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segunda-feira, 30 de junho de 2003


Pessoas de alma bonita reconhecem pessoas de alma bonita em questão de segundos.
Sim, o Postador Maluco.
Arlequina (10:05 PM) :
oi douglas
Douglas (10:05 PM) :
Carol!
Arlequina (10:06 PM) :
tudo bem???
Douglas (10:07 PM) :
Sim. Só esbravejando contra a vida virtual, da qual estou cansando.
Arlequina (10:07 PM) :
vida virtual?
Douglas (10:08 PM) :
Internet.
Arlequina (10:08 PM) :
sim, mas tu não consegue te livrar dela?
Douglas (10:09 PM) :
Pensei hoje em me livrar dela.
Arlequina (10:09 PM) :
mas ela te faz mal?
Douglas (10:09 PM) :
Sim. Evita que eu viva DE FATO.
Arlequina (10:11 PM) :
isso é uma verdade.

mas no meu caso, me deixa em contato com o mundo já que eu estou fazendo monografia...

mas para as pessoas normais é fato. tira até a convivência dos amigos.
"ah, falei contigo ontem, como tu tá com saudades?"
"mas foi por icq!"
Douglas (10:11 PM) :
Eu chego em casa e não faço mais nada.
Arlequina (10:12 PM) :
ahn, daí tu já parou pra pensar que é fuga??
Douglas (10:13 PM) :
Sim. Vício, fuga. Tipo TV.
Douglas (10:13 PM) :
Postei algo sobre isso agora.
Arlequina (10:13 PM) :
as outras coisas que tu tem pra fazer são chatas?
Douglas (10:14 PM) :
Não. Mas menos fáceis.
Arlequina (10:14 PM) :
hummmm
tu é daqueles que deixam pra última hora, que só fazem as coisas quando tem mesmo que fazer?
Douglas (10:15 PM) :
Sim :)
Arlequina (10:16 PM) :
é, eu sou assim também :)

na verdade a maioria das pessoas são, é difícil ter disciplina
Douglas (10:17 PM) :
Realizar o meu projeto musical de um homem só é a minha maior lenda.
As minhas frases mais bonitas saem da espontaneidade de dizer algo para alguém.
Minha teoria dos dedos sobre infância e adultez (enquanto não faço um GIF animado, vai por palavras mesmo).

Faça um sinal de "pouquinho" com o dedão e o indicador da mão direita. Se você arrastar os dois dedos ao mesmo tempo, da esquerda para direita, representa os que se tornam adultos e esquecem de manter-se crianças. Se você deixar o dedão parado e ir abrindo o indicador, representa quem faz da vida uma coisa COMPLETA. Se você mexer um dedo no sentido contrário do outro, ou seja, se você fizer os dois se cruzarem, passarem um pelo outro, representa quem é adulto quando tem que ser criança e quem é criança quando tem que ser adulto.
Happy Songs For Happy People (o título do novo disco dos Mogwai) resume o que pode ser dito para quem diz que fica triste porque uma música é triste.
Um post simples:

==> a felicidade está nas coisas mais simples <==

Por Jamile.
Eu tenho a missão de colocar em contato o John Voyers (pow!) com o Pilla (flow!). Eles sempre pareceram-me parecidos - de alma.
"O primeiro dia de emprego na vida de uma pessoa é o dia em que ela ficou mais boba. As pessoas voltam do primeiro dia do primeiro emprego e vão direto para a cama, arrasadas, desesperadas, repetindo mentalmente Deus Deus Deus Deus Deus, como se tivessem sido curradas num terreno baldio. Minto?" (Soares Silva)

Absolutamente NÃO! A humanidade é que mente em rebanho, conforme convenções sólidas.
A internet é a nova televisão. Ela o suga. E então você pára de viver. Fica doente. Um viciado nojento. Pessoas estão por aí e você está rastejando na frente de uma máquina. O tempo está andando. A vida está passando. Ela é curta e é uma só. Eu quero passar a apenas postar as minhas coisas, o que é vital para mim, e trocar e-mails indispensáveis - o mesmo serve para os telefonemas. Eu quero voltar a ser uma pessoa, quando estou em casa e no trabalho - onde tem internet, esse buraco negro. A vida virtual é uma merda. Ainda mais comparando com a vida real. Tipo Manuela, Jordana, Jamile, Josiane, Maria, Gracian, Dani, Romy, Arthur, Guigo, Seade, Dani, Cezar, Irdes, Iris, Selvina, Muriel, Leonardo, Kó, Galera. (Este post me lembrou o do projeto ambicioso. Saibam que eu não consegui realizá-lo. Pelo menos ainda.)

