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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu amo chuchu.



Now I let you in entirely
This love began already
I am showing you my heart from now on
I'll be good to you too
We can make this thing true
You got to my heart indeed
Fox in the sun

:)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O ventre da baleia
(Joseph Campbell)

A ideia de que a passagem do limiar mágico é uma passagem para uma esfera de renascimento é simbolizada na imagem mundial do útero, ou ventre da baleia. O herói, em lugar de conquistar ou aplacar a força do limiar, é jogado no desconhecido, dando a impressão de que morreu.

O interior do templo, ou ventre da baleia, e a terra celeste, que se encontra além, acima e abaixo dos limites do mundo, são uma só e mesma coisa. Há os guardiães do limiar, a quem cabe afastar todos os que forem incapazes de encontrar os silêncios mais elevados do interior do templo. A natureza secular do devoto permanece lá fora; ele a deixa de lado, como a cobra deixa a pele. Uma vez no interior do templo, pode-se dizer que ele morreu para a temporalidade e retornou ao Útero do Mundo, Centro do Mundo, Paraíso Terrestre. O simples fato de todos poderem passar fisicamente pelos guardiães do templo não invalida sua importância; pois se o intruso for incapaz de compreender o santuário, então permaneceu efetivamente do lado de fora. Todos os que são incapazes de compreender um deus vêem-no como um demônio e, assim, se protegem de sua aproximação. Portanto, alegoricamente, a entrada num templo e o mergulho do herói pelas mandíbulas da baleia são aventuras idênticas; as duas denotam, em linguagem figurada, o ato de concentração e de renovação da vida.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Anteontem foi a vez de eu sonhar com uma aranha-armadeira.



"Seu fio evoca as Moiras (na mitologia grega, as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos) ou Parcas (na mitologia romana, as três irmãs que determinavam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Júpiter podia contestar suas decisões. Nona tecia o fio da vida, Décima cuidava de sua extensão e caminho, Morta cortava o fio. A gravidez humana em Roma era de nove luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio da vida no útero materno, até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o individuo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento). As aranhas destruindo e construindo sem cessar simbolizam a inversão contínua através da qual se mantém o equilíbrio da vida do cosmos, e assim, o simbolismo da aranha pode significar aquele sacrifício contínuo, mediante o qual o homem se transforma sem cessar durante sua existência."

"Elas precisam trocar de pele periodicamente, de 5 a 7 vezes, durante o período de crescimento. Aranhas que vivem muito, como as tarântulas, que vivem até 25 anos, trocam de pele a cada ano. Mesmo depois de terem crescido o suficiente, a pele precisa ser trocada porque fica gasta, e nesse sentido, elas podem possuir vínculo com a cobra e sua simbólica de transformação."

"Em razão de sua rede de raios tecida habilmente e de seu posicionamento central, é considerada na índia símbolo da Ordem Cósmica, assim como a tecelã (maya) do mundo sensível. Para a filosofia budista, Maya evoca uma realidade ilusória, vazia de ser. Para o hinduísmo, ao contrário, essa existência é "verdadeira" enquanto manifestação da essência. O véu de Maya, assim como a teia de aranha, exprime a beleza da criação. A aranha torna-se, às vezes, símbolo da alma ou um animal psicopompo – condutor das almas dos mortos."

"Pode ser um símbolo do narcisismo, pois contém em seu símbolo a absorção do ser pelo seu próprio centro. Representa também o medo da sexualidade."


Aranha-armadeira

"Agressivas e valentes; espinhos negros implantados no corpo; coloração cinza com 2 a 3 cm de comprimento; fórmula ocular: 2 olhos na 1ª fila, 4 olhos na 2ª fila e 2 olhos na 3ª fila, implantados na cabeça. O corpo é coberto por pêlos curtos, aderentes, marrons acizentados, o segmento basal da quelícera tem pêlos vermelhos. No dorso do abdômen há pares de manchas claras formando uma faixa longitudinal e desta seguem filas laterias oblíquas de manchas menores. O ventre da fêmea é negro e do macho alaranjado, apresentando o macho um colorido geral mais claro, amarelado. As pernas apresentam espinhos negros implantados em manchas claras."

