|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Voom Portraits (Robert Wilson)
Santander Cultural, Porto Alegre
Minha ordem de preferência.
01. Gao Xingjian
02. Marianne Faithfull
03. Dita Von Teese
04. Ivory
05. Steve Buscemi
06. Lucinda Childs
07. Johnny Depp
08. Alan Cumming
09. Isabelle Huppert
10. William Pope L.
11. Norman Paul Fleming
12. Brad Pitt
13. Zhang Huan
14. Jeanne Moreau
15. Isabella Rossellini
Santander Cultural, Porto Alegre
Minha ordem de preferência.
01. Gao Xingjian
02. Marianne Faithfull
03. Dita Von Teese
04. Ivory
05. Steve Buscemi
06. Lucinda Childs
07. Johnny Depp
08. Alan Cumming
09. Isabelle Huppert
10. William Pope L.
11. Norman Paul Fleming
12. Brad Pitt
13. Zhang Huan
14. Jeanne Moreau
15. Isabella Rossellini
De anônimo para Zeca Camargo: "Senna um herói? Por quem ele morreu? Que vidas salvou? Que grande feito relevante para a sociedade ele cometeu?"
Veja - O filme mostra três pontos de vista: o de Zuckerberg, o do brasileiro Eduardo Saverin e o dos gêmeos Winklevoss (ex-estudantes de Harvard que alegavam que Zuckerberg roubara deles a ideia do Facebook. Na Justiça, os gêmeos ganharam a causa e 65 milhões de dólares). Em sua opinião, qual dos três lados têm razão?
Jesse Eisenberg - Eu fiquei seis meses trabalhando no ponto de vista do meu personagem. Eu acho que todos os envolvidos na trama possuem bons argumentos, mas nenhum deles foi tão criativo quanto Zuckerberg, principal responsável pelo desenvolvimento do site. Os demais personagens estavam mais interessados em frutos financeiros do que no próprio projeto.
O que você aprendeu com o filme?
Aprendi que a verdade é muito complicada. Quatro pessoas brigam alegando serem as donas da ideia. Não há um personagem certo ou errado. Todos têm alguma razão, mesmo que não concordem entre si.
Seu nome tem sido cotado para o Oscar, devido a sua atuação em A Rede Social. Como você se sente a respeito?
Fiquei ao mesmo tempo surpreso e chocado com tamanha repercussão.

"Mais tarde, Saverin foi processado pelo Facebook por interferir nos negócios da empresa. Segundo relatos de Bilionários por Acaso, Zuckerberg queria diminuir a participação do brasileiro nos ganhos totais: de 24% para 0,3%. Saverin, perplexo com a atitude do ex-amigo, reagiu: abriu processo contra a empresa – vencendo, posteriormente. Hoje, Saverin detém 5% do Facebook, o que lhe credencia a integrar o posto de 356º homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 1,15 bilhão de dólares, segundo a Forbes. Zuckerberg, com 6,9 bilhões de dólares, é o 35º, à frente de poderosos da tecnologia como Steve Jobs (42º)."
Jesse Eisenberg - Eu fiquei seis meses trabalhando no ponto de vista do meu personagem. Eu acho que todos os envolvidos na trama possuem bons argumentos, mas nenhum deles foi tão criativo quanto Zuckerberg, principal responsável pelo desenvolvimento do site. Os demais personagens estavam mais interessados em frutos financeiros do que no próprio projeto.
O que você aprendeu com o filme?
Aprendi que a verdade é muito complicada. Quatro pessoas brigam alegando serem as donas da ideia. Não há um personagem certo ou errado. Todos têm alguma razão, mesmo que não concordem entre si.
Seu nome tem sido cotado para o Oscar, devido a sua atuação em A Rede Social. Como você se sente a respeito?
Fiquei ao mesmo tempo surpreso e chocado com tamanha repercussão.