Vida DE FATO!
Agora!
Eu ando emocionando-me bastante e meu choro está saindo sempre. Isto é a glória!
Eu, o Muriel e o Pilla vamos preparar algo juntos (!!) para o Póquet Show do dia 6 de agosto no Zelig. Stay tuned...
Minha mãe adotou uma cadelinha vira-lata branca que apareceu na casa dela. Ela tem barbas, deve ser cruza com schnauzer. Eu não a vi ainda, mas, como a minha mãe manifestou dificuldade de dar nome ao bichinho e a Manuela falou em gremlin, eu pensei em batizá-la de Mogwai. Minha mãe achou muito difícil. Então ficou Mog.
Spam: "ORGULHO DE SER GAÚCHO. Nós, que nascemos no Rio Grande do Sul, e que desde cedo aprendemos a amar e venerar esta terra, que temos orgulho de sermos gaúchos, estamos sendo humilhados, rebaixados e desonrados pelo programa, que infelizmente devo citar o nome: CASSETA E PLANETA, apresentado pela REDE GLOBO. Toda a semana este programa apresenta para todo o Brasil piadas de homossexuais que, invariavelmente, estão pilchados, denotando o máximo do preconceito para com o nosso Estado. Para estes mal-intencionados, gaúcho virou sinônimo de homossexual. (...) Que fique claro: não temos nada contra os homossexuais. Mas ligar a homossexualidade à figura do gaúcho é por demais desmoralizante a uma cultura toda. Alguma dúvida de como nós e nossos filhos seremos tratados por todo o BRASIL em um futuro próximo? (...) Por isso GAUCHADA, não devemos deixar as coisas do jeito que estão, proponho que a partir desta data todo o GAÚCHO que tenha amor próprio, e que se orgulhe em proclamar-se GAÚCHO, NÃO ASSISTA MAIS ESTE PROGRAMA CASSETA E PLANETA da Rede Globo. NÃO PODEMOS MAIS DAR AUDIÊNCIA a pessoas que nos apunhalam pelas costas, denegrindo a nossa imagem. Pense nisso, seu filho é quem terá que enfrentar olhares, no mínimo, curiosos quando estiver em outro estado e dizer que nasceu no sul. (...)"
"O girlietalk está deletado." (Manuela)
Puta madre, problemas nos comentários, de novo!
Meus altos e baixos de sexta e sábado e domingo.
Josh Homme é um filho da puta.
Doug Martsch é um filho da puta.
- Who do you think that you are?
- An ordinary guy with nothing to lose. (Lester Burnham)

quinta-feira, 26 de junho de 2003

http://douglasdickel.blogpsot.com/
FUCK ME
I'M DOUGLAS DICKEL !!!!!

Não é só porque eu sou, digamos, beneficiado por uma camiseta com esses escritos, usada pela minha namorada, mas ESTA IDÉIA, dela mesma, FOI GENIAL.
A incrível guitarra de Além Do Que Se Vê é o Camelo que toca. E os barulhos gozados que ele faz com a voz em Cadê Teu Suin- fizeram-me erguer meu braço, com a mão cerrada em punho, em homenagem à incontinência. COMO é que eles não tocam Conversa De Botas Batidas?? Vencedor foi a abertura do show, que alegria, a lembrança disso arrepia-me! Eu e algumas, a gente estava apostando - um CD do Clinic - que a primeira seria Samba A Dois, mas ela acabou sendo a abertura do bis. Os oponentes, buena, estavam apostando em A Flor, que acabou sendo a segunda do bis, última do show. E o que era aquele cenário com pano, pinturas e luzes?! O sol desaparecia, o clima mudava, a hora do dia também. E em De Onde Vem A Calma apareceu o pássaro branco... Gostei muito de ver o Carlo Pianta anunciando o show com o Frank Jorge. Eu adoro aquele cara. Gostei muito de reencontrar a Josiane e o Arthur, de conhecer a Gracian (o pré-show no apartamento das irmãs Martini Colla, como disse a Manuela, era uma unidade indissolúvel de amizade), de abraçar-bem a Josiane e a Jamile, de rever o Sapo, de lembrar e presenciar e apreciar a doçura da Pigui - que pediu para conhecer a Manuela e disse que imprimiu o meu textinho Duas Horas Antes. Mas do que eu mais gostei, como já disse no novo Highs And Lows, foi ver o show que os meus amigos fizeram, foi pular com eles. Mais: ver a Manuela, pular com a Manuela (fiquei sem ar e sem água de tanto pular), estar ali junto com ela, dividindo a alegria, sendo inundado pela beleza dela, nosso primeiro show extra-Blanched. Holy moments. Um holy moment em especial. E o Charles tem razão sobre a lástima de se ter perdido o hábito de dançar juntinho.
Blanched na Tramavirtual. Estão lá as três músicas do EP "Ter estado aqui" para download, agora bem mais veloz do que no mp3.com.

[ por Daniel Galera ] [ 25/06/2003 20:16 ]

quarta-feira, 25 de junho de 2003

"Dia 12 de julho, (...) Festival Juventude Enlouquecida, no Espaço Tear. O bar abre as 23h com discotecagem da Mono (...).

