Ciência mostra que os mais bonitos são favorecidos mesmo em áreas que nada têm a ver com a aparência, como dar aulas, praticar esportes e até ser absolvidos em crimes
(Lucas Lima)
Uma pessoa muito atraente se apresenta em uma entrevista de emprego e mostra sua experiência profissional, idêntica à do candidato anterior, que é feio. Não há outros atributos importantes para a função que os diferenciem mas, numa comparação fria entre os currículos, o entrevistador deverá escolher o mais bonito — e terá certeza de que a opção não foi influenciada pela aparência. Situações como essa, antes apenas uma impressão, foram comprovadas pela ciência. Pesquisadores têm mostrado que, estatisticamente, as pessoas consideradas mais belas são favorecidas em situações que nada têm a ver com o seu visual.
Ter uma boa aparência, de acordo com diversos estudos, faz com que um criminoso receba penas menores, um professor seja melhor avaliado entre os alunos e um atleta ganhe salários mais altos. Esses e outros benefícios são dissecados pelo economista americano Daniel Hamermesh em seu recém-lançado livro Beauty Pays: Why Atractive People are More Successful (A beleza rende: por que as pessoas atraentes têm mais sucesso, sem previsão para chegar ao Brasil).
(...) Hamermesh é um dos maiores expoentes de uma área que se dedica a entender o que está por trás dessa tendência em favorecer os belos, já apelidada de lookism (algo como visualismo) e pulcronomia (economia da beleza). Seus novos estudos tentam fugir da explicação fácil do evolucionismo. "Pode ter sido seleção natural que favoreceu a beleza há alguns milhares de anos. Mas, agora, ser bonito não é uma garantia maior de capacidade de reprodução."
O primeiro desafio para os pesquisadores foi pensar em como medir algo tão subjetivo quanto a beleza. Cientistas descobriram que, ao vermos a mesma série de rostos, tendemos em concordar sobre quem é bonito ou não (entenda melhor na página ao lado). Ou seja, não é tão subjetivo assim. A partir dessa constatação, começaram a chamar grupos para avaliar imagens dos participantes de seus estudos, classificando seu grau de beleza. Um dos estudos que aproveitou a técnica foi feito em 2005 pelos economistas Markus Mobius e Tanya S. Rosenblat, das universidades americanas de Harvard e Wesleyan. Os especialistas simularam uma entrevista de emprego, pedindo que os candidatos solucionassem labirintos. Avaliadores tinham que, com algumas informações dos participantes, adivinhar a competência deles em resolver os enigmas. Ao olhar um currículo com a foto dos participantes, os "empregadores" tendiam a depositar mais expectativas naqueles considerados mais bonitos — que, no fim dos testes, não se saíam melhor. Quando era mostrado apenas o currículo, sem o rosto do candidato, esse favorecimento não aconteceu.
Outros dois dados chamam a atenção no estudo. Primeiro, os bonitos tendiam a ser mais otimistas quanto ao número de labirintos que conseguiriam solucionar. Depois, em uma das situações propostas, os belos receberam uma avaliação melhor que os outros após conversarem com os entrevistadores — mesmo que, nessa situação, os avaliadores não tivessem visto a foto deles. O resultado levou os estudiosos à conclusão de que há um aumento de autoconfiança relacionado à beleza e que os bonitos desenvolvem habilidades de comunicação mais aprimoradas, o suficiente para encantar o interlocutor. Essas características estão entre o que eles chamam de "prêmio de beleza" e poderiam explicar por que, mesmo que os recrutadores tentem não usar o critério de aparência, acabam atribuindo injustamente uma competência maior a quem tem maiores dotes estéticos.
Esse prêmio da beleza tem sido identificado nas mais diversas áreas, por diferentes estudos. Em 2009, pesquisadores da Southern Utah University, nos Estados Unidos, constataram que os arremessadores de futebol americano mais bonitos ganhavam 12% a mais que colegas feios com os mesmos índices de desempenho. Um estudo de 2010 da Universidade de Carleton, no Canadá, mostrou que, entre os professores universitários iniciantes, os classificados como atraentes ganhavam 6% mais. Outra pesquisa, de 1978, feita na Universidade da Carolina do Norte, afirma que até mesmo na hora de punir há diferença. Numa simulação de julgamento, homens davam pena de 12 meses para mulheres bonitas condenadas por roubar US$ 10 mil. Criminosas feias receberam, em média, 6 meses e meio a mais.
A socióloga britânica Catherine Hakim, da London School of Economics, defende que os mais belos aproveitem seu poder de encantar. Em seu novo livro, Honey Money: the Power of Erotic Capital (Dinheiro doce, o poder do capital erótico, previsto para chegar ao Brasil em 2012), Catherine lança o conceito de "capital erótico". Na falta de dinheiro, conhecimento ou contatos, ela sugere que as pessoas não sintam vergonha em utilizar o poder de sedução para crescer na vida. A polêmica ideia coloca esse poder no mesmo patamar de atributos como a educação. Para ela, investir no seu corpo para ascender socialmente seria tão válido quanto estudar. A beleza, no entanto, é apenas um dos elementos do "capital erótico". A autora propõe mais 5 dimensões: sensualidade, habilidades sociais (como charme e interação), vivacidade, apresentação e sexualidade.
Ver, neste blog, Nancy Etcoff e 'A lei do mais belo'.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
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