Carta aberta aos membros da REDE
Por que saímos da REDE Sustentabilidade
Passadas as eleições municipais, seria importante que a REDE realizasse um balanço político. Mais do que o exame dos resultados alcançados em sua primeira participação eleitoral, trata-se de avaliar o percurso político até aqui tendo em conta os propósitos que estiveram presentes na fundação do partido.
As pessoas que se comprometeram com a construção da REDE, desde quando a contestação às formas tradicionais de fazer política nos aproximou, tiveram em mente a necessidade de um instrumento que fosse capaz de ajudar a mudar o Brasil, reduzindo as desigualdades abissais, enfrentando o racismo estrutural, lutando pelos direitos das sociedades originárias e das minorias, aprofundando a democracia, por meio de ampla reforma política, lançando as bases para o desenvolvimento sustentável e para o protagonismo da sociedade civil e dos indivíduos. Junto aos princípios que afirmávamos, havia o claro repúdio às condutas que evocam fins grandiosos apenas para justificar vilanias cotidianas, invariavelmente definidas como os “meios” ou “males necessários”. Era evidente, para todos nós, que um pragmatismo desta natureza – descolado de qualquer princípio – havia já conduzido à degradação da política e a seu distanciamento dos valores republicanos.
Desde então, a REDE tem se estruturado sobre um vazio de posicionamentos políticos. Inicialmente, imaginávamos que esta lacuna poderia ser explicada pela fragilidade do próprio partido, pela inexperiência de grande parte de seus dirigentes e militantes e pela enorme diversidade interna que demandaria um processo cuidadoso de construção de “consensos progressivos”. A experiência que tivemos nos foi demonstrando, entretanto, que o deserto de definições a respeito de temas centrais nas disputas políticas contemporâneas não era um subproduto de nossas limitações, mas o produto de uma postura determinada que evita as definições, porque percebe que cada uma delas pressupõe um custo político-eleitoral.
O fato de a REDE ser politicamente dependente de Marina Silva, sua maior figura pública, se constituiu em um fenômeno que, ao invés de ter se tornado menor ao longo do processo de construção partidária, se acentuou ao longo do tempo. Na verdade, as decisões estratégicas que foram conformando o perfil da REDE partiram todas de Marina e apenas dela, desde a decisão de entrar no PSB até a decisão favorável ao impeachment da presidente Dilma. Em cada um desses momentos cruciais, a maioria da direção nacional simplesmente se inclinou em apoio às posições sustentadas por Marina.
É preciso sublinhar que Marina é uma liderança política com virtudes excepcionais. Entre elas, a honestidade e a integridade de propósitos; a capacidade de se conduzir em meio às disputas políticas sem realimentar a lógica do ódio e da destruição do outro, ainda quando injustamente atacada; a inquietude que a faz refletir sempre com independência e em sintonia com alguns dos desafios de nossa época etc. Ao mesmo tempo, Marina possui, como todos nós, limites relevantes e não lidera a REDE para que o partido assuma definições políticas consistentes, parecendo preferir navegar em meio a uma sucessão de ambiguidades. A maioria da direção nacional a acompanha nesta preferência, como em todas as demais.
Por conta da reduzida definição política, a REDE tem se construído como uma legião de pessoas de boa vontade e nenhum rumo. Alcançada a legalização do partido, foi precisamente essa característica que permitiu que muitos oportunistas e políticos de direita identificassem na REDE um espaço fértil para seus projetos particulares. O que ocorreu em todo o País, então, foi um mergulho da REDE em direção ao passado e às tradições políticas que pretendíamos superar.
As poucas decisões políticas tomadas nacionalmente pela REDE aprofundaram este caminho. Nesse particular, cabe destacar a decisão favorável ao impeachment, em que o partido aliou-se ao movimento que entregou o poder ao PMDB e a um grupo político envolvido nas investigações da Lava Jato e comprometido em aplicar políticas radicalmente contrárias ao que sempre supomos fossem os valores e os objetivos da Rede.
