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domingo, 26 de novembro de 2017

O que se chama de "politicamente correto" é a maquiagem que se fez nos últimos anos para que pareça haver mais democracia e mais respeito do que realmente existe, apenas para apaziguar aqueles que luta(va)m por democracia e por respeito. Como as pessoas, em geral, no fundo, não evoluíram, veem essa evolução como uma artificialidade que deve ser abandonada: o "mimimi" do "politicamente correto".
“Quando eu era pequena, eu me dei conta de que quem não sorrisse estava parecendo triste. Se eu não estava sorrindo, perguntavam por que eu estava triste, e eu dizia que não estava. 'Sorria, sorria! Você tem um sorriso lindo, sorria!' Então eu aprendi que, mesmo se eu estivesse triste, eu deveria sorrir. Nós assumimos esses papéis porque alguém nos disse, mas, assumindo esse papel, eu deixo de ser autêntica. Então eu posso ser essa pessoa que você acha que está triste, mas eu não estou triste. Eu estava sempre tentando agradar a outra pessoa, deixá-la confortável. Disseram que não era legal os outros não se sentirem bem porque eu parecia estar, nas mentes deles, na interpretação deles, triste. Então eu aprendi a permanecer sorrindo. É algo fácil de fazer. Mas pode ser bastante exaustivo se você anda com muitas pessoas. E, se você não sorrir, não vai andar com mais ninguém... Não acredite em nada do que qualquer pessoa diz. Não acredite nas máscaras que as pessoas usam. Você saberá quando for genuíno. Não será extremamente excitante. Será um bom sentimento, será confortável. Em retiros, eu faço uma experiência com o grupo. Eu preciso que eles falem uns com os outros para se conhecerem. A conversa vai ficando mais alta, mais alta e mais alta, e você sabe que a vibração daquilo está vindo só da mente. Essa é a forma que as pessoas usam para se conhecerem e para se comunicarem: por meio da mente. Então eu digo 'OK, vamos parar. Antes de continuarem a falar, eu quero que vocês sintam seus corpos. Se puderem, acessem sua quietude. Então, falem a partir desse lugar'. E eles começam a falar numa altura que não aumenta. É maravilhoso e ao mesmo tempo estranho, porque esquecemos quão vulneráveis, quão nus, quão abertos e quão expostos nós somos, se nos deixarmos ser. Nós estamos acostumados a nos esconder, a nos proteger, e isso se torna um hábito, é a autoproteção. Mas proteção contra o quê? Você pensa que está sendo você mesmo, mas não está. Eu tenho observado que a maioria das pessoas não são elas mesmas. Ser a si próprio exige vulnerabilidade, disposição para estar vulnerável, exposto, nu e aberto. Mas você pensa que pode se ferir, então é mais fácil se cobrir. Sim, você pode se ferir. As pessoas se ferem umas as outras. Mas quem se fere é apenas o ego.” (Kim Eng, professora espiritual juntamente com Eckhart Tolle)
José Alberto Andrade: Como você lidou com este ano amargo do Inter na série B?

Júlia Lemmertz: Não é amargo. Todos temos altos e baixos. Eu não fiquei menos colorada porque o Inter está na série B. Continuei vindo nos jogos e torcendo pra que o time jogasse bonito.
"O meu corpo é o ponto de referência em relação ao qual cada coisa toma o seu lugar e torna-se situada... Graças a meu corpo localizado, atraio pra mim todos os pontos do espaço; concentro-os, recapitulo-os, interiorizo-os. Em compensação, tomando impulso dessa posição me projeto em direção a todos os pontos do meu horizonte. Graças a esse ritmo o universo inteiro reside em mim, enquanto eu habito todo o universo." (Edmond BARBOTIN)
"A pessoa não deveria se culpar pelos seus problemas. Não existem seres vitoriosos no samsara. As nossas identidades dentro do samsara vão ser derrotadas. Elas são identidades dentro do samsara, sem solução. A nossa única solução é deixar de ter essa identidade com as próprias identidades e poder ultrapassar isso, reconhecer que as identidades são construídas, que nós não somos aquilo. Nossa chance é essa. Se a gente quiser ter algum êxito com as próprias identidades nós não vamos conseguir." (Lama Padma Samten)

sábado, 25 de novembro de 2017

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

sábado, 11 de novembro de 2017

Tenha tempo. Vale muito a pena. Se quiser abreviar um pouquinho, comece dos 25 minutos. Depois disso, tente parar e não conseguirá. Taoísmo.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

"Precisamos entender que as realidades são construídas e que nós nos ligamos a elas. Mas nós não somos as construções, nós somos a natureza livre que constrói. Esse é o legado do Buda. Se nós seguirmos treinando e meditando, a gente vai tomando refúgio nessa natureza livre e não nas coisas que são construídas, pois elas são frágeis e impermanentes, não importa o tamanho que elas tenham". (Lama Padma Samten)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Brit Marling, sobre o abuso em Hollywood:

<< Eu acho que é importante entender que, quando Harvey Weinstein marcou um encontro comigo em 2014 - quando a indústria sentenciou que eu era uma legítima carne fresca - eu estava, em algumas formas, numa posição ligeiramente diferente do que muitas que tiveram que encontrá-lo antes de mim.

Eu, também, fui ao encontro pensando que talvez minha vida inteira estivesse prestes a mudar para melhor. Eu, também, fui convidada a encontrá-lo no bar de um hotel. Eu, também, encontrei uma jovem assistente, que disse que o encontro tinha sido transferido para a suíte porque ele era um homem muito ocupado. Eu, também, fiquei calma com a presença de outra mulher da minha idade. Eu, também, senti terror na boca do estômago quando a jovem mulher deixou o quarto e eu fiquei, de repente, sozinha com ele. Eu, também, fui perguntada se eu queria massagem, champanhe, morangos. Eu, também, sentei naquela cadeira paralisada pelo medo quando ele sugeriu que deveríamos tomar um banho juntos. O que eu poderia fazer? Como não ofender esse homem, esse abridor de portas, que poderia tanto me consagrar como me destruir?

Estava claro que havia apenas uma direção que ele almejava para esse encontro, que era sexo ou alguma forma de troca erótica. Eu consegui reunir meus pedaços - um punhado de nervos em chamas, mãos tremendo e voz perdida em minha garganta - e fui embora do quarto.

Mais tarde, sentei no meu quarto de hotel sozinha e chorei. Chorei porque entrei no elevador quando eu já desconfiava. Chorei porque eu deixei ele tocar nos meus ombros. Chorei pelas outras vezes na minha vida, sob outras circunstâncias, em que não fui capaz de sair.

Consentimento é uma função de poder. Você tem o módico poder de dá-lo. Neste momento, muitas mulheres estão contando suas histórias de terem sido assediadas ou abusadas pelo Weinstein. Todas são corajosas, incluindo aquelas que não conseguiram encontrar uma saída. Pensando em mim, eu fui capaz de deixar o hotel naquele dia porque eu entrei não só como atriz, mas também como roteirista/criadora. Com essa dupla persona em mim, atriz e roteirista, foi a roteirista que levantou e foi embora. Porque a roteirista sabe que, mesmo se esse homem poderoso nunca lhe der um emprego em qualquer de seus filmes, mesmo se ele a colocar na lista negra ainda de filmes dos outros, ela pode fazer seu próprio trabalho, em seus próprios termos, e isso garantirá um telhado sobre sua cabeça. >>

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

<< Um estudo da Universidade Estadual de Washington (EUA) demonstrou que certos atos de altruísmo (como abrir mão de alguma coisa pelo bem da maioria), em vez de melhorar a nossa reputação, podem fazer os outros não gostarem da gente.

Em uma série de testes, os pesquisadores dividiram os voluntários em grupos de cinco e deram a eles “pontos”, que poderiam ser guardados ou usados para “comprar” vales-refeição. E disseram que abrir mão dos pontos aumentaria as chances do grupo de receber uma recompensa em dinheiro. Na verdade, enquanto a maioria fazia trocas justas de um ponto por um vale, alguns dos membros dos grupos eram atores e agiam, propositalmente, de forma egoísta (segurando todos os pontos para si) ou altruísta (abrindo mão de vários pontos em troca de menos vales, para que o grupo recebesse a recompensa final).

Obviamente, a maioria dos voluntários de verdade disse que não gostaria de trabalhar com os egoístas de novo. A surpresa foi que grande parte deles também declarou querer ver os bonzinhos pelas costas. Por quê? É que a “caridade” dos colegas desprendidos fez os outros se sentirem culpados e pressionados a agirem da mesma forma. Muitos, além disso, acharam que eles tinham algum interesse pessoal para agir com tal altruísmo.

“[Os participantes] frequentemente diziam: ‘aquele cara está me deixando com uma imagem ruim’ ou ‘está quebrando as regras’”, disse o líder do estudo, Craig Parks. >> (Super)
“O verdadeiro líder é aquele que lidera pelo exemplo. Pode ser identificado pelas seguintes qualificações: (1) nunca diz 'eu não tenho tempo', nunca é visto apressado; (2) escuta atentamente para entender totalmente e orientar corretamente; (3) forte como o Himalaya e gentil como pétalas de rosa; (4) respeita os seniors, coopera com os colegas e dá amor aos juniors; (5) às vezes, suas decisões podem ser criticadas, mas o tempo prova que elas foram absolutamente relevantes e úteis.” (Brahma Kumaris)
"A arte é uma espécie de filosofia concretizada, que desmistifica o mundo. A arte é uma pergunta, e não uma resposta. Por isso os reacionários não gostam de arte, eles não gostam de questionamentos. Pessoas burras não gostam de questionamentos, porque nem conseguem entender o que são perguntas. O preconceito só nos coloca em situação ridícula e cria muito sofrimento emocional pra quem é a sua vítima. é um peso psíquico tremendo, porque resulta da falta de capacidade de entender a diferença." (Márcia Tiburi)

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=614039002053314&id=292074710916413
"As melhores pessoas têm uma sensibilidade para a beleza, a coragem para correr riscos, a disciplina para dizer a verdade, a capacidade de fazer sacrifícios. Ironicamente, suas virtudes as fazem vulneráveis: elas são frequentemente feridas, às vezes destruídas." (Ernest Hemingway)
Automaticamente o endereço pretendido está disponível para qualquer esclarecimento adicional que necessite o nome da empresa, e não se trata de uma única estrela da morte, como muitos detalhes nos corpos das vítimas de acidente na rodovia do contorno e iluminação facial de abacate, no aguardo de um militar do distrito industrial de um pequeno apartamento onde podemos encontrar sósias.

Novo mistério da maturidade humana é uma mensagem para o cachorro no braço direito de uso cultural e social do cliente que está no regime especial de Natal e um armário de aço inox com tampa de válvula termostática, o que é uma palhaçada.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Texto de Santo Agostinho criou a culpa cristã frente ao sexo
(Contardo Calligaris)

(...) Agostinho achava que o Gênesis era uma história para boi dormir.

Só depois de sua conversão, ele descobriu que Adão e Eva expulsos do Éden lhe eram muito úteis 1) para fundar a ideia de um pecado original (com o qual todos nasceríamos, por causa do pecado do casal inaugural) e 2) para que o tal pecado original fosse identificado com o tesão carnal.

Ou seja, pela desobediência de Adão e Eva, todos nascemos com a tara do desejo sexual.

