Com quem já me acharam parecido:
1. Claudio Dickel
2. Cláudio Heinrich
3. Carlos Alberto Ricceli
4. Brad Pitt
5. Beavis
6. Daniel Feix
7. Liam Gallagher
8. Mateus Nachtergaele
9. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires *NEW*
16. Pedro Verissimo *NEW*
17. Daniel Dantas *NEW*
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Janeiro vai ser o Mês Pink Floyd, além da seqüência do Mês Sonic Youth, que foi prorrogado por tempo indefinido. Ontem começou a catequese da Manuela... Tenho traduções de um livro ilustrado precioso sobre o Pink Floyd, com toda a timeline. Vou estar de férias, de 5 a 23, mas devo digitar em casa e postar em algum lugar, mesmo assim. Ela é uma das minhas duas bandas preferidas, e tudo que eu escrevi aqui sobre ela foi isto. Como prefácio, uma lista das participações especiais do show The Wall Live In Berlin 1990, que o Roger Waters fez em prol do fundo de sobreviventes da guerra, tirando, finalmente, as minhas dúvidas sobre quem era quem - tornei-me um googler depois da fase mais empolgada com o Pink Floyd.
In The Flesh? - Scorpions
The Thin Ice - Ute Lemper & Roger Waters
Another Brick In The Wall, Part Two - Cyndi Lauper
Mother - Sinead O'Connor & The Band
Goodbye Blue Sky - Joni Mitchell
What Shall We Do Now - Bryan Adams & Roger Waters
Young Lust - Bryan Adams
Hey You - Paul Carrack
Comfortably Numb - Van Morrison, Roger Waters & The Band
In The Flesh? - Scorpions
The Thin Ice - Ute Lemper & Roger Waters
Another Brick In The Wall, Part Two - Cyndi Lauper
Mother - Sinead O'Connor & The Band
Goodbye Blue Sky - Joni Mitchell
What Shall We Do Now - Bryan Adams & Roger Waters
Young Lust - Bryan Adams
Hey You - Paul Carrack
Comfortably Numb - Van Morrison, Roger Waters & The Band
terça-feira, 30 de dezembro de 2003
Me dei mal. Deletei a imagem que eu tinha postado hoje no /marioruoppolo (uma espécie de /rickyfitts 2) para repostá-la com um poema, porém não observei que o tempo máximo para esta operação com a possibilidade de repostagem é de 10 minutos, então perdi o dia. Eis o poema:
[reflexo]
olhe para o talher
e ali estará ela.
estará refletida
em todas as coisas,
palpáveis ou não.
[reflexo]
olhe para o talher
e ali estará ela.
estará refletida
em todas as coisas,
palpáveis ou não.
Mon beau fillette me deu de natal o Relics (1971), último item que faltava para a minha coleção de Pink Floyd. Trata-se de uma coletânea oficial dos primeiros singles da banda. Itens oficiais que eu não considero e que, portanto, eu não faço questão de ter são The Delicate Sound Of Thunder (o P.U.L.S.E. é melhor), A Collection Of Great Dance Songs (uma coletânea boba) e essa outra coletânea lançada recentemente para levantar uma grana extra sem que ter que se reunir para gravar e/ou excursionar.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2003
Hoje é 29 de dezembro de 2003, e é de se notar que uma porção de indivíduos da espécie homo sapiens sapiens - "homem que sabe que sabe" - já usaram alguns vários blocos de 360 segundos das vidas deles para deixarem suas peles com o brightness que se convencionou pela maioria considerar o mais bonito - pelo menos neste país.
"Uma vez gravei uma conversa comum. As pessoas falavam sem saber que a gravação estava sendo feita. Mais tarde, ouvi a fita e fiquei surpreso com o brilho com que o diálogo fora 'escrito' e 'representado'. A lógica dos movimentos dos personagens, o sentimento, a energia - quão palpável era tudo! Como eram melodiosas as vozes, e que belas pausas!" (TARKOVSKI, p. 73.)
"Ao se emocionar com uma obra-prima, uma pessoa começa a ouvir em si própria aquele mesmo chamado da verdade que levou o artista a criá-la. Quando se estabelece uma ligação entre a obra e o seu espectador, este vivencia uma comoção espiritual sublime e purificadora. Dentro dessa aura que liga as obras-primas e o público, os melhores aspectos das nossas almas dão-se a conhecer, e ansiamos por sua liberação. Nesses momentos, reconhecemos e descobrimos a nós mesmos, chegando às profundidades insondáveis do nosso próprio potencial e às últimas instâncias de nossas emoções." (TARKOVSKI, p. 49.)
"O material cinematográfico, porém, pode ser combinado de outra forma, cuja característica principal é permitir que se exponha a lógica do pensamento de uma pessoa. (...) A origem e o desenvolvimento do pensamento estão sujeitos a leis próprias e às vezes exigem formas de expressão muito diferentes dos padrões de especulação lógica. Na minha opinião, o raciocínio poético está mais próximo das leis através das quais se desenvolve o pensamento e, portanto, mais próximo da própria vida, do que a lógica da dramaturgia tradicional." (TARKOVSKI, Andrei. Esculpir no tempo. São Paulo: 1998. Martins Fontes, p. 17.)
Ricky Fitts is back.
[veículo]
o corpo que me leva
para lá e para cá
é tão perigoso
quanto potente.
e a manutenção
dele é constante.
[veículo]
o corpo que me leva
para lá e para cá
é tão perigoso
quanto potente.
e a manutenção
dele é constante.
De um baralho de cartinhas da Andréia Vigo, chamado Palavra De Criança:
Magia
É quando a gente deita no sofá e fica sonhando acordado, imaginando todas as coisas que quer que aconteçam, e a gente se sente tão feliz que até esquece que estava imaginando, e quando a gente esquece as coisas acontecem de verdade.
Vergonha
É quando a gente não aceita a gente mesmo e acha que ninguém mais vai aceitar. Se a gente pudesse ser mais carinhoso com a gente mesmo, ia respeitar mais as escolhas que a gente faz, e não ia ter vergonha de ser quem a gente é.
Saudade
É quando a gente sente uma pessoa dentro da gente, aí lembra que gosta dessa pessoa e fica querendo dizer isso para ela, mas às vezes ela está tão longe e a gente só pode dizer em pensamento, mas a gente diz, e ela escuta mesmo assim.
Magia
É quando a gente deita no sofá e fica sonhando acordado, imaginando todas as coisas que quer que aconteçam, e a gente se sente tão feliz que até esquece que estava imaginando, e quando a gente esquece as coisas acontecem de verdade.
Vergonha
É quando a gente não aceita a gente mesmo e acha que ninguém mais vai aceitar. Se a gente pudesse ser mais carinhoso com a gente mesmo, ia respeitar mais as escolhas que a gente faz, e não ia ter vergonha de ser quem a gente é.
Saudade
É quando a gente sente uma pessoa dentro da gente, aí lembra que gosta dessa pessoa e fica querendo dizer isso para ela, mas às vezes ela está tão longe e a gente só pode dizer em pensamento, mas a gente diz, e ela escuta mesmo assim.
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
"CD-R chains são sempre uma beleza. Na última que participei, ganhei um belo disquinho do Douglas com montes de coisas massa e que nunca tinha ouvido, como Lovage e alguma coisa do trabalho solo do Rick Wright, tecladista do Pink Floyd." (Bruno Galera)
Foi meu primeiro contato com esse cara massa. Não tinha nunca me lembrado disso.
Imbé Records ® 2004 by Douglas Dickel and Manuela Colla.
(Coming soon. Stay tuned.)
Foi meu primeiro contato com esse cara massa. Não tinha nunca me lembrado disso.
Imbé Records ® 2004 by Douglas Dickel and Manuela Colla.
(Coming soon. Stay tuned.)
Trilha sonora da mudança:
Dia 17: Odelay / Beck
Dia 22: Amnesiac / Radiohead
Primeira música do novo apartamento:
who would have known : that a boy like him
would have entered me lightly restoring my blisses
who would have known : that a boy like him
after sharing my core would stay going nowhere
who would have known : a beauty this immense
who would have known : a saintly trance
who would have known : miraculous breath
to inhale a beard loaded with courage
who would have known : that a boy like him
possessed of magical sensitivity
would approach a girl like me
who carresses
cradles
his head in a bosom
he slides inside
half awake half asleep
we faint back
into sleephood
when i wake up
the second time in his arms : gorgeousness!
he's still inside me!
who would have known
a train of pearls cabin by cabin
is shot precisely across an ocean
from a mouth
from
a
from a mouth of a girl like me
to a boy
to a boy
to a boy
Dia 17: Odelay / Beck
Dia 22: Amnesiac / Radiohead
Primeira música do novo apartamento:
who would have known : that a boy like him
would have entered me lightly restoring my blisses
who would have known : that a boy like him
after sharing my core would stay going nowhere
who would have known : a beauty this immense
who would have known : a saintly trance
who would have known : miraculous breath
to inhale a beard loaded with courage
who would have known : that a boy like him
possessed of magical sensitivity
would approach a girl like me
who carresses
cradles
his head in a bosom
he slides inside
half awake half asleep
we faint back
into sleephood
when i wake up
the second time in his arms : gorgeousness!
he's still inside me!
who would have known
a train of pearls cabin by cabin
is shot precisely across an ocean
from a mouth
from
a
from a mouth of a girl like me
to a boy
to a boy
to a boy
sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Bom, como é para vocês, caras, estarem no estrelato, agora numa major?
Steve Shelley - Uhhh...
Lee Ranaldo - Eu não sinto nenhuma diferença das últimas turnês.
Steve Shelley - Não é muito diferente do que sempre fizemos. Exceto porque pessoas estão sempre nos perguntando "Como é agora que vocês são como grande rockstars ou agora que vocês estão numa grande gravadora?". E não é diferente de nada. Apenas é como... é como... você sabe, teve ontem, e agora é hoje, e depois tem amanhã. Os dias apenas vão indo numa coluna; é como não haver nenhuma grande mudança ou nada. Sabe?
(...)
O quanto Chuck D [do Public Enemy] influenciou nas gravações do Goo?
(...)
Steve Shelley - Olha, nós estávamos nos Greenstreet Studios, na Sala A, enquanto que eles estavam na Sala B. Então a gente se via quando saía e sentava na frente da TV por uns 15 minutos. É isso que eu posso dizer sobre quanto ele nos influenciou. (...) Não é como uma grande troca cultural ou qualquer coisa assim. Nós sabemos sobre o que eles estão fazendo, mas eu não acho que eles tenham o mínimo de conhecimento ou de entendimento do que nós estamos fazendo como alguns dos nossos contemporâneos têm. Eles provavelmente nunca ouviram Nick Cave ou Dinosaur Jr ou Babes In Toyland. Mas nós conhecemos quem gosta de Public Enemy e Ice Cube e NWA. Nós sabemos tudo sobre eles, então é como uma troca cultural de uma mão só. Eu tenho que tomar chá. Eu já volto. (Levanta e sai.)
(...)
Então, que tipo de contemporâneos influenciam a música de vocês?
Lee Ranaldo - Revolting Cocks.
todos - (risos)
Lee Ranaldo - Não.
todos - (mais risos)
Steve Shelley - As bandas com que a gente excursiona.
Lee Ranaldo - Wayne's World tem uma grande influência na nossa música.
(...)
Vocês viajam na mesma van?
Steve Shelley - Não, cada um tem sua própria van, o que é realmente muito legal. Nós não temos que ver a cara um do outro até a hora de tocar. (risos)
(...)
Lee Ranaldo - Cada um tem o próprio walkman, com fones de ouvido e viseiras. (mais risos)
(...)
Lee Ranaldo - Nós fomos convidados a fazer a trilha dum novo programa de TV do David Lynch, um documentário, na Fox. Não Twin Peaks, esse outro que ele está fazendo. E ele é alguém que nós gostamos um monte. Nós inclusive vimos aquele novo, Coração Selvagem, e gostamos. Nós gostaríamos de qualquer oportunidade para trabalhar num dos projetos dele.
(...)
Vocês têm controle da capa dos álbuns?
Steve Shelley - Nós fazemos o design das capas.
Lee Ranaldo - Nós temos total controle de tudo o que a gente faz.
(Steve Leone, Rotting America, 1990)
Steve Shelley - Uhhh...
Lee Ranaldo - Eu não sinto nenhuma diferença das últimas turnês.
Steve Shelley - Não é muito diferente do que sempre fizemos. Exceto porque pessoas estão sempre nos perguntando "Como é agora que vocês são como grande rockstars ou agora que vocês estão numa grande gravadora?". E não é diferente de nada. Apenas é como... é como... você sabe, teve ontem, e agora é hoje, e depois tem amanhã. Os dias apenas vão indo numa coluna; é como não haver nenhuma grande mudança ou nada. Sabe?
(...)
O quanto Chuck D [do Public Enemy] influenciou nas gravações do Goo?
(...)
Steve Shelley - Olha, nós estávamos nos Greenstreet Studios, na Sala A, enquanto que eles estavam na Sala B. Então a gente se via quando saía e sentava na frente da TV por uns 15 minutos. É isso que eu posso dizer sobre quanto ele nos influenciou. (...) Não é como uma grande troca cultural ou qualquer coisa assim. Nós sabemos sobre o que eles estão fazendo, mas eu não acho que eles tenham o mínimo de conhecimento ou de entendimento do que nós estamos fazendo como alguns dos nossos contemporâneos têm. Eles provavelmente nunca ouviram Nick Cave ou Dinosaur Jr ou Babes In Toyland. Mas nós conhecemos quem gosta de Public Enemy e Ice Cube e NWA. Nós sabemos tudo sobre eles, então é como uma troca cultural de uma mão só. Eu tenho que tomar chá. Eu já volto. (Levanta e sai.)
(...)
Então, que tipo de contemporâneos influenciam a música de vocês?
Lee Ranaldo - Revolting Cocks.
todos - (risos)
Lee Ranaldo - Não.
todos - (mais risos)
Steve Shelley - As bandas com que a gente excursiona.
Lee Ranaldo - Wayne's World tem uma grande influência na nossa música.
(...)
Vocês viajam na mesma van?
Steve Shelley - Não, cada um tem sua própria van, o que é realmente muito legal. Nós não temos que ver a cara um do outro até a hora de tocar. (risos)
(...)
Lee Ranaldo - Cada um tem o próprio walkman, com fones de ouvido e viseiras. (mais risos)
(...)
Lee Ranaldo - Nós fomos convidados a fazer a trilha dum novo programa de TV do David Lynch, um documentário, na Fox. Não Twin Peaks, esse outro que ele está fazendo. E ele é alguém que nós gostamos um monte. Nós inclusive vimos aquele novo, Coração Selvagem, e gostamos. Nós gostaríamos de qualquer oportunidade para trabalhar num dos projetos dele.
(...)
Vocês têm controle da capa dos álbuns?
Steve Shelley - Nós fazemos o design das capas.
Lee Ranaldo - Nós temos total controle de tudo o que a gente faz.
(Steve Leone, Rotting America, 1990)
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar, que daqui para diante vai ser diferente." (Carlos Drummond de Andrade)
O Muriel falou com o Fruet, que vai produzir o próximo CD da Blanched, e ele comentou sobre o que pensou assistindo ao nosso show do Jekyll. Mais ou menos: "Fiquei impressionado com o show de vocês. Não imaginava que estivessem tão centrados e preparados para a proposta de que falaram aquele dia. A pilha de vocês está muito clara. Tem um clima, uma atmosfera, o som traz a gente para dentro de uma meditação. Tem que ter paciência pra caralho para tocar notas e ruídos mínimos e esporádicos e infinitos e também tem que ter paciência e estar no clima meditativo para curtir o show. E o show cria esse envolvimento. Não sei se tenho muito a acrescentar às músicas. Mas estou ciente de que o meu grande desafio é trazer para o estúdio esse mesmo clima, criar esse mesmo envolvimento que vocês têm ao vivo dentro de um CD. E aí eu vou ter bastante trabalho. Vai ser massa! Bah, e que do caralho o lance do CD. Quem foi que escreveu aquele texto? Muito afudê!"