Temer chegou à presidência para impor ao País uma agenda regressiva e reverter as poucas conquistas sociais do último período. Por mais desastroso que fosse o governo Dilma (e o era) e por piores que fossem os crimes perpetrados por políticos do PT (e muitos deles o foram concretamente), o fato é que não foram esses os motivos que pautaram o processo de impedimento. Assim, por intenções nunca explicitadas e sob a liderança de mafiosos, aprovou-se o impeachment, condenando práticas até então comuns aos Executivos, na União e nos Estados, e nunca antes destacadas pelos Tribunais de Contas como razão para a rejeição das contas. De fato, os beneficiários do impeachment são mestres nos desmandos dos quais setores do PT são aprendizes. O grupo hoje no poder, aliás, é muito mais histórica e organicamente vinculado às práticas de corrupção e de apropriação privada do espaço público, o que não isenta o PT de responsabilidade, mas desmascara a hipocrisia que generaliza acusações e gera a ilusão perversa de que, livre do PT, o Brasil estaria a salvo da corrupção.
Nós resistimos o quanto pudemos e nos orgulhamos dos parlamentares que, mesmo sofrendo ataques na REDE, mantiveram, com firmeza, sua posição contrária ao impeachment. A direção nacional da REDE pretendeu se somar ao impeachment em nome da bandeira, “Nem Dilma, nem Temer”, indicando que o próximo passo haveria de ser dado pelo TSE, com a cassação da chapa Dilma- Temer. Uma estratégia tão inverossímil quanto ingênua e equivocada. A hipótese TSE só haveria se o impeachment não passasse; só não via essa realidade quem não quisesse – e não faltaram os alertas. Subsidiariamente, ao se posicionar em favor do impeachment, a REDE minou sua interlocução com o campo no qual nasceram seus ideais, ao menos aqueles expressos em sua carta de fundação.
O que estava em curso, verdadeiramente, era um deslocamento político da REDE em direção ao bloco hegemônico. Um exemplo desse fenômeno foi o lamentável processo de aliança com o PMDB em larga composição conservadora em Porto Alegre, onde poderíamos ter composto com Luciana Genro, do PSOL, que nos ofereceu espaço na chapa majoritária e protagonismo na definição programática e na composição de um eventual governo de corte reformador e republicano.
Depois de um ano de existência legal e três anos de construção partidária, a REDE não se posicionou sobre qualquer das grandes questões nacionais – sequer foi capaz de formular uma crítica fundamentada ao governo Temer. Quando esboçou alguma posição, ou proclamou platitudes, ou decepcionou, afastando-se dos compromissos assumidos em sua fundação. O que disse a REDE sobre a economia brasileira e as reformas propostas pelo PMDB e seus aliados: a previdenciária, a trabalhista e a fiscal? E sobre o teto para gastos governamentais? Que reforma política o partido propõe? Que políticas a REDE defende para a educação e a saúde? Qual modelo de desenvolvimento sustentável propõe para o país, objetivamente? Qual sua posição sobre política de drogas, aborto, reforma da segurança, desmilitarização e o casamento homoafetivo? A sociedade brasileira não sabe o que pensa a REDE, nem consegue situá-la no espectro político-ideológico. A auto-indulgente declaração de respeito às diferenças internas não basta para dar identidade a um partido e justificar sua existência. Pluralista, internamente, o PMDB também é, o que, aliás, lhe tem sido muito conveniente.
O mais grave é que há sentido no cultivo de generalidades e na indefinição adotada como estilo e método. Lamentavelmente, a REDE está informando ao distinto público de que lado está, na política brasileira. Paulatinamente, vai se distanciando do campo progressista – sequer reconhece sua existência, o que é outra forma de afastar-se dele. Custa-nos, depois de tantos anos dedicados a esse sonho, mas é nosso dever admitir que antevemos, para 2018, uma inflexão da REDE para o centro político, o qual, no Brasil de hoje, corresponde a alinhamento ideológico indiscutivelmente conservador.
