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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Psiquiatra chileno Claudio Naranjo, estudioso da Educação:

"Meu interesse se voltou para a educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens. Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas. A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. Estou mais esperançoso com o novo ministro da Educação de vocês (Renato Janine Ribeiro). Ele me convidou para jantar, para falarmos sobre minhas ideias. É a primeira vez que a iniciativa parte do lado do governo. Ele é um filósofo, pode fazer alguma diferença."

domingo, 21 de fevereiro de 2016

John Cleese:



I'm offended every day. For example, the British newspapers every day offend me with their laziness, their nastiness and they're in accuracy, but I'm not going to expect someone to stop that happening I just simply speak out about it. Sometimes when people are offended they want - you can just come in and say right stop that to whoever it is offending them. And, of course, as a former chairman of the BBC one said, "There are some people who I wish to offend." And I think there's truth in that too. So the idea that you have to be protected from any kind of uncomfortable emotion is what I absolutely do not subscribed to. And a fellow who I helped write two books about psychology and psychiatry was a renowned psychiatrist called Robert Skinner said something very interesting to me. He said, "If people can't control their own emotions then they have to start trying to control other people's behavior." And when you're around super sensitive people you cannot relax and be spontaneous because you have no idea what's going to upset them next. And that's why I've been warned recently don't to go to most university campuses because the political correctness has been taken from being a good idea, which is let's not be mean in particular to people who are not able to look after themselves very well, that's a good idea, to the point where any kind of criticism or any individual or group could be labeled cruel.

And the whole point about humor, the whole point about comedy, and believe you me I thought about this, is that all comedy is critical. Even if you make a very inclusive joke like how would you make God laugh? Answer: tell him your plans. Now that's about the human condition; it's not excluding anyone. Saying we all have all these plans, which probably won't come and isn't it funny how we still believe they're going to happen. So that's a very inclusive joke. It's still critical. All humor is critical. If you start to say we mustn't, we mustn't criticize or offend them then humor is gone. With humor goes a sense of proportion. And then as far as I'm concerned you're living in 1984.


Traduzido para o português nas legendas:

John Cleese - Politicamente correto levará à 1984John Cleese - Politicamente correto levará à 1984"Ninguém tem o direito de viver sem ser ofendido." - Philip Pullman
Posted by Liberalismo Brasil on Friday, February 19, 2016

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A melhor música brasileira de todos os tempos: Frank Poole - Canção para Cecília

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Dê uma câmera Canon para alguém que treinou para dominá-la e uma para alguém que nunca a manuseou. Quem faz a melhor fotografia? Fotógrafo.

Dê um celular para as mesmas duas pessoas. Quem faz a melhor fotografia? Artista.

Dê uma guitarra para alguém que treinou para esmirilhar e uma para alguém que é mais criador do que instrumentista. Quem faz a melhor música? Guitarrista. (Talvez...)

Dê, para essas mesmas duas pessoas, um instrumento que nenhum dos dois domina. Quem faz a melhor música? Artista.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Zygmunt Bauman:

A meu ver, o objetivo crucial desse diálogo permanente é, a longo prazo, a ruptura do hábito generalizado, talvez mesmo quase universal, dos “não sociólogos" (também conhecidos como “pessoas comuns em suas vidas comuns") de fugir da categoria explanatória “a fim de", quando se trata de relatar sua conduta, empregando em vez disso um argumento do tipo “por causa de". Por trás desse hábito se encontra o pressuposto tácito, ocasionalmente articulado, porém sobretudo inconsciente e dificilmente questionado, de que “as coisas são como são" e “natureza é natureza – ponto final", assim como a convicção de que há pouco ou nada que os atores – sozinhos, em grupo ou coletivamente – possam mudar no que se refere aos veredictos da natureza.

