Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Cabe a você escolher que moléculas irá experimentar para compor com seu corpo, se moléculas que componham positivamente ou negativamente, se moléculas que te possibilitem uma constante transformação de si e das relações envolvidas ou moléculas que te aprisionem em complexos e estruturas herdadas de racionalidades que coadunam com poderes opressores e repressivos." (Adriel)


"Aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança." (LAO-TSÉ. Tao te ching. Capítulo 17.)


17

When the Master governs, the people
are hardly aware that he exists.
Next best is a leader who is loved.
Next, one who is feared.
The worst is one who is despised.

If you don't trust the people,
you make them untrustworthy.

The Master doesn't talk, he acts.
When his work is done,
the people say, "Amazing:
we did it, all by ourselves!"

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Apesar de reserva na época, foi com Roth que Damião começou a jogar no time principal do Inter.


Foto: Mauro Vieira
Cruel.

Eu também quero me deitar nesse fom!


O Cleomar Lima,
aka pai da Fernanda,
alertou-me para
o fato abaixo.



Foi o último time
em que o lateral-esquerdo
jogou, antes de rumar
para a carreira de técnico.
2ª Feira de Descarte Tecnológico em Porto Alegre – Será no dia 10 de setembro, na Usina do Gasômetro. A primeira feira, realizada em dezembro do ano passado, arrecadou mais de 14 toneladas de equipamentos de informática. O evento é promovido pela prefeitura da Capital, por meio do Gabinete de Inovação e Tecnologia e do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), em parceria com a Fecomércio-RS. Os equipamentos recolhidos serão encaminhados pelo DMLU às empresas IZN Recicle Brazil e Trade Recycle, que farão a triagem, a desmanufatura e a reciclagem dos componentes. Dá para deixar por lá celulares, baterias, cabos, monitores, placas de vídeo, mouses, teclados e impressoras, além de outros materiais classificados como lixo eletrônico.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ranking da Folha de S.Paulo do futebol na década de 10.


Luis Henrique Benfica:

Uma decisão de forte repercussão deverá ser adotada nesta terça-feira pela justiça gaúcha. Devido aos tumultos verificados no Gre-Nal de domingo, o Juizado Especial Criminal poderá determinar a interdição do espaço destinado no Olímpico à torcida Geral do Grêmio.

Após o clássico, um grupo ligado à Geral tentou invadir o posto de triagem da Brigada Militar no estádio para soltar dois de seus integrantes que haviam sido detidos [20 ao todo foram detidos e muitos foram atingidos pela polícia com arma de choque].

O juiz titular do Jecrim, Marco Aurélio Martins Xavier, irá ao Olímpico às 11 desta terça-feira para observar o local em que a Geral se localiza durante os jogos e providenciar a interdição.




Atualização do Luis Henrique Benfica:

Decisão cautelar adotada na noite de domingo pelo Juizado Especial Criminal proíbe, pelo período de três meses, que torcedores integrantes da Geral do Grêmio compareçam a jogos no Estádio Olímpico.

Na manhã desta terça-feira, o juiz titular do Jecrim, Marco Aurélio Martins Xavier, definirá em reunião com a direção do Grêmio, Brigada Militar e Polícia Civil, a forma como a proibição será colocada em prática. A primeira medida será a identificação dos torcedores.

Como são milhares os componentes da Geral, Martins Xavier admite que o espaço reservado à torcida, atrás da goleira que dá para a Avenida Cascatinha, seja interditado.

A decisão cautelar foi tomada depois que cerca de 30 integrantes da Geral tentaram invadir o posto de triagem da Brigada Militar para libertar dois torcedores presos após briga no intervalo do Gre-Nal.

Para dispersar os torcedores, a BM precisou utilizar bombas de efeito moral, conforme mostram as imagens registradas pelas câmeras de segurança do estádio.
_ Desta vez, os fatos foram muito graves. O Estado não pode ser agredido por atos de vandalismo. O futebol é um esporte para a família, não pode dar espaço para a criminalidade _ afirma o juiz Martins Xavier.

Mesmo os participantes do tumulto de domingo que aceitaram a transação penal, pagando valores estimados entre R$ 100 e R$ 300 para não responder a processo, também foram proibidos de voltar ao Olímpico pelos próximos três meses. Sempre que houver jogo no estádio, eles terão que se apresentar à 2ª DP.

A transação penal não vale para torcedores que já sofreram condenações anteriores. Estes, se forem flagrados novamente, responderão a processo.


domingo, 28 de agosto de 2011

O sentido da vida é o sentido da vida.


A MENSAGEM DE VIKTOR FRANKL
Olavo de Carvalho

O médico judeu austríaco Viktor Emil Frankl foi grande nas três dimensões em que se pode medir um homem por outro homem: a inteligência, a coragem, o amor ao próximo. Mas foi maior ainda naquela dimensão que só Deus pode medir: na fidelidade ao sentido da existência, à missão do ser humano sobre a Terra.