Um partido cuja coesão depende exclusivamente de uma liderança, mesmo que ela tenha a admirável e extraordinária dimensão humana de Marina, não é sustentável. Sem um mínimo de consistência ideológica, sem posicionamentos claros, não há como construir unidade que não seja pelo cálculo de oportunidade ou por circunstâncias eleitorais, tão mais atraentes quão mais nos aproximemos de 2018. Não é sustentável um partido cuja direção vota um tema chave para a história do Brasil, o impeachment, sob o argumento explícito de que “não podemos deixar Marina sozinha”, tendo ela anunciado, na véspera, sozinha e sem consultas, sua surpreendente posição favorável, depois de declarar-se contrária ao longo de meses. Um partido que não faça sentido sem uma liderança individual, torna-se refém de sua vontade e acaba sendo regido por lógica pouco democrática, independentemente das intenções de todas e todos, por mais sinceras que sejam as disposições democráticas, inclusive dessa liderança.
Acreditamos que a tarefa, hoje, dos que percebem a necessidade de resistir à tsunami ultra-conservadora e à temporada caça-direitos é contribuir para a articulação, na sociedade, de uma ampla frente democrática e progressista, da qual, tragicamente, a REDE está se auto excluindo.
Por conta dessa avaliação, consideramos que nossa presença na REDE não faz mais sentido. Permanecer, especialmente em um quadro onde o debate interno substantivo é uma ficção, seria apenas legitimar um processo que, rapidamente, repete a doença senil dos partidos.
Assim, desejando que esta carta contribua para a reflexão interna da REDE e anime sua militância em direção a um caminho diverso desse que nos parece frustrante e melancólico, seguimos em frente, sem partido, mas com a mesma disposição de lutar por nossos sonhos.
Rio de Janeiro e Porto Alegre, 3 de outubro de 2016,
Luiz Eduardo Soares
Miriam Krenzinger
Marcos Rolim
Liszt Vieira
Tite Borges
Carla Rodrigues Duarte
Sonia Bernardes
Eduardo Antunes Dias
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quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Gravei o áudio da palestra do Leandro Karnal no TRT. Ele falou sobre tipos de preconceito e intolerância: xenofobia, homofobia, misoginia, racismo, demofobia (aversão a pobre).
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
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"A tirania se constrói graças a uma cascata de tirania, em que os tiranizados, para se vingarem, tiranizam os mais abaixo." (Leandro Karnal)
Texto acadêmico
(Carlos Gerbase)
Resumo: este ensaio mostra como é produzido um texto acadêmico.
Abstract: this paper shows how an academic text is written.
Palavras chaves: padronização, cientificismo, vácuo intelectual.
Key words: standardization, scientism, intelectual vacuum.
Introdução. Para ter seu artigo aprovado numa revista de prestígio (classificação A1, A2 ou B1 na Capes), o professor universitário segue certas regras. Nossa hipótese é de que, ao seguir normas rígidas, tanto na forma (ABNT), quanto no conteúdo (método acadêmico vigente), o texto será uma sucessão de paráfrases (dizer o mesmo de outro jeito) sem qualquer relevância, que serve apenas à manutenção do emprego do redator no seu programa de pós-graduação e à sua inserção numa comunidade de acadêmicos que escrevem ensaios parecidos.
Capítulo 1. Metodologia. Primeiro encontra-se um tema bem específico, que interesse apenas aos futuros leitores acadêmicos do ensaio. Depois lê-se tudo que foi escrito a respeito em português e inglês. O aproveitamento de textos em alemão e francês é recomendável. Em espanhol, discutível. Em outras línguas, irrelevante. A seguir, escolhe-se um aspecto não abordado, ou um aspecto já abordado, mas com autores parafraseados diferentes. Finalmente, colam-se citações dos textos originais e costuram-se as lacunas com paráfrases elaboradas pelo redator.
Capítulo 2. Interditologia. É vedada qualquer manifestação da subjetividade do autor. O texto deve conter apenas verdades científicas provadas. As provas devem ser coletadas em textos já publicados em revistas e livros acadêmicos da mesma área de atuação do autor. Essas publicações devem ser corretamente citadas. Jamais usar dados recolhidos de forma não sistemática. Gráficos são aceitáveis (embora perigosos). Imagens, irrelevantes. Um adjetivo conduzirá a um parecer que pede correções substantivas. Um ponto de exclamação provocará a recusa definitiva do texto.