O batismo nos livra do pecado original. E o que faremos para nos livrar do desejo sexual?

(...) [Nas "Confissões"] Agostinho escreve para justificar a repressão, que ele se impõe, de seu próprio prazer carnal e de um passado que ele considera devasso e do qual ele não nos diz quase nada (homossexualidade? Promiscuidade? Vai saber).

Ele se consagra à castidade (...) e se defende contra seu próprio desejo transformando-o em pecado original de todos os humanos, do qual é necessário que todos se redimam.

Claro, o sexo é necessário para a reprodução, mas, para o cristão, os órgãos sexuais deveriam responder ao intelecto como qualquer outro órgão (sem tesão involuntário, então) e funcionar sem paixão e sem gozo especial, como quando alguém peida à vontade (exemplo dele, sorry).

Pela ficção seria difícil construir um relato tão exemplar do que é uma neurose.

Agora, que eu saiba, não há outros casos de um relato mórbido grave que tenha tido um sucesso comparável. Agostinho conseguiu mesmo transformar o asco doentio por seu próprio tesão em condenação do desejo sexual numa cultura inteira, por séculos.

As encruzilhadas da vida são curiosas.

Agostinho inventou um deus que pudesse ajudá-lo a reprimir seu desejo carnal.

Eu, desde a adolescência, deixei de acreditar no deus de Agostinho justamente porque me parecia absurdo que ele se preocupasse em reprimir o desejo carnal de quem quer que seja e especialmente o meu. Ou seja, ele chamou deus para que o auxiliasse na luta contra seu próprio prazer. Eu achei que realmente não precisava de um deus que fosse oposto a meus prazeres.

Alguém dirá que por isso irei ao Inferno. Veremos. Por enquanto, o fato é que Agostinho atormentou a vida de centenas de milhões. Eu, não.
<< Mas essa não é uma questão simples. A linha divisória entre pornografia e criação artística é difícil de traçar, sujeita que é a sutis determinações socioculturais. É o que mostra o uso da nudez na arte. Exaltada por gregos e romanos, a nudez entrou em relativo ostracismo com a implantação do cristianismo, voltando à cena com estardalhaço na Renascença. Michelangelo foi acusado de obscenidade e imoralidade ao expor o afresco O Julgamento Final na Capela Sistina, desencadeando um movimento de censura que exigia a remoção ou dissimulação das partes pudendas das figuras nuas ali pintadas.

O que teve início com Michelangelo cristalizou-se no Concílio de Trento, quando, entre tantas outras deliberações, ficou estabelecido que nada que pudesse estimular a concupiscência e a luxúria poderia ser exposto na arte patrocinada pela Igreja. Em outras palavras, a nudez estava definitivamente banida e condenada. Na bula papal de 1557, Paulo IV tornou obrigatório o uso de folhas de figueira para esconder os genitais das imagens pintadas ou esculpidas antes da proibição. A medida foi aplicada com empenho pelos papas Inocêncio X (1574-1655) e Clemente XIII (1693-1769).

Essa zelosa atitude foi retomada por Pio IX (1792-1878). Sob seu comando, todos os mármores da antiguidade clássica existentes no Vaticano tiveram seus falos destruídos e por cima das mutilações foram colocadas as folhas de figueira. Episódio semelhante ocorreu em 1897, quando a rainha Vitória foi presenteada pelo grão-duque da Toscana com uma réplica idêntica do David de Michelangelo. A estátua deixou a rainha escandalizada, motivo de sua imediata remoção para o museu de Kensington Gardens, onde foi providenciada uma folha de figueira que deveria ser colocada em defesa do pudor das damas que eventualmente aparecessem por ali em visita. >> (Estadão)
Não há arte possível para a gente de bem
(Daniela Name)

(...) estamos perdendo a capacidade de compreender a metáfora e a ficção. No caso específico da arte contemporânea, de compreender que não há mais um espelho possível para um mundo de imagens ordenadas, reconhecíveis e inócuas. Um mundo que só existe na cabeça dessa gente honrada que odeia gays, pobres e negros. Dessa gente honrada que odeia. Ponto.

O caso de Porto Alegre, no entanto, amplia a estratégia miliciana desses grupos ultraconservadores ao associar a arte ao mal; os artistas aos aproveitadores dos recursos públicos, vagabundos que querem roubar o dinheiro suado (?) e o sono tranquilo (?) dessa "gente de bem". Teríamos a oportunidade de pensar os métodos distorcidos de patrocínio no país, deixando nas mãos da iniciativa privada a prerrogativa de realizar e de cancelar um projeto como "Queermuseu". Teríamos a chance de notar, mais uma vez, o quanto os monólogos intermináveis das redes sociais nos tornam cegos e surdos. Mas não conseguiremos fazer isso a um passo da degeneração. Ou já mergulhados nela.

(...) em Munique, onde, há exatos 80 anos, em 1937, um certo Adolf Hitler transformou a mostra "Arte degenerada" em uma de suas principais peças de propaganda ideológica.

Nas paredes e no espaço, obras de Piet Mondrian, Emil Nolde e Oskar Schlemmer, entre outros grandes nomes da arte moderna. Esteticamente, eles representavam a ruptura com a ideia de verossimilhança e com o sistema de representação ordenado e hierárquico vigente desde o Renascimento. Simbolicamente, apontavam para a arte como um horizonte de ambiguidades, de opacidade e de ficção; um campo sem compromisso com o real; um impulso sempre faminto de liberdade e de utopia. E, é claro, um perigo avassalador para a intolerância e o discurso monocórdio de Hitler.

A exposição "Arte degenerada" deu ao ditador a chancela para a destruição de obras dos artistas participantes e também de Picasso, Kandinsky e Matisse — todos vistos como vetores "judaico-bolcheviques". O resto da história conhecemos bem — ou ao menos deveríamos: obras de arte queimadas, escondidas, destruídas. Artistas e pensadores fugindo ou morrendo. (...)

*Daniela Name é crítica de arte e curadora
"As crianças dão banho em muito adulto visitando exposição, seja de arte, história ou ciências. O povo do educativo que trabalha em museus pode atestar isso melhor do que eu. Elas arrasam. (...) As pessoas se interessam pela exposição ou não, porque elas SE INFORMAM E PESQUISAM. Aí alguém pode dizer: aahhhh, mas nem todo mundo faz isso. Bom, aí a RESPONSABILIDADE é da pessoa. Ir à exposição é como ir ao cinema, temos que ler a sinopse antes pra ver se nos interessamos. Se não se interessar, não vai. Ou, se for o caso, não leva as crianças." (Letícia Bauer)
JUREMIR MACHADO DA SILVA: “Arte é fazer vir à tona o inconsciente com nossos monstros, medos, fantasmas, pesadelos e delírios. A arte também revela o mal que nos habita. Mas nem era esse o caso da mostra do Santander. O pessoal que detonou a exposição precisa estudar mais, quem sabe viajar um pouco, ir a grandes museus, conhecer as obras de gênios que chocaram a percepção de muita gente com suas obras desconcertantes”.
"Nessa confusão toda, uma coisa que se escancara pra mim é  quanta humildade falta pras pessoas reconhecerem que não entendem de um assunto.  Não o respeitam como um campo de conhecimento. Ignoram que existe uma infinidade de livros, cursos epós graduações, ou, simplesmente, vivências que não acessaram. E por isso não tem propriedade pra falar. Acho feio, me sinto desrespeitada e muuuuuuito frustrada." (Carolina Marostica)
Xixi na tocha      ☄️
Invisível tocha 🔥
MARCELLO DANTAS, curador: "O papel da arte é abrir a cabeça das pessoas. Permitir novas ideias, proporcionar reflexão, imagem e revelar algo do inconsciente coletivo. Para isso ela precisa necessariamente existir no território do inexplorado, do desconhecido, da originalidade e do inominável. Esse território nunca pode ser alcançado se a arte for mantida em um cercado conceitual, onde está pré definido o que pode e o que não pode. A arte é sobre o que não sabemos e por isso deve poder ser transgressora, indefinida, incompreendida, subjetiva. Sociedade que não tem isso é uma sociedade pobre, sem alma e sem potencial criativo. Incompreendido hoje pode ser o gênio de amanhã. Uma sociedade sem transgressores é uma sociedade burra."
Eliane Brum:

<< Liberais de fato jamais tentariam fechar uma mostra de arte, para ficar apenas num exemplo. Nem faz sentido dizer que são “conservadores” ou mesmo de “direita”. Eles são o que lhes for conveniente ser.

A dificuldade de nomear o que são, é importante perceber, os favorece. E acabam se beneficiando de rótulos aos quais lhes interessa estar associados num momento ou outro e que lhes emprestam um conteúdo que não possuem, mas do qual sempre podem escapar quando lhes convêm. Neste sentido, apesar de exibirem como imagem um corpo compacto, essas milícias são fluidas. Embora ajam sobre os corpos, não há corpo algum. Isso lhes facilita se moverem, por exemplo, da luta anticorrupção para as bandeiras morais, agora que não lhes interessa mais derrubar o presidente.

A força de milícias como MBL é sua capacidade de influenciar tanto eleitores quando odiadores, num momento histórico em que estas duas identidades se confundem.

(...) As milícias compreendem o potencial desse medo e desse ódio. E sabem se comunicar com esse medo e esse ódio. Encontraram o canal, o ponto a ser tocado. Encontrado o canal, o inimigo pode ser mudado conforme a conveniência. Se agora não interessa derrubar o presidente denunciado por corrupção, há que se encontrar um outro alvo para canalizar esse ódio e esse medo e manter o número de seguidores cativos e, de preferência, crescendo, atingindo públicos mais amplos. E, principalmente, manter o valor de mercado das milícias em alta, em especial às vésperas de uma campanha eleitoral das mais imprevisíveis.

(...) De repente, na semana passada, o problema do Brasil tornou-se, para milhões de brasileiros, a certeza de que o país é dominado por pedófilos e defensores do sexo com animais. Agora, são artistas que devem ser perseguidos, presos e até, como se viu em algumas manifestações nas redes sociais, mortos. E não só artistas, mas também quadros e peças de teatro. O problema do Brasil é que pedófilos querem corromper as crianças e transgêneros querem destruir as famílias.

(...) Ao denunciar a arte e os artistas como “pedófilos”, o que se produz é o apagamento de um fato bastante incômodo: o de que a maioria das crianças violadas é violada por familiares e conhecidos. Pelo menos um quarto dos casos de violação de crianças tem como autor pais e padrastos. Ocorre, portanto, naquilo que a bancada da Bíblia tenta vender como a única família possível, formada por um homem e por uma mulher.

(...) E isso também não é um detalhe: para as milícias seguirem arregimentando eleitores e odiadores é preciso que a compreensão do mundo siga literalizada – ou seja, sem a possibilidade de recursos como metáforas, ironias e invenções de linguagem. Nesse ritmo, daqui a pouco, quando alguém disser coisas como “boca da noite”, um outro vai rebater com a afirmação de que “noite não tem boca”. É também isso que aconteceu quando muitos olharam para a exposição e só literalizaram o que viram lá, bloqueados em qualquer outra possibilidade de entrar em contato com seus próprios sentidos e realidades inconscientes.