Homem de ciência, neurologista e psiquiatra, não foi o estudo que lhe revelou esse sentido. Foi a temível experiência do campo de concentração. Milhões passaram por essa experiência, mas Frankl não emergiu dela carregado de rancor e amargura. Saiu do inferno de Theresienstadt levando consigo a mais bela mensagem de esperança que a ciência da alma deu aos homens deste século.

O sentido da vida, concluiu Frankl, era o segredo da força de alguns homens, enquanto outros, privados de uma razão para suportar o sofrimento exterior, eram acossados desde dentro por um tirano ainda mais pérfido que Hitler - o sentimento de viver uma futilidade absurda. Após a libertação, reencontrou a esposa e a profissão, como diretor do Hospital Policlínico de Viena.

Frankl criou o conceito das doenças noogênicas, isto é, provenientes do espírito. Além das causas somáticas e psíquicas do sofrimento humano, era preciso reconhecer um sofrimento de origem propriamente espiritual, nascido da experiência do absurdo, da perda do sentido da vida: "O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido."

Das reflexões de Frankl sobre a experiência do absurdo nasceu um dos mais impressionantes sistemas de terapia criados no século dos psicólogos: a logoterapia, ou terapia do discurso - um conjunto de esquemas lógicos usados para desmontar os subterfúgios com que a mente doentia procura eludir a questão decisiva: a busca do sentido.

O sentido não tem de ser moldado pela mente, mas a mente pelo sentido. O sentido da vida, enfatiza Frankl, é uma realidade ontológica, não uma criação cultural. Frankl não dá nenhuma prova filosófica desta afirmativa, mas o caminho mesmo da cura logoterapêutica fornece a cada paciente uma evidência inequívoca da objetividade do sentido da sua vida. O sentido da vida simplesmente existe: trata-se apenas de encontrá-lo.

Universal no seu valor, individual no seu conteúdo, o sentido da vida é encontrado mediante uma tenaz investigação na qual o paciente, com a ajuda do terapeuta, busca uma resposta à seguinte pergunta: Que é que eu devo fazer e que não pode ser feito por ninguém, absolutamente ninguém exceto eu mesmo? O dever imanente a cada vida surge então como uma imposição da estrutura mesma da existência humana. Nenhum homem inventa o sentido da sua vida: cada um é, por assim dizer, cercado e encurralado pelo sentido da própria vida. Este demarca e fixa num ponto determinado do espaço e do tempo o centro da sua realidade pessoal, de cuja visão emerge, límpido e inexorável, mas só visível desde dentro, o dever a cumprir.

Eis aí por que é inútil buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é uma máxima uniforme, válida para todos - é a obrigação imanente que cada um tem de transcender-se. Discutir o sentido da vida sem realizá-lo seria negá-lo; e, uma vez que começamos a realizá-lo, já não é preciso discuti-lo, porque ele se impõe com uma evidência que até a mente mais cínica se envergonharia de negar.




Dois anos antes Olavo escreveu:

A evolução do pensamento moderno, de Maquiavel ao desconstrucionismo, é marcada pela presença crescente do fenômeno que denomino paralaxe cognitiva: o hiato entre o eixo da experiência pessoal e o da construção teórica. Cada novo "maître à penser" esmera-se em criar teorias cada vez mais sofisticadas que sua própria vida de todos os dias desmente de maneira flagrante. A "análise existencial" de Frankl, a contrapelo do "existencialismo" de Heidegger e Sartre que é uma apoteose da paralaxe, recupera o dom de raciocinar desde a experiência direta, que ao longo da modernidade foi renegada pelos filósofos e só encontrou refúgio entre os poetas e romancistas.

Se, a despeito disso, a obra de Frankl ainda não alcançou o lugar merecido nas atenções do establishment acadêmico, é simplesmente porque este é o templo da paralaxe cognitiva.

sábado, 27 de agosto de 2011

‎"Meu mestre disse para eu meditar como Jesus. Como Jesus? Eu estava na Índia! Uma hora ele me chamou para explicar como era meditar como Jesus. Só que, em vez de falar algo, ele fechou os olhos e ficou em silêncio, imóvel na minha frente." (Krishna Das)
Os mantras nem sempre possuem um significado claro e muitos deles são compostos por sílabas aparentemente ininteligíveis. Mesmo assim, eles são efetivos porque ajudam a manter a mente quieta e pacífica, integrando-a automaticamente na concentração. Eles fazem a mente ser receptiva às vibrações muito sutis e, portanto, aumentam sua percepção. A união do som com a vacuidade. É fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos por causa da evolução da língua.



Charlotte.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Nada muito surpreendente, mas a coincidência. Escrevi no Facebook "Careca, Romário, Ronaldo, Damião", e o Fabiano Baldasso escreveu a mesma coisa no Twitter. Pensei em escrever sobre o assunto abaixo, mas o Contardo "se antecipou". (Ainda vou escrever a minha versão, com outros desdobramentos.)


Antipolítica
(Contardo Calligaris)

(...) Brasileiros e italianos compartilham, hoje, uma paixão antipolítica. A ideia antipolítica mais difusa é a convicção (recente na Itália e endêmica no Brasil) de que o exercício da política é indissociável da corrupção -com seu cortejo de alianças oportunistas, mentiras etc. Fora a ojeriza moral, a consequência dessa convicção é a seguinte: de repente, o único projeto republicano válido parece ser a luta contra os corruptos. Ou seja, no governo, os apetrechos da política (planos, visões ou competências) são inúteis, apenas precisamos de pessoas honestas.

