|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
segunda-feira, 28 de julho de 2014
"Ver um filme é sempre uma experiência bastante pessoal para mim; eu entendo os perigos mentalmente, emocionalmente e fisicamente. A euforia quando a equipe alcança a 'cena' em questão, quando a luz é perfeita, as palavras acontecem no momento certo, o som é como cristal, e todo mundo está contente para continuar... É difícil descrever o que acontece quando você está sozinho, a cena recém performou e a sua pele e os seus nervos estão formigando. Por isso, eu parabenizo, do fundo do meu coração, a performance da Charlotte Gainsbourg [em 'Antichrist', do Lars Von Trier]. O luto é retratado com profunda honestidade. Ela teve, quando precisou, uma vulnerabilidade que é de cortar o coração, e por meio do seu padecimento na loucura ela mantém integridade. Willem Dafoe me deixou espantada com sua trágica inércia e sua dor interior. A batalha constante e intensa de mentes inteligentes, misturada com as mais horríveis das circunstâncias, provou-se fascinante. O diretor sente a dor de cada momento de cada personagem, uma dor que perpassa cada take, cada polegada de filme, cada respiro de som. Tentando comunicar nascimento, medo, perda, morte, religião, dor, amor, desejo, ódio – e a lista segue – tudo envolvido com o foco da insanidade. Decidir fazer o filme (ou deixar o filme guiá-lo a fazê-lo) é um ato de bravura e vulnerabilidade, e às vezes de solidão. O roteirista/diretor fala por meio de cada personagem, então esse filme deve ter sido incrivelmente doloroso de fazer. A fotografia é de tirar o fôlego, empurrando as fronteiras entre emoção e tecnologia. Cinema é tão importante para mim, e por essa razão eu estou feliz de ter visto 'Antichrist'." (Samantha Morton)
sábado, 26 de julho de 2014
"Um governo que dialoga com os sindicatos"... Presidente Dilma mentindo no pronunciamento do Dia do Trabalho de 2014. Disse também "Nosso governo nunca será o governo do arrocho salarial". Diálogo e desarrocho é tudo o que o Sintrajufe quer (e por eles protesta até na chuva), mas não tem conseguido, pela intransigência do Governo Federal. Defasagem salarial de 36,48% desde 2006, aumento de 333% no número de reclamatórias trabalhistas no mesmo período e ameaças de perda de direitos, com a PEC 59/2013 e o plano para carreiras isoladas dos tribunais superiores.
30/03/2014
Gre-Nal - 4x1
Final do Gauchão 2014
Estádio Centenário
(Caxias do Sul)
Narração do Pedro Ernesto, da Rádio Gaúcha, nos 4x0:
"O Grêmio está sendo humilhado pelo Internacional, o Grêmio está sendo destroçado pelo Internacional!"
Gre-Nal - 4x1
Final do Gauchão 2014
Estádio Centenário
(Caxias do Sul)
Narração do Pedro Ernesto, da Rádio Gaúcha, nos 4x0:
"O Grêmio está sendo humilhado pelo Internacional, o Grêmio está sendo destroçado pelo Internacional!"
Publicitário-da-Lua: a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência é malvada, o Congresso Nacional é bonzinho.
Em março deste ano foi aprovada a Resolução nº 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conanda, órgão vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O texto passa a classificar como abusivas todas as formas de publicidade dirigida às crianças e adolescentes. Combinada ao artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que prevê como abusiva e ilegal a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, a resolução tem força para proibir a veiculação desse tipo de propaganda. A resolução, porém, não está sendo respeitada pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e outras entidades ligadas ao ramo publicitário, que declararam que “reconhecem o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional, como o único foro com legitimidade constitucional para legislar sobre publicidade comercial”. (Carta Fundamental)
Em março deste ano foi aprovada a Resolução nº 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conanda, órgão vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O texto passa a classificar como abusivas todas as formas de publicidade dirigida às crianças e adolescentes. Combinada ao artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que prevê como abusiva e ilegal a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, a resolução tem força para proibir a veiculação desse tipo de propaganda. A resolução, porém, não está sendo respeitada pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e outras entidades ligadas ao ramo publicitário, que declararam que “reconhecem o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional, como o único foro com legitimidade constitucional para legislar sobre publicidade comercial”. (Carta Fundamental)
Opinião do viúvo da Jacqueline Du Pré, maestro e pianista Daniel Barenboim:
A primeira resolução a alcançar seria um acordo conjunto pelo qual se reconheça o fato de que não existe uma solução militar. Só então poderemos começar a discutir formas de garantir tanto a justiça que há tanto tempo, e com razão, exigem os palestinos, como a segurança que, também com razão, exige Israel. Os palestinos sentimos a necessidade de obter, finalmente, uma solução legítima. Nossa aspiração fundamental é que nos tratem com justiça e nos reconheçam os direitos que se reconhecem a qualquer povo da Terra: autonomia, autodeterminação, liberdade e tudo o que isso implica. Os israelenses precisamos que aceitem que temos o direito de viver no mesmo pedaço de chão que os palestinos. Como dividir esse território é algo que só se poderá falar quando as duas partes reconhecerem e entenderem que podemos viver juntos, lado a lado, mas, acima de tudo, sem dar-nos as costas.
Essa reconciliação tão necessária deve ser baseada em um sentimento mútuo de empatia, ou, se preferirem, de compaixão. A compaixão, em minha opinião, não é meramente um sentimento que surge da capacidade psicológica de entender as necessidades de uma pessoa, mas também uma obrigação moral. Tentar compreender os problemas do outro é a única coisa que nos permitirá dar o passo necessário à aproximação. Como dizia Schopenhauer, “não há nada que nos leve de volta tão rápido à senda da justiça como a imagem mental das dificuldades, da aflição e dos lamentos do perdedor”. Neste conflito, somos todos perdedores. Só seremos capazes de superar esta triste situação se, de uma vez por todas, começarmos a aceitar o sofrimento e os direitos da outra parte. Quando estivermos conscientes desses direitos, poderemos tentar construir um futuro juntos.
A primeira resolução a alcançar seria um acordo conjunto pelo qual se reconheça o fato de que não existe uma solução militar. Só então poderemos começar a discutir formas de garantir tanto a justiça que há tanto tempo, e com razão, exigem os palestinos, como a segurança que, também com razão, exige Israel. Os palestinos sentimos a necessidade de obter, finalmente, uma solução legítima. Nossa aspiração fundamental é que nos tratem com justiça e nos reconheçam os direitos que se reconhecem a qualquer povo da Terra: autonomia, autodeterminação, liberdade e tudo o que isso implica. Os israelenses precisamos que aceitem que temos o direito de viver no mesmo pedaço de chão que os palestinos. Como dividir esse território é algo que só se poderá falar quando as duas partes reconhecerem e entenderem que podemos viver juntos, lado a lado, mas, acima de tudo, sem dar-nos as costas.