00:00 Blanched
00:30 Good Morning Kiss
01:00 Dissidentes
01:30 Space Rave
02:00 Forgotten Boys (SP)

Os ingressos, antecipados na Beatnick e na The Cut (João Telles 57) e para quem entrar no bar até a meia-noite, custarão R$ 7,00. Depois da meia-noite, R$ 10,00. O Espaço Tear fica na João Telles 570. Contato com a produção: 51-32235396 (Edu)"
Built To Spill é a melhor banda do mundo.
Marcelo Camelo é um filho da puta.
oi. aqui é o marcos.
nosso amigo douglas infelizmente faleceu ontem.
ele me pediu pra avisar se isso acontecesse.

terça-feira, 24 de junho de 2003

Eu tinha o projeto de um blog só de visões do corpo feminino. Não deu certo. Estou colando aqui os dois posts que ficaram decentes, para poder extinguir o endereço - a não ser que alguém tenha uma boa idéia acerca de olhos.blogspot.com.

[ Sex Mar 01, 11:32:45 AM | Douglas Dickel | edit ]
No verão dos meus 15 ou 16 anos eu estava na praia com a minha então namorada, Lisiane. Nosso quarto era o que tinha janela para a casa vizinha, dava para ver um chuveiro externo - ao ar livre. Nessa casa, veraneiam famílias da serra gaúcha. Os donos são de Bento Gonçalves, mas eles devem ter amigos de todas as cidades da região. Todas. Naquele ano específico, estava passando os dias naquela casa uma menina muito interessante para mim. Ela tinha o corpo magro e bonito, era de descendência italiana. Devia ter a mesma idade que eu. Minha namorada tinha dois anos menos. Pois então a menina sabia que eu gostava dela, de olhar para ela, e tomava banho todos os dias, depois de voltar do mar, naquele chuveiro que eu via da minha janela. E eu via, da janela do meu quarto, ela passando a mão por todo o corpo, com paciência, sem pressa. Inclusive por baixo do biquíni, claro. E sorria tímida quando nossos olhares se cruzavam. Ela falava pouco, e eu sempre fui tímido nessas horas por causa da adrenalina violenta que eu sinto ao estar interessado.

[ Qui Fev 21, 11:09:08 AM | Douglas Dickel | edit ]
A primeira vez foi com 12 ou 13 anos. Eu era apaixonado pela Aline, dois anos mais nova que eu. Eu achava que ela era a menina mais linda do mundo. Eu ficava mole quando estava na frente dela, ainda mais quando ela olhava para mim com uma sensualidade involuntária, como se o rosto dela tivesse o desenho necessário para paralisar um menino quando ela estivesse encarando. Os pais dela eram amigos dos meus, e eles se reuniam para jogar cartas. Eu e ela também éramos colegas num grupo de dança e freqüentávamos o mesmo colégio.

Num verão, ela foi para a minha casa da praia, em Jardim Atlântico. Ela, a mãe dela e as duas irmãs menores dela. Os pais, tanto o dela como o meu, chegavam no fim de semana. Tinha muita gente na casa, e eu e a Aline dormíamos no chão da sala. Numa noite eu acordei para ir no banheiro e ela estava dormindo de bruços, destapada. A camisola tinha subido e eu tive aquela visão da calcinha, da bunda, das pernas - à vista desde os pés até a calcinha. Depois houve outras duas revelações. Uma foi voltando do mar. A conversa era sobre a areia que entra nas roupas de banho. Andávamos pela rua lado a lado, e ela então colocou o biquíni para a frente a fim de mostrar a areia. Vi os pequenos seios de uma menina de 11 ou 12 anos. A segunda também foi na praia, também foi dos seios. Havia aquela geleca de brincar, uma gosma que a gente fazia de tripas. A minha era verde. Um dia ela levantou a camiseta para colocar a geleca na barriga. Levantou até aparecerem os seios.
O sol me alegra. E ele deixa as pessoas bonitas mais bonitas. O sol me dá ânimo para visitar os amigos. Ele chama a atenção para a natureza, é isto. Ele chama a atenção para a vida. Eu gosto dos dias de sol. Principalmente na serra, ou na praia, ou aquelas manhãs de primavera com 15 graus e um solzinho. Dias de sol com uma visibilidade mais límpida, talvez por causa de um ar mais seco. Até ler no sol é mais legal. E comer bergamota, como gosta a Manuela. Um show de rock à luz do sol, como o do Sonic Youth no Tibetan Freedom. O sol combina com água, e os dois fazem juntos um espetáculo ótico. Ele deixa até a paisagem morta mais bonita, com os contrastes de luz e sombra: os edifícios da metrópole. Ver o sol ao acordar me faz iniciar feliz o dia, cheio de esperança. O contrário - ver a noite ao acordar - dá uma sensação não-boa, ainda mais quando se adormece antes do amanhecer e se acorda depois do anoitecer. As estrelas me inspiram, e o sol é a maior delas.
"elas são muito queridas! elas me presenteiam com pulos-mergulhos e colocam as patinhas para dentro quando estão pegando sol." (manu)
Atualização da minha morte anunciada:

New comment on your post #834.