O resultado disso é uma visão de mundo inerte, imune à argumentação. Ela acarreta uma mistura verdadeiramente mortal de duas crenças. Primeiro, a crença na inflexibilidade da ordem das coisas, da natureza humana ou da condição dos assuntos humanos. Segundo, a crença numa fraqueza humana beirando a impotência. Esse dueto de crenças estimula uma atitude que só pode ser descrita como uma “rendição antes de se travar a batalha". Étienne de la Boétie, admiravelmente, deu a essa atitude o nome de “servidão voluntária". Em Diário de um ano ruim, de J.M. Coetzee, o personagem C. discorda: “La Boétie está errado." E prossegue mostrando o que estava faltando naquela observação de quatro séculos atrás, e que, não obstante, está ganhando importância em nossos dias: “As alternativas não são a servidão complacente de um lado e a revolta contra ela de outro. Há uma terceira via, escolhida por milhares e milhões de pessoas todos os dias. É o caminho do quietismo, da obscuridade voluntária, da emigração interna." As pessoas seguem a correnteza, obedecendo às suas rotinas diárias e antecipadamente resignadas diante da impossibilidade de mudá-la, e acima de tudo convencidas da irrelevância e ineficácia de suas ações ou de sua recusa em agir. O máximo que eu arriscaria dizer é que, enquanto executam seu trabalho profissional de maneira adequada, os sociólogos estão inevitavelmente, de forma consciente ou não, preparando o terreno em que a consciência moral pode crescer, e com ela as chances de as atitudes morais serem assumidas e de a responsabilidade pelos outros ser cada vez mais aceita. Isso, porém, é o máximo que podemos avançar.
“Let’s get something straight. There is no album in the entire corpus of indie rock—not Loveless, not Surfer Rosa, not Psychocandy—that reaches the heights of invention, joy, and magic of Sonic Youth’s sublime fifth album.... The haunted reveries of Sister remain with you for years, even if you only hear them once…. Sister is the sonic manifestation of refracted light. It’s a record that changes you.” —Stereogum 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Fiz o famoso teste psicológico MBTI e deu que a minha personalidade é do tipo ENFP - o defensor de causas. Abaixo, o trecho que é disponibilizado gratuitamente para descrever o ENFP.


Para você, nada acontece que não tenha um significado, um sentido profundo. E você não quer deixar de viver nenhuma destas experiências. Você precisa experimentar todos os eventos que afetam a vida das pessoas, e anseia relatar as histórias que descobriu, na esperança de revelar alguma verdade sobre as pessoas e sobre os problemas, e buscando motivar as outras pessoas com suas fortes convicções. Esta forte motivação de querer ser ouvido em eventos sociais pode transformá-lo num incansável conversador, como uma fonte que borbulha e se espalha, derramando suas próprias palavras para colocar tudo para fora. O seu entusiasmo é ilimitado e é frequentemente contagiante, fazendo de você uma pessoa do Tipo de Personalidade mais animado de todos, e também inspirando as outras pessoas a se juntarem à sua causa.

É raro encontrar pessoas como você, representando somente dois ou três por cento da população. Acima de qualquer outro tipo de personalidade, você considera experiências emocionais intensas como sendo essenciais para uma vida plena. Você demonstra uma ampla gama e variedade de emoções e uma grande paixão por novidades, e por isso pode se tornar entediado rapidamente tanto com situações quanto com pessoas, resistindo repetir experiências. Além disso, você nunca pode se desvencilhar completamente da sensação de que uma parte sua vive desconectada, excluída de seu experimentar da vida. Desta forma, enquanto você procura por intensidade emocional, você frequentemente se vê em risco de perder contato com seus verdadeiros sentimentos.

Você é uma pessoa ferozmente independente, repudiando qualquer tipo de subordinação, quer seja em si próprio ou em outras pessoas com relação a você. Infelizmente, você se encontra constantemente rodeado por outras pessoas que o procuram em busca de sabedoria, inspiração, coragem, e liderança, uma dependência esta que, às vezes, pesa um tanto quanto demasiadamente sobre você. Da mesma maneira, você se esforça para demonstrar uma espécie de autenticidade pessoal espontânea, e essa intenção de ser sempre você mesmo é geralmente comunicada não-verbalmente às outras pessoas, que consideram isso um tanto atraente. Com grande frequência, porém, seus esforços em ser autêntico são insuficientes, e você tende a se auto-flagelar quando se constrange até minimamente com suas próprias atuações.

Através de sua forma “sondante” de ser, você faz uma leitura contínua do ambiente social, e é provável que nenhuma motivação suspeita escape à sua atenção. Muito mais do que outros Buscadores de Ideais, você é um observador afiado e penetrante das pessoas à sua volta, capaz de se concentrar intensamente na pessoa com quem você conversa. A sua atenção nunca é passiva ou casual, nunca vagando, mas sempre dirigida. De fato, você enxerga a vida como um drama emocionante, que transborda possibilidades tanto para o bem quanto para o mal, e você tende a ser hipersensível e hiperalerta, sempre pronto para emergências, e por conta disso, altamente sujeito a sofrer de tensão muscular.