Essa reconciliação tão necessária deve ser baseada em um sentimento mútuo de empatia, ou, se preferirem, de compaixão. A compaixão, em minha opinião, não é meramente um sentimento que surge da capacidade psicológica de entender as necessidades de uma pessoa, mas também uma obrigação moral. Tentar compreender os problemas do outro é a única coisa que nos permitirá dar o passo necessário à aproximação. Como dizia Schopenhauer, “não há nada que nos leve de volta tão rápido à senda da justiça como a imagem mental das dificuldades, da aflição e dos lamentos do perdedor”. Neste conflito, somos todos perdedores. Só seremos capazes de superar esta triste situação se, de uma vez por todas, começarmos a aceitar o sofrimento e os direitos da outra parte. Quando estivermos conscientes desses direitos, poderemos tentar construir um futuro juntos.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Torcidas organizadas.
marcadores:
futebol,
humor,
psicologia
Brasil x Alemanha
Palestina x Israel
Fiz essa montagem comparativa pra visualizar como a guerra de Gaza é igualzinha à semifinal da Copa do Mundo...
(Clique para vê-la maior.)
Palestina x Israel
Fiz essa montagem comparativa pra visualizar como a guerra de Gaza é igualzinha à semifinal da Copa do Mundo...
(Clique para vê-la maior.)
quinta-feira, 24 de julho de 2014
– Enquanto eu estou aqui ouvindo você, parece que compreendo; mas quando saio, não compreendo, mesmo que eu tente aplicar o que você disse.
Krishnamurti – Você está ouvindo a si mesmo, e não ao orador. Se você ouve o orador, ele se torna seu líder, seu caminho para compreender – o que é um horror, uma abominação, porque você estabeleceu, então, a hierarquia da autoridade. Por isso, o que você está fazendo aqui é ouvir a si mesmo. Você está olhando para o quadro que o orador está pintando, que é seu próprio quadro, não o do orador. Se isso está claro, que você está olhando para si mesmo, então você pode dizer, “Eu me vejo como sou, e deve haver uma mudança”, então você começa a trabalhar a partir de sua própria compreensão, o que é inteiramente diferente de aplicar o que o orador diz.
Krishnamurti – Você está ouvindo a si mesmo, e não ao orador. Se você ouve o orador, ele se torna seu líder, seu caminho para compreender – o que é um horror, uma abominação, porque você estabeleceu, então, a hierarquia da autoridade. Por isso, o que você está fazendo aqui é ouvir a si mesmo. Você está olhando para o quadro que o orador está pintando, que é seu próprio quadro, não o do orador. Se isso está claro, que você está olhando para si mesmo, então você pode dizer, “Eu me vejo como sou, e deve haver uma mudança”, então você começa a trabalhar a partir de sua própria compreensão, o que é inteiramente diferente de aplicar o que o orador diz.
"É da natureza do corpo, incluindo o corpo humano, afetar e ser afetado por outros corpos. Se o corpo que nos afeta se compõe com o nosso a sua capacidade de agir se adiciona à nossa, e provoca um aumento de nossa potência, então temos um bom encontro. Isto é alegria. Um mau encontro é aquele em que um corpo que se relaciona com o nosso não combina com ele e tende a decompor, ou destruir, a relação do nosso corpo consigo mesmo, e com os outros, o que nos leva à diminuição, e consequentemente à tristeza." (Espinosa, parafraseado por Viviane Mosé)
<< Não é preciso fazer zazen. Não é preciso praticar. Logo, precisamos fazer zazen, precisamos praticar. Percebe? Você vê este não precisar? Infelizmente, muitos de nós, a maior parte do tempo, vivemos em um mundo de precisar e não precisar. “Preciso disto”; “Não preciso daquilo”. E acreditamos profundamente nisso como sendo a verdade sobre quem somos e o que o mundo é. Todos os tipos de efeitos derivam disso: sofrimento, estresse e dor. >> (Elihu Genmyo Smith)
Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa
(Eduardo Galeano)

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes.
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está a ser castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.
Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinianas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestiniana. Já pouca Palestiniana resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.
Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinianos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência ‘manda chuva’ que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.
Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinianos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atómicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irão foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinianos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.
Efeitos colaterais
A questão central é que Israel nunca permitiria um Estado palestino soberano
(MIGUEL ÁNGEL BASTENIER)
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que o propósito da invasão de Gaza é destruir os túneis que ligam a Faixa com Israel, por onde escorregam os terroristas do Hamas. Por que, então, os 10 dias de bombardeios prévios à invasão terrestre? Por que o Hamas recusou um cessar-fogo que teria diminuído a carnificina? E, se isso tem sentido, quem sai ganhando ou perdendo com o massacre?
O grande perdedor só pode ser o povo palestino, que sofreu uma orgia de efeitos colaterais, ou seja, mulheres e crianças entre as várias centenas de mortos, milhares de feridos e detidos, inumeráveis casas destruídas, e a demolição total ou parcial de seus já exíguos serviços públicos.
A opinião israelense e de seu primeiro-ministro é sim, ao que parece, de confiança de ter ganhado, pelo menos no curto prazo. Netanyahu sabe que uma campanha assim produz uma união em apoio ao Exército, que com sua Operação Limite Protetor combate tanto a ameaça dos foguetes e as infiltrações do Hamas, quanto procura manter sob controle sua extrema direita, que pede a reocupação da Faixa e uma punição ainda mais exemplar, como se a matança não fosse suficiente. E, em uma estranha simetria, o Hamas pode pensar que ganha também porque, em comparação com a Autoridade Palestina de Mahmud Abbas, pode se ufanar de ser o único que enfrenta os invasores.
Há limites, no entanto, para tanta ganância. Ao establishment israelense não interessa a destruição completa do inimigo, se isso fosse possível, porque o vazio assim criado seria preenchido por uma dúzia de facções, a maioria divisões do Hamas, de um jihadismo ainda mais radical, enquanto que a organização que governa a Faixa cumpre com perfeição um útil propósito político: permite a Israel afirmar que não há negociação de paz possível com terroristas, condenados à destruição do Estado sionista.
Como destaca o jornalista libanês Rami G. Khouri, tanto quanto a destruição dos túneis, o que importa a Netanyahu é “cortar a grama” sob os pés da guerrilha, destruir a infraestrutura do Hamas, operação que, pelo visto, convém repetir por vários anos —a última vez foi em 2008-2009, com um saldo de 1.400 palestinos e 13 israelenses mortos— para impedir que a organização reconstrua seu aparato militar, ao mesmo tempo em que a mantém permanentemente na defensiva. Isso explicaria os 10 dias de bombardeios, antes do início da busca dos túneis.
Longe do teatro da ação aparece, no entanto, outro grande perdedor: Barack Obama, ou a viva imagem da impotência. A matança dispara e o presidente norte-americano expressa “sua preocupação” por telefone a Netanyahu, e quando este dê por finalizada a operação, até deverá agradecê-lo. A questão central, em qualquer caso, foi manifestada pelo primeiro-ministro israelense em uma entrevista coletiva, com a invasão já mediada, ao dizer que Jerusalém nunca permitiria a existência de um Estado palestino plenamente soberano. E sua justificativa chama-se Hamas.
