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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Tão importante quanto saber pedir desculpas é saber aceitar desculpas.
Ajude a interpretar estas duas frases publicitárias:

"Hospital Moinhos de Vento: o impossível é questão de tempo"

"Hospital Moinhos de Vento: o impossível é questão de conhecimento"
"Eu não vi vídeo nenhum porque não sou obrigada, mas pelo que pude entender o b. condena quem põe o dedo no próprio rabo enquanto ovaciona os que enfiam rato na vagina de mulheres. É esse o resumo, mais ou menos?" (@MarcelaHippe)
A Bruna Marquezine ficou magra demais e disse que emagreceu porque se sentia mal, se achava gorda. As pessoas estão criticando sua magreza excessiva e ela respondeu questionando os padrões de beleza impostos. Fiquei confuso.
Segundo Albert Mehrabian, professor da UCLA considerado um dos pioneiros da pesquisa sobre linguagem corporal, na comunicação face a face:

7% é verbal (isto é, as palavras utilizadas)
38% é vocal (isto é, envolve tom de voz, entonações, etc.)
55% é expressão facial


Já na comunicação via telefone, as palavras aumentam um pouco de importância:

82% é o tom de voz utilizado que faz a comunicação
18% são as palavras usadas
"Se o bullying causasse tiroteios em escolas, você veria atiradores trans, atiradores LGBT, atiradores do sexo feminino, atiradores negros e pardos. O bullying não causa tiroteios nas escolas; o direito adquirido é que causa. E os garotos brancos são, de longe, o extrato demográfico mais privilegiado. Aos garotos brancos foram prometidos riqueza, poder e mulheres objetificadas, em todas as formas de mídia, desde a infância. E quando eles não recebem isso, eles reagem da maneira que a mídia de massa lhes ensinou: com violência gloriosa." (Autor desconhecido, via Lívia Perrone Pires)
"Atendimento" e "atender" têm a mesma etimologia de "atento" e "atenção".

Se você está imerso em seus próprios pensamentos, e não no momento presente, você não está atendendo.
Em comemoração aos 21 anos do lançamento de 'TNT', Tortoise apresenta o disco inteiro ao vivo.
"É de uma pobreza inenarrável a necessidade de mostrar-se rico." (Padre Fábio de Melo)
"O ego é sustentado por contínua resistência." (Eckhart Tolle)
"Se você é empurrado por sua energia de hábito a dizer algo, não diga. Em vez disso, leve um caderno e anote. Um ou dois dias mais tarde, leia o que você escreveu, e pode descobrir que teria sido uma coisa terrível de dizer. Então, lentamente você se torna mestre de si mesmo, e você saberá o que dizer e o que não dizer." (Thich Nhât Hanh)
"A quietude [da mente, não do ambiente] é onde a criatividade e as soluções para os problemas são encontradas." (Eckhart Tolle)
"Minha rede de twitter intelectualizada está tirando onda que Bolsonaro disse que não nasceu para ser presidente, mas militar. Nos grupos de ZAP bolsonaristas: acharam excelente. Isso reforça que a política é 'suja', que ele estaria fora e ACIMA disso por ser militar. Dois mundos." (Rosana Pinheiro-Machado)
"Queremos uma garotada que não se interesse por política, mas possa ir ao espaço."

Não precisa dizer o autor da frase.
Eu nasci 11 dias depois que a Fiona Apple nasceu.
Adolfo Luxúria Canibal, para Fábio Massari: 

"Como Os Cantos de Maldoror é um livro de referência para a Mão Morta - sempre foi um livro citado por livros, sempre foi um livro de cabeceira nosso -, desde essa altura, Miguel Pedro, que é o baterista da Mão Morta, insistia: 'E se nós avançássemos com um espetáculo desses, com essas características, mas a partir do Lautréamont? De Os Cantos de Maldoror?'. E eu conheço bem os cantos e sei a dificuldade que é ler os cantos, quanto mais sem os trair, transformá-los num outro tipo de linguagem e usá-los com um outro espaço. Nesse caso, o palco. E sempre fui dizendo que não, que não, que não, que não, que isso eralm impossível, que isso era uma ideia maluca, que não funcionava. Bom, finalmente, por tanta insistência, acabamos por dizer que sim e avançamos. E só a pensar como é que haveríamos de transpor uma obra literária com a riqueza e com a dificuldade que tem Os Cantos de Maldoror para um outro tipo de espaço, que tipo de ideia, que tipo de mecanismo iríamos utilizar para que a transposição não traísse a obra original, só isso demorou cerca de 3 anos. Finalmente, conseguimos pegar uma ideia do quarto de brinquedos. Portanto, o espaço-chave onde a imaginação e a realidade se entrecruzavam, onde a criança poderia brincar e onde nada seria inconcebível porque tudo está na imaginação da criança, e criança tem uma imaginação fértil imparável, não é? De maneira que, a partir dessa ideia, conseguimos escolher alguns excertos dos cantos que fossem mais significativos, que eram para um tipo de ação, que eram para um tipo de linguagem, que eram para um tipo de mecanismo literário que Lautréamont utilizou, que fossem mais significativos do que seriam ao canto, até porque o canto não tem uma história propriamente. Há um início de uma história que é constantemente interrompido por outros inícios, elucubrações, por outros pensamentos, e ele anda sempre à volta. Há uma espécie de turbilhão sem fim em que o leitor está sempre perdido. Tem até essa ideia de que não poderia haver uma história no palco. Era uma ideia essencial a se ter porque, se nós fizéssemos uma história, que era a coisa mais fácil para prender o espectador, nós estaríamos a atraiçoar o original. Portanto, havia de manter essa ideia de não haver uma história. E como é que poderíamos manter a atenção do eventual espectador sempre aberta e sempre alerta sem haver uma narrativa clássica propriamente dita? Portanto, esse foi o grande dilema que nós - acho - conseguimos resolver. Tivemos a ajuda de um encenador. O trabalho, para nós, era demasiado. Precisávamos de alguém que tivesse conhecimentos técnicos e específicos da encenação e então socorremo-nos de um encenador profissional, o António Durães. E, a partir de um diálogo constante com ele, conseguimos então criar esse espetáculo em que todos esses excertos funcionavam uns com os outros quase como quadros que se interrompiam, que se desviavam sem chegar a um final - sem chegar a um final porque o final acaba exatamente como começa o espetáculo. Portanto, há, ali, uma espécie de retorno sem conclusão, mas onde os acontecimentos, as novidades estão sempre a acontecer. E esse acontecer de novidades constante acaba por prender a atenção do espectador."
Alondra de la Parra: maestrina mexicana derruba estereótipos à frente de orquestras internacionais.
"É acompanhando a vida desses dois personagens, maravilhosamente interpretados, que seguimos durante quatro temporadas excelentes. (...) Produzida pela Amazon, a série foi sucesso de crítica, rendendo à Gael Garcia Bernal uma vitória no Globo de Ouro como Melhor Ator em Comédia ou Musical (no caso de Mozart, os dois). Todas as temporadas têm reviews calorosas, que destacam principalmente a direção, o roteiro e a atuação do elenco. (...) Uma abordagem mais simples, íntima e apaixonada sobre música talvez não seja um imã para grandes audiências, mas com certeza é uma experiência única e (por que não?) divertidíssima de se acompanhar. Além de tudo, perdoem-me se isso soar cafona, uma grande inspiração para quem busca realizar seus sonhos e viver através de sua paixão, seja ela a música clássica, a cozinha, o cinema, independente de qual forma, a arte em si. Viver da arte é um desafio que pode ser doloroso, mas também não há recompensa igual quando faz-se o que se gosta. E em cada episódio peculiar de Mozart in the Jungle é possível ver a paixão que seus criadores deixaram na obra." (Vinícius Barros)
Em Yucatán (México), os morcegos comem 30 toneladas de insetos todas as noites. Eles conseguem comer por dia o mesmo tanto de peso que eles têm.
O vazamento radioativo de Chernobyl correspondia a 48 bombas atômicas de Hiroshima por dia.
Na Copa América de 1989, apenas 8 dos 23 jogadores convocados para a Seleção Brasileira jogavam na Europa. Na deste ano, apenas 3 não jogam lá.