(...) De nada adianta chamar as pessoas que se manifestaram contra a mostra de “ignorantes”, “fascistas” e “nazistas”. É também preciso escutá-los para além do óbvio. E para além do que é dado a ver. Do contrário, aqueles que “entendem a arte” se colocam no melhor lugar para as milícias, o de um polo oposto que iguala a todos no patamar do rebaixamento e produz o apagamento das diferenças. Um grita: “Pedófilo!”. O outro responde: “Nazista!”. O que muda? Se estes são “os que entendem”, há que usar esse entendimento para não fazer o jogo das milícias. >>
Primeira das lições de Kandinsky

Lição 1: Expresse seu mundo interior, não as últimas tendências artísticas.

De acordo com Kandinsky, um objeto só poderia legitimamente ser considerado arte se fosse uma manifestação natural e despreocupada da psique do artista - de seus pensamentos e sentimentos autênticos. Apesar dos fundamentos teóricos de seu trabalho, Kandinsky acreditava que a teoria vem depois, não antes, de uma verdadeira criação artística.

Ele sentiu que a expressão da própria realidade interna era crucial para alcançar a integridade moral. Qualquer coisa menos não só prejudicaria o mérito artístico, mas também seria espiritualmente prejudicial para o artista. Além disso, os verdadeiros artistas devem estar preparados para serem mal interpretados ao longo de suas vidas.
"Sabe, eu sou terapeuta de adolescentes. Se seu problema for evitar que as pessoas se excitem sexualmente, você tem um problema: conheci dezenas de meninas que se masturbaram durante anos olhando para uma representação do momento em que arrancam os seios de santa Águeda mártir. E conheci dezenas de meninos que passaram anos se masturbando olhando para são Sebastião amarrado e transfixado de flechas. Os mártires são uma tremenda inspiração erótica..." (Contardo Calligaris)
Em artigo intitulado Assédio Moral: A Violência 'Justificada' na Lógica Econômica, a autora Lis Andréa Sobol analisa diferentes formas de assédio moral organizacional:

1.  Gestão por Injúria: Humilhações, constrangimentos, falta de respeito como forma de conseguir obediência e submissão. Tomam a forma de exposições que depreciam as pessoas, palavras que rebaixam, ataques na frente dos outros ou em particular. O alvo das agressões não é definido. Todas as pessoas do grupo / equipe são maltratadas indistintamente.

2. Gestão por Estresse: Tem o objetivo de aumentar o desempenho, a eficiência ou a rapidez no trabalho e não pretende destruir o trabalhador, embora as consequências para a saúde do trabalhador possam ser desastrosas e são devidas ao exagero das pressões impostas, com dosagens erradas.

3. Gestão por Medo: Tem a ameaça implícita ou explícita como estímulo principal para gerar a adesão do trabalhador aos objetivos organizacionais. Ser ameaçado de perder o emprego, o cargo, ou ser exposto a constrangimentos, favorece condutas de submissão e obediência, mas favorece também condutas agressivas. O trabalhador tende a atacar para não ser atacado, excluído, assumindo comportamentos anti-éticos, deteriorando o clima e as relações de trabalho."
"O nosso mundo interno acaba sendo espelhado pelos objetos. Os objetos são espelhos que refletem nosso mundo interno. Relacionamo-nos com um objeto como se ele existisse por si, fora. Nós não vemos o aspecto interno. Existe uma inseparatividade incessante. Ainda que surja uma obra de arte, aquilo que eu vejo numa obra de arte é inseparável de como eu próprio surjo. Eu não posso descrever a realidade descrevendo a aparência externa; é insuficiente. A mente se divide entre objeto e observador, mas ela segue sendo uma só. Objeto e observador são aparências, e a não compreensão disso é 'avídia', é a perda da lucidez. Isso fica mais claro no sonho. De repente, estamos assustados no meio de um sonho, e os objetos de sonho são a mente. Mas a mente não constrói só os objetos de sonho: ela constrói também o observador dos objetos de sonho. Os sonhos são etéreos, eles não podem ser vistos senão pela própria mente. Então a mente surge como observador daquilo que ela mesma produz. A arte é a expressão da originação dependente. Ela atua num bordo. Não existe a pretensão de que os objetos sejam verdadeiros. / Num livro, cada palavra que é dita toca na nossa região sutil, nas nossas memórias, na região dos carmas e méritos (carma é aquilo que faz brilhar o que não deveria brilhar). Se formos olhar com cuidado, é um papel cheio de risquinhos. Nós somos capazes de olhar para um desses, e o nosso olho brilha, nossas emoções começam a andar. Não só criamos os objetos que estão na nossa frente, mas os objetos também nos criam. / A concentração está ligada a uma falta de interesse pelos outros, pode gerar uma insensibilidade. Se eu olho para a realidade de um modo bem específico, eu fico vulnerável, porque coisas podem estar acontecendo em volta e eu não estou vendo. A pessoa muito auto-centrada está concentrada numa visão estreita. Isso é um problema, porque ela tende a causar problemas para os outros. A pessoa com uma desordem psicológica, de modo geral, tem uma visão estreita, ela não consegue ver os outros; ela não consegue ver a sensibilidade que os outros têm com relação a sua própria ação, não está entendendo como os outros estão operando. / A realidade é múltipla: são vários mundos se interpenetrando. As pessoas veem a partir dos seus diferentes 'lugares'. São diferentes realidades que vão surgindo. O aspecto construtor da realidade é incessante. Precisamos descobrir qual é o 'lugar' onde estamos." (Lama Samten)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017


Um artista nu permite que espectadores manipulem suas articulações. Uma criança, acompanhada da mãe, toca no seu pé.

Sugiro às pessoas que viram erotismo nessa cena que procurem tratamento psicológico. Amigo, você sofre de alguma doença grave: ou tem tesão em crianças, ou tem tesão em pés, ou tem tesão em crianças tocando em pés. Ou é pedófilo, ou podófilo, ou pedopodófilo.

A cena em questão é tão erótica quanto o teto da Capela Sistina (em que Adão, vale lembrar, estava pelado) ou aquela cena do "E.T." em que a criança toca no dedo do extraterrestre (em que Adão, vale lembrar, estava pelado, vestindo apenas um cachecol). Deve ter gente que vê erotismo nisso. E deve ter gente que vê, inclusive, na extremidade vermelha do dedo do E.T. um símbolo fálico. Mas o problema é delas, e não do E.T.. O tesão é de quem vê. O mesmo vale para quem se escandaliza com o seio de uma mãe que amamenta. Isso é coisa de gente muito tarada. Por acaso, o Brasil tá cheio delas.

José Wilker contava que tinha um parente que se relacionava sexualmente com uma cabra, e todo o mundo sabia disso. O tal parente, quando viu "Dona Flor e seus Dois Maridos", ficou tão chocado com a cena da nudez que cortou relações com o Wilker. Brasil, o país em que só a nudez choca. Todo o resto é perdoável.

Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada. Um país em que uma exposição dita profana é cancelada, mas o mandato do Aécio segue firme e forte. O país em que o professor não pode ter partido, mas pode ter igreja, e fazer propaganda da igreja, mesmo na escola pública.

Sabe o que é um crime contra a infância? Ensinar criacionismo nas escolas. Crime contra a infância é a música gospel da Aline Barros que ensina as crianças a pagarem o dízimo: "Jesus se agrada, Jesus se agrada / da ofertinha da criançada / Tirilim, tim, tim / oferta vai caindo dentro da caixinha".

Brasileiro tem orgulho de dizer que adora crianças. Não sei de quais crianças a gente tá falando. Seis milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza -muitas delas na rua. Ninguém parece tão chocado quanto com a exposição do MAM. Talvez essas crianças precisassem assistir a uma nudez indevida, talvez precisassem tocar no pé de um artista nu. Aí, sim, o Brasil ia rodar a baiana. "Miséria, desnutrição, analfabetismo, vá lá. O importante é que essa criançada não veja um pinto!"
Cult -- Há quem diga que a arte contemporânea pode parecer hermética, inacessível para a maior parte do público. Essa percepção favorece acontecimentos como esse?

Luiz Camillo Osório -- Não acho que haja esta relação. Se a arte fosse mesmo tão hermética, pelo contrário, não incomodaria tanto. Se incomoda a ponto de fecharem arbitrariamente a exposição, é porque a arte toca em pontos delicados e que ficam represados como tabus. No século 21, fechar uma exposição por conta de questões de sexualidade é um retrocesso. Até a novela da Globo fala de transgêneros e de comportamentos sexuais não convencionais - o que é saudável para abrir o debate, falar do que tem que ser falado e desreprimir a expressão da sexualidade. Censurar uma exposição alimenta uma cultura de violência - que é retrato de uma época que dá as costas ao processo civilizatório que vem desde a década de 1960 buscando incluir e dar voz às minorias.
"A gente percebe uma hipertrofia, uma tendência muito grande, um apelo muito sério à ampliação do espaço do Direito Penal, seja pela ampliação de tipos penais, seja pelo aumento quantitativo das penas. A gente vê um aumento brutal da população carcerária, ou seja, os critérios, inclusive processuais, todos apontando muito para isso. O Brasil hoje é a segunda ou terceira maior população carcerária do mundo. A gente está em um contexto no qual a legitimação do Direito Penal é muito procurada e aí entra uma primeira contradição, porque, no debate dos Direitos Humanos, ao mesmo tempo que existe uma necessidade de problematizar isso, vários movimentos sinalizam um aceno ao Direito Penal como a solução. É o caso, por exemplo, da criminalização das condutas de ódio, que envolvem a questão do racismo, da orientação sexual, dentre outras. Quando a gente fala de criminalização, não tem como a gente não atentar minimamente para esse pano de fundo, que é uma discussão muito complexa. O problema que nós vemos é que existe uma tensão e contradição, seja por quem ataca ou quem milita por Direitos Humanos." (Carlos 'Vermelho' D'Elia)
"O Brasil é um animal diferente. Foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão. É o país mais desigual do mundo, com exceção do Oriente Médio e, talvez, da África do Sul. Um ponto importante é que todos os governos brasileiros das últimas décadas têm responsabilidade por isso. A história recente indica que houve uma escolha política pela desigualdade e dois fatores ilustram isso: a ausência de uma reforma agrária e um sistema que tributa mais os pobres. Para nós, estrangeiros, impressiona que alíquotas de impostos sobre herança sejam de 2% a 4%. Em outros países chega a 30%. A tributação de fortunas fica em torno de 5%. Enquanto isso, os mais pobres pagam ao menos 30% de sua renda via impostos indiretos sobre luz e alimentação." (Marc Morgan Milá, economista)
É mais sexy não querer ser sexy.
O texto é quilométrico, mas vale a pena. Um trecho:

"Nos celulares, as pessoas tendem a preferir a internet aos aplicativos, que se apoderam da informação que reúnem e se recusam a compartilhá-la com outras empresas. É improvável que um aplicativo de jogo do seu celular saiba mais a seu respeito do que o nível que você alcançou naquele determinado joguinho. Por outro lado, como todo mundo está no Facebook, a empresa conhece o identificador dos celulares de todo mundo. E foi capaz de criar um servidor que direciona os anúncios para celular com muito mais precisão que qualquer outra empresa, de um modo mais elegante e integrado do que ninguém jamais conseguiu.