(Eduardo Galeano)
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes.
Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está a ser castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.
Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinianas e que a ocupação israelita usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestiniana. Já pouca Palestiniana resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.
Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinianos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros. Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência ‘manda chuva’ que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelita, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.
Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinianos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelita vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atómicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irão foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada aos palestinianos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.
Efeitos colaterais
A questão central é que Israel nunca permitiria um Estado palestino soberano
(MIGUEL ÁNGEL BASTENIER)
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que o propósito da invasão de Gaza é destruir os túneis que ligam a Faixa com Israel, por onde escorregam os terroristas do Hamas. Por que, então, os 10 dias de bombardeios prévios à invasão terrestre? Por que o Hamas recusou um cessar-fogo que teria diminuído a carnificina? E, se isso tem sentido, quem sai ganhando ou perdendo com o massacre?
O grande perdedor só pode ser o povo palestino, que sofreu uma orgia de efeitos colaterais, ou seja, mulheres e crianças entre as várias centenas de mortos, milhares de feridos e detidos, inumeráveis casas destruídas, e a demolição total ou parcial de seus já exíguos serviços públicos.
A opinião israelense e de seu primeiro-ministro é sim, ao que parece, de confiança de ter ganhado, pelo menos no curto prazo. Netanyahu sabe que uma campanha assim produz uma união em apoio ao Exército, que com sua Operação Limite Protetor combate tanto a ameaça dos foguetes e as infiltrações do Hamas, quanto procura manter sob controle sua extrema direita, que pede a reocupação da Faixa e uma punição ainda mais exemplar, como se a matança não fosse suficiente. E, em uma estranha simetria, o Hamas pode pensar que ganha também porque, em comparação com a Autoridade Palestina de Mahmud Abbas, pode se ufanar de ser o único que enfrenta os invasores.
Há limites, no entanto, para tanta ganância. Ao establishment israelense não interessa a destruição completa do inimigo, se isso fosse possível, porque o vazio assim criado seria preenchido por uma dúzia de facções, a maioria divisões do Hamas, de um jihadismo ainda mais radical, enquanto que a organização que governa a Faixa cumpre com perfeição um útil propósito político: permite a Israel afirmar que não há negociação de paz possível com terroristas, condenados à destruição do Estado sionista.
Como destaca o jornalista libanês Rami G. Khouri, tanto quanto a destruição dos túneis, o que importa a Netanyahu é “cortar a grama” sob os pés da guerrilha, destruir a infraestrutura do Hamas, operação que, pelo visto, convém repetir por vários anos —a última vez foi em 2008-2009, com um saldo de 1.400 palestinos e 13 israelenses mortos— para impedir que a organização reconstrua seu aparato militar, ao mesmo tempo em que a mantém permanentemente na defensiva. Isso explicaria os 10 dias de bombardeios, antes do início da busca dos túneis.
Longe do teatro da ação aparece, no entanto, outro grande perdedor: Barack Obama, ou a viva imagem da impotência. A matança dispara e o presidente norte-americano expressa “sua preocupação” por telefone a Netanyahu, e quando este dê por finalizada a operação, até deverá agradecê-lo. A questão central, em qualquer caso, foi manifestada pelo primeiro-ministro israelense em uma entrevista coletiva, com a invasão já mediada, ao dizer que Jerusalém nunca permitiria a existência de um Estado palestino plenamente soberano. E sua justificativa chama-se Hamas.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
"Mais ainda, mostram como os indivíduos podem desempenhar diferentes papéis, mesmo os aparentemente mais contraditórios. Um médico pode ser pai-de-santo, um engenheiro ser adepto da astrologia etc. Eis aí um ponto interessante para contextualizar na cidade. Embora em nenhuma sociedade seja possível falar de um indivíduo desempenhando exclusivamente um papel, a grande metrópole contemporânea oferece características peculiares. Não estamos mais falando de 'urbano' em geral. Isto porque na cidade pré-industrial de Sjoberg, por exemplo, ou mesmo na pequena cidade contemporânea, embora as pessoas desempenhem papéis diferentes, estes são, em princípio, conhecidos pelo grupo social inclusivo. A rotina da cidade do interior consiste, exatamente, nisso. As expectativas são cumpridas cotidianamente. Sabe-se que o dono do armazém vai à igreja todo domingo, joga sinuca toda quinta-feira com as mesmas pessoas, é casado, tem tantos filhos etc. Mesmo suas atividades mais clandestinas são, basicamente, controladas. É difícil esconder, por muito tempo, de todos os conhecidos, uma ligação, um hábito etc. Sem dúvida, na metrópole existem pessoas que vivem dentro de esquemas semelhantes em áreas da cidade habitadas por grupos sociais cujo estilo de vida implique nesse tipo de rotina. É óbvio que nem todos os urbanitas têm as mesmas possibilidades de usufruir uma liberdade de ir e vir irrefreada, deslocando-se de meio social para meio social ao seu bel-prazer. Afinal de contas trata-se de uma sociedade estratificada com fronteiras internas bem marcadas. Mas o caráter altamente diferenciado da organização da produção nas grandes cidades da sociedade industrial, com o seu gigantismo paralelo, vai gerar a possibilidade de um anonimato relativo que parece ser peculiar. Seria ilusório atribuir esta característica ao fenômeno urbano em si. As cidades das sociedades escravocratas, feudais etc., não só pela menor diferenciação da organização da produção, como pelo tamanho, tipo de organização espacial, neste ponto não difeririam tanto da situação do campo. O que seria característico, então, da grande metrópole é a possibilidade de desempenhar papéis diferentes em meios sociais distintos, não coincidentes e, até certo ponto, estanques. Isto é o que seria anonimato relativo. Não seria absoluto, exatamente porque a própria mobilidade que, de um lado, favorece o deslocamento do indivíduo entre diferentes meios sociais, dificulta a existência de áreas exclusivas." (Gilberto Velho; Machado da Silva, 1977, p. 79-80)
segunda-feira, 21 de julho de 2014
"Se você tem uma ideia que lhe diz quais condições você precisa para ser feliz, uma ideia que você manteve por dez ou vinte anos, mas que agora você percebe que ela está fazendo você sofrer: pode haver um elemento de ilusão, raiva ou desejo nela. Estes elementos são a substância do sofrimento. Por outro lado, você sabe que tem outros tipos de experiências: momentos de alegria, liberação ou o amor verdadeiro. Você reconhece estes como sendo momentos de felicidade real, então se torna mais fácil para você se liberar dos objetos de seu desejo, porque você está desenvolvendo a percepção de que esses objetos não vão fazer você feliz. Muitas pessoas têm o desejo de soltar, de deixar ir, mas não são capazes de fazê-lo, porque têm medo de que, se deixarem ir, não terão mais nada para se agarrar. Um dia, quando você for forte o suficiente e determinado o suficiente, você vai deixar de lado as aflições que o fazem sofrer." (Thich Nhât Hanh)
sábado, 19 de julho de 2014
As camisetas mais bonitas do Inter na minha opinião:
1. Nike 2012
2. Reebok 2009
3. Reebok 2010 Mundial
4. Adidas 1980
5. Nike 2013 - terceiro uniforme
6. Umbro 1993
7. Topper 2001
1. Nike 2012
2. Reebok 2009
3. Reebok 2010 Mundial
4. Adidas 1980
5. Nike 2013 - terceiro uniforme
6. Umbro 1993
7. Topper 2001
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Argentinos no shopping Praia de Belas!
