo se desenvolvesse em seu próprio tempo individual, com sua própria proporção de ser e movimento.

Essa experiência de tempo pode não ser tanto uma ilusão provocada por uma mente sobrecarregada de adrenalina, mas uma visão momentaneamente clara de como se dá o funcionamento exato das coisas nas dimensões do tempo. Em momentos de crise, nós nos desligamos temporariamente do tempo mecânico do relógio e penetramos no tempo fractal, vivenciando suas nuances temporais.

Enquanto examinamos os detalhes fractais do tempo, há microeventos fluindo dentro de nós, cheios de nuances mal percebidas antes; ao mesmo tempo, começamos a sentir o fluxo de ondas de tempo mais amplas e lentas – o movimento do sol cruzando o céu, o aquecimento da Terra, o crescimento das sementes, o envelhecimento das árvores. Estas dimensões fractais do tempo também se enroscam e quebram dentro do nosso corpo. Quando a sociedade que criamos nos separa do significado mais profundo do tempo, ela nos rouba da nossa conexão com os ritmos da própria vida.

As muitas tarefas das pessoas criativas são realizadas concomitantemente, cada qual em seu próprio tempo, e esses tempos são reunidos, recebendo energia uns dos outros. Se somássemos, em um quadro de horário linear, o tempo total que parece estar envolvido em um dia criativo, provavelmente o resultado excederia 24 horas. Mas os criadores estabelecem uma aliança com as dimensões fractais do tempo, e este, por sua vez, fornece-lhes o tempo de que precisam. A verdade é a seguinte: o tempo que desejamos de verdade é o tempo fractal de que dispomos agora.

A teoria do caos ensina que somos sempre parte do problema e que tensões e deslocamentos específicos sempre se desenvolvem a partir de todo o sistema, não de uma "peça” defeituosa. Imaginar que uma questão seja um problema puramente mecânico a ser resolvido pode trazer um alívio temporário dos sintomas; porém, o caos sugere que, em longo prazo, poderia ser mais eficaz examinar o contexto geral em que determinado problema se manifesta.
"Todos sabemos que esperança é necessária para a vida. Mas, de acordo com o budismo, a esperança pode ser um obstáculo. Se investirmos nossa mente no futuro, não teremos energia mental suficiente para encarar e transformar o presente. Naturalmente temos o direito de fazer planos para o futuro, mas fazer planos não significa ser varrido por sonhos, devaneios. Enquanto estamos fazendo planos, nossos pés devem estar firmemente plantados no presente. Só podemos criar o futuro da matéria-prima do presente." (Thich Nhât Hanh)
"Quando a consciência mental opera sozinha ela pode estar em concentração ou em dispersão. Dispersão é quando você se permite ser arrastado pelas emoções. Quando nos sentimos fora do controle de nossas vidas, como se não tivéssemos soberania alguma, isto é a consciência mental em dispersão. Você pensa e fala e faz coisas que você não consegue controlar. Não queremos estar cheios de ódio e raiva e segregação, mas às vezes sentimos que a energia do hábito é tão forte que não sabemos como mudá-la. Inexiste bondade amorosa, compreensão ou compaixão em seu pensamento porque você está aquém do seu melhor eu. (...) Você perde a sua soberania.

"Quando contemplamos profundamente, já podemos nos imaginar em uma situação onde nos controlamos melhor e não somos apenas vítimas de nossas energias de hábito. A concentração nos dá uma liberdade maior para fazer as escolhas que desejamos fazer; ela nos dá a possibilidade de algum livre arbítrio.

"Quando a nossa energia está dispersa e ficamos facilmente enraivecidos, podemos saber intelectualmente que a nossa raiva não nos ajuda, mas não somos capazes de pará-la. A questão do livre arbítrio, portanto, não é uma questão intelectual.