Agnieszka Holland: a mesma mulher que escreveu os roteiros da Trilogia das Cores, do Kieslowski, dirigiu o filme Eclipse de Uma Paixão e episódios das séries The Wire, The Killing e House of Cards.
Ainda refletindo sobre as minhas fotografias abstratas. Sempre querem saber "o que é" naquela foto. O detalhe enquadrado é de que coisa? No coquetel de abertura da exposição que eu fiz, com a quantidade e o tipo de perguntas e curiosidades, eu era tipo um guia científico em pleno evento artístico. As pessoas tendem (pelo menos em fotografias; pelo menos as abstratas) a desejar a prosificação da poesia, querem saber o segredo da mágica (o qual, uma vez sabido, faz com aquela mágica se acabe para sempre dentro daquele que soube). A arte é um enigma-espelho subjetivo, e não uma charada. 

Mas entendo as propensões humanas, sobretudo na sólida cultura ocidental. Talvez eu, do outro lado, tenha a mesma propensão. Já sobre os meus desenhos, ninguém até hoje perguntou "o que é". No máximo afirmam "parece ____".
Mais Ivan Capelatto:

"Hoje a maior parte das propagandas que mantêm as revistas que vão pra dentro dos consultórios são aquelas que falam da estética, clínicas que mexem com o corpo, drenagem, botox... o que marca, segundo Lipovetsky, a Era do Vazio: o medo de envelhecer e o desinteresse pelas gerações futuras. O investimento maior que hoje a sociedade contemporânea faz nas crianças é um investimento intelectual; afetivo não. Nós convivemos pouco com as nossas crianças. O vínculo afetivo vai diminuindo de uma maneira complicada, quando a gente se desinteressa afetivamente pelas gerações que estão precisando sentir o gosto do amor e da perda. Agora nós intensificamos a angústia da morte. Quanto maior a angústia da morte, maior o culto ao narcisismo, maior o medo da morte, maior o medo da ruga, maior o medo da barriga, do culote, e a gente começa a pensar que o envelhecimento é intolerável. Os adultos estão tentando evitar o envelhecimento, morrendo de medo do envelhecimento, e as crianças estão se sentindo fragilizadas por não serem importantes. Elas têm a juventude, então não precisa dar mais nada, elas têm aquilo que eu invejo. Hoje nas faculdades de medicina, de enfermagem, de terapia ocupacional, de psicologia, de fisioterapia, se ensina e se prega alguma coisa a respeito do vínculo. Hoje o cuidador sabe que, quanto mais ele se aproximar do doente, quanto mais ele conversar com o doente, conviver com o doente, só aumenta a autoestima do doente, mesmo terminal, e aumenta sua dignidade. A permissão do luto é a única forma pela qual alguém pode suportar a perda do ente querido: sentindo a perda do ente querido. Quando se tenta curar a dor da perda, nós levamos o sujeito a um estado psicótico. A sociedade se torna saudável para lidar com a morte quando ela permite a dor. Permitir a dor é permitir que se chore, permitir que se lamente, permitir que se grite, permitir que aquela mãe se debruce no caixão daquele filho, que faça um escândalo terrível. Nós temos vergonha da mãe que chora desesperadamente no caixão do filho, nós vamos lá e tiramos ela de lá, damos café pra ela, ou ansiolítico, ou antipsicótico, alguma coisa pra que ela pare com aquele sentimento. Eu conheço uma vozinha que perdeu um filho e dois netos: um neto de acidente de carro e uma netinha de uma doença auto-imune terminal, 6 anos de idade. Perdeu três pessoas. De vez em quando ela vai a alguma festa e se lembra de que aquelas três pessoas não estão ali, e ela começa a chorar. E alguém fala 'isso de novo?!', e aí ela tem que engolir a sua dor. Quando ela engole a sua dor, ela faz uma doença no seu corpo, ela faz dor em sua perna, ela faz aparecer um ponto de câncer em algum lugar, ela deixa de fazer tricô, deixa de fazer o doce, e todo mundo pensa que está ajudando. A dor é talvez o sentimento mais importante pra quem pensa que saúde mental é importante. A permissão da dor é a permissão da vida. Negar ou impedir a dor é impedir a vida. Uma sociedade que não permite a dor não é uma sociedade saudável. É preciso viver um luto. Luto é vida."
O Joaquin Phoenix tinha que ganhar o prêmio de melhor ator de todos os tempos.

every boy
is a snake
is a lily
every pearl
is a lynx
is a girl

- björk
Haddad genialmente tuitou:

Bolsonaro pediu desculpas ao STF
Podia pedir desculpas ao povo argentino
Ao povo brasileiro
A toda humanidade
Aos seres vivos de uma maneira geral
A Deus por invocar seu nome em vão
Shows internacionais e nacionais a que fui (lista atualizada em 08/11/2019).

Animal Collective
Arcade Fire
Arctic Monkeys
Ben Harper
Björk
Built To Spill
Byetone
Charlie Garcia
Courtney Barnett
Daughter
Emerson, Lake & Palmer
Fantomas
Fito Paez
Flaming Lips
High Places
Hot Chip
Iggy & The Stooges
Ilya Kuryaki & The Valderramas
Joanna Newsom
Juana Molina
Krishna Das
KT Tunstall
L7
Land Of Talk
Laurie Anderson
Lee Ranaldo
Lisa Li-Lund
Los Tres
Man... Or Astro-Man?
Marianne Faithfull
Massive Attack
Nine Inch Nails
Owen Pallett
Placebo
R.E.M.
Ray Lema
Roger Waters
Sonic Youth
Strokes
The B-52s
The Killers
Thee Oh Sees
Wendy McNeill
Will Oldham = Bonnie Prince Billy
Yes

Abesta
Acretinice Me Atray
Adriana (Calcanhotto) Partimpim
Alcalóides
Além d'Alma
Andina
Astromato
Autoramas
Barbara Eugenia
Bidê ou Balde
Blanched
Cine Victoria
Colorir
Comunidade Nin-Jitsu
Cowboys Espirituais
Darma Lovers
Dell.tree
Dennis McNulty
Dirty Robots
Divine
Farveste
Fernanda Abreu
Flávio Cavalcanti na Praia
Frank Jorge
Fruet e os Cozinheiros
Gilberto Gil
Graforréia Xilarmônica
Grenade
Hats
Hique Gomes
Huey
Hurtmold
Ira!
Irmãos Rocha!
J. Quest
Juntos
Júpiter Apple
Justine
Kid Abelha
Kleiton & Kledir
Lagarto a Vapor
Lavajato
Leela
Lenine
Letrux
Lobão
Loomer
Los Hermanos
Lulu Santos
Mamonas Assassinas
Maria do Relento
Mundo Livre S.A.
Nação Zumbi
Nei Lisboa
Nenhum de Nós
O Rappa
Otto
Pan&Tone
Paralamas do Sucesso
Planet Hemp
Planondas
Poliéster
Procura-se Quem Fez Isso
Refri
Relógios de Frederico
Replicantes
Rita Lee
Ritalina
Sensifer
Skank
S.O.L.
Sonic Jr.
Space Rave
Supermozart
Superphones
Temperfaktor
Thös Grol
Tim Maia
Tom Bloch
Transmission
Tuyo
Ultramen
Viana Moog
Video Hits
Wander Wildner
Winston
Zeca Baleiro
Estou viciado numa série de vídeos do produtor e professor Rick Beato, no YouTube, chamada "What make this song great?".