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comment:
é hoje q tu morre seu coloninho bixa. hahahahahahaha
recalque s.m. (Psic.) Ação ou efeito de excluir do domínio da consciência idéias, sentimentos, desejos, que vão se instalar no subconsciente.
inveja s.f. Sentimento de desgosto pelo bem dos outros; ciúme.

segunda-feira, 23 de junho de 2003

Hoje eu pilotei um extintor de princípio de incêndio de pó químico seco. Combati e venci uma labareda de fogo de gasolina dentro de um semitonel. Eu faço parte da brigada de incêndio do centro administrativo estadual. Aprendi muitas coisas sobre fogo. Sexta-feira é a aula de primeiros-socorros.
20/06/2003 08:38
tive também meu primeiro contato com o ventura: douglas cantando (pensando em manu :D). depois o cd em si. moito bom!
"eles já falaram muito sobre desilusões amorosas. estava na hora de eles começarem a falar sobre o exercício do amor." (douglas, sobre o ventura)
perfeito!
enviada por jamile

enviado por: Leonardo Fleck
Bonito, mas seria temporário.

enviado por: jamile
quem sabe no próximo disco eles não falam de desilusões de novo...

enviado por: dudu
o exercicio do amor é temporario... o amor nao é eterno, por mais q dure...

enviado por: jamile
é verdade...

enviado por: Leonardo Fleck
Camus.

enviado por: Douglas Dickel
Vocês nunca sentiram a eternidade?
"A beleza dos significados da palavra Blanched continua a me surpreender." (Daniel Galera)
Perry Farrel* é um filho da puta.

(*Segundo a Manuela, ele criou este sobrenome para que seu nome inteiro soasse como "periférico", pois ele gosta de tal conceito. Encontrei no chão do banheiro dos sogros a revista Capricho de 1994 que é fonte de tal informação. Na mesma edição tem um textinho sobre o Edu K, na época com 24 anos.)
O Velhoze indicou-me o blog do Falouedisse, que contém a resolução do problema dos acentos que surgiu com o new.blogger. Eis que está resolvido! Obrigado.
Eu vou morrer no show dos Los Hermanos. Digam tchau.

segunda-feira, 23/06/2003
Prepara uma avenida

É amanhã o show dos Los Hermanos no Opinião. Ingressos antecipados à venda na locadora TV3 (Venâncio Aires, perto do HPS) e início marcado pras 23h. (Vou me postar à frente do Marcelo Camelo.)
[ por Douglas Dickel às 11:06:08 ] [ há 5 comentários ]

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comment:
então é la q tu vai tomar uma ruim, sua bixa desgraçada, te prepara.

Desde o Fórum eu não vejo a Belle. A Belle está com um fotolog.

sexta-feira, 20 de junho de 2003

(ATENÇÃO: o post abaixo não é fantasia. Sério.)

Parecia que havia uma mosca na minha orelha. Dei um tapa nela e percebi que uns cabelos estavam por ali, então achei engraçado eu confundir cabelo com mosca. Senti mais uma cosquinha, desta vez do outro lado da cabeça - o esquerdo. Pensei "Putz, que mosca!". Saí do banheiro e fui para o setor onde eu trabalho. Sentei numa mesa perto da janela e do sol, para anotar de quais as poses do negativo da Jamile eu iria pedir cópias. Notei na minha camiseta amarela com Sobre Verdade E Mentira, do Nietzsche, uma aranha. Uma aranhinha. Dei um toque de tampkin-cross nela e fiquei observando-a na mesa ao lado. Imaginei que eu sou o Tobey Maguire e que vou virar o Homem-Aranha. Uma vez um menininho na sala de espera do pediatra disse para a mãe dele "Olha ali mãe: o Homem-Aranha!", só porque eu usava três tipos de aparelhos ortodônticos externos - naquela consulta mesma o Sérgio Crestana indicou-me outro ortodontista. Desci para mandar fazer as cópias e, ao atravessar a Perimetral, vi que infinitas e imensas teias-de-aranha estão sobrevoando a superfície. Fui na foto e fui e no super. Comprei 4 pilhas alcalinas plus ray-o-vac, 2 isqueiros criquet mini (1 azul e 1 amarelo), 1 pasta de dente colgate ação total e 1 caixa com 75 cotonetes. Caminhando de volta ao Centro Administrativo, uma teia-de-aranha COM UMA ARANHA ATINGIU-ME.
E o Blogger mudou de novo. Agora está uma cruza do velho com o primeiro novo. O problema dos acentos continua. E parece que agora todos os meus blogs estão "novos", o que é ruim; até então era só este, o douglasdickel, o mais antigo.
"E eu, que já não sou assim muito de ganhar, levo as mãos ao meu redor e faço o melhor que sou capaz só pra viver em paz." (Marcelo Camelo)
No almoço eu bebi dois copos de suco de limão e na janta eu bebi dois copos de suco de laranja. Frutas filhas da puta! Estão eleitas, respectivamente, minha melhor fruta do mundo e minha segunda melhor fruta do mundo. Na janta eu comi buffet de sopas, nada mais apropriado para as bolas que eu tenho nas alas da minha garganta, graças ao Charles Salvador. Eram capeletti, minestroni e lentilha! Cinco pilas somente, mas o suco de laranja-de-ouro custa R$ 1,60 cada copo (senão eu teria tomado três copos).

quinta-feira, 19 de junho de 2003

John Lydon é um filho da puta. (A Jamile acabou de me ensinar que a banda P.I.L. tem o dito cujo* como vocalista.) *Expressão em homenagem ao Charles Pilger, que também está aqui neste momento.