"Porto Alegre é a quarta do país com maior taxa de motorização (533 carros por mil habitantes). Colocada em linha reta, essa frota atingiria 2,8 mil quilômetros, extensão total das vias da capital gaúcha, ou a distância até a cidade de Palmas, no Tocantins. Já em extensão (cada carro tem cerca de seis metros quadrados), chegaria ao equivalente a 630 campos de futebol. É importante entender que o espaço público, especialmente as vias de circulação, pertence a todos, indistintamente, com ou sem carro – a prioridade, entretanto, será sempre do pedestre, como estabelece o Código de Trânsito. Enrique Peñalosa, quando prefeito de Bogotá (capital da Colômbia), afirmou que 'estacionamento na rua não é um direito constitucional'. De fato, viola o direito à cidade; mercadoriza o espaço público. Desta forma, remover 40 mil vagas de estacionamento, como fez o prefeito Fernando Haddad (PT), pode ser fundamental para que possamos reconquistar o espaço público tomado pelos automóveis." (Cristiano Lange dos Santos)
terça-feira, 15 de julho de 2014
Boateng, com certeza – que bonito, que beleza! – junto com Hummels na defesa.
Reus e Götze no ataque,
Grita gol, só com sotaque.
Deustcher fußball ist geil = o futebol alemao é tesão (ou melhor, foda)
Frag nicht weil = não pergunte o porquê
Beweg dein hinter Teil = mexa sua parte de trás (ou melhor, sua bunda)
O bagulho é doidão, a nossa seleção
Com a camisa do Mengao
Totalmente boladão, o time alemão
Reus e Götze no ataque,
Grita gol, só com sotaque.
Deustcher fußball ist geil = o futebol alemao é tesão (ou melhor, foda)
Frag nicht weil = não pergunte o porquê
Beweg dein hinter Teil = mexa sua parte de trás (ou melhor, sua bunda)
O bagulho é doidão, a nossa seleção
Com a camisa do Mengao
Totalmente boladão, o time alemão
"Falar de nós mesmos é falar do ponto silencioso e sem conteúdo prévio, origem de nossas experiências e existências flutuantes, e que segue livre, pronto para outras criações. Refúgio incessante, que não flutua. Único apoio certo para quem, com o olhar distante, fita sem ânimo o próprio currículo, no raro momento de liberdade onde não consegue descrever quem é." (Lama Samten)
"O mundo está sempre próximo da catástrofe. Mas ele parece mais próximo agora. Vendo esta catástrofe se aproximando, muitos de nós se abrigam em ideias. Achamos que esta catástrofe, esta crise, pode ser resolvida com uma ideologia. A ideologia é sempre um impedimento para a relação direta, o que impede a ação. Nós queremos a paz apenas como uma ideia, mas não como realidade. Queremos paz no nível verbal, que é apenas o nível do pensar, embora o chamemos orgulhosamente de nível intelectual. Mas a palavra paz não é paz. A paz só pode existir quando a confusão que você e o outro fazem cessar. Nós somos apegados ao mundo das ideias e não à paz. Buscamos novos padrões sociais e políticos e não a paz; estamos preocupados com a reconciliação dos efeitos e não em deixar de lado as causas da guerra." (Krishnamurti)
marcadores:
biologia,
filosofia,
Krishnamurti
segunda-feira, 14 de julho de 2014
"Essa foi a seleção do pensamento mágico. E, nesse aspecto, não podia ser mais brasileira nesta Copa de 2014. Não o pensamento mágico como fonte de explosão criativa, mas como um produto de consumo. Vende-se que o espetáculo é a verdade profunda sobre o Brasil e o seu futebol. Confunde-se marketing publicitário com realidade. Os jogadores da seleção comportam-se como astros. Não mais astros de rock, mas astros de um show religioso. Confinados, assistem a palestras de 'motivação' são treinados no pensamento de autoajuda mais do que no campo, com a bola no pé. Age-se como se houvesse uma predestinação. Se você acreditar muito, você consegue. Se você rezar muito, acontece. A arrogância enorme de achar que 'deus' é torcedor do seu time porque você é o mais merecedor expressa nas cenas de joelhos dentro do campo, os dedos apontando para o céu, a oração em transe nos momentos-limite." (Eliane Brum)
sábado, 12 de julho de 2014
Esse gol do Bebeto acho que é o meu mais bonito de todos os tempos.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
"Agressão dissimulada: quando o agressor decide expressar a agressividade de forma disfarçada, recorrendo a processos irônicos. Este tipo de agressão recorre a meios não abertos para agredir. O sarcasmo e o cinismo são formas de agressão que visam a provocar o outro, feri-lo na sua auto-estima, gerando ansiedade. A teoria psicanalítica tem como explicação desta forma de agressão a motivação inconsciente." (Wikipédia)
"A agressão verbal é difícil de identificar e, lamentavelmente, é muito comum nos casamentos. Trata-se de um tipo de Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física. É caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes para toda a vida. Nem todas as palavras que servem para machucar são 'palavras feias'. Um mestre no abuso verbal pode prejudicar a sua auto-estima e, ao mesmo tempo, parece se importar profundamente com você. A pessoa faz com que se sinta inferior, dependente, culpado ou omisso. Trata-se de uma agressão emocional dissimulada. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. Diferente do abuso físico, que é facilmente identificado, na agressão verbal não fica marcas visíveis. O dano é interno, não há hematomas físicos ou cicatrizes, apenas um espírito ferido." (Martína Mädche)
"O psicólogo argentino Bernardo Stamateas, autor de Gente Tóxica – Como Lidar Com Pessoas Difíceis e Não Ser Dominado por Elas (publicado no Brasil), assegura que estes parasitas sociais fingem ser amigos, mostrando o seu lado mais inofensivo, para ir minando pouco a pouco a segurança da vítima com comentários subtis e com piadas e frases irônicas, supostamente inócuas. 'Na realidade, o seu objetivo é reduzir a autoestima e o valor da pessoa, para a sua autoridade aumentar. O que pretende é obter poder e controle sobre tudo e todos', sublinha Stamateas." (Super)
"A agressão verbal é difícil de identificar e, lamentavelmente, é muito comum nos casamentos. Trata-se de um tipo de Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física. É caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes para toda a vida. Nem todas as palavras que servem para machucar são 'palavras feias'. Um mestre no abuso verbal pode prejudicar a sua auto-estima e, ao mesmo tempo, parece se importar profundamente com você. A pessoa faz com que se sinta inferior, dependente, culpado ou omisso. Trata-se de uma agressão emocional dissimulada. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. Diferente do abuso físico, que é facilmente identificado, na agressão verbal não fica marcas visíveis. O dano é interno, não há hematomas físicos ou cicatrizes, apenas um espírito ferido." (Martína Mädche)
"O psicólogo argentino Bernardo Stamateas, autor de Gente Tóxica – Como Lidar Com Pessoas Difíceis e Não Ser Dominado por Elas (publicado no Brasil), assegura que estes parasitas sociais fingem ser amigos, mostrando o seu lado mais inofensivo, para ir minando pouco a pouco a segurança da vítima com comentários subtis e com piadas e frases irônicas, supostamente inócuas. 'Na realidade, o seu objetivo é reduzir a autoestima e o valor da pessoa, para a sua autoridade aumentar. O que pretende é obter poder e controle sobre tudo e todos', sublinha Stamateas." (Super)
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Impedimento.org - Futebol é tática: aceitem
"Com a bola, o plano deles foi bem claro: ocupar espaços às costas dos laterais e dos volantes brasileiros. Geralmente, a jogada iniciava no meio para terminar no lado e voltar para a área."