As sextas-feiras andam demorando cinco dias para chegarem de fato. Alguém tem uma massagista profissional (*) boa para indicar?
* Retratação pública: Manuela Colla-Dickel é a minha massagista predileta, e isso que ela não fez nenhum curso - é puro dom inato. Ela vai direto nos nós dos músculos e resolve a parada. Por exemplo, a última massagista profissional que eu paguei não conseguiu atacar os nós. A melhor profissional que me massageou chama-se Gessy e mora no interior de Estância Velha. Ela faz um golpe de quebrar o pescoço que é uma beleza. E tem mesa com buraco para a cara, quando se deita de bruços. Pena que todas elas usam Enya e Kenny G. Temos que disseminar, entre as massagistas, Björk, Portishead, Massive Attack, Pink Floyd, Tricky, Elliot Smith, Sigur Rós, Air, Beck (Sea Change), Cat Power, Durutti Column, Four Tet, Grandaddy, The Walkmen, Kraftwerk, Low, Migala, Smog, Tindersticks.
* Retratação pública: Manuela Colla-Dickel é a minha massagista predileta, e isso que ela não fez nenhum curso - é puro dom inato. Ela vai direto nos nós dos músculos e resolve a parada. Por exemplo, a última massagista profissional que eu paguei não conseguiu atacar os nós. A melhor profissional que me massageou chama-se Gessy e mora no interior de Estância Velha. Ela faz um golpe de quebrar o pescoço que é uma beleza. E tem mesa com buraco para a cara, quando se deita de bruços. Pena que todas elas usam Enya e Kenny G. Temos que disseminar, entre as massagistas, Björk, Portishead, Massive Attack, Pink Floyd, Tricky, Elliot Smith, Sigur Rós, Air, Beck (Sea Change), Cat Power, Durutti Column, Four Tet, Grandaddy, The Walkmen, Kraftwerk, Low, Migala, Smog, Tindersticks.
Deja vu (não sei onde tem acento). Antes de alguma coisa acontecer de fato com alguém, Eles fazer uma prévia. Um preview. Um teste. Dando tudo certo, aí Eles fazem acontecer de fato. Às ganha. Às vezes, a gente tem acesso a um resquício desse teste. É quando acontece o deja vu (não sei onde tem acento).
Agora, no fotolog da Blanched, começa a série de fotos do show do Dr. Jekyll, no último dia 4.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
Parece que vai ter show da Graforréia Xilarmônica - com abertura dos Bacanas, banda do Colégio Anchieta que divertiu o recente Fica - domingo, no Opinião, embora não haja nenhuma referência no site do bar. O Karnak acabou e eu não sabia, ou não lembrava. Mas eles vão fazer um show comemorativo por ano. O Rappa lançou novo álbum, O Silêncio Que Precede O Esporro. Estava rolando de fundo esses dias na Multisom, e não precisa dizer que é muito bom.
Paul e Linda McCartney foram visitar Brian Wilson em 1974. "Mas Brian não saiu. Ele ficou lá, petrificado, (...) olhos fechados com força, rezando com tanto poder que todos os átomos do seu corpo poderiam de alguma forma quebrar, e então ele poderia simplesmente evaporar no fino ar esfumaçante ao redor dele. Isso tudo aconteceu quando seu irmão Carl contou-lhe, não faz muito tempo, algo sobre Paul McCartney ter dito uma vez que a música de Brian God Only Knows é a melhor já composta. E, na mente dele, tudo se tornou desesperançosamente distorcido: 'Tipo, se God Only Knows é a melhor música já composta, então eu nunca mais vou compor nada tão bom de novo! E, se eu nunca vou compor algo tão bom, então eu estou acabado. (...)" (Trecho de The last beach movie revisited: the life of Brian Wilson. in KENT, Nick. The dark stuff - selected writings on rock music.)
Shows da Blanched em 2003, em ordem de minha preferência:
1. Putzel
2. Tequila
3. Jekyll (com Tom Bloch)
4. Ocidente
5. Curitiba
6. Tear
7. BR-3
8. Jekyll (com DEOD)
9. Básttidores
1. Putzel
2. Tequila
3. Jekyll (com Tom Bloch)
4. Ocidente
5. Curitiba
6. Tear
7. BR-3
8. Jekyll (com DEOD)
9. Básttidores
quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Telefonei para Unisinos e pedi o telefone do posto do Banco do Brasil de lá.
- Baaaa, não tenho a menooooor idéééééia...
- Er... er... desculpa, eu liguei pra rádio em vez de ligar pro geral.
Daqui a um tempo alguém pergunta para a Kátia Suman quais foram os fatos mais inusitados que aconteceram com ela, e ela responde:
- Baaaa, teve um maluco uma vez que me pediu o telefone dum banco...
o_O
- Baaaa, não tenho a menooooor idéééééia...
- Er... er... desculpa, eu liguei pra rádio em vez de ligar pro geral.
Daqui a um tempo alguém pergunta para a Kátia Suman quais foram os fatos mais inusitados que aconteceram com ela, e ela responde:
- Baaaa, teve um maluco uma vez que me pediu o telefone dum banco...
o_O
Cam Lindsay - Murray Street parece muito mais focado em álbuns como Goo e Dirty, em que a banda explorou um som mais pop...
Steve Shelley - Muitas pessoas têm dito isso. Para nós, todos os álbuns têm melodia e músicas pop, apenas às vezes elas estão feitas de uma forma diferente. As pessoas dizem "Oh, vocês escreveram canções, desta vez!". Nós consideramos o material dos dois últimos discos como tendo um formato de canção e estrutura de música pop, mas a nossa definição do que é música pop talvez seja mais aberto do que a de muitas pessoas. (...)
Cam Lindsay - O que a Smells Like Records está fazendo agora?
Steve Shelley - Eu lancei o vinil de Murray Street, porque a Universal não quis. Eu tenho dois lançamentos para este verão. Um de um músico de NY chamado Tony Scherr, que toca numa banda chamada Sex Mob, foi membro dos Lounge Lizards over the years e tocou com Bill Frisell. Ele tem esse lindo álbum solo que é diferente de todo o trabalho que ele já fez. É realmente bom. Antes, tem um disco solo do Tim Prudhomme, da banda Fuck. Ele gravou em Memphis. É um album silencioso, tipo de disco bonito.
(Stylus, 2003)
Steve Shelley - Muitas pessoas têm dito isso. Para nós, todos os álbuns têm melodia e músicas pop, apenas às vezes elas estão feitas de uma forma diferente. As pessoas dizem "Oh, vocês escreveram canções, desta vez!". Nós consideramos o material dos dois últimos discos como tendo um formato de canção e estrutura de música pop, mas a nossa definição do que é música pop talvez seja mais aberto do que a de muitas pessoas. (...)
Cam Lindsay - O que a Smells Like Records está fazendo agora?
Steve Shelley - Eu lancei o vinil de Murray Street, porque a Universal não quis. Eu tenho dois lançamentos para este verão. Um de um músico de NY chamado Tony Scherr, que toca numa banda chamada Sex Mob, foi membro dos Lounge Lizards over the years e tocou com Bill Frisell. Ele tem esse lindo álbum solo que é diferente de todo o trabalho que ele já fez. É realmente bom. Antes, tem um disco solo do Tim Prudhomme, da banda Fuck. Ele gravou em Memphis. É um album silencioso, tipo de disco bonito.
(Stylus, 2003)
Thurston Moore - (...) Nós vivemos em New York desde 1977. Desde aquela época, algumas bandas existiram com um tipo interdisciplinar de atividade, com cineastas e artistas visuais, e isso certamente saiu do mundo do Andy Warhol.
Vivien Goldman - E agora?
Kim Gordon - Eu acho que a cena musical ainda está muito não-comercial e vital. Mas o mundo da arte certamente mudou (...). É muito difícil encontrar alguém fazendo coisas experimentais realmente interessantes no mundo da arte hoje.
Thurston Moore - Não é uma teoria sólida, mas, no final dos 60 e no início dos 70, você realmente tinha essa linha divisória na cultura, em que a juventude era radical e os adultos eram quadrados. Mas agora há adultos radicais, de Neil Young a Yoko Ono. É disso que fala a música Radical Adults Lick Godhead Style. A cultura jovem radical está forte, mas completamente escondida do mainstream. (...) E isso realmente me excita, porque eu amo todas essas ótimas bandas novas, como Lightning Bolt, Black Dice, Erase Errata e Quixotic.
Vivien Goldman - E vocês ainda têm toda essa energia. Vinte anos depois. O que mantém o grupo fresco?
Kim Gordon - É divertido cantar quando Thurston escreve letras com o meu ponto de vista. Isso realmente confunde as pessoas.
Thurston Moore - Eu gosto de escrever letras para a Kim. Às vezes, eu escrevo como se eu fosse a cantora do Bush Tetras, a Pat Place, em 1978. Um monte de letras dela era "No-no, no-no-no", esse tipo de coisa pop niilista. Isso tem um efeito real em mim, como se eu tivesse 18 anos. Eu tenho sempre essa imagem em mente da Pat Place tocando. Tudo o que ela tocava era slide, grrwwwhhhii, grrwwhhiii, na guitarra. (...) Era a coisa mais legal que eu já tinha visto.
Kim Gordon - Você tem uma memória boa.
(Interview, 2002)
Vivien Goldman - E agora?
Kim Gordon - Eu acho que a cena musical ainda está muito não-comercial e vital. Mas o mundo da arte certamente mudou (...). É muito difícil encontrar alguém fazendo coisas experimentais realmente interessantes no mundo da arte hoje.
Thurston Moore - Não é uma teoria sólida, mas, no final dos 60 e no início dos 70, você realmente tinha essa linha divisória na cultura, em que a juventude era radical e os adultos eram quadrados. Mas agora há adultos radicais, de Neil Young a Yoko Ono. É disso que fala a música Radical Adults Lick Godhead Style. A cultura jovem radical está forte, mas completamente escondida do mainstream. (...) E isso realmente me excita, porque eu amo todas essas ótimas bandas novas, como Lightning Bolt, Black Dice, Erase Errata e Quixotic.
Vivien Goldman - E vocês ainda têm toda essa energia. Vinte anos depois. O que mantém o grupo fresco?
Kim Gordon - É divertido cantar quando Thurston escreve letras com o meu ponto de vista. Isso realmente confunde as pessoas.
Thurston Moore - Eu gosto de escrever letras para a Kim. Às vezes, eu escrevo como se eu fosse a cantora do Bush Tetras, a Pat Place, em 1978. Um monte de letras dela era "No-no, no-no-no", esse tipo de coisa pop niilista. Isso tem um efeito real em mim, como se eu tivesse 18 anos. Eu tenho sempre essa imagem em mente da Pat Place tocando. Tudo o que ela tocava era slide, grrwwwhhhii, grrwwhhiii, na guitarra. (...) Era a coisa mais legal que eu já tinha visto.
Kim Gordon - Você tem uma memória boa.
(Interview, 2002)
[2004]
eu nunca esperei por alguém tanto.
mas agora eu vejo as luzes piscando.
com esse peso e com esse tamanho,
como será que se mantém no espaço?
o estrondo do freio provoca arrepio.
finalmente é ele que está a taxear!
em manobras lentas de nariz preto
e ruído confortável como o da tevê.
tem trinta e poucos focos de luz.
só de um lado, sem contar o outro.
terça-feira, 16 de dezembro de 2003
"Nós nunca poderíamos dar à Geffen gravações que fazemos na SYR, porque Geffen significa grandes campanhas e muito dinheiro e incrementação das vendas do produto; eles não têm nenhum interesse em fazer coisas numa escala modesta e apenas lançar algo que é só para os maiores fãs da nossa música. É por isso que nós fazemos coisas diferentes fora da Geffen, porque eu não quero ter que pensar que qualquer pedaço de música que nós construímos tem que ser tão precioso que precisa de uma grande campanha, então nós decidimos fazer a SYR pela qual podemos atualmente lançar discos. Não é do interesse da Geffen. Eles não querem lidar com música que não pode chegar ao rádio, e há muito poucas estações de rádio interessadas em tocar a música dos nossos lançamentos da SYR . . . " (Thurston Moore, em entrevista a Maryse Laloux e Toby L, do RockFeedBack.com)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2003
"Eu não consigo imaginar nenhum de nós fazendo outra banda de modo tão sério como com o Sonic Youth. (...) Tocar é por que eu vivo, basicamente. (...) É inacreditavelmente divertido. E eu realmente não consigo imaginar uma banda mais divertida para eu estar nela, em termos de fazer o que a gente faz e sobreviver fazendo música. A gente não está ficando rico, mas estamos possibilitados a continuar fazendo isso, o que é perfeito. (...) Excursionar com Neil, Iggy canta uma música com a gente no palco, conhecer Lou Reed . . . tem sido muito inacreditável e continua sendo e nós continuamos super-excitados com artistas novos que a gente vê e bandas novas e todas essas coisas." (Lee Ranaldo)
Sonic Youth - custos
Daydream Nation: US$ 30,000
Goo: US$ 200,000
Daydream Nation: US$ 30,000
Goo: US$ 200,000
Leitura é milagrosa. Eu amo música. Leitura de livros sobre música é milagre. Mate-me Por Favor despertou-me para o punk original, e assim por diante. É essencial o amante de música buscar o milagre, porque ele está disponível. Palavras de filhos da puta são o Evangelho para nós, amantes da música. São eles, os filhos da puta, os nossos "orixás" - termo que o Suzin usa para se referir àqueles de quem a gente depende para o endossamento das nossas idéias, noutras palavras, aos que nos fornecem "argumento de autoridade". Olha só o que aconteceu com o Iggy Pop:
"Eu li este livro nojento com um grau de interesse fora do comum. (...) No fim de cada capítulo eu experimentei um sentimento de exaustão e depressão, combinado com um desejo de ouvir de novo a música do artista/assunto. (...) Lendo este livro assustador, eu quis ouvir a música de novo. Eu fiquei interessado." (Prefácio do Iggy Pop para: KENT, Nick. The dark stuff - selected writings on rock music. Livro que a Manuela vai ganhar de natal, e eu vou ler e vou colar várias coisas aqui. Tem textos do jornalista britânico sobre Syd Barrett, Lou Reed, Brian Wilson etc.)
"Eu li este livro nojento com um grau de interesse fora do comum. (...) No fim de cada capítulo eu experimentei um sentimento de exaustão e depressão, combinado com um desejo de ouvir de novo a música do artista/assunto. (...) Lendo este livro assustador, eu quis ouvir a música de novo. Eu fiquei interessado." (Prefácio do Iggy Pop para: KENT, Nick. The dark stuff - selected writings on rock music. Livro que a Manuela vai ganhar de natal, e eu vou ler e vou colar várias coisas aqui. Tem textos do jornalista britânico sobre Syd Barrett, Lou Reed, Brian Wilson etc.)
Lydia Lunch - O que está acontecendo com o Sonic Youth neste momento?
Thurston Moore - Nós estamos compondo e gravando músicas novas. A primeira é Peace Attack, que é um determinante para o resto do álbum. Estou fazendo composições que têm uma qualidade sufocante - que têm a vibração de uma boa música do Fleetwood Mac - mas que ao mesmo tempo são completamente "fora do lugar". Coisas estão diferentes agora. Eu quero fazer uma música, gravá-la e colocá-la para download. Fazer isso durante meio ano, depois compilar tudo para os compradores de CDs.
(Entrevista feita neste mês para o site do Napster.)
Thurston Moore - Nós estamos compondo e gravando músicas novas. A primeira é Peace Attack, que é um determinante para o resto do álbum. Estou fazendo composições que têm uma qualidade sufocante - que têm a vibração de uma boa música do Fleetwood Mac - mas que ao mesmo tempo são completamente "fora do lugar". Coisas estão diferentes agora. Eu quero fazer uma música, gravá-la e colocá-la para download. Fazer isso durante meio ano, depois compilar tudo para os compradores de CDs.