A antipolítica da corrupção cria uma nova unanimidade. Para o cidadão comum, ela é lisonjeira: se os políticos parecem ser todos corruptos é porque nós, na sociedade civil, devemos ser todos honestos, não é? Para os políticos, denunciar a corrupção de sua própria classe é mais fácil do que conceber e colocar em ato ideias sociais e econômicas inovadoras. Com isso, a antipolítica reconcilia a nação, as classes e os partidos: vivemos enfim numa comunidade de (todos) indignados contra os políticos (todos) corruptos.

(...) As alianças de governo e sobretudo o mensalão acabaram com a ideia de que o Partido dos Trabalhadores representasse uma reserva ética dentro da política. Conclusão: como quer a antipolítica, políticos são todos iguais e reserva ética só existe na sociedade civil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O melhor do mundo.



Intratable Damiao. E intratable en todo sentido. Porque Independendiente nunca pudo con él. Ni Milito ni Julián Velázquez. Tampoco Hilario Navarro. El delantero del Inter fue una pesadilla para el Rojo, que volvió a quedarse con las ganas de levantar una copa. Al igual que en el partido de ida, Leandro Damiao se cargó el equipo al hombro. (...) "Es un tractor", lo calificó D'Alessandro. Y lo sufrió Independiente. (Demien Meltzer/Olé)
Bonita a foto e a capa do novo EP da Charlotte Gainsbourg.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

A falta que nos move
(Liane Alves/Vida Simples)


(...) Ao traçar num papel o círculo que representa um buraco, vemos que ele tem limite: a própria circunferência. O que nos separa da integração com um todo é justamente essa fronteira. "Nas antigas civilizações, como as do Oriente, o indivíduo sentia-se mais integrado a sua cultura, a seu universo. A noção de falta era menos presente e sentida porque toda uma estrutura o amparava em suas decisões, comportamentos e objetivos. Mas hoje, na modernidade, essa integralidade não mais existe. Vivemos uma cultura fragmentária e individualista", diz a psicanalista paulista Andrea Naccache, de formação lacaniana. "Por isso recorremos tanto ao Oriente: para tentar resgatar esse sentimento de integração de corpo, mente e espírito com o universo", diz ela. (...) É isso o que nos diz, por exemplo, Meister Eckhart, o grande místico medieval alemão: "Vede! Este homem permanece numa única e mesma luz com Deus: é por isso que não há nele nem sofrimento nem sucessão, mas uma igual eternidade (...) Ele permanece num agora que, em todo o tempo e sem cessar, é novo". Para Eckhart, nossa falta primordial é ontológica: é o desejo da alma de se unir a Deus, que, nesse caso, é um outro divino. (...)

sábado, 20 de agosto de 2011

IMPUGNATÓRIA À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO DE FLS. 760-VERSO.
REF. PROCESSO TAL - CÓDIGO 230.

FULANO, {FLS. 678/686}, já qualificado nos autos do processo-acima, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência., por seu procurador adiante-assinado, instrumento de mandato anexados aos autos, interpor apelo-acima pelos fundamentos e razões seguintes:

1) - Mesmo se admita para argumentar, despachos-interlocutórios de Fls. 716-2ª-PARTE, 755, e homologatória -2º-PARÁGRAFO..., de Fls. 160-VERSO, adotando complementação dos cálculos de Fls. 722/753.

2) - Entretanto, não se pode olvidar, que mesmo 'vencida petitória de Fls. 758/759', QUANTOS CÁLCULOS DE FLS. 696/710 - 722/753<->A EXEQUENTE, JÁ HAVIA SE ->ANTECIPADO EM SEDE PRELIMINAR< - -- = 715... nem mesmo quantas horas extras..., o correto levantamento e demonstração das parcelas anteriores, {SENDO IMPUGNADAS/EVOLUÇÕES SALARIAIS DE FLS. 701/702}, e das ->horas extras no percentual de 50 e 100% Inclusive, por {DECISÃO/TST}, com exclusão dos 5% e pela média-física/E. 347, do TST..., 'repristinando' a demandada, os cálculos principal de Fls. 696/710, {nos complementares de Fls. 722/753}, conquanto, se verificando 'CÁLCULOS CONTINUADOS', ->não enfrentando MM. Juízo, {A IMPUGNAÇÃO/PRELIMINAR-ANTECIPADA-RETROCITADA<->MERITÓRIAMENTE} "IN TOTUM", e à Exaustão, {nos despachos/Fls. 716, 755, à partir do 2º-PARÁGRAFO ATÉ FINAL DE FLS. 760-VERSO.