Ele disseca grandes músicas do rock. Tem bom gosto, didática, conhecimento, carisma. Ele tem mais de 60 anos e Nirvana e Radiohead estão entre suas bandas preferidas. A série já tem 77 episódios, incluindo o de hoje, sobre Losing My Religion.
"Tudo isso faz parte de nossas contradições diárias. São essas mesmas pessoas que exigem de um caminhoneiro, de um jovem do funk ostentação, de um profissional autônomo uma pureza ideológica que não encontramos nem no campo da esquerda. Não encontramos porque não é real. A coerência política é um processo em permanente construção. (...) A última vez que me lembro de ter sido “cancelada” foi por ter escrito que discordava da postura revanchista do “eu avisei”. Várias pessoas, com argumentos relevantes, argumentavam que eu estava errada, mas a maioria eram comentários depreciadores, misóginos e até criminosos. Uma pessoa começa “essa nunca me enganou rsrs” e alguém vem e dobra a aposta para ser mais engraçada ou demolidora no processo de manada. O ponto a que quero chegar é que muitas pessoas como eu, que têm disposição de rever opinião, acabam por desistir de opinar porque o custo humano é muito alto." (Rosana Pinheiro-Machado)
@laertecoutinho1 tuitou:

aplicativo tipo waze não ajuda a trafegar longe de congestionamento - ele espalha o congestionamento por todos os caminhos.
O que é ser uma pessoa madura?
(Flávio Gikovate)

A maturidade emocional é algo muito parecido com inteligência emocional e tem como principal característica a boa tolerância à frustração. Não é que a pessoa madura gosta de ser contrariada ou gosta de frustração, ela se aborrece com frustração tanto quanto todas as outras pessoas; só que, em vez de reagir, de descarregar essa irritação em cima de qualquer outra pessoa, ela aguenta bem o tranco, arruma um jeito de fazer um fio terra para se livrar desse desconforto, desse amargor - por conta própria, sem onerar a ninguém. Essa boa tolerância à frustração também não significa que a pessoa é mais dócil: significa que ela apenas suporta melhor e não acha necessário prejudicar outras pessoas por causa do desconforto.

Outra característica também é uma boa formação moral, ou seja, uma pessoa que não seja nem exageradamente egoísta, nem exageradamente generosa, ou seja, uma pessoa equilibrada, temperada nesse aspecto, mais perto do ponto de justiça. A pessoa madura tem competência para ser cuidadosa e preocupada em não ferir, respeitosa com a suscetibilidade ou com a vaidade da outra pessoa. É razoavelmente estável e constante e tem variações de humor em função dos fatos. Fica alegre, fica triste, fica aborrecido, mas sempre sob controle. Descontrole fácil é sempre um indício de imaturidade, de pouca tolerância às adversidades da vida.

A pessoa emocionalmente madura é também uma pessoa disciplinada, tem controle razoável sobre as suas emoções. A disciplina significa um controle racional sobre a preguiça, mas também sobre a raiva, sobre a inveja, sobre o ciúme, não é escrava dessas emoções. Ela está em permanente evolução porque aprende com os erros justamente por ser uma criatura mais ou menos ousada. Então ela não tem medo do fracasso, não tem medo de errar. Ela aprende com os erros, aprende com os seus fracassos e por isso está em evolução permanente, consegue atingir níveis cada vez mais sofisticados de autoconhecimento. A pessoa que não tem domínio sobre as emoções não vai conseguir se controlar e por isso não é previsível, nem tão confiável. A pessoa madura em geral é mais serena, mais ponderada, mais razoável e nem por isso chata, nem por isso nerd, nem por isso é uma pessoa que não tem senso de humor, que não tem curiosidade.


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terça-feira, 21 de maio de 2019

segunda-feira, 22 de abril de 2019

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Yorgo Lanthimos em "Como estragar uma carreira em 10 anos: de vencedor do Un Certain Regard, de Cannes, em 2009, com 'Kynodontas', a campeão de indicações aos Oscars, em 2019, com 'The favourite', incluindo Melhor Atriz para uma atriz que engordou".



Olivia Colman engordou 16 Kg pra ganhar o Oscar... 😑
"Estudar o Caminho [de Buda] é estudar a si próprio. Estudar a si próprio é esquecer-se de si próprio. Esquecer-se de si próprio é tornar-se iluminado por todas as coisas do universo." (Dogen Zenji)
"Para muitos, a gênese do ateísmo está na percepção de que o Deus apresentado por alguns religiosos é bem pior do que nós." (Fábio de Melo)
Complemento implícito, por minha conta: 'Mas não é. Somos, nós mesmos, impiedosos. Imagem e semelhança.'
Como eu descobri o plano de dominação evangélico – e larguei a igreja 
(Túlio Gustavo/Intercept)
 
"Em junho de 2009, aconteceria o Congresso Nacional dos 7 Montes, que tinha por objetivo reunir cristãos e lideranças de todos os lugares do Brasil para convocar uma grande mobilização em prol da necessidade de a Igreja ir além das suas quatro paredes para conquistar espaços para o Reino de Deus – o que eles chamaram de '7 montes da sociedade', a saber: 1) artes e entretenimento, 2) mídia e comunicação, 3) governo e política, 4) economia e negócios, 5) educação e ciência, 6) família, 7) igreja e religião. (...) Por convicções pessoais, nunca acreditei que fosse aquele o jeito certo de fazer as coisas na igreja. Era tudo muito roteirizado e com muitas táticas que me faziam sentir estar vendendo alguma coisa ao invés de estar pregando a fé. Incomodava-me muito, principalmente, a rigorosa hierarquia criada entre discípulos e discipuladores. (...) Antes de sair, lembro como fosse hoje o que disse aos pastores: 'Eu tenho certeza que isso vai funcionar. É uma excelente ferramenta de marketing e foi feito pra dar certo. Mas eu não acho que seja isso que Jesus queira que façamos'."
“Legítima defesa aplicada à ação policial vai exatamente na contramão da profissionalização das polícias. A polícia tem que ser bem treinada para administrar suas emoções e não agir como cidadão comum”, diz Jacqueline Sinhoretto, da diretoria do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.
"Plea bargain - Em 2017, a revista The Atlantic nos Estados Unidos fez uma longa reportagem sobre como cada vez mais os pequenos delitos não iam mais para o tribunal. Quem decide, no final das contas, a pena do delito passam a ser o promotor e o advogado de defesa, por meio de um acordo. A presunção de inocência acaba indo pro vinagre rapidinho. Se você é acusado de um crime, o promotor vem com a proposta: você assume a culpa e ganha uma pena leve, ínfima até. Mas, se não assumir, o caso vai para o tribunal e o promotor vai pedir pena máxima para o seu crime. Boa parte da população não confia nada no sistema de Justiça - que são justamente os grupos mais vulneráveis, os candidatos preferenciais a população carcerária. Em 2013, a Human Rights Watch publicou um relatório mostrando como o plea bargain é uma violação de direitos constitucionais, gerando sentenças rígidas e injustas. Num país como o Brasil, com a força das milícias, vamos ver outro desdobramento: inocente alegando culpa simplesmente por medo de que criminosos executem ele ou sua família. Diante de tudo isso, por que então colocar o plea bargain na mesa? Simples: números! Sem sobrecarregar o Judiciário, você consegue uma enorme quantidade de sentenças e acaba dando a impressão de que está combatendo a criminalidade." (Fernando L'Ouverture, no twitter)