Capítulo 3. Epistemologia. A episteme de um ensaio acadêmico passível de publicação é a reprodução do que já é conhecido.
Conclusão. Não interessa pensar, nem opinar, nem pesquisar, nem desvendar. Só interessa parafrasear e padronizar, visando a um estado de vácuo intelectual do leitor. A Academia está ferrada.
(Carlos Gerbase)
Resumo: este ensaio mostra como é produzido um texto acadêmico.
Abstract: this paper shows how an academic text is written.
Palavras chaves: padronização, cientificismo, vácuo intelectual.
Key words: standardization, scientism, intelectual vacuum.
Introdução. Para ter seu artigo aprovado numa revista de prestígio (classificação A1, A2 ou B1 na Capes), o professor universitário segue certas regras. Nossa hipótese é de que, ao seguir normas rígidas, tanto na forma (ABNT), quanto no conteúdo (método acadêmico vigente), o texto será uma sucessão de paráfrases (dizer o mesmo de outro jeito) sem qualquer relevância, que serve apenas à manutenção do emprego do redator no seu programa de pós-graduação e à sua inserção numa comunidade de acadêmicos que escrevem ensaios parecidos.
Capítulo 1. Metodologia. Primeiro encontra-se um tema bem específico, que interesse apenas aos futuros leitores acadêmicos do ensaio. Depois lê-se tudo que foi escrito a respeito em português e inglês. O aproveitamento de textos em alemão e francês é recomendável. Em espanhol, discutível. Em outras línguas, irrelevante. A seguir, escolhe-se um aspecto não abordado, ou um aspecto já abordado, mas com autores parafraseados diferentes. Finalmente, colam-se citações dos textos originais e costuram-se as lacunas com paráfrases elaboradas pelo redator.
Capítulo 2. Interditologia. É vedada qualquer manifestação da subjetividade do autor. O texto deve conter apenas verdades científicas provadas. As provas devem ser coletadas em textos já publicados em revistas e livros acadêmicos da mesma área de atuação do autor. Essas publicações devem ser corretamente citadas. Jamais usar dados recolhidos de forma não sistemática. Gráficos são aceitáveis (embora perigosos). Imagens, irrelevantes. Um adjetivo conduzirá a um parecer que pede correções substantivas. Um ponto de exclamação provocará a recusa definitiva do texto.
Capítulo 3. Epistemologia. A episteme de um ensaio acadêmico passível de publicação é a reprodução do que já é conhecido.
Conclusão. Não interessa pensar, nem opinar, nem pesquisar, nem desvendar. Só interessa parafrasear e padronizar, visando a um estado de vácuo intelectual do leitor. A Academia está ferrada.
"Here's how screwed up the music business is, in 100 words or less. You're likely familiar with this story. Wilco's Yankee Hotel Foxtrot was deemed sales cyanide by Reprise Records, so they ditched the record and the band along with it. Wilco bought back Yankee Hotel Foxtrot from Reprise and eventually sold it to Nonesuch, and the album debuted at No. 13 on the charts. Reprise and Nonesuch are both owned by Time-Warner-AOL; meaning, that company paid for the same album twice." (Dallas Observer)
"Jeff Tweedy is a twat," one former major-label president told me at the height of the singer's travails with Reprise. Though acknowledging the enduring merit of Wilco's music, the executive—who didn't even work for Warner Brothers—marveled at Wilco's desire to make "indulgent albums" for what had become the music industry's largest corporation. "It's unacceptable at this time for any artist to behave the way he does. Who does he think he is? Neil Young?" Perhaps. Neil Young once got sued by his label in the 1980s for making what the gravely disappointed executive David Geffen called "unrepresentative" albums—in other words, they didn't sell well enough. (USA Today)
"Jeff Tweedy is a twat," one former major-label president told me at the height of the singer's travails with Reprise. Though acknowledging the enduring merit of Wilco's music, the executive—who didn't even work for Warner Brothers—marveled at Wilco's desire to make "indulgent albums" for what had become the music industry's largest corporation. "It's unacceptable at this time for any artist to behave the way he does. Who does he think he is? Neil Young?" Perhaps. Neil Young once got sued by his label in the 1980s for making what the gravely disappointed executive David Geffen called "unrepresentative" albums—in other words, they didn't sell well enough. (USA Today)
O que é 'space brain', o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem
(BBC Brasil)
Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte? Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como "space brain", relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).
Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro. Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.
Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem. "São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.
"O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli. Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do "space brain" estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. "Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida."
Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar). "O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade", assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."
Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.
Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.
(BBC Brasil)
Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte? Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como "space brain", relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).
Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro. Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.
Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem. "São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.
"O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli. Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do "space brain" estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. "Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida."
Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar). "O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade", assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."
Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.
Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Os significados por trás do videoclipe de Daydreaming.
sábado, 8 de outubro de 2016
<< O intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões – perdendo apenas para o cérebro em número de neurônios. Ele fabrica muito mais serotonina que o cérebro. Mais exatamente, 95% da serotonina é fabricada e armazenada no intestino. Serotonina é um neurotransmissor – substância química fabricada pelos neurônios e que possui papel vital na transmissão e processamento das informações e estímulos sensoriais através dos neurônios. O equilíbrio da serotonina determina, em última análise, o “fundo musical” dos nossos pensamentos. Dependendo do fundo musical, uma mesma cena (pensamento) pode ser interpretada como alegre, triste, pavorosa, engraçada, neutra, relaxante ou aterrorizante. >> (fonte)
"Atrás da grosseria esconde-se alguém com duplo defeito: tem medo do mundo e dele se defende com as patas erguidas. Acima de tudo, o ser grosseiro tem dificuldade em compartilhar a alegria do convívio pois vive o isolamento pleno de temores. Atrás de alguém sem noção social, existe um ser que padece e ataca para encontrar um paliativo a sua dor." (Leandro Karnal)
Tirei a carta do Corvo no tarô xamânico:
<< A magia do Corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do Vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado “Grande Mistério”. O Grande Mistério já existia antes que todas as outras coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.
Se a carta do Corvo apareceu em seu jogo, isto é prenúncio de que você está às vésperas de experimentar uma mudança de consciência, que pode significar inclusive uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio – o buraco negro no espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Esta carta traz a seguinte mensagem do Corvo: Você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.
Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal, como na cultura do homem branco. O preto pode expressar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas. A cor negro-azulada do Corvo possui uma luminosidade que simboliza a magia da escuridão e uma mutabilidade de forma que simboliza os nossos processos de transformação.
O Corvo é o guardião da magia cerimonial, e um curador que opera à distância, e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. O Corvo guia a magia curativa para promover uma mudança de consciência capaz de manifestar uma nova realidade na qual não há mais lugar para a doença e a ignorância. O Corvo nos traz diretamente do Vazio do Grande Mistério um novo estado de bem-aventurança e plenitude, proveniente do campo da fartura.
O Corvo é o mensageiro que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Por exemplo, se uma cerimônia está sendo realizada para levar consolo e ajuda aos habitantes de uma região assolada por uma catástrofe natural, a tarefa do Corvo será precisamente a de ser o portador deste fluxo de energia. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.
Se você tirou a carta do Corvo, isto é sinal de que há magia no ar ao seu redor. Não tente, porém, decifrá-la ou interpretá-la de modo racional, pois você não será capaz, visto que esta é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O maior mistério, no entanto, será a sua própria reação ante a maravilhosa sincronia proporcionada por esse momento de pura alquimia. Você será capaz de reconhecer este momento e aproveitar esta oportunidade para seu desenvolvimento espiritual? Será capaz de aceitar esta dádiva do Grande Espírito? Ou você deixará passar esta oportunidade, tentando explicar o poder do Grande Mistério de modo racional e intelectual?
Talvez seja tempo de chamar o Corvo como um mensageiro para transportar energias curativas, mensagens, ou, ainda, simples pensamentos. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens, espirituais representadas pela fumaça. Portanto, se você deseja entrar em contato com os Anciões ou enviar uma mensagem para a Estrada Azul do Espírito, peça auxílio ao Corvo. Ou, quem sabe, os Anciões estão chamando por você.