(Entrevista feita neste mês para o site do Napster.)
Havia uma disseminação de chimpanzés, ontem, pelas ruas de Porto Alegre. E eles emitiam sons que provocavam indisposição estomacal nos indivíduos da espécie Homo sapiens sapiens.
"É artificial trabalhar na chuva." É a teoria óbvia (mas que eu nunca tinha ouvido falar, nem de mim mesmo) da minha noiva. "Garanto que os homens de Neanderthal não saíam das cavernas." Não mesmo. Garanto ainda que são raros os animais que saem na chuva. Eu ODEIO chuva - em mim, na minha roupa e nas minhas coisas.
O show da Blanched no sábado foi para mim o melhor da sua existência. Precisão. Entrosamento. Alma. Energia. Afinação. Conforto. Leveza. Volume. Incentivo. Reconhecimento. "O show de vocês está muito pessoal. Está próximo." (Júnior Garcia) "Parabéns. E esse é o primeiro de vários parabéns que eu vou te dar. Porque a banda só está crescendo." (Mack) "A última música é linda." (Porsche) "Vocês estavam todos inspirados, tocando com a alma." (Andréia Vigo) "Belos dedilhados. É sempre um prazer ver o senhor tocar." (Hermano Freitas) "A Blanched foi a banda da noite." (Rui Reinher) "Foi lindo. Bá..." (Manuela Colla)
Quero fazer os poemas das coisas materiais,
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade.
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho...
Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
- existirão milagres mais estranhos?
(Walt Whitmann)
pois imagino que esses hão de ser
os poemas mais espirituais.
E farei os poemas do meu corpo
E do que há de mortal.
Pois acredito que eles me trarão
Os poemas da alma e da imortalidade.
E à raça humana eu digo:
-Não seja curiosa a respeito de Deus,
pois eu sou curioso sobre todas as coisas
e não sou curioso a respeito de Deus.
Não há palavra capaz de dizer
Quanto eu me sinto em paz
Perante Deus e a morte.
Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
Embora de Deus mesmo eu não entenda
Nem um pouquinho...
Ora, quem acha que um milagre alguma coisa demais?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres...
Cada momento de luz ou de treva
É para mim um milagre,
Milagre cada polegada cúbica de espaço,
Cada metro quadrado de superfície
Da terra está cheio de milagres
E cada pedaço do seu interior
Está apinhado de milagres.
O mar é para mim um milagre sem fim:
Os peixes nadando, as pedras,
O movimento das ondas,
Os navios que vão com homens dentro
- existirão milagres mais estranhos?
(Walt Whitmann)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Entrevista com Lee Ranaldo no ônibus de turnê do Sonic Youth em Philadelphia, em 10 agosto de 2002. Entrevistadores: Dan Ruccia e Greg Lyon da, de Princeton.
Lee Ranaldo - Mesmo numa gravação como a nossa última, Murray Street, em que algumas das músicas originaram-se com coisas que Thurston tem trabalhado no violão, ainda tudo vai para a banda e começa o processo de desmantelamento e remontagem de uma determinada forma. E você sabe que leva um bom tempo para compor e gravar um álbum, um processo de 3 ou 4 a 7 ou 8 meses, e depois você sai e toca isso numa turnê por um longo período, então você investe um tipo diferente de energia nisso.
Lee Ranaldo - Thurston e eu temos trabalhado no mundo literário, publicado livros ou coisas assim, e Thurston e Steve e Jim têm selos nos quais trabalham. Todos temos coisas diferentes que fazemos. Então, nós estamos bem conscientes do fato que temos blocos de tempo que são reservados para o Sonic Youth, durante os quais tentamos não fazer muitas outras coisas.
Greg Lyon - . . . outro dia eu ouvi Dirty Boots pela primeira vez depois de muito tempo e eu pensei comigo mesmo "Uau, essa é uma canção realmente pegajosa!" As composições e estruturas de vocês estão muito mais complexas agora quando parece que não há mais músicas quase-pop pegajosas.
Lee Ranaldo - Você acha que não?
Bem, elas são legais mas? elas estão muito mais complexas, eu acho, do que Dirty Boots. Você não acha?
Lee Ranaldo - Eu diria que não. Eu não acho que elas sejam diferentes de Dirty Boots. Eu acho que uma música como Sunday, do A Thousand Leaves, ou ainda The Empty Page, deste disco, são tão pop quanto Dirty Boots ou alguma coisa daquele período.
(Continua...)
Lee Ranaldo - Mesmo numa gravação como a nossa última, Murray Street, em que algumas das músicas originaram-se com coisas que Thurston tem trabalhado no violão, ainda tudo vai para a banda e começa o processo de desmantelamento e remontagem de uma determinada forma. E você sabe que leva um bom tempo para compor e gravar um álbum, um processo de 3 ou 4 a 7 ou 8 meses, e depois você sai e toca isso numa turnê por um longo período, então você investe um tipo diferente de energia nisso.
Lee Ranaldo - Thurston e eu temos trabalhado no mundo literário, publicado livros ou coisas assim, e Thurston e Steve e Jim têm selos nos quais trabalham. Todos temos coisas diferentes que fazemos. Então, nós estamos bem conscientes do fato que temos blocos de tempo que são reservados para o Sonic Youth, durante os quais tentamos não fazer muitas outras coisas.
Greg Lyon - . . . outro dia eu ouvi Dirty Boots pela primeira vez depois de muito tempo e eu pensei comigo mesmo "Uau, essa é uma canção realmente pegajosa!" As composições e estruturas de vocês estão muito mais complexas agora quando parece que não há mais músicas quase-pop pegajosas.
Lee Ranaldo - Você acha que não?
Bem, elas são legais mas? elas estão muito mais complexas, eu acho, do que Dirty Boots. Você não acha?
Lee Ranaldo - Eu diria que não. Eu não acho que elas sejam diferentes de Dirty Boots. Eu acho que uma música como Sunday, do A Thousand Leaves, ou ainda The Empty Page, deste disco, são tão pop quanto Dirty Boots ou alguma coisa daquele período.
(Continua...)
1. Fez a revista nonsense Abu.
2. Fez a Video Hits, um dos picos da história do rock brasileiro dos anos 90.
3. Tem carisma, ótima voz, ousadia e faz belas melodias.
4. Chamou uma banda sua de Doiseu Mimdoisema, porque
Di = Dois
ego = eu
Me = Mim
di = dois
na = em+a
Portanto, Diego Medina é mais um a entrar no meu rol dos filhos da puta.
2. Fez a Video Hits, um dos picos da história do rock brasileiro dos anos 90.
3. Tem carisma, ótima voz, ousadia e faz belas melodias.
4. Chamou uma banda sua de Doiseu Mimdoisema, porque
Di = Dois
ego = eu
Me = Mim
di = dois
na = em+a
Portanto, Diego Medina é mais um a entrar no meu rol dos filhos da puta.
Eu repassei o e-mail do Muriel comentando os Bypass para os próprios caras. O Nuno colou no Bla-Blue-Blog. Os interessados numa cópia do CD dessa banda portuguesa de pós rock me dêem um CD-R. E os portugueses peçam cópia do EP da Blanched para os Bypass ;-)
"Recentemente foi divulgado que a Blanched, uma das minhas bandas nacionais preferidas, está prestes a entrar em estúdio novamente... estou muito ansioso para saber quais de suas belas canções serão escolhidas, pois pelo que sei será novamente um EP, pois contrariando as expectativas (pelo menos as minhas) eles continuam sem selo, o que me deixa seriamente pensativo quanto ao critério de escolhas dos mesmos!" (Daniel Matos)
"Douglas conta que, para ele, seu blog é como uma publicação dinâmica e eterna dos seus pensamentos, 'por isso chamo de pensamentos em voz alta'. Todas aquelas idéias que vêm à cabeça durante os dias e as noites, ele tenta guardar para escrever depois. 'Talvez transforme o que está lá escrito num livro algum dia, coletando as coisas de maior qualidade e melhorando-as ou não'." (Manu, para o Portal 3. Não diz a data.)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2003
Mês Sonic Youth. Hoje é a vez de algumas falas do Lee Ranaldo, em entrevista a Justin Stinkovich, do site Epitonic.
"Nós realmente não tivemos um conceito em mente no começo de Murray Street, exceto que nós queríamos gastar um pouco mais de tempo nele e ter um pouco mais de cuidado, ou cuidá-lo de uma forma diferente, do que o nosso último par de gravações."
Ele disse que já gravaram coisas no estúdio deles, Echo Canyon, a cantora espanhola Christina Rosenvinge (que Lee produziu), Mark Eitzel, Richard Hell e uma banda de New York chamada AM Radio. Que recuperaram apenas uma guitarra de toda aquela tonelada de equipamentos roubados antes das gravações do NYC Ghosts & Flowers, comprando-a de um cara que tinha comprado ela de outro cara.
"Nós começamos a tocar com um bocado de coisas estranhas depois disso. Nós realmente não tínhamos escolha. Nós tivemos que comprar um monte de coisa rapidamente para terminar os quatro ou cinco shows depois que tudo foi roubado em Los Angeles... e a gente não estava super feliz com isso. Foi interessante porque as coisas que foram roubadas nós trabalhamos e desenvolvemos durante todos os anos 90. Nós estávamos muito confortáveis com nosso equipamento e então tudo de repente foi puxado de debaixo dos nossos pés, então foi uma chance de tentar algumas coisas novas - re-comprar o que a gente realmente queria e que não podia viver sem e, por outro lado, tentar guitarras, efeitos e amplificadores diferentes. No fim das contas, apesar do trauma de ter tudo roubado, foi uma coisa boa para nós. Nos fez cair fora de onde estivéramos por um longo tempo e tentar coisas diferentes. Eu tenho certeza que isso transpareceu na maneira como os álbuns posteriores soam."
"Nós realmente não tivemos um conceito em mente no começo de Murray Street, exceto que nós queríamos gastar um pouco mais de tempo nele e ter um pouco mais de cuidado, ou cuidá-lo de uma forma diferente, do que o nosso último par de gravações."
Ele disse que já gravaram coisas no estúdio deles, Echo Canyon, a cantora espanhola Christina Rosenvinge (que Lee produziu), Mark Eitzel, Richard Hell e uma banda de New York chamada AM Radio. Que recuperaram apenas uma guitarra de toda aquela tonelada de equipamentos roubados antes das gravações do NYC Ghosts & Flowers, comprando-a de um cara que tinha comprado ela de outro cara.
"Nós começamos a tocar com um bocado de coisas estranhas depois disso. Nós realmente não tínhamos escolha. Nós tivemos que comprar um monte de coisa rapidamente para terminar os quatro ou cinco shows depois que tudo foi roubado em Los Angeles... e a gente não estava super feliz com isso. Foi interessante porque as coisas que foram roubadas nós trabalhamos e desenvolvemos durante todos os anos 90. Nós estávamos muito confortáveis com nosso equipamento e então tudo de repente foi puxado de debaixo dos nossos pés, então foi uma chance de tentar algumas coisas novas - re-comprar o que a gente realmente queria e que não podia viver sem e, por outro lado, tentar guitarras, efeitos e amplificadores diferentes. No fim das contas, apesar do trauma de ter tudo roubado, foi uma coisa boa para nós. Nos fez cair fora de onde estivéramos por um longo tempo e tentar coisas diferentes. Eu tenho certeza que isso transpareceu na maneira como os álbuns posteriores soam."
Pior Videoclipe de Banda Boa de Todos os Tempos: Air - Kelly Watch The Stars. Kelly está disputando uma partida de ping-pong e, ao mesmo tempo, a dupla francesa está em casa disputando o ping-pong aquele que foi o primeiro videogame da história, e no joystick de um deles está escrito Kelly. Fica essa coisa enfadonha até que Kelly leva uma bolinhada na cabeça e cai, e sua alma sai do corpo. Depois a alma volta e nem sei se por causa disso ela ganha, parei de olhar. Horrível. Sério.
Cartas ao Papai Noel.
"Oi papai noel quer ir ao fliperama comigo eu tenho dez fichas?" (Gabriel, 1ª série)
"Oi Noeu eu cero ti contar uma piada é a do pepino do mar que incontra com o molusco. O pepino do mar estava andando meio triste entam o molusco andava ainda mais na verdade ele nam anda mas rasteja e o molusco dá de cara com o pepino do mar e os dois dam risada cucaucaucaucaucaucaucucauca" (Fabrício, 1ª série)
"Oi papai noel quer ir ao fliperama comigo eu tenho dez fichas?" (Gabriel, 1ª série)
"Oi Noeu eu cero ti contar uma piada é a do pepino do mar que incontra com o molusco. O pepino do mar estava andando meio triste entam o molusco andava ainda mais na verdade ele nam anda mas rasteja e o molusco dá de cara com o pepino do mar e os dois dam risada cucaucaucaucaucaucaucucauca" (Fabrício, 1ª série)
Nesta madrugada, quando eu levantei para fazer xixi, estas palavras APARECERAM na minha mente, prontas, e eu as anotei para que não as esquecesse. (Faz mais sentido para quem viu O Pescador De Ilusões, do Terry Gilliam.)
[red knight]
como quem dança a inabalável
dança da realidade, me atiro nos
braços do cavaleiro vermelho pra
ver até onde ele pode me levar.
[red knight]
como quem dança a inabalável
dança da realidade, me atiro nos
braços do cavaleiro vermelho pra
ver até onde ele pode me levar.
Blanched
Blemish
Superphones
13 de dezembro
próximo sábado
O Apanhador
Pedro Adams Fº, 4416
Putzel Beer
R$ 6
23h
NH
Blemish
Superphones
13 de dezembro
próximo sábado
O Apanhador
Pedro Adams Fº, 4416
Putzel Beer
R$ 6
23h
NH
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
"Fruet [produtor] foi legal ao dizer que grande parte do trabalho já está pronto, ou seja, nós [Blanched] somos legais." (Leonardo Fleck)
Eis o Mês Sonic Youth.
