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segunda-feira, 31 de maio de 2010



LEHMANN, Hans-Thies. Teatro pós-dramático.

O adjetivo 'pós-dramático' designa um teatro que se vê impelido a operar para além do drama, em um tempo 'após' a configuração do paradigma do drama no teatro. Ele não quer dizer negação abstrata, mero desvio do olhar em relação à tradição do drama. 'Após' o drama significa que este continua a existir como estrutura - mesmo que enfraquecida, falida - do teatro 'normal': como expectativa de grande parte do seu público, como fundamento de muitos de seus modos de representar, como norma quase automática de sua drama-turgia. [Heiner] Müller qualificou seu texto pós-dramático Descrição de imagem (Bildbeschreibung) como uma 'paisagem para além da morte' e como 'explosão de uma lembrança numa estrutura dramática moribunda'. Pode-se então descrever assim o teatro pós-dramático: os membros ou ramos do organismo dramático, embora como um material morto, ainda estão presentes e constituem o espaço de uma lembrança 'em irrupção'. Também o prefixo 'pós' no termo 'pós-moderno', no qual é mais do que uma mera senha, indica que uma cultura ou prática artística saiu do horizonte do moderno, antes obviamente válido, mas ainda tem algum tipo de relação com ele de negação, contestação, libertação ou talvez apenas de divergência, com o reconhecimento lúdico de que algo é possível para além desse horizonte. Assim, pode-se justamente falar de um teatro pós-brechtiano que, em vez de não ter nada em comum com Brecht, tem consciência de que é marcado pelas reinvindicações e questões sedimentadas na obra de Brecht mas não pode mais aceitar as respostas dadas por Brecht. Portanto, 'teatro pós-dramático' supõe a presença, a readmissão e a continuidade das velhas estéticas, incluindo aquelas que já tinham dispensado a ideia dramática no plano do texto ou do teatro. A arte simplesmente não pode se desenvolver sem estabelecer relações com formas anteriores. O que está em questão é apenas o nível, a consciência, o caráter explícito e o tipo específico dessa relação. Da mesma maneira, é preciso distinguir entre a retomada do anterior no novo e a (falsa) aparência de validade contínua ou necessidade das 'normas' tradicionais.
Zero Hora - Um trabalho como Bodas de Sangue, que é um dos grandes textos do teatro moderno, reforça a crença de vocês na dramaturgia, especialmente em um tempo em que o texto está sendo colocado de lado por diversas iniciativas teatrais?

Luiz Paulo Vasconcellos - Eu acredito na dramaturgia. Não nesta ou naquela dramaturgia, mas numa dramaturgia que corresponda aos anseios do tempo em que está sendo representada. Por isso dirigi Beckett, Shakespeare, Eurípides, Ivo Bender, Tchekhov, Nelson Rodrigues e tantos outros autores tão diferentes entre si e tão necessários no momento em que foram encenados. Hoje, alguns pretendem substituir a representação do drama pelo exercício performático, a ficção pelo virtuosismo, a ação cênica pela presença física do ator. O que não deixa de ser um equívoco monumental. Alguém vai a um concerto para ver se o pianista é gordo, estrábico ou prognata? Não. Vai para ouvir música, que é uma organização arbitrária e rigorosa de sons. Portanto, continuo preferindo a música e o drama, independentemente de gêneros e estilos.





