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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Na chamada de um programa de tevê da National Geographic, ouvi que "hipopótamos matam mais pessoas do que qualquer outro mamífero, na África". Pois:

168.480 pessoas foram mortas por pessoas em 2010 na África
204.446 é a média de homicídios por ano na África
002.900 pessoas são mortas por ano por hipopótamos NO MUNDO TODO



Homo sapiens sapiens:

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Família: Hominidae


E a chacina dos outros animais: x
A qualidade das suas amizades pode afetar a sua saúde tanto quanto a qualidade de sua alimentação, de acordo com uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Cientistas descobriram que pessoas que passam por interações sociais negativas com frequência têm mais chances de desenvolver inflamações – o que, por sua vez, pode causar câncer e doenças cardíacas. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores pediram que 122 voluntários mantivessem um diário. Ao mesmo tempo, eles analisaram amostras de saliva destas pessoas em busca de proteínas que possam causar inflamações. Eles descobriram que aqueles que passaram por situações mais estressantes tinham uma maior quantidade das proteínas inflamatórias. (Revista Galileu)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"No segundo semestre de 2008, vestia a 15 e via ao seu lado um camisa 10 diferente de seu estilo, que, em vez de dribles, arrasava fortalezas com canhões. Alex até chamou mais atenção na Copa Sul-Americana, mas D'Ale também foi importante. Num jogo só, diante do Chivas na semifinal, marcou gol de falta e de pênalti, este sofrido por ele próprio. Em 2009, Alex foi encarar o frio russo e deixou a 10 para D'Ale. O novo número caiu como uma luva. Era como se entregassem a batuta perfeita ao maestro da orquestra." (Lucas Rizzatti)

"Não vivi isso nunca. Foi algo inesquecível. A gente se sentir importante no trabalho é algo que valoriza muito. Me senti muito valorizado. É algo que não tem como comprar. A ideia deles era clara: que eu ficasse. Fiquei muito feliz. Fiquei muito feliz. O clube poderia dizer que era uma boa proposta e deixar para eu decidir." (D'Alessandro)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Embaixo do edredon do BBB (Contardo Calligaris)


(...) A possibilidade que haja comportamentos inadequados é a razão para alguém ficar acordado de madrugada, assistindo ao "BBB" 24 horas. Tanto faz, você dirá: que os espectadores queiram comportamentos inadequados ou se indignem por causa deles, de qualquer forma, Daniel teria ido longe demais -transar com uma mulher inconsciente é crime.

Concordo. Mesmo assim, quando li que a polícia tinha indiciado Daniel, achei bizarro, como se as forças da ordem se metessem num palco de teatro ou num set de cinema, para prender um ator que teria realizado o crime previsto no roteiro.

Espere aí, alguém objetará, o "BBB" não é uma ficção! Esse, de fato, é o argumento de venda de todos os reality shows. No entanto, segundo, por exemplo, Scott Stone (roteirista de "The Mole", "The Man Show" etc.), os reality shows, antes de serem escrotos, são, sobretudo, escritos. Obviamente, eles não seguem um roteiro acabado, com cenas e diálogos detalhados, mas se alimentam numa sinopse escrita de situações, conflitos e alianças desejáveis entre personagens.

Daniel e Monique podem não ser atores, e o episódio do edredom pode não ser dramaturgia. Mesmo assim, as ações entre "brothers" e "sisters" do BBB não são propriamente "realidade". (...)

Então, se Daniel for acusado e processado, o "BBB" deveria ser acusado e processado com ele, por instigar o crime, ou seja, por ter, de uma certa forma, "roteirizado" o suposto estupro de Monique.

Em suma, a "realidade" produzida pelos "reality shows" é duvidosa, e considerar crime o "comportamento inadequado" de Daniel não é muito diferente de a polícia invadir o set de "Dormindo com o Inimigo" para salvar Julia Roberts e prender Patrick Bergin, o marido espancador.

Mas talvez eu esteja me preocupando por nada; talvez, nessa confusão entre realidade e ficção, a chegada de polícia e procuradoria ao "BBB" seja apenas mais um artifício dramático, para convencer o público de que o show é mesmo "de verdade". (...)
Bem-vindo, Dagoberto. Sua presença ontem provou que o Inter vinha jogando com apenas 10 atletas, penalizado o Damião que ficava sozinho. Quase chorei de emoção com a qualidade esbanjada no primeiro tempo do jogo de ontem. Penetração vertical, velocidade, drible, marcação forte, chute de média distância: bem-vindo, Dagoberto.
"Você não pode ser sincero se não for corajoso. Não pode ser amoroso se não for corajoso. Não pode ser confiante se não for corajoso. Portanto, a coragem vem em primeiro lugar e tudo o mais a sucede." (Osho)


"Quanto mais viva a pessoa estiver, mais problemas ela terá. Mas não há nada de errado nisso, porque lutar com os problemas, enfrentar desafios, é o meio que temos para crescer." (Osho)


"Milhões de pessoas se apegam ao sofrimento por uma razão muito simples: travaram uma espécie de amizade com ele. Viveram tanto tempo com ele que, se o deixarem, será como um divórcio." (Osho)


"As pessoas medrosas provocam medo nos outros para que possam descansar à vontade. Elas sabem muito bem que assim você não vai tocá-las, não vai ultrapassar os limites delas." (Osho)
Escolher para onde se olha
(Luisa Micheletti)



Estou começaaaaaando a entender um pouco mais sobre essa coisa toda de 2012. Acho. Fui juntando lé com cré e foi dando nisso (que os experts me corrijam caso flagrem alguma abobrinha horrenda): Fim do mundo nada. Os Maias finalizaram o calendário nesse ano porque a maneira de se medir o tempo até 2012 seria uma. Depois, há uma aceleração, uma nova forma de lidar com o tempo / espaço. O calendário maia só não continuou porque não deu tempo, os caras foram dizimados antes de desenvolverem uma nova contagem / unidade.

Astronomicamente, está acontecendo um fenômeno paralelo. Assim como a terra gira em torno do sol e temos as quatro estações em cada hemisfério, o sistema solar em si também gira em torno de uma estrela muito brilhante (que seria o grande sol do nosso sistema), chamada Alcyone. Essa estrela emite uma radiação de luz chamada cinturão de fótons. Como os raios do sol, só que em maior escala. Nosso sistema solar, e consequentemente a Terra, estão entrando nesse cinturão novamente. Pode-se considerar que estamos entrando no “grande verão”. A última vez que a Terra esteve iluminada pelo cinturão de fótons foi na Era de Leão, marcada por civilizações avançadas como a Egípcia e a de Atlântida (pra quem quiser acreditar).

Para os esotéricos, ou para quem junta lé com cré, é fato que onde há luz, há consciência. Entrar no cinturão de fótons significa entrar, físicamente, numa área com mais luz. Ainda no campo da física, a proximidade do nosso sol com Alcyone provoca reações nele, que consequentemente provocam reações no centro da terra (porque é tudo feito da mesma matéria), por isso tantas catástrofes naturais. No plano microscópico, nossos átomos e células são afetados pela quantidade de fótons, sendo obrigados a se adaptar. Muita gente que tenta explicar o que 2012 representa diz que tudo fica mais intenso. O nosso corpo físico vai aguentar cada vez menos porcaria. Há uma necessidade de desintoxicação. Estamos, sim, passando por uma purificação, em muitos níveis. Na minha visão, temos que rever TUDO o que a gente coloca para dentro. Não só alimento, mas informação. Estamos com as portas abertas para receber tudo o que quisermos, então, aumentou a nossa responsabilidade e autonomia. Há quem vá mais longe e diga que a velocidade entre o que pensamos e e sua concretização também aumentou. Ou seja, escolha o que você pensa!

O planeta inteiro está tendo que se adaptar. Tudo está em crise. E há oportunidades em todo o lugar. Onde há luz, há sombra. Para onde você quer olhar? Tem sempre alguma coisa que vale a pena no meio do caos. (...) Há uma chance de quebrar um padrão. Associe-se com quem está em sintonia com seus objetivos mais elevados. E quanto a aquilo ou aqueles que não te fazem bem, simplesmente se afaste. E mande um beijo!!
Pássaros voando desorientados. Mudanças climáticas imprevisíveis. Radiação solar capaz de fritar aparelhos eletrônicos e sistemas de comunicação e nos causar sérias doenças de pele. Esse pode ser um cenário apocalíptico causado pela simples inversão dos polos magnéticos da Terra — o norte vira sul e o sul vira norte. E isso já aconteceu várias vezes ao longo da história, em intervalos que variaram de 10 mil até 50 milhões de anos. O evento, que se relaciona à extinção em massa de espécies, pode voltar a ocorrer. “Desde 1840, temos visto uma queda na força do campo magnético, e as inversões acontecem justamente quando essa força está em seu valor mínimo”, afirma Ricardo Trindade, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

As mudanças dos polos ocorrem devido a turbulências imprevisíveis no núcleo terrestre. Ao enfraquecer o campo magnético do planeta, elas nos deixam mais vulneráveis aos ventos solares, a tal radiação emitida pelo sol, e estragam nossos sistemas de satélite e telecomunicações. Alguns cientistas acham as previsões exageradas. Felizmente, elas devem, no mínimo, demorar. Segundo Trindade, o campo pode levar até 10 mil anos para alcançar sua intensidade mais fraca e levar à inversão polar. Até lá, já poderemos ter sido extintos de outras maneiras e não sentiremos falta do celular. (Guilherme Rosa/Galileu)



(Luisa Micheletti)



Fé é algo a ser exercitado.

Concluí a frase antes mesmo de refletir sobre ela, e por isso mesmo, acredito que esteja certa para mim. Veio da barriga a certeza. Para alguns, ela nasce com a gente: não se questiona a vibração acima da cabeça. Ela nos conecta ao invisível, concretíssimo, tão concreto quanto o mundo físico. Para outros, a carga religiosa da palavra gera uma série de fragmentações mentais, julgamentos, desconfianças e raciocínios lógicos que justamente por estarem presos à mente (ego), não se abrem para perceberem a gigantesca diferença entre religião e espiritualidade.

E daí?
Estou tomando um chá um pouco sem gosto.
E estou com sono.
Vi dois filmes recentemente que me fizeram pensar sobre qual é o real (e útil) significado da fé.
Um deles leva a fé no sentido religioso. O outro, no sentido espiritual. 

