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quinta-feira, 28 de março de 2013

Há 20 anos, em 1993:

  • Meus pais eram casados.
  • Eles tinham dois Monza SL/E prata, placas CV 1688 (álcool 1.8) e CV 2588 (gasolina 1.6).
  • Tínhamos uma beagle e dois rottweilers.
  • Tínhamos uma casa em Jardim Atlântico.
  • Eu não tinha banda favorita.
  • Morávamos em Parobé.
  • Eu ainda usava óculos por estrabismo.
  • Eu tinha como instrumentos musicais apenas dois violões, um de criança e um Di Giorgio.
  • Tinha antena parabólica na nossa casa.
  • Eu tinha um computador CP 500 com Basic.
  • Eu não conhecia Pink Floyd, Monty Python, Nietzsche, David Lynch.
  • O Alfredo Aveline era meu professor de Física em Taquara.
  • Eu nunca tinha visto um telefone celular.

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Cientes que a vida está disponível apenas no momento presente, estamos comprometidos a treinar a nós mesmos para viver profundamente cada momento da vida diária. Tentarmos não nos perder na dispersão ou ser carregados por arrependimentos do passado, preocupações sobre o futuro, vicios, raiva ou inveja no presente. Praticaremos a respiração consciente para estarmos conscientes do que está acontecendo aqui e agora." (Thich Nhât Hanh)
Fortunati, o bonecão de Olinda.
“O nosso acesso ao nosso 'eu' é, a um grau modesto, determinado pelos lugares onde estamos, pela cor dos tijolos, a altura dos tetos e o traçado das ruas. Num quarto de hotel estrangulado por três vias expressas ou numa área devastada com prédios enormes e mal conservados, nosso otimismo e propósito tendem a se exaurir, como água num vaso furado. Começamos a esquecer que um dia tivemos ambições ou motivos para nos sentir animados e cheios de esperança.” (Alain de Botton)
Clique aqui se você gosta de imagens perturbadoras.
"A moçadinha que tem cabeça aberta só gosta de discutir coisa que não põe em risco sua imagem de gente bacana. Falar mal de machista, racista, sexista, católico e evangélico é coisa de iniciante no ramo de discussões de verdade." (Luiz Felipe Pondé)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Clarice Falcão - De todos os loucos


TPM - Você escreve, atua e canta. Tem alguma preferência por um dos três?

Tenho uma relação muita específica com cada um. Escrever é o mais fácil. Eu me sinto mais confortável, é o que eu domino mais. Cantar e compor músicas são coisas sobre as quais  eu me orgulho mais. Faço uma música nova e fico toda animada, quero logo mostrar para todo mundo. Atuar é o mais difícil e misterioso pra mim e por isso eu me interesso muito. Quero aprender e melhorar. Não sei o que eu gosto mais! Tenho me dedicado mais à música. Mas cada hora eu gosto de uma coisa. É terrível! (risos)

Então pretende seguir com as três coisas?

Por enquanto sim! Se por acaso eu decidir que só é uma coisa, foi! Mas por enquanto eu faço esse malabarismo.


Por que será que ESTE vídeo NÃO está na página da TVCom?

quarta-feira, 20 de março de 2013

"A 'humanidade', na sua capacidade frágil de não ser bicho malvado, foi tirada das pedras, à custa de muito sangue. Sempre bebemos o sangue dos outros no café da manhã." (Luiz Felipe Pondé)



Bárbaros em cena Bárbara Eugênia


Capas lindas 2013: Marnie Stern - Chronicles of Marnia

terça-feira, 19 de março de 2013

Trabalho bonito do amigo Ramon Antoniazzi: melhor banda gaúcha residente no Rio Grande do Sul em atividade: The Trial, tocando Cocteau Twins:


Know Who You Are At Every Age - The TRIAL from The Trial on Vimeo.
The Fountain / Fonte da Vida: "Em vez de usar CGI, Darren Aronofsky optou por fazer os efeitos especiais do filme usando micro-fotografia de reações químicas em pequenos pratos de petri. Ele disse que o CGI levaria longe a intemporalidade do filme e que ele queria que o filme resistisse ao teste do tempo."

domingo, 17 de março de 2013

Foto: Diego Guichard
O super-herói real do Internacional.
"São Paulo é uma cidade doente. Uma cidade onde cenas como essa são corriqueiras. Onde as pessoas começam as conversas falando da 'correria'. Onde se vive uma grande ilusão coletiva de auto-importância, onde o agora não basta, é tudo para ontem, todo mundo é importante e precisa resolver alguma coisa com urgência. Estamos todos doentes. Deliramos, ao dar aos nossos problemas uma proporção maior que a vida humana. Ao acharmos que um carro é um sinal de status, mobilidade, proteção e poder – tal qual os cavaleiros medievais pensavam de seus cavalos." (Fábio Yabu)
Tessa Ia (que não é Tessália faltando o L), atriz que faz a Alejandra, em Después de Lucía. O filme franco-mexicano ganhou o prêmio Un Certain Regard, em Cannes 2012, e realmente é muito bom.

