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sábado, 26 de julho de 2014

Opinião do viúvo da Jacqueline Du Pré, maestro e pianista Daniel Barenboim:

A primeira resolução a alcançar seria um acordo conjunto pelo qual se reconheça o fato de que não existe uma solução militar. Só então poderemos começar a discutir formas de garantir tanto a justiça que há tanto tempo, e com razão, exigem os palestinos, como a segurança que, também com razão, exige Israel. Os palestinos sentimos a necessidade de obter, finalmente, uma solução legítima. Nossa aspiração fundamental é que nos tratem com justiça e nos reconheçam os direitos que se reconhecem a qualquer povo da Terra: autonomia, autodeterminação, liberdade e tudo o que isso implica. Os israelenses precisamos que aceitem que temos o direito de viver no mesmo pedaço de chão que os palestinos. Como dividir esse território é algo que só se poderá falar quando as duas partes reconhecerem e entenderem que podemos viver juntos, lado a lado, mas, acima de tudo, sem dar-nos as costas.

Essa reconciliação tão necessária deve ser baseada em um sentimento mútuo de empatia, ou, se preferirem, de compaixão. A compaixão, em minha opinião, não é meramente um sentimento que surge da capacidade psicológica de entender as necessidades de uma pessoa, mas também uma obrigação moral. Tentar compreender os problemas do outro é a única coisa que nos permitirá dar o passo necessário à aproximação. Como dizia Schopenhauer, “não há nada que nos leve de volta tão rápido à senda da justiça como a imagem mental das dificuldades, da aflição e dos lamentos do perdedor”. Neste conflito, somos todos perdedores. Só seremos capazes de superar esta triste situação se, de uma vez por todas, começarmos a aceitar o sofrimento e os direitos da outra parte. Quando estivermos conscientes desses direitos, poderemos tentar construir um futuro juntos.

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