A Árvore da Vida, de Terence Malick, fala sobre a relação de poder entre um pai e um filho, a perda de um ser amado e o desejo de perdão e redenção. Mostra também dinossauros, chamas queimando, versículos bíblicos e muitas imagens legais estilo documentários da BBC. Da hora. Mas o fundamento da história me preocupa um pouco. Malick nasceu no Texas, nos anos 40. Seus filmes costumam trazer uma forte carga religiosa. Religiosa no sentido institucional mesmo.

As mensagens são várias, desde “até os ‘bons’ sofrem”, “o importante é o amor”, até “perdoe”, etc. Todas elas ilustradas imageticamente de uma forma bem simples de entender (tipo negros e brancos dando as mãos, mães ruivas e lindas com vestidos esvoaçantes e pessoas se reencontrando na praia).

O maniqueísmo religioso conduz logicamente ao seguinte raciocínio: se eu sou bom, eu mereço. Se eu fizer o bem, eu serei salvo. E assim, promove mais e mais a repressão da sombra, ao invés da aceitação (e integração) dela.

Ninguém é inteiramente bom, nem inteiramente ruim, certo? A bondade da mulher ruiva (Jessica Chastain) no filme é utópica e idealizada. Todo mundo tem dentro de si potencial de desenvolver a luz e a sombra, e quanto antes a gente aceitar a condição humana, melhor. Momentos de instabilidade geram medo, e logo, precisamos nos agarrar a alguma certeza. Os Estados Unidos, com tanta crise séria, se vê caindo, desestabilizando junto com essas certezas frágeis. A necessidade de ser “perdoado” aparece no incosciente coletivo. Aí, um filme bem emocional para todo mundo se sentir acolhido e perdoado vira hit. Afinal, fomos “bons” e fizemos o “bem” a vida inteira, certo? Não é justo sofrermos! Segundo essas regras, não. É que infelizmente elas não são reais. Para o senhor Malick, difícil lidar com isso aos 70 anos, eu imagino.

É por um caminho mais concreto que se desenha a fé representada em Melancolia, de Lars Von Trier.
Claire (Charlotte Gainsbourg) vive um casamento desses estruturados em muitas coisas materiais, filho, propriedade, etc. Ela canaliza sua ansiedade organizando coisas. Está sempre pensando no futuro ou no passado. Justine (Kirsten Dunst) parece que vai seguir o mesmo caminho, não fosse por uma capacidade especial de “prever” coisas. Na noite de seu casamento ela vê um planeta diferente no céu e entende que tudo vai acabar. Antes que tudo acabe, ela acaba com tudo: seu casamento, suas relações, sua vontade de viver, e entra em depressão. Porém, aos poucos, Justine vai se reconstruindo, encarando a verdade que está por vir. Verdade esta que Claire e seu marido não conseguem aceitar. Justine passa o filme inteiro se estruturando para morrer, e faz o que pode para lidar com a verdade. Claire não consegue aceitar a verdade e na hora da morte está totalmente sem estrutura. Para Lars Von Trier, a fé está ligada à conexão com a sua própria verdade.

Engraçado. A vida só dá duas certezas pra gente.
1)    A gente vai morrer.
2)    TUDO é transitório. A alegria passa. A tristeza também passa. Até a uva passa.
E essas únicas certezas não são lá muito reconfortantes, néam? Então não é melhor viver de acordo com as próprias verdades e responsabilidades em vez de cobrar alguém pela sua recompensa? Recompensa? Se você faz o que quer, o que gosta, a recompensa é aqui e agora. Deixa Deus em paz, pôam.

Beijos <3
@LuMicheletti

PS – Para quem for ao cinema em busca das referências arquetípicas da “árvore da vida” que a cabala faz, pode tirar o cavalinho da chuva, porque não tem nem cheiro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O terreno ocupado por quase 6 mil famílias pertence oficialmente à Selecta, holding que englobava 27 empresas pertencente a Naji Nahas desde 1981. A Selecta, e o império de Nahas, começaram a ruir a partir do fim dos anos 1980. O caso Pinheirinho é só mais um na longa lista de problemas de Naji Nahas. Libanês de família oriunda do Egito, Nahas casou com uma brasileira nos anos 1960 e aportou no País trazendo ao menos 50 milhões de dólares para investir. Começou com a criação de cavalos e coelhos. Terminaria a década seguinte como um dos grandes nomes do investimento da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e figura fácil das colunas sociais. Na década de 1980, era a autêntica visão do capitalista vencedor: charuto na boca, roupas caras, amigos influentes, Rolls-Royces e muita, mas muita coluna social. (Carta Capital)


O conflito fundiário em Pinheirinho, São José dos Campos (SP), teve seu ponto de partida com dois mistérios que já duram em torno de 30 anos.

O primeiro: as terras, que medem mais de 1 milhão de metros quadrados e atualmente são avaliadas em 180 milhões de reais, pertenciam a um casal de alemães assassinados em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Eles não possuíam herdeiros.

O segundo mistério: ninguém ainda soube desvendar como a área passou das mãos do Estado, responsável automaticamente pelas terras após a morte do casal, para a gama de propriedades da Selecta, a empresa do megaespeculador Naji Nahas.

Após 1989, a Selecta faliu a partir das operações malsucedidas de Nahas na Bolsa do Rio. A área do Pinheirinho passou a ser parte da enorme massa falida da empresa. Responsável por levar Nahas à prisão, em 2008, o delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), hoje deputado federal, visitou o Pinheirinho no último domingo 22 para acompanhar a expulsão dos moradores do terreno.

Segundo ele, a relação entre o megaespeculador e a massa falida é fundamental para entender a desocupação violenta ocorrida no fim de semana. “Se a região por vendida, esse valor será descontado da massa falida da Selecta, que se abaterá das dívidas que estão no nome de Naji Nahas. Ele é interessado direto em desalojar as pessoas que estão lá”, afirma.

O deputado, que articulou a Operação Satiagraha em 2008, na qual Naji Nahas foi preso por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, acredita que o poder de influência do empresário foi fundamental para a ação de despejo da polícia no local.

“Ele [Nahas] tem muita influência, sabe se mover entre autoridades, sempre foi assim. As circunstâncias desse desalojamento foram estranhas. A massa falida que detém oficialmente os direitos da área era judicialmente obrigada a fornecer local seguro aos habitantes do Pinheirinho. Isso não foi providenciado. E as autoridades mesmo assim cumpriram a ordem de despejo.”

O deputado disse também que vai pedir na Câmara Federal a criação de uma comissão para investigar se houve grilagem na passagem do nome da área para a Selecta. (Fernando Vives)
Este abaixo-assinado vem manifestar sua recusa e contrariedade para com o projeto de lei número 2533, de 2011, de autoria do deputado Giovani Cherini, o qual dispõe sobre o exercício da profissão de filósofo.

A constituição brasileira confere a todos os cidadãos a liberdade de pensamento e expressão das opiniões, não cabendo assim que uma instituição confira caráter sindical e transforme em relação trabalhista a atividade filosófica, sob a alegação de que essa profissão possui o resguardo das Ideias e do Pensamento. Não é prerrogativa dos bacharéis e licenciados em filosofia a lida com conceitos e a reflexão sobre a tradição filosófica. Além da vagueza quanto a estabelecer pensamentos e idéias como propriedade de uma profissão, a lei se vale dessa falta de clareza para conferir enormes poderes a uma única instituição, nomeada como Academia Brasileira de Filosofia, a qual os que abaixo se subscrevem também não reconhecem como sua representante em nenhuma instância.

As instituições acadêmicas reconhecidas pelo CAPES e CNPq já se esmeram o suficiente para a manutenção da qualidade daqueles que se diplomam em filosofia, sendo as instituições universitárias suficientes avalistas da excelência de seus filósofos. Aqueles que abaixo se subscrevem reconhecem a recorrência de não diplomados em filosofia que exercem atividades reflexivas sobre conceitos e ideias, com competência exemplar, mas cuja atividade cessaria por falta das devidas relações sindicais, tal como prevê o projeto de lei que nós recusamos.

Por fim, aqueles que abaixo se subscrevem não reconhecem a institucionalização sindical da filosofia como segurança para a atividade do filósofo, mas sim como temerária possibilidade de cerceamento da livre expressão do pensamento, ao colocar sob a égide de uma única instituição o poder de arbitrar sobre aquilo que é ou deixa de ser pensamento ou ideia filosófica.

Rogério Soares da Costa, Doutor em Filosofia pela PUC-Rio
Fábio Antônio da Costa, Mestre e doutorando em Filosofia pela UERJ
A decisão de aposentar os ônibus espaciais foi tomada ainda no governo George W. Bush, após o acidente com o Columbia em 2003. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou o fim da era dos ônibus espaciais, mas estendeu as operações da ISS (International Space Station) para pelo menos até 2020. A construção e desenvolvimento de espaçonaves serão delegados à iniciativa privada.

Segundo Obama, a Nasa deve passar a concentrar esforços na exploração espacial. Como os ônibus espaciais atingem apenas a órbita da Terra, não podem ser usados em missões para além da ISS. A nova "fronteira espacial", segundo o presidente, poderá ser a exploração tripulada de Marte.

Enquanto a iniciativa privada não desenvolve novas espaçonaves, as viagens à Estação Espacial Internacional serão feitas com os foguetes russos Soyuz. O ônibus espacial Atlantis será colocado em exposição na Florida, no Centro Espacial Kennedy.

O programa espacial passou a ser considerado pelas autoridades americanas como dispendioso e pouco prático, tendo custado um total de US$ 196 bilhões ao longo de três décadas. (Época/Terra)
Sim! Tinha que haver uma questão pessoal para decidirem agir AGORA e CONTRA O MEGAUPLOAD...


Até a operação policial que encarcerou seus responsáveis, o Megaupload se preparava para lançar um site de compartilhamento de músicas que desafiaria as gravadoras por remunerar artistas em contratos exclusivos. A revelação dos planos de Kim Dotcom e sua equipe suscitou na imprensa especializada a suspeita de que a operação que derrubou o site de compartilhamento não teve apenas a ver com pirataria, mas também, com o temor da indústria fonográfica sobre a chegada de nova concorrência.

- O grupo Universal sabe que nós vamos competir diretamente com eles por meio de nossa empreitada musical chamada Megabox.com, um site que vai permitir aos artistas vender suas criações diretamente aos consumidores e ficar com 90% das receitas - disse o criador do Megaupload, Dotcom, em dezembro do ano passado. - Nós temos uma solução chamada Moviekey que vai pagar os artistas até pelo download gratuito de música. O modelo de negócios do Megakey já foi testado com milhões de usuários e funciona.

