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terça-feira, 31 de outubro de 2006

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

"(...) Obrigada por ter nascido, por ter passado por tanta coisa boa e ruim e por ter se tornado o que tu é hoje. Porque, sem o que tu é hoje, eu não seria o que eu serei amanhã. Te amo mais a cada fôlego que eu tomo pra te falar 'eu te amo'. Penso em ti a cada passo que eu dou, mesmo quando vou em uma direção oposta à tua, e penso em ti feliz. (...) Amo quem tu é. A tua essência. É isso que te torna tão bonito pra mim." (Tunnie)
Não sabia que já tinham concretizado a idéia da edição brasileira da revista Rolling Stone. O primeiro número tem a Gisele na capa, parece que pretensão comercial é pública e notória. Mas o que eu quero falar é que, na revista, tem o Bob Dylan falando que é dono dos anos 60, ele disse algo do tipo "Se você quer os anos 60, toma, eu dou ele para você". O triste é que ele deve dizer isso porque não conseguiu manter sua carreira estável, apesar de alguns renascimentos, como em 'Time out of mind' e 'Desire'. Os anos 00 definitivamente não são dele. O disco deste ano é deprimente. Que triste. Bem, enfim, nada apaga o que ele deixou para a música, principalmente 'Blood on the tracks', mas ele deve ser um pouco recalcado pela falta de constância. Ah, e o FireFriend, do Yury Hermuche, vai sair na edição #2 da Rolling Stone Brasil.
Por que o amor é a coisa mais importante?

Céline: Yeah, but I had worked for this older man, and once he told me that he had spent all of his life thinking about his career and his work, and... he was 52 and it suddenly struck him that he had never really given anything of himself. His life was for no one, and nothing. He was almost crying saying that. You know, I believe if there's any kind of God, it wouldn't be in any of us. Not you, or me... but just this little space in between. If there's any kind of magic in this world, it must be in the attempt of understanding someone, sharing something. I know, it's almost impossible to succeed, but... who cares, really? The answer must be in the attempt.

(Em tempo: estas falas e as falas abaixo são do 'Antes do amanhecer', dirigido pelo Richard Linklater.)
Estou ouvindo os Bright Eyes com outros olhos. Passada a má impressão com o "vocal de carneiro" do Conan O Bárbaro (Connor Oberst, digo), estou gostando. E baixando tudo. O que não faz o amor? Agora é a vez da Tunnie gostar de Pan Sonic e Sunn 0))). Estou brincando, eu não exigiria isso; eu já lhe apresentei coisas que ela não conhecia e de que ela gostou, como Jenny Lewis, Stars, Animal Collective e o 'The crane wife' dos Decemberists. Na verdade, deixei 26 discos com ela. Em tempo, por falar em Bright Eyes, a banda preferida (da Tunnie e) do Luciano Schuck, acabei de descobrir que o Steven Drozd, da outra banda preferida do Luciano, Flaming Lips, gravou guitarra e bateria no recente disco do Sparklehorse, cujo título é difícil de decorar: 'Dreamt for light years in the belly of a mountain'.
Nunca duvide da generosidade de Deus.

sábado, 28 de outubro de 2006

Jesse: Hm... I want to keep talking to you, you know. I have no idea what your situation is, but, uh, but I feel like we have some kind of, uh, connection. Right?

Céline: Yeah, me too.

(...)

Jesse: Well, I went to this Quaker wedding once, and it was fantastic. What they do is the couple comes in and they kneel down in front of the whole congregation, and they just stare at each other, and nobody says a word unless they feel that God moves them to speak, or say something. And then after an hour or so, of just, uh, staring at each other, they're married.

Céline: That's beautiful. I like that.

(...)

Jesse: I feel like this is, uh, some dream world we're in, you know.

Céline: Yeah, it's so weird. It's like our time together is just ours. Its our own creation. It must be like I'm in your dream, and you in mine, or something.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Antônio Xerxenesky, o Tony, vai autografar o livro dele, 'Entre', amanhã, às 20h30, no Pavilhão de Autógrafos da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

CAMPBELL: O que é o casamento? O mito lhe dirá o que é o casamento. E a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Vocês agora são dois, no mundo, mas o casamento não é senão o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Mas se nos deixarmos distrair por certos interesses sensuais, iremos desposar a pessoa errada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é o casamento.

