Teóricos do caos
Dizem que você tem de conhecer as regras antes de quebrá-las. Se isso é verdade, poucas bandas conhecem as regras melhor do que o Sonic Youth. O Echo Canyon, estúdio do Sonic Youth em Nova York, é o laboratório sonoro em que o grupo realiza as experiências malucas que a maioria das bandas não ousaria tentar. Criando camadas de feedback em passagens sinfônicas, estendendo canções pop além dos dez minutos com finais barulhentos, tocando guitarra com objetos estranhos, mudando as fiações de pedais e torturando amps até as válvulas derreterem, o Sonic Youth gravou outra obra de arte de rock mutante que reduz o livro de regras a confete.
(...) O produtor, multiinstrumentista e 'maníaco por ruídos' Jim O'Rourke se uniu à banda (...). Todos estavam ansiosos para começar a gravar, O'Rourke já estava passando longas horas no Echo Canyon, chegando a dormir no estúdio depois de madrugadas de pré-produção. Não foi um despertador, no entanto, que o acordou em uma ensolarada manhã de setembro de 2001 - foi a horrível cacofonia criada quando, cerca de 100 andares acima de sua cabeça, o primeiro avião atingia o World Trade Center.
'O estúdio ficava a apenas dois quarteirões', relembra O'Rourke, ainda traumatizado demais para falar sobre aquele dia em um volume acima de um sussurro. 'Um motor do avião caiu na Murray Street, bem em frente à janela principal do estúdio.'
(...) Nesta entrevista, Moore [só na revista impressa], Ranaldo e O'Rourke traçam a evolução de um dos mais empolgantes e inspirados álbuns da carreira de 21 anos do Sonic Youth.
ENTREVISTA
Por que expandiram a formação do Sonic Youth?
Ranaldo: Nos últimos discos, Kim tem tocado mais guitarra com Thurston e comigo. Queríamos continuar com aquela idéia de três guitarras, mas começamos a sentir falta dos graves que o baixo dela fornecia. Jim - com quem trabalhamos desde o início dos anos 90 - mixou o nosso último álbum, NYC Ghosts and Flowers, e gravou algumas linhas de baixo. Suas partes saíram tão legais que o convidamos para sair em turnê conosco e tocá-las ao vivo. Quando chegou o momento de fazer Murray Street, decidimos considerá-lo um membro da banda.
Qual foi seu papel em Murray Street?
O'Rourke: Toquei baixo em dois terços das músicas e guitarra em quase todas elas. Ao vivo, toco baixo, o que significa que Lee às vezes tem de tocar minhas partes de guitarra. É a primeira vez que ele tem de tocar partes que não são dele. E, apesar de que sou creditado como o produtor do álbum, atuei mais como engenheiro. A produção do álbum foi um trabalho democrático da banda.
As primeiras críticas de Murray Street disseram que o álbum apresenta guitarras - mais focalizadas - do que em outros discos do Sonic Youth.
Ranaldo: Eu não diria que isso é verdade. As guitarras são focalizadas em todos os nossos discos. Elas estão centradas no que tentamos fazer, o que, desde o começo, tem sido unir interessantes estruturas de música. Talvez o novo disco possua coisas mais orientadas para canção, o que, por acaso, é mais palatável e familiar aos seus ouvidos.
O'Rourke: É irônico quando um jornalista acha que quando ele ouve um disco uma ou duas vezes, ele emprega a mesma quantidade de pensamento que foi colocada pelas pessoas que passaram um ano gravando-o. Alguns álbuns não possuem tudo exposto na superfície, e requerem que as pessoas escutem diversas vezes para ver como as partes funcionam juntas. (...)
(Guitar Player nº 84)
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terça-feira, 9 de dezembro de 2003
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