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sábado, 9 de março de 2013

Tá, mas e eu pulei do 12 para o 14? Do Enforcado para a Temperança? O que há entre esses dois estágios? A Morte [da produção musical]. Sallie Nichols:


Na carta anterior deixamos o herói pendurado de cabeça para baixo e indefeso sobre um abismo, a fim de sofrer a morte espiritual e o desmembramento final de sua vida e de sua personalidade anteriores. Vemos aqui retratado esse desmembramento: suas ideias (simbolizadas pelas cabeças), seus pontos de vista (pintados como pés) e suas atividades (mostradas como mãos) passadas jazem, inúteis, espalhadas pelo chão. Todos os aspectos da vida anterior do herói parecem ser sido cortados.

Tudo o que sabemos é que o herói, tendo "amadurecido" como o Enforcado, agora se sente como se estivesse sendo desmembrado. A Morte retrata o momento em que a pessoa se vê "feita em pedaços" — espalhada — com a velha personalidade e os modos quase irreconhecíveis de tão mutilados. Em face da dança remoinhosa do vento, todos nos quedamos assombrados, despedaçados, espalhados.

Se o Enforcado não quiser ficar suspenso no ar, tornando-se espiritualmente paralisado com o correr dos anos, precisará dar o passo seguinte, que conduz, através do vale da sombra, à aceitação da morte. Em reconhecimento da íntima conexão entre a morte e a transformação espiritual, cerimônias religiosas primitivas requeriam, não raro, que o iniciado enfrentasse a morte. Às vezes, como o Enforcado, era abandonado, inerme e só - porventura numa floresta escura.

Quando lhe perguntaram: "Que acontece depois da morte?" Krishnamurti respondeu: "Saberei quando lá chegar. Por enquanto não preciso saber." Precisamos saber agora? A preocupação com o que acontece no próximo capítulo não estragará o prazer que este nos proporciona? Perguntaram a Krishnamurti como se preparava para a morte. Ao que ele replicou: "Todos os dias morro um pouco."

Depois desse confronto com a carta número treze do Tarô, o herói da nossa saga também terá dado um passo irrevogável naquele rio do qual nenhum viajante retorna à mesma vida que levava antes. À semelhança do Sábio, já não se sentirá à vontade no velho regime. Ter-se-á tornado um estranho para a própria família e para os amigos de antanho, um exilado na pátria. Mas não lhe é dado retroceder. À maneira do Louco - e à maneira do Sábio - precisa tomar a estrada novamente, à procura de "outra morte".

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