Dia em que eu nasci: 24
Soma dos algarismos do ano em que eu nasci: 1+9+7+7= 24
Quantidade de anos que faltam para eu me aposentar, se passar a reforma da previdência como está: 24
Multiplicação entre si dos algarismos diferentes de zero do ano em que vou me aposentar (2043), se passar a reforma da previdência como está: 2x4x3= 24
Idade com a qual eu comecei a contribuir para o INSS: 24

Contribuição da amiga Célia Maschmann:

24: o três de paus ou o coração (no baralho LeNormand).
Olhar para fora usando os recursos internos. Capacidade de ação plena, pensamento claro, possibilidades infinitas.
Amor puro, coração limpo, sede de aventura.
UOL – A maneira como a morte passou a ser tratada mudou com o tempo?
Maria Julia Kovács – A grande mudança se processou na passagem do século 19 para o 20, com o desenvolvimento da medicina, principalmente na sua busca de cura e de tratamentos cada vez mais sofisticados. Do ponto de vista médico, a morte passou a ser vista como fracasso profissional. Então, houve a interdição do tema, isolamento de pessoas que estão morrendo em salas e corredores distantes nos hospitais, além da exploração de técnicas que pudessem postergá-la a todo custo. Assim se criou a "distanásia", um processo muito sério de medicalização e prolongamento do processo de morte, que pode vir acompanhado de muito sofrimento.
Qual o lado bom e o ruim de prolongar a vida com os novos tratamentos?
Há benefícios, como permitir que pessoas com o diagnóstico de doenças sem cura vivam por muito tempo e com menos efeitos colaterais. A maior desvantagem é que muita gente não está conseguindo morrer naturalmente. Os maiores prejudicados nesse ponto são os idosos, com doenças crônicas e degenerativas. Eles são submetidos a uma série de intervenções inúteis, porque não se concebe a ideia de que possam morrer. Isso acaba ampliando o sofrimento do doente e de seus familiares, que os vê em situações muito graves, quase mortas, entubadas, sem a possibilidade de se comunicar. Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

"O segredo para encontrar o nível mais profundo do outro encontrar o nível mais profundo em si mesmo. Sem encontrá-lo em si, você não vai conseguir vê-lo no outro." (Eckhart Tolle)
Não existe nenhum projeto no Brasil dos últimos dez anos tão bem organizado e tão bem sucedido quanto o projeto antipetista. Pra construir, não teve nada. Mas, pra destruir o maior partido de esquerda, a eficiência, a união de forças e o planejamento, desde 2005 (Mensalão), são impressionantes, fenomenais.
"Sempre foi considerada muito enigmática a expressão 'servidão voluntária', porque a servidão é alguma coisa à qual você é submetido contra a sua vontade. Então como é possível uma servidão voluntária? É esse enigma que em um jovem francês do século 16 resolveu enfrentar - ele se chama La Boétie. Ele escreveu um texto que ficou conhecido como 'O discurso da servidão voluntária'. Qual é a originalidade do La Boétie? Na tradição do pensamento político e da filosofia política, os pensadores dedicaram, se não um livro, um ensaio, um parágrafo para falar sobre a tirania. Mas eles sempre focalizaram a tirania a partir da figura do tirano, que é descrito com um homem cheio de vícios, corrupto, mau, dominador, opressor. La Boétie mudou o foco da questão e, em vez de ir ao tirano, ele foi aos tiranizados. Ele perguntou por que os tiranizados aceitam o tirano. A resposta clássica que sempre se deu foi que o tirano tem as fortalezas, tem as armas, tem os exércitos, tem o conjunto das leis e dos juízes na sua mão, ou seja, ele domina toda a sociedade, então você não tem outro jeito senão, por medo ou por complacência, se submeter à ele. Aí o La Boétie diz que, se nós olharmos o tirano, nós vamos ver que ele é um homem como qualquer outro: dois olhos, dois ouvidos, uma boca, duas mãos, dois pés. Como explicar que ele tenha milhões de olhos nos vigiando, que ele tenha milhões de orelhas nos espionando? Como explicar que ele tenha milhões de mãos que nos esganam, milhões de pés que nos pisoteiam? De onde veio esse corpo fantástico do tirano? E ele diz: fomos nós que o demos para ele. Nós demos para ele os nossos olhos, os nossos ouvidos, as nossas mãos, as nossas bocas, os nossos pés, os nossos filhos, a nossa alma; nós entregamos a nossa honra para que ele nos dominasse e fizesse de nós o que quisesse, e é por isso que a nossa servidão é voluntária. Mas a questão é: por que fazemos isso? E a resposta do La Boétie é terrível: porque nós todos somos tiranetes. Cada um de nós, do lugar em que está, quer submeter, dominar e controlar aquele que está abaixo. Portanto, a sociedade inteira é tirânica. A tirania não é um acontecimento que depende do mau caratismo do tirano: ela depende de uma sociedade que está construída tiranicamente pelo desejo de dominar o outro e, portanto, a servidão voluntária tem como causa nós mesmos." (Marilena Chauí)


Sujeito difícil de lidar: aquele que fica magoado por motivos forçados ou inventados - ou seja, não por sensibilidade, mas talvez por gosto de ser vítima e acusador, talvez por preguiça de ser alguém que não se magoa por motivos forçados ou inventados. É uma postura socialmente defensiva e sabotadora. Hipóteses: "Vou ficar magoado antes que o outro seja o 'autor' da minha mágoa. Só quem me magoa sou eu." Em alguns casos, é utilizada essa tática para culpar o outro pela própria incapacidade de construir uma relação.
"Sei por exemplo que, como bissexual, o subgrupo mais invisibilizado da comunidade LGBT, estou quatro vezes mais propensa a pensar em suicídio do que os heterossexuais e duas vezes mais do que lésbicas e gays, segundo reportagem da Vice. E, como mulher bi, tenho 2,6 vezes mais chances de ser estuprada do que minhas amigas hétero e 3,5 a mais do que as lésbicas. Além disso, segundo um estudo da revista Journal of Public Health, tenho 64% mais chances de ter um distúrbio alimentar do que uma lésbica, 37% a mais de me automutilar e 26% a mais de ter depressão." (Bruna de Lara/The Intercept)
Paola Carosella: "A morte de um jovem negro em mãos de um segurança gera infinitamente menos indignação, revolta e raiva que a morte de um cachorro em mãos de um segurança."
Karol Marques @flambs_: "O princípio é básico: presunção de inocência não existe pro negro e pro pobre. O cachorro é indefeso, o negro tem que provar postumamente que não merecia morrer."
"Não há sentido em conceder privilégios especiais a parlamentares, uma vez que nossa tarefa é representar os cidadãos e conhecer a realidade em que as pessoas vivem. Também pode-se dizer que é um privilégio em si representar os cidadãos, uma vez que temos a oportunidade de influenciar os rumos do país", diz o deputado Per-Arne Håkansson, do partido Social-Democrata.
Até 1957, os deputados do Parlamento sueco não recebiam sequer salário: ganhavam apenas contribuições feitas pelos membros dos partidos.
(...) A decisão de introduzir o pagamento de salário aos parlamentares foi tomada, segundo consta nos arquivos do Parlamento, após chegar-se à conclusão de que nenhum cidadão deveria ser "impedido de tornar-se um deputado por razões econômicas". Mas o valor do salário não deveria "ser alto a ponto de se tornar economicamente atraente".