"Quando o punk rock aparece, você simplesmente joga todos os seus discos pela janela. Eu me lembro que eu estava na casa da minha mãe em 1978. Eu estava olhando para os meus discos antigos e vi meus Led Zeppelins e Pink Floyds, que eu tinha esquecido que existiam. Eu nem percebia que eu ainda os tinha. Eu me lembro de me sentir bastante chocado. Foi uma sensação estranha e tudo aquilo parecia tão longe, tão distante. Eu acho que é importante as pessoas redescobrirem elementos do rock dos anos 70. Foi um período extraordinário." (Thurston, para a Cut, em março de 1989)
"A cena no-wave (Contortions, DNA, Lydia Lunch, Mars...) era anti-rock total. Os Sex Pistols estavam supostamente destruindo o rock & roll, mas eles estavam apenas tocando acordes Chuck Berry um pouco mais rápido e despreocupado e alto." (Thurston, em entrevista a Patti)
Top 13 do Thurston Moore:
Funhouse (Stooges)
White light/white heat (Velvet Underground)
Marquee moon (Television)
Blank generation (Richard Hell & The Voidoids)
Ramones (Ramones)
Radio Ethiopia (Patti Smith)
Damaged (Black Flag)
Bug (Dinosaur Jr)
It takes a nation of millions to hold us back (Public Enemy)
Impressions (John Coltrane)
Ege bamyasi (Can)
Bleach (Nirvana)
Killer (Alice Cooper)
Funhouse (Stooges)
White light/white heat (Velvet Underground)
Marquee moon (Television)
Blank generation (Richard Hell & The Voidoids)
Ramones (Ramones)
Radio Ethiopia (Patti Smith)
Damaged (Black Flag)
Bug (Dinosaur Jr)
It takes a nation of millions to hold us back (Public Enemy)
Impressions (John Coltrane)
Ege bamyasi (Can)
Bleach (Nirvana)
Killer (Alice Cooper)
"Whitman é tão espetacular, você não acha? O modo com que suas palavras parecem respirar, e têm cor, e forma, e textura! Como um membro do Sonic Youth e um artista solo eu estou também tocando com o mesmo tipo de evocação. Da mesma forma que ele improvisa com imagens e palavras, nós improvisamos com sons e notas." (Thurston, em entrevista à Spike Magazine, na época do lançamento de NYC Ghosts & Flowers)
"Musicalmente nós somos muitos mais extremos e radicais do que as porções de bandas que parecem entregar-se ao aspecto mais seguro da coisa do Nirvana de verso/refrão/verso, que sempre me desaponta de alguma forma. Este era um aspecto da música do Nirvana de que Kurt me disse que queria se distanciar." (Thurston, em entrevista à Spike Magazine, na época do lançamento de NYC Ghosts & Flowers)
BACKBEAT BAND
Dave Grohl (Foo Fighters) - bateria
Mike Mills (R.E.M.) - baixo
Thurston Moore (Sonic Youth) - guitarra
Greg Dulli (Afghan Whigs) - vocal
Dave Pirner (Soul Asylum) - vocal
Don Fleming (Gumball) - guitarra
Don Fleming (Teenage Fanclub, Hole) - produção
Dave Grohl (Foo Fighters) - bateria
Mike Mills (R.E.M.) - baixo
Thurston Moore (Sonic Youth) - guitarra
Greg Dulli (Afghan Whigs) - vocal
Dave Pirner (Soul Asylum) - vocal
Don Fleming (Gumball) - guitarra
Don Fleming (Teenage Fanclub, Hole) - produção
O gaúcho [taquarense e colega de 2º grau meu e do Muriel no Colégio Santa Teresinha] Grecco Buratto começou tocar guitarra aos 8 anos de idade e, aos 17, foi o vencedor de um concurso entre 60 guitarristas, realizado em Porto Alegre. Dois anos depois, mudou-se para Hollywood e ingressou na escola G.I.T., onde descobriu os segredos das bases infernais de guitarra. Ele se tornou um especialista em guitarra rítmica de diversos estilos - pop, rock, funk, soul, música brasileira. O empenho de Grecco foi recompensado. Sua guitarra rítmica, precisa como um relógio suíço e cortante como uma navalha, ganhou fama e, hoje, ele toca com Airto Moreira e Flora Purim, Sérgio Mendes, Pink, Boyz II Men, entre outros grandes artistas.
Como músico de estúdio, ele já participou de importantes trilhas, como o comercial mundial da Honda e do filme Saborosa Paixão. Ele também tocou em recente vinheta do novo show de Christina Aguillera, gravou com Robben Ford e Russell Ferrante e faz parte da banda de pop rock World Without Sundays. Grecco é um exemplo de que estudo dá ótimos resultados. (...)
(Precisão suíça. Guitar Player nº 86.)
Como músico de estúdio, ele já participou de importantes trilhas, como o comercial mundial da Honda e do filme Saborosa Paixão. Ele também tocou em recente vinheta do novo show de Christina Aguillera, gravou com Robben Ford e Russell Ferrante e faz parte da banda de pop rock World Without Sundays. Grecco é um exemplo de que estudo dá ótimos resultados. (...)
(Precisão suíça. Guitar Player nº 86.)
. . . a maneira mais rápida de obter novas inspirações talvez seja desafinar a sua guitarra. No processo de redescobrimento da parte visual e sonora do instrumento afinado de maneira diferente, você tropeça em novos grooves, riffs, acordes e melodias.
Durante gerações, guitarristas fizeram experiências com diferentes esquemas de afinação num esforço de desenvolver a criatividade, encontrar novos sons ou simplificar passagens difíceis de serem tocadas. Com o passar dos anos, diversas afinações surgiram como alternativas diferentes à tradicional E, A, D, G, B, E. As afinações em D aberto e G aberto provaram ser as mais úteis e aceitas. (...)
A HISTÓRIA DA D ABERTO
Guitarristas têm tocado em D aberto desde o século 19. Conhecida como Vestapol ou Sebastopol (nomes inspirados em uma peça popular para guitarra da época), esta afinação foi adotada por blueseiros que usavam slide, no início do século 20. Desde então, músicos de todas os estilos - de Joni Mitchell (Both Sides Now) aos Allman Brothers (Little Martha), passando por Nirvana (Lithium) a Adrian Legg (The Irish Girl) - se inspiraram nesta afinação.
Ry Cooder comentou sobre a D aberto na edição de novembro de 1992 da Guitar Player norte-americana: "É uma área de muito interesse no blues. É aqui que você encontra Elmore James e Blind Willie Johnson e esses tipos de sons. Não é tão brilhante e estridente como a G aberto - tem um som mais introspectivo. A afinação G aberto pede mudanças de acordes, mas a D aberto não exige isso. A tônica está no baixo, o que é muito legal, porque você fica enraizado. O estilo e técnica de tocar blues aparecem nesta afinação."
Do grave para o agudo, o Ex. 1 mostra as cordas abertas: D, A, D, F#, A, D. Aqui está a receita:
· Abaixe a sexta e a primeira cordas um tom inteiro. Como na afinação padrão, elas se distanciam em duas oitavas.
· Abaixe a segunda corda um tom inteiro
· Abaixe a terceira corda meio-tom.
Bata as cordas soltas e ouça o gigantesco acorde D. Do grave para o agudo, temos tônica, 5, tônica, 3, 5, tônica.
(Guitar Player nº 63)
Durante gerações, guitarristas fizeram experiências com diferentes esquemas de afinação num esforço de desenvolver a criatividade, encontrar novos sons ou simplificar passagens difíceis de serem tocadas. Com o passar dos anos, diversas afinações surgiram como alternativas diferentes à tradicional E, A, D, G, B, E. As afinações em D aberto e G aberto provaram ser as mais úteis e aceitas. (...)
A HISTÓRIA DA D ABERTO
Guitarristas têm tocado em D aberto desde o século 19. Conhecida como Vestapol ou Sebastopol (nomes inspirados em uma peça popular para guitarra da época), esta afinação foi adotada por blueseiros que usavam slide, no início do século 20. Desde então, músicos de todas os estilos - de Joni Mitchell (Both Sides Now) aos Allman Brothers (Little Martha), passando por Nirvana (Lithium) a Adrian Legg (The Irish Girl) - se inspiraram nesta afinação.
Ry Cooder comentou sobre a D aberto na edição de novembro de 1992 da Guitar Player norte-americana: "É uma área de muito interesse no blues. É aqui que você encontra Elmore James e Blind Willie Johnson e esses tipos de sons. Não é tão brilhante e estridente como a G aberto - tem um som mais introspectivo. A afinação G aberto pede mudanças de acordes, mas a D aberto não exige isso. A tônica está no baixo, o que é muito legal, porque você fica enraizado. O estilo e técnica de tocar blues aparecem nesta afinação."
Do grave para o agudo, o Ex. 1 mostra as cordas abertas: D, A, D, F#, A, D. Aqui está a receita:
· Abaixe a sexta e a primeira cordas um tom inteiro. Como na afinação padrão, elas se distanciam em duas oitavas.
· Abaixe a segunda corda um tom inteiro
· Abaixe a terceira corda meio-tom.
Bata as cordas soltas e ouça o gigantesco acorde D. Do grave para o agudo, temos tônica, 5, tônica, 3, 5, tônica.
(Guitar Player nº 63)
terça-feira, 9 de dezembro de 2003
"Eu não comecei a banda. A banda me começou." (Thurston Moore, repondendo a
Nardwuar The Human Serviette, em 17/04/1993)
Nardwuar The Human Serviette, em 17/04/1993)
Meu primo tinha 18 anos quando a vizinha dele, de quem ele gostava, matou-se, de madrugada, com um tiro na boca silenciado por um travesseiro - conta-se que as duas irmãs e os pais não ouviram o tiro, percebendo apenas de manhã, e que ela estaria grávida. Desde então, hoje ele tem 25, o meu primo tem repulsa à idéia de namorar.
Teóricos do caos
Dizem que você tem de conhecer as regras antes de quebrá-las. Se isso é verdade, poucas bandas conhecem as regras melhor do que o Sonic Youth. O Echo Canyon, estúdio do Sonic Youth em Nova York, é o laboratório sonoro em que o grupo realiza as experiências malucas que a maioria das bandas não ousaria tentar. Criando camadas de feedback em passagens sinfônicas, estendendo canções pop além dos dez minutos com finais barulhentos, tocando guitarra com objetos estranhos, mudando as fiações de pedais e torturando amps até as válvulas derreterem, o Sonic Youth gravou outra obra de arte de rock mutante que reduz o livro de regras a confete.
(...) O produtor, multiinstrumentista e 'maníaco por ruídos' Jim O'Rourke se uniu à banda (...). Todos estavam ansiosos para começar a gravar, O'Rourke já estava passando longas horas no Echo Canyon, chegando a dormir no estúdio depois de madrugadas de pré-produção. Não foi um despertador, no entanto, que o acordou em uma ensolarada manhã de setembro de 2001 - foi a horrível cacofonia criada quando, cerca de 100 andares acima de sua cabeça, o primeiro avião atingia o World Trade Center.
'O estúdio ficava a apenas dois quarteirões', relembra O'Rourke, ainda traumatizado demais para falar sobre aquele dia em um volume acima de um sussurro. 'Um motor do avião caiu na Murray Street, bem em frente à janela principal do estúdio.'
(...) Nesta entrevista, Moore [só na revista impressa], Ranaldo e O'Rourke traçam a evolução de um dos mais empolgantes e inspirados álbuns da carreira de 21 anos do Sonic Youth.
ENTREVISTA
Por que expandiram a formação do Sonic Youth?
Ranaldo: Nos últimos discos, Kim tem tocado mais guitarra com Thurston e comigo. Queríamos continuar com aquela idéia de três guitarras, mas começamos a sentir falta dos graves que o baixo dela fornecia. Jim - com quem trabalhamos desde o início dos anos 90 - mixou o nosso último álbum, NYC Ghosts and Flowers, e gravou algumas linhas de baixo. Suas partes saíram tão legais que o convidamos para sair em turnê conosco e tocá-las ao vivo. Quando chegou o momento de fazer Murray Street, decidimos considerá-lo um membro da banda.
Qual foi seu papel em Murray Street?
O'Rourke: Toquei baixo em dois terços das músicas e guitarra em quase todas elas. Ao vivo, toco baixo, o que significa que Lee às vezes tem de tocar minhas partes de guitarra. É a primeira vez que ele tem de tocar partes que não são dele. E, apesar de que sou creditado como o produtor do álbum, atuei mais como engenheiro. A produção do álbum foi um trabalho democrático da banda.
As primeiras críticas de Murray Street disseram que o álbum apresenta guitarras - mais focalizadas - do que em outros discos do Sonic Youth.
Ranaldo: Eu não diria que isso é verdade. As guitarras são focalizadas em todos os nossos discos. Elas estão centradas no que tentamos fazer, o que, desde o começo, tem sido unir interessantes estruturas de música. Talvez o novo disco possua coisas mais orientadas para canção, o que, por acaso, é mais palatável e familiar aos seus ouvidos.
O'Rourke: É irônico quando um jornalista acha que quando ele ouve um disco uma ou duas vezes, ele emprega a mesma quantidade de pensamento que foi colocada pelas pessoas que passaram um ano gravando-o. Alguns álbuns não possuem tudo exposto na superfície, e requerem que as pessoas escutem diversas vezes para ver como as partes funcionam juntas. (...)
(Guitar Player nº 84)
Dizem que você tem de conhecer as regras antes de quebrá-las. Se isso é verdade, poucas bandas conhecem as regras melhor do que o Sonic Youth. O Echo Canyon, estúdio do Sonic Youth em Nova York, é o laboratório sonoro em que o grupo realiza as experiências malucas que a maioria das bandas não ousaria tentar. Criando camadas de feedback em passagens sinfônicas, estendendo canções pop além dos dez minutos com finais barulhentos, tocando guitarra com objetos estranhos, mudando as fiações de pedais e torturando amps até as válvulas derreterem, o Sonic Youth gravou outra obra de arte de rock mutante que reduz o livro de regras a confete.
(...) O produtor, multiinstrumentista e 'maníaco por ruídos' Jim O'Rourke se uniu à banda (...). Todos estavam ansiosos para começar a gravar, O'Rourke já estava passando longas horas no Echo Canyon, chegando a dormir no estúdio depois de madrugadas de pré-produção. Não foi um despertador, no entanto, que o acordou em uma ensolarada manhã de setembro de 2001 - foi a horrível cacofonia criada quando, cerca de 100 andares acima de sua cabeça, o primeiro avião atingia o World Trade Center.
'O estúdio ficava a apenas dois quarteirões', relembra O'Rourke, ainda traumatizado demais para falar sobre aquele dia em um volume acima de um sussurro. 'Um motor do avião caiu na Murray Street, bem em frente à janela principal do estúdio.'
(...) Nesta entrevista, Moore [só na revista impressa], Ranaldo e O'Rourke traçam a evolução de um dos mais empolgantes e inspirados álbuns da carreira de 21 anos do Sonic Youth.
ENTREVISTA
Por que expandiram a formação do Sonic Youth?
Ranaldo: Nos últimos discos, Kim tem tocado mais guitarra com Thurston e comigo. Queríamos continuar com aquela idéia de três guitarras, mas começamos a sentir falta dos graves que o baixo dela fornecia. Jim - com quem trabalhamos desde o início dos anos 90 - mixou o nosso último álbum, NYC Ghosts and Flowers, e gravou algumas linhas de baixo. Suas partes saíram tão legais que o convidamos para sair em turnê conosco e tocá-las ao vivo. Quando chegou o momento de fazer Murray Street, decidimos considerá-lo um membro da banda.
Qual foi seu papel em Murray Street?
O'Rourke: Toquei baixo em dois terços das músicas e guitarra em quase todas elas. Ao vivo, toco baixo, o que significa que Lee às vezes tem de tocar minhas partes de guitarra. É a primeira vez que ele tem de tocar partes que não são dele. E, apesar de que sou creditado como o produtor do álbum, atuei mais como engenheiro. A produção do álbum foi um trabalho democrático da banda.
As primeiras críticas de Murray Street disseram que o álbum apresenta guitarras - mais focalizadas - do que em outros discos do Sonic Youth.
Ranaldo: Eu não diria que isso é verdade. As guitarras são focalizadas em todos os nossos discos. Elas estão centradas no que tentamos fazer, o que, desde o começo, tem sido unir interessantes estruturas de música. Talvez o novo disco possua coisas mais orientadas para canção, o que, por acaso, é mais palatável e familiar aos seus ouvidos.
O'Rourke: É irônico quando um jornalista acha que quando ele ouve um disco uma ou duas vezes, ele emprega a mesma quantidade de pensamento que foi colocada pelas pessoas que passaram um ano gravando-o. Alguns álbuns não possuem tudo exposto na superfície, e requerem que as pessoas escutem diversas vezes para ver como as partes funcionam juntas. (...)
(Guitar Player nº 84)
"Predisposições. (...) Se você ficar se predispondo a sempre se achar a maior vítima do universo, será vitimado, porém muito em parte pelos seus próprios atos." (Thiane)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2003
Eraserhead, Estrada Perdida e Mulholland Drive são praticamente a trilogia perfeita do David Lynch, no sentido que o Carlo Pianta pensou, de que os filmes desse diretor são (como) músicas. Eraserhead teve sua primeira exibição no Brasil ontem, no Cine Santander, em Porto Alegre, numa mostra produzida pela Andréia Vigo, namorada do Muriel Paraboni. Deu tumulto porque a sala só tinha 94 lugares e o batalhão indie todo da cidade queria estar lá dentro. (Detalhe: a primeira sessão do filme, em 1977, em Nova York, teve 25 espectadores.) Durante a exibição, impressionou-me o fato de muitos dos presentes terem rido de cenas do filme que não são nada risíveis. Depois, teve o debate com o psicanalista Abrão Slavutsky, o cinéfilo Thomaz Albornoz e o que-não-disse-o-que-era Marcus Mello. Este se baseou, provavelmente, num estudo do Intercom. Ele observou que o Lynch une o suspense de poucas palavras do Alfred Hitchcock com o surrealismo do espanhol Luis Buñuel, que realizou, com o artista plástico surrealista Salvador Dalí, o filme Cão Andaluz. "Escrevemos este roteiro em menos de uma semana e seguimos uma regra muito simples: não aceitar idéia ou imagem alguma que pudesse dar lugar a uma explicação racional, psicológica ou cultural. Abrir todas as portas ao irracional. Não admitir nada além das imagens que nos impressionavam, sem tratar de averiguar por que." Já o psicanalista, antes de comparar interessantemente o caos dos filmes com o caos da mente humana, começou citando um diálogo do Eraserhead:
- O que você me conta?