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"Gostaria de chamar a atenção para o conceito de lúdico. Sim, porque no mundo atual as diferentes dimensões do lúdico vêm sendo reduzidas a praticamente uma, a do lúdico instrumental. Esta que é, por exemplo utilizada pela publicidade, vem sendo tomada enquanto dimensão que dá conta das possibilidades todas do lúdico, como se este se esgotasse em tal perspectiva. Gostaria, assim, de lembrar aqui que o lúdico compreende pelo menos outra dimensão, que além de instrumental, o lúdico pode e deve ser essencial. No primeiro caso, o do lúdico instrumental, o jogo é compreendido enquanto recurso motivador, simples instrumento, meio para a realização de objetivos que podem ser educativos, publicitários ou de inúmeras naturezas. No segundo caso, brincar sob todas as formas físicas e/ou intelectuais, é visto como atitude essencial, como categoria que não necessita de uma justificativa externa, alheia a ela mesma para se validar." (Edmir Perrotti)
"Desde que Francis Bacon instaurou seu famoso 'Saber é poder', parece como se tudo na vida consistisse em 'dominar a Natureza', ou seja, dominar as coisas, as pessoas, as relações, os problemas. A vida humana desenvolve-se através de muitas relações, as mais variadas possíveis: relações familiares, profissionais, de amizade, de convivência mais ou menos quotidiana; relações íntimas, particulares, solitárias; relações com o sobrenatural, com a Natureza, com a cidade, com a sociedade... Isto se tivermos elencando apenas alguns dos muitos campos que compõem, de fato, a vida humana. Essas relações não são de forma alguma aleatórias. São relações carregadas de sentido. Aliás, precisamente por não encontrar nenhum sentido nesse tipo de relação que os homens pragmáticos se desesperam e se deixam vencer pela angústia, pelo medo, pelo ceticismo ou por qualquer outro fantasma do mundo contemporâneo. Viver uma vida pragmática, prática, de respostas "objetivas" - como se costuma dizer - implica transformar tudo isto em relações bipolares; significa desvirtuar a realidade mais real. Há um tipo de pessoas absolutamente fechado a qualquer valor. Pessoas que são defeituosas, algo assim como cegas ou surdas, embora não queiram reconhecê-lo e encontrem teorias muito sofisticadas para justificar-se. São pessoas . . . com as quais não adianta conversar ou argumentar sobre certos valores; simplesmente não enxergam." (Rafael Ruiz)

domingo, 30 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Homem Que Não Vive da Glória do Passado no Teatro Funarte Plínio Marcos, em Brasília. Coming soon.


"Em 2000, uma mancha verde invadiu um dos rios que atravessam Estocolmo [foto acima; abaixo, intervenção em Moss, Noruega, 1998]. Por quase uma hora, os pedestres e os motoristas nas margens não sabiam o que pensar. Alguns entraram em pânico achando tratar-se de um ataque terrorista. Outros gargalharam. E os jornais da capital sueca, na ânsia de tentar acalmar a população, publicaram a versão oficial do governo de que o episódio fora causado por algas marítimas. Bobagem. Dias depois, todos ficaram sabendo que o responsável foi o dinamarquês [islandês!] Olafur Eliasson, um dos mais respeitados artistas plásticos vivos, o mesmo que oito anos depois criaria quatro cachoeiras artificiais e transformaria por cinco meses a paisagem de Nova York. Mas por que manchar na surdina um rio com pigmento colorido nãopoluente? Eliasson responde por e-mail: 'O rio estranhamente verde fez com que as pessoas enxergassem o mundo de uma outra maneira.' Com somente uma frase, o artista resumiu uma das sensações mais ricas que as artes plásticas podem oferecer a seu público: um novo olhar diante das coisas." (Fonte: Vida Simples)

"Gostaria muito que minha última curadoria no Masp fosse uma sala imensa com só uma tela exposta. Quem sabe, dessa maneira, as pessoas poderiam concluir que melhor que ver uma exposição gigantesca e cansativa é observar com calma um único trabalho." (Teixeira Coelho, curador do Masp)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

É isto que eu busco na arte.

"Há uma incoerência narrativa que não permite que sejam percebidos esquemas claros de significação." (Angela Francisca Almeida de Oliveira)
Seria lindo se algum governante determinasse de repente que não haveriam mais automóveis. É impossível, pois não tem como voltar atrás no progresso. Ou: o homem não sabe parar. Que nem disseram naquele documentário 'Corporação', estamos no piloto automático em queda livre, e quando avistarmos o chão, será tarde demais. Mas seria lindo.