"Nós sabemos que todos nós temos energias de hábito negativas que nos impulsionam a pensar, a dizer e fazer coisas que intelectualmente sabemos que irão nos causar prejuízos. E, no entanto, nós as fazemos de todo jeito. Nós as dizemos de qualquer maneira. Nós as pensamos de todo jeito. Isto é a energia de hábito. Quando a energia de hábito surge, e está prestes a lhe empurrar a pensar, a sentir, a dizer e fazer, você tem a oportunidade de praticar a consciência plena. 'Olá, minha energia de hábito, eu sei que você está surgindo'. Isto pode já fazer uma diferença. Você sabe que você não quer ser vítima da sua energia de hábito e a intervenção da consciência pode mudar a paisagem." (Thich Nhât Hanh)
"Sim, sou guardião de um certo cinema poético, artístico, artesanal, que não está no mundo industrial. E no qual eu não quero entrar. Quero encarar a natureza humana e não industrial. Isso é algo que quero guardar. Nesse sentido, sou um guardião sim. Eu acho que a arte é um lugar da espiritualidade e não do divertimento. As minhas histórias, e as de outros cineastas, como o Rossellini e o Jean Eustache, procuram essa espiritualidade. É um erro reduzi-las ao entretenimento." (Bruno Dumont)
"L’Humanité é um cinema puro, limpo. Seja nos planos, nos enquadramentos, na imagem em geral, L’Humanité é limpo, sem artifícios, sem embelezamentos, sem maquilhagem. Porque o que Bruno Dumont quer mostrar são as imperfeições humanas, o ser humano como ele é. E Bruno Dumont foge aos diálogos. Como diria alguém que me tem aconselhado grandes filmes e cineastas, Dumont filma o vazio. E filma esse vazio de forma simples, crua. Mas Dumont filma sobretudo o instinto humano. Animalesco, primitivo. A violência, o sexo, o desejo carnal. O sexo é sem dúvida o instinto mais explorado pelo cineasta francês, como catalisador desses instintos animalescos do Homem, como entrega do ser humano a esse primitivismo (por isso os planos das vaginas – a da vítima logo no inicio do filme e posteriormente a de Domino)." (Álvaro Martins)

"Não é a história propriamente o que mais arrebata no filme de Bruno Dumont, mas antes de tudo a forma como tudo nos é mostrado: economicamente, sem pressa, operando antes por subtração do que por soma, reduzindo todos os elementos que aparecem diante da tela à sua pura importância imediata (ao contrário dos filmes de suspense – mesmo que de certa forma se trate de um –, onde o mais importante é a retenção de determinados objetos, determinados dados como prova do assassinato, do crime, etc.). O cinema de Dumont é um cinema dos fluxos, em que a câmara permanece parada, descritiva o tempo todo para registrar todas as flutuações de intensidades do mundo que está diante dela." (Ruy Gardnier)


E... como sempre... os que não entendem o filme:

"Mantendo a linha de seu trabalho anterior (o super valorizado e insosso A Vida de Jesus), Dumont faz novamente um filme muuuuito leeeeento, com longos planos, reflexivo, e de montagem sonolenta. Um estilo que agrada aos críticos e aos jurados de festivais, mas que espanta o público. E não é para menos. Seria mesmo necessário tomar duas horas e meia da paciência do espectador para uma história tão rala? Seria mesmo necessário esticar tanto as cenas para ressaltar a angústia do personagem? Afinal, de quem deve ser o sofrimento, de Pharaon ou da platéia? A antiga explicação estética de que um filme ambientado num lugar onde nada acontece deve ter um ritmo tão lento quanto o seu tema ainda é válida, ou perdeu os sentido desde a época de Werner Herzog? Também traz um sabor passadista os pseudo enigmas que o diretor joga aleatoriamente durante a trama: um caminhão em alta velocidade, um avião a jato, cenas de torres de eletricidade... tudo vindo do nada e indo pra lugar algum, como se usava fazer nos chamados 'filmes de arte' dos anos 60 ou nos super-8 dos anos 70." (Celso Sabadin, jornalista especializado em cinema desde 1980)

"L'Humanité é a mais lenta investigação criminal já filmada." (Todd McCarthy/Variety)

"L'Humanité é enfurecedoramente pretensioso e completamente tolo." (James Christopher/The Times)
"Se a sua mente carrega um fardo pesado do passado, você irá experienciar mais do mesmo. O passado se autoperpetua na falta da presença. A qualidade da sua consiência neste momento é o que vai moldar o futuro." (Eckhart Tolle)

