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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Falta de planejamento de chefe atrapalha trabalho de funcionários
(InfoMoney)

A falta de planejamento do chefe está entre os principais problemas que os funcionários precisam enfrentar, na hora de organizar a rotina de trabalho. A constatação foi apontada pela Triad PS, empresa especializada em softwares para produtividade pessoal e gestão de equipes, que realizou uma pesquisa com mais 1.600 profissionais de todo o Brasil. O estudo mostrou que 48% dos entrevistados afirmam conviver com um chefe que tem o costume de fazer coisas pessoais durante o expediente. Outros 30% definiram seu líder como uma "pessoa urgente" e que gera urgência na equipe. Já 32% avaliaram que seu chefe não sabe se planejar. O coordenador da pesquisa e especialista em gestão do tempo e produtividade, Christian Barbosa, para alcançar uma gestão mais eficiente do tempo, propõe ainda criar uma maneira de registrar as atividades delegadas, de forma centralizada e que possa ser constantemente atualizada por todos os integrantes. “Isso gera um comprometimento do grupo e do líder”, explica.



"Podemos classificar as urgências em dois tipos: as imprevisíveis – que são aquelas que simplesmente não há forma de prever, nascem urgentes, como problemas de saúde, quebras em equipamentos, acidentes, etc. Já a outra categoria de urgências são as migratórias, que migram da esfera da importância para a esfera da urgência (por negligência, falta de tempo, esquecimento, falha na comunicação, guerra de egos, etc)." (Christian Barbosa)

domingo, 28 de julho de 2013





"Não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico juro fixo de 10%, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185.000 Kg de ouro e 16.000.000 Kg de prata, ambos valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total, seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra. Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue? Alegar que a Europa, em meio milênio, não pode gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo." (Evo Morales Guaicaipuro Cautémoc)

sábado, 27 de julho de 2013

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RECORDE: São Paulo atinge 300 km de congestionamentos e tem a maior lentidão da história. O maior índice da história até então tinha ocorrido em 1º de junho de 2012, quando chegou a 295 km de filas. Que nem diz o amigo Leonardo Monteiro, "Pobres lemingues. Seguem em direção ao precipício".
A Honda lançou um comercial no qual homenageia Ayrton Senna. No vídeo, a montadora reproduz com som e luzes o ruído dos motores Honda V10 da McLaren que o brasileiro pilotava quando conquistou a pole position no GP do Japão em 1989. Para recriar esse momento, o pessoal da Honda utilizou os dados de telemetria obtidos na volta de Senna durante o treino classificatório daquele grande prêmio. Esse tipo de leitura — que mede informações como freagem, aceleração e desempenho do motor — foi lançada pela montadora japonesa na década de 80, e revolucionou a Fórmula 1 de então.

Com todos os dados em mãos, para gravar o comercial, a Honda espalhou luzes e caixas de som por todo o circuito de Suzuka, que se acenderam e ressoaram com os roncos da McLaren MP 4/5 como se o saudoso pilo brasileiro estivesse repetindo a volta de 1989. Aliás, conforme lembrou o pessoal do Globo Esporte, esse GP foi marcado por uma das maiores polêmicas da história da Fórmula 1, com um episódio que envolveu Senna e seu “arqui-inimigo” Alain Prost.

Durante esse GP, o francês poderia se tornar o campeão da temporada se o brasileiro não estivesse na briga para conquistar o título. Então, Prost forçou uma batida com Senna para tirar os dois da corrida e garantir a taça. No entanto, o brasileiro conseguiu voltar à corrida, ultrapassar todos os pilotos e vencer a prova, embora os diretores da competição tenham decidido excluir Ayrton após alegar que ele havia cortado a chicane depois da colisão.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

"Agora que William teve o seu, Kate vai ter o dela"

"Olhem aqui este boneco. Agora parem de encher o saco pra Kate ter um parto em paz"

"Olhem, este é um bebê qualquer. Agora a Kate vai ter o bebê real"

"Enquanto o filho de Kate não nasce, William segura um porco branco de pano com bunda de babuíno"

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nixi pae entre os índios Kaxinawa no Leste do Peru
(Barbara Keifenheim/traduzido do alemão por Ricardo Ferreira Henrique)

Nas sessões dos Kaxinawa, observei que os efeitos do nixi pae não se manifestam em uma progressão contínua, mas sim crescem e diminuem em várias fases, embora também ocorram efeitos nos quais a ordem de percepção cotidiana parece ser temporariamente re-estabelecida. Assim, algumas vezes os participantes saem do círculo dos bebedores embriagados de nixi pae e conversam sobre suas experiências e suas visões com outros que também estejam num momento de tranquilização. Porém, ao perceber uma reiteração do efeito, o indivíduo retorna rapidamente ao seu lugar. O decorrer de uma sessão de droga em diversas fases foi-me representado graficamente na forma de uma linha ondulada.

Assim que o efeito da droga se manifesta, primeiro ocorre uma alteração da percepção acústica. Enquanto os participantes ainda percebem o mundo material ao redor com "olhos normais", eles começam a ouvir coisas para as quais não há correspondentes visuais. Assim, sempre ouve-se primeiro um "vento forte" (niwe kuxipa) , sem que haja uma real movimentação das árvores ou das folhas no campo visual do participante. Trata-se de um "ouvir, sem ver o que se ouve" (bana ninka). Em seguida, o espaço acústico tornado autônomo é atravessado por sons cristalinos, reproduzidos de modo onomatopaico: Tinnn.... Bing... Piii... Com um certo atraso temporal em relação a estes "relâmpagos acústicos", em seguida tem-se a visão de relâmpagos luminosos multicoloridos. Os contornos do mundo material também se iluminam, e diluem-se em incontáveis desenhos luminosos (ma yama bai tapia-ki). Deste modo, a impressão de profundidade espacial se apaga.