Segundo Dotcom, o site seria lançado este ano, tinha entre seus sócios a gigante Amazon (informação até agora não confirmada) e seria o grande concorrente da iTunes Store, da Apple. A preparação para o Moviebox explica a existência de um vídeo, publicado no Youtube em dezembro, que continha depoimentos elogiosos de vários artistas sobre o Megaupload. Entre eles estavam os pop stars Kanye West, Alicia Keys, Will.I.Am e Snoop Dog.

A Universal não gostou da iniciativa e conseguiu retirar o vídeo do Youtube por meio dos filtros de conteúdo do site. Mas a Google o colocou novamente no ar argumentando que a Universal não tinha direitos autorais sobre ele. Segundo o site da revista “Wired”, o Megaupload investiu US$ 3 milhões na produção do vídeo.

Não há prova sobre o envolvimento da Universal na operação do FBI que levou à prisão de Dotcom e seus sócios na Nova Zelândia e na Europa. O Moviebox, que já funcionava em versão beta, também está fora do ar por causa do mandado da Justiça americana que determinou o fechamento do Megaupload e seus sites associados por pirataria e outros crimes. (Globo.com)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Carta do PirateBay:

(...) A razão pela qual eles estão sempre reclamando dos "piratas" hoje é simples. Nós fizemos o que eles fizeram. Nós driblamos as regras que eles criaram e criamos as nossas próprias. Nós esmagamos o seu monopólio ao dar às pessoas algo mais eficiente. Nós permitimos que as pessoas tenham comunicação direta entre si, driblando o intermediário lucrativo, que em alguns casos levar mais que 107% dos lucros (sim, você paga para trabalhar para eles). 
Tudo se baseia no fato de que representamos competição. 
(...) A palavra SOPA significa "lixo" em sueco. A palavra PIPA significa "cano" em sueco. É claro que isso não é coincidência. Eles querem tornar a internet um cano de mão única. Eles por cima empurrando lixo cano abaixo para o resto de nós, consumidores obedientes.
A opinião pública nesse assunto é clara. Pergunte a qualquer um na rua e você vai descobrir que ninguém quer ser alimentado com lixo. Por que o governo americano quer que o povo americano seja alimentado com lixo foge à nossa compreensão, mas esperamos que você o impeça, antes que nos afoguemos todos. 
A SOPA não pode fazer nada para brecar o Pirate Bay. Na pior das hipóteses, mudaremos o domínio principal: do atual .org para uma das centenas de nomes que também já usamos. Em países onde estamos bloqueados (os nomes China e Arábia Saudita são os primeiros que vêm à cabeça), eles bloqueiam centenas de nomes de domínios nossos. E adianta? Não muito. (...)

A camiseta colorada do Corínthians (terceiro uniforme do time) foi escolhida como a mais bonita do mundo em 2011 pelo site britânico Subside.

Cinco minutos
(Mirian Bottan)

Uma vez me disseram que a minha vida é um livro aberto e que isso é uma merda pras pessoas ao meu redor. Eu nunca entendi o raciocínio, já que quem me ama não deveria se sentir ameaçado ou chateado com o fato de a vida nunca poder me enfiar o dedo na cara e dizer que eu sou uma farsa.

Pelo contrário, deveriam (sei lá, num cenário utópico da perfeita medida da coerência humana) se orgulhar do dia em que eu decidi deixar de dormir apertada, dividindo o travesseiro com as minhas mentiras apaziguadoras.

Porque, felizmente, desde muito cedo eu resolvi nunca esquecer o quanto valem cinco minutos na minha vida. E, às vezes, as pessoas ao redor de quem pula de olhos fechados pra sentir o vento, enroladas em suas amarras imaginárias sociais e psicológicas e em suas mazelas, não conseguem processar a alegria de uma criatura viva, fazendo jus ao sangue que lhe corre nas veias.

Ah, se a toda essa gente:

não deixasse de fazer o que quer por medo das câmeras não deixasse de comer porcaria porque engorda não deixasse de dizer que não sabe por medo de parecer burro não deixasse de cantar alto por medo de desafinar não deixasse de trepar no chuveiro por medo de destruir a maquiagem não deixasse de sambar mesmo sem saber não deixasse de se apaixonar por medo da tempestade causada pelas consequências
Agora, neste momento, 11h no Horário de Brasília, está ocorrendo um evento astronômico relativamente raro. Uma forte carga de partículas eletromagnéticas está atingindo a Terra, depois de ter sido liberada pela erupção solar mais forte que os cientistas registraram desde 2005. Esta radiação intensa, além de tornar mais fortes as luzes das auroras, pode prejudicar o funcionamento de satélites e outros equipamentos em órbita. (HypeScience)

Você está pronto para lidar com a falta de energia?

"Tudo o que usa circuitos elétricos, de carros a computadores, queima no ato. Celulares e satélites pifam, os meios de transporte param, a rede de energia dá curto-circuito e logo começa a faltar água e comida. Esse cenário apocalíptico pode acontecer - e causado pelo Sol. Segundo cientistas da Nasa e de outras instituições, que recentemente se reuniram em Washington para debater a questão, em 2013 o astro vai entrar num ciclo de alta atividade, o que aumenta a probabilidade de erupções solares. Essas erupções liberam muita energia. E, quando essa energia chega à Terra, provoca uma tempestade eletromagnética - que literalmente frita tudo o que tiver um circuito elétrico dentro. Seria um verdadeiro Dia do Juízo Final para os equipamentos eletrônicos. Os cientistas não sabem exatamente quando essa tempestade virá, ou qual sua força. Mas dizem que há motivo para preocupação. 'O Sol está despertando de um sono profundo. E nossa sociedade é muito vulnerável a tempestades solares', diz o físico Richard Fisher, da Nasa. Elas já aconteceram antes. Em 1859, uma tempestade do tipo queimou as linhas de telégrafo na Europa e nos EUA. Hoje, o efeito seria muito pior. Um relatório assinado por cientistas de 17 universidades diz que a humanidade levaria até 10 anos para se recuperar de um grande evento do tipo. A solução é desligar tudo o que for elétrico antes da tempestade. Os EUA têm um satélite capaz de detectar a onda com um dia de antecedência - em tese, tempo suficiente para que as redes de energia do mundo sejam desconectadas." (Bruno Garattoni/Superinteressante)
1.- MegaUpload - Closed.

2.- FileServe - Closing does not sell premium.
3.- FileJungle - Deleting files. Locked in the U.S..
4.- UploadStation - Locked in the U.S..
5.- FileSonic - the news is arbitrary (under FBI investigation).
6.- VideoBB - Closed! would disappear soon.
7.- Uploaded - Banned U.S. and the FBI went after the owners who are gone.
8.- FilePost - Deleting all material (so will leave executables, pdfs, txts)
9.- Videoz - closed and locked in the countries affiliated with the USA.
10.- 4shared - Deleting files with copyright and waits in line at the FBI.
11.- MediaFire - Called to testify in the next 90 days and it will open doors pro FBI
12.-Org torrent - could vanish with everything within 30 days "he is under criminal investigation"
13.- Network Share mIRC - awaiting the decision of the case to continue or terminate Torrente everything.
14.- Koshiki - operating 100% Japan will not join the SOUP / PIPA
15.- Shienko Box - 100% working china / korea will not join the SOUP / PIPA
16.- ShareX BR - group UOL / BOL / iG say they will join the SOUP / PIPA

sábado, 21 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Edge
To arrive at the edge of the world's knowledge, seek out the most complex and sophisticated minds, put them in a room together, and have them ask each other the questions they are asking themselves.
2012 : WHAT IS YOUR FAVORITE DEEP, ELEGANT, OR BEAUTIFUL EXPLANATION?
Contributors [192]
Thanks to Steven Pinker for suggesting this year's Edge Question
A poluição luminosa provoca consequências sérias para a saúde e o meio-ambiente, assim como pode causar alguma devastação filosófica. Essas questões são exploradas no documentário 'The city dark', que estreou anteontem nos cinemas de Nova York. "Eu fico preocupada com que a falta de contato nosso com o céu esteja provocando coisas sutis em nós", diz, no filme, a escritora Ann Druyan, viúva de Carl Sagan.

As consequências agudas e vastas da poluição luminosa são elucidadas por astrônomos, astronautas, historiadores, ornitologistas, epidemiologistas, neurologistas, biólogos e criminologistas. O filme é escrito, dirigido e produzido pelo documentarista radicado no Brooklyn Ian Cheney. "Comecei com uma questão simples: 'Por que precisamos das estrelas?'. Como podemos definir o que ganhamos da observação visual do universo? A cultura humana precisa do contexto maior do cosmos como auxílio de perspectiva?"

Cheney falou com astrônomos e outros "stargazers", incluindo os moradores do Arizona Sky Village, uma comunidade residencial em Portal, Arizona, dedicada a preservar a mácula dos seus céus noturnos. Ele também entrevistou o dono de uma loja de lâmpadas que mostra como evolui a iluminação através dos anos, e com membros de um grupo urbano de escoteiros sobre ver as estrelas durante uma viagem de acampamento.

Com o intuito de abordar os efeitos da poluição de luz em nós, humanos, o filme discute de que forma horizontes iluminados demais podem confundir aves migratórias, fazendo com que se choquem contra muros, e como praias iluminadas por edifícios desorientam tartarugas-marinhas recém nascidas, que têm um curto tempo para chegarem até o mar.

Cheney também falou com médicos que dizem que há evidências de que a poluição de luz pode ser nociva ao corpo humano. O epidemiologista Richard Stevens, da Universidade de Connecticut, apresenta evidência de que pessoas expostas a luz, à noite, têm um aumento do risco de câncer.

"Dado que o planeta Terra tem evoluído por bilhões de anos com um ritmo muito consistente de luz e escuridão, a repentina introdução da luz elétrica pode nos afetar mais do que nossa visão das estrelas?", pergunta Cheney.

"Quando você olha para o céu noturno, você se dá conta de quão insignificantes nós somos no cosmos", diz o astrônomo Neil de Grasse Tyson, diretor do Hayden Planetarium, no Museu Americano de História Natural dde New York. "É uma espécie de ressetagem do ego. Privar-se daquele estado mental significa não viver toda a extensão do que é ser humano." (Space.com / tradução minha)
Pássaros-cetim que se mostram mais inteligentes atraem um número maior de parceiras, segundo um estudo da Universidade de Maryland publicado pela revista científica Animal Behaviour.