3) - Por consequência, a exequente, da quitação ao ALVARÁ de Fls. 789, não-somente no valor ali contido, ->impugnando, a sentença 'homologatória' de Fls. 760-VERSO, em face dos artigos, 162, 284, 458, II, 515, §§, do CPC., 5º, XXXV, XXXVI, LV, 93, IX, da Carta de 1988, EC/45, em sede da Impugnatória, A sentença de Liquidação Fls. 760-VERSO, por inobservadas decisões-transitadas em julgadas 'definitivas', que diante do princípio "mutatis" "mutandi", não podem ser modificadas ou alteradas. Portanto, requer, seja acolhido, conhecido e admitido, a presente Impugnatória-retrocitada, para deferir-se sejam os autos-novamente carregados à reclamada, a fim de que sejam re-feitos os cálculos, conforme item 2-PRECEDENTE, {compensados os valores pagos}, em face dos artigos., 832, 833, da CLT Caso contrário, a Exequente, faz seu 'protesto...', diante do artigo, 5º, LV Respectivamente, com prosseguimnento da Execução Complementar nos seus ulteriores termo.

N. Termos,
Pede Deferimento.


Alguns deles já começaram a cantar no dia 18 de agosto, durante a chuva. Em 2010, começaram no mesmo dia 18 de agosto (aniversário da Angela Francisca e conquista da segunda Libertadores do Inter); em 2009, no dia 10 de agosto; em 2007, no dia 30 de agosto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A realidade é bonita.

Contardo e Pondé tiveram 30 minutos pra falar sobre 'Árvore da vida' e 'Melancolia' e sobre o Sentido da Vida.

graça

[Do lat. gratia.]
Substantivo feminino.

1. Favor dispensado ou recebido; mercê, benefício, dádiva.
2. Benevolência, estima, boa vontade.
3. Jur. Ato de clemência do poder público (no Brasil, o executivo), que favorece individualmente um condenado em definitivo por crime comum ou por contravenção, extinguindo-lhe, reduzindo-lhe ou comutando-lhe a pena; mercê. [Cf. anistia, clemência e indulto.]
4. Beleza, elegância ou atrativo de forma, de aspecto, de composição, de expressão, de gestos ou de movimentos.
5. Elegância de estilo.
6. Dito ou ato espirituoso ou engraçado. [Sin., nesta acepç.: caçoada, chiste, gracejo, graceta, pilhéria, troça e (no Brasil) gozação, chiata.]
7. O nome de batismo.
8. Privança, intimidade.
9. Teol. Dom ou virtude especial concedido por Deus como meio de salvação ou santificação.
10. Teol. Favor ou mercê concedida por Deus a uma pessoa. ~ V. graças.
11. Cabo-verd. Vontade, desejo.

(Aurélio)
Apocalipse ontem no Arizona. Tempestade de areia. Lindo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"O mal do qual sofre Justine [no filme 'Melancholia'] consiste em perder interesse pela vida concreta, a ponto de não tolerar o que lhe parece ser a farsa de sua própria festa de casamento. Em geral, esse cinismo cético é fruto de 1) uma consciência moral terrível, pela qual toda experiência concreta, sobretudo se for prazerosa, deve ser culpada ou 2) uma extrema insegurança compensada por uma exaltação narcisista; assim: sou o único a 'perceber' que tudo é falso -com isso, sou superior aos outros, ninguém me engana. Essa posição é frequente na adolescência; pense no jovem que, no baile, desesperado por não conseguir se integrar, fica sentado denunciando mentalmente a impostura e os simulacros na valsa dos que dançam." (Contardo Calligaris)



"Von Trier conseguiu dar sentido (e charme) ao fundo do poço."
"A depressão não é a doença do nosso tempo, e sim uma doença que nosso tempo gosta de diagnosticar porque acha que encontrou a pílula certa para curá-la." (Contardo Calligaris)
Sonhei com puma.



[Uma pessoa batizada com o nome puma] é muito inteligente e intuitiva, desde muito cedo é notória sua vocação por atividades intelectuais. Não se atrai por atividades desgastantes e de esforço fisico. Na maturidade demonstra ter a vida sob controle. Alguém que valoriza a espiritualidade. Sempre envolvida com seus pensamentos pode passar a impressão de solitária. Séria, não aceita intimidades ou brincadeiras inoportunas. Bastente reservada, torna-se dificil ter sua confiança, e guarda seus segredos sempre para si.

Não se familiariza com encontros sociais, prefere sempre atividades que exijam concentração. Fala pouco, e evita comentários óbvios, nunca age com a intenção de impressionar, por isso só participa de conversas quando está embasada de sua observação e cuidadosa análise. Preocupa-se com o conteúdo e nunca com a forma. Esta postura tende a isolá-la do mundo, pois dificilmente confia na ajuda de alguém, a maneira de ser bem compreendido e aproveitar os aspectos positivos da personalidade é controlar o egoísmo e buscar abrir-se mais ao mundo.




A puma é o maior dos pequenos gatos. Para caçar, ela usa audição e visão já que tem um alfacto pobre. O tamanho da suçuarana é menor perto do equador, e maior em direção ao polos. Embora as suçuaranas sejam semelhantes ao gato doméstico, têm aproximadamente o tamanho de um ser humano adulto.