"Mais tarde, Saverin foi processado pelo Facebook por interferir nos negócios da empresa. Segundo relatos de Bilionários por Acaso, Zuckerberg queria diminuir a participação do brasileiro nos ganhos totais: de 24% para 0,3%. Saverin, perplexo com a atitude do ex-amigo, reagiu: abriu processo contra a empresa – vencendo, posteriormente. Hoje, Saverin detém 5% do Facebook, o que lhe credencia a integrar o posto de 356º homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 1,15 bilhão de dólares, segundo a Forbes. Zuckerberg, com 6,9 bilhões de dólares, é o 35º, à frente de poderosos da tecnologia como Steve Jobs (42º)."
domingo, 28 de novembro de 2010
Violência no Rio: a farsa e a geopolítica do crime
(José Cláudio Souza Alves)
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.
* José Cláudio Souza Alves e sociólogo, Pró-reitor de Extensão da UFRRJ e autor do livro: Dos Barões ao Extermínio: Uma História da Violência na Baixada Fluminense.
(José Cláudio Souza Alves)
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.
* José Cláudio Souza Alves e sociólogo, Pró-reitor de Extensão da UFRRJ e autor do livro: Dos Barões ao Extermínio: Uma História da Violência na Baixada Fluminense.
sábado, 27 de novembro de 2010
Ser alegre (muito melhor do que ser feliz) é gostar de viver mesmo quando a vida nos castiga
(Contardo Calligaris)
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; 2) quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes.
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.
(Contardo Calligaris)
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; 2) quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes.
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.
Lembrando o insuperável disco 'A coerência é uma armadilha', dos Frank Poole.
"Posso respeitar a tenacidade corajosa de quem se mantém fiel a suas convicções, mas no que ela difere da teima de quem se esconde atrás dessa fidelidade porque não sabe negociar com quem pensa diferente e com o emaranhado das circunstâncias que mudam? Aplicar princípios e nunca se afastar deles é uma prova de coragem? Ou é a covardice de quem evita se sujar com as nuances da vida concreta? (...) Alguém dirá: espere aí, então a fidelidade a princípios e valores não é uma condição da moralidade? Estou lendo (vorazmente) 'O Ponto de Vista do Outro', de Jurandir Freire Costa. O livro é, no mínimo, uma demonstração de que a forma moderna da moral não é o princípio, mas o dilema. E, no dilema, o que importa não é a fidelidade intransigente a valores estabelecidos; no dilema, o que importa é, ao contrário, nossa capacidade de transigir com as situações concretas e com os outros concretos. A coerência é uma virtude só para quem se orienta por princípios. Para o indivíduo moral, que se orienta (e desorienta) por dilemas, a coerência não é uma virtude, ao contrário, é uma fuga (um tanto covarde) da complexidade concreta. Oscar Wilde, que é um grande fustigador de nossas falsas certezas morais, disse que a coerência é o último refúgio de quem tem pouca fantasia e, eu acrescentaria, de quem tem pouca coragem." (Contardo Calligaris)
"Posso respeitar a tenacidade corajosa de quem se mantém fiel a suas convicções, mas no que ela difere da teima de quem se esconde atrás dessa fidelidade porque não sabe negociar com quem pensa diferente e com o emaranhado das circunstâncias que mudam? Aplicar princípios e nunca se afastar deles é uma prova de coragem? Ou é a covardice de quem evita se sujar com as nuances da vida concreta? (...) Alguém dirá: espere aí, então a fidelidade a princípios e valores não é uma condição da moralidade? Estou lendo (vorazmente) 'O Ponto de Vista do Outro', de Jurandir Freire Costa. O livro é, no mínimo, uma demonstração de que a forma moderna da moral não é o princípio, mas o dilema. E, no dilema, o que importa não é a fidelidade intransigente a valores estabelecidos; no dilema, o que importa é, ao contrário, nossa capacidade de transigir com as situações concretas e com os outros concretos. A coerência é uma virtude só para quem se orienta por princípios. Para o indivíduo moral, que se orienta (e desorienta) por dilemas, a coerência não é uma virtude, ao contrário, é uma fuga (um tanto covarde) da complexidade concreta. Oscar Wilde, que é um grande fustigador de nossas falsas certezas morais, disse que a coerência é o último refúgio de quem tem pouca fantasia e, eu acrescentaria, de quem tem pouca coragem." (Contardo Calligaris)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Personally, I think a lot of these animal rights causes smell a bit. Of course people should treat animals with respect. They shouldn't be used to test cosmetics or used to make music videos. But I don't get the difference between eating some carrots and eating a rabbit. How much difference is there between cutting down trees to make a book and cooking up a lamb chop? Don't misunderstand - I think groups like Greenpeace have done many brilliant things. But there are also problems with Greenpeace. When the orginization began, many of its members were from Germany. For them to march into Greenland and tell the indigenous people to stop killing seals is completly ridiculous. What right have these people, from big industrial cities like Frankfurt, which contribute a lot of pollution, to tell people who live in harmony with nature not to eat seals? What are they supposed to eat? Snow?" (Björk)
EMPREGADO - CLT, Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Conceito do Professor Sérgio P. Martins: é uma pessoa física que presta serviços de natureza contínua a empregador, sob a subordinação deste, mediante pagamento de salário e pessoalmente. Requisitos:
a) Pessoa física;
b) Não-eventualidade, habitualidade;
c) Dependência: sujeição do empregado ao empregador;
d) Salário, montante pago ao empregado;
e) Pessoalidade: a obrigação do empregado é personalíssima perante o empregador;
f) Subordinação.
a) Pessoa física;
b) Não-eventualidade, habitualidade;
c) Dependência: sujeição do empregado ao empregador;
d) Salário, montante pago ao empregado;
e) Pessoalidade: a obrigação do empregado é personalíssima perante o empregador;
f) Subordinação.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Mais vitórias em uma temporada
McLaren 1988 15/16 94%
Mais vitórias consecutivas
McLaren 1988 11
Mais pole positions em uma temporada
McLaren 1988 15/16 94%
McLaren 1989 15/16 94%
Pole positions
1 Michael Schumacher 1991-2010 68/263 25%
2 Ayrton Senna 1984-1994 65/162 40%
Pole positions consecutivas
1 Ayrton Senna 8 1988–1989 Grande Prêmio da Espanha de 1988–Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1989
2 Ayrton Senna 7 1990–1991 Grande Prêmio da Espanha de 1990–Grande Prêmio de Mônaco de 1991
Tricampeão mais jovem
Ayrton Senna 1988, 1990 e 1991, aos 31 anos e 227 dias
McLaren 1988 15/16 94%
Mais vitórias consecutivas
McLaren 1988 11
Mais pole positions em uma temporada
McLaren 1988 15/16 94%
McLaren 1989 15/16 94%
Pole positions
1 Michael Schumacher 1991-2010 68/263 25%
2 Ayrton Senna 1984-1994 65/162 40%
Pole positions consecutivas
1 Ayrton Senna 8 1988–1989 Grande Prêmio da Espanha de 1988–Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1989
2 Ayrton Senna 7 1990–1991 Grande Prêmio da Espanha de 1990–Grande Prêmio de Mônaco de 1991
Tricampeão mais jovem
Ayrton Senna 1988, 1990 e 1991, aos 31 anos e 227 dias

A sinfonia de Lou Reed
Lulina)
Quando anunciaram que Lou Reed faria show do Metal Machine Music no Brasil, boa parte dos fãs ficou um tanto decepcionada. O álbum de 1975 foi considerado na época de seu lançamento o pior disco do mundo. Composto só de noise, sem vocais, até chegou a ser recolhido das lojas. Ouvi muito fã comentando que era um desperdício um músico tão conceituado, com canções tão maravilhosas, vir ao país só para fazer barulho na guitarra. Para a minha própria surpresa – pois também esperava ouvir apenas noise sem sentido -, o show de Lou Reed foi não só um dos mais bonitos e profundos que já vi na vida, como um dos momentos mais preciosos que já vivi com música. Em poucos minutos de show, me convenci de que não poderia haver álbum melhor para se assistir ao vivo do que esse.
A idéia que a maioria tem de show é de algo bem ensaiado, organizado, amarrado. Algo que seja uma cópia o mais fiel possível do disco que você tanto gosta, das canções que você já sabe de cor. Mas, diferentemente de assistir a um artista reproduzindo um disco, quem estava no Sesc Pinheiros nos dias 20 e 21 de novembro teve a oportunidade única de ver Lou Reed em meio a seu processo criativo, experimentando à vontade, como se estivesse criando em estúdio. Ele orquestrava seus músicos, trocava de guitarra várias vezes, testava pedais e botões, mas nunca de forma aleatória. Espaços de criações se alternavam com o de execuções extremamente técnicas e planejadas. Harmonias, ritmos e texturas brincavam com intensidades e vazios, prendendo a atenção até de criancinhas que vi na plateia. Tudo fluía de forma tão singela que o resultado final era de pura paz no ambiente. Mesmo nos momentos de noise, a sensação era de calma e tranquilidade. (...)
No final, ele levantou com sua guitarra e ficou parado encarando o público, diante dos aplausos, com uma presença de palco de uma humildade quase sobrenatural. (...)