Os pesquisadores aplicaram uma série de testes cognitivos a machos da espécie para avaliar sua capacidade de resolução de problemas. Os pássaros que tiveram melhor desempenho também foram os que procriaram com mais fêmeas, em comparação com os pássaros menos inteligentes.

Este é o primeiro estudo a mostrar que os machos que se saem melhor na resolução de problemas também têm maior número de parceiras. Os cientistas estudaram os pássaros-cetim (Ptilonorhynchus violaceus) que vivem na floresta ao sul de Brisbane, na Austrália.

Os pássaros-cetim são conhecidos por seu complexo sistema de cortejar as fêmeas e a construção de elaborados ninhos, na forma de caramanchões.

Os machos passam horas construindo o ninho, que decoram por dentro com objetos coloridos e até flores. As fêmeas visitam os ninhos antes de escolher os machos.

“Os pássaros-cetim são o tipo de pássaro que faz você pensar que a expressão ‘cérebro de passarinho’ deveria ser usada como um elogio”, disse Jason Keagy, que liderou o estudo. Os cientistas desconfiaram que, por conta do complexo sistema para cortejar as fêmeas, os pássaros mais inteligentes teriam vantagens. (Jody Bourton/BBC)
Cão 'dança' em meio a confronto no Chile. (Foto: Victor Ruiz Caballero/G1/AFP)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

"O Governo derruba o #Megaupload? 15 minutos depois o #Anonymous derruba os sites do governo e das gravadoras", diz um dos tuítes. "Vocês deviam ter previsto", afirmaram em outro post. A operação em curso, chamada de #OpMegaupload ou #OpPayback, é "o maior ataque já feito alguma vez pelo Anonymous", com 5.635 participantes. (Exame)
É de bom gosto a brincadeira que fizeram com o Fabiano Baldasso, frente aos seus elogios a D'Alessandro.


No Scream&Yell, Eduardo Palandi explica sobre Emilie Simon, autora da trilha sonora da 'Marcha dos pinguins', e dos outros artistas mais importantes da música francesa da década que acabou de passar.
Notas sobre a cracolândia
(Contardo Calligaris)

(...) Anos atrás, jovem psicanalista, no norte da França, eu me ocupava de adolescentes "problemáticos" pelas drogas que consumiam, pela desistência escolar, por uma criminalidade difusa e pela violência contra os adultos que se opunham a suas vontades.

Alguns eram filhos de excluídos, outros inventavam uma marginalidade própria, não herdada. Um desses jovens escutou pacientemente enquanto eu tentava convencê-lo a frequentar as sessões de terapia e a aceitar a ajuda de uma assistente social, que facilitaria sua reinserção. Quando acabei, ele me disse, pausadamente, olho no olho: "O que lhe faz pensar que eu queira ter uma vida parecida com a sua?".

Conclusão. Podemos tentar curar os "noias", ou seja, esperar suprimi-los de um jeito mais radical do que apenas prendendo-os. De qualquer forma, agimos porque os achamos insalubres para nós.

E peço que ninguém pretenda me convencer que a dita cura, à diferença da segregação ou das porretadas, seria para o bem (ou para a dignidade) deles. Detalhe. Originalmente, os modelos da lepra e da peste foram maneiras diferentes de lidar com o risco de um contágio.

Quando tentamos "curar" vagabundos ou drogados talvez estejamos também reagindo ao risco de um contágio pelas margens sociais. Como assim? Nunca estamos realmente convencidos de que temos razão de sermos bem pensantes e bem comportados. "Curar" à força os perdidos da cracolândia nos ajuda a evitar a sedução que sua "noite suja" exerce sobre nós.
"Caso Rogério Ceni e Marcos: Dois ídolos nos clubes que atuam e atuaram (no caso do Marcos que se aposentou jogando pelo Palmeiras). Só vestiram a mesma camiseta durante toda a sua carreira. Isso mesmo, eu disse TODA A CARREIRA!!! E não é que não tenha surgido propostas de outros clubes. Surgiram, sim, e de clubes grandes da Europa. Mas ambos não foram movidos pelo dinheiro. Claro que ganham grana no São Paulo e no Palmeiras, mas amam os clubes onde jogam." (Luciano Coimbra)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Stop SOPA and PIPA!
Internet goes on strike!









1. Os projetos dão ao governo liberdade para pedir ao Google e outras ferramentas de busca para excluir determinados sites do resutado das pesquisas. Ou seja, o governo poderia ter controle sobre a lista de links que você pode acessar quando joga uma coisa no Google.

2. O governo também pode pedir aos grandes provedores de internet para bloquear o acesso a alguns sites para os seus usuários. É exatamente a mesma estratégia usada para censurar conteúdos adultos ou políticos na Síria e na China.

3. Se o governo descobrir que você encontrou uma ferramenta online que burla o bloqueio, ele também pode bani-la. O problema é que algumas dessas ferramentas são bem úteis a grupos que lutam pelos direitos humanos em lugares onde há censura.

4. A proposta também pode impedir que empresas façam propaganda em sites que façam parte da lista negra do governo.

Com música de Dmitri Shostakovich e baseada no texto Instruções para Subir uma Escada, de Julio Cortázar, essa animação foi feita em stop motion, utilizando areia sobre vidro — uma beleza de técnica. Abaixo segue o texto integral, em português, extraído de Histórias de Cronópios e de Famas (Civilização Brasileira, 134 págs., R$ 31). Outra beleza de técnica. (Almir de Freitas)

Ninguém terá deixado de observar que frequentemente o chão se dobra de tal maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e logo a parte seguinte se coloca paralela a esse plano, para dar passagem a uma nova perpendicular, comportamento que se repete em espiral ou em linha quebrada até alturas extremamente variáveis. Abaixando-se e pondo a mão esquerda numa das partes verticais, e a direita na horizontal correspondente, fica-se na posse momentânea de um degrau ou de um escalão. Cada um desses degraus, formados, como se vê, por dois elementos, situa-se um pouco mais acima e mais adiante do anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais bonitas ou pitorescas, mas incapazes de transportar as pessoas do térreo ao primeiro andar.

As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se por levantar aquela parte do corpo situada em baixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhesse a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)

Chegando-se dessa maneira ao segundo degrau, será suficiente repetir alternadamente os movimentos até chegar ao fim da escada. Pode-se sair dela com facilidade, com um ligeiro golpe de calcanhar que a fixa em seu lugar, do qual não se moverá até o momento da descida.


Adeus doloroso
(Fabiano Baldasso)

D'Alessandro não é um atleta do Internacional. É uma instituição a serviço de outra.

Existem vários fatores que vão tornando um jogador importante para o clube e D'Alessandro não se limitou a passar por todos eles: passou com o tradicional drible "La Boba", olhou pra trás e riu de todos os percalços que para ele fizeram parte apenas de uma brincadeira... como se fosse.

D'Alessandro virou homem Grenal, homem Sul-Americana, homem Libertadores. Quem não lembra da Sul-Americana de 2008, na Bombonera, quando D'Ale botou o dedo na cara dos "bosteros" que são odiados por ele desde o ventre materno. Palco onde, anos antes, Chiquinho e Dieguinho tiravam fotos e arregalavam os olhos com pavor do adversário.

Pernas finas, voz pequena, alma gigante e envolvimento oceânico.

D'Alessandro é o melhor jogador do Internacional desde Falcão, mas ganhou mais, vibrou mais, sofreu mais, reclamou mais.

O futebol gaúcho pode estar perdendo seu principal expoente em décadas. Um argentino insolente que vestiu a camisa colorada como muitos... e a dignificou como poucos. D'Alessandro pode se ir... e deixar o coração despedaçado de milhares de colorados. Fica na história, belíssima história, uma das páginas mais bonitas e vencedoras do auto-intitulado campeão de tudo. E se foi campeão de tudo, muito foi por causa dele.

¡Adiós, Cabezón! Obrigador por ter feito o futebol gaúcho mais vencedor.
Por que o BBB tem que ser proibido
(Luis Nassif)


1. Intimidade e privacidade são bens indisponíveis. Isto é, não é dado a outras pessoas invadirem esse tipo de bem jurídico. É um direito individual, inalienável e intransferível. Somente a própria pessoa – por ela própria (não por meio de outro) - pode abrir mão desse direito.

2. Exemplificando. A legislação não pune a autolesão. Mas pune quem induz ou pratica a lesão em terceiros, mesmo com sua autorização. Não pune a tentativa de suicídio, mas quem induz. Não proíbe a prática de prostituição, mas pune quem explora. Esses princípios derrubam a ideia de que basta a pessoa autorizar para que sua intimidade possa ser exposta por terceiros de forma degradante.

3. Tem um caso clássico na França do lançamento de anões. Um bar tinha uma atração que consistia em lançamento de anões. A prática passou a ser questionada nos tribunais. O depoimento de um dos anões foi de que dignidade era ter dinheiro para sustentar a família. A corte decidiu que a dignidade humana deveria prevalecer e proibiu a prática explorada pelo estabelecimento.


A análise do BBB deve ser feita a partir desses pressupostos.

1. Não poderia ser questionado juridicamente alguém que coloque em sua própria casa uma webcam e explore sua intimidade.

2. No caso do BBB, no entanto, a exploração é feita por terceiros de forma degradante. É como (com o perdão da comparação) o papel da prostituta e do cafetão. E não é qualquer terceiro, mas o titular de uma concessão pública obrigado a seguir os preceitos éticos previstos na Constituição - que não contemplam o estímulo ao voyeurismo.
"O calendário usado para fazer a previsão é apenas um entre os vários que os maias usavam. Assim como os nossos meses, anos e séculos, ele se estrutura em unidades de tempo. Cada 20 dias formam um uinal. Cada 18 uinals, 1 tun, e cada 20 tuns faziam um katun. Enquanto o nosso sistema de contagem de séculos não leva a um fim, o calendário maia dura cerca de 5.200 anos e se encerra na data 13.0.0.0.0, que para muitos estudiosos corresponde ao nosso 21/12/2012. Isso não significa que eles esperassem pelo fim do mundo naquele dia. Na verdade, eles não pensavam no tempo de modo linear, e sim de modo mais cíclico. Há textos míticos maias que falam em eras anteriores à atual, e nada indica que esta seria a última. A maioria dos estudiosos acredita que, após chegar à data final, o calendário simplesmente se reiniciaria, assim como o nosso passa do 31 de dezembro para 1 de janeiro. Entre os milhares de textos maias conhecidos, há apenas um que faz menção à data. Uma inscrição encontrada na ruína de Tortuguero (Costa Rica) diz que nela virá à Terra Bolon Yokte K'u, deus associado à guerra e à criação [Shiva?]." (Revista Galileu)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Três trechos do Zaratustra do Nietzsche.


