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terça-feira, 4 de março de 2014

Aproveitei que me veio disposição para ver O ANO PASSADO EM MARIENBAD, mesmo já sabendo da fama de difícil do filme. Ponto positivo para eu vê-lo: a comparação que normalmente se costuma fazer com o cinema de David Lynch. Além do mais, não necessariamente preciso entender o filme para gostar dele, apreciá-lo. Essa é uma questão até um pouco polêmica. Mas o fato é que determinados filmes me fazem viajar e eu pouco me importo se o compreendi racionalmente. Se ele mexeu com os meus sentidos e sentimentos já ganhou o meu apreço. O ANO PASSADO EM MARIENBAD é o caso de filme que é lindo de ver, mas que é cansativo de acompanhar, principalmente quando você se esforça para entender. Robbe-Grillet, o roteirista do filme, disse que 'quem tentar extrair um sentido linear do filme, discernir uma lógica coerente de causa e efeito ou uma trajetória plausível em termos de enredo e desenvolvimento de personagens, estará fadado ao fracasso, à frustração e achará o filme incompreensível'." (Ailton Monteiro)

"Sem dúvida alguma o mais belo delírio visual da história do cinema. Tudo é limpo, simétrico, perfeito, imaculado; numa ordem tão impossível que contrasta brilhantemente com o caos na sobreposição de tempos, lembranças e imagens. Como centenas de peças de um quebra-cabeças jogadas ao acaso, cuja beleza está precisamente na desordem do todo. (...) O universo mental reduzido nos grandes, belíssimos e mortificados salões e jardins do hotel é das atmosferas mais lindas e perturbadoras já concebidas. Apesar do ar livre, as cenas do jardim comprimem o espectador numa profusão de luz (e toda aquela simetria e aquela limpeza e simplicidade das formas) quase claustrofóbica. Ou como no quarto claríssimo dela (aparecendo como um pedaço sensível na carne morta da memória) entrecortado de espelhos. E ela também se faz objeto fundamental das construções de cena, cheia de plumas, com vestidos sempre ou muito claros ou muito escuros. Em vários momentos (principalmente no início, após uma introdução tecida de palavras e de um passeio pelo hotel) as pessoas são tão partes da construção como a estátua analisado pelos dois. E por outras vezes eles se movimentam tão lentamente que quase dá pra ouvir o ruído dos seus pés partindo a unificação de concreto com o piso do lugar." (Luis Henrique Boaventura)

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