Marina Abramovic - Existem muitos centros de performance no mundo e a especificidade do meu serão trabalhos de longa duração, porque eu realmente acredito que apenas esse trabalhos têm a capacidade de mudar o artista ou quem o observa. Se você faz uma ação de uma hora, você ainda está atuando, mas depois de seis horas, tudo desmorona, torna-se verdade essencial. E para mim, esse tipo de verdade é muito importante. Posso dar um exemplo muito simples: pegue uma porta e abra ela constantemente, sem entrar ou sair. Se você faz isso por três, cinco minutos, isso não é nada. Mas se você faz isso por três horas, essa porta não é mais uma porta, ela é um espaço, o Cosmos, se transforma em outra coisa, é transcendente. Em todas as culturas arcaicas, rituais e cerimônias eram repetidas sempre da mesma forma e existe um tipo de energia que fica alocada nessa repetição que afeta também o público. Isso só se consegue em performances de longa duração.
Folha Online - Esse seu raciocínio me faz lembrar que muitos dos artefatos usados por essas antigas civilizações eram apenas utensílios ritualísticos, religiosos, mas agora são denominados artísticos...
Acho que isso é um grande equívoco, porque acredito que o grande princípio da arte é que ela é uma ferramenta. Se arte é algo que só trata de um objeto, ela perde sua função. A arte tem que ser uma ferramenta para conectar ou questionar ou criar consciência no público, como qualquer outra coisa. Há uma ótima entrevista de André Malraux, quando ele era ministro da Cultura, na França, com Picasso, acho que nos anos 1950. Ele perguntou a Picasso porque ele tinha tantas máscaras africanas e ele respondeu que as máscaras eram muito importantes porque elas eram a chave, a ferramenta para os humanos se comunicarem com as forças divinas, com os espíritos, o desconhecido; e ele queria aprender a fazer o mesmo com suas pinturas. Eu acredito que a performance também é uma ferramenta, e por isso os objetos, eles mesmos, não tenham valor. Quem tem valor é o processo e quando você passa por uma experiência, existe a transformação. Então a arte está completa.
No próximo ano você prepara uma peça com Robert Wilson, "The Life and Death of Marina Abramovic", certo?
Ela é a continuação de uma única peça que tenho feito e que é sobre minha vida, "Biografia". Comecei em 1989, com Charles Atlas, e a cada cinco ou seis anos, eu a refaço com um novo diretor, e eu cedo todo meu material, sem nenhuma condição. Com a direção do Robert Wilson, o Willem Defoe será o narrador e o Antony, do Antony & The Johnsons, está fazendo a música.
marcadores:
arte,
entrevistas,
performance
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Androginia dissecada.

http://www.youtube.com/watch?v=gF16s_pZaVs


http://www.youtube.com/watch?v=d48uEFj55UI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=V5-KqMFblo8&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=W2d511I7LJU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=NpIFFRNiYIc&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=jkmphIF4QD4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=aFqAN5F1nEE&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=gF16s_pZaVs