MOYERS: A pessoa certa? Como é que se escolhe a pessoa certa?

CAMPBELL: O coração lhe dirá. É preciso que seja assim.

MOYERS: O ser interior.

CAMPBELL: Eis o mistério.

MOYERS: Você reconhece seu outro eu.

CAMPBELL: Bem, não sei, mas há uma luz que cintila e algo em você lhe diz que é essa a pessoa certa.

MOYERS: Se o casamento é essa reunião do próprio com o próprio, com a base masculina ou feminina de nós mesmos, por que é assim tão precário na nossa sociedade moderna?

CAMPBELL: Porque não é encarado como casamento. Eu diria que se o casamento não é de magna prioridade em suas vidas, vocês não estão casados. O casamento significa os dois que são um, os dois que se tornam uma só carne. Se o casamento dura o suficiente, e se você se amolda constantemente a ele, em vez de ceder a caprichos pessoais, você chega a se dar conta de que isso é verdade - os dois realmente são um.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Quando estou em Casa, tudo está no seu devido lugar. Nos dias em que me afasto, passando-os em casa, o cheiro é outro: é um não-cheiro. A diferença é gritante. Tanta que dá sim vontade de gritar que eu amo a minha Casa, que tem cheiro de hálito divino. No último domingo, Nela, eu recebi uma agradável visita. Um casal de avós adoráveis que vieram de Maceió nos anos 60. Antes de partir, o avô disse tratem-se com afeto. Mal sabe ele, ou melhor, ele sabe sim que este é o meu lema silencioso absoluto, e o da minha Casa também. Afeto e coragem. Sexta-feira foi o casamento da minha mãe e do Lemos. O pastor (igreja luterana) discursou sobre a coragem, o que emocionou minha mãe e eu - mãe e filho, dois corajosos empunhando uma espada de fogo eternamente na direção do tratem-se com afeto. Dois librianos. Três librianos. Quatro librianos, com o Lemos. Na verdade muitos mais, mas eles não vêm ao caso agora. Nós discotecamos na igreja: a música de entrada foi do Oswaldo Montenegro e a de saída foi 'God only knows', sugestão minha abraçada com firmeza pelo casal. E eu estava em Casa. Aposto que quanto mais o tempo passar, mas essa sexta-feira ganhará importância na nossa memória simbólica e afetiva. Tudo foi muito agradável. E domingo também. E sábado.

domingo, 22 de outubro de 2006

Metade (Oswaldo Montenegro)

que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio

que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade

que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo

que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão

que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei

que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço

que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção

e que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Caralho, parece que sempre que eu começo a namorar, os ex-namorados e os pretendentes recentes dela começam a surgir do nada, atrasados, como num último suspiro de ilusão.

"O futuro e o passado não existem senão na abstração por meio da concatenação do conhecimento submisso ao princípio de razão. Ninguém viveu no passado e ninguém viverá no futuro; o presente, somente ele, é a forma exclusiva da vida, propriedade certa, que nada poderá jamais subtrair-lhe. O nosso próprio passado, ainda o mais próximo, o dia apenas transcorrido, não é mais que um sonho vácuo da Imaginação, e nada mais que isto é o passado de todos esses milhões de seres." (SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação.)

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Eu não tinha lido isto ainda! "Este show foi um dos shows mais alucinados que eu já fiz. Devido ao horário e a sede em operar a barulheira o resultado foi terrorismo da melhor qualidade." (Mac)
Fiquei em 8º lugar no concurso de fotos de gatos da loja online Gatos & Gateiros, com uma foto da Cheetara Jedi.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