DOS QUE DESPREZAM O CORPO - Aos que desprezam o corpo quero dizer a minha opinião. O que devem fazer não é mudar de preceito, mas simplesmente despedirem-se do seu próprio corpo, e por conseguinte, ficarem mudos. "Eu sou corpo e alma" — assim fala a criança. — E porque sei não há de falar como as crianças? Mas o que está desperto e atento diz: — "Tudo é corpo, e nada mais; a alma é apenas nome de qualquer coisa do corpo". O corpo é uma razão em ponto grande, uma multiplicidade com um só sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. Instrumento do teu corpo é também a tua razão pequena, a que chamas espírito: um instrumentozinho e um pequeno brinquedo da tua razão grande.

Que a minha doutrina é esta: o que quer aprender a voar um dia, deve desde logo aprender a ter-se de pé a andar, a correr, a saltar, a trepar e a bailar: não se aprende a voar logo à primeira!

E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens. Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca de Zaratustra lágrimas e canções. Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
Os eleitos por Zaratustra


1. os que vivem intensamente, que são indiferentes aos perigos (welche nicht zu lebem wissen) porque são capazes de atravessar de um lado para outro;

2. os grandes desdenhosos (der grossen Verachtenden), porque estão sempre tentando chegar a outra margem;

3. aos que se sacrificam pela terra (die sich der Erde opfen);

4. o curioso, o que quer conhecer (welcher erkennen will);

5. quem trabalha e realiza invenções engenhosas (welcher arbeiter und erfinder);

6. o que preza a sua própria virtude (sein Tugen liebt);

7. aquele que distribui o seu espirito entre os demais (ganz der Geist seiner Tugend sein will);

8. o que deseja viver e deixar viver (willen noch leben und nicht mehr leben);

9. quem não seja exageradamente virtuoso, nem excessivamente moralista (welcher nicht zu viele Tugenden haben will);

10. aquele que não fica a espera de agradecimentos ou recompensas (der nicht Dank haben will);

11. o que não trapaceia (ein falscher Spieler);

12. o que se orgulha dos seus feitos (welcher goldne Worte seine Taten vorauswirft);

13. o combatente do presente (den Gegenwärtigen zugrunde gehen);

14. o que desafia e fustiga o seu Deus (welcher seinen Gott züchtig);

15. o de alma profunda (dessen Seele tief);

16. o de alma trasbordante, que esquece de si mesmo (sich selber vergisst);

17. quem tem o espírito e o coração livres (der freien Geistes und freie Herzen ist);

18. os vaticinadores, os que prenunciam o relâmpago próximo (dass der Blitz kommt, und gehn als Verkündiger zugrunde), um relâmpago que se chama super-homem (Übermensch).
"Porque pode ser nos defeitos que você insiste em esconder que se expresse sua personalidade. A imperfeição rejeitada pode ser sua marca registrada, aquela que faz com que você seja reconhecido e lembrado. Anular as imperfeições é como matar as diferenças. É como subscrever um abaixo-assinado contra o estilo, a atitude, a essência. Contra toda e qualquer idéia independente sobre beleza." (Elisa Correa/Vida Simples)
Dois parágrafos de Zygmunt Bauman em entrevista para o Estadão.

Nós nos encontramos num momento de "interregno": velhas maneiras de fazer as coisas não funcionam mais, modos de vida aprendidos e herdados já não são adequados à conditio humana do presente, mas também novas maneiras de lidar com os desafios da contemporaneidade ainda não foram inventados, tampouco adotados. Não sabemos quais formas e configurações existentes precisariam ser "liquefeitas" e substituídas. Diferentemente de nossos ancestrais, não temos uma noção clara de "destinação", nem do que seria, de fato, um modelo de sociedade global, economia global, política global, jurisdição global... Estamos reagindo ao último problema que se apresenta. E tateamos no escuro.

Um diploma de primeira linha foi, durante muitos anos, o melhor investimento que pais amorosos poderiam fazer no futuro de seus filhos, e dos filhos de seus filhos. Acreditava-se nisso. Mas esta crença, como tantas outras que fizeram o Sonho Americano (e não só americano, reconheçamos) está sendo abalada hoje. O mercado de trabalho para os possuidores de credenciais de educação encolhe em termos globais, isso é um fato. Hoje muitos daqueles que se diplomaram com alto sacrifício familiar veem os portões do sucesso ser fechados na sua cara. A verdade é que a "promoção social via educação" serviu durante muitos anos como folha de parreira para tapar a desigualdade nua e indecente: enquanto as conquistas acadêmicas estavam correlacionadas a recompensas sociais generosas, as pessoas que não conseguiam ascender nessa direção só podiam se culpar - descarregando sobre si mesmas amargura e ódio. Agora nós nos defrontamos com um fenômeno novo, que é o desemprego entre os formados, ou então o emprego em nível muito baixo de expectativas, mas tanto uma coisa quanto outra têm potencial explosivo, basta ver os recentes levantes no Oriente Médio.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Pesquisas sugerem que as pessoas são mais criativas quando estão desfrutando de privacidade e livres de interrupções. E a maioria das pessoas mais espetacularmente criativas, em vários campos, são introvertidas, de acordo com estudos dos psicólogos Mihaly Csikszentmihalyi e Gregory Feist. Uma explicação para essas descobertas é que os introvertidos sentem-se confortáveis trabalhando sozinhos — e a solidão é catalisadora da inovação. Como o influente psicólogo Hans Eysenck observou, introversão gera criatividade porque a mente se concentra nas atividades, e previne a dissipação de energia em questões sociais e sexuais não relacionadas ao trabalho. A solidão há muito é associada com criatividade e transcendência. Em várias religiões, aquele que busca algo entra em si mesmo e traz de volta para a comunidade insights profundos." (Susan Cain)

Lars Von Trier em Brasília.

Elemento de Um Crime (Forbrydelsens element) (1984)

Epidemia (Epidemic) (1987)
Medea (Medéia) (1988)
Europa (1991)
Reino I (Riget) (1994)
Ondas do Destino (Breaking the Waves) (1996)
Reino II (Riget II) (1997)
Tranceformer, um retrato de Lars von Trier (Tranceformer, a portrait of Lars von Trier) (1997)
Os Idiotas (Idiotern) (1998)
Os Humilhados (De ydmydede) (1999)
Dançando no Escuro (Dancer in the Dark) (2000)
Dogville (2003)
As Cinco Obstruções (De fem benspaend) (2003)
Os Purificados (De lutrede) (2003)
Manderlay (2005)
Profissões (Occupations) (2006)
O Grande Chefe (Direktoren for det hele) (2006)
Anticristo (Antichrist) (2009)
Dimensões, 1991-2024 (Dimensions, 1991-2024) (2010)
Melancolia (Melancholia) (2011)

Retrospectiva Lars Von Trier no CCBB
17 de janeiro a 5 de fevereiro
Endereços:
Cine Brasília - EQS 106/107 (Asa Sul)
CCBB - SCES, Trecho 02, lote 22



Estar de bem com a vida
(Eugenio Mussak)

"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão", disse Nietzsche, para depois admitir que invejava a leveza desses seres. "Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arranca lágrimas e canções", completou. Pois até o mal-humorado filósofo alemão admitiu que há virtude em buscar a paz com o viver.

E o que é estar de bem com a vida senão a capacidade de manter um estado de alegria a despeito das vicissitudes da própria? É claro que a vida é dura, injusta e muitas vezes cruel. Todos sofremos com as perdas e com as angústias próprias do viver, mas não é disso que estamos falando. As condições externas influem, sim, mas o tema aqui é o estado da alma.

Não me agrada o discurso fácil da autoajuda que insiste que você tem a obrigação de ser feliz. Não, felicidade não é uma obrigação nem uma competência. Não é uma alienação. Felicidade nem sequer é um estado definitivo, e com certeza não é um lugar aonde se pode chegar. Por outro lado, não me agrada também a condição das "vítimas do sistema", que se orgulham de sua amargura e a exibem como um troféu conquistado.

Conheço pessoas que souberam lidar bem com as dificuldades naturais de suas existências e conheço outras que se transformaram em vítimas tristes nas mesmas condições. É claro que há situações de extrema dificuldade, e negar a tristeza que vem junto é negar a própria condição humana. Mas essa não é a questão. Não me refiro às tragédias, e sim às dificuldades corriqueiras, que impregnam nosso cotidiano como o musgo na face sul do tronco das árvores, e que podem, com o tempo, apagar o brilho de viver. A menos que não se deixe que isso aconteça.

Encontrei pessoas de bem com a vida nas grandes cidades, trabalhando em imensas corporações. Encontrei-as também em pequenas vilas do interior ou do litoral. Em lugares pobres e em lugares ricos. Em tempos de tranquilidade e em tempos de crise. Ou seja, em todos os lugares. E também encontrei pessoas de mal com a vida. Onde? Exatamente nos mesmos lugares.

Este talvez seja um dos grandes mistérios da psicologia humana. O que faz a diferença entre esses dois tipos de indivíduos? Será sua genética ou terá sido sua educação?

Entretanto, pessoas de bem com a vida têm, sim, algo a nos ensinar. A primeira lição é que elas não caem na armadilha fácil da felicidade imediata, aquela que é confundida com o prazer descartável, nem transformam a felicidade em um eterno projeto futuro. Gente de bem com a vida percebe que felicidade é um estado interior que não precisa ser prejudicado pelo que acontece fora de nós, e também se dá conta que, se a única coisa que existe de fato é o presente, o futuro vai virar presente e, quando isso acontecer, ele será tão melhor ou tão pior dependendo das providências que tomarmos no presente atual.