"Neurotóxica. São responsáveis pelo mais número de acidentes de aranhas. O veneno desta aranha costuma agir mais rapidamente do que a da maioria das serpentes. Há registro de mortes de crianças, seis a doze horas após o acidente, bem como de alguns adultos."

"As armadeiras não constroem teias. São crespusculares e noturnas, alojando-se em locais escuros, buracos na terra ou sob a vegetação, entre folhagens de arbustos, sob troncos de árvores, no interior escuro das bainhas das folhas de coqueiros ou palmeiras derrubadas ao chão ou dentro das bainhas das bananeiras, inclusive entre os cachos de frutas."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Meu desktop atual.



"Cor universal da natureza. Tem frescor, harmonia e equilíbrio. Cor calma, que não se dirige para nenhuma direção nem encerra algum elemento de alegria, tristeza ou paixão. O verde mais amarelado sugere uma força ativa, um aspecto ensolarado."

"Aspectos favoráveis: a energia do verde reflete participação, adaptabilidade, generosidade e cooperação. Essa cor atenua as emoções, facilita o raciocínio correto e amplia a consciência e compreensão. Ela é a imagem da segurança e da proteção e cria um ambiente propício para tomar decisões. Espaço, liberdade, harmonia e equilíbrio são aspectos que se originam do sentimento natural de justiça do verde. Essa cor atua como um sinal para a renovação da vida e sua vibração mais elevada reflete o espírito de evolução."

A imagem original era assim. Não puxei o verde escuro "de propósito"...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo se separa, tudo volta a se encontrar; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo o 'aqui' rola a bola 'acolá'. O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade." (NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Also spracht Zaratustra.)


Douglas Dickel : Comprei uma caixa de palheiros e sonhei com São Lourenço do Sul e Pelotas, cidades onde eu me iniciei na fruição da palha adocicada e da tragada encorpada. Uma baleia passou por mim no sonho. De quê baleia será símbolo?

Douglas Dickel
Simboliza a escuridão abissal e misteriosa, o inconsciente, o local para onde o herói precisa de retornar para que seja possível o seu renascimento. No mito do herói, a baleia é um símbolo da Grande-Mãe devoradora em cujo ventre o deus-herói se transforma, e nesse confronto com a Grande-Mãe, temos o simbolismo de que é o ego do homem que precisava de ser transformado. A luta do herói contra a baleia ou qualquer outro monstro marinho é um símbolo da luta pela libertação da consciência do eu, das ligações com o inconsciente e a sua salvação torna-se dessa maneira num símbolo da vitória do consciente sobre o inconsciente. A saída do ventre da baleia significa um renascer ou uma ressurreição, tanto que o símbolo da baleia é comum a vários ritos de iniciação. A entrada no seu ventre é análoga à descida ao sub-mundo e à passagem pelo inferno.
2 seconds ago ·

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010



"Quando um buraco implode, toda a informação que ele absorveu passa a escorrer infinitamente e, eventualmente, poderemos reavê-la toda." (Laurie Anderson falando para João Lisboa de uma teoria do astrofísico Stephen Hawking)
Lembrei desta minha criação com gif animator. Tem que clicar para vê-la.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Simplicidade, sensualidade, naturalidade e beleza das proporções. Quem tirou a foto, Pétala Francisca, e quem foi fotografada estão apaixonadas.


Amorável (PA)





Escrito e dirigido por mexicano e falado em alemão. Arrebatador.


[40 MELHORES FILMES DOS ANOS 00 - atualização 2010]