"Com a bola, o plano deles foi bem claro: ocupar espaços às costas dos laterais e dos volantes brasileiros. Geralmente, a jogada iniciava no meio para terminar no lado e voltar para a área."
terça-feira, 8 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
LYNCHCOCK)
Linha de cima: Alfred Hitchcock's Vertigo e James Stewart
Linha de baixo: David Lynch's Lost Highway e David Lynch
"Eu amo estar nos mundos do Fellini. E do Billy Wilder e do Stanley Kubrick e do Alfred Hitchcock. Revisitar alguns desses filmes e entrar naquele mundo. Há algumas pessoas que não gostam de muita abstração. Elas não gostam de se sentirem perdidas. Ela gostam de saber sempre, sempre, sempre o que está acontecendo. E, quando elas não sentem que sabem, sentem-se meio loucas. E não gostam. Outras pessoas, como eu, amam adentrar um mundo, serem levadas pra dentro dele e se perderem lá e sentir-pensar a própria maneira de ter aquela experiência. Eu sei AQUELA sensação, mas não sei como colocá-la em palavras. Eu conheço aquela sensação e é mágico que o cinema possa trazê-la. É isto que eu amo." (David Lynch)
Linha de cima: Alfred Hitchcock's Vertigo e James Stewart
Linha de baixo: David Lynch's Lost Highway e David Lynch
"Eu amo estar nos mundos do Fellini. E do Billy Wilder e do Stanley Kubrick e do Alfred Hitchcock. Revisitar alguns desses filmes e entrar naquele mundo. Há algumas pessoas que não gostam de muita abstração. Elas não gostam de se sentirem perdidas. Ela gostam de saber sempre, sempre, sempre o que está acontecendo. E, quando elas não sentem que sabem, sentem-se meio loucas. E não gostam. Outras pessoas, como eu, amam adentrar um mundo, serem levadas pra dentro dele e se perderem lá e sentir-pensar a própria maneira de ter aquela experiência. Eu sei AQUELA sensação, mas não sei como colocá-la em palavras. Eu conheço aquela sensação e é mágico que o cinema possa trazê-la. É isto que eu amo." (David Lynch)
marcadores:
arte,
cinema,
David Lynch,
psicologia
sábado, 5 de julho de 2014
Estudo mostra que pessoas preferem se autopunir a ter que pensar
(G1/France Presse)
Muitas pessoas prefeririam causar dor a si próprios do que passar 15 minutos em um quarto sem nada para fazer além de pensar, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira (4), na edição impressa da revista "Science". Cientistas das Universidades da Virgínia e de Harvard fizeram 11 experiências diferentes para ver como as pessoas reagiam quando solicitado que passassem algum tempo sozinhas. Mais de 200 indivíduos participaram das experiências. Alguns eram estudantes universitários, outros, voluntários, com idades entre 18 e 77 anos, recrutados em locais tão diferentes quanto uma igreja e uma feira.
Os pesquisadores pediram que se sentassem sozinhos em um quarto sem adornos, sem telefone celular, material para leitura, ou para escrever, e depois que relatassem como fizeram para se entreter sozinhos com seus pensamentos entre 6 e 15 minutos. O resultado foi que mais de 57% acharam difícil se concentrar, e 80% disseram que seus pensamentos vagaram. Cerca da metade achou a experiência desagradável. "A maioria das pessoas não gosta de 'só pensar' e prefere claramente ter algo diferente para fazer".
Trapaças e self-shocking
Os cientistas, então, voltaram suas atenções para o que as pessoas faziam para evitar ficar sozinhas com seus pensamentos. Em uma das experiências, solicitaram aos estudantes que dedicassem um tempo para pensar em casa. Depois, 32% relataram ter trapaceado, saindo de suas cadeiras, ouvindo música, ou vasculhando os celulares.
Um número maior de adultos recrutados fora da universidade - 54% - quebrou as regras, disse a coautora Erin Westgate, estudante de Doutorado da Universidade da Virgínia. "E esse número provavelmente está subestimado, porque aqueles são apenas os que foram honestos e nos contaram que tinham trapaceado", declarou.
Os cientistas se perguntaram, então, até que ponto os estudantes iriam para buscar algum estímulo, enquanto permaneciam sozinhos com seus pensamentos. Um estudo piloto inicial revelou, de forma surpreendente, que os estudantes prefeririam ouvir o som de uma faca raspando ao silêncio absoluto. "Nós achávamos, é claro, que as pessoas não dariam choques em si mesmas", disse Westgate.
Em um dos estudos, eles deram uma oportunidade para avaliar diferentes estímulos: de ver fotos atraentes à sensação de receber um choque elétrico tão forte quanto se sentiria ao arrastar os pés no tapete. Depois que os participantes sentiram o choque, que Westgate descreveu como moderado, alguns se sentiram tão incomodados que disseram preferir pagar US$ 5 a voltar a senti-lo. Em seguida, cada indivíduo foi para um quarto, sozinho, para pensar por 15 minutos. Os cientistas disseram que eles teriam a chance de se dar choques, caso quisessem.
Dois terços dos indivíduos masculinos - 12 de 18 - deram choques em si próprios pelo menos uma vez enquanto estiveram sozinhos. A maioria dos homens deu entre um e quatro choques em si próprios. Um deles deu 190 choques. Um quarto das mulheres, ou seis em 24, também decidiu dar choques em si mesmas, cada uma delas entre uma e nove vezes. Todos os que se deram choques haviam dito anteriormente que pagariam para evitar fazê-lo.
Pensamentos subestimados
Westgate se disse ainda surpresa com as descobertas. "Eu acho que subestimamos enormemente o quão difícil é mergulhar propositadamente em pensamentos agradáveis e quão fortemente desejamos estímulos externos do mundo ao nosso redor, mesmo quando o estímulo é ativamente desagradável".