"O ideal seria que o transporte fosse desnecessário. Ele representa altos custos e perda de qualidade de vida." (Nicolau Gualda)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tua vida ecoa nas minhas veias. Angela Francisca.


(Crédito da imagem.)
"O espetáculo [Homem Que Não Vive da Glória do Passado] é um redemoinho de estímulos, tudo ecoa em tudo, e esses ricochetes simbólicos acabam espirrando na cara do público. (...) O orgânico da performance é contraposto com o rigor pós-industrial dos aparatos, a tenra carne do homem é mastigada pelos dentes plastificados da tecnologia. (...) Junto com o homem, emerge também a plateia/participante, que pisa na rua sentindo ainda o escorrer da performance garganta abaixo. (...) Em termos visuais, o espetáculo tem muito de David Lynch em seus momentos mais 'Estrada perdida', mas acima de tudo tem a assinatura plastificada e encharcada dos líquidos vis que está sempre presente na obra de JdR.

"Mas tudo bem, até aí tudo ótimo. Só que aparentemente a peça foi atacada por todos os lados pela crítica teatral local, de jornais a blogs, e eu não pude deixar de me perguntar o porquê disso. Ora, como boa porto-alegrina, não demorei a concluir que a má-recepção da obra era obra do seguro, aquele que morreu de velho. Se alguém assiste a HQNVDGDP e não enxerga as formas como o espetáculo é importante, então essa pessoa é muito provavelmente um velho. Não em idade, mas em velhice: em decrepitude. Parece que os críticos porto-alegrenses vivem demais, têm saudade demais de como as coisas eram. É em homenagem a eles que nomeio este post, em homenagem aos que não enxergam a fagulha do novo porque estão já enterrados em vida por suas expectativas acerca do que a arte pode ou não fazer.

"O que a crítica porto-alegrense precisava era atirar-se ao abismo das coisas que não estão nos manuais prescritivos; que, antes, fermentam simultaneamente nos cérebros e mídias dos verdadeiros artistas, e pulsam nas fibras de todos que verdadeiramente experimentam, em primeira mão, o sentimento de seu tempo. Mas na hora de dar o salto fruitivo na garganta do abismo, a crítica porto-alegrense recusa-se a largar a corda. (...)

" . . . entre os elementos mais essenciais da obra de JdR [João de Ricardo] est[á] a impalpabilidade dos limites . . . " (Mariana Bandarra)

domingo, 23 de maio de 2010



Gostei mais hoje da audição do remake que os Flaming Lips (Wayne Coyne com o gato acima) e mais alguns fizeram de 'Dark side of the moon'. As melhores são 'Time', 'Us and them + Any colour you like' e 'Brain damage'. Henry Rollins, o poderoso de Black Flag e Rollins Band, o carcereiro de 'Estrada perdida', reproduz as vozes sampleadas do disco mais clássico da história.

MOYERS: Que é iluminação?

CAMPBELL: Iluminação é o reconhecimento da radiância da eternidade em meio às coisas, quer sejam julgadas, na visão temporal, boas ou más. Para chegar a isso, é preciso libertar se completamente do desejo dos bens deste mundo, bem como do medo de perdê-los. "Não julgue para não ser julgado", lemos nas palavras de Jesus. "Se as portas da percepção estivessem desobstruídas", disse Blake, "o homem veria tudo como é, infinito."

MOYERS: Essa é uma viagem difícil.

CAMPBELL: Essa é uma viagem celestial.

MOYERS: Mas isso é coisa só para santos e monges?

CAMPBELL: Não, acho que é também para artistas. O verdadeiro artista é aquele que aprendeu a reconhecer e a expressar o que Joyce chamou de "radiância" de todas as coisas, como epifania ou revelação da sua verdade.