01. Antichrist / Anticristo (2009) Lars Von Trier
02. Dogville / Dogville (2003) Lars Von Trier
03. Synecdoche, New York / Sinédoque, Nova Iorque (2008) Charlie Kaufman
04. Eternal sunshine of a spotless mind / Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2003) Michel Gondry
05. Caos calmo / Caos calmo (2008) Antonio Luigi Grimaldi
06. Så som i himmelen / A vida no paraí­so (2004) Kay Pollak
07. Stellet licht / Luz silenciosa (2007) Carlos Reygadas
08. Entre le murs / Entre os muros da escola (2008) Laurent Cantet
09. It's all about love / Dogma do amor (2003) Thomas Vinterberg
10. Lucía y el sexo / Lúcia e o sexo (2001) Julio Medem
11. The fountain / Fonte da vida (2006) Darren Aronofsky
12. Rachel getting married / O casamento de Rachel (2008) Jonathan Demme
13. Direktøren for det hele / O grande chefe (2006) Lars Von Trier
14. All the real girls / Prova de amor (2003) David Gordon Green
15. Me and you and everyone we know / Eu, você e todos nós (2005) Miranda July
16. Punch-drunk love / Embriagado de amor (2002) Paul Thomas Anderson
17. La stanza del figlio / O quarto do filho (2001) Nanni Moretti
18. Stranger than fiction / Mais estranho que a ficção (2006) Marc Forster
19. Caché / O cachê (2005) Michael Hanneke
20. Before sunset / Antes do por-do-sol (2004) Richard Linklater
21. Mulholland Drive / Cidade dos sonhos (2001) David Lynch
22. A history of violence / Marcas da violência (2005) David Cronenberg
23. Lost in translation / Encontros e desencontros (2003) Sofia Coppola
24. Man on wire / O equilibrista (2008) James Marsh
25. Irina Palm / Irina Palm (2007) Sam Garbarski
26. The secret life of words / A vida secreta das palavras (2005) Isabel Coixet
27. Elephant / Elefante (2003) Gus Van Sant
28. Brown Bunny / Brown Bunny (2003) Vincent Gallo
29. Dear Wendy / Querida Wendy (2005) Thomas Vinterberg
30. Donnie Darko / Donnie Darko (2001) Richard Kelly
31. Dancer in the Dark (2000) Lars Von Trier
32. Two lovers / Amantes (2008) James Gray
33. The girlfriend experience / Confissões de uma garota de programa (2009) Steven Soderbergh
34. Le escaphandre et le papillon / O escafandro e a borboleta (2007) Julian Schnabel
35. Le couperet / O corte (2005) Costa-Gavras
36. Revolutionary Road / Foi apenas um sonho (2008) Sam Mendes
37. 1408 / 1408 (2007) Mikael Håfström
38. Vozvrashcheniye / O retorno (2003) Andrei Zvyagintsey
39. Efter brylluppet / Depois do casamento (2006) Susanne Bier
40. Sideways / Entre umas e outras (2004) Alexander Payne


Os Mão Morta estão para lançar 'Pesadelo de peluche', seu novo álbum. Neste ano, comemoram o 25º aniversário da carreira.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010



"O objetivo de qualquer artista, mais do que ser original, é atingir uma espécie de perfeição. Não interessa tanto que um trabalho seja espantosamente novo, mas sim que ele seja espantosamente perfeito. Hoje me parece que o meu objetivo maior é realizar coisas que sejam emocionalmente fortes." (Laurie Anderson a João Lisboa)


"Abbie Hoffman foi o homem que gritou 'TEATRO' por entre a multidão num incêndio." (Laurie Anderson a João Lisboa)
"Quando você parar para ouvir uma outra pessoa, não escute só com a mente, escute com todo o seu corpo. Sinta o campo de energia do seu campo interior enquanto escuta. Isso desvia a atenção do pensamento e cria um espaço de serenidade que possibilita você ouvir realmente, sem que a mente interfira. Você está dando à outra pessoa um espaço para ela ser. É o presente mais precioso que você pode dar a alguém." (Eckhart Tolle)
"Caso você precise usar a mente para um propósito específico, use-a em parceria com seu corpo interior. Só se conseguirmos estar conscientes sem que haja pensamentos é que seremos capazes de usar a mente de forma criativa, e o caminho mais fácil para entrar nesse estado é através do corpo. Sempre que for necessária uma resposta, uma solução ou uma ideia criativa, pare de pensar por um momento e focalize a atenção em seu campo de energia interior. Tome consciência da serenidade. Quando você voltar ao pensamento, ele será novo e criativo. Em qualquer atividade mental, habitue-se a ir e vir, de tantos em tantos minutos, entre o pensamento e uma espécie de escuta interior, uma serenidade interior. Poderíamos dizer: não pense apenas com a cabeça, pense com todo o seu corpo." (Eckhart Tolle)
Deerhoof e Xiu Xiu estão a regravar 'Unknown pleasures', dos Joy Division.
A carta completa de Rilke a Kappus em que ele fala sobre "Deseja algo melhor que transformar-se?".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010