sábado, 16 de março de 2013

"O Buda disse muitas vezes que não devemos ser apegados nem mesmo a pé da árvore onde gostamos de sentar e dormir. Devemos ser capazes de sentar e dormir ao pé de qualquer árvore. Nossa felicidade não deve depender de ter esse ponto particular. Devemos estar prontos para soltar. Se praticarmos e formos capazes de soltar, poderemos ser livres e felizes agora, hoje. Se não pudermos deixar ir, vamos sofrer não apenas no dia em que finalmente estivermos obrigados a fazê-lo, mas agora, hoje e todos os dias no meio, porque o medo estará constantemente nos perseguindo." (Thich Nhât Hanh)
Luciana Paludo dançando no mundo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Antony Gormley


Esther Perel: O segredo do desejo em um relacionamento duradouro



Então, por que o bom sexo geralmente desaparece, mesmo em casais que continuam a se amar tanto? E por que uma boa intimidade não é garantia de um bom sexo, ao contrário do que a maioria acredita? Ou a próxima pergunta seria podemos querer o que já temos? É uma pergunta difícil, não? E por que o proibido é tão erótico? O que tem a transgressão que torna o desejo tão potente? E por que o sexo faz bebês, e bebês significam um desastre erótico para os casais? É um golpe mortal no erotismo, não é? E quando se ama, como é o sentimento? E quando se deseja, qual é a diferença?

Essas são algumas perguntas que estão no centro da minha exploração sobre a natureza do desejo erótico e seus constantes dilemas no amor moderno. Eu viajo pelo mundo, e o que noto é que em todo lugar onde o romantismo entrou, parece existir uma crise do desejo. Uma crise do desejo, de já se possuir o que se quer - desejo como uma expressão da nossa individualidade, nossa escolha, preferências, identidade - desejo que se tornou um conceito central como parte do amor moderno e de sociedades individualistas.

Bem, esta é a primeira vez na história da humanidade que tentamos experienciar a sexualidade por um longo período, não porque queiramos 14 filhos, para isso precisamos ter ainda mais porque muitos deles não sobreviverão, e não porque é exclusivamente um dever conjugal da mulher. Esta é a primeira vez que queremos sexo que ao passar do tempo ainda tenha prazer e conexão baseados no desejo.

O que mantém o desejo, e por que é tão difícil? No centro da sustentação do desejo em um relacionamento de longo prazo, penso que esteja a conciliação de duas necessidades humanas fundamentais. De um lado, nossa necessidade de segurança, previsibilidade, proteção, dependência, confiança, permanência, todas essas experiências fundamentadas das nossas vidas que chamamos de lar. Porém temos também uma necessidade igualmente forte, homens e mulheres, por aventura, novidade, mistério, risco, perigo, o desconhecido, o inesperado, surpresa - já entenderam - por viagens. Conciliar nossa necessidade por segurança com a nossa necessidade por aventura em um relacionamento, ou o que chamamos hoje de um casamento apaixonante, costumava ser uma contradição. Matrimônio era uma instituição econômica em que havia uma parceria por toda vida em relação aos filhos, "status" social, sucessão e companhia. Hoje em dia queremos que nosso parceiro continue a nos dar tudo isso, e além disso quero que seja meu melhor amigo e meu confidente, meu amante apaixonado, e vivemos o dobro do tempo. (Risos) Então nós basicamente pedimos a uma pessoa que nos dê o que antes um vilarejo inteiro nos fornecia. Dê-me merecimento, identidade, continuidade, mas também transcedência e mistério e admiração, tudo junto. Dê-me conforto, limite. Dê-me novidade, familiaridade. Dê-me previsibilidade, surpresa. E achamos que acordos, brinquedos e lingerie irão nos salvar. (Aplausos)

Agora chegamos a realidade existencial da história, certo? Porque acho que, por um lado - e vou voltar a isso - a crise do desejo é geralmente uma crise da imaginação.

Então, por que o bom sexo geralmente desaparece? Qual a relação entre amor e desejo? Como se relacionam e como se chocam? Porque aí mora o mistério do erotismo.

Para mim, se há um verbo que vem junto com amor é o "ter". E um verbo que vem junto com desejo é o "querer". No amor, nós queremos ter, queremos conhecer o amado. Queremos minimizar a distância. Queremos diminuir o espaço. Queremos neutralizar as tensões. Queremos proximidade. Mas no desejo, temos a tendência de não querer voltar aos lugares em que já estivemos. Conclusões precipitadas não mantêm nosso interesse. No desejo, queremos um Outro, alguém do outro lado que podemos visitar, que podemos passar um tempo juntos, que podemos ir para saber o que está acontecendo na "praia" dele. No desejo, queremos uma ponte para atravessar. Ou seja, Eu algumas vezes digo que o fogo precisa do ar. O desejo precisa de espaço. Dizendo assim, soa quase sempre abstrato.

Fiquei com essa questão na cabeça e fui a mais de 20 países nos últimos anos com "Sexo em Cativeiro", e perguntei às pessoas, quando você sente mais atração pelo seu parceiro? Não sexualmente atraído, mas atraído em geral. Independente da cultura, religião e gênero, exceto por um, apresentam algumas respostas semelhantes.