MOYERS: Mas isso não deixa os outros, todos nós, simples mortais, numa posição muito inferior?

CAMPBELL: Não creio que exista isso de "simples mortal". Cada um de nós tem a possibilidade do êxtase em sua experiência de vida. O que é preciso fazer é reconhecê-lo, cultivá-lo e seguir em frente. Sempre me sinto incomodado quando as pessoas falam em "simples mortais", porque eu jamais conheci um homem, uma mulher, ou uma criança "simples".


Por parecer que há um oito de luz nessa foto tirada de mim pela Angela Francisca, chegamos ao oitavo arcano maior do tarô, a Justiça, coincidentemente (não existem coincidências, Douglas Dickel) representada pela balança de Libra, meu signo zodiacal. Consultamos o livro com que eu a presenteei, que relaciona o tarô com Jung, coincidentemente o cara que criou uma teoria sobre as coincidências, a famosa Teoria da Sincronicidade. Pois, a descrição simbólica da carta tem tudo a ver comigo.

NICHOLS, Sallie. Jung e o tarô - uma jornada arquetípica.

Essencialmente, a Justiça não se preocupa com a exatidão matemática, senão, como Astréia, com a harmonia, a beleza funcional e uma espécie de verdade que transcende a mensuração mecânica... "A beleza é a verdade, a verdade é a beleza..." A realidade da famosa equação poética de Keats, inspirada pelos Mármores de Elgin, foi novamente imortalizada nas colunas do Partenão, que parecem exatas mas que são, na verdade, côncavas no topo. Se as suas proporções tivessem sido medidas pelas regras da lógica, em vez de o serem pelas escalas da harmonia, essas colunas teriam parecido grosseiramente desequilibradas. Suas dimensões foram criadas para corresponder às limitações e à perspectiva do olho humano. Através da sua verdade imperfeita, lograram a beleza imortal.

Esse tipo de justiça poética opera, aparentemente, nos tribunais tanto do céu quanto da Terra. Não se ocupa da moralização severa nem das questões de crime e castigo. Dedica-se, antes, à restauração das leis universais da harmonia e do equilíbrio criativo.

A psique, como o corpo, faz parte da natureza, de modo que não nos surpreende que ela também opere de acordo com leis similares de compensação. O inconsciente sempre age de maneira compensativa em relação à consciência. Um sonho não traz uma figura diametralmente oposta ao ponto de vista consciente. Ou melhor, as figuras do sonho modificam a posição do ego. Não são inimigas da consciência; devem ser vistas mais como adversários num jogo amistoso ou como sócios empenhados numa tarefa mútua. Jung acentua o fato de que os nossos sonhos são complementares em relação ao ponto de vista do ego e que a palavra complementar significa "tornar completo". A completação, diz ele, não é a perfeição. A psique é um sistema auto-regulador que não visa à perfeição, senão à totalidade e ao equilíbrio.

Como os dois lados da balança da Justiça, o consciente e o inconsciente travam um diálogo constante. O comportamento deles é um comportamento de gangorra, um bailado de compensação sempre em movimento.
Trechos surreais da entrevista coletiva com o Bob Dylan, em San Francisco, dezembro de 1965, contidos no filme 'No direction home'.

- Você prefere música com mensagem sutil ou óbvia?
- Com o quê?
- Mensagem sutil ou óbvia?
- Com uma mensagem... Que música com mensagem?
- Como 'Eve destruction' e coisas assim.
- Prefiro isso a quê?
- Não sei, mas suas músicas deveriam conter uma mensagem sutil.
- Mensagem sutil?
- Bem, supostamente deveriam ter.
- Onde leu isso?
- Numa revista de cinema.
- Ah, meu deus...

