Em 23 de janeiro, inicia o ano zodiacal chinês do dragão. Símbolo celestial, poder de vida e de manifestação, ele cospe as águas primordiais ou o Ovo do mundo. Ele é uma nuvem que se desenrola por cima de nossas cabeças e derrama sua abundância de águas fertilizantes. O poder do dragão, ensina o filósofo taoísta Zhuang Zi, é coisa misteriosa, é a resolução dos contrários. Pode acontecer que da sua goela saiam folhagens: símbolo da germinação. A escalada do trovão, que é a do yang, da vida, da vegetação, da renovação cíclica, é representada pela aparição do dragão, que corresponde à primavera, ao nascente, ao verde.
Pensando no famoso caráter negativo do simbolismo do dragão no Ocidente, dois conhecidos nossos têm algo a dizer:
"Todos os dragões da nossa vida são, talvez, princesas encantadas, que esperam ver-nos belos e bravos. Todas as coisas terrificantes podem ser, apenas, coisas inermes que esperam socorro de nós. O dragão está primeiro em nós." (Rainer Maria Rilke)
"A luta entre o herói e o dragão deixa transparecer o tema arquetípico do triunfo do Ego sobre as tendências regressivas. Na maioria das pessoas, o lado tenebroso, negativo, da personalidade permanece inconsciente. O herói, ao contrário, deve dar-se conta de que a sombra existe e que ele pode tirar forças dela. Tem de compor-se com as potências destrutivas se quiser tornar-se suficientemente forte para medir-se com o dragão e vencê-lo. Em outras palavras, o Ego só pode triunfar depois de ter dominado e assimilado a sombra." (Carl Gustav Jung)
* Informações extraídas do Dicionário de Símbolos de Chevalier e Gheerbrant.


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