A psicóloga forense Sherrie Bourg Carter, de Fort Lauderdale, na Flórida, explicou que as tecnologias modernas podem contribuir para a incapacidade de diminuir o ritmo. "Somos socialmente treinados para procurar estímulos a sensações no nosso trabalho e lazer", disse Carter, que não participou do estudo. "Portanto, ficar sentado por um tempo, desconectado, como pensar, tornou-se estranho para a maior parte das pessoas, mesmo para os idosos que não foram criados em um mundo movido pelos eletrônicos", concluiu.
(G1/France Presse)
Muitas pessoas prefeririam causar dor a si próprios do que passar 15 minutos em um quarto sem nada para fazer além de pensar, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira (4), na edição impressa da revista "Science". Cientistas das Universidades da Virgínia e de Harvard fizeram 11 experiências diferentes para ver como as pessoas reagiam quando solicitado que passassem algum tempo sozinhas. Mais de 200 indivíduos participaram das experiências. Alguns eram estudantes universitários, outros, voluntários, com idades entre 18 e 77 anos, recrutados em locais tão diferentes quanto uma igreja e uma feira.
Os pesquisadores pediram que se sentassem sozinhos em um quarto sem adornos, sem telefone celular, material para leitura, ou para escrever, e depois que relatassem como fizeram para se entreter sozinhos com seus pensamentos entre 6 e 15 minutos. O resultado foi que mais de 57% acharam difícil se concentrar, e 80% disseram que seus pensamentos vagaram. Cerca da metade achou a experiência desagradável. "A maioria das pessoas não gosta de 'só pensar' e prefere claramente ter algo diferente para fazer".
Trapaças e self-shocking
Os cientistas, então, voltaram suas atenções para o que as pessoas faziam para evitar ficar sozinhas com seus pensamentos. Em uma das experiências, solicitaram aos estudantes que dedicassem um tempo para pensar em casa. Depois, 32% relataram ter trapaceado, saindo de suas cadeiras, ouvindo música, ou vasculhando os celulares.
Um número maior de adultos recrutados fora da universidade - 54% - quebrou as regras, disse a coautora Erin Westgate, estudante de Doutorado da Universidade da Virgínia. "E esse número provavelmente está subestimado, porque aqueles são apenas os que foram honestos e nos contaram que tinham trapaceado", declarou.
Os cientistas se perguntaram, então, até que ponto os estudantes iriam para buscar algum estímulo, enquanto permaneciam sozinhos com seus pensamentos. Um estudo piloto inicial revelou, de forma surpreendente, que os estudantes prefeririam ouvir o som de uma faca raspando ao silêncio absoluto. "Nós achávamos, é claro, que as pessoas não dariam choques em si mesmas", disse Westgate.
Em um dos estudos, eles deram uma oportunidade para avaliar diferentes estímulos: de ver fotos atraentes à sensação de receber um choque elétrico tão forte quanto se sentiria ao arrastar os pés no tapete. Depois que os participantes sentiram o choque, que Westgate descreveu como moderado, alguns se sentiram tão incomodados que disseram preferir pagar US$ 5 a voltar a senti-lo. Em seguida, cada indivíduo foi para um quarto, sozinho, para pensar por 15 minutos. Os cientistas disseram que eles teriam a chance de se dar choques, caso quisessem.
Dois terços dos indivíduos masculinos - 12 de 18 - deram choques em si próprios pelo menos uma vez enquanto estiveram sozinhos. A maioria dos homens deu entre um e quatro choques em si próprios. Um deles deu 190 choques. Um quarto das mulheres, ou seis em 24, também decidiu dar choques em si mesmas, cada uma delas entre uma e nove vezes. Todos os que se deram choques haviam dito anteriormente que pagariam para evitar fazê-lo.
Pensamentos subestimados
Westgate se disse ainda surpresa com as descobertas. "Eu acho que subestimamos enormemente o quão difícil é mergulhar propositadamente em pensamentos agradáveis e quão fortemente desejamos estímulos externos do mundo ao nosso redor, mesmo quando o estímulo é ativamente desagradável".
A psicóloga forense Sherrie Bourg Carter, de Fort Lauderdale, na Flórida, explicou que as tecnologias modernas podem contribuir para a incapacidade de diminuir o ritmo. "Somos socialmente treinados para procurar estímulos a sensações no nosso trabalho e lazer", disse Carter, que não participou do estudo. "Portanto, ficar sentado por um tempo, desconectado, como pensar, tornou-se estranho para a maior parte das pessoas, mesmo para os idosos que não foram criados em um mundo movido pelos eletrônicos", concluiu.
Btw Pink Floyd album out in October is called "The Endless River". Based on 1994 sessions is Rick Wright's swansong and very beautiful.
— Polly Samson (@PollySamson) 5 julho 2014
Novo disco do Pink Floyd em outubro (de 2014).
"A construção de uma persona coletivamente adequada significa uma considerável concessão ao mundo exterior, um verdadeiro auto-sacrifício, que força o eu a identificar-se com a persona. Isso leva certas pessoas a acreditarem que são o que imaginam ser." (Carl Gustav Jung)
Classificação da Copa do Mundo do Brasil 2014
01.
02.
03.
04.
05. Colômbia
06. Bélgica
07. Costa Rica
08. França
09. México
10. Chile
11. Suíça
12. Uruguai
13. Grécia
14. Argélia
15. Estados Unidos
16. Nigéria
17. Equador
18. Portugal
19. Croácia
20. Bósnia
21. Costa do Marfim
22. ITÁLIA
23. ESPANHA
24. Rússia
25. Gana
26. INGLATERRA
27. Irã
28. Coreia do Sul
29. Japão
30. Austrália
31. Honduras
32. Camarões
01.
02.
03.
04.
