Ainda refletindo sobre as minhas fotografias abstratas. Sempre querem saber "o que é" naquela foto. O detalhe enquadrado é de que coisa? No coquetel de abertura da exposição que eu fiz, com a quantidade e o tipo de perguntas e curiosidades, eu era tipo um guia científico em pleno evento artístico. As pessoas tendem (pelo menos em fotografias; pelo menos as abstratas) a desejar a prosificação da poesia, querem saber o segredo da mágica (o qual, uma vez sabido, faz com aquela mágica se acabe para sempre dentro daquele que soube). A arte é um enigma-espelho subjetivo, e não uma charada.
Mas entendo as propensões humanas, sobretudo na sólida cultura ocidental. Talvez eu, do outro lado, tenha a mesma propensão.
Já sobre os meus desenhos, ninguém até hoje perguntou "o que é". No máximo afirmam "parece ____".

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