- Eu não sei quase nada de nada.
Mesmo assim, os dois tentaram, contradizendo a si mesmos, explicar os filmes do David Lynch, o que me deixava com cada vez mais dor de barriga. O Marcus chegou a dizer que o mais importante é o que um filme tem a dizer, coisa que não se aplica de forma alguma, na minha opinião, ao cinema do Lynch. Nas palavras do próprio cineasta: "Para algumas pessoas, a idéia de que a vida é desprovida de sentido é simplesmente apavorante." (Mais informações sobre o cara, neste meu post antigo.)
No entanto, a Manuela me disse uma coisa importante: "Eu não quero saber o que o diretor pensa, eu quero saber o que eu senti com o filme."
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Michael Stipe fez backing vocals nos dois últimos discos da Patti Smith, Peace And Noise (1997) e Gung Ho (2000). No Gone Again (1996) - dedicado às mortes, em 1994, do Kurt Cobain e do marido dela, Fred "Sonic" Smith - Jeff Buckley faz vocais. Dream Of Life (1988) tem Scott Litt como assistente do produtor - o marido dela, guitarrista fundador do MC5 - responsável pela mixagem.
Scott Litt começou sua carreira nos anos 70, como engenheiro de som. Sua primeira produção importante foi a terceira que fez, em 1986, trabalhando com Matthew Sweet - que tem um disco citado na lista da Rolling Stone dos melhores da década de 90. Mas o sucesso mesmo veio em 1987, com o Document, do R.E.M. Depois disso, produziu todos os trabalhos da banda de Atlanta. Litt trabalhou também com os Replacements, a Patti Smith e o Nirvana, remixando o In Utero - para ficar "mais radiofônico" do que a mixagem do Steve Albini - e produzindo o MTV Unplugged In New York. (AMG)
O Jack White pode tocar baixo - ironicamente, já que os White Stripes são famosos por não terem baixo - em algumas faixas do próximo disco do Iggy Pop, Skull Ring. O Iggy foi tão inspirado pelos Stripes que ele baseou algumas composições novas no som da banda e chamou White para gravar. Sobre a música Loser, James Ostemberg disse: "Eu a escrevi depois de ouvir White Blood Cells, porque eu pensei 'Meu Deus, eles ão um pouco Stooges, um pouco Pretenders, e eu posso fazer isso'. Eu decidi que se eles me revisitaram, eu vou revisitar eles." E mais: "Jack quer fazer um álbum dos Stooges, mas os Stooges não estão prontos para isso." (NME)
Pareceres dos relatores do Fumproarte sobre o Ambivalência:
"Em Banquete, Platão faz uma referência ao espanto como qualidade do espírito dos filósofos e, por extensão, dos poetas. (...) Tais considerações nos vêm ao tentar alcançar o mérito de Ambivalência por terem os autores assumido um diferencial filosófico no seu fazer poético. (...) Um fazer poético pós-moderno que se utiliza de multilinguagens, fazendo uso do ortodoxo e também do anárquico . . . características bem presentes em Ambivalência, tanto na temática do homem-contraditório entre natureza e civilização-incivilizada não mais mediada por um ego-íntimo perfeitamente cônscio de si mesmo, como na forma picotada, sôfrega, onde a pontuação tanto existe à revelia da sintaxe, como inexiste, à revelia da gramática, sendo tudo isso multissignificativo, valendo como signo do ritmo doido do viver pós-moderno. (...) Ver a realidade do poema é até fácil, surpreendendo-o nas idas e vindas da palavra que se quer sôfrega e escorregadia, tangenciando cotidianos e impressões e desmanchando-se na náusea de não conseguir dizer tudo que pretendia. Como sempre. Qualquer poeta compreende esta tentativa infrutífera que apenas deixa a marca do que quis dizer... Portanto, perseguir esta marca é o que comprova a poesia . . . o dizer não dizendo ou não conseguindo dizer, o silêncio de desvelar e ocultar, ocultar e desvelar (...)." (Terezinha Medeiros Cunha)
"Ambivalência é um projeto repleto de predicados para os dias de hoje em que homens e mulheres estão constantemente em busca de respostas para suas consternações e suas implicações. O projeto é extremamente coerente. (...) É importante para Porto Alegre lançar novos talentos literários, principalmente quando são instigantes, e demonstram com lucidez o interesse em investigar as relações sociológicas e antropológicas com ênfase." (Neidmar Roger Charão Alves)
". . . é instigante e revelador da nova geração de artistas e intelectuais no cenário portoalegrense. Os jovens autores tem tido uma atuação constante e produtiva, demonstrando em outros projetos realizados muita força e tenacidade na finalização e execução de suas idéias. Os textos e ilustrações projetam uma obra enriquecedora e meritória dos seus objetivos." (Paulo Leônidas)
"Em Banquete, Platão faz uma referência ao espanto como qualidade do espírito dos filósofos e, por extensão, dos poetas. (...) Tais considerações nos vêm ao tentar alcançar o mérito de Ambivalência por terem os autores assumido um diferencial filosófico no seu fazer poético. (...) Um fazer poético pós-moderno que se utiliza de multilinguagens, fazendo uso do ortodoxo e também do anárquico . . . características bem presentes em Ambivalência, tanto na temática do homem-contraditório entre natureza e civilização-incivilizada não mais mediada por um ego-íntimo perfeitamente cônscio de si mesmo, como na forma picotada, sôfrega, onde a pontuação tanto existe à revelia da sintaxe, como inexiste, à revelia da gramática, sendo tudo isso multissignificativo, valendo como signo do ritmo doido do viver pós-moderno. (...) Ver a realidade do poema é até fácil, surpreendendo-o nas idas e vindas da palavra que se quer sôfrega e escorregadia, tangenciando cotidianos e impressões e desmanchando-se na náusea de não conseguir dizer tudo que pretendia. Como sempre. Qualquer poeta compreende esta tentativa infrutífera que apenas deixa a marca do que quis dizer... Portanto, perseguir esta marca é o que comprova a poesia . . . o dizer não dizendo ou não conseguindo dizer, o silêncio de desvelar e ocultar, ocultar e desvelar (...)." (Terezinha Medeiros Cunha)
"Ambivalência é um projeto repleto de predicados para os dias de hoje em que homens e mulheres estão constantemente em busca de respostas para suas consternações e suas implicações. O projeto é extremamente coerente. (...) É importante para Porto Alegre lançar novos talentos literários, principalmente quando são instigantes, e demonstram com lucidez o interesse em investigar as relações sociológicas e antropológicas com ênfase." (Neidmar Roger Charão Alves)
". . . é instigante e revelador da nova geração de artistas e intelectuais no cenário portoalegrense. Os jovens autores tem tido uma atuação constante e produtiva, demonstrando em outros projetos realizados muita força e tenacidade na finalização e execução de suas idéias. Os textos e ilustrações projetam uma obra enriquecedora e meritória dos seus objetivos." (Paulo Leônidas)
Encontrei isto procurando uma letra do Faith No More:
"a apreciação da arte não é imediata, espontânea, ao contrário do que se imagina. para que possamos emocionar-nos com uma obra, é necessário uma relação bem mais complexa, pois temos em jogo não só a nossa visão, mas também a do artista. quando dizemos que 'gostamos' ou 'não gostamos' de uma obra, isto não é apenas uma 'opinião livre' - mesmo que acreditemos nisso - mas sim uma determinação da realidade por todos os instrumentos que possuímos para manter relações com a cultura que nos rodeia. o complexo de elementos dentro de nós está reagindo ao que está fora. no entanto, nunca vamos conhecer completamente a 'verdade' desta obra. importante lembrar que, apesar disso, só conseguiremos entender 'melhor' uma obra e achar vários sentidos na mesma se estivermos frequentemente 'sintonizados' com seu contexto. muito ao contrário do que se pensa, também, as relações humanas não acontecem por acaso. pelo menos no fator 'empatia'. o que faz muitas vezes nos aproximarmos de determinado indivíduo não é um processo imediato, mas sim uma reação do que sentimos em relação ao sentimento vindo do exterior. entretanto, para este sentimento de afinidade continuar existindo, é preciso a convivência, a tolerância, a frequentação. sentimentos, assim como as obras, não tem o mesmo aspecto depois de uma 'tentativa de restauração'. é só pensar também em filmes ou livros em que você se identificou ou se imaginou no papel do herói e que por fim te fizeram gostar dele, ou o caso inverso."
No fim, o cara escreve: "e música também é arte. eu acho."
.. . [ e m a i l : kbtz@psynet.net ]
"a apreciação da arte não é imediata, espontânea, ao contrário do que se imagina. para que possamos emocionar-nos com uma obra, é necessário uma relação bem mais complexa, pois temos em jogo não só a nossa visão, mas também a do artista. quando dizemos que 'gostamos' ou 'não gostamos' de uma obra, isto não é apenas uma 'opinião livre' - mesmo que acreditemos nisso - mas sim uma determinação da realidade por todos os instrumentos que possuímos para manter relações com a cultura que nos rodeia. o complexo de elementos dentro de nós está reagindo ao que está fora. no entanto, nunca vamos conhecer completamente a 'verdade' desta obra. importante lembrar que, apesar disso, só conseguiremos entender 'melhor' uma obra e achar vários sentidos na mesma se estivermos frequentemente 'sintonizados' com seu contexto. muito ao contrário do que se pensa, também, as relações humanas não acontecem por acaso. pelo menos no fator 'empatia'. o que faz muitas vezes nos aproximarmos de determinado indivíduo não é um processo imediato, mas sim uma reação do que sentimos em relação ao sentimento vindo do exterior. entretanto, para este sentimento de afinidade continuar existindo, é preciso a convivência, a tolerância, a frequentação. sentimentos, assim como as obras, não tem o mesmo aspecto depois de uma 'tentativa de restauração'. é só pensar também em filmes ou livros em que você se identificou ou se imaginou no papel do herói e que por fim te fizeram gostar dele, ou o caso inverso."
No fim, o cara escreve: "e música também é arte. eu acho."
.. . [ e m a i l : kbtz@psynet.net ]
O Leonardo acha que a pior fase do dia seguinte ao dormir-pouco é a hora de sair da cama, de acordar. O Muriel, que é o pós-almoço. "Se o cara sobreviver a este período, é capaz de sobreviver a qualquer coisa no Universo." Eu, que é o final da tarde. Para mim é óbvio, porque a energia está acabando e você sabe que está quase na hora de entregar os pontos, de chegar em casa e desfalecer na cama. A maior prova é que
Acho que não dá 8 horas de sono somando as últimas duas noites minhas. Ontem começamos a tocar lá pelas 2h, depois de exibição de curtas, de um póquet, da Feira de Filhotes, da prévia metropolitana do Garota Verão 2004, da Convenção Nacional do Exército de Libertação dos Anões de Jardim, do passeio de ônibus para conhecer os pontos turísticos de Porto Alegre iluminados com luz artificial & do show de uma banda. Depois do show dessa banda, de metal, Projeto Uivo, a dona da brincadeira, estávamos montando tudo no palco quando a apresentadora anunciou a exibição de mais dois curtas "enquanto eles se preparam". Eu achei isso irônico e repeti em voz alta. Depois, ela veio tirar satisfação. Ao ouvir minha reclamação sobre não termos sido avisados do cronograma e sobre o nosso sono, ela disse "Esse é o mundo do rock, e eu tenho uma banda de 14 anos". O show da Blanched foi bom - só os elogios da Mirella, uma fã de Blonde Redhead e Slits (apenas dois exemplos), bastaram. Ela disse que a última música foi perfeita. Casa De Descanso, a nova. E eu amo a minha noiva, e 2004 vai ser ano.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2003
quarta-feira, 3 de dezembro de 2003
What I hate about recording
Steve Albini
(Trecho de The Problem With Music, publicado na Baffler nº 5, de 1993.)
1. Produtores e engenheiros que usam palavras sem sentido para fazerem seus clientes pensarem que eles sabem o que estão fazendo. Palavras como punchy, warm, groove, vibe, feel. Especialmente punchy e warm. Toda vez que eu ouço estas palavras, eu quero estrangular alguém.
2. Produtores que não são TAMBÉM engenheiros e, por isso, não têm a mínima idéia do que eles estão fazendo num estúdio, apesar de estar falando o tempo todo. Historicamente, a progressão dos esforços necessários para se tornar um produtor tem sido esta: Vá para o colégio, ganhe nota vermelha. Ganhe um emprego como assistente num estúdio. Eventualmente torne-se um segundo engenheiro. Aprenda o trabalho e se torne um engenheiro. Faça isso por alguns anos, então você pode tentar ser um produtor. (...)
3. Eletronicismos e outras merdas da moda, de que ninguém precisa realmente. (...) A moda atual é a compressão. (...) Eu quero encontrar o cara que inventou a compressão e arrancar seu fígado. Eu odeio. Faz tudo soar como uma propaganda de cerveja.
4. Aparelhos DAT. Eles soam como merda e todo estúdio de bosta tem um agora porque eles são bem baratos. (...) Fitas DAT deterioram com o tempo, e, quando isso acontece, a informação contida nelas é perdida para sempre. Eu pessoalmente vi fitas realmente ruins em menos de um mês. Usá-las como fitas-master é praticamente uma irresponsabilidade criminosa. (...)
5. Tentar soar como os Beatles. Toda gravação que eu ouço nestes dias tem vocais inacreditavelmente altos e comprimidos, e um pequeno murtmúrio de uma banda de rock no fundo. Por favor, Thurston Moore não é Paul McCartney, e ninguém na Terra pode fazer os Smashing Pumpkins soarem como os Beatles. Isso só faz eles soarem mais idiotas. (...)
Steve Albini
(Trecho de The Problem With Music, publicado na Baffler nº 5, de 1993.)
1. Produtores e engenheiros que usam palavras sem sentido para fazerem seus clientes pensarem que eles sabem o que estão fazendo. Palavras como punchy, warm, groove, vibe, feel. Especialmente punchy e warm. Toda vez que eu ouço estas palavras, eu quero estrangular alguém.
2. Produtores que não são TAMBÉM engenheiros e, por isso, não têm a mínima idéia do que eles estão fazendo num estúdio, apesar de estar falando o tempo todo. Historicamente, a progressão dos esforços necessários para se tornar um produtor tem sido esta: Vá para o colégio, ganhe nota vermelha. Ganhe um emprego como assistente num estúdio. Eventualmente torne-se um segundo engenheiro. Aprenda o trabalho e se torne um engenheiro. Faça isso por alguns anos, então você pode tentar ser um produtor. (...)
3. Eletronicismos e outras merdas da moda, de que ninguém precisa realmente. (...) A moda atual é a compressão. (...) Eu quero encontrar o cara que inventou a compressão e arrancar seu fígado. Eu odeio. Faz tudo soar como uma propaganda de cerveja.
4. Aparelhos DAT. Eles soam como merda e todo estúdio de bosta tem um agora porque eles são bem baratos. (...) Fitas DAT deterioram com o tempo, e, quando isso acontece, a informação contida nelas é perdida para sempre. Eu pessoalmente vi fitas realmente ruins em menos de um mês. Usá-las como fitas-master é praticamente uma irresponsabilidade criminosa. (...)