05. Colômbia
06. Bélgica
07. Costa Rica
08. França
09. México
10. Chile
11. Suíça
12. Uruguai
13. Grécia
14. Argélia
15. Estados Unidos
16. Nigéria
17. Equador
18. Portugal
19. Croácia
20. Bósnia
21. Costa do Marfim
22. ITÁLIA
23. ESPANHA
24. Rússia
25. Gana
26. INGLATERRA
27. Irã
28. Coreia do Sul
29. Japão
30. Austrália
31. Honduras
32. Camarões
"A realidade, a verdade, não é para ser reconhecida. Para a verdade chegar, crença, conhecimento, experiência, virtude, busca da virtude – que é diferente de ser virtuoso – tudo isso deve sair. O homem virtuoso que está consciente de buscar a virtude nunca pode encontrar a realidade. Ele pode ser uma pessoa decente; isso é inteiramente diferente do homem da verdade, do homem que compreende. Para o homem da verdade, a verdade surgiu. Um homem virtuoso é um homem correto, e um homem correto nunca pode compreender o que é verdade; porque virtude para ele é o revestimento do ego, o fortalecimento do ego; porque ele persegue a virtude. Quando ele diz, 'Eu devo ser sem ambição', o estado em que ele é sem-ambição e que ele experimenta, fortalece o ego. Por isso é tão importante ser pobre, não só das coisas do mundo, mas também de crença e conhecimento. O homem rico de riquezas mundanas, ou um homem rico de conhecimento e crença, não conhecerá nada além de escuridão, e será o centro de toda mistificação e miséria. Mas se você e eu, como indivíduos, pudermos ver todo este trabalho do ego, então conheceremos o que o amor é. Eu lhe asseguro que essa é a única reforma que pode possivelmente mudar o mundo. Amor não é o ego. O ego não pode reconhecer o amor. Você diz, 'Eu amo', mas no próprio dizer, na própria experiência disto, o amor não está. Mas, quando você conhece o amor, o ego não está. Quando existe amor, o ego não existe." (Krishnamurti)
"Vocês sabem o que quero dizer com ego? Com isso, quero dizer a ideia, a memória, a conclusão, a experiência, as várias formas de intenções nomeáveis e não nomeáveis, o esforço consciente para ser ou não ser, a memória acumulada do inconsciente, o racial, o grupo, o individual, o clã, e tudo isto, seja projetado externamente em ação, ou projetado internamente como virtude; a luta atrás de tudo isto é o ego. Nele está incluída a competição, o desejo de ser. A totalidade desse processo é o ego; e nós sabemos de fato, quando estamos frente a ele, que ele é uma coisa maligna. Estou usando a palavra maligna intencionalmente, porque o ego divide; o ego está fechado nele mesmo; suas atividades, conquanto nobres, são separadas e isoladas. Sabemos tudo isto. Também sabemos como são extraordinários os momentos em que o ego não está, em que não há sentido de esforço, de empenho, e que acontecem quando existe amor." (Krishnamurti)
Agora veio o exemplo perfeito: mordida no ombro faz cosquinha e arrepia, o Chiellini tá rindo daquilo; o Materazzi sequer caiu por causa da cabeçada do Zidane, uma vez que o tórax, alvo do golpe, permaneceu na mesma linha, as pernas é que avançaram pra (auto)provocar a queda; agora, o que a Fifa (e a polícia?) fará com o HOMICIDA Zúñiga? Detalhe: o JUIZ das duas partidas não fez NADA com os agressores.
Isto, sim, é coisa de animal. Mordida e cabeçada simbólica não fez mal pra ninguém.
Zúñiga: – Foi uma jogada normal. Nunca tive a intenção de fazer mal ao jogador. Quando estou em campo, faço de tudo para defender o meu país, é a camisa que eu visto.
Aí é que tá: faz DE TUDO. Não dá pra fazer DE TUDO (QUALQUER COISA).
"É uma coisa lamentável. Uma situação que poderia ser evitada. Não poderia passar pelo meio, o Neymar não é transparente. Não gostei daquele joelho levantado. Então me faz crer que foi uma falta com intenção de machucar. Essa é uma situação que será difícil para a Fifa ou qualquer comitê aceitar." (Fabio Cannavaro)
"Começo este texto com uma breve explicação jurídica. Imagina que um sujeito vá a uma festa e encha a cara. Na saída, alguém mexe com a mulher dele, e ele resolve dar um soco na cara do engraçadinho. Em princípio, temos apenas um caso de um bêbado idiota que poderia passar um par de noites no xilindró. Imagine, porém, que o cara que toma o soco na cara cai no chão, bate a cabeça na calçada e morre. De repente, o bêbado idiota passou a ser um assassino bêbado idiota. Não, ele não pensou que ia matar o engraçadinho, mas o agrediu propositalmente, e foi isso que gerou a morte. É o que, em direito, se chama homicídio culposo." (Caio Maia/Trivela)
Aprenda a dar uma joelhada saltando:
sexta-feira, 4 de julho de 2014
"Uma mitologia é um sistema de imagens que incorpora um conceito de universo como um ambiente divinamente energizado e energizante no qual nós vivemos inseridos. Você entende o que eu estou dizendo? E um mito, então, é uma história ou um elemento da mitologia inteira, e as várias histórias da mitologia se interconectam — elas se interconectam para serem consistentes dentro dessa grande imagem do mundo. Mitos não são inventados, como as histórias são. Mitos são inspirados — não são faz-de-conta, eles realmente são. Eles vêm do mesmo reino de onde vêm os sonhos." (Joseph Campbell)
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Uma derrota épica
Uma comovedora Argélia força a prorrogação com uma Alemanha no limite, que espera a França
(José Sámano/El País Brasil)
Se o futebol é mundial, é por jogos como o desempenhado por alemães e argelinos. Se o papel das duas poderia fazer pensar que a Alemanha desfilaria tranquilamente, isso foi apenas uma miragem. O desembaraço da Argélia foi comovente. Um desacato total. A seleção africana aceitou cada desafio proposto por seu nobre rival, a quem manteve na expectativa até a prorrogação, depois de um encontro repleto de intrigas, com os dois goleiros cheios de empenho, sem tempos mortos nem miudezas. Um modesto gigante como a Argélia foi uma pedra para uma superpotência obrigada a se esforçar para avançar por um triz às quartas de final onde a França a espera. Para a Argélia, ficou o reconhecimento e a admiração geral. O futebol também reserva honras para os vencidos com glória.
A Alemanha se viu ante um calvário que não esperava. Sua técnica e distinta coluna de meio-campistas não era capaz de dar geometria ao jogo. A Argélia era um vespeiro, todos picavam quem pretendia segurar a bola. Jogadores de pincel como Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Özil e Götze estavam neutralizados, borrados como nunca quando tinham a bola. Não havia respiro nem para os centrais alemães, porque a equipe africana teve até mesmo o descaramento de impor uma pressão alta. Sem Hummels, com gripe, Mertesacker e Boateng são daqueles que se defendem na paulada com a bola, e ainda mais quando sufocados.
Com uma Alemanha comovida, a fresca seleção argelina ia para a frente, sem armadilhas nem consideração. Um esforço espetacular. Ameaçava Slimani, que teve um gol bem anulado por um impedimento de meia unha, e Feghouli, que se nublou quando tinha um companheiro sozinho para colocar a bola na rede, e Ghoulam, que subiu pela esquerda e deu um chute cruzado que triscou na trave esquerda de Neuer, e Sbaa, que teve um passe de fora da área desviado. As pessoas esfregavam os olhos e para o goleiro alemão não havia descanso, obrigado a se plantar como defensor livre uma e outra vez. Faz tempo que na Alemanha já é comum colocar um goleiro que se comportava assim, papel em outros tempos desempenhado por Beckenbauer, Matthaeus ou Sammer. A figura reapareceu com Neuer.
No primeiro tempo, a Alemanha só era capaz de usar uma fórmula. O bombardeio de longe era seu único remédio. A defesa adversária era impermeável, mas M'Bolhi, o goleiro, não agarrava completamente e concedia rebotes. Um alemão após outro o pôs à prova. O grupo de Löw não encontrava outro roteiro, a área estava vedada. O técnico alemão percebeu e no descanso trocou Götze por Schürrle. Um atacante de vocação em vez de um ocasional. Com a mudança, os alemães melhoraram em ataques à área, onde foram ganhando metros e oportunidades. Nem assim a Argélia afrouxou e, no segundo ato, houve uma grande resposta do seu goleiro. Principalmente depois de um chute de Lahm e de uma cabeçada à queima-roupa de Müller, protagonista do pastelão da Copa ao cair sozinho de joelhos em uma jogada estratégica.