E assim o Facebook conhece a identidade do seu telefone e sabe associá-la à sua identidade no Facebook. E junta isso ao resto de sua atividade online: cada site que você visita, cada link que você segue – o botão do Facebook rastreia cada usuário do Facebook, independentemente de ele clicar ou não. Como o botão do Facebook é quase onipresente, a rede consegue ver você em todo lugar. Hoje, graças às parcerias com as empresas tradicionais de crédito, ele sabe quem todo mundo é, onde todo mundo mora, e tudo que todo mundo já comprou com o cartão de crédito em qualquer loja offline do mundo real. E toda essa informação é usada para uma finalidade, em última análise, altamente rasteira: vender coisas por meio de anúncios online."
"Há uma espécie de reciclagem, ou de formação permanente para voltar a ser mulher, ou mãe, para voltar a ser criança - ou melhor, para passar a ser criança - pois os adultos é que são infantis. As crianças conseguem não sê-lo por algum tempo, enquanto não sucumbem a essa produção de subjetividade. Depois elas também se infantilizam." (Suely Rolnik e Félix Guattari)

domingo, 1 de outubro de 2017

"Essa cultura de massa produz, exatamente, indivíduos normalizados, articulados uns aos outros segundo sistemas hierárquicos,
sistemas de valores, sistemas de submissão - não sistemas de submissão visíveis e explícitos, como na etologia animal, ou como nas sociedades arcaicas au pré-capitalistas, mas sistemas de submissão muito mais dissimulados. E eu nem diria que esses sistemas são "interiorizados" ou "internalizados" de acordo com a expressão que esteve muito em voga numa certa época, e que implica uma ideia de subjetividade como algo a ser preenchido. Ao contrário, o que há é simplesmente uma produção de subjetividade. Nao somente uma produção da subjetividade individuada - subjetividade dos indivíduos - mas uma produção de subjetividade social, uma produção da subjetividade que se pode encontrar em todos os meios da produção e do consumo. E mais ainda: uma produção da subjetividade inconsciente. A meu ver, essa grande fábrica, essa grande máquina capitalística produz inclusive aquilo que acontece conosco quando sonhamos, quando devaneamos, quando fantasiamos, quando nos apaixonamos e assim por diante. Em todo caso, ela pretende garantir uma função hegemônica em todos esses campos." (Suely Rolnik e Félix Guattari)
Miolo de artigo do dono da Riachuelo no Globo:

<< A imprensa tem noticiado, embora sem o destaque devido, a ação de entidades de magistrados da Justiça do Trabalho que, a serviço de ideologia de esquerda retrógrada, tentam descumprir a nova lei trabalhista.

Reportagens já flagraram a circulação de cartilhas que subsidiam decisões para que a lei seja ignorada. Juízes são instruídos a boicotar a legislação nesses panfletos, que citam “princípios constitucionais de valorização do trabalho”, como se eles não estivessem contemplados na reforma. Ou são doutrinados a apelar a supostas normas internacionais que se sobreporiam à reforma.

É cristalino que essa elite burocrática encastelada no poder resiste a abrir mão de benefícios amealhados no passado. Sim, porque se há um interesse defendido nesse embate é o de promotores e juízes, e não dos trabalhadores.

Em vez de enfrentar de peito aberto o debate, argumentando perante o STF, preferem a vereda antidemocrática de boicotar na surdina uma reforma que foi aprovada pelos representantes do povo no Congresso.

A reforma trabalhista coloca o país na rota da modernidade na questão da relação entre capital e trabalho. Trata-se de uma dicotomia que não faz mais sentido no estágio em que se encontra o capitalismo, com garantia de direitos a todos. O discurso do “nós contra eles” definitivamente caducou. O conflito que se coloca agora é dos produtivos contra os parasitas. >>
"Fizemos o Experimental Jet Set, Trash and No Star meio que depois de irmos ao Japão com frequência, nos aprofundando na cena de noise industrial deles, como Boredoms, Masana e Merzbow. Acho que isso se refletiu no disco no finalzinho… Quando estávamos no Japão, a Kim comprou uma espécie de tapete de brinquedo em que você coloca as cartas em cima e, ao pressionar cada uma, sai um som de carro. Tem uma faixa escondida no fim do Experimental que é a gente pisando nesse tapete por uns dois minutos. Ela usou o brinquedo ao vivo, no palco. A gente pisava e fazia uns sons estranhos." (Lee Ranaldo)
"É interessante que o último show tenha sido no Brasil. É muito especial. Mas nos disseram que seria em São Paulo e nem foi realmente, de tão longe que era [foi em Paulínia, no SWU]. O dia estava chuvoso, escuro e cheio de lama, então talvez tenha sido um bom show de despedida." (Lee Ranaldo)
"As recomendações do relatório para reduzir esse quadro sinistro passam por uma Reforma Tributária com justiça social – o que teria sido mais importante para a qualidade de vida no país do que a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização Ampla ou a PEC do Teto dos Gastos. Mas como morde o andar de cima, é algo tratado como doença morfética. (...) A respeito do retorno da taxação de dividendos recebidos de empresas por pessoas físicas. A área econômica analisava algo em torno de 12 a 15%. O Brasil é um dos únicos países desenvolvidos ou em desenvolvimento em que isso não acontece, fazendo com que as camadas mais altas que vivem de lucros paguem, proporcionalmente, menos impostos que os mais pobres. Quem reclama de bitributação não vê que o montante taxado hoje é pequeno em comparação ao resto do mundo." (Sakamoto)
Luís Nenung escreveu:

o auto-interesse
nos reduz imensaMente
pois diante de toda imensidão de possibilidades
pra integrar e interagir de forma aberta criativa
 com o espaço e as circunstâncias
limitamos nossas escolhas ao mínimo
que pareça nos agraciar trazer elogios ou favorecer
a menor perspectiva
e assim nos repetimos
tediosaMente ~

imagem by Logan Zilmer ~
"Fique um momento em silêncio e deixe esse momento existir sem a imposição dos pensamentos. Dessa forma, ficamos conscientes do espaço, ao invés do conteúdo." (Eckhart Tolle)
Da página do facebook Imagens & História:

Em 1974, Marina Abramovic fez uma performance em que ela dizia para visitantes que não se moveria durante seis horas, não importa o que fizessem com ela. Ela colocou à disposição em uma mesa do seu lado 72 objetos que poderiam ser usados para agradar ou destruir, incluindo desde flores até uma faca e uma arma carregada. Ela convidou os visitantes a usar os objetos nela da maneira que desejassem.

Inicialmente, disse Abramović, visitantes estavam pacíficos e tímidos, mas se tornaram violentos rapidamente: “ A experiência que eu aprendi foi que… se você deixar a decisão para o público, você pode ser morta… Eu me senti muito violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosas na minha barriga, uma pessoa apontou a arma para a minha cabeça, e outra tirou a arma de perto. Isso criou uma atmosfera agressiva. Após exatamente 6 horas, como planejei, eu me levantei e comecei a andar em direção ao público. Todos fugiram correndo, escapando de um confronto real.”

Esta performance revelou algo terrível sobre a humanidade, similar ao que o Experimento da prisão de Stanford, de Philip Zimbardo e o Experimento de obediência de Stanley Milgram, também mostraram a rapidez com que pessoas se agridem dependendo das circunstâncias.

Essa performance mostrou como é fácil desumanizar uma pessoa que não pode se defender, e é particularmente poderosa porque desafia o que achamos que sabemos sobre nós mesmos.
Odyr Bernardi escreveu:

Não tenho forças ou disposição pra defender performance de gente pelada, uma novidade tão velha que essa indignação está uns 50 ou 70 anos atrasada, no mínimo. Ou rebater o absurdo do argumento que é "defender pedofilia" - quem é que defende pedofilia, gente, nem o pedófilo, que só quer permanecer nas sombras. O que me incomoda e entristece em mais esse tragicômico episódio é não ver uma solução de curto ou médio prazo pra essa guerrilha cultural efetuada por gente de mau caráter, que sai acendendo uma fogueira nova toda semana para mostrar sua capacidade de criar ruído e gerar mobilização( e em última instância, adquirir valor simbólico para chegar ao poder).

Vejo com tristeza no meio disso tudo o uso como massa de manobra de pessoas basicamente decentes, que não tem uma convivência com arte e que parecem não entender como a internet funciona - não investigam essas provocações, tomam esses recortes de conteúdo literalmente, reagem passionalmente a essas indignações pré-fabricadas.

As soluções reais - uma educação humanista de qualidade que inclua arte e filosofia, um aprendizado da leitura crítica, levariam uma geração pra acontecer. E não há nenhuma vontade política nesse sentido. Então ficamos aqui apagando esses incêndios ridículos, dando explicações que não são entendidas ( e provavelmente não se espalham além da bolha), enquanto o fosso se aprofunda e essa direita falsamente moralista conquista corações e mentes e clichês ancestrais são requentados e revitalizados - o artista amoral, a esquerda perversa sexualmente, a arte que não é arte, os museus que não servem pra nada, o dinheiro público desperdiçado nesses fins inúteis, etc, etc.

Todas nossas explicações a posteriori não apagam o estrago que essas intervenções pontuais fazem no imaginário popular. E, pior, elas são só as preliminares (ou lubrificante, escolha sua metáfora) para algo bem pior - um projeto de poder autoritário e obscurantista. Cadê a luz no fim desse túnel, amigos?

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Texto do Antônio Prata - me representa:

"Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado", ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: "Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado".

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: "Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás... Fazer o que, né? Se Deus quis assim...".

Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um "Sinto muito". "Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela." "Cê não tem nenhuma?" "Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela.

Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?" "Isso."
"Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar." "E aí?!" "Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: 'Entra'. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: 'É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação'."

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. "Olha a data aí no cantinho, embaixo." "Primeiro de junho de 1988?" "Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?"
"Você não é a sua mente." (Eckhart Tolle)
<< Todas as pessoas buscam aceitação e aprovação. Durante a infância desejamos a aprovação dos pais e, a partir daí, crescemos projetando essa necessidade de ser aprovado por outras pessoas — o parceiro, o chefe ou os amigos. Muitas pessoas, porém, são muito inseguras e não se sentem capazes de realizar nada, passando a se sentir rejeitadas e desvalorizadas.

É especialmente nesses casos que as pessoas recorrem à chantagem: por conta da insegurança emocional, não se sentem capazes de alcançar seus objetivos e passam a manipular as outras pessoas para que elas satisfaçam seus desejos. Na maioria das vezes, este processo é tão sutil que as pessoas sequer percebem que estão sendo manipuladas. A chantagem emocional nada mais é, portanto, do que pura manipulação mental.

Características da chantagem emocional

A chantagem emocional é muito comum no ambiente familiar, pois nosso modelo social é baseado em famílias unidas e que se ajudam. Nesse contexto, os inseguros acham que seus familiares têm obrigação de ajudar em suas vidas. Em longo prazo, esse tipo de manipulação pode fazer exatamente o contrário do esperado: gerar conflitos entre familiares e desunir a família.

A pessoa que faz chantagem emocional tem, basicamente, duas condutas: ou ela se faz de vítima e coitada para sensibilizar ou outros, ou tenta mostrar seu poder o tempo todo para conquistar respeito e ter seus desejos atendidos. Os chantagistas normalmente atacam as pessoas mais “boazinhas” e que não sabem dizer não.