O primeiro grupo é : sinto mais atração pelo meu parceiro quando estamos longe, separados e nos reencontramos. Em suma, quando eu volto a ter contato com a minha habilidade de imaginar-me com meu parceiro, quando minha imaginação começa a visualizar, e quando posso juntar a isso ausência e saudade, que é o maior componente do desejo. Mas o segundo grupo é ainda mais interessante: Eu me sinto mais atraida pelo meu parceiro quando o vejo no estúdio, no palco, quando ele está em seu mundo, ou faz algo pelo qual é apaixonado, quando o vejo numa festa e outras pessoas se sentem atraídas por ele, quando é o centro das atenções. Em suma, quando olho para o meu parceiro sendo radiante e confiante, é provavelmente o maior estímulo de todos. Radiante, como em autossustentável. Eu olho para essa pessoa, a propósito, no desejo as pessoas raramente falam disso, quando estão grudados, cinco centímetros um do outro. Mas também não falam sobre quando a outra pessoa está longe que você não pode vê-la mais. Quando olho para meu parceiro a uma distância confortável, em que essa pessoa é tão familiar, tão conhecida, é por um momento novamente um tanto misteriosa, um tanto elusiva. E nesse espaço entre eu e o outro, encontra-se o impulso erótico, encontra-se o movimento em direção ao outro. Porque algumas vezes, como disse Proust, "a verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em possuir novos olhos". Quando vejo meu parceiro por si mesmo, envolvendo-se em algo, olho para essa pessoa e por um momento tenho uma mudança de percepção, e fico aberta para mistérios que ainda vivem em mim.

E o mais importante na descrição sobre o outro ou sobre si mesmo - é a mesma coisa- o que mais interessa é que não há carência no desejo. Ninguém precisa de ninguém. Não há zelo no desejo. Zelo é amar grandiosamente. É um anti-afrodisíaco poderoso. Eu ainda quero encontrar uma pessoa que esteja excitada por alguém que precisa dela. Desejá-la é uma coisa. Precisar dele é desestimulante, e as mulheres sabem disso há muito tempo, porque qualquer semelhança com algo paternal provavelmente diminuirá a carga erótica. Por boas razões, certo?

E o terceiro grupo de respostas seria quando estou surpreso, rimos junto, ou como disse para mim hoje, quando ele veste smoking, e eu disse, tanto faz smoking ou botas de cowboy. Basicamente quando há alguma novidade. Novidade não tem a ver com novas posições. Não é um repertório de técnicas. Novidade é, quais partes suas você valoriza? Que partes suas são vistas? Porque de algum modo alguém pode dizer que sexo não é algo que você faz, hein? Sexo é um lugar para onde você vai. É um espaço que você entra dentro de você e com o outro, ou outros. Aonde você vai no sexo? Que partes suas você se conecta? O que você deseja expressar? É um lugar de transcendência e união espiritual? É um lugar para travessuras ou um lugar para agressividade segura? É um lugar onde você pode finalmente se render e não ter responsabilidade de nada? É um lugar onde você pode se expressar seus desejos infantis? O que isso revela? É uma linguagem. Não é apenas um comportamento. É pela linguagem poética que me interesso e foi por isso que comecei a explorar o conceito de inteligência erótica.

Vocês sabem, os animais fazem sexo. É o ponto central, é biologia, é o instinto natural. Somos os únicos que têm uma vida erótica, o que significa que a sexualidade foi transformada pela imaginação humana. Somos os únicos que podem fazer amor por horas, ter momentos de pura alegria, orgasmos mútiplos, e sem tocar em ninguém, apenas com a imaginação. Nós podemos insinuar. Não precisamos fazer. Podemos experimentar algo poderoso chamado antecipação, que é a cereja do bolo do desejo, a habilidade de imaginar como se estivesse acontecendo, experimentar como se estivesse acontecendo, quando nada está acontecendo e tudo está acontecendo ao mesmo tempo. Quando penso em erotismo, penso em um sexo poético, e se o vejo como uma inteligência, então é algo que você cultiva. Quais são os ingredientes? Imaginação, jovialidade, novidade, curiosidade, mistério. Mas o agente central é aquela peça chamada imaginação.

O mais importante para que eu entenda quem são os casais que possuem uma faísca erótica, que sustenta o desejo, tive que voltar à definição original de erotismo, a definição mística, e eu tomei uma derivação, vendo realmente o trauma, que é o outro lado, e eu o vi ao ohar para a comunidade onde cresci, que era uma comunidade na Bélgica, todos sobreviventes do Holocausto, e na minha comunidade haviam dois grupos: aqueles que não morreram e aqueles que retornaram à vida. Aqueles que não morreram, viveram muito amarrados ao chão, não conseguiam experimentar prazer, confiança, porque quando você é vigilante, preocupado, angustiado, e inseguro, você não consegue erguer a cabeça e se soltar, ser brincalhão, seguro e criativo. Aqueles que retornaram à vida vêem o erótico como um antídoto para a morte. Eles sabem se manter vivos. Quando comecei a escutar sobre a falta de sexo em casais com quem trabalhei, eu os ouvia dizer, "quero mais sexo", mas geralmente as pessoas querem um sexo melhor e melhor quer dizer reconectar com a qualidade de estar vivo, de vibração, renovação, vitalidade, Eros, energia que o sexo costuma dá-los ou que eles esperam que seja dado.