Do começo ao fim, o grupo de Halilhodzic foi compacto para o ataque e a defesa. Todos os que podiam fechavam e os que resistiam ao esforço se desdobravam, o que era um pelotão. Nada de mesquinharia, nada a ver com essas equipes que dissimulam a inferioridade com um atacante abandonado à própria sorte. Nunca especulou, nem sequer fez o possível porque o tempo minguara para uma prorrogação ou para os pênaltis. Viu-se tão capaz da vitória como a imponente Alemanha. Os comandados de Löw não puderam respirar nem com o gol de Schürrle, no começo do terceiro tempo, pois logo Sbaa esteve perto do empate. Ainda teríamos mais.
O gol alemão esteve à altura de uma partida muito boa: um calcanhar fenomenal quando a bola lançada por Müller já o havia superado. Parecia que só diante de um golaço esta estremecedora Argélia se dobraria e se dava por certo que havia sido executada por Özil. Não senhor. Djabou fez a Alemanha sofrer até o último centésimo. Com times assim, há derrotas épicas.
Uma comovedora Argélia força a prorrogação com uma Alemanha no limite, que espera a França
(José Sámano/El País Brasil)
Se o futebol é mundial, é por jogos como o desempenhado por alemães e argelinos. Se o papel das duas poderia fazer pensar que a Alemanha desfilaria tranquilamente, isso foi apenas uma miragem. O desembaraço da Argélia foi comovente. Um desacato total. A seleção africana aceitou cada desafio proposto por seu nobre rival, a quem manteve na expectativa até a prorrogação, depois de um encontro repleto de intrigas, com os dois goleiros cheios de empenho, sem tempos mortos nem miudezas. Um modesto gigante como a Argélia foi uma pedra para uma superpotência obrigada a se esforçar para avançar por um triz às quartas de final onde a França a espera. Para a Argélia, ficou o reconhecimento e a admiração geral. O futebol também reserva honras para os vencidos com glória.
A Alemanha se viu ante um calvário que não esperava. Sua técnica e distinta coluna de meio-campistas não era capaz de dar geometria ao jogo. A Argélia era um vespeiro, todos picavam quem pretendia segurar a bola. Jogadores de pincel como Lahm, Schweinsteiger, Kroos, Özil e Götze estavam neutralizados, borrados como nunca quando tinham a bola. Não havia respiro nem para os centrais alemães, porque a equipe africana teve até mesmo o descaramento de impor uma pressão alta. Sem Hummels, com gripe, Mertesacker e Boateng são daqueles que se defendem na paulada com a bola, e ainda mais quando sufocados.
Com uma Alemanha comovida, a fresca seleção argelina ia para a frente, sem armadilhas nem consideração. Um esforço espetacular. Ameaçava Slimani, que teve um gol bem anulado por um impedimento de meia unha, e Feghouli, que se nublou quando tinha um companheiro sozinho para colocar a bola na rede, e Ghoulam, que subiu pela esquerda e deu um chute cruzado que triscou na trave esquerda de Neuer, e Sbaa, que teve um passe de fora da área desviado. As pessoas esfregavam os olhos e para o goleiro alemão não havia descanso, obrigado a se plantar como defensor livre uma e outra vez. Faz tempo que na Alemanha já é comum colocar um goleiro que se comportava assim, papel em outros tempos desempenhado por Beckenbauer, Matthaeus ou Sammer. A figura reapareceu com Neuer.
No primeiro tempo, a Alemanha só era capaz de usar uma fórmula. O bombardeio de longe era seu único remédio. A defesa adversária era impermeável, mas M'Bolhi, o goleiro, não agarrava completamente e concedia rebotes. Um alemão após outro o pôs à prova. O grupo de Löw não encontrava outro roteiro, a área estava vedada. O técnico alemão percebeu e no descanso trocou Götze por Schürrle. Um atacante de vocação em vez de um ocasional. Com a mudança, os alemães melhoraram em ataques à área, onde foram ganhando metros e oportunidades. Nem assim a Argélia afrouxou e, no segundo ato, houve uma grande resposta do seu goleiro. Principalmente depois de um chute de Lahm e de uma cabeçada à queima-roupa de Müller, protagonista do pastelão da Copa ao cair sozinho de joelhos em uma jogada estratégica.
Do começo ao fim, o grupo de Halilhodzic foi compacto para o ataque e a defesa. Todos os que podiam fechavam e os que resistiam ao esforço se desdobravam, o que era um pelotão. Nada de mesquinharia, nada a ver com essas equipes que dissimulam a inferioridade com um atacante abandonado à própria sorte. Nunca especulou, nem sequer fez o possível porque o tempo minguara para uma prorrogação ou para os pênaltis. Viu-se tão capaz da vitória como a imponente Alemanha. Os comandados de Löw não puderam respirar nem com o gol de Schürrle, no começo do terceiro tempo, pois logo Sbaa esteve perto do empate. Ainda teríamos mais.
O gol alemão esteve à altura de uma partida muito boa: um calcanhar fenomenal quando a bola lançada por Müller já o havia superado. Parecia que só diante de um golaço esta estremecedora Argélia se dobraria e se dava por certo que havia sido executada por Özil. Não senhor. Djabou fez a Alemanha sofrer até o último centésimo. Com times assim, há derrotas épicas.
![]() |
| Slimani marcado por três jogadores da Alemanha |
terça-feira, 1 de julho de 2014
Discos novos de Jenny Lewis, Spoon, The New Pornographers, Interpol, Karen O, Caribou, OOIOO, Anna Calvi, Sinéad O'Connor, Julia Holter, Kimbra, Blonde Redhead, Tricky, Avi Buffalo e Sondre Lerche estão sendo esperados por mim este ano - eles já têm título.
"Quando já se via Luis Suárez jogando em Kosovo, país que ofereceu a ele o único campo possível, já que não é membro da FIFA, o atacante uruguaio pediu desculpas públicas pela mordida dada no italiano Chiellini. Poucos minutos depois de Xhavit Pacolli, presidente do Hajvalia, uma pequena equipe de um bairro de Pristina, oferecer 1.500 euros (4.549 reais) mensais para o jogador uruguaio, ele 'reconsiderou' o que ocorreu no fatídico Uruguai x Itália em 24 de junho." (Magdalena Martínez/El País)
"Que possibilidades restam, nessa conjunção de plugagem global e exclusão maciça, de produzir territórios existenciais alternativos àqueles ofertados ou mediados pelo capital? De que recursos dispõe uma pessoa ou um coletivo para afirmar um modo próprio de ocupar o espaço doméstico, de cadenciar o tempo comunitário, de mobilizar a memória coletiva, de produzir bens e conhecimentos e fazê-los circular, de transitar por esferas consideradas invisíveis, de reinventar a corporeidade, de gerir a vizinhança e a solidariedade, de cuidar da infância ou da velhice, de lidar com o prazer ou a dor?" (Peter Pal Pelbart)
Assinar:
Postagens (Atom)