Lembre-se de que este momento mágico surgiu do vazio da escuridão. O seu desafio, a partir de agora, é iluminá-lo. Ao manifestar a magia luminosa deste momento você estará honrando plenamente o mágico que existe dentro de você. >>
<< A magia do Corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do Vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado “Grande Mistério”. O Grande Mistério já existia antes que todas as outras coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.
Se a carta do Corvo apareceu em seu jogo, isto é prenúncio de que você está às vésperas de experimentar uma mudança de consciência, que pode significar inclusive uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio – o buraco negro no espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Esta carta traz a seguinte mensagem do Corvo: Você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.
Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal, como na cultura do homem branco. O preto pode expressar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas. A cor negro-azulada do Corvo possui uma luminosidade que simboliza a magia da escuridão e uma mutabilidade de forma que simboliza os nossos processos de transformação.
O Corvo é o guardião da magia cerimonial, e um curador que opera à distância, e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. O Corvo guia a magia curativa para promover uma mudança de consciência capaz de manifestar uma nova realidade na qual não há mais lugar para a doença e a ignorância. O Corvo nos traz diretamente do Vazio do Grande Mistério um novo estado de bem-aventurança e plenitude, proveniente do campo da fartura.
O Corvo é o mensageiro que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Por exemplo, se uma cerimônia está sendo realizada para levar consolo e ajuda aos habitantes de uma região assolada por uma catástrofe natural, a tarefa do Corvo será precisamente a de ser o portador deste fluxo de energia. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.
Se você tirou a carta do Corvo, isto é sinal de que há magia no ar ao seu redor. Não tente, porém, decifrá-la ou interpretá-la de modo racional, pois você não será capaz, visto que esta é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O maior mistério, no entanto, será a sua própria reação ante a maravilhosa sincronia proporcionada por esse momento de pura alquimia. Você será capaz de reconhecer este momento e aproveitar esta oportunidade para seu desenvolvimento espiritual? Será capaz de aceitar esta dádiva do Grande Espírito? Ou você deixará passar esta oportunidade, tentando explicar o poder do Grande Mistério de modo racional e intelectual?
Talvez seja tempo de chamar o Corvo como um mensageiro para transportar energias curativas, mensagens, ou, ainda, simples pensamentos. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens, espirituais representadas pela fumaça. Portanto, se você deseja entrar em contato com os Anciões ou enviar uma mensagem para a Estrada Azul do Espírito, peça auxílio ao Corvo. Ou, quem sabe, os Anciões estão chamando por você.
Lembre-se de que este momento mágico surgiu do vazio da escuridão. O seu desafio, a partir de agora, é iluminá-lo. Ao manifestar a magia luminosa deste momento você estará honrando plenamente o mágico que existe dentro de você. >>
<< Contribuiu para reduzir o índice de desemprego no Reino Unido (5,6%) – apesar de alguns sindicatos, como o Unite the Union, o considerarem mais como uma “maquiagem” do que uma verdadeira redução. “Esse tipo de contrato outorga todo o controle ao empregador e deixa o empregado em uma situação terrivelmente instável e mais vulnerável a abusos”, resume Neil Lee, professor de Economia na London School of Economics (LSE). Os trabalhadores de ‘zero horas’ precisam estar disponíveis 24 horas por dia, todos os dias da semana e, na maioria dos casos, têm uma cláusula que os impede de ter outro emprego. Além disso, muitos não sabem que horário terão de trabalhar e quanto vão ganhar. (...) “Contando com o dia de hoje, já são três dias sem notícias. Não recebi nenhuma mensagem, nenhuma chamada. Nada”, murmura Sarah. Seu semblante forte se evapora quando fala do temor de que a empresa a tenha dispensado. “Com esses contratos, eles nem precisam te despedir. Basta não te chamarem mais para trabalhar”, afirma. E se não há trabalho, não há salário. E também não há acesso ao seguro-desemprego nem outros subsídios. “Tampouco posso deixar esse emprego e procurar outro. Se fizesse isso, sairia do sistema de seguro-desemprego durante seis meses. É assim que eles nos tratam. É como uma escravidão em pleno século XXI”. >> (El Pais)
"Quando o homem nasce, é fraco e flexível; quando morre é impassível e duro. Quando uma árvore nasce, é tenra e flexível; quando se torna seca e dura, ela morre. A dureza e a força são atributos da morte; a flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser. Por isso, quem endurece, nunca vencerá." (Andrei Tarkovski)
Luis Nenung:
Se acontece de uma pessoa próxima a ti
estar mal
ofereça espaço e não julgamento
não minimize ou queira forçar que ela "fique bem" pra diminuir teu desconfortose não tiver algo significativo a dizer
ofereça teu silêncio e um olhar atento
que vale bem +que outro conselho soando a consolo
a Empatia é infinitamente +curativa que nossas opiniões
Impeachment para o Futuro
Jools Holland: Se eu fosse o Iggy Pop de 19 anos, que conselho você me daria?