Ao mesmo tempo, você possui uma intuição excepcionalmente desenvolvida, e frequentemente se pega tentando ler o que está se passando dentro das outras pessoas, interpretando acontecimentos em termos de motivações ocultas delas, e atribuindo significado especial a palavras ou a ações. Embora esta interpretação possa ser precisa, ela também pode ser negativa, e às vezes incorretamente negativa, o que pode introduzir um elemento desnecessariamente tóxico à relação. Por exemplo, você tende a atribuir mais capacidade a figuras de autoridade do que realmente há nelas, e a crer que estas pessoas têm a capacidade de enxergar o seu “eu” verdadeiro — um poder de insight que geralmente não está lá. Desta maneira, você poderá cometer graves erros de escolha, erros estes que derivam de sua tendência a projetar seus próprios atributos nas outras pessoas, e a focar-se nas informações que confirmam seus próprios vieses.

Apesar da ocasional interpretação errônea, você é habilidoso com pessoas e faz uso extenso de suas habilidades interpessoais. É muito provável que você possua um leque variado de contatos pessoais e telefônicos, e que se esforce para manter suas relações profissionais e pessoais vivas. Você é uma pessoa acolhedora, que se diverte com as outras pessoas, e é extraordinariamente habilidoso no lidar com elas. Você é uma pessoa agradável, que se sente à vontade com seus colegas de trabalho, e as outras pessoas apreciam sua presença. Sua “persona” pública tende a ser bem desenvolvida, assim como sua capacidade de ser “espontâneo” e “dramático”. Você é caracteristicamente otimista em suas concepções, e se surpreende quando as pessoas ou eventos não acabam saindo como antecipados. A sua confiança na bondade inata da vida e da natureza humana é uma profecia que frequentemente se autoconcretiza.


Mais um pouco de descrição aqui.

E aqui:

A autoestima do ENFP é dependente da sua habilidade de criar soluções originais, e eles precisam saber que possuem a liberdade de serem inovadores – eles podem facilmente perder a paciência ou se tornar abatidos se ficarem presos em um papel chato.

Famosos ENFP.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016



Os maus-tratos sutis causam dor, insegurança e baixa autoestima, por isso não devemos permiti-los. Proteste se houver algo que lhe faz mal, ainda que seu interlocutor se incomode. Se você não entender, precisa de empatia e da inteligência emocional necessária para estabelecer relações saudáveis.

Na hora de falar em maus-tratos, imediatamente pensamos no tipo de violência física ou psicológica que uma pessoa exerce sobre a sua vítima. No entanto, existem outros tipos de maus-tratos “sutis”, dos quais, em algumas ocasiões, não temos tanta consciência e que, aos poucos, acabam por nos destruir por dentro.

São ataques encobertos aos quais não costumamos reagir porque a agressão não é tão direta, ou pode até ser que a intenção não seja de causar dano. No entanto, por ser constante, eles vão destruindo nossa autoestima e a confiança que temos em nós mesmos. Cuidado, pois não estamos falando somente dos maus-tratos sutis que nosso companheiro ou companheira pode exercer; às vezes, até nossos próprios familiares podem praticá-los.

A seguir ensinaremos como reconhecê-los e como se defender deles.

Como se exercem os chamados “maus-tratos sutis”?

Para compreender a dimensão dos maus-tratos sutis, falaremos sobre alguns exemplos que serão facilmente reconhecíveis. Pensemos em uma menina que, desde muito pequena, fizeram acreditar que é desastrada. Toda vez que algo caía das mãos dela, seus pais chamavam a sua atenção; quando ela quebrava algo sem querer, eles justificavam a situação falando de como ela sempre fora muito desastrada.

Na medida em que ela vai crescendo, seus pais usam essa forma desajeitada e avoada para justificar as provas nas quais ela não vai bem, e à sua incapacidade de fazer amigos. Seus pais a amam, não há dúvida disso, e claramente não a estão maltratando fisicamente. No entanto, ao longo de sua vida, eles a fizeram acreditar que é uma pessoa “incapaz e desajeitada”. São maus-tratos sutis criaram nela uma grande insegurança e uma baixa autoestima.

Vejamos outro exemplo. Temos um parceiro que costuma usar muito a ironia em seu dia a dia. São comuns os comentários brincalhões através dos quais ele tenta fazer os outros rirem, sem perceber que, com suas frases, está nos machucando. Ele nunca parece levar nada a sério, e ironiza qualquer coisa: o que você faz, como se veste, como se expressa. São pequenas coisas que ele pode fazer sem ter má intenção, mas no entanto lhe causam dor e, portanto, trata-se de uma situação de maus-tratos encobertos.