Então comecei a fazer uma pergunta diferente. "Eu me fecho quando" - assim começava a pergunta. "Eu abafo meus desejos quando.." que não é a mesma pergunta que "o que me desestimula.."e "você me desestimula quando.." As pessoas diziam, "eu me fecho quando eu me sinto morto por dentro, quando não gosto do meu corpo, quando me sinto velho, quando não tenho tempo para mim, quando não tenho a chance de saber como você está, quando não me saio bem no trabalho, quando minha auto estima está baixa, quando não me dou valor, quando não sinto que tenho o direito de querer, de dar, e receber prazer."

Então comecei a fazer a pergunta ao contrário. "Eu me fecho quando..." Porque geralmente as pessoas gostam de perguntar, "você me excita, o que me excita', e eu fugi da questão, entendem? Bem, se você está morto por dentro, a outra pessoa pode fazer tudo no dia dos namorados. Não vai causar efeito algum. Não há ninguém lá para responder. (Risos) Eu me excito quando, quando me conecto com meus desejos, eu acordo quando...

Neste paradoxo entre amor e desejo, o que parece ser desconcertante é que os ingredientes que nutrem o amor - interdependência, reciprocidade, proteção, preocupação, responsabilidade pelo outro - são os mesmos que podem sufocar o desejo. Porque o desejo vem com uma série de sentimentos que nem sempre são os favoritos do amor: ciúmes, possessividade, agressão, poder, domínio, safadeza, ofensa. Basicamente muitos de nós se excitam a noite pelas mesmas coisas que se manifestam contrários durante o dia. Bem, a mente erótica não é muito politicamente correta. Se todos tivessem fantasias em uma cama coberta de rosas, não teríamos essa conversa. Mas não, em nossa mente existe uma série de coisas acontecendo que nem sempre damos conta como dizer a pessoa que amamos, porque achamo que amor vem com abnegação e na verdade o desejo vem com uma dose de egoísmo no melhor sentido da palavra: a habilidade de estar conectado consigo mesmo na presença do outro.

Quero formar uma imagem para vocês, porque esta necessidade de reconciliação esses dois conjuntos de necessidadas, vem do nosso nascimento. Nossa necessidade de conexão, nossa necessidade de separação, nossa necessidade de segurança e aventura, ou nossa necessidade de estar juntos e de autonomia, e se pensar na criança que senta no seu colo e que está aconchegada, segura e confortáavel, e num certo momento precisa sair pelo mundo para fazer descobertas e explorar. Aí está o começo do desejo, essa exploração precisa de curiosidade, descoberta. Em algum momento elas viram e olham para você, e se você disser a elas, "ei querido, o mundo é um lugar bem legal. Vai nessa. Divirta-se por aí," então eles podem ir e experimentar a conexão e a separação ao mesmo tempo. Eles podem partir em sua imaginação, em seu corpo, em sua travessura, e sabendo que há alguém quando eles voltarem.

Mas se desse lado tem alguém que diz, "Estou preocupado. Estou angustiado. Estou com depressão. Faz tempo que meu parceiro não cuida de mim. O que está acontecendo? Não temos tudo que precisamos juntos, você e eu?" e daí surgem alguma reações que todos nós reconhecemos. Alguns retornam, depois de um longo tempo, e a criança que volta é aquela que renuncia uma parte de si para que não perca o outro. Perco minha liberdade para não perder a conexão. Vou aprender a amar de um modo sobrecarregado de preocupação extra e responsabilidade e proteção extras, e não sei como vou deixá-lo a fim de sair para jogar, experimentar o prazer, descobrir, entrar dentro de mim mesmo. Traduzindo isso para uma linguagem adulta. Começa-se bem jovem. Continua por nossas vidas sexuais até o fim. Criança número 2 volta mas fica vigiando o tempo todo. "Você estará aqui? Você vai me xingar? Vai me repreender? Vai ficar bravo comigo?" Eles podem ter ido embora, mas nunca estão longe, e essas pessoas geralmente dirão a você, que no começo foi tudo muito quente. Porque no começo, a intimidade que crescia ainda não era tão forte, e na verdade levou a um declínio do desejo. Quanto mais conecto eu fico, mais responsável eu me sinto, menos me solto em sua presença. A terceira criança não retorna.

O que acontece se você quer sustentar o desejo, aí está a verdadeira peça dialética. Por um lado você quer segurança para ir. Por outro lado você não pode ir, não tem prazer, você não consegue atingir, não tem orgasmo, você não fica excitado porque perde seu tempo no corpo e na cabeça do outro e não consigo mesmo.