Apesar de seu tamanho, não é normalmente classificada entre os "grandes gatos", pois não pode rugir, por falta da laringe e osso hióide especializados do gênero Panthera. Como os gatos domésticos, as suçuaranas vocalizam sibilos graves, rosnam e ronronam, além de emitirem silvos e assobios. Elas são conhecidas por seus gritos, como referido em alguns dos seus nomes comuns, embora estes gritos sejam muitas vezes mal interpretados como sendo de outros animais.

As suçuaranas têm patas grandes e proporcionalmente as maiores patas traseiras na família dos felinos. Esse físico permite-lhe dar grandes saltos e a capacidade de atingir grandes velocidades em curta duração.

A suçuarana não come animais que não tenha matado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Feliz, engraçado.


A Árvore da Vida (The Tree of Life),
de Terrence Malick (EUA, 2011)

por Fábio Andrade/Revista Cinética

A Árvore da Vida usa . . . uma abordagem formal e estrutural em um primeiro momento bastante impressionante. Experiência sem paralelos claros na história, A Árvore da Vida vem com a marca dos filmes malditos que abrem novas possibilidades para o cinema que parecem impossíveis de serem levadas adiante (Aurora, de Murnau; Limite, de Mário Peixoto; os filmes de Leos Carax), decupado, filmado e montado a partir de uma língua absolutamente própria (...).

. . . enquadramentos absolutamente vertiginosos, cortes arriscadíssimos e uma decupagem circular, que cisca em torno dos momentos narrados pelo filme, construindo não exatamente uma narrativa, mas um mosaico de impressões de vida. Em A Árvore da Vida, há falas, não diálogos. (...)

Quando há a necessidade constante de uma representação perfeitamente apreensível (e o excesso de perfeição em cada plano é o que faz de A Árvore da Vida o filme mais imperfeito de toda a carreira de Malick), é inevitável resvalar nas tentações do didatismo e das simplificações. Se a casa é um útero e o nascimento é uma benção da natureza, por que não representar um parto logo por uma casa dentro de um lago, que cospe o protagonista pela porta da frente? Se um homem faz as pazes com sua história, porque não dobrar o tempo e colocar todos os personagens caminhando em uma praia, fazendo carinhos fantasmas na cabeça do protagonista? Se há uma passagem espiritual a se fazer, por que não colocar o protagonista atravessando uma porta no meio de uma paisagem sem paredes? (...)

Não é à toa que os grandes momentos de A Árvore da Vida - e não há dúvida que eles existem - sejam aqueles que parecem, e apenas parecem, menos preocupados em dizer claramente alguma coisa. São momentos em que a materialidade bruta da representação evoca sentidos e sensações; mas esses sentidos provêm dessa representação, eles não são representados por ela. (...) [Na minha opinião a tomada da queda da cachoeira é exatamente isso.]

E é neste tipo de procedimento - pesadas cortinas que por vezes se abrem e permitem breves vislumbres de maravilhamento - que A Árvore da Vida sai da vertigem extasiada de quem gira incessantemente em círculos, feito uma criança que se deleita com o torpor de seu próprio movimento, e passa a de fato girar em falso, espanando seus próprios encaixes, banalizando suas maiores conquistas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sobre querer controlar. Por Liane Alves/Vida Simples.

***

Vamos começar estabelecendo algumas diferenças que são fundamentais. Controle não é planejamento ou organização. Também não é perfeccionismo, ou ter responsabilidade e disciplina. Controlar de forma exacerbada significa se aferrar a tudo isso como garantia de que as coisas saiam exatamente do jeito que desejamos. Porque se não sair dessa maneira, ah, se não sair... A gente simplesmente enlouquece: morre de ódio por quem atravancou nosso caminho, inventa inimigos que nos perseguem e querem nos prejudicar a cada esquina e, pior ainda, se imagina como alguém traído pelo próprio universo. Querer controlar dessa maneira é pura e simplesmente obsessão.

Para o controlador contumaz, não há espaço para que as coisas se modifiquem e se arrumem à sua maneira. Nem lugar para a reflexibilidade diante da mudança repentina ou a criatividade para buscar novas soluções em vista dos cenários imprevistos que se apresentam. "Há uma rigidez intrínseca: o que não segue nossa cartilha está errado e não presta. Não conseguimos aceitar como adequado e até propício aquilo que não obedece ao que planejamos anteriormente", diz a psicoterapeuta Irene Cardotti.

"O controle vivenciado dessa maneira, rígida, férrea, está baseado apenas e tão-somente no desejo de manipular pessoas e situações em nosso próprio benefício", avalia Irene. Quando fazemos isso "coisificamos" gente de carne e osso e as transformamos em meros objetos. "Elas passam a ser instrumentos que utilizamos para atingir nossos objetivos. E deixam de ter importância como seres humanos que são, com seus sentimentos, opiniões ou sensibilidade", diz a terapeuta. Quando o caso é muito grave, inclusive, uma pessoa pode chegar ao limite da psicopatia. "O psicopata olha a vida como um jogo de xadrez, e as pessoas, como peças. Tudo é muito frio, calculado. Ele não se importa em mentir, humilhar ou enganar para conseguir o que quer." (...)