Como ainda não estreou no Brasil, 'The limits of control', o filme de 2009 de Jim Jarmusch, já é o favorito absoluto para melhor filme "de 2010" e melhor filme do diretor, além de um dos melhores da década. É perfeito. Mesmo apesar dos ecos de 'Ghost dog', 'Mulholland drive' (chorando...), 'Lost highway', 'Lost in translation', Steven Soderbergh e Wim Wenders. Quanto a David Lynch, parece que Jarmusch decidiu mostrar como se faz um filme lynchiano mais maduro, um caminho inverso ao que foi 'Inland empire'. E essa veia - ou essa vizinhança - está clara na fala de Tilda Swinton ("The best films are like dreams"), nas coinciências nonsenses, ao mostrar a estrada correndo iluminada por faróis, na obsessão por cenas estranhas com café. No elenco, é marcado o retorno de Paz de la Huerta, que já era sensual em sua pré-adolescência no filme 'Regras da vida' e agora só aparece nua ou com capa de chuva transparente - o que dá no mesmo. A trilha sonora da banda de doom ambient Boris, que dá uma de Earth e flerta com post-rock, Yo La Tengo (trilhas dos filmes do Hal Hartley) e com o tex-mex climático Wenders-esque. A fotografia arrasadora é do Christopher Doyle, que já trabalhou com Wong Kar-Wai ('Fallen angels') e Gus Van Sant ('Paranoid park', em que também é ator). Mas o ponto absolutamente imbatível do filme são as cores dos ternos usados pelo costa-marfinense Isaach De Bankolé ('Ghost dog', 'Manderlay', 'O escafandro e a borboleta') - eu queria ter todos! Ele, que, parecendo-se com o Daddy G, do Massive Attack, completa o clima de cinema trip hop, o clima de videoclipe de 'Angel' - até por causa dos usos maestrais de câmera lenta. Superlativos?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010



Esta carta simboliza a transformação que destrói as coisas para que possam ser reconstruídas depois. É uma transformação inevitável ou mesmo um rejuvenescimento. / Morte não é o fim permanente, mas uma transição para um novo estágio. A vida é eterna em sua essência, mesmo que não seja em sua forma. Para crescer, para mover, para viver - nós devemos morrer no velho para poder nascer no novo. / Em cada momento nós morremos no presente para que o futuro possa se desvelar. / A Morte é inevitável, e algumas vezes há eventos que são inescapáveis também. Quando esses momentos ocorrem, a melhor maneira é lidar com seu destino e ver aonde ele vai te levar. / É a poda dos galhos para o fortalecimento da árvore. (Trechos de interpretações colhidos de vários sítios da rede mundial.)


Em 2002, uma equipe de cientistas suíços, franceses e dinamarqueses anunciou a descoberta da maior colônia de formigas do mundo. A supercolônia ocupa uma faixa de 6 mil quilômetros que começa no noroeste da Espanha, desce até Portugal, entra na Espanha novamente pelo sudoeste e se estende pelo litoral até o norte da Itália, passando também pela França. Acredita-se que há bilhões de formigas vivendo ali, ocupando milhões de ninhos. As formigas pertencem à espécie Linepithema humile, originária da Argentina e introduzida na Europa há cerca de 80 anos junto com plantas que foram importadas. (BBC)
Que linção!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010




Brian Eno + Elbow - By this river + One day like this

Joseph Campbell e sua esposa, a bailarina Jean Erdman.


CAMPBELL: O que é o casamento? O mito lhe dirá o que é o casamento. E a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Vocês agora são dois, no mundo, mas o casamento não é senão o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Mas se nos deixarmos distrair por certos interesses sensuais, iremos desposar a pessoa errada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é o casamento.