Neste dilema sobre reconciliação nesses dois conjuntos de necessidades fundamentais, existem algumas coisas que percebi nos casais eróticos. Primeiro, eles têm muita privacidade sexual. Eles entendem que existe um espaço erótico que pertence a cada um deles. Eles também entendem que as preliminares não começam apenas cinco minutos antes da relação sexual. As preliminares começam no fim do último orgasmo. Eles também entendem que o espaço erótico não é começar a acariciar o outro. É criar um espaço onde você deixa de lado a Gestão Ltda, você deixa de lado o trabalho, (Risos) e você entra naquele espaço em que você para de ser o bom cidadão que cuida de tudo e é responsável. Responsabilidade e desejo são idiotas. Eles não se dão bem. Os casais eróticos entendem que a paixão vai e volta. Como a lua. Tem eclipses de vez em quando. Eles sabem que conseguem ressuscitá-la. Eles sabem como trazê-la de volta, e sabem como trazê-la de volta porque eles desmistificaram o grande mito, que é o mito da espontaneidade, aquele que vai cair do céu enquanto você limpa a casa assim inesperadamente, e eles entendem bem que o que tiver que acontecer em uma relação duradoura, ela já a tem.

Sexo comprometido é sexo premeditado. É determinado. É intencional É foco e é presença.
Quantos de nós ousamos?




Em Oxford, na década de 50, havia uma médica fantástica, muito notável, chamada Alice Stewart. E Alice era notável em parte porque, claro, era mulher, o que era muito raro nos anos 50. E era brilhante, na época era uma das colegas mais jovens a ser escolhida para a Faculdade Real dos Médicos. Ela também era notável porque continuou a trabalhar depois de ter se casado, depois de ter tido filhos. e até mesmo depois de ter se divorciado e ser mãe solteira, continuou seu trabalho na medicina.

E era notável porque se interessava muito por uma ciência nova, o campo emergente da epidemiologia, o estudo de padrões na doença. Mas como todo cientista, ela reconhecia que para deixar sua marca, o que precisava fazer era encontrar um problema difícil e resolvê-lo. O problema difícil que Alice escolheu foi a incidência crescente de câncer infantil. Muitas doenças têm relação com a pobreza, mas no caso do câncer infantil, as crianças que estavam morrendo pareciam proceder principalmente de famílias ricas. Então, o que ela queria saber poderia explicar essa anomalia.

Mas Alice tinha problemas para obter financiamento para sua pesquisa. Por fim, ela conseguiu apenas 1.000 libras do prêmio Memorial de Lady Tata. E isso significava que ela sabia que tinha apenas uma tentativa para coletar seus dados. Mas ela não tinha ideia do que procurar. Isto era, na verdade, como procurar agulha num palheiro, então ela perguntava tudo o que podia imaginar. As crianças tinham comido doces cozidos? Tinham consumido bebidas com corantes? Elas comiam peixe com batatas fritas? Elas tinham saneamento básico? Em que época tinham começado a ir à escola?

E quando seus questionários com cópia em carbono começaram a voltar, uma coisa e só uma coisa saltava à vista com uma clareza estatística com a qual muitos cientistas podem apenas sonhar. Numa relação de dois para um, as crianças que tinham morrido tiveram mães submetidas à raios-X enquanto grávidas. Mas essa descoberta afetou a sabedoria convencional. A sabedoria convencional sustentava que tudo era seguro até um certo ponto, um limite. Isso afetou a sabedoria convencional, que tinha grande entusiasmo pela nova e perfeita tecnologia daquela época, que era o aparelho de raios-X. E afetou a ideia que os médicos tinham de si mesmos, que era a de pessoas que ajudavam pacientes, e não os causavam nenhum mal.

Contudo, Alice Stewart correu para publicar suas descobertas preliminares no The Lancet em 1956. As pessoas ficaram muito entusiasmadas, havia rumores sobre o Prêmio Nobel e Alice estava mesmo com muita pressa de tentar estudar todos os casos de câncer infantil que ela podia encontrar antes que eles desaparecessem. Na verdade, ela não precisava ter corrido. 25 anos inteiros se passaram até que as autoridades britânicas, britânicas e americanas abandonassem a práica de submeter mulheres grávidas ao raio-X. Os dados estavam lá, estavam abertos, foram disponibilizados livremente, mas ninguém queria saber. Uma criança por semana estava morrendo, mas nada mudava. A abertura por si só não leva a mudanças.

Assim, por 25 anos Alice Stewart teve uma luta muito grande em suas mãos. E como ela sabia que estava certa? Bem, ela tinha um modelo fantástico para reflexão. Ela trabalhava com um estatístico chamado George Kneale, e George era certamente tudo o que Alice não era. Alice era muito extrovertida e sociável, e George era um solitário. Alice era muito calorosa, muito empática com seus pacientes, George preferia sinceramente números em vez de pessoas. Mas ele disse uma coisa fantástica sobre sua relação profissional. Ele disse, "Meu trabalho é provar que Dr. Stewart está errada." Ele procurava essa negação de forma efetiva. Formas diferentes de olhar para os modelos dela, suas estatísticas, formas diferentes de desmembrar os dados a fim de provar o seu erro. Ele via seu trabalho como a criação de conflitos em torno das teorias dela. Porque era só não sendo capaz de provar que ela estava errada, que George podia dar a Alice a confiança que ela precisava para saber que ela estava certa.