Iggy Pop: O Izzy me disse pra tomar todas as drogas... Fique só na marijuana! Mande ver e não dê ouvidos a ninguém. Dê ouvidos a tudo que disserem, menos se for pra você. Se disserem pra você, provavelmente é bosta.
Iggy Pop: O Izzy me disse pra tomar todas as drogas... Fique só na marijuana! Mande ver e não dê ouvidos a ninguém. Dê ouvidos a tudo que disserem, menos se for pra você. Se disserem pra você, provavelmente é bosta.
"Entre ser ateu ou agnóstico, fico com o agnosticismo. Um ateu tem uma certeza: a inexistência de Deus. Um agnóstico opta pela dúvida. Ou mesmo por crenças simultâneas. Analisando a História ou mesmo meu feed, percebo que a certeza desune mais que a dúvida. Com a abertura da dúvida, o respeito parece mais palpável. Penso que Ateísmo é certeza demais para nossos tempos. O discurso da Certeza já aniquilou demais. A certeza é violenta." (Augusto Darde)
"Uma pesquisa que saiu na revista científica New Ideas in Psychology é o primeiro estudo empírico já feito sobre coisas arrepiantes (creepy). E sua principal conclusão é que para ser horripilante, mais do que repulsivo, é preciso ser imprevisível. (...) No topo da lista de profissões, com uma imensa vantagem, estão os palhaços. E entre as características que ativam o alerta de arrepio, comportamentos só um pouco estranhos são considerados piores que comportamentos abertamente estranhos. É impossível saber se um palhaço está feliz ou triste com o disfarce da maquiagem. E é impossível saber se ele vai ou não dar com uma torta na sua cara em uma fração de segundo. O mais provável, então, é que seja essa mistura de felicidade fingida com intenções ocultas que dê tanto medo. E esse medo é universal." (Revista Galileu)
Caixa rápido.
"Um filho, afinal, é quem dá à luz a mãe. Pois cada menino nascido faz nascer uma mãe." (Mia Couto)
"Elaborar uma tristeza é o que permite que a gente não se melancolize. Se não encontramos no outro os recursos para isso, vamos ficando anestesiados e mortificados. Esse é o paradoxo: justamente ao tentar evitar toda e qualquer tristeza é que se pode acabar empurrando alguém para a melancolia. Em vez de representar a falta e elaborar a dimensão da perda, quando entramos com a criança na via de restituição do objeto, ou na via de esquivar o acontecimento doloroso, nós a empurramos para uma situação muito pior, porque não compartilhamos com ela os recursos que permitem elaborar as perdas e as faltas, e isso cria uma fragilidade psíquica muito maior." (Julieta Jerusalinsky, psicanalista)
Tem o Cão das Lágrimas e tem o Gato das Lágrimas.
Mujica supremo.
Noutra ocasião:
Noutra ocasião:
Se a vida me ensinou alguma coisa, foi que os únicos derrotados são aqueles que deixam de lutar. No pior dos mundos, temos que persistir e começar de novo. Por quê? Porque a luta e a vida continua. Começamos de novo e seguimos em frente. Mudamos o mundo? Não, mas melhoramos alguma coisa. Nunca se vai triunfar totalmente e tampouco se estará totalmente derrotado. Por isso, se deve que ter fé e compromisso. E ter compromisso significa trabalhar um pouco mais.