Como saber se estou sendo chantageado emocionalmente

– Você se sente ameaçado diante de um pedido de um familiar, e ele insinua que algo ruim pode acontecer caso você não faça o que ele pede;
– A pessoa se coloca como vítima e azarada, usando a dor e a angústia para comover o manipulado;
– A pessoa promete recompensas caso você faça o que ela quer;
– O manipulador vive lembrando dos favores que fez a você, de modo a lhe manter aprisionado e com sentimento de dívida;
– A pessoa reage de forma descontrolada, acusando todos de serem egoístas;
– A pessoa se isola para chamar a atenção, até conseguir o que quer;
– Você se sente culpado quando tenta dizer não ao manipulador;
– A pessoa usa poder (status, dinheiro, hierarquia) como forma de respeito, e você se vê obrigado a fazer o que ela quer;
– A pessoa se recusa a aceitar ajuda em primeiro momento, mas sempre acaba aceitando;
– Você se sente dependente daquela pessoa, pois ela faz com que você acredite que é sua tábua de salvação;
– A pessoa mente e finge com naturalidade e, mesmo que todos saibam que é mentira, ela insiste. >> (SBIE.com.br)
<< Durante todo o fim de semana houve uma intensa batalha para definir os atos desse aluno [que havia assassinado diversas mulheres a tiros numa universidade]. Vozes dominantes insistiam que ele tinha uma doença mental, como se isso o definisse, como se o mundo estivesse dividido em dois países chamados "Normal" e "Louco", que não compartilham uma fronteira ou uma cultura. Entretanto, a doença mental é geralmente uma questão de grau, não de tipo, e muitas pessoas que sofrem com isso são gentis e compassivas. E de muitas maneiras - incluindo a injustiça, a ganância insaciável e a destruição ecológica - a loucura, tal como a mesquinharia, é um fenômeno central à nossa sociedade, não fica simplesmente nas margens. Em um artigo fascinante publicado em 2013, T. M. Luhrmann observou que na Índia, quando os esquizofrênicos ouvem vozes, provavelmente elas lhe dirão para limpar a casa, enquanto para os norte-americanos as vozes em geral ordenarão que cometam alguma violência. A cultura é importante. Ou como disse um amigo meu, investigador de defesa criminal, que conhece intimamente a insanidade e a violência: "Quando se começa a perder o contato com a realidade, o cérebro doente se agarra, de maneira obsessiva e ilusória, naquilo em que está imerso - na doença da cultura ao redor." O assassino de Isla Vista também foi chamado repetidamente de "aberrante", como que para enfatizar que não era, em absoluto, como o restante de nós. Mas outras versões dessa violência estão em toda parte ao nosso redor, e principalmente na pandemia de ódio e violência contra as mulheres. >>

SOLNIT, Rebecca, "Os homens explicam tudo pra mim". São Paulo: Cultrix, 2017. P. 156-157.
Minha conterrânea Rita Almeida reflete sobre nossa reação ao tarado do ônibus, mas pode ser lido como sendo sobre qualquer julgamento da internet:

Precisamos falar sobre Diego?

Trabalho como profissional da rede de saúde mental do SUS e sou militante da Reforma psiquiátrica brasileira desde 1995. Já fui coordenadora de CAPS e supervisora institucional em saúde mental indicada pelo Ministério da Saúde. Minha dissertação de mestrado foi algo sobre o lugar e a função da “loucura” nas instituições e na cultura. É péssimo começar um textão tecendo meu currículo, mas, diante do tribunal das redes, penso que, me posicionar a partir de alguma autoridade (no sentido de estar autorizada a) possa evitar alguns aborrecimentos. Sei lá... Só espero não ter sido arrogante.

Existem, basicamente, dois modos de pensar a “loucura” ou mesmo as formas de delinquência. O mais comum é pensarmos em tais “desvios” como um problema meramente individual, ou seja, aquele sujeito é uma espécie de “maçã podre” decorrente da sua condição ou escolha particular, nesse caso, precisa ser eliminado, ser retirado da convivência das demais “maçãs” ou ser transformado numa “maçã saudável”. Esse é um modo simplista de pensar e que gera soluções igualmente simplistas, como, por exemplo, a de que combateremos a criminalidade eliminando (matando, prendendo, exilando) os criminosos ou a de que teremos uma sociedade mais saudável eliminando (matando, prendendo, exilando) os “loucos”.

Um outro ponto de vista – que eu partilho e a partir do qual pensamos quando defendemos a mudança do modelo manicomial para um modelo aberto – entende que um possível “desvio”, apesar de manifestar num indivíduo singular, quase sempre é resultante daquilo que acontece em seu meio social e cultural. Esse modo de pensar não desresponsabiliza o sujeito pelo seu “desvio”, mas convida a sociedade a compartilhar a responsabilidade pelo mesmo, na medida em que todo sujeito – em especial os que estão fora da curva – funcionam como uma espécie de para-raios do modus operandi da sociedade em que vivem. Pensando desse modo é possível analisar uma sociedade ou uma instituição a partir dos seus pontos desviantes, ou seja, muito mais do que singularizar uma doença social, o sujeito desviante denuncia as falhas e os pontos cegos de uma sociedade ou cultura. Inclusive, é importante destacar – porque isso varia muito – o que uma determinada sociedade considera desviante diz muito sobre como ela é.

Mas vamos ao ponto que interessa aqui. Independente do crime, do ato antissocial, imoral, machista ou como queiram chamar, de Diego (conhecido como o tarado que ejaculou numa mulher no ônibus) vou me propor a pensar o Brasil atual a partir dos últimos acontecimentos envolvendo tal sujeito. Como faria no meu trabalho de supervisora/analista, onde tentamos verificar quais os problemas institucionais e relacionais determinado caso denuncia e aponta, vou inverter meu olhar e ao invés de focar em Diego e sua tara, vou me dirigir para o modo como a sociedade lidou com Diego e analisá-la.

Primeiramente (#foratemer) é importante dizer que essa não pretende ser uma análise científica, será apenas uma avaliação superficial feita a partir da minha TL do Facebook e de comentários que li em notícias na internet nos últimos dias.

1. Somos machistas: 

Ainda que o ato de Diego não tenha sido motivado por machismo, mas por uma disfunção cerebral pós-cirúrgica (e isso é totalmente possível), seu ato trouxe a tona a fato de inúmeras mulheres serem molestadas e assediadas em transporte público e se sentirem vulneráveis e sem apoio para fazerem denuncia. Além do mal-estar e do constrangimento do abuso, sofrem também por não se sentirem acolhidas e respeitadas pelos instrumentos da justiça. A elas cabe, invariavelmente, a culpa pelo abuso ou violência masculina.

2. Somos pouco republicanos: 

É um argumento recorrente quando tratamos de casos que causam comoção, tal como este, trazer a questão para o âmbito da nossa vida privada, como se isso devesse fazer diferença. “E se fosse seu filho?” “E se fosse sua mãe?”, são perguntas frequentes. Nossa confusão histórica entre o público e o privado, nos faz imaginar que um juiz ou um profissional da saúde pública, por exemplo, deverão decidir de modo diferente, caso se trate de alguém do seu círculo privado. Não digo que isso não aconteça por aqui, exatamente pela nossa cultura do “jeitinho”, mas não devíamos contar com isso, e muito menos com tal argumento. É claro que, se fosse membro da minha família, eu estaria emocionalmente afetada o que, provavelmente, me impediria de ter uma intervenção republicana. Talvez, tal fato me levasse a um ato desesperado e intempestivo, mas eu, sinceramente, espero que alguém que esteja com a “cabeça fria”, que tenha conhecimento de causa, que pense nos dois ou mais lados da questão e que leve em conta as leis vigentes (ainda que eu não concorde com elas), possa tomar a melhor decisão possível.

3. Somos violentos:

Ao menor sinal de desagravo nosso potencial violento alcança níveis alarmantes. Lógico que muitos valentões e valentonas de rede social são, na verdade, covardes que usam da mediação digital para dizerem o que não teriam coragem de dizer em outra situação, e muito menos fazer, mas, de todo modo, o que as pessoas dizem que desejariam fazer com um sujeito como Diego é bem pior do que o que ele fez. Acreditamos na intervenção violenta como medida corretiva, mas, sobretudo, como aceitável e justificável em muitos casos.

4. Somos punitivistas:

A maioria de nós ainda defende que as medidas tomadas pela justiça devam ter caráter de punição e não de ressocialização ou reintegração. Em casos como o de Diego, a justiça deve se parecer como algo próximo à vingança. Seguindo a premissa da punição, esperamos que a justiça aja rapidamente e não deixe furos, ou que seja capaz de prever um crime que não aconteceu, baseada num acontecimento anterior. A reintegração e a ressocialização demandam mais cuidado e tempo, a punição é mais rápida e imediata. Optar pela ressocialização, apesar de ser mais saudável para toda a sociedade, pode deixar mais “furos” por exigir uma maior cautela e tempo para agir. Todavia, nesses casos onde a comoção social é grande exigimos uma punição rápida e eficaz, que não deixe furos.

5. Somos manicomiais:

A reforma psiquiátrica brasileira levou anos de muito debate e luta para se estabelecer e evitar algumas das atrocidades que vitimavam os doentes mentais, em nome do bem estar da sociedade. Ainda temos muito o que avançar, mas hoje (pelo menos até esse golpista assaltar o poder), o Brasil possui uma política de saúde mental avançada em termos de humanização e garantia de cidadania. O encarceramento do doente mental ainda é uma prática comum mundo afora. O manicômio é uma instituição que vive seus últimos suspiros por aqui, no entanto, ao menor sinal de comoção coletiva diante de atos de loucura, clamamos por ele. Apesar de todos os avanços das últimas décadas, o isolamento e o encarceramento do louco ainda são vistos como saída, não para cuidar do doente, mas para proteger a sociedade do mesmo.

6. Somos moralistas:

Eu decidi não escrever tudo que queria nesse item pra não correr o risco de fazer perder meu texto inteiro, posto que, o tema do sexo é o mais difícil para a maioria das pessoas (aliás, me espantou muito o quanto ainda é). Mas, pelos comentários que vi por aí a sexualidade e o desejo sexual, incluindo os desviantes da norma, são território eminentemente masculino. A moral sexual ainda reprime e sufoca a sexualidade da mulher, mesmo entre as feministas mais empoderadas. A sexualidade feminina ainda é recoberta de mitos. Resumindo um pouco: mulheres não tem desejo sexual, caso tenham, conseguem mantê-lo sempre sob controle e não são afeitas a taras e compulsões.

7. Somos religiosos:

Para quase todos os problemas que surgem, a resposta, “tá faltando Deus no coração” parece caber e com relação a Diego, não é diferente. O demônio também é constantemente convocado a ser o elemento explicativo para tal tipo de caso. Como não suportamos ver essa humanidade insana, indomável, trágica e errática que habita em todos nós e que pode vir a tona, tal como veio em Diego, preferimos delega-la ao outro estranho; ao diabo. Mas, curiosamente, mesmo os não religiosos, nutrem um modo de pensar mágico. Ainda que o cerne não seja Deus ou o Diabo, acreditam que haja um único responsável pela situação e, portanto, uma única solução que vai resolver todo o problema. Acreditam num ideal qualquer que nos salvará para sempre de todo e qualquer mal-estar e nos trará o paraíso na Terra; sem Diegos, sem juízes que liberam Diego, sem mães que não conseguem fazer Diego seguir tratamento, sem acidentes automobilísticos que desencadeiem uma doença orgânica em Diego. E por aí vai...