É um fantástico modelo de colaboração -- parceiros pensantes que não são câmaras de eco. Imagino quantos de nós temos, ou ousamos ter, tais colaboradores. Alice e George eram muito bons nos conflitos. Eles a viam como uma reflexão.

Então o que esse tipo de conflito construtivo precisa? Bem, em primeiro lugar, ele precisa que encontremos pessoas que são muito diferentes de nós mesmos. Isso significa que temos que resistir à força neurobiológica, que significa que temos preferência principalmente por pessoas iguas a nós mesmos, e isso significa que temos que buscar pessoas com conhecimentos diferentes, disciplinas diferentes, diferentes formas de pensar e experiência diferente, e encontrar maneiras de unir-se a elas. Isso exige muita paciência e muita energia.

E quanto mais eu penso nisso, mais eu acho, realmente, que isso é um tipo de amor. Porque você não vai simplesmente disponibilizar esse tipo de energia e tempo se você realmente não se importa. E isso também significa que temos que estar preparados para mudar de ideia. A filha de Alice me contou que toda vez que Alice ficava frente-a-frente com um colega cientista, ele a fazia pensar e pensar e pensar outra vez. "Minha mãe," ela disse, "Minha mãe não gostava de uma briga, mas era muito boa nisso."

Então, uma coisa é fazer isso numa relação um-a-um. Mas me ocorre que os maiores problemas que enfrentamos, muitos dos maiores desastres que enfrentamos, não surgem principalmente de indivíduos, eles surgem de organizações, algumas delas maiores que países, muitas delas capazes de afetar centenas, milhares, até mesmo milhões de vidas. Então como as organizações pensam? Bem, na maior parte das vezes, não o fazem. E isso não é por que não querem, é por que não podem mesmo. E não podem por que as pessoas que dentro delas têm medo demais de conflitos.

Em pesquisas com executivos europeus e americanos, 85 porcento deles admitiam que tinham questões ou preocupações no trabalho que tinham medo de levantar. Medo do conflito que aquilo poderia provocar, medo de enveredar por discussões com as quais não sabiam como administrar, e sentiam que estavam certos de perder. Oitenta e cinco porcento é um número grande mesmo. Significa que as organizações principalmente não podem fazer o que George e Alice fizeram de modo triunfante. Elas não podem pensar juntas. E isso significa que as pessoas como muitos de nós, que dirigem organizações, e saíram do caminho para tentar achar as melhores pessoas que podem, falham principalmente em conseguir o seu melhor.

Então como desenvolvemos as habilidades que precisamos? Porque também é preciso habilidade e prática. Se não iremos ter medo do conflito, temos que vê-lo como uma reflexão, e então temos que ficar muito bons nisso. Assim, recentemente eu trabalhei com um executivo chamado Joe, e Joe trabalhava para uma empresa de equipamentos médicos. E Joe estava muito preocupado com o aparelho com o qual estava trabalhando, Ele achava que ele era complicado demais e achava que sua complexidade criava margens de erro que podia machucar as pessoas. Ele tinha medo de prejudicar os pacientes que tentava ajudar. Mas quando ele olhou em torno de sua organização, ninguém mais parecia preocupado. Então, ele não quis falar nada. Afinal, talvez eles soubessem de algo que ele não sabia. Talvez ele parecesse tolo. Mas ele continuou se preocupando com aquilo, e se preocupava tanto que chegou ao ponto de pensar que a única coisa que poderia fazer era deixar o emprego que amava.

No final, Joe e eu achamos uma maneira de ele levantar suas questões. E o que aconteceu depois é o que quase sempre acontece nessa situação. Acabou que todos tinham exatamente as mesmas questões e dúvidas. Então Joe tinha aliados. Eles podiam pensar juntos. E sim, havia muito conflito e debate e discussão, mas isso permitia com que todos em volta da mesa fossem criativos, resolvessem o problema, e modificassem o aparelho.

Joe era o que muitos podiam imaginar ser um informante, exceto que, como quase todos os informantes, ele não era excêntrico de modo algum, ele era apaixonadamente devotado à organização e aos mais altos objetivos que aquela organização servia. Mas ele tinha tido tanto medo do conflito, que no final passou a ter mais medo do silêncio. E quando ele ousou falar, descobriu que havia muito mais dentro de si mesmo e muito mais para dar ao sistema do que ele jamais imaginara. E seus colegas não acham que ele é excêntrico. Eles acham que ele é um líder.

Assim, como temos essas conversas mais facilmente e mais frequentemente? Bem, a Universidade de Delft exige que seus doutorandos tenham que apresentar cinco declarações que estejam preparados para contestar. Não importa sobre o que são as declarações, o que importa é que os candidatos estejam querendo e sejam capazes de afrontar a autoridade. Acho que é um sistema fantástico, mas deixá-lo para os candidatos a doutoramento são muito poucas pessoas e tarde demais na vida. Acho que precisamos ensinar essas habilidades para crianças e adultos em todos os estágios de seu desenvolvimento, se quisermos ter organizações pensantes e uma sociedade pensante.