http://www.youtube.com/watch?v=d48uEFj55UI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=V5-KqMFblo8&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=W2d511I7LJU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=NpIFFRNiYIc&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=jkmphIF4QD4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=aFqAN5F1nEE&feature=related
Bodyspace - Há quanto tempo fazes música? Como foi que tudo aconteceu?
Computer Magic - Tenho feito música durante os últimos cinco meses. Cresci colecionando discos que nem uma louca, literalmente, discografias inteiras, isso, claro, se eu gostasse mesmo do artista ou da banda. Mas decidi começar a fazer música simplesmente para ver se conseguia. Nunca fui ensinada, por assim dizer, apenas ia compondo de ouvido… As canções de Computer Magic soam bem completamente por acidente, uma vez que eu não conheço a progressão de acordes adequada. Penso que isso faz, de certa forma, com que soe atabalhoado e bem ao mesmo tempo.
Computer Magic - Tenho feito música durante os últimos cinco meses. Cresci colecionando discos que nem uma louca, literalmente, discografias inteiras, isso, claro, se eu gostasse mesmo do artista ou da banda. Mas decidi começar a fazer música simplesmente para ver se conseguia. Nunca fui ensinada, por assim dizer, apenas ia compondo de ouvido… As canções de Computer Magic soam bem completamente por acidente, uma vez que eu não conheço a progressão de acordes adequada. Penso que isso faz, de certa forma, com que soe atabalhoado e bem ao mesmo tempo.
domingo, 21 de novembro de 2010
Proporção áurea, número de ouro, seção áurea, secção áurea, razão áurea, razão de ouro, divina proporção, proporção em extrema razão, divisão de extrema razão ou áurea excelência - é uma constante real algébrica irracional Trata-se do retângulo no qual a proporção entre o comprimento e a largura é aproximadamente o número Phi, ou seja, 1,618. Os egípcios utilizaram o número de ouro nas suas construções. Por exemplo, cada bloco da pirâmide era 1,618 vezes maior que o bloco do nível a cima. As câmaras no interior das pirâmides também seguiam essa proporção, de forma que os comprimentos das salas são 1,618 vezes maior que as larguras. Este número está envolvido com a natureza do crescimento. Phi (não confundir com o número Pi π), como é chamado o número de ouro, pode ser encontrado na proporção em conchas, seres humanos (o tamanho das falanges, ossos dos dedos, por exemplo), e até na relação dos machos e fêmeas de qualquer colmeia do mundo, e em inúmeros outros exemplos que envolvem a ordem do crescimento. Justamente por estar envolvido no crescimento, este número se torna tão frequente. E justamente por haver essa frequência, o número de ouro ganhou um status de "quase mágico", sendo alvo de pesquisadores, artistas e escritores. O fato de ser encontrado através de desenvolvimento matemático torna-o fascinante.
"Você amiguinho, que foi bem feliz na feira do livro esse ano, parabéns por ter apoiado esse belo evento que transforma o espaço público da cidade num shopping center a céu aberto, onde aparentemente não se tem o direito de permanecer se não for para consumir, e onde uma reles manifestação de ideias (e olha, nem parecem ideias muito 'perigosas') já rende uma visita de uma quantidade significativa de otoridades muito bem preparadas e esclarecidas. Parabéns e continue assim, amiguinho. Um grande evento, uma celebração da cultura - nosso bem de consumo preferido do momento." (Jéssica Preuss via Facebook)
marcadores:
filosofia,
literatura,
performance
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Distúrbio Comportamental do Sono REM
Caracteriza-se por uma falta da atonia muscular normal durante o período do sono quando acontecem os sonhos. Em um indivíduo normal os sonhos se desenvolvem durante um período em que a musculatura antigravitacional está completamente sem tônus. Isto faz com que o sonho, com qualquer conteúdo, não tenha qualquer repercussão na atividade daquele que sonha. Já no DCSR (Distúrbio Comportamental do Sono REM), o indivíduo atua durante o sonho, mostrando uma intensa atividade motora. O conteúdo onírico é habitualmente de aspecto persecutório e envolvendo grande perigo, o que facilita atuações violentas do indivíduo durante estes eventos. O paciente apresenta movimentos bruscos de braços e pernas, às vezes repetitivos ou ações complexas, como deambular, pular, correr e subir em objetos. É comum o indivíduo falar, gritar, sempre com conteúdo de apavoramento, lembrando o TN (Terror Noturno). O que diferencia do TN é o fato de o paciente apresentar uma lembrança muito viva do episódio, o que não acontece no TN. O DCSR pode apresentar-se como doença primária em praticamente metade dos casos, sendo que a outra parte associa-se a doenças degenerativas, narcolepsia, uso de drogas lícitas e ilícitas e lesões vasculares cerebrais. Há uma tentativa de classificar o DCSR em graus, sendo que o grau mais leve acontece quando o paciente movimenta apenas a cabeça. Um grau intermediário é obtido quando o paciente move também os membros, porém sem se levantar. No grau severo, o paciente levanta-se e pode deambular de forma automática, ou dirigida pelo conteúdo do sonho. O diagnóstico diferencial principal se faz com o SNB (Sonambulismo), porém o SNB carrega uma amnésia para o evento, enquanto que o DCSR será quase sempre lembrado, às vezes como um sonho vívido ou mesmo como se fora real.
Caracteriza-se por uma falta da atonia muscular normal durante o período do sono quando acontecem os sonhos. Em um indivíduo normal os sonhos se desenvolvem durante um período em que a musculatura antigravitacional está completamente sem tônus. Isto faz com que o sonho, com qualquer conteúdo, não tenha qualquer repercussão na atividade daquele que sonha. Já no DCSR (Distúrbio Comportamental do Sono REM), o indivíduo atua durante o sonho, mostrando uma intensa atividade motora. O conteúdo onírico é habitualmente de aspecto persecutório e envolvendo grande perigo, o que facilita atuações violentas do indivíduo durante estes eventos. O paciente apresenta movimentos bruscos de braços e pernas, às vezes repetitivos ou ações complexas, como deambular, pular, correr e subir em objetos. É comum o indivíduo falar, gritar, sempre com conteúdo de apavoramento, lembrando o TN (Terror Noturno). O que diferencia do TN é o fato de o paciente apresentar uma lembrança muito viva do episódio, o que não acontece no TN. O DCSR pode apresentar-se como doença primária em praticamente metade dos casos, sendo que a outra parte associa-se a doenças degenerativas, narcolepsia, uso de drogas lícitas e ilícitas e lesões vasculares cerebrais. Há uma tentativa de classificar o DCSR em graus, sendo que o grau mais leve acontece quando o paciente movimenta apenas a cabeça. Um grau intermediário é obtido quando o paciente move também os membros, porém sem se levantar. No grau severo, o paciente levanta-se e pode deambular de forma automática, ou dirigida pelo conteúdo do sonho. O diagnóstico diferencial principal se faz com o SNB (Sonambulismo), porém o SNB carrega uma amnésia para o evento, enquanto que o DCSR será quase sempre lembrado, às vezes como um sonho vívido ou mesmo como se fora real.
"Que terrorismo romperá, como pensamento-espessuração, com a farsa do conhecimento (...)? Que terrorismo é a linha de fuga da afirmação da vida e disparo de arma de fogo sobre o aparelho humanidade?" (Escobar, C. H. Alguns dos motivos deleuzianos in Dossier Deleuze.)
"Não é um pensamento discursivo [o de Deleuze e Guattari], mas segundo a própria definição deles, é uma máquina fundamentalmente energética, destinada a vibrar e a fazer vibrar aqueles que dela se aproximam e a engajá-los em um movimento produtivo, que não passa exatamente pelas idéias nem pelas palavras, passa pelos afetos. Por afetar e ser afetado. Passa pela capacidade de vibrar em consonância, passa pela capacidade de despertar o entusiasmo, a vontade de viver, a vontade de criar." (Gregório Baremblitt)
Haverá um novo Gabiru? Eu voto em Edu. Abaixo, montagem feita pelo Globo Esporte.

Vaiados: Alecsandro, Edu e Wilson Matias.