O scrap é o e-mail do preguiçoso.
"Hey, forget it. Did you hear what I said? Forget it. You cannot have anything in my locker. I take it all back. I took everything back. You heard me now. I said it. I'm takin' it back, so stay away from my locker. If I find out you go near my locker, I swear to God, I'll give you a karate chop right in the head. All right? Guess what. Guess what happened today. I got a girl. All right? I got a girl. There's a girl who loves me, and she's very pretty, and she's very nice, and she loves me. So what do you think of that? So stay away from my locker. I take all my things back, all right? I saw Wood today. I'm at the strip joint, yeah. This place is crazy. Um, he seems like a nice guy too. He really is just like... a normal guy. You know, I think... Remember, we used to like Wood. He kicked good that season. He was good that whole season. He kicked good all year. He missed one measly field goal, and everybody's against him. I mean, the guy... Who told me to bet on Buffalo? Buffalo stunk all year. They gave the Giants that game. Matter of fact, if it wasn't for Wood, they would have lost three or four other games that year. What? I'm telling you the truth. I'm here. No. Anyway, listen, I'll give you a call tomorrow. I gotta go, okay? My girlfriend's waitin' for me."


- Uh, you have hot chocolate, right?
- Sure do.
- Is it hot?
- It's hot.
- All right, give me a hot chocolate to go.
- A large one, large one.
- Okay.
- Hot chocolate to go, large.
- Make it good.
- Make it good, good one.
- It'll be good.

domingo, 15 de outubro de 2006

Miles: I don't know. It's a hard grape to grow. As you know. It's thin-skinned, temperamental, ripens early. It's not a survivor like Cabernet that can grow anywhere and thrive even when neglected. Pinot needs constant care and attention and in fact can only grow in specific little tucked-away corners of the world. And only the most patient and nurturing growers can do it really, can tap into Pinot's most fragile, delicate qualities. Only when someone has taken the time to truly understand its potential can Pinot be coaxed into its fullest expression. And when that happens, its flavors are the most haunting and brilliant and subtle and thrilling and ancient on the planet.

Maya: I suppose I got really into wine originally through my ex-husband. He had a big, kind of show-off cellar. But then I found out that I have a really sharp palate, and the more I drank, the more I liked what it made me think about. Like what a fraud he was. No, but I do like to think about the life of wine, how it's a living thing. I like to think about what was going on the year the grapes were growing, how the sun was shining that summer or if it rained... what the weather was like. I think about all those people who tended and picked the grapes, and if it's an old wine, how many of them must be dead by now. I love how wine continues to evolve, how every time I open a bottle it's going to taste different than if I had opened it on any other day. Because a bottle of wine is actually alive - it's constantly evolving and gaining complexity. That is, until it peaks - like your '61 - and begins its steady, inevitable decline. And it tastes so fucking good.

sábado, 14 de outubro de 2006

Ontem eu tive o desconforto de perceber que algumas limitações minhas, das quais eu tinha esquecido, ainda existem - e fortes. "Os traumas me deixam cheio de dedos; eu queria ter apenas um." Essa constatação e essa sensação fazem eu me sentir mal por ser tão vulnerável, e, o pior, por continuar sendo tão vulnerável, mesmo depois de uma série de outras micro-evoluções psicológicas no decorrer dos anos. A surpresa desta vez é que uma pessoa consegue me iscar lá do fundo do poço feito um guindaste - ainda que volta e meia eu escorregue de volta para baixo e ela tenha que me iscar de novo. E a demonstração de amor nesse processo todo é mais uma daquelas cuja solidez faz aumentar o embasbacamento meu com relação à situação inteira e à minha já mencionada sorte-do-cão. Tunnie é o apelido dela, e estou mais-do-que-grato.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Encontrei uma página que traz a maior transcrição de trechos do livro do Joseph Campbell 'O poder do mito'. Recomendo enfaticamente!
Suposta entrevista com o Marcola, do PCC, que estava circulando por e-mail há algum tempo. Acredito que seja uma entrevista fictícia escrita pelo Arnaldo Jabor, porque o estilo é dele.


- Você é do PCC?

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...

- Mas... a solução seria...

- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

- Você não têm medo de morrer?

- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá fora.... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala...Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

- Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí...Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

- Mas... não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Por que existe o julgamento?
Eu tinha medo de morar num apartamento de 25 m2, de ele ser opressor. Ainda mais que na primeira noite eu fui inventar de colocar o meu roupeiro separando a única peça da casa! Mas, nisso, no dia seguinte, arrastei-o para a parede e a cama, para a janela. E agora eu estou achando o meu novo apartamento o máximo: é mais fácil de limpar, de organizar, tudo está ao alcance das minhas mãos e das minhas vistas, é aconchegante, não distrai. Bem disse o Hermuche: "É bom para meditar, Dickel." E, ao contrário do que eu imaginava, tudo do que eu preciso cabe nele. Sim, e pela primeira vez na vida estou morando completamente sozinho, estou decidindo sozinho onde e como vai ficar cada coisa. Esse exercício tem uma parte individualista, mas é importante, ainda mais nessa fase de ressurreição, renascimento. Estarei melhor preparado para o próximo exercício em duplas. E prossigo centrado nos princípios do novo Douglas Dickel. Não lutar contra as próprias limitações. Eu já mudei bastante, está na hora de eu me firmar um pouco com os meus defeitos - e as minhas virtudes. Parar de analisar cada atitude minha e passar a acreditar mais na minha consciência. Eu estava ficando paranóico e perdendo a capacidade de sobrevivência ao pensar sempre que o outro poderia ter razão. O meu ídolo Lobão disse uma vez que teria enlouquecido se não continuasse acreditando incondicionalmente em si mesmo. E, talvez o princípio mais relevante de todos: NUNCA MAIS me arrepender de não ter feito algo; se for para eu me arrepender, que seja de algo que eu tenha feito. Apesar do inevitável sofrimento de um novo parto, a vida tem me sido boa, ótima até. Sigo um cara de muita sorte, cada vez mais sorte, talvez para compensar os momentos de muito azar. Enfim, quem vive uma vida autêntica, mantendo-se distante da Terra Devastada, como diria o Campbell, tem o seu graal.

domingo, 8 de outubro de 2006

sábado, 7 de outubro de 2006

Para o primeiro salário já tenho planos: roupas novas (estou numa entressafra de roupas: com algumas o tempo acabou, com outras os gatos acabaram), um livro, um DVD e uns fones. (Updates: esta camiseta do '2001...' e, quem sabe, a sonhada Synth Noise Box da Sirkut Electronics.) E devolver tudo o que a minha mãe está me emprestando agora.
If you really love me,
then let's make a vow...
right here, together...
right now.
Okay?
- Okay.
All right.
Repeat after me:
I'm gonna be free.
- I'm gonna be free.
And I'm gonna be brave.
- I'm gonna be brave.
Good.
And the next one is:
I'm gonna live each day
as if it were my last.
- Oh, that's good.
You like that?
- Yeah.
Say it.
- I'm gonna live each day
as if it were my last.
Fantastically.
- Fantastically.
Courageously.
- Courageously.
With grace.
- With grace.
And in the dark of the night,
and it does get dark...
when I call a name
- When I call a name.
It'll be your name.
What's your name?
- Never mind.
Let's go. Say it.
Let's go. Everywhere.
- Everywhere.
Even though.
- Even though.
We're scared.
- We're scared.
'Cause it's life.
- It's life.
And it's happening.
It's really, really happening...
right now.

Vocês estavam certos. Eu passei no concurso.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Quatro discos precisam nascer e semana que vem pretendo começar a trabalhar neles.

Pelicano - Está finalizado (gravado e mixado pelo Carlo Pianta e masterizado pelo Marcelo Fruet). Tentaremos um selo que se interesse por lançá-lo. Se não encontrarmos, lançaremos principalmente na internet, fazendo cópias em CD-R com capinha de xerox apenas para os interessados mais próximos (geograficamente).

Blanched - Preciso criar as vinhetas que vão costurar as quatro músicas. (Elas foram gravadas ao vivo no estúdio Live, pelo Marcelo, do estúdio. Ele mixou e masterizou 'Cora', 'Barbaritude' e 'O final de O Incrível Hulk', enquanto que eu mixei e masterizei 'Valsa #'.) Depois disso, enviaremos uma prova para a apreciação do Open Field/Peligro.

Hotel - Tenho que prosseguir com as mixagens. Apenas pré-mixei um quinto do material (improvisado no estúdio Live) até agora.

input_output - Comecei a trabalhar numas três ou quatro músicas. Dos quatro, é o disco que ainda precisa ser concebido.