MOYERS: A pessoa certa? Como é que se escolhe a pessoa certa?

CAMPBELL: O coração lhe dirá. É preciso que seja assim.

MOYERS: O ser interior.

CAMPBELL: Eis o mistério.

MOYERS: Você reconhece seu outro eu.

CAMPBELL: Bem, não sei, mas há uma luz que cintila e algo em você lhe diz que é essa a pessoa certa.

MOYERS: Se o casamento é essa reunião do próprio com o próprio, com a base masculina ou feminina de nós mesmos, por que é assim tão precário na nossa sociedade moderna?

CAMPBELL: Porque não é encarado como casamento. Eu diria que se o casamento não é de magna prioridade em suas vidas, vocês não estão casados. O casamento significa os dois que são um, os dois que se tornam uma só carne. Se o casamento dura o suficiente, e se você se amolda constantemente a ele, em vez de ceder a caprichos pessoais, você chega a se dar conta de que isso é verdade - os dois realmente são um.

MOYERS: O romance pode se prolongar, no casamento?

CAMPBELL: Em alguns, sim. Em outros, não. Mas o problema, veja, a palavra-chave na tradição trovadoresca é "lealdade".

MOYERS: O que você entende por lealdade?

CAMPBELL: Não trapacear, não trair; manter-se verdadeiro, quaisquer que sejam as provações e os sofrimentos.

MOYERS: Os puritanos chamam o casamento de "a pequena igreja dentro da Igreja". Todo dia você ama, todo dia você perdoa. É um contínuo sacramento - amor e perdão.

CAMPBELL: Bem, a palavra certa, penso eu, é "provação", no sentido próprio, de submissão do indivíduo a algo superior a ele. A verdadeira vida de um casamento, ou de um autêntico caso de amor, está na relação, que é onde você está ["CASA"], também. Você entende o que eu quero dizer?

MOYERS: Não, não está claro para mim.

CAMPBELL: Veja, é como o símbolo yin/yang. Aqui estou eu, aqui está ela, aqui estamos [no todo]. Pois bem, quando eu precisar fazer algum sacrifício, não estou me sacrificando por ela, mas pela relação. O ressentimento em relação ao outro é sempre negativo. A vida está na relação, é nela que a sua vida está, agora. Isso é que é o casamento; ao passo que, num caso de amor, você tem duas vidas vivendo uma relação mais ou menos bem-sucedida, por algum tempo, enquanto isso parecer agradável.
"O amor é saber compartilhar a vida sabendo de antemão que essas vidas não se resumem ao restrito casulo dos amantes, aliás, casulo este que deve ser desfeito, ou corre-se o risco de não estar diante da abertura do mundo e das coisas; tão ausentes do mundo os amantes costumam ficar, reclusos em suas cavernas de idealizações, que quando a ruptura chega eles costumam ficar sem rumo. (...) Nessas situações, de processo lento, difícil e entediante, quando se consegue quebrar os ídolos do amor romântico, tem-se a alegria de estar diante de alguém que consegue sair de um mundo suprassensível para entrar no mundo do aqui-e-agora, e ainda assustado diante do imenso e inaudito mundo que até então não se percebia, se vê extasiado pelas amplas possibilidades que agora se tornam potenciais, possibilidades estas muito mais prazerosas pois eram tidas como algo impensáveis até então. Parte do processo de ajudar pessoas a superar uma perspectiva de amor romântico que lhes engessa a vida através de valores tidos como naturais e inquestionáveis, é possibilitar que essas pessoas sejam capazes de praticar a iconoclastia contra seus próprios ídolos que até então os acorrentava (às vezes até alguns ídolos da ideologia psicanalítica), talvez esse seja o trabalho mais fundamental para que essas pessoas possam, pouco a pouco, novamente se inserir no mundo de beleza e terror que é este e não outro." (Adriel)
Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito Avatāra, que significa "descida". (Wikipédia)

Apesar de tudo (*), 'Avatar' é perfeito. LINDO, como diria Carlo Franzato.



* Ecos de:
- Star wars
- Senhor dos anéis
- Disney