O fato é que a maioria das grandes catástrofes que temos testemunhado raramente vêm de informação secreta ou oculta. Vêm de informação que é disponibilizada livremente por aí afora, mas que evitamos encarar, porque não podemos enfrentar, não queremos enfrentar, o conflito que isso causa, Mas quando ousamos quebrar esse silêncio, ou quando ousamos enxergar, e criamos conflito, possibilitamos a nós e às pessoas à nossa volta fazer nossas maiores reflexões.

A informação aberta é ótima, redes abertas são essenciais. Mas a verdade não nos libertará até que tenhamos desenvolvido as habilidades e o hábito e o talento e a coragem moral para usá-la. A abertura não é o fim. É o começo.

"A condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação. A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. (...) Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando... Isso não ocorre com gente, mas com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo." (Mario Sergio Cortella)
"Feliciano parece não saber que uma porcentagem substancial de homossexuais não gosta de sexo anal, enquanto, inversamente, o sexo anal faz parte das fantasias e das práticas sexuais de muitos homens e mulheres heterossexuais. Isso, sem entrar no vasto capítulo das penetrações (fantasiadas ou reais, solitárias ou não) com objetos inanimados ou outras partes do corpo. (...) Mesmo assim, fico curioso. Será que, para o deputado Feliciano, as mãos foram feitas para carícias, solitárias ou não, recíprocas ou não? E como fica a boca? Sem pensar muito longe, será que ela foi feita para ser invadida pela língua do parceiro ou da parceira? (...) Imaginemos que eu faça parte de um culto satânico que só permite atos sexuais que desprezem a finalidade reprodutiva, e isso justamente para contrariar um eventual plano divino. Ou imaginemos que eu pense, simplesmente, que o melhor uso do meu corpo é o prazer e o gozo. Será que Marco Feliciano, presidente da CDHM, vai defender meus direitos? Se a resposta não for um sim retumbante, a CDHM deve trocar de presidente." (Contardo Calligaris)
"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E, por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)

quinta-feira, 14 de março de 2013

"O Brasil ainda hoje é menos conhecido e valorizado do que merece. O Brasil é quase tão grande como a China, mas é uma democracia. O Brasil é quase três vezes maior que a Índia, tem quase o mesmo número de etnias e de religiões, mas vive em paz interna e em paz com os países limítrofes. O Brasil é quatro vezes maior que a zona do Euro, mas tem um único governo e fala uma única língua. O Brasil é o país onde há mais católicos, mas onde a população vive da forma mais pagã. O Brasil é o único país no mundo onde a cultura ainda mantém características de solidariedade, sensualidade, alegria e receptividade." (Domenico De Masi)

sábado, 9 de março de 2013

Tá, mas e eu pulei do 12 para o 14? Do Enforcado para a Temperança? O que há entre esses dois estágios? A Morte [da produção musical]. Sallie Nichols:


Na carta anterior deixamos o herói pendurado de cabeça para baixo e indefeso sobre um abismo, a fim de sofrer a morte espiritual e o desmembramento final de sua vida e de sua personalidade anteriores. Vemos aqui retratado esse desmembramento: suas ideias (simbolizadas pelas cabeças), seus pontos de vista (pintados como pés) e suas atividades (mostradas como mãos) passadas jazem, inúteis, espalhadas pelo chão. Todos os aspectos da vida anterior do herói parecem ser sido cortados.

Tudo o que sabemos é que o herói, tendo "amadurecido" como o Enforcado, agora se sente como se estivesse sendo desmembrado. A Morte retrata o momento em que a pessoa se vê "feita em pedaços" — espalhada — com a velha personalidade e os modos quase irreconhecíveis de tão mutilados. Em face da dança remoinhosa do vento, todos nos quedamos assombrados, despedaçados, espalhados.

Se o Enforcado não quiser ficar suspenso no ar, tornando-se espiritualmente paralisado com o correr dos anos, precisará dar o passo seguinte, que conduz, através do vale da sombra, à aceitação da morte. Em reconhecimento da íntima conexão entre a morte e a transformação espiritual, cerimônias religiosas primitivas requeriam, não raro, que o iniciado enfrentasse a morte. Às vezes, como o Enforcado, era abandonado, inerme e só - porventura numa floresta escura.

Quando lhe perguntaram: "Que acontece depois da morte?" Krishnamurti respondeu: "Saberei quando lá chegar. Por enquanto não preciso saber." Precisamos saber agora? A preocupação com o que acontece no próximo capítulo não estragará o prazer que este nos proporciona? Perguntaram a Krishnamurti como se preparava para a morte. Ao que ele replicou: "Todos os dias morro um pouco."