(...) O erário público paga apartamentos funcionais (a políticos com base eleitoral fora da capital, e que não possuem imóvel próprio em Estocolmo) exclusivamente para os parlamentares. A cônjuges de deputados, familiares e afins, é negado o benefício de morar ou até mesmo pernoitar em propriedade do Estado sem pagar. Se a mulher de um deputado do interior decide viver no apartamento funcional da capital com o marido, cabe a ela arcar com a metade do valor do aluguel.
(...) Também são os próprios parlamentares que cozinham e cuidam da limpeza da casa. Faxina gratuita nos apartamentos funcionais, segundo o setor de administração do Parlamento sueco, só uma vez por ano, durante o recesso parlamentar de verão.
(...) Para o cientista político sueco Rune Premförs, "Representantes políticos devem também ser representantes do povo em termos de não se atribuir condições privilegiadas".
(BBC)


Programa-074 by Revelações*DouglasDickel on Mixcloud

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Eliane Brum, como escreve!:

' ' O novo presidente representa, principalmente, o brasileiro que nos últimos anos sentiu que perdeu privilégios. Nem sempre os privilégios são bem entendidos. Não se trata apenas de poder de compra, o que é determinante numa eleição, mas daquilo que dá chão a uma experiência de existir, aquilo com que faz com que aquele que caminha se sinta em terra mais ou menos firme, conheça as placas de sinalização e entenda como se mover para chegar onde precisa.

Vária irrupções perturbaram esse sentimento de caminhar em território conhecido, em especial para o homem branco e heterossexual. As mulheres disseram a eles com uma ênfase inédita que não seria mais possível fazer gracinhas nas ruas nem assediá-las nos trabalho ou em qualquer lugar. A violência sexual foi exposta e reprimida. A violência doméstica, quase tão comum quanto o feijão com arroz (“um tapinha não dói”) foi confrontada pela Lei Maria da Penha. Afirmar que uma “mulher era mal comida” se tornou comentário inaceitável de um neandertal.

Na mesma direção, os LGBTI se fizeram mais visíveis na exigência dos seus direitos, entre eles o de existir, e passaram a denunciar a homofobia e a transfobia. Figuras públicas como Laerte Coutinho anunciaram-se como mulher sem fazer cirurgia para tirar o pênis. O que há entre as pernas já não define ninguém. E a posição de homem heterossexual no topo da hierarquia nunca foi tão questionada como nos últimos anos.

Tanto que, como reação, surgiram proposições como criar o “Dia do Orgulho Heterossexual” ou o “Dia do Homem” e até o “Dia do Branco”. Não faz sentido criar datas para quem tem todos os privilégios, mas as propostas apontam como mesmo a perda destes privilégios em particular parece balançar o mundo de quem sempre teve a coleção completa de vantagens como direito inalienável.

O que a maioria dos homens entendia como direito – falar o que bem entendesse, especialmente para uma mulher – já não era possível. “Não dá para falar mais nada” se tornou uma frase clássica na boca destes homens. As já tradicionais piadas de “viado”, um tema clássico de fortalecimento da identidade de macho, tornaram-se inaceitáveis. O “politicamente correto”, que Bolsonaro e seus seguidores tanto atacaram nesta eleição, foi interpretado como agressão direta a privilégios que eram considerados direitos.

Para um homem pobre, seja ele branco ou negro, tripudiar sobre gays e/ou mulheres na vida cotidiana pode ser a única prova de “superioridade” enquanto enfrenta o massacre diário de uma jornada extenuante e mal paga. Bolsonaro compreendeu isso muito bem. Em seu discurso para a população aglomerada na Praça dos Três Poderes, nesta terça-feira, o presidente recém-empossado colocou o combate ao “politicamente correto” como uma das prioridades do seu governo. Não a assombrosa desigualdade social, que até mesmo presidentes conservadores achavam de bom tom citar, mas a necessidade de “libertar” a nação do jugo do “politicamente correto”.

Logo no início do discurso, Bolsonaro afirmou: “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda a nação neste dia como um dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.

É esse brasileiro “acorrentado” que votou para retomar seus privilégios, incluindo o de ofender as minorias, como seu representante fez durante toda a carreira política e também na campanha eleitoral. Para muitos, o privilégio de voltar a ter assunto na mesa de bar – ou o de não ser reprimido pela sobrinha empoderada e feminista no almoço de domingo.

Somado a isso, as cotas raciais nas universidades, assim como o Estatuto da Igualdade Racial, conquistas dos movimentos negros reconhecidas pelos governos do PT, atingiram fundo os privilégios de raça, tão enraizados quanto os privilégios de classe e de gênero no Brasil, possivelmente mais.

Os negros passaram a não aceitar passivamente ser maioria nas piores estatísticas, ter menos tudo, assim como morrer mais e mais cedo. É desse confronto que vem a frase sem qualquer lastro na realidade, mas repetida com persistência por Bolsonaro e seus seguidores: a de que “o PT inventou os conflitos raciais”. É claro que, enquanto os negros seguissem aceitando o seu lugar subalterno e mortífero na sociedade brasileira, não haveria conflito. Mas esse tempo acabou e até mesmo lugares que pareciam reservados apenas aos filhos dos brancos, como as carreiras mais disputadas das universidades públicas, começaram a ser ocupados pelos negros.

Para as famílias, especialmente as brancas, outra mudança atingiu profundamente um privilégio arraigado que está na formação do Brasil, e que foi pouco alterado pela abolição da escravidão negra. No início da segunda década do século, a “PEC (Proposta de Emenda Constitucional) das Domésticas” deu a essa categoria formada majoritariamente por mulheres, a maioria delas negras, direitos trabalhistas que outras categorias tinham há décadas mas que sempre foram negados a elas, como o limite da jornada de trabalho e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). O ódio dos bolsonaristas se expressa não pela ação, mas pela reação: a de quem se defende do que acredita ser um ataque.

Quando Bolsonaro assume o poder, este homem sente que também ele volta a governar um mundo que já não compreendia.

(...) Ao assumir o poder, Bolsonaro mostra que a ordem do mundo volta ao “normal”. Com Bolsonaro, eles voltam também ao Governo de suas próprias vidas, sem serem questionados nem precisarem ser questionados sobre temas tão espinhosos como, por exemplo, a sexualidade e seu lugar na família e na sociedade.

São principalmente homens, mas também são mulheres que sentem que a opressão é um preço baixo a pagar para voltar a um território que, mesmo asfixiante, é conhecido e supostamente mais seguro num mundo movediço.

Como disse Bolsonaro em seu discurso às massas, logo após ser ungido com a faixa presidencial: “Não podemos deixar que ideologias nefastas venham a dividir os brasileiros. Ideologias que destroem nossos valores e tradições, destroem nossas famílias, alicerce da nossa sociedade. Podemos, eu, você e as nossas famílias, todos juntos, reestabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”.

