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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lama Samten: refúgios emocionais, moralidade e energia - trecho transcrito do Retiro de Verão 2015

Não olhem os outros seres como fonte de refúgio. Vocês não busquem fontes de refúgio ilusórias, que estejam presas à Roda da Vida. Todos os seres têm problemas. Você tem que tomar refúgio naquilo que é lúcido. Esses ensinamentos são moralidade. Se a pessoa não tiver uma base de moralidade, nesse sentido, ela não vai conseguir andar. Porque ela vai se prender aqui, se prender ali, não só em pessoas, mas em coisas, objetos, projetos. Vamos substituir o olhar de tomar refúgio nas coisas ilusórias pelo olhar de Bodhichitta. Esse olhar traz junto de si a energia de Bodhichitta, uma energia super-importante, ela vai fazer toda a diferença. Por exemplo, vocês podem ter visões sobre o que devem fazer, mas a energia não acompanha. Se a energia não acompanhar a visão, nós não fazemos. Porque o aspecto sutil de como as coisas são feitas é por meio da energia. A energia é que produz as manifestações do mundo, não é o aspecto cognitivo.

Bodhichitta é a energia dirigida já na inspiração e no movimento dos Budas. Se a gente tiver isso, nós vamos andar, aí as coisas se resolvem. Se a gente não tiver isso, mesmo que alguém explique o que a gente deve fazer, nós não conseguimos fazer porque não conseguimos movimentar a energia. Se vocês tiverem a moralidade no aspecto cognitivo, é insuficiente. Porque, se no aspecto cognitivo a gente sabe o que deveria fazer, como deveria se posicionar ou não, e a energia se move de um outro jeito, a gente termina obedecendo o processo de energia. Então, moralidade é crucial.

As mães não são fonte de refúgio, os pais não são fonte de refúgio, as namoradas menos ainda, namorados também, os filhos não são fonte de refúgio, conta bancária e emprego não são fonte de refúgio. Rinpoche disse que há pessoas que tomam refúgio em grandes rochas, há pessoas que tomam refúgio em rios, em forças da natureza, há pessoas que tomam refúgio em pessoas que já morreram, ou em pessoas famosas, pessoas poderosas – nenhum deles é fonte de refúgio, todos eles estão dentro do Samsara. As pessoas não conseguem seguir adiante porque estão apegadas a vários tipos de visões. Quando essas visões se apresentam diante dos olhos das pessoas, elas esquecem o processo lúcido, elas seguem no processo causal, tentando manipular as condições para que aquilo siga presente. A sabedoria que começa a falar dentro da pessoa é uma sabedoria causal, de como sustentar as aparências numa certa configuração.

Há ensinamentos para aqueles que não estão seguindo nenhum caminho espiritual. Para eles, a gente apresenta a Roda da Vida, a impermanência, os doze elos da originação dependente, para entenderem mais ou menos o tamanho da panela onde estão dentro, como vão fritar ali dentro. Tem seres que nem são capazes de parar para ouvir sobre isso. Tem uns seres que estão tão aflitos que simplesmente não tem como ser beneficiados por esse tipo de abordagem.

O mundo nos prende não por cordas rígidas, mas o mundo nos prende porque rouba a nossa atenção. Nós temos a sensação de falta de tempo. Falta de tempo é falta de espaço na mente. A mente está sempre ocupada com alguma coisa. Estamos dentro de uma perspectiva em que já fomos divididos, vendidos, e a gente não sabe que foi aprisionado. Então agora nós vamos fazer uma coisa que está fora do 'contrato', a gente vai sentar e não vai fazer nada. Esse fazer nada é a liberdade em relação aos Senhores do Karma, que nos arrastam em todas as direções; são energias sedutoras. Se a gente não abrir esse espaço, como vamos colocar dentro dele a lucidez? A preliminar para a Visão é a nossa capacidade de sentar sem objetivo. Se eu estabilizo a energia, a minha mente estabiliza. Se eu tentar estabilizar a mente sem estabilizar a energia, a mente não estabiliza. Se eu não abrir um espaço interno, eu não consigo meditar. Isso é subversivo. Estamos dominados pelo processo de loteamento da mente. Agora nós vamos recuperar a liberdade original.

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