O título do meu texto é uma pergunta – Precisamos falar sobre Diego? – e não por acaso. Toda vez que um caso desses vem à tona devíamos pensar sob que prisma devemos falar ou opinar publicamente. Este caso foi um exemplo maravilhoso para entendermos que não devemos falar sobre Diego: não conhecemos o sujeito, sua situação ou sua condição, não sabemos exatamente o que houve, desconhecemos o processo que ele responde e suas particularidades, portanto, qualquer julgamento feito a Diego ou ao seu processo legal é irresponsável e infrutífero, podendo até mesmo gerar danos maiores. No entanto, podemos sim, falar a partir de Diego, assim como eu fiz aqui. Desse modo, entendemos que Diego é apenas um catalizador das nossas chagas sociais e que eliminá-lo não irá curá-las. Podemos, então, pensar nossas mazelas a partir de Diego, assim seremos capazes de fazer algo de produtivo e verdadeiramente terapêutico para a sociedade como um todo.

Sei que é bem difícil pensar assim, mas faço um convite a tal exercício: Diego é uma espécie de dejeto, se pensarmos naquilo que almejamos para um ser humano, entretanto, ele fala mais das nossas fraquezas e misérias, do que gostaríamos. Por isso, rejeitamos Diego e queremos evitá-lo ou eliminá-lo de todo modo. Entretanto, uma sociedade minimamente saudável, e é só o que podemos almejar, entende que criar modos de lidar com Diego é fundamental para o bem de toda a coletividade, e não apenas dele. É fácil fazer isso? Não, é bem difícil! Mas quem disse que seria fácil?

Antes que usem o item 2 e me perguntem – Duvido se fosse você a levar uma esporrada de um estranho no coletivo? – vou responder: Acharia péssimo. De um estranho, no coletivo, não curto. Nesse caso, eu possivelmente, estaria impossibilitada de ter qualquer atitude sensata, inclusive de escrever esse textão, mas, certamente, haveria alguém apta a escrevê-lo.
Não existe auto-estima grande demais. Se assim o parecer, é porque ela é pequena demais.
Psicólogos chineses, que publicaram na revista Frontiers in Neuroscience, estudaram o efeito da beleza feminina sobre os homens e descobriram que a mulheres atraentes podem levá-los a aceitarem propostas que não lhe trazem nenhuma vantagem. Os cientistas realizaram testes com voluntários, que tiveram o cérebro analisado enquanto tomavam decisões.

Segundo o estudo, os homens são mais tolerantes com as mulheres bonitas, mesmo quando elas se comportam de maneira injusta. E essa conduta acarretaria em outra: as mulheres atraentes estariam acostumadas a agir de modo egoísta, já que normalmente são perdoadas.

As pessoas atraentes são mais propensas a serem contratadas e ganham em média 12% mais do que pessoas pouco atraentes. Ao contrário dos casos de raça, gênero, etnia, deficiência e idade, não há legislação contra a discriminação relacionada à atratividade. No entanto, o impacto social mais sombrio do estereótipo Beauty-is-Good está dentro do sistema de justiça, já que estudos de simulacros mostraram que os arguidos que são menos atraentes são mais prováveis ​​de ser considerados culpados.
"Cada vez que você cria um hiato no fluxo da mente, sua consciência cresce mais forte." (Eckhart Tolle)
"Nada é claro neste mundo. Só tolos e charlatães sabem e entendem tudo." (Tchekhov)
História da arte não é história da carochinha. O museu não é playground ou igreja.
A arte e os artistas sempre enfrentaram os retrógrados, os conservadores e os pudicos hipócritas de plantão
(AFONSO MEDEIROS)

Assumidamente pensada para por em discussão questões sobre o corpo, o gênero, a sexualidade e a identidade (particularmente dentro de uma perspectiva lgbt), a mostra foi alvo de debates virulentos nas redes sociais um mês depois de sua abertura por, segundo os inspetores do fiofó alheio, atentarem contra “a moral e os bons costumes” – leia-se: afrontarem “valores cristãos” e exporem cenas de pedofilia e zoofilia.

Infelizmente, essa comoção das “pessoas de bem” que, de um momento para o outro assumem o papel de críticos, teóricos e historiadores da arte pós-especializados em qualquer merda, não é novidade. Nem na história antiga e nem na história recente da arte.

As restropectivas da obra de Mapplethorpe no início dos anos 1990 já causaram virulência inclusive no Senado estadunidense – e, pasmem, uma delas passou incólume por Sampa nessa mesma década. Desde então, muitas exposições com obras explícitas de sexo/sexualidade passaram a mostrar tais obras em dark rooms, com avisos/advertências nas portas – verifiquei essa prática na exposição de Mapplethorpe há quatro anos e de Jeff Koons há dois anos, ambas em Paris.

Um cartaz da grande retrospectiva do pintor renascentista Lucas Cranach foi retirado do metrô londrino em 2008 por, supostamente, ser “pornográfico” (e se tratava de uma pudica vênus nua pra lá de quatrocentona).

Voltando um pouco mais no tempo, é bem conhecida a prática nazista de “condecorar” alguns artistas como produtores de “arte degenerada” e queimar suas obras em praça pública, pelos mesmos motivos alegados pelos “críticos” das redes sociais: pornografia, atentado à moral e avacalhação dos nobres valores cristãos.

Retrocedendo ainda mais, não custa lembrar que o “David” de Michelangelo foi apedrejado quando exposto em praça pública; que a “Venus de Urbino” de Tiziano foi considerada a imagem mais indecente do Ocidente por mais de trezentos anos; que Paolo Veronese teve que encarar um processo diante do tribunal da Inquisição por “interpretar licenciosamente as sagradas escrituras”; que Goya também sofreu um processo da Inquisição espanhola por causa de “La Maja desnuda”; que “A origem do mundo” de Courbet só passou a fazer parte de um acervo público (Museu D’Orsay) mais de 100 anos após sua criação e que a reprodução dessa mesma obra foi retirada do site da Academia Brasileira de Letras há pouco anos atrás. E mesmo artistas brasileiros já foram alvos dessas sandices – que o diga MárciaX. Em todos esses casos, a alegação dos mesmos motivos: “atentado ao pudor, à moral e aos bons costumes”, “deseducação das nossas crianças”, “perdição”, “escândalo”, “pornografia”, “heresia”...

Portanto, não estamos lidando com nenhuma novidade. A arte e os artistas sempre enfrentaram os retrógrados, os conservadores e os pudicos hipócritas de plantão – quem nunca gozou com imagens explícitas do sexo e da sexualidade, que atire a primeira pedra!

O que espanta é que, em meio a essa “comoção” os retrógrados embutem a concepção de que a “verdadeira” arte eleva, transcende, conforta, nos põe em contato com o numinoso, se torna um “alívio” ou expurgo das durezas da vida.

Respeitável público: arte não é religião, não exige reza e nem tem igreja. Pode propiciar, sim, uma suspensão momentânea do comezinho humano, mas comumente provoca, confronta, questiona e põe o dedo na ferida em tudo aquilo que é humano, demasiado humano.

Recentemente, eu e Márcio Lins vimos uma exposição sobre “Maria” em Utrecht (Holanda). A curadoria nos ofereceu uma leitura da mãe de Jesus mais abrangente, como uma das muitas figurações da maternidade, da fecundação e do feminino e, por isso mesmo, misturou anacronicamente à imageria artística mariana uma série de ícones de outras deusas, incluindo a nossa tão conhecida Yemanjá. Para sublinhar ainda mais certas questões embutidas na mitologia mariana, expôs-se também obras de artistas mulheres contemporâneas que trabalham com/sobre a condição feminina no presente. Dentre elas, a obra “Virgin of Mercy” (2005) de Elisabet Stienstra dá o que pensar: uma escultura em tamanho natural de uma mulher púbere nua, com a vagina não só à mostra, mas clara e realisticamente evidenciada. O que aquela escultura estava fazendo numa exposição dedicada à figuração mitificada da “mãe de Deus”? Estava exatamente ali para nos fazer pensar sobre o mito da virgindade, da docilidade e da submissão. Estava ali para nos fazer pensar sobre a construção machista (historicamente constituída) sobre o papel da mulher na sociedade. Considerando que a exposição foi montada num convento-museu, o nível do discurso simbólico tornou-se ainda mais palpável e, a propósito, a postagem da obra de Stienstra aqui no Facebook rendeu três dias de suspensão ao Márcio.

Muitos dos “novos críticos de arte” salientaram que as obras expostas no Santander Cultural não deveriam estar num espaço público e eu bem sei (porque pesquiso o tema há anos) que a exposição do corpo, do sexo e da sexualidade acaba recaindo na querela entre público e privado. Trata-se de uma falsa questão, muito de acordo com a hipócrita moralidade da sociedade ocidental. Templos indianos exibem casais em enlevos carnais explícitos. Muitos dos mais belos exemplares da arte oriental na arquitetura, na pintura, na escultura e na gravura mostram casais (inclusive homossexuais) de humanos e animais em divina fornicação. Para não irmos tão longe, bastaria lembrarmos da pintura em vasos gregos ou do nosso carnaval com corpos deliciosa e sedutoramente desnudos ou corpos de homens e de mulheres travestidos. E tudo isso à vista de todos. E nem vou falar da erotização precoce de nossas crianças promovidas pela publicidade, pela televisão e pelas próprias famílias que consomem acriticamente toda a parafernália da indústria cultural.

Ora, se o mais comum dos mortais neste pedaço do planeta – onde “não existe pecado do lado de baixo do Equador” –, pode expor suas carnalidade e suas fantasias sexuais publicamente (graças a Deus, mesmo quando lhe convém), porque o artista não pode? “Santa hipocrisia”, diria aquele antigo namorado do Batman. Não passa pela cabeça desses “críticos” que o artista pode e deve tratar de todas essas questões?

Se as senhoras e os senhores inspetores do cu alheio não querem que seus filhos vejam tais “perversões”, não levem seus pequerruchos aos museus! Museu não é playground e muito menos igreja. Arte não é só evasão da realidade, entretenimento ou “diversão sadia”. Arte “de verdade” nos desestabiliza, nos confronta, nos questiona e, num jogo de espelhamentos, nos pergunta sempre: Por que isso te incomoda?

Não são os artistas que devem ser silenciados, senhoras e senhores! Observem-se nas obras deles para, a partir de então, se perguntarem sobre os abismos de sua própria humanidade repressivamente silenciada.

Mas isso já é pedir muito numa sociedade que não consegue nem perceber as profundezas da metáfora, do poético e do humano. Por essas e outras, deixo aí embaixo o sorriso maroto de Madame Louise...

Tristes país. Tristes trópicos.