Não gosto que se rompa com o voto do povo. Porque, às vezes, o povo erra, mas ele é o único que tem o direito de errar porque ele é quem paga o custo de seu erro. Este é um problema que vocês, brasileiros, têm que resolver.
Se a vida me ensinou alguma coisa, foi que os únicos derrotados são aqueles que deixam de lutar. Vocês tem que saber que não há um prêmio no final do caminho. O prêmio é o próprio caminho, é a própria caminhada. Nossa luta é muito velha e são falsos os termos esquerda e direita. São apenas invenções da revolução francesa. Na realidade, são lados permanentes da condição humana, como os lados de uma moeda, que fluem e refluem permanentemente na história. Há que aprender que, em uma vida desordenada, se necessita ter a coragem de sempre voltar a começar.
E todos sabemos que a democracia nunca será reconhecida como perfeita e não poderá ser. Porque é uma construção humana, e nós somos seres humanos, não somos deuses. Somos diferentes, nascemos de lugares distintos, pertencemos a classes distintas, geneticamente temos matrizes em nosso DNA. Seja o que for, nós homens somos semelhantes, mas cada um é particular e diferente. Porque não somos perfeitos, a sociedade tem e terá sempre conflitos. Porque somos sociais e temos defeitos. Somos diferentes, temos conflito. Por isso, precisamos da política.
A função da política não é gerar confusão e aborrecer a gente. A função da política é dar um limite à dor e às injustiças. A função da política é lutar por um mundo melhor, buscando conciliar permanentemente as inevitáveis diferenças. A função da política não é apagar, mas negociar as diferenças sociais.
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O Caio Kinzel Filho, primo da minha esposa Angela Francisca, esteve no Vietnã e nos contou que os vietnamitas não dizem que não gostam de comer algo - cebola, por exemplo. Eles dizem "eu não sei comer cebola". Porque é só questão de aprender ou não aprender.
"O povo sem partido foi às ruas do país ontem para votar nos candidatos sem partido, cujas ideias sem partido implementarão governos sem partido. O povo brasileiro, hoje, é sem partido, mas com igreja, com empresa, com banco, com emissora de TV, com quadrilha... Tudo muito novo. Tudo muito neutro. Nem esquerda, nem direita. Vai Brazil!" (Tiago Ribeiro)
"A coisa estranha sobre a preocupação é que ela realmente não ajuda. Ela agrava a situação. É difícil estar presente e confiante, porque estamos vivendo no futuro ou no passado em vez de estarmos no presente, o que só gera mais medo e preocupação." (Sakyong Rinpoche)
"A não-ação é frequentemente mais importante que a ação. Sem fazermos nada, as coisas às vezes podem ir mais suavemente, apenas devido à nossa presença pacífica. Em um barco pequeno quando uma tempestade vem, se uma pessoa fica sólida e calma, os outros não entrarão em pânico, e o barco terá maiores possibilidades de continuar flutuando. Em muitas circunstâncias, não-ação é fundamental para o nosso bem-estar. Se pudermos aprender o modo de vida que a árvore tem – permanecendo frescos e sólidos, pacíficos e calmos – mesmo se não fizermos muitas coisas, outros se beneficiarão de nossa não-ação, de nossa presença. Podemos também praticar a não-ação no domínio da fala. Palavras podem criar entendimento e aceitação mútua, ou podem causar o sofrimento dos outros. O melhor às vezes é não falar nada. Precisamos discutir ação social não violenta, mas precisamos discutir também não-ação não violenta." (Thich Nhât Hahn)
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Benedict Cumberbatch cantando Comfortably Numb com o Gilmour.
Palestra do Leandro Karnal no TRT4 (Porto Alegre) em 05/10/2016.
***
Gravei o áudio da palestra do Leandro Karnal no TRT. Ele falou sobre tipos de preconceito e intolerância: xenofobia, homofobia, misoginia, racismo, demofobia (aversão a pobre).
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
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