Mas tem mais. É necessário equipar-se com alguns artigos de primeira necessidade para alimentar a felicidade, nada muito complicado, acredite. Algumas coisas são óbvias, mas invisíveis como o ar, que só é percebido quando falta. A saúde, por exemplo. Então é melhor cuidar da dita-cuja, pois não dá para ser feliz e doente ao mesmo tempo, e não importa a fase da vida. O mesmo se dá com o dinheiro. É parecido com o ar e a saúde, só damos valor a ele quando falta. O ditado popular insiste, há séculos, que dinheiro não traz felicidade. Estou inclinado a acreditar nisso até certo ponto, pois, se o dinheiro não o faz feliz, a falta dele, provavelmente, vai lhe tirar o sono e prejudicar sensivelmente a felicidade interna bruta.

Resolvidos os requisitos básicos, que atrapalham a busca da felicidade se estiverem ausentes, é hora de cuidar dos ingredientes da verdadeira felicidade, aquela que dá gosto de sentir. E eles são pelo menos três: o que fazemos para viver, como gastamos nosso tempo livre e, talvez o mais importante, com quem compartilhamos tudo isso.

domingo, 15 de janeiro de 2012

‎"Tudo surge na internet sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior do que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. A televisão era útil para o ignorante, selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet lhe é perigosa porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece - e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o processo pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens." (Umberto Eco)

sábado, 14 de janeiro de 2012

"É melhor falar logo das coisas mais difíceis de serem ditas. Pois, quando são silenciadas, elas acabam se vingando, sempre." (Contardo Calligaris)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Agir para fazer bonito(Contardo Calligaris)

Os psicólogos desconfiam um pouco da expressão "força de vontade", à qual todo mundo recorre (sobretudo para denunciar as fraquezas -as nossas e as dos outros), mas sem que a gente saiba direito o que ela designa.

Por isso, estou lendo "Willpower, Rediscovering the Greatest Human Strength" (a força de vontade, redescobrindo a maior força humana), de R. Baumeister (um psicólogo que aprecio) e J. Tierney (jornalista do "New York Times"), ed. Penguin. O livro (p. 152) me fez conhecer o site www.stickK.com (que foi criado, aliás, para servir de amostra para pesquisas).

No site, o usuário se engaja contratualmente a cumprir um plano que implique um engajamento sério, se não uma reorientação de vida -desde o trivial, como emagrecer ou parar de roer as unhas, até metas, aspirações, desejos e ambições que justificam uma existência, passando por aquelas experiências irrenunciáveis que alguém quer ter ao menos uma vez, antes de morrer.

Ao escolher sua resolução, o usuário é convidado a nomear um árbitro: alguém que lhe seja próximo, que não seja um cúmplice qualquer e que possa, portanto, confirmar honestamente os progressos que o usuário declarará conseguir, no diário de seus esforços, que será acessível no site.

Além do árbitro, o usuário é também encorajado a escolher um número indefinido de amigos, que serão informados de seu propósito inicial e de seus avanços ou fracassos (eles terão acesso ao diário e aos comentários do árbitro).

Na hora em que ele declara seu propósito, o usuário também estabelece uma punição para si mesmo, caso ele fracasse.

Essa punição pode ser moral (um e-mail contando a história do malogro para uma lista de amigos e conhecidos) e/ou financeira -por exemplo, uma doação para a instituição que o usuário mais deteste (imaginemos que você pertença a uma igreja que é ferozmente contra a ideia do casamento gay e que você não consiga, sei lá, estudar seis horas por dia; pois bem, você passara a contribuir ao Grupo Gay da Bahia, de acordo com suas possibilidades financeiras).

A análise de 125.000 contratos feitos nos últimos três anos indica que os usuários que não nomearam um árbitro ou não se impuseram punições financeiras chegaram a um resultado positivo só em 35% dos casos. E a porcentagem de sucessos foi de 80% quando houve árbitro, amigos e punição financeira.

À primeira vista, em suma, não agimos segundo o que achamos certo, por "força de vontade", mas para evitar punições e vergonhas. Ou seja, não somos nunca verdadeira e corajosamente bons, apenas queremos fazer bonito e não perder dinheiro (ainda menos em prol de nossos inimigos). (...)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Segundo Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal e autor de livros com dicas de comportamento e adestramento, é importante lembrar que gatos são bichos de comportamento peculiar. "Há pessoas que levam um gato pra casa e esperam que ele se comporte como um cachorro, que não suba nos lugares e que obedeça a todas as ordens", afirma. No livro "Os Segregos dos Gatos" (recém-lançado pela Editora Globo), Rossi decifra algumas características específicas dos felinos. "O gato não obedece a uma ordem simplesmente por obedecer. Ele precisa confiar na pessoa e ter uma recompensa pela obediência. Enquanto os cães possuem predisposição natural para receber ordens, já que evoluíram de bandos em que a hierarquia era fundamental, gatos sempre foram caçadores solitários, nunca dependeram do grupo para sobreviver." Rossi também reforça a importância da educação do animal sem violência. "Cachorros são capazes de tolerar a agressão enquanto são adestrados e ainda assim continuam amando seus donos. Gatos, não."


Revista Galileu: O que uma pessoa precisa saber antes de levar um gato para casa?


Alexandre Rossi: Primeiro, que o gato é um animal que explora os ambientes tridimensionalmente. Ele sempre vai subir na pia, na geladeira, no microondas, e é importante que ele tenha esse acesso. Não adianta ter um gato e querer limitá-lo ao chão, como se fosse um cachorro. Muitos também pulam janelas, o que obriga o dono a colocar telas.

Galileu: Quais são os principais desafios na hora de educar um gato?


Rossi: O gato é mais difícil de ser treinado, acima de tudo, porque ele deve ser educado em um ambiente que conheça. Você não pode pegar um gato e levar pra um lugar onde haja um treinador. Enquanto ele não estiver adaptado ao ambiente, não vai prestar atenção nas pessoas. Também é difícil porque carinhos e brinquedos não costumam ser boas recompensas para o gato; o petisco é mais usado, mas ele demora mais para comer, o que não permite tantas repetições de exercícios de treinamentos quanto com cachorros. O gato não consegue ser educado com reforços negativos. Com cachorros, há reforços como colocar um enforcador e apertar o traseiro pra ele sentar. Se isso for feito com o gato, ele vai passar a não gostar da pessoa que o treina. Por outro lado, por meio do reforço positivo, o gato vai se aproximando, se tornando cada vez mais sociável. O cachorro ainda tolera a agressão porque depende muito do ser humano e é capaz de, mesmo assim, continuar amando o dono. O gato, não.


Para Nicholas Dodman, especialista em comportamento animal e autor do livro "The Cat Who Cried for Help" ("O Gato que Gritou por Socorro", ainda sem tradução para o português), a razão pela qual os gatos nos toleram é que eles são criados por humanos desde pequenos. O período crítico de socialização é entre duas e sete semanas, fase na qual são moldados por nós. Gatos que viveram esse período sem contato com humanos nunca se sentirão confortáveis na presença de pessoas. A paciência com os hábitos felinos podem trazer recompensas para o dono. A primeira delas seria para a saúde. Segundo Dodman, os gatos ajudam a aliviar alterações negativas de humor em um nível equiparado apenas à companhia humana. Também auxiliam a diminuir a pressão arterial e o colesterol.



Introduzida no Brasil entre o final da década de 1940 e início da década de 1950 no tratamento de pacientes com esquizofrenia, a zooterapia, ou terapia assistida por animais, teve como seu primeiro colaborador o gato. Hoje, vários outros animais foram incluídos na prática. "O gato é mais sutil, mais reservado. De uma maneira geral, ele mede mais as conseqüências e respeita mais os limites dados pela pessoa. E isso influencia muito nas terapias", afirma psicóloga e veterinária Hannelore Fuchs.

Trabalhando com zooterapia há 15 anos, em São Paulo, ela coleciona casos bem-sucedidos. Uma vez por mês, Hannelore e a gata Frida visitam uma escola de educação especial em São Paulo. Com crianças, o foco do trabalho e dos estudos está ligado à cognição, à conduta e ao desenvolvimento físico e motor. Há casos de crianças com dificuldade em abrir as mãos que desenvolveram ou retomaram esse controle devido ao esforço feito para poder acariciar um gato.

Desde 1999, a professora Maria de Fátima estuda a interação entre homem e animais. "Com a zooterapia, observamos que essa interação melhora o ambiente social, a qualidade de vida do ser humano e, conseqüentemente, do animal." Segundo ela, o gato na zooterapia funciona como uma ponte entre paciente e terapeuta. No consultório de Hannelore, os animais ficam soltos e transitam entre uma consulta e outra. "Dependendo da afeição do paciente pelo gato, ele começa a fazer parte da consulta", diz a psicóloga.

"Para os idosos abandonados, o gato vira um desafio positivo", afirma Hannelore. "Gerenciam a rotina do animal, sentem-se responsáveis pela vida do bicho. Isso faz com que o idoso deixe um pouco o papel de ser cuidado e passe a ser o 'cuidador'. Por meio do convívio com o gato, a vida do idoso passa a ter uma motivação maior." (Revista Galileu)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012



Conto do novo livro da Miranda July, publicado no New Yorker e traduzido por mim.

Eu dormi na casa do meu namorado cada noite dos primeiros dois anos em que nós estivemos juntos, mas eu não movi uma singular peça do meu roupeiro, uma singular meia ou par de roupa de baixo, até o apartamento dele. O que significa que eu podia usar a mesma roupa por vários dias, até que eu encontrasse um momento para voltar à minha pequena caverna esquálida, a umas poucas quadras de distância. Depois que eu colocava roupas limpas, eu caminhava em transe, fascinada por essa cápsula do tempo da minha vida antes dele. Tudo estava exatamente como eu havia deixado. Na gaveta do banheiro ainda estavam as camisinhas extra-extra-grandes do meu namorado anterior, com quem sexo era doloroso. Eu tinha jogado fora alguns alimentos, mas os não-perecíveis, o feijão e a canela e o arroz, tudo esperava o dia em que lembraria quem eu realmente era, uma mulher sozinha, e chegaria em casa e deixaria uns feijões de molho. Quando eu finalmente coloquei minhas roupas em sacolas de plástico preto e as conduzi até a casa dele, foi com uma espécie de espírito zombeteiro — da mesma forma em que eu cortei todo o meu cabelo na escola, ou que eu larguei o colégio. Foi impetuoso, certamente acabaria em desastre, mas foda-se.