Duas emoções básicas movem o comportamento humano: o medo da dor e o prazer. E elas também alicerçam o nosso desejo de controlar. "Queremos manipular por medo de que as coisas fujam do nosso controle e nos causem sofrimento. É medo da dor, insegurança. O que não percebemos é que esse desejo nos aflige tanto ou mais do que o sofrimento que teríamos se deixássemos as coisas tomarem seu próprio rumo", diz Irene Cardotti.

Isto é, o controle exacerbado pode estar ancorado no medo. Mas não só. Desde os primórdios da psicanálise, seu criador, Sigmund Freud, afirmava que o controle também tinha a ver com o prazer quase erótico em exercer poder. E alguém que domina e controla uma situação pode obter muita satisfação com isso. O poder também dá uma sensação de segurança, que distancia a pessoa do medo de experimentar dor.

A questão é que essa sensação que nos alivia se baseia numa formidável ilusão: a de que realmente conseguimos controlar a vida. Feliz ou infelizmente, porém, a existência se revela bem mais indomável e resistente do que podemos imaginar. (...)

"Devemos identificar e agradecer a sorte que temos e reconhecer os eventos aleatórios que contribuem para o nosso sucesso", diz o professor e matemático norte-americano Leonard Mlodinow, que escreveu um livro, O Andar do Bêbado, onde analisa algumas das possíveis leis pouco conhecidas que atuam na nossa vida, como a da aleatoriedade. Ele diz, por exemplo, que o acaso tem um importantíssimo papel em nossa existência. E que é falta de bom senso querer eliminá-lo.

Se enrijecemos no controle, se engessamos a existência na maneira como achamos que as coisas devem acontecer, diminuímos as chances da aleatoriedade, ou o acaso, se manifestar - uma perda verdadeiramente lastimável, de acordo com Mlodinow. (...)

Verdade. Outra lei que é a maior casca de banana em nossos desejos de manipulação é a polêmica Lei de Murphy. Pode anotar no seu caderninho: quando o controle é excessivo, o tiro sai pela culatra.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O nome é cáseo. Cáseo. Aquele grão de ambrosia que se cria na garganta e fede que nem merda.
Não é só no Brasil (em Minas Gerais foi proibida a exibição do 'A serbian film').



Na Inglaterra, 'The human centipede II (full sequence)' foi banido depois que a British Board of Film Classification (BBFC) recusou-se a classificar o filme, produzido na própria Grã-Bretanha. O realizador holandês Tom Six mostrou-se indignado com isso e com o fato de terem estragado algumas surpresas do filme.

"Queria agradecer à BBFC por colocar 'spoilers' do meu filme no seu website. E por banirem o meu filme desta forma excepcional. Aparentemente foi um filme de terror horroroso... Mas os bons filmes de terror não devem ser supostamente horrorosos? Minha gente, é a porra de um filme! É tudo ficção. Não é real. É tudo fingimento. É arte. Deixem as pessoas escolher se querem ver ou não. Se não quiserem ver ou não gostaram, não são obrigadas a ver. Mas se gostarem, deveriam ter o direito de poderem vê-lo na Inglaterra."

O filme não poderá ser visto ou adquirido em nenhum formato no Reino Unido. Isto porque lá não existe a política do 'Unrated' que existe nos EUA, que permite que filmes banidos possam ser distribuidos em circuitos específicos e com a advertência que não são aprovados pelo governo.

(Artigo retirado do site www.c7nema.net)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Foi executada com 15 tiros o verdadeiro Capitão Nascimento.



A juíza Patrícia Lourival Acioli (47), da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ), foi morta com vários tiros no final da noite de quinta-feira (11) em Piratininga, no município de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O crime aconteceu quando ela se aproximava da entrada do condomínio onde morava, no bairro Timbau.

Patrícia dirigia seu Fiat Idea quando foi surpreendida por homens utilizando toucas ninja que estavam em duas motos e dois carros. Foram feitos pelo menos 15 disparos de pistolas calibres 40 e 45 contra a vítima, que morreu no local.

Em algumas decisões da juíza, está a prisão de policiais militares de São Gonçalo, município da Região Metropolitana fluminense, que sequestravam traficantes e, mesmo depois de matá-los, entravam em contato com familiares e comparsas exigindo dinheiro para soltura. Patrícia também decretou a prisão preventiva de PMs acusados de forjar confrontos com bandidos, mortos durante a abordagem.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A imprensa armando, incentivando ou apenas revelando mais uma rejeição da torcida do Inter ao técnico mais cogitado pela imprensa (agora o Paulo Autuori), que por sua vez se baseia nas declarações evasivas dos dirigentes do clube.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Às vésperas do módulo 3, aqui em Porto Alegre, do workshop de Processo Criativo do Charles Watson, uma homenagem do acaso: deparei-me aqui na Justiça do Trabalho com um registro provavelmente equivocado da empresa Ferramentas Gerais (Charles, escocês, fala "ferramentos").


domingo, 7 de agosto de 2011

O tempo não pode estar passando cada vez mais rápido, porque o tempo não passa, porque não existe esse tempo. O que existe é uma medição artificial, tomando emprestada a dimensão do espaço, pra dizer se é maior ou menor, numa espécie de régua, a distância entre agora e um agora que já não é mais.