Depois desse confronto com a carta número treze do Tarô, o herói da nossa saga também terá dado um passo irrevogável naquele rio do qual nenhum viajante retorna à mesma vida que levava antes. À semelhança do Sábio, já não se sentirá à vontade no velho regime. Ter-se-á tornado um estranho para a própria família e para os amigos de antanho, um exilado na pátria. Mas não lhe é dado retroceder. À maneira do Louco - e à maneira do Sábio - precisa tomar a estrada novamente, à procura de "outra morte".

sexta-feira, 8 de março de 2013

'Where are we now?' é exceção como 'Slip away' (2002) e 'Thursday's child' (1999). O último all-bombom do Bowie é o 'Earthling' (1997).
"Não confunda alhos com bugalhos" e "olhos esbugalhados" vêm daqui:

bugalho
Substantivo masculino. 
1.
Bot. Galha arredondada ou coroada de tubérculos que se forma nos carvalhos. 
2.
Bot. Noz de galha. 
3.
Qualquer objeto de forma aproximadamente esférica. 
4.
P. ext. Pop. O globo ocular: 

Contardo Calligaris e os dilemas:
Na coluna da semana retrasada, "Para que serve a tortura?", propus um dilema moral. Uma criança sequestrada está num lugar onde ela tem ar para pouco tempo. O sequestrador não diz onde está a criança. A tortura poderia levá-lo a falar. Você faz o quê? Entre os muitos leitores que me escreveram, menos de 10% entenderam que eu estaria promovendo o uso da tortura; mesmo esses, em sua maioria, usaram o dilema para pensar (com seus botões) no que eles fariam. Na semana passada, na Folha, Vladimir Safatle e Marcelo Coelho entenderam que meu dilema favorecia a tortura. No domingo, Hélio Schwartsman tentou colocar alguma ordem nessa cacofonia. Pena que nem Safatle nem Coelho fizeram o único exercício que um dilema moral pede: o de pensar nos termos que ele propõe. Muito pior: ambos declararam que não gostam de dilemas. Caramba!

O dilema estimula a moralidade porque nos encoraja a não escolher por respeito a supostos princípios ou por medo de uma punição. Para [Lawrence] Kohlberg (e para mim), seja qual for a escolha, escolher pelo foro íntimo é sempre mais moral do que escolher por obediência a uma cartilha. Em qualquer momento histórico, entre os homens de bem, que resistem ao totalitarismo do momento, pode haver homens atormentados por dilemas e também portadores de cartilhas opostas às dos opressores. Mas, em qualquer momento histórico, entre os opressores e os torturadores, só há portadores de cartilhas.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A caverna de Platão. Hoje. Aqui.

Olha quantas pessoas ficaram sem chávez para entrar em casa! Ficou todo mundo na rua. Haja chaveiro para socorrer tanta gente! E parece que os afetados foram, em sua maioria, colorados, embora houvesse alguns torcedores do Pelotas.


Um marco para a história da política e dos direitos humanos no Brasil. Feliciano
“Sincero vem do latim 'sine cera', ou seja, 'sem cera'. Na produção de mel de abelhas o verdadeiro mel puro não podia conter cera, daí a origem da expressão que remete á ideia de pureza.” (Mário Sérgio Cortella)

"Uma das qualidades que mais importam ao mestre no Caminho é a sinceridade de espírito no discípulo. Sincero vem do latim 'sine cera', que costuma ser associado a 'sem cera'. Os antigos costumavam dizer que as colunas de mármore que ficavam desgastadas com o tempo eram completadas com cera em seus buracos. Eram colunas 'com cera'." (Jorge Kishikawa)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Joana Manuel: “Mais grave do que roubarem-nos o futuro é roubarem-nos o presente”


Chamam-lhe jovem aos 36 anos. Mas a actriz e cantora não assume a etiqueta. O que não deixou os seus pais serem crianças não a deixa agora ser adulta. Precariedade, ausência de futuro. O discurso que fez há dias deixou muitos emocionados



"O que impediu os meus pais de serem jovens é aquilo que me cola à pele o epíteto. Jovem. É uma espécie de espelho invertido. Não sei se basta passar através dele, como a Alice. Um dia vamos mesmo ter de parti-lo." (Joana Manuel)



terça-feira, 5 de março de 2013

Intervenções no cérebro.




Um gol de mão.




Toda decisão é precedida de uma atividade neurofisiológica.




"Os meus alunos lutaram pela ética na política, pedindo o impeachment do Collor, e na prova de final do semestre todos colaram vergonhosamente."

Eduardo Gianetti



Dunga: Fizeram uma reunião lá na associação dos árbitros pra me fuder...


segunda-feira, 4 de março de 2013

LOTTE KESTNER - THE BLUEBIRD OF HAPPINESS,
na série Capas Lindas de 2013


A beleza da voz e da face da cantora Bárbara Eugênia - que tem uma tatuagem do Radiohead (Meeting People is Easy/OK Computer) no pulso.


sábado, 2 de março de 2013

Gostei de ter visto no palco do Claro Q É Rock, durante a passagem de som, a Michelle Coyne, mrs. Wayne Coyne.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Já do início, a obra da Miranda July objetivava principalmente recondicionar o olhar sobre o que há de mais banal. Buscar o que o cotidiano esconde e tornar estranho o que há de mais familiar, para que ele seja, então, percebido, é desvendar o “extra-ordinário” — ou “ver coisas invisíveis”. Ao fazer-nos enxergar de novo, afirma a historiadora da arte Julia Bryan-Wilson, Miranda revela “a maravilha do mundo”, mas também o que nele é “insuportável e indizível”. (Beatriz Rodovalho e Lúcia Monteiro/Revista Bravo!)