Vaiados: Alecsandro, Edu e Wilson Matias.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
VE2: Tree of Codes
Originally uploaded by Visual Editions.
Jonathan Safran Foer
Tree of codes (2010)
Vanity Fair - O que inspirou o design?
JSF - Ele te ajuda a lembrar que a vida pode te surpreender.
VF - De quem é Tree Of Codes? É um livro seu? Ou é do Bruno Schulz? Você está usando as palavras dele.
JSF - Este livro é meu. O livro dele é uma obra-prima, isto foi o meu experimento. Minha história não tem nada a ver com a do livro dele. Para o meu, em vez de eu ter usado todo o dicionário como ponto de partida para a escrita, eu usei uma "paleta" mais limitada. Mas é a mesma ideia.
VF - Cortando palavras fora você está criando algo. Você vê paralelos a isso na sua escrita ficcional?
JDF - Acho que não. Digamos assim: há dois tipos de escultura. Há o tipo que extrai: Michelangelo começa com um bloco de mármore e vai descascando. E há o tipo que adiciona, feito com argila, empilhando. A forma como eu escrevo romances é empilhando, empilhando, empilhando e empilhando.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Werner Diermaier, do Faust, recebeu um disco do input_output.
Segundo o jornal Zero Hora, "algumas pessoas" reclamaram da performance dessa escritora, porque a) ela gritava muito; b) parecia alcoolizada; c) oferecia bebida alcoólica a menores; d) o ato estava prejudicando as compras. Além disso, e) "a ação da Brigada Militar foi no sentido de colaborar para a segurança de todos, inclusive da própria manifestante". Em seu blog, Telma Scherer antecipa a performance "Não alimente o escritor": "Estarei atada a uma pequena casa de cachorro repleta de contas de aluguel e telefone (todas em meu nome). Outros elementos cênicos como uma coleira, um espelho e uma garrafa de conhaque e suas manipulações formarão a imagem poética". (Ariela Boaventura)
marcadores:
arte,
filosofia,
literatura,
performance
domingo, 14 de novembro de 2010
"Eu quis apenas expressar sentimentos relacionados à vivência que tive nos últimos meses, quando acumulei muitas contas e tive que deixar o apartamento onde morava. Formei com as contas uma imagem poética em três dimensões, pus meu corpo em cena e utilizei alguns objetos cênicos." (Telma Scherer)
Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais
Expositores reclamaram da apresentação e chamaram a Brigada Militar
Uma ocorrência policial marcou a Feira do Livro de Porto Alegre na noite dessa sexta-feira. A poeta e escritora Telma Scherer, de 31 anos, realizava uma intervenção artística na Praça da Alfândega quando foi abordada por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que teriam recebido uma denúncia de expositores. Segundo a reclamação, a apresentação de Telma estaria reunindo muitas pessoas na Rua da Praia e atrapalhando a circulação de pedestres e visitantes do evento. Testemunhas disseram que a ação dos PMs foi violenta. Amigos e pessoas que assistiam a apresentação contaram que pelo menos 10 policias abordaram a escritora, que foi conduzida em uma viatura ao posto da Brigada Militar na Praça XV, no Centro da Capital.
Além de testemunhas, esteve no local o vice-presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Osvaldo Santucci. Ele negou que a Câmara tenha acionado a polícia, mas confirmou que a apresentação não fazia parte do calendário oficial da feira e que algumas pessoas teriam reclamado do acúmulo de expectadores.
O capitão Marcelo Fernandes do 9º BPM, conversou com a escritora e com o representante da Câmara do Livro e disse desconhecer as denúncias de ação truculenta.
Cerca de 40 pessoas se reuniram para assistir Telma falar sobre sua condição de escritora. Ela teria emocionado o público ao revelar que precisou deixar seu apartamento porque estava com três meses de alguel atrasado. A performance artística questionava o sistema literário, o que pode ter incomodado representantes do mercado editoral. Telma disse, no entanto, que a crítica não foi a uma pessoa ou instituição em particular. A escritora contou que ficou constrangida com a ação da polícia.
Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais
Expositores reclamaram da apresentação e chamaram a Brigada Militar
Uma ocorrência policial marcou a Feira do Livro de Porto Alegre na noite dessa sexta-feira. A poeta e escritora Telma Scherer, de 31 anos, realizava uma intervenção artística na Praça da Alfândega quando foi abordada por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) que teriam recebido uma denúncia de expositores. Segundo a reclamação, a apresentação de Telma estaria reunindo muitas pessoas na Rua da Praia e atrapalhando a circulação de pedestres e visitantes do evento. Testemunhas disseram que a ação dos PMs foi violenta. Amigos e pessoas que assistiam a apresentação contaram que pelo menos 10 policias abordaram a escritora, que foi conduzida em uma viatura ao posto da Brigada Militar na Praça XV, no Centro da Capital.
Além de testemunhas, esteve no local o vice-presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Osvaldo Santucci. Ele negou que a Câmara tenha acionado a polícia, mas confirmou que a apresentação não fazia parte do calendário oficial da feira e que algumas pessoas teriam reclamado do acúmulo de expectadores.
O capitão Marcelo Fernandes do 9º BPM, conversou com a escritora e com o representante da Câmara do Livro e disse desconhecer as denúncias de ação truculenta.
Cerca de 40 pessoas se reuniram para assistir Telma falar sobre sua condição de escritora. Ela teria emocionado o público ao revelar que precisou deixar seu apartamento porque estava com três meses de alguel atrasado. A performance artística questionava o sistema literário, o que pode ter incomodado representantes do mercado editoral. Telma disse, no entanto, que a crítica não foi a uma pessoa ou instituição em particular. A escritora contou que ficou constrangida com a ação da polícia.
marcadores:
arte,
filosofia,
literatura,
performance
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
"Deve dar um trabalho danado a pesquisa para fazer músicas boas."
Bingo. Palavras de Bruno Sarmento Cantisani, advogado trabalhista, fã do finado Pelicano e amigo.
Bingo. Palavras de Bruno Sarmento Cantisani, advogado trabalhista, fã do finado Pelicano e amigo.
terça-feira, 9 de novembro de 2010

"As preocupações das pessoas hoje não tem nada a ver com Van Gogh ou Picasso, há muito mais densidade e flexibilidade em nossa estética e em nossa condição moral." (Ai Weiwei)
Darth Vader e Imperador?

"O cruzamento do glitch de Nicolai com a voz de Bargeld traduzia-se num disco pulsante e dançável q.b. - porque a electricidade também dança - e definitivamente pop, isto tendo em conta o background primário de cada um dos intervenientes. Por que a utilização do termo pop? Porque é visível que nos anbb existe um cuidado em ir além da simples experimentação e criar algo semelhante ao que coloquialmente apelidamos de canção. 'Mimikry' é sem sombra de dúvida um happening de registo entre dois dos mais importantes nomes da música dita experimental, e um facto interessante é ambos provirem de partes distintas da hoje reunificada Alemanha: Blixa é ocidental, Nicolai de leste." (Paulo Cecílio/Bodyspace.net)

E é exatamente essa "canção além da experimentação" que é a versão do input_output do "objetivo de fazer música pop perfeita" (vide Ian McCulloh).

"O cruzamento do glitch de Nicolai com a voz de Bargeld traduzia-se num disco pulsante e dançável q.b. - porque a electricidade também dança - e definitivamente pop, isto tendo em conta o background primário de cada um dos intervenientes. Por que a utilização do termo pop? Porque é visível que nos anbb existe um cuidado em ir além da simples experimentação e criar algo semelhante ao que coloquialmente apelidamos de canção. 'Mimikry' é sem sombra de dúvida um happening de registo entre dois dos mais importantes nomes da música dita experimental, e um facto interessante é ambos provirem de partes distintas da hoje reunificada Alemanha: Blixa é ocidental, Nicolai de leste." (Paulo Cecílio/Bodyspace.net)

E é exatamente essa "canção além da experimentação" que é a versão do input_output do "objetivo de fazer música pop perfeita" (vide Ian McCulloh).
domingo, 7 de novembro de 2010
"A indústria cultural vende cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez." (Marilena Chauí)
Entretenimento. Três horas é tempo que pode propiciar perda de rumo, balaio de gatos, samba do crioulo doido, por vaidade e/ou falta de coesão, como David Lynch em 'INLAND EMPIRE'. Momentos ótimos [1. A coelha muda e guitarrista! 2. Ursula Collishonn cantando. 3. "Só faltava você. Welcome, welcome, welcome." 4. "Tatiana Mielczarski: seu Michel (sic) Jackson correria o risco de ser melodramático estivesse em mãos menos talentosas. O texto final é sensível e tocante, o que dá a produção um final excelente." (Rodrigo Monteiro) 5. A fada de duas cabeças. 6. A lagarta do pufe gigante inflável.] podem se perder na quilometragem irregular. Minimalismo, muito apreciado por mim e exercido em 'Dentrofora', por exemplo, é o completo oposto de 'Wonderland'. E no intervalo da peça tocou Paul McCartney de 43 anos atrás.