- Pensa em si basicamente como um cantor ou um poeta?
- Penso em mim como um homem que canta e dança, sabe?
- Senhor Dylan, sei que não gosta de rótulos e provavelmente está certo, mas, para nós que estamos bem acima dos 30, poderia se rotular e talvez nos dizer qual é o seu papel?
- Bem, eu me rotulo como bem abaixo dos 30. E o meu papel é ficar aqui tanto quanto puder.
- É considerado por muita gente símbolo do movimento de protesto do país, para os jovens. O senhor vai participar da manifestação do Vietnam Day Committee em frente ao hotel Paramount, esta noite?
- Estarei ocupado esta noite.

"As coisas fugiram do controle. Sabe, caíram no... Você me pergunta se escrevo canções surreais, mas esse tipo de atividade é que é surreal. Não tinha respostas para essas perguntas, não mais do que qualquer outro artista, na verdade. Mas isso não impediu a imprensa, nem as pessoas, ou quem quer que seja, de me fazerem esses questionamentos. Por alguma razão a imprensa achava que os artistas tinham as respostas para todos esses problemas da sociedade. O que se pode dizer sobre isso? É algo meio absurdo."

- Senhor Dylan, parece muito relutante em falar sobre o fato de que é um artista popular, na verdade dos mais populares.
- O que quer que eu diga?
- Bem, não entendo por quê.
- Bem, o que quer que eu diga a respeito?
- Bem, parece de ter vergonha de admitir que é... de falar a respeito...
- Bem, eu não estou com vergonha. O que quer exatamente que eu fale? Quer que eu pule e diga 'Aleluia' e quebre as câmeras e faça algo estranho? Diga-me. Diga-me, faço o que mandar. De não puder fazer, acharei alguém que faça o que quer.
- O senhor não sabe por que razão ou não tem idéia de por que é popular, isso é o que me interessa.
- Na verdade, nunca me esforcei para isso. Aconteceu, sabe? Aconteceu, como tudo acontece.


"E quanto ao aspecto da beleza, seria ela intencional? Ou é alguma coisa como a expressão natural de um belo espírito? A beleza do canto do pássaro é intencional? Em que sentido é intencional? Ou é a expressão do pássaro, a beleza do espírito do pássaro, pode se dizer? (...) Quando uma aranha tece uma bela teia, a beleza provém da natureza da aranha. É beleza instintiva. Quanto da beleza das nossas próprias vidas diz respeito à beleza de estar vivo? Quanto disso é consciente e intencional? Esta é a grande questão." (Joseph Campbell)

sábado, 22 de maio de 2010

Trilhas sonoras fazem bem a alguns sujeitos fora de suas bandas.
E um dos melhores discos do ano passado eu só fui conhecer agora.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

"Tudo começa com a cor azul, que simboliza o acolhimento. Esta noção de acolhimento, ou mesmo o conjunto das qualidades positivas, pode ser simbolizada pela flor de lótus, que é um símbolo do budismo. A flor de lótus se enraíza no lodo e nasce sobre a água. Isto significa que quando olhamos o mundo e vemos as graves dificuldades existentes, não desanimamos, nem nos opomos, nem nos amarguramos. Fazemos a nossa energia se manifestar de modo positivo, para trazer benefício aos seres. Isto é o lótus. Este é o poder de transmutação do lótus. Ele não é contaminado, nem perturbado, nem manchado pela negatividade de onde ele brota. Ao olhar as negatividades e os obstáculos, brota algo puro em nós. Parece impossível, mas é exatamente assim. Este é o poder do lótus. Olhando aquilo que é negativo, poderíamos gerar amargor, raiva, rancor, ódio, medo. Mas em vez de surgirem coisas negativas do negativo, surgem coisas positivas do negativo, espantosamente. Ou seja, nós olhamos, aspiramos e verdadeiramente nascemos sobre esse lótus, para trazer benefício aos seres. Com isso sorrimos internamente. (...) Dessa forma, com a nossa visão, não criamos uma aderência entre a negatividade e a outra pessoa. Usualmente consideramos que a negatividade é o outro, mas, na verdade, o outro é a liberdade latente de ele mesmo fazer tudo diferente. A visão do lótus surge desta capacidade. Vai se manifestar não só acolhendo e entendendo o outro, mas favorecendo as ações positivas, oferecendo estruturas positivas . . . "
"O espaço e o tempo no teatro já são exponencialmente diferentes do cotidiano - e [Bob] Wilson [em 'Quartett'] eleva essa diferença ao extremo. O espectador é obrigado a viver cada pausa, cada minuto, cada palavra - 'o silêncio do teatro, a razão de sua fala, será ouvido novamente', preconizou [Heiner] Muller. A repetição e longuidão dos blackouts, além de entradas dos atores em cena para posicionamento e trocas abertas de cenários ampliam o distanciamento." (Fausto Viana e Rosane Muniz/Estadão)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Postado por Maya Redin
das etapas do processo.