É importante saber que este tipo de comportamento é muito comum em nossa realidade, e que é muito difícil reagir diante deles, devido a tanta sutileza. São coisas pequenas que, ao se converterem em persistentes, acabam nos ferindo, até o ponto em que nos tornamos completamente indefesos. Temos que aprender a reconhecê-los.

Como me defender perante maus-tratos “sutis”?

Você deve ter consciência de que as palavras podem machucar tanto quanto uma agressão física. As feridas internas são tão dolorosas quanto um golpe.

Não importa o quanto o comentário for inofensivo, ou a inocência de uma determinada ironia. Não permita que isso aconteça. Diga o que pensa em voz alta e expresse-se claramente, explicando que essas palavras machucam você e que não devem ser repetidas novamente.

Estabeleça limites em sua vida, barreira que os demais não devem ultrapassar. Se as ironias sobre a sua pessoa o incomodarem, não as permita. Se falarem algo sobre você que não for verdade, defenda-se. Se há pessoas que sempre se dedicam a fazer pequenos comentários sobre essas características, talvez seja o momento de se manter afastado delas. As pessoas tóxicas somente nos causam sofrimento, e para viver com insegurança ou infelicidade, não vale a pena conviver com elas.

O principal problema dos maus-tratos sutis é que as outras pessoas não veem problema nenhum em suas palavras e ações. Elas não o reconhecem. O que para eles é uma brincadeira, para nós é uma clara ofensa. Se não reagirmos, se deixarmos passar um dia e o outro também, chegará um momento em que o nível de maus-tratos será muito maior.

Os maus-tratos podem ser exercidos por nossos pais, mães, irmãos, parceiros ou até por colegas de trabalho. Pessoas que dizem que nos amam e respeitam, mas não se equivoque. É fundamental que você defenda sempre a sua própria integridade e sua autoestima, e que diferencie muito bem o que é respeito do que é ofensa. Há pessoas que pensam que a confiança cotidiana lhes dá licença para brincar conosco, para ironizar, e inclusive para faltar com o respeito. Não permita isso nunca. Coloque em evidência tudo que lhe incomodar. Impeça que causem mal, e se não gostarem de sua reação, não se preocupe, pois quem não entender que você se sentiu ferido não tem empatia, e portanto não possui a inteligência emocional necessária para estabelecer reações saudáveis.
"Medo e prazer são os dois lados de uma moeda: você não pode livrar-se de um, sem se livrar do outro também. Você quer ter prazer toda a vida e também ficar livre do medo – é só com isso que você se preocupa. Mas você não vê que fica frustrado se o prazer de amanhã lhe for negado, você se sente irrealizado, raivoso, ansioso e culpado, e todos os sofrimentos psicológicos vêm à tona. Portanto, você deve olhar para o medo e para o prazer juntos." (Krishnamurti)
Ideia do amigo Tiago Ianuck:

"Gostaria de sugerir o pardal de engarrafamento. Várias câmeras espalhadas pela cidade detectam congestionamentos nas vias. Para cada engarrafamento detectado o Governo recebe uma multa por não organizar e não pensar o trânsito de maneira inteligente e eficaz."
Agora a Prefeitura de Porto Alegre realizou o sonho de comprar mais motosserras pra cortar também as árvores vivas.



Meteorologistas estimam que tenha sido o que se chama  "microexplosão"
Posted by Douglas Dickel on Monday, February 1, 2016
Não é porque a dor do outro é maior que eu vou deixar de querer que a minha, menor, passe. No entanto, não posso querer que passar a minha seja mais importante que passar a maior do outro, ou da maioria.
Eliane Brum:

Os métodos da indústria de junk food foram dissecados pelo jornalista americano Michael Moss num livro-reportagem que acabou de ser lançado: Salt Sugar Fat: How the Food Giants Hooked Us. Em tradução livre: “Sal, Açúcar, Gordura: Como os Gigantes da Comida nos Escravizam”. Moss é um repórter investigativo que ganhou o Pulitzer de 2010, o prêmio mais prestigioso dos Estados Unidos, pelo seu trabalho sobre a indústria da carne. Em 20 de fevereiro, ele escreveu uma reportagem no The New York Times, abordando alguns dos principais tópicos do livro, que pode ser lida aqui. Para escrever sobre a indústria de junk food, o jornalista afirma ter entrevistado mais de 300 pessoas, entre cientistas, marqueteiros e CEOs das grandes corporações. Segundo ele, alguns estavam ansiosos para extravasar o que estava preso na garganta. Outros só falaram, com muita relutância, depois de serem confrontados com algumas das milhares de páginas de relatórios secretos obtidos de dentro da indústria. Entre os relatos escabrosos, aparece inclusive o Brasil: um alto executivo de uma companhia de refrigerantes (demitido quando quis mudar os métodos) conta como peregrinou pelas favelas brasileiras, para expandir o mercado a partir da estratégia de convencer pobres a consumir o que não precisam.