The Beatles, I am the walrus: "Sitting in an English garden waiting for the sun."

Nei Van Soria, Jardim inglês: "Fico sentado no jardim inglês. Pode ser que eu não saia daqui nunca mais."
Interpol é a melhor banda do mundo.
Lee Ranaldo e Michael Stipe têm a mesma (INACREDITÁVEL) voz.
Estou com amigdalite.

quarta-feira, 18 de junho de 2003

Percebi uma coisa triste: eu não me lembro quando foi a última vez que eu conversei com uma criança.

Hoje, vindo para o trabalho, passaram por mim duas menininhas pobres e a sua mamãe. A primeira menina me chamou a atenção pela beleza, e então eu fiquei olhando para ela, enquanto ela passava. A outra menininha, que vinha logo atrás, deve ter percebido os meus olhos e me deu oi. Dei oi para ela. Fiquei feliz.
Na verdade, só existe um instante, que é agora. E é a eternidade. É um instante no qual Deus está apresentando a seguinte pergunta... "Você quer fundir-se com a eternidade, você quer estar no paraíso?" E estamos todos dizendo: "Não, obrigado. Ainda não." Logo, o tempo é apenas o constante não que dizemos ao convite de Deus. Isso é o tempo. Não estamos em 50 d.C., como não estamos em 2001. Só existe um instante. E é nele que estamos sempre. Então ela me disse que esta é a narrativa da vida de todo mundo. Por detrás da enorme diferença, há apenas uma única história... a de se ir do não ao sim. Toda a vida é: "Não, obrigado. Não, obrigado." E, em última instância é: "Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito. Sim, eu me entrego." Essa é a jornada. Todos chegam ao sim no final, certo? (...) Dizer sim ao momento é dizer sim à toda a existência. (LINKLATER, Richard. Waking Life.)

terça-feira, 17 de junho de 2003

"Love is all and love is everyone. (...) And ignorance and hate mourn the dead. (...)" (LENNON, John. Tomorrow never knows.)
E do Portishead a minha preferida do mundo é All Mine, do Portishead Portishead. (Afinal, quando diabos sai o próximo disco?)
Coloquei novos MP3 no douglasdickel.IUMA.com:

Poliéster - Pós-rock (Ao vivo no BR-3.)
Supermozart - Nada (Produção caseira minha.)

domingo, 15 de junho de 2003

Everything In Its Right Place é a melhor música do Radiohead pós-OK Computer.

sexta-feira, 13 de junho de 2003

Quando eu não coloco link para o autor de uma citação que eu faço é porque já tem link para ele aqui na coluna da esquerda ou porque ele não tem blog ou qualquer outro site.
Costumavam usar o adjetivo "visceral" para rock tocado daquele jeito que quase te joga para trás quando você ouve, que é uma porrada pros teus ouvidos, como se os caras não tocassem com a habilidade, mas só com a vontade.

Mas vou dizer que visceral é a Blanched. No momento em que fico totalmente absorta quando os ouço, posso dizer que minhas vísceras reagem à música me deixando levemente enjoada. Isso é visceral, é ser tão tocante que embaralha o estômago e fecha a garganta.

O Douglas disse que ia por um rótulo debaixo do nome da banda assim: "rock emocionante". (Josiane Camarotto)
Tenho que registrar: o Pilla foi responsável pela assunção definitiva do nome Albatroz para o meu projeto-musical-de-um-homem-só. Motivos:

1. É uma ave que voa dormindo e dorme voando, e esta é uma boa metáfora para me representar. Além disso, albatrozes namorando é algo lindo.

2. Tem o vendedor de "Albatross!" (John Cleese), do esquete do Monty Python.

3. Tem "Overhead the albatross hangs motionless upon the air", da letra de Echoes, do Pink Floyd.

4. O Pilla gostou da idéia no lançamento do livro do Galera. E me chamou de Albatroz, esses dias, no Zelig. E eu gosto muito do Pilla.

quarta-feira, 11 de junho de 2003

mojo (comentando o post do Cardoso):

a blanched tá ABISSALMENTE boa.

o douglas é o MALUQUINHO DA GUITARRA. é muito massa quando ele começa a soltar a mão na desgramada. sabe tudo, o guri.