sábado, 6 de agosto de 2011

"À proporção que se torna mais eficiente no emprego das palavras vai-se a criança, a pouco e pouco, distanciando gradativamente do reino da magia primitiva e do Eros feminino para ingressar no mundo civilizado da ordem masculina e do Logos, que é o domínio do Imperador. Tendemos a pensar nas palavras principalmente como instrumentos para nos comunicarmos uns com os outros; mas precisamos delas, primeiro que tudo, para comunicar-nos conosco. A partir da primeira infância, as palavras são a chave principal do autoconhecimento e do crescimento intelectual. Precisamos delas para pensar - para selecionar as imagens e eventos caóticos do mundo que nos cerca e estabelecer nossa própria identidade em relação a eles. Sem o dom da língua seríamos semelhantes a animais selvagens, presos para sempre num estado de participation mystique com tudo o que nos rodeia." (Sallie Nichols)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sincronicidade - Termo cunhado por Carl Gustav Jung para sua teoria de que tudo no universo estava interligado por um tipo de vibração, e que duas dimensões (física e não física) estavam em algum tipo de sincronia, que fazia certos eventos isolados parecerem repetidos, em perspectivas diferentes. Tal idéia desenvolveu-se primeiramente em conversas com Albert Einstein, quando ele estava começando a desenvolver a Teoria da Relatividade. Einstein levou a idéia adiante no campo físico, e Jung, no psíquico.

A sincronicidade é definida como uma coincidência significativa entre eventos psíquicos e físicos. Um sonho de um avião despencando das alturas reflete-se na manhã seguinte numa notícia dada pelo rádio. Não existe qualquer conexão causal conhecida entre o sonho e a queda do avião. Jung postula que tais coincidências apóiam-se em organizadores que geram, por um lado, imagens psíquicas e, por outro lado, eventos físicos. As duas coisas ocorrem aproximadamente ao mesmo tempo, e a ligação entre elas não é causal.

Antecipando-se aos críticos, Jung escreve: "O ceticismo... deveria ter por objeto unicamente as teorias incorretas, e não assestar suas baterias contra fatos comprovadamente certos. Só um observador preconceituoso seria capaz de negá-lo. A resistência contra o reconhecimento de tais fatos provém principalmente da repugnância que as pessoas sentem em admitir uma suposta capacidade sobrenatural inerente à psique".


Letícia Capriotti: Ao longo de sua obra, Jung deu várias definições ao conceito de sincronicidade. Aqui estão algumas delas:

> “... coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo.” (CW VIII, par.849)

> “... a simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos de um estado subjetivo momentâneo e, em certas circunstâncias, também vice-versa.” (CW VIII, par. 850)

> “Um conteúdo inesperado, que está ligado direta ou indiretamente a um acontecimento objetivo exterior, coincide com um estado psíquico ordinário.” (CW VIII, par. 855)

> “...um só e o mesmo significado (transcendente) pode manifestar-se simultaneamente na psique humana e na ordem de um acontecimento externo e independente.” (CW VIII, par.905)

> “um caso especial de organização acausal geral.” (CW VIII, par.955)

> “coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos.” (CW VIII, par. 959)

> “uma peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como os estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores.” (I Ching, p.17)

> “o princípio da causalidade nos afirma que a conexão entre a causa e o efeito é uma conexão necessária. O princípio da sincronicidade nos afirma que os termos de uma coincidência significativa são ligados pela simultaneidade e pelo significado”. (CW VIII, par. 906)
Casa de Francisca Pequeño Café Teatro



[30 MELHORES DISCOS DO ANO até agora]

01. Amiina - Animamiina
02. Low - C'mon
03. Josh T. Pearson - Lost of the country gentleman
04. Tapes 'N Tapes - Outside
05. Thao and Mirah - Thao and Mirah
06. Wye Oak - Civilian
07. Alva Noto & Ryuichi Sakamoto - Summvs
08. I†† - The star ruby
09. Eleanor Friedberger - Last summer
10. Ladytron - Best of 00-10
11. Lady Gaga - Born this way
12. TV On The Radio - Nine types of light
13. Uh Huh Her - Black and blue
14. The Caretaker - An empty bliss beyond this world
15. Sophie Ellis-Bextor - Make a scene
16. Jessica Lea Mayfield - Tell me
17. Taake - Kveld
18. Braids - Native speaker
19. Tape Deck Mountain - Secret serf EP
20. Krallice - Diotima
21. Helado Negro - Canta lechuza
22. Architecture In Helsinki - Moment bends
23. Tape - Revelationes
24. Conquering Animal Sound - Kammerspiel
25. The Ghost Of A Saber Tooth Tiger - Acoustic sessions
26. Bachelorette - Bachelorette
27. Biosphere - N-plants
28. Cults - Cults
29. Art Brut - Brilliant! tragic!
30. Little Dragon - Ritual union

quinta-feira, 4 de agosto de 2011



André Dahmer
O paradoxo de Amy Winehouse
(Contardo Calligaris)


Stéphanie, minha enteada, tem 11 anos: ainda é menina, mas é já moça. Assim que foi informada da morte de Amy Winehouse, ela veio até minha escrivaninha e, simulando o choro inconsolável de um nenê, perguntou: "Você está sabendo que morreu minha cantora preferida?".