5. Tentar soar como os Beatles. Toda gravação que eu ouço nestes dias tem vocais inacreditavelmente altos e comprimidos, e um pequeno murtmúrio de uma banda de rock no fundo. Por favor, Thurston Moore não é Paul McCartney, e ninguém na Terra pode fazer os Smashing Pumpkins soarem como os Beatles. Isso só faz eles soarem mais idiotas. (...)
terça-feira, 2 de dezembro de 2003
Programação da Mostra Copesul Cinema e Identidade, que vai exibir no encerramento, domingo, às 19h, o Eraserhead, do David Lynch, havendo, após, o debate Estranhamento e Fragmentação da Identidade, baseado no filme.
A terceira banda que eu tive, segunda de tentativa de música-própria, chamava-se Dionisio. Começou comigo e o Muriel (hoje na Blanched), o Rodrigo Souto (hoje com o Jupiter Apple) e o Bira, um guitarrista obcecado por Soundgarden - o que não tinha nada a ver com o som que os outros queríamos fazer. E o Rodrigo insistia em manter o Bira. E nós o achavamos chato, e achávamos a situação chata. Cinco anos depois, a Blanched está no estúdio do Fruet, e o produtor mostra gravações da Zumbira E Os Palmares, cujo líder seria um tal de Bira, e cuja reputação é boa por aí - eu já ouvi falar bem. Lembrei-me do Bira, e eu o Muriel nos entreolhamos. Quando estávamos de saída, chegou o Bira, o da Dionisio. Eu falei "Bira?", e ele "Sim, a gente tocou junto", e eu "Tu tá gravando aqui?", e ele "Ahã", e eu "Mas não é Zumbira E Os Palmares", e ele "Ahã". E eu saí com aquela sensação de que a história sempre tem seus requintes.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2003
100 melhores discos dos anos 90, segundo o Pitchformedia.com:
001: Radiohead - OK Computer [Capitol; 1997]
002: My Bloody Valentine - Loveless [Creation; 1991]
003: The Flaming Lips - The Soft Bulletin [Warner Bros; 1999]
004: Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea [Merge; 1998]
005: Pavement - Slanted & Enchanted [Matador; 1992]
006: Nirvana - Nevermind [DGC; 1991]
007: DJ Shadow - ...Endtroducing [Mo'Wax; 1996]
008: Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain [Matador; 1994]
009: Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness [Palace; 1999]
010: Guided by Voices - Bee Thousand [Scat; 1994]
011: Talk Talk - Laughing Stock [Polydor; 1991]
012: Slint - Spiderland [Touch & Go; 1991]
013: Nirvana - In Utero [DGC; 1993]
014: Belle & Sebastian - If You're Feeling Sinister [The Enclave; 1996]
015: Radiohead - The Bends [Capitol; 1995]
016: The Dismemberment Plan - Emergency & I [DeSoto; 1999]
017: Public Enemy - Fear of a Black Planet [Def Jam; 1990]
018: Smashing Pumpkins - Siamese Dream [Virgin; 1993]
019: Beck - Odelay [DGC; 1996]
020: Björk - Post [Elektra; 1995]
021: Björk - Homogenic [Elektra; 1997]
022: Built to Spill - Perfect from Now On [Warner Bros; 1997]
023: The Beta Band - The Three EPs [Astralwerks; 1999]
024: Built to Spill - There's Nothing Wrong with Love [Up; 1994]
025: Yo La Tengo - I Can Hear the Heart Beating as One [Matador; 1997]
026: Weezer - Weezer [DGC; 1994]
027: Guided by Voices - Alien Lanes [Matador; 1995]
028: Pixies - Bossanova [4AD; 1990]
029: Modest Mouse - The Lonesome Crowded West [Up; 1997]
030: Liz Phair - Exile in Guyville [Matador; 1993]
031: Wilco - Summerteeth [Reprise; 1999]
032: The Notorious B.I.G. - Ready to Die [Bad Boy; 1994]
033: Nas - Illmatic [Columbia; 1994]
034: Beastie Boys - Check Your Head [Grand Royal; 1992]
035: Boards of Canada - Music Has the Right to Children [Warp; 1998]
036: Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) [Loud; 1993]
037: Magnetic Fields - 69 Love Songs [Merge; 1999]
038: The Jesus Lizard - Goat [Touch & Go; 1991]
039: Olivia Tremor Control - Dusk at Cubist Castle [Flydaddy; 1996]
040: Aphex Twin - The Richard D. James Album [Warp; 1996]
041: Yo La Tengo - Painful [Matador; 1993]
042: Fugazi - Red Medicine [Dischord; 1995]
043: R.E.M. - Automatic for the People [Warner Bros; 1992]
044: Boredoms - Super Ae [Birdman; 1998]
045: Godspeed You Black Emperor! - F# A# Infinity [Kranky; 1998]
046: Air - Moon Safari [Astralwerks; 1998]
047: Oval - 94diskont [Thrill Jockey; 1995]
048: Portishead - Dummy [Go! Discs; 1994]
049: Tom Waits - Bone Machine [Island; 1992]
050: Outkast - Aquemini [LaFace; 1998]
051: Stereolab - Emperor Tomato Ketchup [Elektra; 1996]
052: PJ Harvey - Rid of Me [Island; 1993]
053: Weezer - Pinkerton [Tommy Boy; 1991]
054: Blur - Parklife [SBK; 1994]
055: Spiritualized - Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space [Dedicated; 1997]
056: A Tribe Called Quest - The Low-End Theory [Jive; 1991]
057: Brainiac - Bonsai Superstar [Grass; 1994]
058: Jesus Lizard - Liar [Touch & Go; 1992]
059: Elliott Smith - Either/Or [Kill Rock Stars; 1997]
060: Palace Music - Viva Last Blues [Drag City; 1995]
061: Pulp - Different Class [Island; 1995]
062: Aphex Twin - Selected Ambient Works, Vol. II [Warp; 1994]
063: De La Soul - De La Soul Is Dead [Tommy Boy; 1991]
064: The Breeders - Last Splash [4AD; 1993]
065: Daft Punk - Homework [Virgin; 1997]
066: Tricky - Maxinquaye [Island; 1995]
067: Mouse on Mars - Iaora Tahiti [Too Pure; 1995]
068: Elliott Smith - XO [Dreamworks; 1998]
069: Jeff Buckley - Grace [Columbia; 1994]
070: Jawbox - For Your Own Special Sweetheart [Atlantic; 1994]
071: Dr. Octagon - Octagonecologyst [Dreamworks; 1996]
072: Silver Jews - American Water [Drag City; 1998]
073: Brainiac - Hissing Prigs in Static Couture [Touch & Go; 1996]
074: Ride - Nowhere [Sire; 1990]
075: A Tribe Called Quest - Midnight Marauders [Jive; 1993]
076: Mercury Rev - Deserter's Songs [V2; 1998]
077: Primal Scream - Screamadelica [Sire; 1991]
078: Stereolab - Mars Audiac Quintet [Elektra; 1994]
079: Dr. Dre - The Chronic [Death Row; 1992]
080: The Pharcyde - Bizarre Ride II The Pharcyde [Delicious Vinyl; 1992]
081: The Breeders - Pod [4AD; 1990]
082: Sonic Youth - Goo [DGC; 1990]
083: Pixies - Trompe le Monde [4AD; 1991]
084: Company Flow - Funcrusher Plus [Rawkus; 1997]
085: Massive Attack - Blue Lines [Virgin; 1991]
086: Destroyer - City of Daughters [Triple Crown; 1998]
087: GZA/Genius - Liquid Swords [Geffen; 1995]
088: Wilco - Being There [Reprise; 1996]
089: Squarepusher - Music Is Rotted One Note [Warp; 1999]
090: Cocteau Twins - Heaven or Las Vegas [4AD; 1990]
091: Tortoise - TNT [Thrill Jockey; 1998]
092: Scott Walker - Tilt [Drag City; 1995]
093: Bob Dylan - Time Out of Mind [Columbia; 1997]
094: Frank Black - Teenager of the Year [4AD; 1994]
095: Massive Attack - Mezzanine [Virgin; 1998]
096: Herbert - Around the House [!K7; 1998]
097: Mogwai - Young Team [Jetset; 1997]
098: KMD - Mr. Hood [Asylum; 1991]
099: Raekwon - Only Built 4 Cuban Linx [Loud; 1995]
100: The Orb - The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld [Big Life; 1991]
001: Radiohead - OK Computer [Capitol; 1997]
002: My Bloody Valentine - Loveless [Creation; 1991]
003: The Flaming Lips - The Soft Bulletin [Warner Bros; 1999]
004: Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea [Merge; 1998]
005: Pavement - Slanted & Enchanted [Matador; 1992]
006: Nirvana - Nevermind [DGC; 1991]
007: DJ Shadow - ...Endtroducing [Mo'Wax; 1996]
008: Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain [Matador; 1994]
009: Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness [Palace; 1999]
010: Guided by Voices - Bee Thousand [Scat; 1994]
011: Talk Talk - Laughing Stock [Polydor; 1991]
012: Slint - Spiderland [Touch & Go; 1991]
013: Nirvana - In Utero [DGC; 1993]
014: Belle & Sebastian - If You're Feeling Sinister [The Enclave; 1996]
015: Radiohead - The Bends [Capitol; 1995]
016: The Dismemberment Plan - Emergency & I [DeSoto; 1999]
017: Public Enemy - Fear of a Black Planet [Def Jam; 1990]
018: Smashing Pumpkins - Siamese Dream [Virgin; 1993]
019: Beck - Odelay [DGC; 1996]
020: Björk - Post [Elektra; 1995]
021: Björk - Homogenic [Elektra; 1997]
022: Built to Spill - Perfect from Now On [Warner Bros; 1997]
023: The Beta Band - The Three EPs [Astralwerks; 1999]
024: Built to Spill - There's Nothing Wrong with Love [Up; 1994]
025: Yo La Tengo - I Can Hear the Heart Beating as One [Matador; 1997]
026: Weezer - Weezer [DGC; 1994]
027: Guided by Voices - Alien Lanes [Matador; 1995]
028: Pixies - Bossanova [4AD; 1990]
029: Modest Mouse - The Lonesome Crowded West [Up; 1997]
030: Liz Phair - Exile in Guyville [Matador; 1993]
031: Wilco - Summerteeth [Reprise; 1999]
032: The Notorious B.I.G. - Ready to Die [Bad Boy; 1994]
033: Nas - Illmatic [Columbia; 1994]
034: Beastie Boys - Check Your Head [Grand Royal; 1992]
035: Boards of Canada - Music Has the Right to Children [Warp; 1998]
036: Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) [Loud; 1993]
037: Magnetic Fields - 69 Love Songs [Merge; 1999]
038: The Jesus Lizard - Goat [Touch & Go; 1991]
039: Olivia Tremor Control - Dusk at Cubist Castle [Flydaddy; 1996]
040: Aphex Twin - The Richard D. James Album [Warp; 1996]
041: Yo La Tengo - Painful [Matador; 1993]
042: Fugazi - Red Medicine [Dischord; 1995]
043: R.E.M. - Automatic for the People [Warner Bros; 1992]
044: Boredoms - Super Ae [Birdman; 1998]
045: Godspeed You Black Emperor! - F# A# Infinity [Kranky; 1998]
046: Air - Moon Safari [Astralwerks; 1998]
047: Oval - 94diskont [Thrill Jockey; 1995]
048: Portishead - Dummy [Go! Discs; 1994]
049: Tom Waits - Bone Machine [Island; 1992]
050: Outkast - Aquemini [LaFace; 1998]
051: Stereolab - Emperor Tomato Ketchup [Elektra; 1996]
052: PJ Harvey - Rid of Me [Island; 1993]
053: Weezer - Pinkerton [Tommy Boy; 1991]
054: Blur - Parklife [SBK; 1994]
055: Spiritualized - Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space [Dedicated; 1997]
056: A Tribe Called Quest - The Low-End Theory [Jive; 1991]
057: Brainiac - Bonsai Superstar [Grass; 1994]
058: Jesus Lizard - Liar [Touch & Go; 1992]
059: Elliott Smith - Either/Or [Kill Rock Stars; 1997]
060: Palace Music - Viva Last Blues [Drag City; 1995]
061: Pulp - Different Class [Island; 1995]
062: Aphex Twin - Selected Ambient Works, Vol. II [Warp; 1994]
063: De La Soul - De La Soul Is Dead [Tommy Boy; 1991]
064: The Breeders - Last Splash [4AD; 1993]
065: Daft Punk - Homework [Virgin; 1997]
066: Tricky - Maxinquaye [Island; 1995]
067: Mouse on Mars - Iaora Tahiti [Too Pure; 1995]
068: Elliott Smith - XO [Dreamworks; 1998]
069: Jeff Buckley - Grace [Columbia; 1994]
070: Jawbox - For Your Own Special Sweetheart [Atlantic; 1994]
071: Dr. Octagon - Octagonecologyst [Dreamworks; 1996]
072: Silver Jews - American Water [Drag City; 1998]
073: Brainiac - Hissing Prigs in Static Couture [Touch & Go; 1996]
074: Ride - Nowhere [Sire; 1990]
075: A Tribe Called Quest - Midnight Marauders [Jive; 1993]
076: Mercury Rev - Deserter's Songs [V2; 1998]
077: Primal Scream - Screamadelica [Sire; 1991]
078: Stereolab - Mars Audiac Quintet [Elektra; 1994]
079: Dr. Dre - The Chronic [Death Row; 1992]
080: The Pharcyde - Bizarre Ride II The Pharcyde [Delicious Vinyl; 1992]
081: The Breeders - Pod [4AD; 1990]
082: Sonic Youth - Goo [DGC; 1990]
083: Pixies - Trompe le Monde [4AD; 1991]
084: Company Flow - Funcrusher Plus [Rawkus; 1997]
085: Massive Attack - Blue Lines [Virgin; 1991]
086: Destroyer - City of Daughters [Triple Crown; 1998]
087: GZA/Genius - Liquid Swords [Geffen; 1995]
088: Wilco - Being There [Reprise; 1996]
089: Squarepusher - Music Is Rotted One Note [Warp; 1999]
090: Cocteau Twins - Heaven or Las Vegas [4AD; 1990]
091: Tortoise - TNT [Thrill Jockey; 1998]
092: Scott Walker - Tilt [Drag City; 1995]
093: Bob Dylan - Time Out of Mind [Columbia; 1997]
094: Frank Black - Teenager of the Year [4AD; 1994]
095: Massive Attack - Mezzanine [Virgin; 1998]
096: Herbert - Around the House [!K7; 1998]
097: Mogwai - Young Team [Jetset; 1997]
098: KMD - Mr. Hood [Asylum; 1991]
099: Raekwon - Only Built 4 Cuban Linx [Loud; 1995]
100: The Orb - The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld [Big Life; 1991]
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Bob Dylan,
Radiohead,
Sonic Youth
E começa a série Produtores. (Leia também neste blog a série Trabalhos Paralelos Dos Filhos Da Puta).
Alan Moulder começou como assistente do Brian Eno e especializou-se em sons experimentais e eletrônicos, nova tecnologia e efeitos, produzindo álbuns de The Jesus & Mary Chain, Swervedriver e My Bloody Valentine - Loveless, inclusive, que foi escolhido pela Pitchfork como segundo melhor álbum dos anos 90, somente atrás do OK Computer, do Radiohead. Sua experiência com o Depeche Mode levou-o a mixar o Downward Spiral, do Nine Inch Nails, e o Pop, do U2. Além disso, produziu The Fragile, do NIN, e Mellon Collie And The Infinite Sadness. (AMG)
Alan Moulder começou como assistente do Brian Eno e especializou-se em sons experimentais e eletrônicos, nova tecnologia e efeitos, produzindo álbuns de The Jesus & Mary Chain, Swervedriver e My Bloody Valentine - Loveless, inclusive, que foi escolhido pela Pitchfork como segundo melhor álbum dos anos 90, somente atrás do OK Computer, do Radiohead. Sua experiência com o Depeche Mode levou-o a mixar o Downward Spiral, do Nine Inch Nails, e o Pop, do U2. Além disso, produziu The Fragile, do NIN, e Mellon Collie And The Infinite Sadness. (AMG)
[seis frases]
o amor é egoísta enquanto autosuficiente, de mão única, sem esperar a contrapartida.
o amor é egoísta enquanto exigente, de mão dupla, alimentado pela recíproca.
o problema é o egoísmo, condição natural do indivíduo.
o problema é pensar.