(...) Como sentiam-se oprimidos por conceitos que não compreendiam, os bolsonaristas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta. ' '
"Para encontrar-se com 'Jeannette - l'enfance de Jeanne D'Arc' nesse nível, você deverá aceitar a arca de regras de Bruno Dumont: você só poderá achar que o filme é tão belo quanto estranho se você, primeiro, aceitar que há, nele, algo um tanto alienante e orgulhosamente irreal. Talvez você nunca abra mão de sua descrença, porque tudo ali é um pouco áspero, intencionalmente. A única coisa em 'Jeannette' que é imediatamente - e, portanto, tradicionalmente - impressionante é a sua cinematografia (fotografia), e até mesmo ela serve para fortalecer a ideia de que Jeannette está cercada por uma beleza inexplicável. Dumont se recusa a dar aos espectadores uma clara indicação de como eles devem se sentir enquanto veem atores jovens e inexperientes rezando e dançando. Ele meio que desafia - e meio que convida - você a tentar abraçar suas escolhas deliberadamente mistificantes. Assim ele enfatiza o olhar de convicção e o visível esforço nos rostos de seus atores. Ele lhes dá movimentos pequenos e possíveis de realizar, sem que chamem demais a atenção, tipo embaralhar os pés ou fazer headbang. Cada gesto é preciso, mas nenhum se excede. É um jogo realmente misterioso este cuja força vem da certeza absurda de que qualquer momento, seja de uma séria oração (ou do silêncio que a sucede) pode ser interrompido por um intrusivo balido de uma ovelha nas proximidades. Dumont deve ser o único cineasta que faz uma autocrítica a sua própria heroína com barulhos de ovelha (ou músicas de ovelha). Para finalizar, uma confissão: eu queria escrever uma resenha de 'Jeannette' que facilitasse o interesse do leitor, mas percebo que eu acabei tornando-a ainda mais inacessível. E isso também é parte de um processo que muitos - mas não todos - espectadores atravessarão ao ver o filme. Ele é um desafiante drama artístico que tem um escorregadio senso de humor e um bocado de ousadia. Então não, eu não poderei explicar por que este filme é tão bom. Você terá que julgá-lo por si mesmo." (Simon Abrams)


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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Roberta Maia Gresta escreveu:

”Bolsonaro, na linha Trump, assumiu a desonestidade como padrão de expressão. Nenhum compromisso com fatos, nenhum constrangimento em mentir descaradamente.

Vi uma matéria outro dia, sobre Trump (vou tentar localizar), dizendo que isso é uma nova forma de poder. Ao mentir e colocar às pessoas o ônus de rebater absurdos, humilha-se o outro, que não merece, sequer, a sinceridade de suas posições.

O mais grave, a meu ver, é que isso se alastra para seus seguidores. Sempre com um rol de frases feitas, essas pessoas estão curtindo não ter qualquer desgaste mental para elaborar sua fala num diálogo. Há quase um roteiro, o “capitão” vai fornecendo novos elementos.

Assim, não importa que Bolsonaro tenha agido como parlamentar contra o Mais Médicos, tentado sistematicamente derrubar o programa e atingir a dignidade dos médicos cubanos inclusive propondo restrições de trabalho a seus familiares “para desincentivar laços duradouros”. Não importa que tenha incorporado a teoria da conspiração de que seriam guerrilheiros infiltrados e assumido que iria EXPULSÁ-LOS e ainda indicar que deveriam “atender petistas em Guantânamo”. Não importa a notória bandeira anti-direitos humanos, os quais já comparou a estrume.

Não importa. Descaradamente, ao tempo que leva adiante seu projeto de expulsão, resolve dizer que é para proteger os direitos humanos e “libertar” os cubanos. E seus seguidores passam a festejá-lo como libertador de escravos e humanista.

Como coerência alguma lhe é exigida, segue também dizendo que não há prova de que os médicos sejam médicos. Não importa a notoriedade das regras do programa e da atuação mundialmente reconhecida dos médicos cubanos. Seus seguidores lobotomicamente assimilam o comando e repetem “se são médicos, era só fazer o Revalida”. Alguns juram que assim teremos “excelência” e a saúde terá seu “agora vai”.

O novo coringa desse baralho de sandices é dizer que a culpa é dos Prefeitos, que teriam demitido os brasileiros para ficar com os médicos cubanos. Não importa que isso tenha sido sacado do sovaco presidencial após apelo dos prefeitos para que Bolsonaro reveja sua posição. Não importa a ausência completa de evidência, a absurdice da coisa, as 2.000 vagas em aberto, a notória cultura elitista da classe médica brasileira.

Não, nada importa. Bolsonaro decidiu que governará por esse domínio da narrativa do irreal, com apoio de seus seguidores, pela qual a culpa sempre será dos outros e quem se opuser cairá exausto lutando por um pingo de lucidez e coerência.

Há gente otimista achando que dá pra alcançar com diálogo essas pessoas que embarcaram no delírio. Não acho que seja possível. É um gozo maravilhoso demais isso de poder dar voz a fantasias como se fossem verdades e encontrar eco. Um gozo de irresponsabilidade, o ego gritando pro mundo que o mundo se dane.

É somente um trauma profundo, uma nova ferida egóica, tal qual aquelas experimentadas na infância pra trazer crescimento, que poderá transformar isso. Como o trauma agora dos prefeitos - naturalmente grande número deles vinha compartilhando o gozo do bolsonarismo até tomar o soco na cara da falência repentina da rede de saúde que precisa gerir.

Só vai voltar a importar tudo o que hoje não importa quando a realidade forçar cada um a despertar da fantasia de que esse gozo é eterno e sem consequências. O duro é que até lá muita desgraça vai ser suportada por gente demais”.
Eliane Brum escreveu:

' ' Silvio Santos. Ao vivo, na TV, o apresentador e dono do SBT, ao receber a cantora Claudia Leitte, afirmou que não a abraçaria. "Esse negócio de ficar dando abraço me excita e eu não gosto de ficar excitado", disse o apresentador. Surpreendida pelo desrespeito, Claudia retrucou: "No sentido feliz da palavra, né? De alegria, euforia, excitação”. Silvio, obviamente, perdeu a chance de se redimir em público: "Não, não é euforia, não. É excitação mesmo”. E a câmera focou nas pernas da cantora, para deixar claro para os milhões que assistiam ao programa o que deixava o patrão tão sexualmente excitado.

Silvio Santos é notório por pelo menos duas características: bajular todos os governos, ditatoriais ou não, ao ponto do constrangimento, e acreditar que assediar e ofender mulheres é um direito adquirido que não pode ser barrado pelo “politicamente correto”. A expressão, a propósito, é a mais odiada por pessoas como ele, já que acham injusto refrear seus instintos em nome da convivência e do respeito ao outro. Em julho, o dono do SBT fez o seguinte comentário a respeito de Fernanda Lima: “Com essas pernas finas e essa cara de gripe, ela não teria nem amor nem sexo”.

Em entrevista à Band, Fernanda rebateu: “Silvio, por que não te calas?”. Ele disse que não se calaria. Fernanda usou então suas redes sociais: "O corpo da mulher não é território público onde se pode meter a mão, avaliar, invadir, usar, agredir. Sigamos firmes e juntas construindo um grande abrigo de proteção para todas as mulheres contra qualquer violência machista”. O embate entre a apresentadora do Amor & Sexo e os machos alfas da TV não é novo, como se vê. Uma mulher falar de sexo e amor para milhões de telespectadores parece afetar masculinidades inseguras.