"'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá' é, para mim, até agora, o melhor espetáculo produzido por Porto Alegre nesse ano de 2010. É extremamente interessante, bastante rico e, talvez, um dos mais importantes que a capital gaúcha teve nesse período. E aplaudi-lo não é uma gentileza, mas um dever. Um dever que se justifica na análise que se tentará fazer aqui, essa um passo além do aplauso já certamente dado." (Rodrigo Monteiro, 01/11/2010)
"'Homem que não vive da glória do passado', uma produção que não merece nem mesmo a gentileza de um aplauso, apesar de haver nela muito estudo envolvido, mesmo que não saibamos muito bem qual estudo é esse." (Rodrigo Monteiro, 28/03/2010)
"Ninguém merece a gentileza de um aplauso." (Personagem A Crítica - que convive com A Academia e A Vanguarda - em 'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá', de Felipe Vieira de Galisteo e Daniel Colin. E A Vanguarda odeia todo mundo.)

"'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá' é, para mim, até agora, o melhor espetáculo produzido por Porto Alegre nesse ano de 2010. É extremamente interessante, bastante rico e, talvez, um dos mais importantes que a capital gaúcha teve nesse período. E aplaudi-lo não é uma gentileza, mas um dever. Um dever que se justifica na análise que se tentará fazer aqui, essa um passo além do aplauso já certamente dado." (Rodrigo Monteiro, 01/11/2010)
"'Homem que não vive da glória do passado', uma produção que não merece nem mesmo a gentileza de um aplauso, apesar de haver nela muito estudo envolvido, mesmo que não saibamos muito bem qual estudo é esse." (Rodrigo Monteiro, 28/03/2010)
"Ninguém merece a gentileza de um aplauso." (Personagem A Crítica - que convive com A Academia e A Vanguarda - em 'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá', de Felipe Vieira de Galisteo e Daniel Colin. E A Vanguarda odeia todo mundo.)
sábado, 6 de novembro de 2010
543
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?

484
01:04:09,351 --> 01:04:10,846
- Olá!
- Oi!
485
01:04:11,143 --> 01:04:13,663
Trouxe a cerveja.
O filme já vai começar.
486
01:04:13,992 --> 01:04:17,253
Na verdade não lhe chamei
para ver um filme.
487
01:04:17,512 --> 01:04:19,234
- Não?
- Não.
488
01:04:19,846 --> 01:04:20,927
Está...
489
01:04:21,191 --> 01:04:22,914
- Vamos lá em cima?
- Sim.
490
01:04:23,494 --> 01:04:25,281
- Você já foi caçar?
- Claro.
491
01:04:27,845 --> 01:04:30,976
Lembra-se daquela noite
quando disse que vi algo?
492
01:04:31,748 --> 01:04:35,578
Acho que estava histérico,
pois não era um fantasma.
493
01:04:36,420 --> 01:04:38,492
- Era um quati.
- Verdade?
494
01:04:39,011 --> 01:04:42,142
Um quati enorme.
Do nosso tamanho.
495
01:04:42,946 --> 01:04:44,734
Onde está o quati agora?
496
01:04:45,281 --> 01:04:47,321
Eu o tranquei no armário.
497
01:04:51,074 --> 01:04:53,081
- Você não tem medo de quati, tem?
- Eu? Não...
498
01:04:53,408 --> 01:04:57,368
O que quer que eu faça?
499
01:05:01,310 --> 01:05:03,350
Já viu isto antes?
500
01:05:03,679 --> 01:05:07,290
- Sim, todos os dias, o que é?
- É o arpão do meu tio.
501
01:05:08,669 --> 01:05:11,353
- Pegue-o.
- Ta certo.
502
01:05:11,678 --> 01:05:15,986
Se o quati for para o telhado,
puxe esta linha.
503
01:05:17,180 --> 01:05:19,831
Por que ele iria
para o telhado?
504
01:05:20,060 --> 01:05:23,506
Lá há um buraco por onde
passa para ir se alimentar.
505
01:05:23,803 --> 01:05:27,065
E então volta aqui e
faz sujeira no armário.
506
01:05:30,938 --> 01:05:33,304
É melhor usar isso.
507
01:05:35,641 --> 01:05:39,731
Quando ele aparecer, você atira
entre os olhos.
508
01:05:39,960 --> 01:05:44,302
Por que ser não o matar, ele
escapará. Então segure firme.
509
01:05:44,568 --> 01:05:51,277
Venha aqui. Fique aqui
para que tenha uma boa mira.
510
01:05:51,862 --> 01:05:57,577
Está tudo planejado.
Abrirei a porta à meia noite
...
539
01:09:38,540 --> 01:09:40,679
Roger!
540
01:10:10,855 --> 01:10:12,710
Harold, voltei!
541
01:10:13,608 --> 01:10:15,973
Espere!
Sou eu!
542
01:10:16,646 --> 01:10:21,948
É você mesmo?
Graças a Deus!
543
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?
484
01:04:09,351 --> 01:04:10,846
- Olá!
- Oi!
485
01:04:11,143 --> 01:04:13,663
Trouxe a cerveja.
O filme já vai começar.
486
01:04:13,992 --> 01:04:17,253
Na verdade não lhe chamei
para ver um filme.
487
01:04:17,512 --> 01:04:19,234
- Não?
- Não.
488
01:04:19,846 --> 01:04:20,927
Está...
489
01:04:21,191 --> 01:04:22,914
- Vamos lá em cima?
- Sim.
490
01:04:23,494 --> 01:04:25,281
- Você já foi caçar?
- Claro.
491
01:04:27,845 --> 01:04:30,976
Lembra-se daquela noite
quando disse que vi algo?
492
01:04:31,748 --> 01:04:35,578
Acho que estava histérico,
pois não era um fantasma.
493
01:04:36,420 --> 01:04:38,492
- Era um quati.
- Verdade?
494
01:04:39,011 --> 01:04:42,142
Um quati enorme.
Do nosso tamanho.
495
01:04:42,946 --> 01:04:44,734
Onde está o quati agora?
496
01:04:45,281 --> 01:04:47,321
Eu o tranquei no armário.
497
01:04:51,074 --> 01:04:53,081
- Você não tem medo de quati, tem?
- Eu? Não...
498
01:04:53,408 --> 01:04:57,368
O que quer que eu faça?
499
01:05:01,310 --> 01:05:03,350
Já viu isto antes?
500
01:05:03,679 --> 01:05:07,290
- Sim, todos os dias, o que é?
- É o arpão do meu tio.
501
01:05:08,669 --> 01:05:11,353
- Pegue-o.
- Ta certo.
502
01:05:11,678 --> 01:05:15,986
Se o quati for para o telhado,
puxe esta linha.
503
01:05:17,180 --> 01:05:19,831
Por que ele iria
para o telhado?
504
01:05:20,060 --> 01:05:23,506
Lá há um buraco por onde
passa para ir se alimentar.
505
01:05:23,803 --> 01:05:27,065
E então volta aqui e
faz sujeira no armário.
506
01:05:30,938 --> 01:05:33,304
É melhor usar isso.
507
01:05:35,641 --> 01:05:39,731
Quando ele aparecer, você atira
entre os olhos.
508
01:05:39,960 --> 01:05:44,302
Por que ser não o matar, ele
escapará. Então segure firme.
509
01:05:44,568 --> 01:05:51,277
Venha aqui. Fique aqui
para que tenha uma boa mira.
510
01:05:51,862 --> 01:05:57,577
Está tudo planejado.
Abrirei a porta à meia noite
...
539
01:09:38,540 --> 01:09:40,679
Roger!
540
01:10:10,855 --> 01:10:12,710
Harold, voltei!
541
01:10:13,608 --> 01:10:15,973
Espere!
Sou eu!
542
01:10:16,646 --> 01:10:21,948
É você mesmo?
Graças a Deus!
543
01:10:27,333 --> 01:10:29,982
Que quati, hein?
sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Joan Miró. Blue II. 1961. Oil on canvas. 270 x 355 cm.
Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France.
Afixei uma réplica da pintura acima na parede do meu local de trabalho, acima do monitor do meu computador.
- Eu não tô entendendo esses quadros aí - disse um advogado, usando plural pelos pôsteres de guepardo e do In Rainbows, logo ao lado).
- Mas arte não é de entender. Cada um pode ter a sua interpretação.
- Isso aí uma criança foi lá e fez e acham bonito.
- Não. Criança não faz isso. Isso é do Miró.
- O que será que ele entendeu quando fez, então?
- O artista também não precisa entender.
- Tu é da área também, por isso tu tá falando isso?
- Sim.
- ...
- Tá, as bolinhas pretas podem ser pedras... ou reticências rumo ao infinito.
- Tá, e o vermelho?
- Aí tem que pensar o que pode ser o azul. Se o azul for tristeza, o vermelho pode ser uma fagulha de alegria.
- Putz! É muito profundo isso. Eu não consigo entender.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre o castelo do Kafka.

