Lama Samten: refúgios emocionais, moralidade e energia - trecho transcrito do Retiro de Verão 2015
Não olhem os outros seres como fonte de refúgio. Vocês não busquem fontes de refúgio ilusórias, que estejam presas à Roda da Vida. Todos os seres têm problemas. Você tem que tomar refúgio naquilo que é lúcido. Esses ensinamentos são moralidade. Se a pessoa não tiver uma base de moralidade, nesse sentido, ela não vai conseguir andar. Porque ela vai se prender aqui, se prender ali, não só em pessoas, mas em coisas, objetos, projetos. Vamos substituir o olhar de tomar refúgio nas coisas ilusórias pelo olhar de Bodhichitta. Esse olhar traz junto de si a energia de Bodhichitta, uma energia super-importante, ela vai fazer toda a diferença. Por exemplo, vocês podem ter visões sobre o que devem fazer, mas a energia não acompanha. Se a energia não acompanhar a visão, nós não fazemos. Porque o aspecto sutil de como as coisas são feitas é por meio da energia. A energia é que produz as manifestações do mundo, não é o aspecto cognitivo.
Bodhichitta é a energia dirigida já na inspiração e no movimento dos Budas. Se a gente tiver isso, nós vamos andar, aí as coisas se resolvem. Se a gente não tiver isso, mesmo que alguém explique o que a gente deve fazer, nós não conseguimos fazer porque não conseguimos movimentar a energia. Se vocês tiverem a moralidade no aspecto cognitivo, é insuficiente. Porque, se no aspecto cognitivo a gente sabe o que deveria fazer, como deveria se posicionar ou não, e a energia se move de um outro jeito, a gente termina obedecendo o processo de energia. Então, moralidade é crucial.
As mães não são fonte de refúgio, os pais não são fonte de refúgio, as namoradas menos ainda, namorados também, os filhos não são fonte de refúgio, conta bancária e emprego não são fonte de refúgio. Rinpoche disse que há pessoas que tomam refúgio em grandes rochas, há pessoas que tomam refúgio em rios, em forças da natureza, há pessoas que tomam refúgio em pessoas que já morreram, ou em pessoas famosas, pessoas poderosas – nenhum deles é fonte de refúgio, todos eles estão dentro do Samsara. As pessoas não conseguem seguir adiante porque estão apegadas a vários tipos de visões. Quando essas visões se apresentam diante dos olhos das pessoas, elas esquecem o processo lúcido, elas seguem no processo causal, tentando manipular as condições para que aquilo siga presente. A sabedoria que começa a falar dentro da pessoa é uma sabedoria causal, de como sustentar as aparências numa certa configuração.
Há ensinamentos para aqueles que não estão seguindo nenhum caminho espiritual. Para eles, a gente apresenta a Roda da Vida, a impermanência, os doze elos da originação dependente, para entenderem mais ou menos o tamanho da panela onde estão dentro, como vão fritar ali dentro. Tem seres que nem são capazes de parar para ouvir sobre isso. Tem uns seres que estão tão aflitos que simplesmente não tem como ser beneficiados por esse tipo de abordagem.
O mundo nos prende não por cordas rígidas, mas o mundo nos prende porque rouba a nossa atenção. Nós temos a sensação de falta de tempo. Falta de tempo é falta de espaço na mente. A mente está sempre ocupada com alguma coisa. Estamos dentro de uma perspectiva em que já fomos divididos, vendidos, e a gente não sabe que foi aprisionado. Então agora nós vamos fazer uma coisa que está fora do 'contrato', a gente vai sentar e não vai fazer nada. Esse fazer nada é a liberdade em relação aos Senhores do Karma, que nos arrastam em todas as direções; são energias sedutoras. Se a gente não abrir esse espaço, como vamos colocar dentro dele a lucidez? A preliminar para a Visão é a nossa capacidade de sentar sem objetivo. Se eu estabilizo a energia, a minha mente estabiliza. Se eu tentar estabilizar a mente sem estabilizar a energia, a mente não estabiliza. Se eu não abrir um espaço interno, eu não consigo meditar. Isso é subversivo. Estamos dominados pelo processo de loteamento da mente. Agora nós vamos recuperar a liberdade original.
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segunda-feira, 20 de abril de 2015
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Plantas e animais concordaram em satisfazer os nossos desejos e paixões a fim de se perpetuarem. Agradar ao homem não passou de uma artimanha evolutiva do mundo natural. O ser humano manipulou a natureza, mas em troca foi manipulado por ela. Essa é a tese polêmica do jornalista ambiental americano Michael Pollan, autor do livro The Botany of Desire (“A Botânica do Desejo”, inédito no Brasil). É também a opinião de pesquisadores como Tony Trewavas, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, um dos defensores da idéia de que as plantas possuem inteligência. “Quando se sabe que 99% da biomassa terrestre é de origem vegetal, isso nos mostra que elas estão fazendo alguma coisa certa”, afirma Trewavas. Michael Pollan, não sendo cientista, é cauteloso em suas declarações. Como ele mesmo diz, seu trabalho foi fazer um “esforço de imaginação”. “A linguagem humana não está aparelhada para abarcar a complexa variedade de relações na natureza”, diz. Uma dessas relações seria a manipulação dos homens pelas plantas. (Álvaro Oppermann/Super)
terça-feira, 7 de abril de 2015
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segunda-feira, 6 de abril de 2015
"A impermanência também deve ser entendida como a luz do inter-ser. Porque todas as coisas inter-são, elas constantemente estão influenciando umas as outras. As coisas não podem ficar do mesmo modo porque elas são influenciadas por tudo mais." (Thich Nhât Hanh)
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sábado, 4 de abril de 2015
"O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro. É preciso ensinar os filhos a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática." (Jean-Pierre Lebrun, psicanalista belga)
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
"Segundo a medicina tibetana, a origem das doenças é a nossa ignorância. Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos. (...) O maior problema no Ocidente é o medo. O medo é o assassino do coração humano. Com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros. A maneira de enfrentar o medo é com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido. (...) Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos. Nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la. Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não." (Lama Tulku Lobsang Rinpoche)
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