Justamente por ela simular o choro e se esforçar para ser engraçada, pensei que devia estar sofrendo muito. A coisa se confirmou no meio da noite, quando Stéphanie acordou, e, para que reencontrasse o sono, foi preciso que alguém conversasse com ela sobre a vida e a morte de Amy.

Teria gostado de poder oferecer a Stéphanie uma boa explicação pela dureza da vida e da morte de sua cantora preferida -por exemplo, dizer que Amy teve uma infância muito triste, que nada em sua vida adulta pôde compensar; ou, então, que ela teve sorte na vida profissional, mas não no amor, e se perdeu nas drogas e no álcool por desesperos sentimentais. Mas o que sei da infância e dos amores de Amy é só fofoca.

Sem mentir nem inventar, melhor deixar Stéphanie lidar com este enigma: alguém pode ter um extraordinário talento, gostar de exercê-lo, alcançar sucesso e reconhecimento, amar e ser amado por um ou mais parceiros e, mesmo assim, esbarrar num vazio que nada consegue preencher.

Stéphanie também tinha lido sobre a maldição dos 27 anos, que, antes de Amy, teria pego Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain etc. Como é normal na sua idade, ela parecia sensível à "glória" de morrer jovem (ou talvez de não viver até se tornar tão chato quanto os adultos).

Foi fácil desvalorizar a morte precoce mostrando que ela é, justamente, um ideal muito antigo: o rock apenas retomou o lugar comum romântico do poeta que vive tão intensamente que, como Ícaro, queima suas asas e cai antes da hora, em pleno voo. Em suma, eu não tenho nada contra viver intensamente; ao contrário, artista ou não, acho que a gente deve viver da maneira mais intensa que der. Mas resta o seguinte: a ideia de que viver intensamente consistiria, por exemplo, em encher a cara de absinto ou ópio é velha de 200 anos.

Agora, há uma coisa que pensei e que não disse a Stéphanie: no fundo, para mim, a história de Amy tem um valor pedagógico, não só (obviamente) como exemplo dissuasivo ("Olhe o que pode lhe acontecer se você beber ou se drogar"), mas também como exemplo "positivo".

Como assim, positivo???

Concordo, a morte de Amy é um horror e uma estupidez, mas também lembra que viver é uma coisa séria, com apostas e riscos sérios, a começar pelo risco de perder a própria vida antes da hora. Você dirá: "Alguém duvida disso?". Pois é, constato que há um monte de gente tentando convencer nossas crianças de que a vida é feita de gritinhos, compras e namoricos que só servem para trocar trivialidades online com amigos e amigas.

Até a morte de Amy, eu pensava que o cantor preferido de Stéphanie fosse Justin Bieber. Ora, é possível que Bieber seja uma espécie de Dorian Gray (uma cara de porcelana que esconde dramas e anseios humanos), mas o fato é que ele promove uma imagem de bom moço num mundo intoleravelmente cor-de-rosa.

"E daí?", dirão alguns pais, "não seria esse o adolescente ideal com quem deveríamos gostar que nossas filhas saíssem, em sua primeira ida ao cinema sozinhas com um garoto?". E acrescentarão: "Você quer o quê, que sua enteada seja parecida com Justin Bieber ou com Amy Winehouse?".

Claro, é um golpe baixo: ninguém quer que sua filha acabe como Amy. Mas devolvo a pergunta: será que Justin Bieber é mesmo melhor? Stéphanie será mais protegida se ela permanecer numa pré-adolescência à la fã de Justin Bieber. Mas protegida de quê, se não da própria vida? Entre imaginá-la errando para sempre num corredor de shopping e imaginá-la numa balada que pode acabar na sarjeta à la Amy, a escolha não é fácil. E, na comparação, Amy passa a simbolizar minha esperança (e meu receio, indissociavelmente) de que Stéphanie cresça e se torne mulher, com desejos próprios, fortes.

É o paradoxo de Amy: o que você prefere, uma filha que se perca tragicamente nos excessos do desejo ou uma filha que chegue à vida adulta sem ter conhecido outros desejos senão os que surgem nas conversas sobre marcas de mochilas e sapatos?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

"Kirsten e Charlotte querem fazer um filme realmente hardcore. Daí eu disse para elas 'mas então vamos fazer muitos diálogos entre as cenas de sexo, tem que ter bastante diálogo', e elas responderam 'dane-se o diálogo, a gente quer sabe é de sexo desconfortável'. 'The nymphomaniac' é uma discussão da própria palavra 'ninfomaníaca'. É sobre a evolução erótica de uma mulher da idade de 12 anos aos 50. É algo como o trabalho do Marquês de Sade, parcialmente sexual e parcialmente intelectual. Se vai ser um pornô? Como eu sou um rebelde cultural, não posso fazer um filme com camisinhas. Então vai ter que ser um softcore mesmo." (Lars Von Trier)