(Ronaldo Correia de Brito)
"Era tarde da noite quando K. chegou. A aldeia jazia na neve profunda. Da encosta não se via nada, névoa e escuridão a cercavam, nem mesmo o clarão mais fraco indicava o grande castelo. K. permaneceu longo tempo sobre a ponte de madeira que levava da estrada à aldeia e ergueu o olhar para o aparente vazio".
Dessa forma supostamente simples, parecendo uma narrativa convencional, começa O Castelo, romance escrito por Kafka em cerca de seis meses, de fins de fevereiro a começo de setembro de 1922. Narrado em primeira pessoa nas quarenta e seis páginas iniciais, só a partir desse ponto passa para a terceira pessoa. Mais tarde o autor reescreverá o começo do livro também na terceira pessoa. Esse impasse tem que ver com o que anotou Modesto Carone: aquele que narra, em Kafka, não sabe nada, ou quase nada, sobre o que de fato acontece - do mesmo modo, portanto, que o personagem. O narrador, como o personagem K., não tem chances de explicar o que se passa no mundo claro que a neve recobre do lado de fora nem nos interiores escuros em que as formas se ocultam.
O prefeito fala da complexa trama de encaminhamentos de processos entre os departamentos do castelo, mesmo para uma questão simples, gerando erros nos envios de petições, atrasos, arquivamentos, até a solução absurda de contratar serviços sem a menor necessidade deles, apenas para ajustar os vários equívocos burocráticos do processo. O diálogo entre K. e o prefeito é uma síntese do universo kafkiano, reforça o ponto de vista de Günther Anders de que Kafka era um realista que enxergava "um mundo do poder total e totalitariamente institucionalizado". Ou seja, como um profeta visionário Kafka anteviu a automação humana e transformação do homem num joguete burocrático de sistemas como o fascismo, o comunismo e o capitalismo.
Tais circunstâncias se repetem de forma obsessiva e absurda em todo o relato de O Castelo, da primeira à última página. Nada acontece segundo uma lógica habitual. No entanto, a lógica que se revela e que nos escapava até então, apesar de todos os seus absurdos, parece única, verdadeira e real. Como se Kafka descascasse as mentiras que nos cercam, deixando exposta uma realidade sem nenhum encantamento, nenhuma chance de romantismo ou afeto. As metáforas são abolidas, as descrições poéticas de cenários e objetos não existem, sentimentos de compaixão desaparecem. Tudo funciona nesse mundo de O Castelo dentro de uma ordem de poder esmagadora, uma burocracia paralisante que torna a ação individual impossível, não por conta de uma força trágica e divina, mas pela perversidade de sistemas inventados pelo próprio homem e que o impedem de algum dia alcançar a verdade.