a banda já era boa antes, mas com o dickel e o gal ficou ó, CRASSE AAA.
A humanidade é burra. Um velho cutucou uma moça que estava sentada no banco do trem reservado para idosos, gestantes, deficientes e pessoas com crianças no colo. Ele fez a moça sentir-se constrangida e apontou para uma grávida que estava de pé, com cara de braba e os braços cruzados. Primeira dificultação. A moça levantou-se para ceder o lugar, mas a grávida permaneceu imóvel, com a mesma cara e os mesmos braços. Segunda dificultação. E o espaço permaneceu vago até que alguém, sem criança dentro ou fora da barriga, sem deficiência nem idade avançada, resolveu sentar. A humanidade sente prazer com a dificultação. Quando algo dá errado, faz questão de estragar mais ainda. Não se conforma e não percebe que depois do estrago só resta conformar-se e perceber que o estrago não foi nada, que ele não é nada. Que o verdadeiro estrago está no estômago acidulado pela burrice e a falta de autocontrole e a falta de preocupação com o bem-estar de si e dos queridos. E no aborrecimento, que o estragado ansia por promover, daqueles ao redor que ainda não estão acidulados. Ele trata de fazer com que o máximo de outros possível iguale-se a ele, para sentir-se melhor, em vez de tratar de si mesmo. Não há nada com que se preocupar. Tudo o que já foi feito não tem como evitar, então resta esquecer do fato PASSADO. Isso pode chamar-se otimização do estado de espírito.
Ventura, depois de 11 audições. Está sendo como a fita do Astromato, que eu achei ruim mas que não consegui parar de ouvir e fui me apaixonando. O fato é que a primeira coisa em que eu presto atenção num disco é o geral-com-ênfase-nos-arranjos, e o Ventura contém poucas guitarras rock. A principal conclusão a que cheguei até agora é que o Marcelo Camelo está compondo bem melhor do que o Rodrigo Amarante; não tem como não perceber a genialidade das melodias do rapaz, e até as letras dele estã melhores. Das 15 músicas do CD, estou gostando de 7 - todas do Camelo:

2. O vencedor
3. Tá bom
7. Cara estranho
10. O pouco que sobrou
11. Conversa de botas batidas
13. Do lado de dentro
15. De onde vem a calma

terça-feira, 10 de junho de 2003

Eu, a música e a literatura. Hoje e amanhã.
"Por um fenômeno muito caro àqueles que procuram padrões em meio ao caos, pode-se às vezes focalizar uma palavra específica, depois ouvi-la ou ler sobre ela em vários lugares diferentes, dentro de um curto período. Ou a palavra sempre esteve lá, e é notada simplesemente porque os sentidos da pessoa foram alertados, ou, numa abordagem mais mística, fragmentos de linguagem parecem espalhar-se como sinais vindos do alto." (DE BOTTON, Alain. Nos mínimos detalhes.)

segunda-feira, 9 de junho de 2003

"E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão
sabe que eu te encontrei." (Rodrigo Amarante)
"Eu, que já não quero mais ser um vencedor
levo a vida devagar pra não faltar amor." (Marcelo Camelo)
Com quem já me acharam parecido - nova atualização:

- Cláudio Dickel
- Cláudio Heinrich
- Carlos Alberto Ricceli
- Brad Pitt
- Beavis
- Daniel Feix
- Liam Gallagher
- Mateus Nachtergaele
- Andy Kaufman
- Moby
- Christopher Lloyd
- Ewan McGregor *NEW*
Estou me bombardeando com Ventura. Tentando gostar.
Sorvete de queijo é MUITO BOM. Tem na sorveteria Rei, em Taquara. Os sabores perfeitos de sempre de lá são café e limão.
"A comunicação é isso: alguém que eu não conheço muito bem, ou não conheço mesmo, me puxa o braço e diz, meio constrangido: véio, eu li teu livro, e... aí entra um silêncio, a pessoa não consegue explicar o que achou do livro, o que queria dizer pra mim, o motivo pelo qual me procurou pra fazer o elogio.(...) Porque eu SEI o que a pessoa queria me dizer e não conseguiu. Este silêncio é a comunicação fechando o ciclo. É o retorno cifrado da mensagem cifrada que eu distribuí nas livrarias. É o final do processo que se iniciou há mais de um ano, quando a idéia do livro começou a se formar na minha cabeça. (...) É a mesma experiência que se tem na outra ponta, na posição de leitor. Aquele arrebatamento que segue à leitura de um bom conto, poesia ou romance. Tu termina o texto e pára. É o instante de silêncio. É a comunicação. Naquele instante, o autor do livro enfiou a mão dentro do teu coração, e ficou segurando por alguns segundos. Depois ele solta, e tu vai fazer outra coisa. E uma mensagem cifrada foi transmitida, dele para o leitor. A mensagem não pode ser decifrada. O algoritmo está embutido no próprio ato de escrever e ler." (Daniel Galera)
Eu sofro por uma maldição que se abate sobre mim: a de os meus sonhos demorarem a se sincronizar com o meu tempo presente. Eu ainda não sonhei com a Manuela! - pelo menos daqueles sonhos que a gente lembra quando acorda. De anteontem para ontem, eu estava sonhando com ela. Acordei e levantei para ir no banheiro e pensei que eu não podia esquecer o sonho. Dormi de novo. Então sonhei que estava contando para a Manuela que eu havia sonhado com ela, mas que eu não me lembrava do sonho. Acordei e não lembrava mesmo. Ainda não foi dessa vez...
Mote é a melhor música do mundo (para mim) dentre todas as melhores músicas do mundo, definitivamente. É a faixa 5 do Goo, do Sonic Youth, e é o Lee Ranaldo que canta. Foi a fita que eu ouvi ontem no caminho para a casa da Manuela. Fita presenteada a mim pelo Felipe Dreher.
Revolução. O Marcos me ensinou a fazer animação em gif. Aprendi para poder realizar meu primeiro FILME: Meu Poema Dos Teus Olhos. (Olha, agora eu sou um cineasta.)
O ponto alto do fim de semana enquanto-Manuela-estava-em-Nova-Prata foi a minha mãe ter estado no ensaio da Blanched. Ela foi para saber onde fica (e levar lá eventualmente as roupas que eu deixo com ela para lavar e passar) e levar umas bergamotas. Entrou no estúdio para ver apenas uma música: e foi Cada Um. Toda aquela seqüência de instrumentos entrando e depois saindo, chega o momento do pandemônio. Eu não via a hora de ele chegar. Quando chegou, eu olhei para a minha mãe, e ela estava balançando a cabeça afirmativamente. Terminada a música, comentei que entramos muito bem naquela parte. E que eu me arrepiei. E a minha mãe também disse que se arrepiou. (Mais uma ocorrência que comprova a minha tese de que a música da Blanched, a música em geral feita para provocar sensações que deixem "marcas indeléveis na pele", é universal, diante da qual não tem como ficar indiferente. E este é um dos principais objetivos da arte.)