No programa Teleton, em 2017, depois da apresentação de um grupo de bailarinas plus size, Silvio chamou uma delas para entrevistar. Saiu-se com essa: "Você é muito graciosa. Embora seja a única negra entre as brancas, é bonita. É bonita de verdade!”. É possível que ele acredite que reconhecer a beleza de uma negra, mesmo com tantas brancas ao redor, seja um elogio, o que já é bastante impressionante. Mas ele é exímio em tornar tudo ainda pior: "Quem casar contigo vai ter dois prazeres: um na hora do bem-bom e outro na hora em que você sai de cima".

Silvio Santos já deveria ter respondido pelas violações da lei que cometeu ao vivo, diante de milhões, em horário nobre, há muito. Mas cresce o número daqueles que o acham apenas “engraçado”. E dos que acreditam que tudo isso é apenas “normal”. O que essas pessoas que normalizam o que jamais poderia ser considerado normal não percebem é o quanto esses exemplos – e sua impunidade – repercutem nos atos cotidianos e se entranham nas relações sociais, estimulando crimes também contra o corpo. Ou percebem. E é por isso que o apoiam. ' '
Bernard-Henri Lévy, filósofo (Argélia, 1948):

“Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato. E o que mais escandaliza é que não venceu dando um golpe, mas através das urnas. (...) Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso. O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos. (...) O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.”
Tem vários(as) artistas/bandas que conseguem fazer duas obras primas seguidas; agora, TRÊS na sequência, já é mais difícil. Tive a ideia de fazer um resgate daqueles(as) que, na minha opinião, conseguiram a façanha de enfileirar três discos de altíssimo nível - e pedir gol no Fantástico. Eis vinte ocasiões:

01 - DEPECHE MODE
1997 Ultra
2001 Exciter
2005 Playing the Angel

02 - SONIC YOUTH
2000 NYC Ghosts & Flowers
2002 Murray St.
2004 Sonic Nurse

03 - R.E.M.
1996 New Adventures in Hi-Fi
1998 Up
2001 Reveal

04 - NEIL YOUNG
1992 Harvest Moon
1994 Sleeps With Angels
1995 Mirror Ball

05 - TITÃS
1986 Cabeça Dinossauro
1987 Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas
1989 Õ Blésq Blom

06 - KRAFTWERK
1975 Radio-Aktivität
1977 Trans-Europe Express
1978 The Man-Machine

07 - THE WALKMEN
2008 You & Me
2010 Lisbon
2012 Heaven

08 - DESTROYER
2011 Kaputt
2015 Poison Season
2017 Ken

09 - PEARL JAM
1993 Vs.
1994 Vitalogy
1996 No Code

10 - RADIOHEAD
1995 The Bends
1997 OK Computer
2000 Kid A

11 - ST. VINCENT
2009 Actor
2011 Strange Mercy
2014 St. Vincent

12 - RAMONES
1976 Ramones
1977 Leave Home
1977 Rocket to Russia

13 - MOGWAI
1997 Young Team
1999 Come on Die Young
2001 Rock Action

14 - GRANDADDY
1997 Under the Western Freeway
2000 The Sophtware Slump
2003 Sumday

15 - BLONDE REDHEAD
2000 Melody of Certain Damaged Lemons
2004 Misery Is a Butterfly
2007 23

16 - BRIGHT EYES
2005 I'm Wide Awake It's Morning
2005 Digital Ash in a Digital Urn
2007 Cassadaga

17 - SUPERGRASS
1997 In It for the Money
1999 Supergrass
2002 Life on Other Planets

18 - SUPER FURRY ANIMALS
1996 Fuzzy Logic
1997 Radiator
1999 Guerrilla

19 - ARCADE FIRE
2004 Funeral
2007 Neon Bible
2010 The Suburbs

20 - PLACEBO
1996 Placebo
1998 Without You I'm Nothing
2000 Black Market Music
A Nair, que faz limpeza no nosso apartamento, trabalha também para uma família que tem uma lhasa apso chamada Pandora. A Pandora estava mal, vomitando, e ninguém sabia o que era. Um mistério. Acabaram descobrindo que ela estava com pedaços de meias no estômago e no intestino, por tê-las comido, tadinha. Tiveram que abrir a Pandora três vezes para tirar os panos.
Os homens estão se chamando, todos, uns aos outros, de "pai"????
"Pernilongos são guitarristas de uma nota só. Como nunca chegarão aos pés de um Jimi Hendrix descontam a frustração tirando o sangue dos outros. Muitas pessoas são assim também. That's life!" (Serguei)
A BUNDA, QUE ENGRAÇADA
(Carlos Drummond de Andrade)

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito estudar.

A bunda são duas luas gemeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na caricia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.
"Fui Miss Brasil em 1999 e sou feliz até hoje." (Renata Fan)
' ' Especialista em populismo, nazismo e comunicação na política diz que o jornalismo brasileiro terá que se reinventar e que a preocupação com o fato está perdendo cada vez mais relevância: "Só dizer que o fato não corresponde com o que está sendo dito não vai funcionar." Para a cientista política Paula Diehl, docente nas Universidades Humboldt de Berlim e de Bielefeld, a imprensa precisará se reinventar nesse contexto, investindo em análise e contextualizações.

"A imprensa precisa estar muito atenta às críticas e fazer uma análise de discurso quando um político fala que A é B, para mostrar os parâmetros que estão sendo utilizados para modificar o sentido das palavras e dos fatos. Ela precisa analisar e contextualizar. O jornalismo precisará investir nesse tipo de análise, pois só dizer que o fato não corresponde com o que está sendo dito não vai funcionar, é preciso mostrar passo a passo como as palavras daquele que está distorcendo os fatos estão mudando de sentido."

"Ser neutro não significa falar sempre bem e mal de cada um. Se um ator político é antidemocrático e é antidemocrático o tempo inteiro, isso tem que ser mostrado. Neutralidade não quer dizer distribuir críticas em quantidades iguais a todos os partidos políticos, mas sim utilizar os mesmos critérios para a crítica", destaca. ' ' (El Pais)
Sobre a antropóloga Débora Diniz: ' ' Apesar das controvérsias levantadas pela causa, nunca tinha passado por um processo tão doloroso quanto o que se iniciou em maio deste ano, quando ela se tornou idealizadora de uma nova empreitada no STF, desta vez pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. Não bastasse o linchamento virtual nas redes sociais, ela recebeu ao longo dos últimos meses dezenas de ameaças de morte e, incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Governo federal, foi aconselhada a deixar o país. “Sou vítima de ataques que colocam em risco o sentido de democracia no Brasil.” (...) “Chegaram ao ponto de cogitar um massacre na universidade caso eu continuasse dando aulas. A estratégia desse terror é a covardia da dúvida. Não sabemos se são apenas bravateiros. Há o risco do efeito de contágio, de alguém de fora do circuito concretizar a ameaça, já que os agressores incitam violência e ódio contra mim a todo o momento.” ' '
Leandro Demori, The Intercept Brasil, escreve a real verdade sobre a profissão do jornalista:

-
É hora do jornalismo fincar o pé em terreno mais sólido do que o banhado traiçoeiro da falsa mediação de falas públicas, ou, como chamamos no Brasil, do 'jornalismo declaratório'. (...) Um dos mais insidiosos erros é se apegar ao que o crítico de imprensa Jay Rosen chamou de ‘View from Nowhere’ [Vista de Lugar Nenhum] – transmitir cada história, especialmente na política, como uma competição de extremos partidários, com o papel do jornalista reduzido a narrar o que cada lado está dizendo. ‘É uma tentativa de garantir um tipo de legitimidade universal’, Rosen observa. (...)