Método de pesquisa:
Cão farejador.

Cronograma:
Fluido como uma montanha.

(aprendizados sobre um processo de criação.)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Habilidades para chegar a nenhum lugar

Proposta: Ao compreender que não há lugar aonde chegar, tentaremos liberar a fisicalidade da atividade mental. Deste modo acessaremos o ponto zero, experimentando o paradoxo de estar em equilíbrio e caindo ao mesmo tempo. A partir dessa qualidade de movimento abordaremos as habilidades que o CI nos proporciona para sintonizar a nossa dança em relação ao outro, ao espaço e ao tempo. (via Ana Krischke)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Nós privilegiamos muito a linguagem discursiva, mas a linguagem verdadeira é a linguagem da energia, a linguagem que o mundo opera. O mundo não troca palavras, o mundo se movimenta pelo sinal das energias." (Lama Samten)
O alemão genial Markus Popp, mestre da música glitch, está para lançar um EP e um LP, o que não faz desde 2001.



O:

CD1:

01 Panorama
02 ah!
03 Shhh
04 Glossy
05 stop motion
06 sky
07 beige
08 Brahms Mania
09 cinematic
10 cry
11 Cottage
12 I heart Musik
13 Salamanca
14 Dolo
15 Dricas
16 Cyprus
17 vessel
18 Dynamo
19 Finis
20 Emocor

CD2:

01 Citybike
02 Oslo
03 ij
04 Rivo
05 pomp
06 Blinky
07 parallax
08 Koral
09 kolor
10 auto matic
11 Dream Over
12 pastell
13 magnify
14 drift
15 allover
16 Derby
17 Flax
18 Bergen Best
19 Matinee
20 Kukicha
21 6 AM
22 Flamingo
23 Rivo II
24 Goodbye
25 Fontan
26 Co-Echo
27 stop motion II
28 vitesse
29 September
30 voila
31 Vegas top
32 Expo
33 lonely
34 Java
35 klack
36 Project Evergreen
37 rainyday
38 Big City Nights
39 Rosammie
40 Gallo
41 May Tea
42 chronograph
43 Jank
44 breezy
45 press
46 form faktor
47 terminal
48 Karo
49 Swiss Summer
50 Happyend



Oh:

01 hey
02 hmmm
03 grrr
04 oh!
05 kastell
06 sediment
07 featurette
08 saas fairy
09 kastell 4
10 kasko
11 homesick
12 tricot
13 locria
14 nonfiction
15 happyend 2

segunda-feira, 10 de maio de 2010



Vanessa Beecroft. Descoberta em Anatanomia da Boneca, blog da construção do espetáculo de performance da Andressa Cantergiani, com direção do João de Ricardo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Simplicidade, por Eugenio Mussak/Vida Simples:

A palavra é formada por duas outras de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que tem várias. Imagine uma folha de papel na qual está escrita uma mensagem. Quem a escreveu dobrou a folha uma única vez e a entregou para você, que em um gesto único a abre e lê seu conteúdo. Simples!

