2 + 0 + 1 + 1 = 4
&... OLHA O QUATRO DE NOVO AÍ, GENTE!

Sallie Nichols: O número quatro simboliza a totalidade. Indica a nossa orientação para a dimensão humana. Seu equivalente geométrico, o quadrado, representa a lei e a ordem sobrepostas à desordem caótica da Mãe Natureza. As quatro direções da bússola nos impedem de sentir-nos perdidos em áreas não mapeadas. As quatro paredes de um aposento dão-nos uma sensação de contenção segura, que nos ajuda a concentrar energias e focalizar com precisão a atenção de modo racional e humano.
A carta quatro do tarô, o quarto arcano maior, é o Imperador. Do ponto de vista cabalístico, a relação Tetragrama-Imperador parece muito fecunda, já que, comparada com os três arcanos anteriores, consideradas respectivamente como o princípio ativo (I, Mago), o princípio passivo (II, Sacerdotisa) e o princípio do equilíbrio ou neutralizador (III, Imperatriz), a quarta letra ou carta é considerada o resultado e, também, o princípio da energia latente.
Pode ser visto como o princípio masculino ativo vindo para por ordem no jardim da Imperatriz. Cavará espaço para o homem erguer-se, criará caminhos para a intercomunicação. Até aqui estávamos lidando com o mundo primitivo da natureza inconsciente; agora ingressamos no mundo civilizado do homem consciente. Com o advento do Imperador, deixamos o reino do não-verbal, matriarcal, da Imperatriz com seus ciclos automáticos de nascimento, crescimento e decadência. Aqui começa o domínio patriarcal da palavra criativa, que inicia o domínio masculino do espírito sobre a natureza. Esse dominador é uma personificação do Logos, ou princípio racional, que é um aspecto do arquétipo do Pai. Ordena nossos pensamentos e energias, ligando-os à realidade de um modo prático. Embora represente, como a Imperatriz, um poder arquetípico, o Imperador é obviamente mais humano e, portanto, mais acessível à consciência do que ela, pois não assume a postura rígida de uma figura de proa entronizada acima da massa da humanidade. Em vez disso, senta-se à vontade, relaxado, com as pernas cruzadas, oferecendo-nos, sem medo, uma vista de perfil do seu lado esquerdo, ou seja, do seu lado inconsciente. Somente um soberano seguro da própria autoridade pode dar-se ao luxo de expor-se desse jeito.
Historicamente, e em nossas biografias pessoais, a transição da fase matriarcal para a era patriarcal é sempre difícil. Deixar o mundo amoroso, protegido e nutritivo da infância, para enfrentar a exposição e as responsabilidades da idade adulta, representa uma tarefa tremenda. A vida na comunidade é o passo intermediário indispensável entre a identidade inconsciente com toda a natureza experimentada na infância e o ponto de vista mais consciente e individual da vida adulta.

