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Afonso Medeiros é Professor Associado de Estética e História da Arte do Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará, onde coordena o GP Arte, Corpo e Conhecimento.
Graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará (1985); especialista em História da Arte pela Universidade de Shizuoka (Japão, 1988); mestre em Ciências da Educação/Arte-Educação, também pela Universidade de Shizuoka (1996); e doutor em Comunicação e Semiótica/Intersemiose na Literatura e nas Artes pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001).
<< Toda vez que você produz um pensamento, isto é ação. E ação é o que chamamos de carma. Atenção desempenha um papel muito importante. Dependendo do tipo de ambiente que você mora e do que você presta atenção, você tem uma chance maior ou menor de produzir bons pensamentos e ir em direção do pensar correto. Todo pensamento que você produz carrega a sua assinatura. Você não pode dizer que ele não é você. Você é responsável por aquele pensamento e aquele pensamento é sua continuação. Seu pensamento é a essência do seu ser e da sua vida, e uma vez produzido, ele continua, pode jamais se perder.

Buda propôs que praticássemos o pensamento correto, pensamento que vai em direção da não-discriminação, da compaixão e da compreensão. Todas as vezes que produzimos um pensamento como este, ele terá um efeito benéfico em nosso corpo e no mundo. Um bom pensamento tem o efeito de curar o seu corpo, a sua mente e o mundo. Isto é ação. Se você produz um pensamento de raiva, de ódio e desespero, isto não é bom para sua saúde ou para a saúde do mundo. Podemos conceber nossos pensamentos como um tipo de energia que terá uma reação em cadeia no mundo. >> (Thich Nhât Hanh)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

terça-feira, 29 de agosto de 2017

"O mais impressionante neste momento da história brasileira é como discursos normativos mostram rapidamente seu caráter farsesco. Nos últimos anos ouvimos vários setores da população a clamar por moralidade na política. Agora, muitos deles usam de argumentos do tipo: "Mas a queda de Temer provocará instabilidade no grande programa de retomada do crescimento". No que eles demonstram que, no Brasil, você pode fazer toda forma de crime e degradação, desde que defenda os interesses econômicos hegemônicos." (Vladimir Safatle)
"Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão."
(Álvaro de Campos)
As Revelações - agora no Facebook.
Duas manchetes no clicRBS (uma exatamente ao lado da outra):
"Piratini anuncia construção de três novos presídios"
"RS corta mais de 2 mil turmas nas escolas estaduais"
"A coragem não é o oposto do desespero. Muitas vezes teremos de enfrentar o desespero, como tem acontecido a todas as pessoas sensíveis nas últimas décadas. Por isso Kierkegaard e Nietzsche, Camus e Sartre afirmam que a coragem não é a ausência do desespero, mas a capacidade de seguir em frente, apesar do desespero." (Rollo May em A CORAGEM DE CRIAR)
"Alegrar-se é ser capaz de sustentar o infinito." (Viviane Mosé)
"O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece no equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade." (Jung)
“Como líderes, precisamos encontrar maneiras de ajudar as pessoas a trabalhar com paz interior, mesmo em meio ao tumulto. Experimente começar qualquer tarefa com dois minutos de contemplação silenciosa. Veja o poder que resulta desse hábito. É incrível como tudo muda quando temos esses momentos de lembrança de Deus. Ficamos mais abertos para sugestões e reclamações. E mais sábios para a tomada de decisões. Líderes que amam também escutam com humildade e sinceridade àqueles que fazem parte da organização.” (Dadi Prakashmani)
<< Novamente, o futebol reproduz a lógica de que toda vítima de injúria racial é culpada até que se prove o contrário. Aranha, agora como atleta da Ponte Preta, voltou à Arena do Grêmio neste domingo. Dirigentes gremistas chegaram ao ponto de destacar uma câmera no estádio para acompanhar cada movimento do goleiro no decorrer da partida. Nestor Hein, diretor jurídico do clube, justificou a postura dizendo que Aranha se trata de “uma pessoa perigosa e difícil”. Ainda relembrou uma fala discriminatória do goleiro, em abril, para chamá-lo de homofóbico. Retórica torpe e ignorante, como se o fato de uma pessoa já ter cometido ato preconceituoso redimisse seus agressores de comportamento igualmente reprovável. (...) Ao longo de todo o processo, a queixa de Aranha foi desqualificada pelo Grêmio. Ele foi chamado de “macaco”, “encenador”, “mentiroso” e, agora, virou “pessoa perigosa”. Quem sofre tantas agressões, tem todo o direito de não aceitar um pedido – hipócrita, por sinal – de desculpas. Não, Romildo. As vaias a Aranha não fazem parte da cultura do futebol. Uma vítima de racismo jamais, em nenhuma circunstância, deveria ser hostilizada e vista como persona non grata no mesmo lugar onde gritos de “macaco” golpearam sua dignidade. (...) >> (Breiller Pires/El Pais)
"Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo." (Oscar Wilde)
Principais bandas de rock do Rock in Rio 2017 e os anos em que foram formadas.

1981 Pet Shop Boys
1970 Aerosmith
1977 Def Leppard
1982 Bon Jovi
1981 Tears For Fears
1985 Guns N' Roses
1964 The Who
1983 Red Hot Chili Peppers
1984 The Offspring

Só a Lady Gaga salva.
"Arte é um órgão da vida humana que transmite a percepção racional para o campo dos sentimentos." (Leon Tolstói)
"Nunca aconteceria na Alemanha de um presidente sob suspeita de corrupção, com denúncia apresentada pela própria Procuradoria-Geral da República, não renunciar imediatamente ao cargo. Tivemos um caso notório na Alemanha [renúncia do presidente Christian Wulff, em fevereiro de 2012]. Tratava-se de 700 Euros. Mas, obviamente, assim que o procurador-geral apresentou a denúncia, estava claro para a opinião pública que o presidente tinha que renunciar. E foi o que ele fez. Aqui é outro mundo. Então eu posso entender a certa descrença que há aqui no atual desempenho do Judiciário, de alguns juízes e juízas." (Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da justiça da Alemanha)
"O ruído mental incessante impede você de encontrar o mundo da quietude interna, o qual é inseparável do ser." (Eckhart Tolle)
Redes sociais empoderam indivíduos, mas viram nova praça de linchamento
ILUSTRADA• WALTER PORTO


"Tomara que leve um tiro na cara, vagabunda." Até hoje, mensagens assim são publicadas na página do Facebook criada para infernizar a vida de Mayara Petruso, a estudante que, quatro anos atrás, tuitou ofensas a nordestinos. Por causa dos comentários que a tornaram conhecida e odiada, ela perdeu o emprego, saiu da faculdade, mudou de São Paulo, foi condenada pela Justiça a prestar serviços comunitários e excluiu todas as suas contas em redes sociais. Nem assim foi esquecida na internet.

É um exemplo típico de linchamento virtual: em vez do apedrejamento e da violência física dos tempos medievais, a massa agride o suposto transgressor com avalanches de mensagens hostis na internet até obter seu assassinato social.

Para o mal e para o bem, "a internet colocou o poder de volta nas mãos das multidões", resume Jennifer Jacquet, professora do departamento de estudos ambientais da New York University especializada em dilemas de cooperação em larga escala.

Segundo essa especialista, o linchamento virtual de indivíduos comuns é problemático não só pela exposição pública da pessoa mas pela desproporção entre o delito e a punição, "a falta do devido processo legal e a indestrutibilidade das informações".

A agonia do linchado pode durar muito, como atesta a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, que, em palestra no mês passado, se definiu como a primeira vítima da perda de reputação em escala global -seu envolvimento sexual com o então presidente dos EUA, Bill Clinton, eclodiu em 1998, junto com a popularização da internet no país.

Dezessete anos depois, Lewinsky diz ainda sofrer com a repercussão do episódio. Ela se emocionou ao lembrar que houve um período em que seus pais temiam que ela se suicidasse pela incapacidade de lidar com a vergonha. Eles chegavam a exigir que tomasse banho de porta aberta para que pudessem vigiá-la.

Por aqui, um sujeito que as redes sociais amaram odiar foi o mineiro Idelber Avelar, aquele professor de literatura da Universidade de Tulane (EUA) que acabou acusado de assédio sexual por duas mulheres na praça pública da internet. Segundo uma delas, ele a abordou em chats privados e subiu o tom das conversas ao enviar, sem autorização, mensagens e fotos de forte teor sexual.
O caso ainda corre na Justiça, mas ninguém esperou que a culpa ficasse provada ou que se estabelecesse a diferença entre sedução e assédio sexual para fazer o julgamento moral de Avelar, tachado de misógino e predador.

O professor disse à Folha que o episódio fez com que ele desenvolvesse um quadro de depressão, além de prejudicar sua reputação e sua carreira.
"Quebrou-se boa parte dos meus laços sociais, porque mesmo quem percebeu a injustiça passou a ter medo de se associar ao linchado", queixa-se.

O ambiente virtual favorece também a formação de aglomerações espontâneas que se dedicam tanto a fustigar pessoas específicas quanto a atacar grupos sociais.

Diretor do laboratório da natureza humana da Universidade Yale, o sociólogo e médico Nicholas Christakis explica o fenômeno com base no chamado "viés de grupo", tendência que temos a temer ou a odiar aqueles que não enxergamos como semelhantes.

É um conceito similar ao que o sociólogo americano Richard Sennett chama de tribalização: o impulso natural, animalesco, de solidariedade com os parecidos e agressão aos diferentes.
Um exemplo do modo como se manifesta essa emoção tribal foi visto logo depois da queda do avião da Germanwings nos Alpes franceses, em março. Nacionalistas espanhóis não demoraram a espalhar tuítes comemorando a tragédia que matou 150 pessoas -incluindo um grande número de catalães.
Nem por isso se pode demonizar a web, como alerta Christakis. "A internet não muda nossa humanidade, não nos está tornando mais rancorosos, mas permite que expressemos nosso ódio em maior escala", completa.

Em seu livro "Is Shame Necessary?" ("A Vergonha É Necessária?", ainda sem tradução no Brasil), a professora Jennifer Jacquet enxerga o lado positivo do fenômeno. Segundo ela, o constrangimento público facilitado pela tecnologia pode ser útil para que a sociedade civil exponha autoridades e empresas, reprovando ações que considere nocivas.

"A punição pela exposição pública age não apenas para desestimular um indivíduo a repetir comportamentos, mas para sinalizar à sociedade que um comportamento não é apropriado", reforça.
Seja como for, é melhor evitar exposição do que virar alvo de propaganda negativa na internet. É isso que aconselha Juliana Abrusio, professora do Mackenzie especializada em direito digital. Ela lembra que há mecanismos legais para pedir indenização na maioria dos casos, mas pondera a efetividade dessas medidas.

"A internet sufoca a dignidade da pessoa e não existe processo judicial que vá compensar isso", afirma. "Mesmo quem erra tem direito à dignidade."
Blog do desembargador Renato Nalini
Linchamento virtual

A humanidade é cruel. Mas a crueldade pode se intensificar e ganhar requintes quando propagada pelas redes sociais. O mundo virtual desinibe, estimula o exercício da crítica e da ofensa. A ausência do alvo, uma pessoa física longe dos olhos do ofensor, faz com que este abuse. Exagere e perca o controle.

Os “linchamentos virtuais” passaram a ser um exercício comum nas redes. É o apedrejamento da antiguidade, a fogueira da Inquisição medieval. A avalanche de mensagens hostis na internet oprime, aterroriza e ocasiona o assassinato social.

Já me posicionei a favor da comunicação virtual, inclusive para propor que ela servisse à aferição imediata e sem custos da opinião da maioria. Pode ser um instrumento de implementação da Democracia direta. Substitui com vantagens a consulta formal, convencional, o exercício do sufrágio mediante comparecimento físico do eleitor ao local onde exteriorizará a sua opinião. Mas para o lado mau, a multidão já está a desempenhar o seu terrível poder.