sexta-feira, 6 de junho de 2003

Estou famoso na Procuradoria-Geral do Estado porque eu sou a única pessoa em toda a história do órgão que, na folha-ponto, justificou assim uma falta: "Problema pessoal da maior gravidade (anúncio de separação). Sem condições psicológicas para trabalhar. Sem coordenador para solicitar dispensa. Sem atestado médico para esse tipo de dor." (Isso foi lá em janeiro deste ano.) Os colegas consideraram-me corajoso por registrar "esse tipo de dor" num documento que seria aprovado (ou não, mas foi) pelo coordenador da procuradoria específica onde eu trabalho e, depois, usado como base para o pagamento do meu salário e arquivado na equipe de recursos humanos. Cristine Leão, uma procuradora que já não é mais minha colega, mas é minha amiga, disse ontem, numa festinha dos colegas: "Eu acredito na evolução da espécie e aqui está um exemplo", apontando para mim. Os colegas estão prometendo fazer uma comitiva para me ver tocando na Blanched, terça-feira. Ontem eu toquei gaita-ponto para eles...
"Chefes (=superiores hierárquicos recalcados) são como nuvens: quando vão embora, o dia fica bonito."

quinta-feira, 5 de junho de 2003

Filhos da puta (agora é no mau sentido)! Mudaram o Blogger. O visual e o sistema. Eu era apaixonado pela fonte do redator de posts antigo, tanto que fazia questão de escrever online, nele. Agora ela é feia. Não bastasse isso, agora os acentos não funcionam. Tive que dar um republish all no meus posts e, olha só, todos os acentos transformaram-se em pontos de interrogaç?o. Isso quer dizer que vão ficar assim ou eu vou perder muito tempo consertando os acentos de post em post, isto é, usando os &_acute; e &_tilde; etc (o underline é a variável das vogais). Mais um inconveniente: não dá para publicar direto, tem que passar pelo preview your post antes.
Quarta que vem, eu, o Muriel Paraboni e o Rafael Brum Ferretti vamos participar do Escritores Que Tocam/Músicos Que Escrevem, no Zelig. Nós três vamos revezar nos instrumentos e nas leituras, por uns 15 minutos. Ontem ensaiamos na casa do Rafa (que era o dono do histórico Sub Jazz e já havia tocado comigo na Larissa No Penhasco). Imprimimos textos do Muriel em folhas de rascunho. Nos versos, eram páginas de uma tese. O Muriel perguntou para o Rafa se a mãe dele está fazendo mestrado ou doutorado. "Doutorado em História. Mas ela é professora de Sociologia na Unisinos." Perguntei o nome dela, porque estranha e imediatamente comecei a achá-lo parecido com alguém que eu já tinha visto. Rosemary Brum. "É esta aqui", mostrou-me no porta retrato. "Ela foi minha professora!", confirmei. "Todo mundo achava que ela era louca", comentei. "Que afudê", ele disse. Logo ela chegou em casa. Que bizarro. Foi para um trabalho que ela pediu que eu li coisas de caras como Locke, Hobbes, Kant e Montesquieu.