Entre as muitas declarações colhidas pelo jornalista, há algumas que se destacam pelo cinismo. “Eu otimizo sopas. Eu otimizo pizzas. Eu otimizo molhos para saladas. Nesta área, eu sou aquele que vira o jogo”, diz Howard Moskowitz, uma lenda da indústria, que há décadas vem “otimizando” produtos em baixa e transformando-os em armadilhas letais para homens, mulheres e crianças, usando para isso muito dinheiro, equipes de primeira linha e pesquisa de ponta. O cientista assim afirma sua total falta de conflito por produzir morte: “Não existe questão moral para mim. Eu fiz a melhor ciência que pude. Precisava sobreviver e não podia me dar ao luxo de ser uma criatura moral. Como pesquisador, sempre estive à frente do meu tempo”. Moskowitz estudou matemática e tem Ph.D em psicologia experimental em Harvard.

A reportagem mostra como vários produtos, de diferentes corporações, foram “otimizados” para dar ao público algo do qual ele não conseguiria escapar: o “bliss point” – que pode ser traduzido como o “ponto da felicidade”. Para atingi-lo, é necessário não apenas encontrar o sabor, a textura e a quantidade precisa dos ingredientes, a maioria deles nocivo à saúde, mas também investigar em profundidade os pontos de fragilidade de homens, mulheres e crianças. Identificar as barreiras – e quebrá-las uma a uma. As mães prefeririam dar comida saudável para seus filhos? Ok, mas sua principal queixa é a de que não têm tempo. Logo, é o tempo o flanco descoberto a ser atacado. Como alcançar as crianças diante da TV? Ora, com truques psicológicos como um slogan como este, de um produto que embala desejos de autonomia frente aos pais: “Todo dia você faz o que eles dizem. Mas na hora do lanche é você quem manda”.

Perto de 500 químicos, psicólogos e técnicos realizaram pesquisas que chegaram a custar até 30 milhões de dólares ao ano. A equipe de cientistas concentrou a maior parte dos recursos em questões como a crocância, a sensação tátil na boca e o sabor de cada um dos itens. Suas ferramentas incluíam um equipamento de 40 mil dólares que simulava uma boca mastigando, apenas para testar e aperfeiçoar o produto. Com todo esse arsenal humano, científico e tecnológico, alcançaram a Lua: o ponto perfeito de quebra do salgadinho diante da pressão média de uma mordida humana.  

No final de janeiro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vetou a lei que restringia a publicidade de produtos alimentícios para crianças. Pelo texto, aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro, se tornaria proibido veicular anúncios de alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio, entre as 6h e as 21h, no rádio e na TV. Também seria vetado o uso de celebridades ou personagens infantis na venda de alimentos, assim como o uso de brindes promocionais, como os vendidos com sanduíches em redes de fast food (leia aqui). Em 22 de fevereiro, outra derrota. Desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª. Região confirmaram a suspensão da Resolução 24 (RDC 24), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na resolução, a Anvisa (leia aqui) obrigava os fabricantes a colocar nos produtos o alerta de que o consumo em excesso poderia causar problemas de saúde como diabetes, hipertensão e obesidade. Desde que a resolução foi aprovada, em 2010, a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA) luta para derrubá-la – e tem conseguido, alegando que a propaganda é “uma forma de liberdade de expressão”, que só pode ser alterada por lei do Congresso Nacional. No Congresso, o projeto de lei que trata da regulação da publicidade dirigida a crianças se arrasta há 11 anos (leia aqui). Em 2013, como tem alertado o Instituto Alana (veja aqui), um dos mais combativos nesta luta, ao completar 12 anos terminará a infância do projeto – uma infância passada engatinhando de comissão em comissão. E mais uma geração de brasileiros terá deixado de ser protegida.