é bom pensar e saber.
o problema é continuar pensando depois de pensar.
(resultante duma conversa de bar entre mim, o Muriel e o Suzin)
o amor é egoísta enquanto autosuficiente, de mão única, sem esperar a contrapartida.
o amor é egoísta enquanto exigente, de mão dupla, alimentado pela recíproca.
o problema é o egoísmo, condição natural do indivíduo.
o problema é pensar.
é bom pensar e saber.
o problema é continuar pensando depois de pensar.
(resultante duma conversa de bar entre mim, o Muriel e o Suzin)
É nesta quinta-feira, no Jekyll, Blanched, Deus E O Diabo e Projeto Uivo, com intervenção literária do Paulo Scott e exibição de filmes independentes. Tocaremos pela primeira vez em superfície riograndense Casa De Descanso, cujo final pede algo que tem o mesmo nome da música.
O Pinheiro, no seu texto Arte e sentido, diz:
"Assim como todos desconfiam de um artista sem um mínimo de técnica - embora até mesmo isto seja aceitável em alguns casos (1) - quase ninguém desconfia de um artista que perdeu contato com o sentido do que está fazendo, ou mesmo cujo sentido é pernicioso, egoísta ou fútil (2)."
(1) A questão técnica versus espontaneidade criativa é historicamente polêmica. Eu acredito que a técnica é importante, mas há exemplos de genialidade puramente espontânea.
(2) O que seria um sentido "pernicioso, egoísta ou fútil"? Pernicioso significa danoso, prejudicial; só seria prejudicial uma arte que pregasse algo negativo; algo só seria indubitavelmente negativo se antiético ou criminoso, e olhe lá. Egoísta a arte é, uma vez que é um exercício individual da sensibilidade, como diz o professor de estética Sérgio Euclides de Souza. Fútil a arte deve ser, uma vez que não deve ter objetivo direto, mesmo que haja um sentido; ou então, se toda arte tem um objetivo, mesmo que inconsciente, nenhuma arte é fútil, tampouco qualquer realização humana.
" . . . o critério do 'gosto ou não-gosto' - que serve a crianças mimadas . . . "
Na minha opinião, os juízos são basicamente positivos ou negativos, atrativos ou repulsivos; ou seja: sim ou não, gosto ou não gosto. Se eles são próprios das crianças mimadas, então que todo homem seja uma delas - que seja uma criança já foi o que desejaram Saint-Exupèry e Bukowski. Os subjuízos, que vêm com a adultez e a constante racionalização do ser humano no decorrer do seu desenvolvimento, não passam de ornamentos. Por exemplo, eu não vejo diferença em estar brabo, triste, magoado ou indignado com uma pessoa. Eu simplesmente não estou bem. Ou estou bem. Eu me sinto bem com relação a uma obra ou não me sinto bem diante dela. Eu gosto ou não gosto dela.
Não sei se estes meus argumentos são válidos. Todo caso, ei-los, para pensar.
"Assim como todos desconfiam de um artista sem um mínimo de técnica - embora até mesmo isto seja aceitável em alguns casos (1) - quase ninguém desconfia de um artista que perdeu contato com o sentido do que está fazendo, ou mesmo cujo sentido é pernicioso, egoísta ou fútil (2)."
(1) A questão técnica versus espontaneidade criativa é historicamente polêmica. Eu acredito que a técnica é importante, mas há exemplos de genialidade puramente espontânea.
(2) O que seria um sentido "pernicioso, egoísta ou fútil"? Pernicioso significa danoso, prejudicial; só seria prejudicial uma arte que pregasse algo negativo; algo só seria indubitavelmente negativo se antiético ou criminoso, e olhe lá. Egoísta a arte é, uma vez que é um exercício individual da sensibilidade, como diz o professor de estética Sérgio Euclides de Souza. Fútil a arte deve ser, uma vez que não deve ter objetivo direto, mesmo que haja um sentido; ou então, se toda arte tem um objetivo, mesmo que inconsciente, nenhuma arte é fútil, tampouco qualquer realização humana.
" . . . o critério do 'gosto ou não-gosto' - que serve a crianças mimadas . . . "
Na minha opinião, os juízos são basicamente positivos ou negativos, atrativos ou repulsivos; ou seja: sim ou não, gosto ou não gosto. Se eles são próprios das crianças mimadas, então que todo homem seja uma delas - que seja uma criança já foi o que desejaram Saint-Exupèry e Bukowski. Os subjuízos, que vêm com a adultez e a constante racionalização do ser humano no decorrer do seu desenvolvimento, não passam de ornamentos. Por exemplo, eu não vejo diferença em estar brabo, triste, magoado ou indignado com uma pessoa. Eu simplesmente não estou bem. Ou estou bem. Eu me sinto bem com relação a uma obra ou não me sinto bem diante dela. Eu gosto ou não gosto dela.
Não sei se estes meus argumentos são válidos. Todo caso, ei-los, para pensar.
Dizem que seu novo disco [Kid A] é difícil, o que quer dizer que não se parece com o último e pode não vender tanto quanto se gostaria. Teve consciência disso?
Ninguém se senta para compor uma música pensando nesse tipo de coisa. Se fosse assim, eu já teria saído da banda há muito tempo. A gente tem um som na cabeça, ou uma melodia, uma palavra que precisa pôr para fora. E a gente põe para fora porque precisa passar isso, do contrário você entra em parafuso e some. Sua pergunta dá a entender que as pessoas não acreditam que os sons e as texturas possam, de alguma forma, exprimir emoções ou evocar algo, o que para mim é sinal de atraso e é também muito sintomático da falta de criatividade do tipo de música que predomina. Se você decide compor ou fazer um som com o objetivo de alienar as pessoas, saiba que isso também é capaz de atraí-las: sons radicais combinam com emoções radicais, ou será que essas coisas não existem? Será que minha função é criar papéis de parede para o nada?
A arte nem sempre procede daí. Ela pode provir de lugares menos sombrios e com menor carga de culpa. O humor é capaz de produzir arte, assim como a alegria e a felicidade. (...) Seu empresário disse que você vê a banda mais como um projeto de arte do que como um grupo de rock.
Eu nunca quis fazer parte de nenhuma banda de rock. Os Pixies não eram uma banda de rock. O R.E.M. também não era, nem o Sonic Youth e tampouco o Nirvana. Só porque gostamos de guitarras elétricas isso faz de nós um grupo de rock? O que é um projeto de arte? Um exercício? Um tipo de passatempo? Será que é a gente se juntar só para fazer o que a maioria gosta? Será que é dar-se por satisfeito com o car contemplativo da crítica? Não. (...)
Não estou empregando a palavra arte no sentido negativo e baixo astral. Na minha opinião, todas as grandes bandas são bandas de rock e projetos de arte ao mesmo tempo. Não dá para não ser. (...) Você diz que suas energias foram sugadas. A que você está se referindo?
Isso foi quando, depois de uma turnê, em 1997 ou 1998, eu havia perdido a confiança e a fé em mim mesmo. Não conseguia concatenar as coisas, fiquei sem entender nada. Tive um bloqueio mental que durou cerca de dois anos depois que saiu o OK Computer. Escrevi tudo o que estava me acontecendo e logo em seguida rasguei ou apaguei tudo. O que me devolveu a confiança foram as longas caminhadas que fiz pelas regiões agrestes da Inglaterra, debaixo de tempestades que me deixaram ensopado, e os abrigos que encontrava em construções abandonadas. Quando digo que fui sugado, o que quero dizer é que minha motivação para compor tinha desaparecido; ela havia se tornado propriedade de alguém [o público, que pressionava]. Nunca soube exatamente quem tinha feito isso, portanto não tinha a quem culpar (ou culpava todo o mundo). [Por isso que ele decidiu pelo "suícidio comercial", pela guinada da sonoridade!] Você acha que a Britney Spears tem esse tipo de problema?
De todas as suas motivações, quais são aquelas que mais o deixam em dúvida?
As motivações de astro do rock. O desejo de ser famoso.
(Entrevista do Thom Yorke para a Spin; tradução de Antivan Mendes para o Estadão.)
Ninguém se senta para compor uma música pensando nesse tipo de coisa. Se fosse assim, eu já teria saído da banda há muito tempo. A gente tem um som na cabeça, ou uma melodia, uma palavra que precisa pôr para fora. E a gente põe para fora porque precisa passar isso, do contrário você entra em parafuso e some. Sua pergunta dá a entender que as pessoas não acreditam que os sons e as texturas possam, de alguma forma, exprimir emoções ou evocar algo, o que para mim é sinal de atraso e é também muito sintomático da falta de criatividade do tipo de música que predomina. Se você decide compor ou fazer um som com o objetivo de alienar as pessoas, saiba que isso também é capaz de atraí-las: sons radicais combinam com emoções radicais, ou será que essas coisas não existem? Será que minha função é criar papéis de parede para o nada?
A arte nem sempre procede daí. Ela pode provir de lugares menos sombrios e com menor carga de culpa. O humor é capaz de produzir arte, assim como a alegria e a felicidade. (...) Seu empresário disse que você vê a banda mais como um projeto de arte do que como um grupo de rock.
Eu nunca quis fazer parte de nenhuma banda de rock. Os Pixies não eram uma banda de rock. O R.E.M. também não era, nem o Sonic Youth e tampouco o Nirvana. Só porque gostamos de guitarras elétricas isso faz de nós um grupo de rock? O que é um projeto de arte? Um exercício? Um tipo de passatempo? Será que é a gente se juntar só para fazer o que a maioria gosta? Será que é dar-se por satisfeito com o car contemplativo da crítica? Não. (...)
Não estou empregando a palavra arte no sentido negativo e baixo astral. Na minha opinião, todas as grandes bandas são bandas de rock e projetos de arte ao mesmo tempo. Não dá para não ser. (...) Você diz que suas energias foram sugadas. A que você está se referindo?
Isso foi quando, depois de uma turnê, em 1997 ou 1998, eu havia perdido a confiança e a fé em mim mesmo. Não conseguia concatenar as coisas, fiquei sem entender nada. Tive um bloqueio mental que durou cerca de dois anos depois que saiu o OK Computer. Escrevi tudo o que estava me acontecendo e logo em seguida rasguei ou apaguei tudo. O que me devolveu a confiança foram as longas caminhadas que fiz pelas regiões agrestes da Inglaterra, debaixo de tempestades que me deixaram ensopado, e os abrigos que encontrava em construções abandonadas. Quando digo que fui sugado, o que quero dizer é que minha motivação para compor tinha desaparecido; ela havia se tornado propriedade de alguém [o público, que pressionava]. Nunca soube exatamente quem tinha feito isso, portanto não tinha a quem culpar (ou culpava todo o mundo). [Por isso que ele decidiu pelo "suícidio comercial", pela guinada da sonoridade!] Você acha que a Britney Spears tem esse tipo de problema?
De todas as suas motivações, quais são aquelas que mais o deixam em dúvida?
As motivações de astro do rock. O desejo de ser famoso.
(Entrevista do Thom Yorke para a Spin; tradução de Antivan Mendes para o Estadão.)
quinta-feira, 27 de novembro de 2003
O timbre do riff-de-uma-corda-só de Stab, faixa 12 do segundo álbum do Built To Spill, There's Nothing Wrong With Love, é sósia do riff-de-uma-corda-só de Mixomatosys, do Radiohead. Será que os de Oxford ouviram os de Idaho? Da banda que tem influências de Pavement, The Flaming Lips e Neil Young eu já tenho todos os álbuns, exceto o primeiro, Ultimate Alternative Wavers, que é bem diferente dos outros, e o Live, que é ao vivo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Não há progresso de melhoria na arte, porque senão Radiohead seria 30 anos melhor do que Beatles; sempre as novas bandas criativas seriam superiores às que as antecederam; os anos 90 seriam superiores aos 80, que seriam superiores aos 70, e assim por diante; e isso não é verdade. O que há é o pogresso de progredir no tempo, ir além no tempo, avançar no tempo; de fazer diferente, já que muitas coisas já foram feitas antes; é o mecanismo de eterna inovação da arte, possibilitado justamente pelo tempo, pelo acúmulo de vanguardas no decorrer do tempo, que servem como base facilitadora - e dificultadora - para os criadores do agora, que nunca pára. Cada obra de arte é uma unidade completa que chega ao infinito na alma do fruidor, e não há como comparar infinito com infinito. Mas isso não quer dizer que não é importante verificar o progresso temporal da arte, as interinfluências que vão movimentando o progresso da arte no tempo, o contínuo renascimento da arte e a contínua infinitude das possibilidades (sem incorrer na repetição de combinações, pois as notas musicais são sete e só existem elas para serem eternamente repetidas, em infinitas combinações), o que comprova a inesgotabilidade da vanguarda.
"Todo conceito de vanguarda em arte é destituído de sentido. Posso perceber o que ele significa quando aplicado esporte, por exemplo. Aplicá-lo à arte, porém, equivale a admitir a idéia de progresso artístico; e, muito embora o progresso seja um componente óbvio da tecnologia - máquinas mais perfeitas, capazes de desempenhar suas funções de maneira mais adequada e precisa -, como é possível, no campo da arte, que alguém seja mais avançado? Como afirmar que Thomnas Mann é melhor que Shakespeare?" (TARKOVSKI, Andrei. Esculpir no tempo. São Paulo: 1998. Martins Fontes, p. 114-115.)
"Qualquer indivíduo capaz de apreciar a arte irá por certo limitar o seu círculo de obras favoritas com base nas suas preferências mais profundas. Nenhuma pessoa capaz de julgar e de selecionar por si própria pode se interessar por tudo indiscriminadamente. Nem pode haver, para a pessoa dotada de senso estético apurado, qualquer avaliação 'objetiva' fixa." (TARKOVSKI, Andrei. Esculpir no tempo. São Paulo: 1998. Martins Fontes, p.99.)
terça-feira, 25 de novembro de 2003
From: "L. Schuck"
To: "Douglas Dickel"
Subject: ...
Date: Fri, 21 Nov 2003 18:49:46
> Não tinha uma história de ônibus da banda e penhasco?
Ah, tem sim, essa com certeza está naquele livro. Os Cowboys Espirituais estavam voltando numa madrugada fria de um show em Caxias do Sul, quando o Júlio Reny pediu para o ônibus parar porque ele queria mijar. Só que ele não voltava, os outros começaram a se preocupar e mandaram o roadie descer para ver o que havia acontecido. O roadie não achou o Reny e aí todo mundo desceu e começou a chamar por ele, sem resultado. Até que uma hora eles ouviram uma voz ao longe gritando "Estou aqui!". Aí alguém desceu o barranco íngreme de onde vinha a voz e encontrou o Júlio Reny preso em uma árvore. Parece que ele tinha resvalado e rolado um trecho até ficar preso na árvore. Depois ele ficou agradecendo e dizendo que haviam salvado a vida dele. Se bem me lembro, é mais ou menos essa a história.
To: "Douglas Dickel"
Subject: ...
Date: Fri, 21 Nov 2003 18:49:46
> Não tinha uma história de ônibus da banda e penhasco?
Ah, tem sim, essa com certeza está naquele livro. Os Cowboys Espirituais estavam voltando numa madrugada fria de um show em Caxias do Sul, quando o Júlio Reny pediu para o ônibus parar porque ele queria mijar. Só que ele não voltava, os outros começaram a se preocupar e mandaram o roadie descer para ver o que havia acontecido. O roadie não achou o Reny e aí todo mundo desceu e começou a chamar por ele, sem resultado. Até que uma hora eles ouviram uma voz ao longe gritando "Estou aqui!". Aí alguém desceu o barranco íngreme de onde vinha a voz e encontrou o Júlio Reny preso em uma árvore. Parece que ele tinha resvalado e rolado um trecho até ficar preso na árvore. Depois ele ficou agradecendo e dizendo que haviam salvado a vida dele. Se bem me lembro, é mais ou menos essa a história.