A perseguição de algumas vítimas nas redes é desproporcional. Expõe a pessoa a um público de dimensões ignoradas, não observa o contraditório, que caracteriza o devido processo legal e, pior ainda, as informações são indestrutíveis.

A punição é praticamente eterna. Ultrapassa o prazo vitalício. Incentiva o chamado “viés de grupo”, ou seja, a tendência que se tem de temer ou odiar os que não enxergamos como semelhantes. É o fenômeno que Richard Sennet, autor de “Juntos”, chama de tribalização: um impulso natural, animalesco, de solidariedade em relação aos parecidos e agressão contra os diferentes.

Mas será que a internet nos torna mais rancorosos, mais maldosos e insensíveis? Não. Já somos assim. A internet não muda a nossa humanidade, não nos torna mais cruéis, mas permite que expressemos nosso ódio em maior escala. É o que afirma Nicholas Christakis, diretor do laboratório da natureza humana de Yale. Já a escritora Jennifer Jacquet, em seu livro “Is Shame Necessary?” (A vergonha é necessária?), enxerga um aspecto positivo: “A punição pela exposição pública age não apenas para desestimular um indivíduo a repetir comportamentos, mas para sinalizar à sociedade que uma conduta não é apropriada”. Quem sofre o linchamento moral pela internet já não consegue pensar da mesma maneira.
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JOSÉ RENATO NALINI foi presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para o biênio 2014/2015.
Quando vergonha pública e linchamento virtual saem do controle
(Ana Freitas/Nexo)


A vergonha foi usada ao longo da história como ferramenta de controle em punições legais que determinavam açoitamento público, por exemplo, ou quando o regime nazista instituiu o uso de uma braçadeira com a estrela de David para os judeus. A professora de Estudos Ambientais da Universidade de Nova York, Jennifer Jacquet, autora do livro “Is shame necessary?: new uses for an old tool” (A vergonha é necessária?: novos usos para uma velha ferramenta), alerta para o poder que a internet coloca na mão das multidões, para o bem e para o mal. A perseguição virtual de pessoas comuns, para ela, é um problema porque muitas vezes gera consequências desproporcionais para o indivíduo em comparação à infração que ele cometeu. E é alimentado pelo viés de grupo, fenômeno social que gera sentimento de ódio ou medo em relação àqueles que consideramos diferentes. O linchamento virtual adquire outro caráter quando lembramos que as informações que publicamos e registramos na rede são difíceis de apagar. Além do impacto imediato na vida da pessoa que foi linchada, ela pode seguir sendo punida por uma mancha enorme em sua reputação pelo resto da vida: basta uma busca no Google. Jornalista Luis Nassif defendeu que “Não se pode utilizar um canhão para matar um mosquito”.

Nas redes sociais, alguns debates chamaram atenção para outra consequência do linchamento virtual: quando o caso toma corpo, ele pode tomar como o único inimigo a ser combatido. Na fúria de punir alguém por ser racista, machista ou homofóbico, a discussão acaba se voltando apenas contra aquele indivíduo, e não dialoga com o problema estrutural e social que geraram aquele discurso em primeiro lugar - e prevalência do mesmo discurso no cotidiano, mas da boca de outras pessoas.

“Nessas redes sociais a gente é muito duro com o erro dos outros e pouquíssimo com o nosso. Se a gente invertesse isso, sabendo que todo mundo erra, seria muito mais simples pra todo mundo. Hoje eu penso duas vezes antes de criticar alguém.” (Milly Lacombe Jornalista, em uma entrevista à revista Trip, sobre um episódio em que foi humilhada publicamente por um erro factual em 2006.)
A militância irresponsável que você deveria evitar


Vale a pena por a vida pessoal de pessoas em xeque de maneira irresponsável?

Existe bandas ali que tem mulheres como integrante, mulheres militantes e responsáveis de verdade, que podem ter sua imagem prejudicada de forma irreversível por causa de histórias sem averiguação ou de coisas que não têm culpa.

É muito delicado falar sobre isso porque hoje recebemos rótulos de biscoiteira e passadora de pano a troco de nada, só por tentar levantar contrapontos que devem sim ser questionados. Então é ciente da dor de cabeça que digo: e se tem pessoas ali que já resolveram as situações, refletiram e mudaram e, mesmo assim vão ser condenados sem chance nenhuma de evolução?

Eu acredito que a intenção de expor problemas que homens causam para mulheres, é gerar consciência e fazer que as pessoas passem a refletir sobre seus atos e mudar. Ninguém deve ser condenado eternamente se estiver disposto a reconhecer erros e melhorar. Se você for um Bolsominion eu até entendo o pensamento de que bandido bom é bandido morto ou que não existe perdão pra erro algum, aí nem discuto.

Caso o macho em questão ainda cause estrago na vida de pessoas, aí ele tem mais é que se lascar mesmo, ser exposto e até preso, mas é esse o caso de todos ali? Temos certeza disso? Será que não estamos amarrando pessoas em postes?

Vi a autora da matéria em seu perfil pessoal comemorando que, por conta desse caso, ela apareceu em uma revista famosa, de uma editora que apoiou a ditadura e é uma grande financiadora da desigualdade social, se é que vocês me entendem. Comemorar que está em uma revista feminina que reforça padrões estéticos e comportamentos, que se apropria de feminismo para ganhar audiência enquanto dá dicas de como ser padrão, não me parece muito coerente. Ela dizia que estava contente com a fama gerada por essa matéria. Mas vale a pena ser reconhecida por um feito tão imaturo e irresponsável?

Esse é o grande problema do feminismo hype: ninguém tem consciência de nada que está fazendo e estraga a luta como um todo. Afeta a legitimidade de quem realmente milita pela causa e, pior, pode fazer com que vítimas sejam colocadas em descrédito devido à essa banalização.
Toda luta social deve ser bem pensada.

Eu sou feminista, antifa, luto com unhas e dentes pelo que acredito. E mais, sou vítima real de abuso e agressão, já tomei soco na cara de namorado e coisas piores. No dia do #meuamigosecreto, relatei pela primeira vez, em um pequeno parágrafo, sem muitos detalhes o que eu passei e perdi amizades, sofri ameaças, ao mesmo tempo que fiquei aliviada por colocar aquilo pra fora. Entendo o que motiva um relato a ser feito e a importância disso. Sempre que posso dou suporte à mulheres que, como eu, foram vítimas, já acompanhei companheiras até a delegacia e em seus processos contra agressores, recentemente escrevi uma matéria para uma revista para tentar dar mais visibilidade á um projeto que dá assistência gratuita para mulheres em situação de abuso e têm dificuldades sócio-econômicas, fui inclusive administradora de um grupo cujo propósito era denúncias de agressão e abusos. Eu não passo pano pra ninguém, já encerrei amizades de anos por constatar que a pessoa não queria mudar. Mas aprendi também que devo me preocupar com as intenções e consequências dos meus atos. Lutas são mais intensas e tem mais camadas do que a maioria das pessoas conhecem e conseguem refletir. Estamos em uma era onde comemoramos marcas pregando diversidade sem pensar que essas mesmas marcas financiam a segregação. Também estamos em tempos de linchamento virtual inconsequente. Vi em comentários no Facebook pessoas dizendo coisas como: “Mas eu não vou com a cara do povo dessa banda, tomara que se ferrem, nunca gostei”.

Espera aí. Você acha que a pessoa deve se ferrar porque não vai com a cara ou não gosta dela sem motivo sólido? Poxa…

E o pior foi quando vi uma pessoa dizendo tranquilamente que um dos caras era estuprador, quando o relato que menciona esse cara não diz sobre estupro em momento algum e isso nunca aconteceu. Dizer que uma pessoa é acusada de estupro só porque “acha” é de um absurdo sem tamanho. Olha aonde estamos chegando com a ânsia de um bafão!

Qual o nosso direito de sentenciar uma pessoa e malhar um Judas sem nem ter nada concreto pra isso? Precisa bater em cachorro morto?

Como eu já disse, entendo a importância de expor esses casos e aplaudo muitas das mulheres que o fazem, inclusive a ex-mulher do Felipe do Apanhador Só, banda só de homens que se apropria de discurso feminista para ganhar fama. Vejo inclusive como é importante que homens passem a ter medo e pensar duas vezes antes de ser babaca com uma mulher. Também é bom mencionar como é legal a forma que outras pessoas se enxergam nos relatos e a partir daí passam a refletir sobre suas próprias situações abusivas. O que é errado é fazer isso sem pensar em consequências. Recentemente uma amiga foi processada pelo ex-namorado por causa de um relato no Facebook que não tinha nem mesmo o nome dele citado, ela perdeu a causa mesmo depois de recorrer e teve que pagar uma grana imensa pro imbecil. E essa garota tinha pelo menos condições financeiras e uma família que dava suporte, coisa que muitas meninas não têm, por isso toda cautela é necessária nesses casos. Conversar com uma pessoa que tenha noção jurídica antes de expor um caso é uma boa ideia e um bom começo para se proteger. Analisar se terá condições psicológicas e suporte pra enfrentar tudo que possa vir também é uma boa. Muita gente não aguenta a pressão que vem depois e se afoga em depressão. Isso é coisa séria!

Desejo com sinceridade que a casa de macho babaca caia cada vez mais, mas também desejo dar uma segunda chance pra quem se propõe a refletir e mudar. Casos onde envolvem estupro e crimes contra vulneráveis, são mais graves, é de competência judicial e deve ser pago conforme a lei. Mas acredito que tem outras situações fora desse patamar onde uma boa reflexão sobre privilégios e empatia pode ser muito produtiva. Tem que sofrer consequências sim, mas se a pessoa se propor a mudar, por que apedrejar pra sempre? O que a gente quer é que ele pare de prejudicar outras companheiras. Se o cara voltar a insistir no erro, aí é outra história.

Ser papagaio é a pior coisa que podemos ser em tempos de ódio social. Antes de compartilhar uma matéria ou replicar uma informação, é nossa responsabilidade pensar se aquilo é prudente e se as informações são verídicas. Caso contrário seremos mais um agente de disseminação de ódio gratuito. Não julgo quem compartilhou essa matéria porque as mulheres estão cansadas de tanto absurdo vindo de homens que saem impunes devido à fama ou por causa da casca de esquerdomacho bonzinho.
De tudo, pelo menos essa questão da impunidade foi colocada em foco e será mais discutida. Isso é muito bom. Mas as consequências da imaturidade e irresponsabilidade que uma matéria como a do Apoie a Cena podem causar são muito sérias. Entendo a intenção da matéria, ela poderia ser muito boa se feita com responsabilidade, com mais consciência e pesquisa e, principalmente, com considerações colocadas sobre como devemos lidar com aquelas informações ao invés de apenas soltá-las.

Minha intenção escrevendo tudo isso é incentivar que a sejamos mais inteligentes no combate ás injustiças sociais e de gênero, conscientes de que cada ato envolve um todo e que para alcançar resultados eficazes, devemos pensar nesse todo. Deve sim haver veemência, ninguém tem que ficar em cima de muro, mas pensar antes de agir é mais que fundamental.

Toda militância deve ser inteligente, isso o hype nunca vai te ensinar.