Terra:

"Para testar as informações coletadas entre os fabricantes, o jornalista convenceu algumas empresas a produzir amostras com menos quantidades dos três ingredientes. Segundo ele, uma de suas bolachas preferidas da marca Kellogg ficou sem gosto, parecendo isopor, na versão com menos sal. Moss diz que as empresas abusam do item, pois é excelente para conferir sabor a alimentos processados. O escritor também achou sem graça versões sem sal de sopas, carnes processadas e pães, incluindo amostra da famosa empresa Campbell. 'Tire um pouco de sal, ou açúcar ou gordura das comidas processadas e minhas experiências mostram que não sobra nada. Pior, o que sobra são as inevitáveis consequências, gostos horríveis que são amargos, metálicos e adstringentes', escreveu. Michael Moss conta que cientistas da Nestlé estão alterando a distribuição e a forma da gordura a fim de mudar a maneira como a boca percebe a comida. A lógica seria quanto melhor a experiência, maior o desejo de comer o produto de novo. No caso do açúcar, hoje fabricantes conseguiram ampliar a sensação de doce em até 200 vezes."



Rodolfo Lucena - Seu livro começa descrevendo uma reunião que lembra encontros de mafiosos. O senhor acredita que a indústria de alimentação parece com uma organização criminosa?

Michael Moss - Pensar nessas companhias como organizações criminosas é um pouco exagerado. Elas fazem o que todas as empresas querem fazer: faturar o máximo possível, vender o máximo possível. O problema é que elas vêm fazendo isso com o uso de enormes quantidades de sal, açúcar e gordura para tornar seus produtos baratos, convenientes e irresistíveis.



O senhor acredita que essa indústria quer de fato viciar os consumidores em sal, açúcar e gordura?
Sim, claro. Em minhas pesquisas, descobri vasta quantidade de documentos e entrevistei pessoas-chave na indústria, produzindo o perfil de uma indústria que trabalha não só para que a gente goste de seus produtos, mas para que a gente queira sempre mais e mais. Sal, açúcar e gordura são a trindade demoníaca para conseguir isso.



Há crime nas ações da indústria? Ou são operações normais para vender mais e ter mais lucro?
É o capitalismo. Além do mais, essas indústrias têm sofrido cada vez maiores pressões de seus investidores para maximizar seus lucros. Executivos da indústria da alimentação passaram a tomar decisões baseados em ganhos de curto prazo, deixando de lado, por serem muito custosas, pesquisa e inovação para obtenção de produtos mais saudáveis.



Quais foram suas maiores surpresas durante a produção do seu livro?
Tive duas grandes surpresas. A primeira é o fato de que muitos dos químicos, pessoas de marketing e executivos da indústria de alimentação não comem os produtos feitos por suas empresas, sabendo que eles não são saudáveis e induzem ao consumo em excesso. A segunda é que, ainda que nós estejamos viciados em sal, açúcar e gordura, a indústria é muito mais dependente desse trio. São ingredientes milagrosos que permitem fazer comida processada irresistível, de baixo custo e longo prazo de validade.



O que o senhor pode nos falar sobre as relações entre a indústria da alimentação e os fabricantes de cigarro?
Desde o final dos anos 1980 até meados dos anos 2000, a maior fabricante mundial de cigarros, a Philip Morris, era também a maior fabricante mundial de comida processada, dona da General Foods e depois da Kraft. E durante boa parte do período você pode ver executivos da indústria de cigarros fazendo o que sabem fazer, emprestando suas ferramentas de marketing aos colegas da área de alimentação.



O governo consegue obrigar as indústrias a produzir comida mais saudável?
A indústria da alimentação é muitas vezes mais poderosa do que as agências governamentais. Só nos anos 1990 as indústrias tiveram de divulgar os ingredientes de seus produtos –mesmo assim, a maioria imprimia a lista em letras muito pequenas.



O que o governo deveria fazer para que tivéssemos comida mais saudável?
Uma ação possível é aumentar os impostos sobre alimentos não saudáveis, como refrigerantes, para reduzir o consumo. A receita desses impostos deveria ser investida em programas para melhorar a saúde pública. O governo também poderia investir mais em criar programas educacionais para crianças.



A situação mudou nos EUA desde que seu livro saiu?
Sim, as coisas mudaram muito. Há cada vez mais gente preocupada com a qualidade da comida, mudando seus padrões de compra e de alimentação. Isso vem pressionando os gigantes da indústria a melhorarem a qualidade de seus produtos. Uma após outra, as grandes empresas da área divulgaram lucros menores neste ano, e as mais francas disseram que a causa da queda foi a perda de confiança do público. Isso vem abrindo as portas para uma leva de novas companhias oferecendo produtos mais saudáveis.