Os seres humanos são seres sociais. Agrupam-se por afinidade ou, principalmente, por diferença: por oposição. Pode ver: em qualquer ambiente de relações humanas, há pelo menos - e na maioria das vezes exatamente - dois grupos; a não ser que seja um ambiente novo, no qual pode haver um deslumbramento coletivo temporário.
Salame
De tanto ver o Douglas citar Rilke fui ler o Carta a um jovem poeta. Já parei no primeiro parágrafo, após ler isso:
Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.
Coisa estranha: um poeta que confessadamente foge das palavras, que não procura expandir o seus significados e suas interpretações, no temor de ser mal compreendido... Ora, a linguagem nunca foi capaz de expressar tudo, mas é isso que a torna mais interessante. Se tudo fosse claramente passivel de exposição que graça teria o mundo? Talvez outro dia eu volte a ler Rilke, mas por hora deixo ele de lado. Me soou covarde.
(Charles Pilger)
De tanto ver o Douglas citar Rilke fui ler o Carta a um jovem poeta. Já parei no primeiro parágrafo, após ler isso:
Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou.
Coisa estranha: um poeta que confessadamente foge das palavras, que não procura expandir o seus significados e suas interpretações, no temor de ser mal compreendido... Ora, a linguagem nunca foi capaz de expressar tudo, mas é isso que a torna mais interessante. Se tudo fosse claramente passivel de exposição que graça teria o mundo? Talvez outro dia eu volte a ler Rilke, mas por hora deixo ele de lado. Me soou covarde.
(Charles Pilger)
"Bem, Pete Townshend disse 'Eu destruo guitarras porque eu as amo'. Eu não defendo todo ato de destruição de instrumento, mas eu penso que verdadeiros músicos, além de respeitarem um instrumento, sabem das limitações dos instrumentos (qualquer instrumento); e eles também o reconhecem por o que ele é - um instrumento, não um fim em si mesmo. Eu acho que há uma mensagem muito humanística na destruição de instrumentos - a aniquilação de um instrumento como uma aniquilação simbólica das barreiras da comunicação e da expressão emocional." (David / aqui se vê "ele" em vias de destruir uma)
Semana passada, eu e minha noiva passeávamos na praça quando ela escolheu um caminho sob a árvore dos pombos. Eles ficam sentados nos galhos, como passarinhos, fazendo de conta que não são ratos com asas amarradas e olhos de botão de camisa. Eu disse que não devíamos passar ali, porque... e feito, senti a coisa quentinha borrando meu braço direito. Era verde, e borrava também a bolsa da Manuela e uma ponta do casaco dela. Bukowski:
Cenas da peniteniária
I
Sempre destacavam novatos pra limpar a sujeira dos pombos, e enquanto a gente ficava limpando os desgraçados voltavam e cagavam de novo no cabelo, na cara e na roupa da gente. Não se ganhava sabão - apenas água e escovão, e tinha-se que fazer muita força pra tirar toda aquela porcaria. Mais tarde mudava-se pra oficina mecânica, onde pagavam 3 cents por hora, mas quando se era novato a primeira coisa que se fazia era limpar merda de pombo.
Eu estava junto quando Blaine teve a idéia. Viu, parado no canto, um pombo que não podia mais voar.
- Escuta - disse ele, - eu sei que esses bichos falam uns com os outros. Vamos fornecer assunto pra aquele ali. A gente dá um jeito nele e joga lá pra cima no telhado, pra contar pros outros o que tá acontecendo aqui embaixo.
- Tá legal - concordei.
Blaine se aproximou e levantou o pombo do chão. Tinha uma pequena gilete enferrujada na mão. Olhou em torno. Estávamos no canto mais escuro do pátio de exercício. Fazia muito calor e havia uma porção de presos por perto.
- Algum dos cavalheiros presentes não gostaria de me auxiliar nesta operação?
Não houve resposta.
Blaine começou a cortar a para do pombo. Homens fortes viraram as costas. Vi um ou dois, que estavam mais perto, cobrindo o rosto com a mão para não enxergar.
- Porra, caras, o que há com vocês? - gritei. - A gente já tá farto de ficar com o cabelo e os olhos cheios de merda de pombo! Vamos dar um jeito neste aqui pra, quando chegar lá em cima no telhado, poder contar pros outros: "Tem uns sacanas desgraçados lá embaixo! Não cheguem perto deles!" Este pombo vai fazer com que os outros parem de cagar na cabeça da gente!
Blaine jogou o pombo pro alto. Não me lembro mais se a coisa deu certo ou não. Só sei que, enquanto esfregava, minha escova bateu naquelas duas patas. Pareciam estranhíssimas, assim soltas, sem estarem ligadas a pombo nenhum. Continuei esfregando e misturei tudo na merda.
(in BUKOWSKI, Charles. A mulher mais linda da cidade e outras histórias.)
Cenas da peniteniária
I
Sempre destacavam novatos pra limpar a sujeira dos pombos, e enquanto a gente ficava limpando os desgraçados voltavam e cagavam de novo no cabelo, na cara e na roupa da gente. Não se ganhava sabão - apenas água e escovão, e tinha-se que fazer muita força pra tirar toda aquela porcaria. Mais tarde mudava-se pra oficina mecânica, onde pagavam 3 cents por hora, mas quando se era novato a primeira coisa que se fazia era limpar merda de pombo.
Eu estava junto quando Blaine teve a idéia. Viu, parado no canto, um pombo que não podia mais voar.
- Escuta - disse ele, - eu sei que esses bichos falam uns com os outros. Vamos fornecer assunto pra aquele ali. A gente dá um jeito nele e joga lá pra cima no telhado, pra contar pros outros o que tá acontecendo aqui embaixo.
- Tá legal - concordei.
Blaine se aproximou e levantou o pombo do chão. Tinha uma pequena gilete enferrujada na mão. Olhou em torno. Estávamos no canto mais escuro do pátio de exercício. Fazia muito calor e havia uma porção de presos por perto.
- Algum dos cavalheiros presentes não gostaria de me auxiliar nesta operação?
Não houve resposta.
Blaine começou a cortar a para do pombo. Homens fortes viraram as costas. Vi um ou dois, que estavam mais perto, cobrindo o rosto com a mão para não enxergar.
- Porra, caras, o que há com vocês? - gritei. - A gente já tá farto de ficar com o cabelo e os olhos cheios de merda de pombo! Vamos dar um jeito neste aqui pra, quando chegar lá em cima no telhado, poder contar pros outros: "Tem uns sacanas desgraçados lá embaixo! Não cheguem perto deles!" Este pombo vai fazer com que os outros parem de cagar na cabeça da gente!
Blaine jogou o pombo pro alto. Não me lembro mais se a coisa deu certo ou não. Só sei que, enquanto esfregava, minha escova bateu naquelas duas patas. Pareciam estranhíssimas, assim soltas, sem estarem ligadas a pombo nenhum. Continuei esfregando e misturei tudo na merda.
(in BUKOWSKI, Charles. A mulher mais linda da cidade e outras histórias.)
[sonic]
de carona num bloco estreito sobre a lava ardente,
equilibrar-se e estar harmônico é mais importante
do que a velocidade obtida por uma poção mágica.
o controle dos sentidos é que dá potência máxima.
de carona num bloco estreito sobre a lava ardente,
equilibrar-se e estar harmônico é mais importante
do que a velocidade obtida por uma poção mágica.
o controle dos sentidos é que dá potência máxima.
segunda-feira, 24 de novembro de 2003
Eu, de cara, não gostei dos White Stripes, porque são rock and roll e, pior, às vezes parecem Led Zeppelin. Mas não há como não ter pelo menos uma relação ambivalente com duas músicas, por causa do seu hipnotismo, a partir da assistência a videoclipes mais hipnóticos ainda: Seven Nation Army e The Hardest Button To Button. Quando você percebe, está fazendo coisas na batida dessa última. E parece que a Meg White realmente se esmera em criar batidas. A banda foi criada, segundo o Jack White, quando ele viu a Meg tocando de maneira infantil e percebeu que ali havia uma sonoridade interessante - hipnótica.
Um menino teve que passar a noite sozinho na floresta para provar sua coragem de modo que pudesse tornar-se rei. Enquanto estava sozinho, ele foi visitado por uma visão sagrada. No meio do fogo aparece o Cálice Sagrado, símbolo da graça divina de Deus. E uma voz falou ao menino, "Você será o guardião do Cálice, e ele será a cura dos corações dos homens." Mas o menino estava cego por visões maiores, de uma vida cheia de poder e glória e beleza. E nesse estado de perplexidade radical, ele se sentiu por um breve momento não como um garoto, mas invencível... como Deus. E então ele alcançou o fogo para pegar o Cálice. E o cálice desapareceu. Deixando-o com sua mão no fogo, para ser ferido terrivelmente. Agora, enquanto esse menino ficou mais velho, sua ferida ficou mais profunda, até que um dia a vida perdeu a razão para ele. Ele não acreditava em ninguém, nem em si mesmo. Ele não podia amar ou sentir amor. Ele estava doente com a situação. Ele começou a morrer.
Um dia, um tolo entrou no castelo e encontrou o rei sozinho. Sendo um tolo, ele não via um rei, ele via um homem sozinho na dor. E ele perguntou ao rei, "O que o angustia, amigo?" O rei respondeu, "Eu estou com sede. Eu preciso de um pouco de água para refrescar minha garganta." Então o tolo pegou um copo do lado cama, encheu-o com água e deu-no ao rei. Quando o rei começou a beber ele percebeu que sua ferida estava curada. Ele olhou para as suas mãoes, e havia o Cálice Sagrado que ele havia procurado durante toda a sua vida! Então ele virou-se para o tolo e disse em espanto, "Como você encontrou o que meu brilho e minha bravura não haviam conseguido?" E o tolo respondeu, "Eu não sei. Eu só sabia que você estava com sede."
[mão]
é a palma que determina
o movimento da vontade.
portanto, é ela que molda
o que vai ser a seguir.
é a palma que determina
o movimento da vontade.
portanto, é ela que molda
o que vai ser a seguir.
[túneis]
há também um túnel
com escuridão no fim.
há vários túneis.
devemos percorrê-los
tantos quanto possível,
dentro do nosso quarto
mais ou menos amplo.
a vivência dilata
a vida, a existência.
há também um túnel
com escuridão no fim.
há vários túneis.
devemos percorrê-los
tantos quanto possível,
dentro do nosso quarto
mais ou menos amplo.
a vivência dilata
a vida, a existência.
"A arte também é apenas uma maneira de viver. A gente pode preparar-se para ela sem o saber, vivendo de qualquer forma. Em tudo o que é verdadeiro, está-se mais perto dela do que nas falsas profissões meio-artísticas. Estas, dando a ilusão de uma proximidade da arte, praticamente negam e atacam a existência de qualquer arte. Assim o faz, mais ou menos, todo o jornalismo, quase toda a crítica e três quartos daquilo que se chama e se quer chamar literatura." (Rilke)
Rainer Rilke é gênio, oráculo. Esta carta, a antepenúltima ao jovem poeta Franz Kappus, fala da tristeza como crescimento, do destino como vindo de dentro, da solidão como condição primeira humana e a qual devemos aceitar para a plenitude da existência.
"(...) Muita coisa não se terá mudado dentro de si? Algum recanto de seu ser não se terá modificado enquanto estava triste? Perigosas e más são apenas as tristezas que levamos por entre os homens para a abafar a sua voz. Como as doenças tratadas superficialmente e à toa, elas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam-se no fundo da alma e formam uma vida não vivida, repudiada, perdida, de que se pode até morrer. (...) São, com efeito, esses momentos [os de tristeza] em que algo de novo entra em nós, algo de ignoto: nossos sentimentos emudecem com embaraçosa timidez, tudo em nós recua, levanta-se um silêncio e a novidade, que ninguém conhece, se ergue aí, calada, no meio.
"Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos parilisia porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que nos tornaram estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que veio nos visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer. Eis por que a tristeza também passa: a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, penetrou no seu mais íntimo recanto. Nem está mais lá - já passou para o sangue. Não sabemos o que houve. Facilmente nos poderiam fazer crer que nada aconteceu; no entanto, ficamos transformados, como se transforma uma casa em que entra um hóspede. Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que é o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos muito antes de vir a acontecer. (...) O momento, aparentemente anódino e imóvel, em que o nosso futuro entra em nós, está muito mais próximo da vida do que aquele outro, sonoro e acidental, em que ele nos sobrevém como se chegasse de fora. (...) Há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. Muitas pessoas não percebem o que delas saiu, porque não absorveram o seu destino enquanto o viviam, nem o transformaram em si mesmas. (...) Como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme . . . nós é que nos movimentamos no espaço infinito.
"(...) Falando novamente em solidão, torna-se cada vez mais evidente que ela não é, na realidade, uma coisa que nos seja possível tomar ou deixar. Somos nós. Podemos enganar-nos a este respeito e agir como se não fosse assim; nada mais. Mas quão melhor é admitir que se é só, e mesmo partir daí. Naturalmente, começaremos por sentir tonturas, pois todos os pontos em que costumávamos descansar os olhos nos são retirados, não há mais nada perto e os longes ficam todos infinitamente longe. (...) Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. (...) Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. (...) Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo, pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem. (...)
"(...) Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento? (...) Desejava algo melhor do que transformar-se? (...)"
"(...) Muita coisa não se terá mudado dentro de si? Algum recanto de seu ser não se terá modificado enquanto estava triste? Perigosas e más são apenas as tristezas que levamos por entre os homens para a abafar a sua voz. Como as doenças tratadas superficialmente e à toa, elas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam-se no fundo da alma e formam uma vida não vivida, repudiada, perdida, de que se pode até morrer. (...) São, com efeito, esses momentos [os de tristeza] em que algo de novo entra em nós, algo de ignoto: nossos sentimentos emudecem com embaraçosa timidez, tudo em nós recua, levanta-se um silêncio e a novidade, que ninguém conhece, se ergue aí, calada, no meio.
"Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos parilisia porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que nos tornaram estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que veio nos visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer. Eis por que a tristeza também passa: a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, penetrou no seu mais íntimo recanto. Nem está mais lá - já passou para o sangue. Não sabemos o que houve. Facilmente nos poderiam fazer crer que nada aconteceu; no entanto, ficamos transformados, como se transforma uma casa em que entra um hóspede. Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que é o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos muito antes de vir a acontecer. (...) O momento, aparentemente anódino e imóvel, em que o nosso futuro entra em nós, está muito mais próximo da vida do que aquele outro, sonoro e acidental, em que ele nos sobrevém como se chegasse de fora. (...) Há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. Muitas pessoas não percebem o que delas saiu, porque não absorveram o seu destino enquanto o viviam, nem o transformaram em si mesmas. (...) Como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. O futuro está firme . . . nós é que nos movimentamos no espaço infinito.
"(...) Falando novamente em solidão, torna-se cada vez mais evidente que ela não é, na realidade, uma coisa que nos seja possível tomar ou deixar. Somos nós. Podemos enganar-nos a este respeito e agir como se não fosse assim; nada mais. Mas quão melhor é admitir que se é só, e mesmo partir daí. Naturalmente, começaremos por sentir tonturas, pois todos os pontos em que costumávamos descansar os olhos nos são retirados, não há mais nada perto e os longes ficam todos infinitamente longe. (...) Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar. (...) Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança. (...) Não temos motivos de desconfiar de nosso mundo, pois ele não nos é hostil. Havendo nele espantos, são os nossos; abismos, eles nos pertencem. (...)
"(...) Por que deseja excluir de sua vida toda e qualquer inquietação, dor e melancolia, quando não sabe como tais circunstâncias trabalham no seu aperfeiçoamento? (...) Desejava algo melhor do que transformar-se? (...)"
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