quinta-feira, 6 de março de 2014

"A visão da impermanência nos ajuda a não tomar as coisas como pessoais, como se a vida estivesse sendo injusta conosco. As perdas típicas da vida ganham um aspecto menos doloroso quando temos diante de nós a perspectiva do Buda de que as coisas surgem e desaparecem e isso não é só conosco e nem nós estamos livres disso. Podemos também diminuir drasticamente nosso papel de agentes causadores de sofrimento, afinal sabedoria elimina ignorância e esta última está na base de nossas más ações de corpo, fala e mente. Mesmo diante de nossos tropeços e erros, não encontraremos no Buda olhos de censura ou reprovação. Sua compaixão é vasta como os oceanos e sempre nos acolhe." (Derley Alves, professor de filosofia e praticante budista da escola theravada)
“De acordo com o modo de pensar de Jung, todos os órgãos do nosso corpo - não só os relacionados com sexo e agressão - têm seus propósitos e motivações, alguns sujeitos a um controle consciente, outros, entretanto, não. Nossa consciência externamente orientada, endereçada às demandas do dia-a-dia, pode perder conexão com essas forças internas; e os mitos, segundo Jung, quando lidos corretamente, são os meios de trazer-nos de volta a esse contato. Eles estão nos falando, em linguagem figurada, dos poderes da psique que podem ser reconhecidos e integrados às nossas vidas, poderes que têm sido comuns ao espírito humano desde sempre. Dessa forma eles não têm sido - e podem jamais ser - abafados pelas descobertas da ciência, as quais se relacionam mais ao mundo externo do que às profundezas em que mergulhamos nos sonhos. Por meio de um diálogo conduzido com essas forças internas, nossos sonhos e um estudo dos mitos, podemos aprender a conhecer o ampliado horizonte do nosso mais profundo e sábio 'self'. E, de forma análoga, a sociedade que cuidar desses mitos e os mantiver vivos será nutrida com o mais sólido e rico estrato do espírito humano.” (Joseph Campbell)

quarta-feira, 5 de março de 2014

“As pessoas que estão em buscas espirituais procuram por autorrealização ou iluminação no futuro. Ser um buscador implica que você precisa do futuro. Se é nisso que você acredita, torna-se verdade para você: você precisará de tempo se dar conta de que não precisa de tempo para ser quem você é.” (Eckhart Tolle)

terça-feira, 4 de março de 2014

Helen Rödel pergunta:
Quando foi a última vez que você tocou alguém?
When was the last time you touched someone?
Aproveitei que me veio disposição para ver O ANO PASSADO EM MARIENBAD, mesmo já sabendo da fama de difícil do filme. Ponto positivo para eu vê-lo: a comparação que normalmente se costuma fazer com o cinema de David Lynch. Além do mais, não necessariamente preciso entender o filme para gostar dele, apreciá-lo. Essa é uma questão até um pouco polêmica. Mas o fato é que determinados filmes me fazem viajar e eu pouco me importo se o compreendi racionalmente. Se ele mexeu com os meus sentidos e sentimentos já ganhou o meu apreço. O ANO PASSADO EM MARIENBAD é o caso de filme que é lindo de ver, mas que é cansativo de acompanhar, principalmente quando você se esforça para entender. Robbe-Grillet, o roteirista do filme, disse que 'quem tentar extrair um sentido linear do filme, discernir uma lógica coerente de causa e efeito ou uma trajetória plausível em termos de enredo e desenvolvimento de personagens, estará fadado ao fracasso, à frustração e achará o filme incompreensível'." (Ailton Monteiro)

"Sem dúvida alguma o mais belo delírio visual da história do cinema. Tudo é limpo, simétrico, perfeito, imaculado; numa ordem tão impossível que contrasta brilhantemente com o caos na sobreposição de tempos, lembranças e imagens. Como centenas de peças de um quebra-cabeças jogadas ao acaso, cuja beleza está precisamente na desordem do todo. (...) O universo mental reduzido nos grandes, belíssimos e mortificados salões e jardins do hotel é das atmosferas mais lindas e perturbadoras já concebidas. Apesar do ar livre, as cenas do jardim comprimem o espectador numa profusão de luz (e toda aquela simetria e aquela limpeza e simplicidade das formas) quase claustrofóbica. Ou como no quarto claríssimo dela (aparecendo como um pedaço sensível na carne morta da memória) entrecortado de espelhos. E ela também se faz objeto fundamental das construções de cena, cheia de plumas, com vestidos sempre ou muito claros ou muito escuros. Em vários momentos (principalmente no início, após uma introdução tecida de palavras e de um passeio pelo hotel) as pessoas são tão partes da construção como a estátua analisado pelos dois. E por outras vezes eles se movimentam tão lentamente que quase dá pra ouvir o ruído dos seus pés partindo a unificação de concreto com o piso do lugar." (Luis Henrique Boaventura)
10 diretores de fotografia "que você tem que conhecer".
Boa fotógrafa de nudez feminina: Rebecca Lawrence.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos
(Ana Cruz)

Muito antes do surgimento da psicanálise, a inveja era tida como um dos maiores problemas da humanidade. Para o escritor inglês Geoffrey Chaucer a inveja se entristece com a bondade e prosperidade dos outros, mas se deleita com a desgraça alheia. Sim meus amigos, a singularidade da inveja implica em NÃO ter um fim positivo.

