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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Quando vergonha pública e linchamento virtual saem do controle
(Ana Freitas/Nexo)


A vergonha foi usada ao longo da história como ferramenta de controle em punições legais que determinavam açoitamento público, por exemplo, ou quando o regime nazista instituiu o uso de uma braçadeira com a estrela de David para os judeus. A professora de Estudos Ambientais da Universidade de Nova York, Jennifer Jacquet, autora do livro “Is shame necessary?: new uses for an old tool” (A vergonha é necessária?: novos usos para uma velha ferramenta), alerta para o poder que a internet coloca na mão das multidões, para o bem e para o mal. A perseguição virtual de pessoas comuns, para ela, é um problema porque muitas vezes gera consequências desproporcionais para o indivíduo em comparação à infração que ele cometeu. E é alimentado pelo viés de grupo, fenômeno social que gera sentimento de ódio ou medo em relação àqueles que consideramos diferentes. O linchamento virtual adquire outro caráter quando lembramos que as informações que publicamos e registramos na rede são difíceis de apagar. Além do impacto imediato na vida da pessoa que foi linchada, ela pode seguir sendo punida por uma mancha enorme em sua reputação pelo resto da vida: basta uma busca no Google. Jornalista Luis Nassif defendeu que “Não se pode utilizar um canhão para matar um mosquito”.

Nas redes sociais, alguns debates chamaram atenção para outra consequência do linchamento virtual: quando o caso toma corpo, ele pode tomar como o único inimigo a ser combatido. Na fúria de punir alguém por ser racista, machista ou homofóbico, a discussão acaba se voltando apenas contra aquele indivíduo, e não dialoga com o problema estrutural e social que geraram aquele discurso em primeiro lugar - e prevalência do mesmo discurso no cotidiano, mas da boca de outras pessoas.

“Nessas redes sociais a gente é muito duro com o erro dos outros e pouquíssimo com o nosso. Se a gente invertesse isso, sabendo que todo mundo erra, seria muito mais simples pra todo mundo. Hoje eu penso duas vezes antes de criticar alguém.” (Milly Lacombe Jornalista, em uma entrevista à revista Trip, sobre um episódio em que foi humilhada publicamente por um erro factual em 2006.)

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