Eu moro na casa do meu namorado há quatro anos (sem incluir os dois anos em que eu morei lá sem as minhas roupas), e estamos casados, então eu penso nela como minha casa. Quase. Eu ainda pago aluguel da caverninha e quase tudo o que eu tenho ainda está lá, exatamente como estava. Eu só joguei fora as camisinhas extra-extra-grandes no mês passado, depois de tentar bravamente pensar num cenário em que eu poderia doá-las com segurança para um mendigo de pênis grande. Eu mantive a casa porque o aluguel é barato e porque eu escrevo lá; tornou-se meu escritório. E o feijão, a canela e o arroz permanecem lá por mim, caso alguma coisa dê horrivelmente errado, ou se eu voltar ao meu juízo e reivindicar minha posição de pessoa mais sozinha que já exisitiu.

Essa história aconteceu em 2009, logo depois do nosso casamento. Eu estava escrevendo um roteiro na minha pequena casinha. Eu o escrevi na mesa da cozinha, ou na minha velha cama com seus lençóis de liquidação. Ou, como qualquer um que tentou escrever alguma coisa recentemente sabe, esses são lugares que eu escolho para escrever, mas, ao invés disso, fico navegando on-line. Um pouco disso pode ser justificado porque uma das personagens do meu roteiro também estava tentando escrever algo, uma dança, mas em vez de dançar ela procurava danças no YouTube. Então, de certa maneira, essa procrastinação era pesquisa. Como se eu já não soubesse como isso parece: como se eu me visse afundando no mar, cativada demais pelas ondas para pedir ajuda. Eu tinha inveja dos escritores mais velhos, quanto à disciplina, antes de a web surgir. Eu consegui escrever só um roteiro e um livro antes que isso acontecesse.

O engraçado na minha procrastinação era que o roteiro estava quase pronto. Eu era como uma pessoa que tinha lutado com dragões e perdido membros do corpo e rastejado em pântanos e agora, finalmente, o castelo estava visível. Eu podia ver criancinhas sacudindo bandeirinhas na sacada; tudo o que eu tinha que fazer era atravessar um campo para chegar até elas. Mas repentinamente eu ficava muito, muito sonolenta. E as crianças não conseguiam acreditar em seus olhos quando eu dobrei meus joelhos e caí de cara no chão, com meus olhos abertos. Em câmera lenta, eu enxergava formigas entrando e saindo com pressa de um buraco e eu sabia que me levantar de novo seria cem vezes mais difícil que o dragão e o pântano e então eu nem tentei. Eu simplesmente clicava numa coisa após a outra após a outra.

O filme era sobre um casal, Sophie e Jason, que estavam planejando adotar um gato tigrado, doente e muito velho, chamado Paw Paw. Assim como um bebê recém nascido, o gato iria precisar de atenção 24 horas, e ainda por cima para o resto de sua vida, e ele poderia morrer em seis meses ou cinco anos. Apesar da boa intenção, Sophie e Jason ficaram aterrorizados pela sua gradual perda de liberdade. Então, faltando um mês para a adoção, livraram-se das distrações da vida — largaram os empregos e se desconectaram da internet — para focarem-se em seus sonhos. Sophie queria inventar uma coreografia, e Jason tornou-se voluntário de um grupo ecológico, vendendo árvores porta-a-porta. Assim que o mês começou a se esvair, Sophie foi ficando paralisada, de forma crescente e humilhante. Num momento de desespero, ela teve um caso com um estranho — Marshall, um quadradão cinquentão que mora no vale de San Fernando. No mundo suburbano dele, ela não precisava ser ela mesma; quanto mais ela ficasse ali, nunca teria que tentar (e falhar) de novo. Quando Sophie abandonou Jason, ele parou o tempo. Ficou trancado nas 3:14 a.m. com apenas a lua de interlocutora. O resto do filme é sobre como eles encontram suas almas e voltam para casa.

Talvez porque eu não me sentisse muito confiante quando eu o estava escrevendo, o filme foi passando a ser sobre fé, sobretudo sobre o pesadelo de não a ter. Foi terrivelmente fácil imaginar uma mulher que fracassa, mas a história do Jason me confundiu. Não consegui imaginar suas cenas. Eu sabia que no fim do filme ele iria se dar conta de que estava vendendo árvores não porque achava que ia ajudar de alguma forma — ele na verdade achou que era muito tarde para isso — mas porque ele amava este lugar, Terra. Foi um ato de devoção. Um pouco como escrever ou amar alguém — não é sempre que se sente que está valendo a pena, mas não desistir, de alguma forma, cria um sentido inesperado o tempo todo.

Então eu sabia o começo e o fim — eu só tinha que sonhar uma parte do meio convincente, quando a empatia de Jasom traria a ele contatos com estranhos, quem sabe até mesmo na casa dos próprios, onde ele teria uma série de conversas interessantes ou hilárias ou transformadoras. Na verdade era fácil escrever esses diálogos; eu tinha sessenta rascunhos diferentes com sessenta diferentes cenários de venda de árvores, e cada um deles parece ter me inspirado de verdade. Eu estava me convencendo de que tinha achado a peça que faltava para completar a história, hilariamente, transformadoramente. Às vezes demora um pouco, mas se você acreditar e continuar tentando, a coisa certa acontece. Então, cada um dos e-mails com o meu roteiro anexado foram sucedidos por outros escritos um dia depois, se não apenas uma hora mais tarde —"Assunto: Não leia o rascunho que eu acabei de mandar!! Mandarei um novo em breve!!"

Então agora eu estava sem fé. Estava deitada na grama olhando as formigas. Estava googleando meu próprio nome como se a resposta ao meu problema pudesse estar secretamente codificado em alguma postagem de blog sobre como eu era irritante. Eu nunca havia entendido o álcool, algo que me distanciava de um bocado de gente, mas agora eu chego em casa todo dia e tento não falar com o meu marido antes de ter tomado um golinho de vinho. Tenho estado vividamente em contato comigo mesma por 35 anos, mas agora chega. Eu dizia para as pessoas que o álcool era como se fosse um chá que eu descobri na Whole Foods: “O gosto é desprezível, mas ele vai baixar sua ansiedade e vai tornar mais fácil a sua circulação por aí — você tem que experimentar!” Tornei-me também silenciosamene doméstica. Lavava os pratos fazendo bastante barulho. Cozinhei carnes complexas, presenteando-as com ressentido desespero. Aparentemente isso consistia em tudo de que eu era capaz naquele momento.

Eu lhe contei tudo isso, então você pode entender por que eu decidi mirar as terças-feiras. Terça-feira era o dia em que o catálogo da PennySaver [livreto de anúncios] era distribuído. Ele veio escondido entre cupons e outras propagandas. Lia-o enquanto almoçava, e depois, porque eu estava sem pressa para voltar a não escrever, geralmente eu o lia de novo, até os anúncios da contracapa. Considerei com carinho cada item — não como compradora, mas como uma cidadã curiosa de Los Angeles. Cada anúncio era como uma breve notícia de jornal. Extra, extra! Alguém em LA está vendendo um casaco. De couro. Grande e preto. A pessoa diz que acha que vale dez dólares. Mas a pessoa não está muito confiante sobre o preço, e está aberta para considerar outros preços, menores. Eu queria saber mais coisas sobre as quais essa pessoa do casaco de couro pensa, tipo como ela passou os dias, quais são suas esperanças, seus medos — mas nenhuma dessas informações estava listada lá. O que estava listado era o número de telefone da pessoa.

De um lado era o meu problema com Jason e as árvores, de outro era esse número de telefone. Para o qual, normalmente, eu nunca ligaria. Certamente não preciso de um casaco de couro. Mas naquele dia em particular eu não queria mesmo voltar para o computador. Não só pelo roteiro, mas também pela internet. Então peguei o meu aparelho de telefone. A regra implícita dos classificados é que você só pode ligar para o número para falar sobre o item à venda. Mas outra regra é, sempre, que este é um país livre, e eu estava tentando sentir minha liberdade. Poderia ser a única chance, no dia todo, de me sentir livre.

No meu mundo de paranoia, todo caixa pensa que estou roubando, todo homem pensa que sou prostituta ou lésbica, toda mulher pensa que eu sou lésbica ou arrogante, e toda criança e animal enxarga o verdadeiro eu, que é malvado. Então, quando telefonei, tomei cuidado para não ser eu; perguntei sobre o casaco com uma voz emprestada de um programa de tevê. Esperei pelo mesmo tipo de tolerância preocupada que ele recebeu de mim.

A pessoa que respondeu era um homem com uma voz baixinha. Ele não ficou surpreso com o meu telefonema — claro que não, né, ele colocou o anúncio.

“Ainda está à venda. Você pode fazer uma oferta quando o ver”, ele disse.

“Tá bom, ótimo.”

Houve uma pausa. Medi o espaço gigante entre a conversa que estávamos tendo e onde eu queria chegar. Fiz um pulo.

“Na verdade, eu estava pensando, quando eu for ver a jaqueta, se eu podia também entrevistar o senhor sobre sua vida e tudo sobre você. Suas esperanças, seus medos…” Minha pergunta foi engolida pelo silêncio que disparou como um alarme. Rapidamente emendei: “É claro, eu poderia pagar pelo seu tempo. Cinquenta dólares. Vai levar menos de uma hora.”

“Tá bom.”

“Tá bom, ótimo. Qual é o seu nome?”

“Michael.”
MULA SEM CABEÇA
(Wikipédia)

A mula sem cabeça é um personagem do folclore brasileiro. Na maioria dos contos, é uma forma de assombração de uma mulher que foi amaldiçoada por Deus por seus pecados, muitas vezes é dito ser uma concubina que fez sexo dentro de uma igreja com um padre católico e foi condenada a se transformar em uma criatura descrita como tendo a forma de um equino sem a cabeça que vomita fogo, galopando pelo campo do entardecer de quinta-feira ao amanhecer de sexta-feira. O mito tem várias variações sobre o pecado que amaldiçoou a mulher a se transformar no monstro: necrofagia, infanticídio, um sacrilégio contra a igreja, fornicação, incesto etc.