Agora pense nessa mesma folha dobrada várias vezes, como um origami (mas sem a beleza da arte japonesa), apenas um monte de dobras que denotam a preocupação do autor em esconder o conteúdo da mensagem. Você precisará, nesse caso, dedicar-se a desfazer as dobraduras, uma a uma, até abrir a folha, que deverá, então, ser alisada, antes de expor seu conteúdo. Pois assim é a vida em todas as suas dimensões. Pode ter uma dobra generosa ou ter várias dobras desconfiadas.

Simplificar significa, então, facilitar o acesso ao que interessa, ao conteúdo dos fatos da vida, das coisas que usamos e das mensagens que queremos passar. Isso explica tudo. Aliás, a palavra explicar significa exatamente “tirar as dobras”, alisar a folha que contém nossas ideias. Só explica quem quer simplificar. Quem não quer, complica.

Ser simples não significa evitar o complexo, abrir mão da sofisticação, negar a profundidade, contentar-se com o trivial. Ser simples significa olhar com olhos plácidos a esfinge da complexidade e decifrá- la muito antes de correr o risco de ser por ela devorado.
Simone, telefonista, e Maria Bello, atriz.

aves que engordam
uma oração de vicente renner & douglas dickel
outubro de 2005

ave kim gordon cheia de graça
thurston moore é convosco
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto de tanta distorção, sonic youth
santa kim, mãe da coco
rogai por nós reles fruidores
agora e na hora da nossa sorte (de vê-los)
a man

quinta-feira, 6 de maio de 2010



André Gomes/Bodyspace.net - Mudando o assunto, ou talvez não, sei que acreditam que a música e a internet serão gratuitas um dia. Quanto tempo acham que irá demorar e quantos milionários irão à falência por causa disso?

Jona Bechtolt/YACHT - Mudanças culturais massivas como a "internet gratuita" e "música gratuita" não acontecem porque as pessoas querem que elas aconteçam, ou porque alguém tenta com muito empenho que aconteçam. Elas acontecem organicamente, sem esforço, porque as forças de milhões de pessoas usando a informação de uma certa forma tem o poder de rearranjar completamente a realidade. As pessoas que pirateiam música, software, e informação não o fazem por malícia ou até pelo desejo de destruir o sistema: fazem-no porque querem viver para além dos seus próprios meios e participar na cultura. Querem ter participação nos filmes, na música, nos media, e estar envolvidos neste novo ambiente criativo gerador de media desta nova geração. E porque este desejo nunca desaparecerá nas pessoas, e nunca será saciado, a internet irá mudar-nos enquanto a utilizámos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dear Angela Francisca,



You're just too good to be true.
Can't take my eyes off of you.
You'd be like heaven to touch.
I wanna hold you so much.
At long last love has arrived.
And I thank God I'm alive.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off of you.

I love you baby,
and if it's quite all right,
I need you baby
to warm a lonely night.
I love you baby.
Trust in me when I say:
Oh pretty baby,
don't bring me down I pray.
Oh pretty baby,
now that I found you, stay.
And let me love you,
oh baby let me love you.

You're just too good to be true.
Can't take my eyes off of you.
You'd be like heaven to touch.
I wanna hold you so much.
At long last love has arrived.
And I thank God I'm alive.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off of you.
Indeed.

Are the stars out tonight?
I don't know if it's cloudy or bright
'cause I only have eyes for you, dear
My love must be some kind of blind love
I don't see anybody but you
The moon may be high
But I can't see a thing in the sky
'cause I only have eyes for you.

I don't know if we're in a garden
Or on a crowded avenue
You are here, so am I
Maybe millions of people go by
But they all disappear from view
I only have eyes for you
My love must be some kind of blind love
I don't see anybody but you
In our neighbourhood: Grupo Ío, 'Autochoque'.


Foto: Lúcia Safi