Kate Barrows, psicanalista didata da Sociedade Psicanalítica Britânica, descreve uma questão importante e, muitas vezes, usada erroneamente pelas pessoas. Confunde-se inspiração com inveja e é aqui que se percebe o uso de expressões como “tenho inveja de você no bom sentido” ou “inveja branca”.

Inspiração é aquela emoção que NÃO tem caráter nocivo, prejudicial e consiste em determinada aflição decorrente de uma admiração que faz o indivíduo se conscientizar das suas deficiências, no entanto, por imitação, pode levar o sujeito a motivar-se a transformações e mudanças em geral na sua vida bem como a aceitar suas próprias limitações e NÃO apresenta fatores destrutivos. Traduzindo: “invejo-admiro em você as virtudes, as habilidades e beleza, mas não significa necessariamente que eu queira destruí-las”.

A palavra inveja deriva do latim invidere que significa não ver. A inveja é “a sensação de desconforto, raiva e angústia perante a constatação de que outra pessoa possui objetos, qualidades, relações que o indivíduo gostaria de ter, mas não tem. A inveja pode ser importante fonte de sofrimento em indivíduos imaturos, extremamente neuróticos e com transtorno de personalidade. Além disso, a inveja intensa pode ter efeitos devastadores nas relações interpessoais”. (Paulo Dalgalarrondo, 2000).

A inveja é um sentimento complexo alimentado por uma gama de estados emocionais como: inferioridade, abandono, baixa estima, egoísmo, incapacidade, ódio, raiva, vazio interior, frustração, insegurança, complexos, entre outros, e possui um caráter destrutivo. O mecanismo responsável é a comparação.

No seu emocional, o sujeito invejoso diante do seu desequilíbrio, deseja destruir, no mundo real ou no seu universo imaginário, o seu objeto invejado, por não suportar tais sensações. Traduzindo: “você tem (ou é) fatores que eu admiro e gostaria de ter (ou ser) e é feliz, logo, é melhor do que eu. Não aceito, não admito e não quero que você seja feliz já que eu não sou. Quero te destruir, pois se eu não sou feliz, ninguém será.” Buenas, o invejoso tem grande interesse na vida alheia e é geralmente muito bem acompanhado de solidão, culpa, tristeza e orgulho. Muitas vezes tem dificuldade em aceitar ajuda por acreditar que o outro é melhor do que ele e deseja diminuí-lo.

A simples paz de espírito de outra pessoa pode ser motivo de inveja. (...)

domingo, 2 de março de 2014

Veja a resposta da socióloga Silvia Viana, autora de “Rituais de sofrimento” à revista Veja. Ao final ela conclui ao estilo do personagem de Bartleby (o Escrivão), do escritor Herman Melville: “prefiriria não”.

Procurada pela segunda vez pela revista semanal ‘Veja’ para uma entrevista sobre o BBB14, a socióloga Silvia Viana, disse ao jornalista:

“Respondo seu e-mail pelo respeito que tenho por sua profissão, bem como pela compreensão das condições precárias às quais o trabalho do jornalista está submetido. Contudo, considero a ‘Veja’ uma revista muito mais que tendenciosa, considero-a torpe. Trata-se de uma publicação que estimula o reacionarismo ressentido, paranoico e feroz que temos visto se alastrar pela sociedade; uma revista que aplaude o estado de exceção permanente, cada vez mais escancarado em nossa “democracia”; uma revista que mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não compartilha de suas infâmias – e faz tudo isso descaradamente; por fim, uma revista que desestimula o próprio pensamento ao ignorar a argumentação, baseando suas suposições delirantes em meras ofensas. Sendo assim, qualquer forma de participação nessa publicação significa a eliminação do debate (nesse caso, nem se poderia falar em empobrecimento do debate, pois na ‘Veja’ a linguagem nasce morta) – e isso ainda que a revista respeitasse a integridade das palavras de seus entrevistados e opositores, coisa que não faz, exceto quando tais palavras já tem a forma do vírus. Dito isso, minha resposta é: Preferiria não. Atenciosamente, Silvia Viana."

sábado, 1 de março de 2014

"Todo mundo ama filmes. As pessoas ama os filmes pelas histórias e pelas personalidades - quem não? - mas não pela forma que um filme pode servir a uma função mística e criar atalhos para a alma. Isto é, as pessoas não amam cinema. (...) Bruno Dumont faz filmes que quase ninguém quer ver. O que não faz dele um grande cineasta, mas ele é um grande cineasta mesmo assim." (Mick LaSalle/San Francisco Chronicle)