quarta-feira, 4 de junho de 2003

A coisa mais surpreendente que eu vi nos últimos tempos é o videoclipe de There There - o novo do Radiohead. O Thom Yorke é um bichinho esquisito e ele entra na toca de coelhinhos bizarros. Tem efeitos de 3D (idêntico ao provocado algumas vezes pela celebração na minha visão) e de quadro-a-quadro (para deixar os movimentos de bichinho do Thom Yorke ainda mais esquisitos). Eu ainda preciso ver os clipes do Kid A e do Amnesiac.

terça-feira, 3 de junho de 2003

A primeira gravação da Supermozart, com a minha "produção", está pronta. A música chama-se Nada, e agora só falta cuidar dos detalhes e mixar.
Repito: Lee Ranaldo é um filho da puta.
Subject: MD
Date: Mon, 2 Jun 2003 19:11:22

Oi douglas
Espero que não se importe.
Fiz uma canção sobre você+manu.

Arthur Bandeira. Fico lisonejado. Confira a letra .

segunda-feira, 2 de junho de 2003

Muriel Tem gente que não falaria sobre estes assuntos.
Douglas Eles não são livres.
Muriel Pelo menos dentro de mim eu sou livre.
Douglas Então tu é livre - ponto. A única liberdade possível é esta.
Muriel Pelo menos 50% desta minha liberdade se deve à nossa amizade.

Abaixo a cabeça e fico sem palavras.
"Eu e a Andréia estávamos conversando sobre ti e chegamos à conclusão de que o ponto central da tua vida é o amor: tu faria qualquer coisa por amor." (Muriel)

"Bem-vindo ao clube." (Manuela)
"Tu não imagina o bem que a Madi fez pra ti: transformação." (Suzin)
No blog meu-e-da-Manuela, uma foto virtualmente inédita do show do dia 17 recentemente escaneada minha-e-da-Manuela.
A memória é o meu maior trunfo, eu costumo falar isso. Ela é o Super Trunfo: aquela carta do baralhinho que ganhava de todas as outras. Eu Tenho o poder de supervalorizar um momento, uma sensação, um sentimento. Potencializar, intensificar. A memória. Colecionando memórias intensas por meio do desfrutamento intenso do agora, eu acabo tornando a minha vida sagrada, fazendo dela a minha religião - eu não estou fazendo nada na vida além de viver. Domingo, uma nostalgia manifestando-se plenamente em mim provocou algo indizível, uma espécie de transcendência única, uma experiência primeva na minha vida. Foi uma visita ao colégio onde eu estudei pelos dez anos mais importantes de formação da minha personalidade, do meu repertório de emoções e imaginações. Dez anos depois da última vez. Quando eu e o Muriel, que foi meu colega desde a terceira série, avistamos o pátio, da janela do corredor, as lágrimas tomaram os olhos e um arrepio absurdo tomou os póros dos braços. Pela visão em si e pela consciência de que abalos maiores ainda iriam acontecer em nós naquele final de tarde. Descer até o pátio foi mágico. Fui em direção a uma escada que lembrei que servia de assento para eu tomar o meu toddynho ou comer o meu pingo d'ouro. Sentei, sozinho, exatamente onde eu sentava, e então veio a tempestade cinematográfica interior: um choro desesperado, uma percepção devastadora. Eu me senti sendo eu naquele momento e sendo eu em todos os momentos anteriores em que estive sentado ali, naquele degrau. Tive a percepção de toda a minha existência. Dei-me conta de que eu sou um novo homem sem deixar de ser quem eu sempre fui. Todas as transformações ocorrem de acordo com as potencialidades da minha alma. Está tudo aqui dentro, é só puxar mais este lado ou mais aquele outro. Posso eu mesmo puxar; pode outra pessoa puxar. Chorei pela impotência de não poder voltar mais àquele meu tamanho que fazia tudo parecer maior do que hoje parece. Chorei de felicidade por eu ter feito o meu caminho, e não há nada mais bonito do que fazer o próprio caminho. Chorei por eu ainda ser aquele menino, ainda sentar e caminhar e me mexer do mesmo jeitinho. Chorei por todos os temporais e por todos os sóis, e principalmente pelo sol que agora me ilumina. O choro foi convulsivo mesmo. Foi extasiante. Levantei, com os olhos inchados e vermelhos, e caminhei por todos as escadas e trilhas daquele colégio, reconhecendo cada detalhe, de cada ângulo. Eu lembrei exatamente de todos os cantos. Que coisa louca! Estava escurecendo. Eu, o Muriel, o Suzin e o Pituca - os quatro visitantes - fomos até a sala onde fizemos o terceiro ano. Puta que pariu. Sentei na minha classe e lembrei onde sentava cada colega meu. Havia dois espelhos de classe na parede da sala: o da turma da manhã e o da turma da tarde, ambas de sexta série. Escrevi no quadro-negro: Juliana e Augusto: eu sentava no lugar de vocês em 1993. douglasdickel@...