(Eduardo Andrade)
“K” encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição. Nesta conversa o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade em substituição a para a qual ele havia sido contratado. Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando por exercício de autoridade, inclusive, a sua permanência nas dependências da escola juntamente com Frieda, e os seus dois ajudantes.
A proposta aceita por “K” por falta de alternativa, sinalizou que Klamm não tinha o poder que diziam possuir. Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar a Klamm uma mensagem subjetiva sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas administrativas.
Na busca incansável de explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se inclusive às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.
Por fim, Pepi que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores após o rompimento do relacionamento com Klamm, ao sentir a possibilidade do retorno dela (Frieda) ao seu posto, tentou incutir na mente deste que a facilidade que ele teve para conquistá-la ocorreu devido o interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante Klamm.
Pelo visto, Franz Kafka acreditava que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas hierárquicas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, cujo uso envolve o relacionamento humano, e este pode se tornar fator importante no divisor de águas.
O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.

(Ronaldo Correia de Brito)
"Era tarde da noite quando K. chegou. A aldeia jazia na neve profunda. Da encosta não se via nada, névoa e escuridão a cercavam, nem mesmo o clarão mais fraco indicava o grande castelo. K. permaneceu longo tempo sobre a ponte de madeira que levava da estrada à aldeia e ergueu o olhar para o aparente vazio".
Dessa forma supostamente simples, parecendo uma narrativa convencional, começa O Castelo, romance escrito por Kafka em cerca de seis meses, de fins de fevereiro a começo de setembro de 1922. Narrado em primeira pessoa nas quarenta e seis páginas iniciais, só a partir desse ponto passa para a terceira pessoa. Mais tarde o autor reescreverá o começo do livro também na terceira pessoa. Esse impasse tem que ver com o que anotou Modesto Carone: aquele que narra, em Kafka, não sabe nada, ou quase nada, sobre o que de fato acontece - do mesmo modo, portanto, que o personagem. O narrador, como o personagem K., não tem chances de explicar o que se passa no mundo claro que a neve recobre do lado de fora nem nos interiores escuros em que as formas se ocultam.
O prefeito fala da complexa trama de encaminhamentos de processos entre os departamentos do castelo, mesmo para uma questão simples, gerando erros nos envios de petições, atrasos, arquivamentos, até a solução absurda de contratar serviços sem a menor necessidade deles, apenas para ajustar os vários equívocos burocráticos do processo. O diálogo entre K. e o prefeito é uma síntese do universo kafkiano, reforça o ponto de vista de Günther Anders de que Kafka era um realista que enxergava "um mundo do poder total e totalitariamente institucionalizado". Ou seja, como um profeta visionário Kafka anteviu a automação humana e transformação do homem num joguete burocrático de sistemas como o fascismo, o comunismo e o capitalismo.
Tais circunstâncias se repetem de forma obsessiva e absurda em todo o relato de O Castelo, da primeira à última página. Nada acontece segundo uma lógica habitual. No entanto, a lógica que se revela e que nos escapava até então, apesar de todos os seus absurdos, parece única, verdadeira e real. Como se Kafka descascasse as mentiras que nos cercam, deixando exposta uma realidade sem nenhum encantamento, nenhuma chance de romantismo ou afeto. As metáforas são abolidas, as descrições poéticas de cenários e objetos não existem, sentimentos de compaixão desaparecem. Tudo funciona nesse mundo de O Castelo dentro de uma ordem de poder esmagadora, uma burocracia paralisante que torna a ação individual impossível, não por conta de uma força trágica e divina, mas pela perversidade de sistemas inventados pelo próprio homem e que o impedem de algum dia alcançar a verdade.

(Eduardo Andrade)
“K” encontrou-se com o prefeito, que habilmente desmereceu o serviço para o qual havia sido contratado, enfraquecendo propositadamente a sua posição. Nesta conversa o prefeito convenceu “K” a aceitar a tarefa de servente em uma escola da comunidade em substituição a para a qual ele havia sido contratado. Deixou transparecer que apesar de não haver necessidade do novo serviço estava autorizando por exercício de autoridade, inclusive, a sua permanência nas dependências da escola juntamente com Frieda, e os seus dois ajudantes.
A proposta aceita por “K” por falta de alternativa, sinalizou que Klamm não tinha o poder que diziam possuir. Há de se entender que o prefeito usou “K” para enviar a Klamm uma mensagem subjetiva sobre as forças contrárias existentes nas relações políticas administrativas.
Na busca incansável de explicação para o que estava acontecendo “K” se depara com Olga, irmã de Barrabás o mensageiro de Klamm, que depois de longa conversa põe em dúvida o poder de Klamm e de outros funcionários do castelo, referindo-se inclusive às mensagens ditas como enviadas por Klamm como possíveis de não serem oficiais.
Por fim, Pepi que substituiu Frieda nos serviços do balcão da Hospedaria dos Senhores após o rompimento do relacionamento com Klamm, ao sentir a possibilidade do retorno dela (Frieda) ao seu posto, tentou incutir na mente deste que a facilidade que ele teve para conquistá-la ocorreu devido o interesse de Frieda de usá-lo para chamar a atenção do ex-amante Klamm.
Pelo visto, Franz Kafka acreditava que o poder é capaz de desenvolver tentáculos eficazes de sustentar estruturas administrativas hierárquicas incoerentes, que funcionam para satisfazerem interesses esdrúxulos, cujo uso envolve o relacionamento humano, e este pode se tornar fator importante no divisor de águas.
O poder atrai todos os tipos de energia, e, o bom exercício passa por permear o linear da ética, os interesses públicos e sociais.
marcadores:
cinema,
filosofia,
literatura

(Carlos Etchichury/Zero Hora de 04/11/2010)
Um acórdão da 3ª turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT4) condenando uma franquia do McDonald's da Capital a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que engordou 30 quilos durante os 12 anos de trabalho na lanchonete repercutiu dentro e fora do país. No campo jurídico, juízes, professores e pesquisadores acreditam que a decisão do TRT reforça uma tendência adotada por magistrados em valorizar as relações de trabalho num sentido mais amplo. Conforme o advogado Vilson Natal Arruda Martins, entre as funções de seu cliente estava a degustação dos produtos vendidos no estabelecimento.
Além da indenização, o TRT-RS determinou que a franquia auxilie o ex-funcionário a custear um tratamento médico visando à redução de peso. A decisão, que ratificou parcialmente uma sentença em primeira instância, não é definitiva porque permite recurso. Em nota, a empresa Kallopoli Comércio de Alimentos, franqueada da marca McDonald's, informa que "está trabalhando para avaliar as medidas jurídicas em relação ao caso". O texto diz também que a "rede oferece grande variedade de opções de alimentos e cardápios balanceados para atender às necessidades diárias de seus funcionários".
Assinar:
Postagens (Atom)