Fazer isso soa como um crime para muitos jornalistas, que passam a ver você e sua equipe como uma trupe de desajustados que estão traindo os valores da profissão. Afinal, se você reporta sobre Bolsonaro, tem que reportar na mesma medida sobre Lula. Se ouve a mãe de uma vítima de uma chacina cometida pela polícia, tem que dar o mesmo espaço para a própria polícia. É preciso manter a imagem da simetria. Se não fizer isso, você deixa de ser jornalista e passa a ser um ativista, pejorativamente. (...)

É muito simples desmontar essa visão, mas é muito difícil convencer essas mesmas pessoas que o jornalismo como elas foram ensinadas a reconhecer é também cheio de pontos de vista, só que ocultos, tudo parte de uma grande indústria de faz de conta para atingir o maior número de pessoas em nome dos anunciantes, e a pretensa neutralidade é a melhor estratégia para isso. É o que faz a televisão desde os anos 1950, tentando agradar a gregos e troianos. As pessoas já sacaram. (...)
"A tragédia não é quando um homem morre; a tragédia é quando morre algo num homem enquanto ele está vivo." (Albert Schweitzer, via Mário Sérgio Cortella)
“Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo de uma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeios, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!” (Papa Francisco, mensagem Urbi et Orbi de 2014)
"(a) Odiar atrai cúmplices e me empodera. Todo ódio tem tribo. (b) Odiar desvia o mal de mim e centra no outro, velando o temido retrato no sótão de Oscar Wilde. (c) O ódio é poderoso como catalisador de energias internas sem rumo. Em resumo, pensando nos meus ódios, a dor vai para o fundo, crio amigos, sinto-me superior e desloco para terceiros tudo que não está certo." (Leandro Karnal)
"Não se esqueçam, 25/12 é um dia para celebrar o nascimento de um refugiado pobre que foi perseguido, torturado e morto por pregar igualdade, justiça social e amor." (Flaviano Nascimento)
Depois do jogador Wellington Nem, agora tem o jogador Emmanuel Mas.
"Eu pensei que eu estava livre por já ter feito o meu dever com as protagonistas mulheres, então eu poderia agora ter um homem como protagonista. Mas, sim, as mulheres ainda estão sofrendo. Eu sei. Eu culpo a Disney porque, quando menino, eu lia a revistinha do Pato Donald. Todas as histórias são clichês. Mesmo que eu tente evitar os clichês, não há como evitá-los. As mulheres estarão sofrendo." (Lars Von Trier)
"Eu sequer leio os roteiros das ofertas vindas de Hollywood. Eu odeio quando um diretor faz alguns filmes muito bons e, em seguida, ele dá um passo longe demais. A fim de agradar sua carteira, ele começa um caminho de declínio. Eu estou tentando resistir. Eu não quero que isso aconteça." (Lars Von Trier)
"Você pode imaginar que as pessoas sabem das probabilidades e que decidiram se arriscar. Apostadores sabem que estão apostando. Mas é interessante que, em muitas esferas da vida, as pessoas apostam e não sabem que estão apostando. É um excesso de otimismo, que faz com que as pessoas corram riscos que normalmente não correriam se admitissem que são riscos." (Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia)
"A desilusão com as estruturas institucionais levou a um ponto em que as pessoas já não acreditam nos fatos. Se você não confia em ninguém, por que tem de confiar nos fatos? Se ninguém faz nada por mim, por que tenho de acreditar em alguém?" (Noam Chomsky)
Sabe qual é o problema da educação no Brasil? O presidente sabe: "Uma das metas para tirarmos o Brasil das piores posições nos rankings de educação do mundo é combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino. Junto com o Ministro de Educação e outros envolvidos vamos evoluir em formar cidadãos e não mais militantes políticos."

Quem dera o "problema" da educação no Brasil fosse que os cidadãos têm uma educação política.

Agora, trabalhar para extinguir a educação política é trabalhar para acabar com a política.
' ' O jornal francês Le Monde diz o que os jornais brasileiros têm vergonha de escrever: “extrema direita chega ao poder”. Nossa grande mídia esconde este fato porque é cúmplice do crescimento e avanço da extrema direita no Brasil. ' ' (@heldersalomao)
Não vou dizer que The Shape of Water é o pior filme que já ganhou o Oscar de Melhor Filme porque um bocado (a maioria?) dos filmes que ganharam esse prêmio são péssimos pra cacete. Num dado momento eu achei que servia pra crianças, mas tem cenas quase "gore".
"O pior de Bolsonaro é o que o seu discurso 'autoriza'. Ao dizer, nas primeiras palavras do parlatório, que irá libertar o Brasil do politicamente correto, ele autoriza a livre expressão de racismo, misoginia e homofobia. Essa é a mensagem. O efeito disso é letal." (Rosana Pinheiro-Machado)
"Em nações democráticas ocidentais, como os EUA, Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, jornalistas têm total liberdade para exercerem seu trabalho. Restrições a jornalistas ocorrem em ditaduras de direita e esquerda como Arábia Saudita, Irã, Cuba, Venezuela, China e Egito." (Guga Chacra)

"Como os jornalistas são tratados na posse de Bolsonaro. Não tem água, precisa de autorização pra ir ao banheiro, não pode circular pra lugar nenhum, jornada de 14 horas, fomos revistados duas vezes e nos alertaram que há risco de levar bala dos atiradores." (@amandafaudi)

"Jornalistas que cobrem a posse foram obrigados a deixar as garrafas de água, mas no Congresso o acesso aos bebedouros estava restrito. Após discussões, conseguimos liberação ao bebedouro até 14h. Banheiro também só até 14h. Não há cadeiras e nenhuma estrutura. Resumo: desrespeito." (@Iaralemos)

"Seguranças também estão barrando maçãs trazidas por jornalistas, que precisaram chegar no começo da manhã para cobrir a posse, que se estende até a noite. As frutas poderiam ser arremessadas no presidente Bolsonaro, justificaram." (@annavirginia)

"A posse de Jair Bolsonaro é só 15h, mas os jornalistas precisam estar confinados desde às 7h. É quase uma tentativa de nos fazerem desistir pelo cansaço, só pode." (@Iaralemos)

"Comunicadores apoiadores de Bolsonaro têm livre circulação na Esplanada e na Praça dos Três Poderes. Eles são identificados por um pin especial. Os demais estão confinados no Palácio Itamaraty, sem poder fazer entrevistas, trabalhar. Alguns estrangeiros abandonaram cobertura." (@renatoalvesdf)

"As condições oferecidas à imprensa na posse não é mero desprezo. Nem começou hoje. É uma posição firme e uma sinalização direta aos apoiadores do novo regime sobre como o jornalismo deve ser entendido e tratado nos próximos anos. E a ficha segue não caindo para muitos colegas..." (Bruno Torturra)
"Bolsonaro — que afirma querer governar em nome dos valores cristãos e judeus com uma bandeira mutilada — deveria se lembrar que o rei da divisão e inimigo da concórdia é Lúcifer e não Deus. O Deus cristão não apenas não divide nem discrimina, mas abraça até o que o mundo despreza. Afirmar que veio libertar o Brasil do socialismo equivale a mutilar a democracia que se conjuga com todas as cores da política. Afirmar que somente com sangue, isto é, com violência, valores políticos que não são os seus seriam aceitos é convidar os brasileiros a alimentar sentimentos de perigosas rivalidades. Em vez de unir o país em uma esperança comum de convivência, ele o arrasta e incita a continuar não apenas dividido, mas a abrir uma guerra ideológica mais perigosa do que a que tenta combater." (Juan Arias)