Apesar de ser decapitada, a Mula ainda relincha, geralmente muito alto quando irritada, podendo ser ouvida a quilômetros de distância, e outras vezes, quando mais quieta, geme como uma mulher chorando. Ao invés de cabeça possui uma chama que não a queima ou consome, mas em outros casos a chama pode apenas cobrir parcialmente a cabeça, daí que se diz que ela solta fogo pelas ventas e possui um freio de ferro. A transformação da mulher em mula acontece também no campo psicológico. Sua mente é alterada de tal maneira que rapidamente enlouquece à noite e sai aos campos matando gado, assustando as pessoas e causando destruição e confusão. Segundo a maioria dos relatos, a Mula é condenada a galopar sobre o território de sete povoados ou freguesias cada noite (assim como a versão brasileira do lobisomem). Segundo alguns relatos, a viagem começa e termina no povoado ou freguesia onde o pecado foi cometido. A transformação geralmente ocorre em uma encruzilhada na noite de quinta para sexta-feira, principalmente se for noite de lua cheia.

Não se deve passar correndo na frente de uma cruz à meia-noite ou ela pode aparecer. Se isso acontecer, a pessoa deve ter o cuidado de não encará-la e se deitar de bruços escondendo as unhas, olhos e dentes, bem como qualquer coisa que brilhe e atraia a atenção da criatura, pois esta não tem boa visão, ou a mula avançará e atropelará a pessoa que estiver em seu caminho.

A mula sem cabeça tem a capacidade de transmitir sua maldição para outras mulheres pecadoras. A transformação pode ser revertido por derramamento de sangue se a mula for por exemplo picada com uma agulha ou amarrando-a em uma cruz. No primeiro caso, a transformação será impedida, enquanto o benfeitor estiver vivo e morando na mesma paróquia em que o ferimento foi realizado. No segundo caso, a mulher ficará em forma humana até que o sol amanhecer, mas vai se transformar novamente na próxima oportunidade. A remoção mais estável da maldição pode ser conseguida através da remoção do freio de ferro que ela carrega na boca por alguém de grande coragem. Nesse caso, a mulher não muda a forma enquanto o benfeitor estiver vivo. Caso amarrem-se as rédeas novamente na sua boca, volta a maldição. A remoção da praga é um grande alívio para a mulher, pois a maldição inclui muitas provações. Então ela, agradecida, normalmente irá arrepender-se de seus pecados e casar-se com o benfeitor. Em qualquer caso, quando a Mula reverte à forma humana da mulher amaldiçoada, esta estará completamente nua, suada e com cheiro de enxofre.


BOITATÁ
(Simões Lopes Neto)


Foi assim: num tempo muito antigo, muito, houve uma noite tão comprida que pareceu que nunca mais haveria luz do dia. Noite escura como breu, sem lume no céu, sem vento, sem serenada e sem rumores, sem cheiro dos pastos maduros nem das flores da mataria.

Os homens viveram abichornados, na tristeza dura; e porque churrasco não havia, não mais sopravam labaredas nos fogões e passavam comendo canjica insossa; os borralhos estavam se apagando e era preciso poupar os tições... Os olhos andavam tão enfarados da noite, que ficavam parados, horas e horas, olhando sem ver as brasas somente, porque as faíscas, que alegram, não saltavam, por falta do sopro forte de bocas contentes.

Naquela escuridão fechada nenhum tapejara seria capaz de cruzar pelos trilhos do campo, nenhum flete crioulo teria faro nem ouvido nem vista para abter na querência; até nem sorro daria no seu próprio rastro!
E a noite velha ia andando... ia andando...

Minto:

No meio do escuro e do silêncio morto, de vez em quando, ora duma banda ora doutra, de vez em quando uma cantiga forte, de bicho vivente, furava o ar: era o téu-téu ativo, que não dormia desde o entrar do último sol eque vigiava sempre, esperando a volta do sol novo, que devia vir e que tardava tanto já...

Só o téu-téu de vez em quando cantava; o seu - quero-quero! - tão claro, vindo de lá do fundo da escuridão, ia se aguentando a esperança dos homens, amontoados no redor avermelhado das brasas. Fora disto, tudo omais era silêncio; e de movimento, então, nem nada.

Minto:

Na última tarde em que houve sol, quando o sol ia descambando para o outro lado das coxilhas, rumo do minuano, e de onde sobe a estrela-d'alva, nessa última tarde também desabou uma chuvarada tremenda; foi uma manga d'água que levou um tempão a cair, e durou... e durou...

Os campos foram inundados; as lagoas subiram e se largaram em fias coleando pelos tacuruzais e banhados, que se juntaram, todos, num; os passos cresceram e todo aquele peso d'água correu para as sangas e das sangas para os arroios, que ficaram bufando, campo fora, campo fora, afogando as canhadas, batendo no lombo das coxilhas. E nessas coroas é que ficou sendo o paradouro da animalada, tudo misturado, no assombro. E eram terneiros e pumas, tourada e potrilhos, perdizes e guaraxains, tudo amigo, de puro medo. E então!...

Nas copas dos butiás vinham encostar-se bolos de formigas; as cobras se enroscavam na enrediça dos aguapés; e nas estivas do santa-fé e das tiriricas boiavam os ratões e outros miúdos.

E, como a água encheu todas as tocas, entrou também na da cobra-grande - a boiguaçu [ou sucuri ou jiboia] - que, havia já muitas mãos de luas, dormia quieta, entanguida. Ela então acordou-se e saiu, rabeando. Começou depois a mortandade dos bichos e a boiguaçu pegou a comer carniça. Mas só comia os olhos e nada, nada mais.

A água foi baixando, a carniça foi cada vez engrossando, e a cada hora mais olhos a cobra-grande comia.

Cada bicho guarda no corpo o sumo do que comeu.

A tambeira que só come trevo maduro, dá no leite o cheiro doce do milho verde; o cerdo que come carne de bagual nem vinte alqueires de mandioca o limpam bem; e o socó tristonho e o biguá matreiro até no sangue têm cheiro de pescado. Assim também, nos homens, que até sem comer nada, dão nos olhos a cor de seus arrancos. O homem de olhos limpos é guapo e mão-aberta; cuidado com os vermelhos; mais cuidado com os amarelos; e, toma tenência doble com os raiados e baços!...

Assim foi também, mas doutro jeito, com a boiguaçu, que tantos olhos comeu.

Todos - tantos, tantos! que a cobra-grande comeu -, guardavam, entrenhado e luzindo, um rastilho da última luz que eles viram do último sol, antes da noite grande que caiu... E os olhos - tantos, tanto! - com um pingo de luz cada um, foram sendo devorados; no princípio um punhado, ao depois uma porção, depois um bocadão, depois, como uma braçada...

E vai,

Como a boiguaçu não tinha pêlos como o boi, nem escamas como o dourado, nem penas como o avestruz, nem casca como o tatu, nem couro grosso como a anta, vai, o seu corpo foi ficando transparente, transparente, clareando pelos miles de luzezinhas, dos tantos olhos que foram sendo esmagados dentro dele, deixando cada qual sua pequena réstia de luz. E vai, afinal, a boiguaçu toda já era uma luzerna, um clarão sem chamas, já era um fogaréu azulado, de luz amarela e triste e fria, saída dos olhos, que fora guardada neles, quando ainda estavam vivos.

Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela primeira vez viram a boiguaçu tão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra, muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra do fogo, boitatá, a boitatá! E muitas vezes a boitatá rondou as rancherias, faminta, sempre que nem chimarrão. Era então que o téu-téu cantava, como o bombeiro.

E os homens, por curiosos, olhavam pasmados, para aquele grande corpo de serpente, transparente - tatá, de fogo- que media mais braças que três laços de conta e ia aluminando baçamente as carquejas... E depois, choravam. Choravam, desatinados do perigo, pois as suas lágrimas também guardavam tanta ou mais luz que só os olhos e a boitatá ainda cobiçava os olhos vivos dos homens, que já os das carniças a enfaravam...

Mas, como dizia:

na escuridão só avultava o clarão baço do corpo da boitatá, e era ela que o téu-téu cantava de vigia, em todos os flancos da noite. Passado um tempo, a boitatá morreu: de pura fraqueza morreu, porque os olhos comidos encheram-lhe o corpo mas lhe não deram substância, pois que sustância não tem a luz que os olhos em si entranhada tiveram quando vivos...

Depois de rebolar rabiosa nos montes de carniça, sobre os couros pelados, sobre as carnes desfeitas, sobre as cabelamas soltas, sobre as ossamentas desparramadas, o corpo dela desmanchou-se, também como cousa da terra, que se estraga de vez. E foi então, que a luz que estava presa se desatou por aí. E até pareceu cousa mandada: o sol apareceu de novo!

Minto:

apareceu sim, mas não veio de supetão. Primeiro foi-se adelgaçando o negrume, foram despontando as estrelas; e estas se foram sumindo no coloreado do céu; depois se foi sendo mais claro, mais claro, e logo, na lonjura, começou a subir um rastro de luz..., depois a metade de uma cambota de fogo... e já foi o sol que subiu, subiu, subiu, até vir a pino e descambar, como dantes, e desta feita, para igualar o dia e a noite, em metades, para sempre.

Tudo o que morre no mundo se junta à semente de onde nasceu, para nascer de novo; só a luz da boitatá ficou sozinha, nunca mais se juntou com a outra luz de que saiu. Anda arisca e só, nos lugares onde quanta mais carniça houve, mais se infesta. E no inverno, de entanguida, não aparece e dorme, talvez entocada. Mas de verão, depois da quentura dos mormaços, começa então o seu fadário.

A boitatá, toda enroscada, como uma bola - tatá, de fogo! -, empeça a correr o campo, coxilha abaixo, lomba acima, até que horas da noite!... É um fogo amarelo e azulado, que não queima a macega seca nem aquenta a água dos manatiais; e rola, gira, corre, corcoveia e se despenca e arrebenta-se, apagado... e quando um menos espera, aparece, outra vez, do mesmo jeito!

Maldito! Tesconjuro!

Quem encontra a boitatá pode até ficar cego... Quando alguém topa com ela só tem dois meios de se livrar: ou ficar parado, muito quieto, de olhos fechados apertado e sem respirar, até ir-se ela embora, ou, se anda a cavalo, desenrodilhar o láco, fazer uma armada grande e atirar-lha por cima, e tocar a galope, trazendo o laço de arrasto, todo solto, até a ilhapa!

A boitatá vem acompanhando o ferro da argola... mas de repente, batendo numa macega, toda se desmancha, e vai esfarinhando a luz, para emulitar-se de novo, com vagar, na aragem que ajuda.

Campeiro precatado! Reponte o seu gado de querência da boitatá: o pastiçal, aí, faz peste... Tenho visto!