Em seguida, também altera-se a percepção da ordem temporal dos processos de vibração acústica: ao invés de ir-se perdendo na distância, os sons e os timbres voltam a crescer (chintuani "ir e voltar", "virar numa curva"), causando uma forte pressão no ouvido. A partir deste momento, as sequências sonoras são visualizadas como "caminhos sonoros" (bana bai). Nesta fase inicial, eles são descritos como "tortos" (bai yuxtu). Quando estes movem-se em direção ao ouvinte, são comparados a serpentes que os circundam e por fim os envolvem com força, antes de "penetrar em sua cabeça e espalhar-se no corpo inteiro" (buxka medan ichapa haida-kain-mis-ki hame-dan hiki-mis-ki hawen yuda medan).

Com o prosseguimento do efeito da droga, os participantes têm a impressão de que os sons percebidos produzem, ou esboçam, "desenhos" (kene). Agora, eles vêem como tudo é recoberto - da terra (mai) até o próprio corpo (yuda) - por desenhos geométricos pretos em transformação contínua. "Agora tu tens a impressão nítida de que tudo é mantido junto por desenhos" (Xabaka mia kene mani-a-ki), é a descrição desta fase. Estes desenhos permanecem como uma constante visual em todos os estágios subsequentes da embriaguez. Os padrões ornamentais induzidos pela droga são descritos como grandes formas geométricas abstratas.

Pouco a pouco, os "caminhos sonoros" dos cantos se sobrepõem acusticamente. As vozes de pássaros "chamam" as lagartas (xena), que sobressaem dos desenhos. Segundo cada tipo de cipó, logo as lagartas visualizadas transformam-se ou em serpentes (no caso de baka huni) ou dissolvem-se em sangue (no caso de xawan huni) ou em chuva torrencial (no caso de xane huni). E assim começa a segunda fase nixi pae.

A segunda fase é marcada pela presença maciça de visões (dami), independente dos olhos estarem abertos ou fechados. Assim que um participante começa a perceber seres humanos ou espíritos antropomórficos, isto é um sinal de que ele agora se encontra no estágio da "embriaguez completa" (pae kayabi). As características que definem o estado de pae kayabi são o fenômeno de ver a si mesmo de fora ou de se perceber enquanto chuva ou crocodilo gigante, assim como a sensação de movimentar-se no céu estrelado ou em partes desconhecidas do mundo, de encontrar-se em um outro tempo.

À medida que a alteração da percepção progride, também violentamente parece que o corpo perde seus limites. O bebedor de nixi pae sente como seu peito "pula" (naxpi-kia), de maneira que as vísceras saltam para fora. A proximidade do auge é anunciada pela mistura crescente da percepção de imagens e de si próprio. Alguns descrevem que, neste momento, têm a sensação tanto de serem tragados para o interior das imagens, quanto de que as imagens penetram em seus corpos.

Os bebedores de nixi pae são denominados "crianças pequenas crescendo" (bake yume-tan).





Huni Meka • Os cantos do cipó from Missawa on Vimeo.


O QUE NOS DIZ A ARTE KAXINAWA SOBRE A RELAÇÃO ENTRE IDENTIDADE E ALTERIDADE? 
(Elsje Maria Lagrou)


A mais inclusiva autodefinição [em termos de alteridade] para um Kaxinawa é nukun yuda, que significa "nosso mesmo corpo": um corpo que é produzido coletivamente por pessoas que vivem na mesma aldeia e que compartilham a mesma comida. São os parentes próximos que provocam um forte sentimento de pertencimento e, quando estão ausentes, é sentida sua falta, expressa pelo termo manuaii, palavra usada para definir a saudade de um parente próximo, do mesmo modo como se designa a sensação física e vital da necessidade de água.

Água é vital para o corpo assim como parentes são vitais para constituir o "eu". Isto pode ser ilustrado pela seguinte sentença proferida por Antônio Pinheiro, Kaxinawa: "Quem não sente falta dos seus parentes, como se sente falta de água, não é gente. É como um yuxin que fica vagando por aí." Alguém deixa de ser um "verdadeiro" Kaxinawa por não residir mais em uma aldeia, por viver muito tempo em lugares diversos, o que resulta na aquisição de um corpo diferente e, através dessa diferença corporal, em uma diferenciação também dos sentimentos, pensamentos, valores e memórias. A ontologia kaxinawa considera a alteridade como uma dificuldade, em última instância fatal, um inescapável e insolúvel paradoxo: o único modo de concebê-la é tornar-se, a si próprio, "outro".


O punctum, ou detalhe esteticamente agradável, por outro lado, pertence ao domínio dos eventos imprevisíveis e da criatividade pessoal. Por este motivo, um ângulo a mais, em uma das múltiplas gregas que compõem um padrão, perturbará a simetria perfeita da estrutura e chamará a atenção para a autoria da peça de arte, assim como para o fato de, mesmo em um padrão geral de similaridade, nada ser produzido duas vezes sem que sofra uma pequena transformação no processo de reprodução. Do mesmo modo que o ser humano é único por causa da sua história pessoal e singularidade corporal, todo produto do trabalho humano é único na técnica e na concepção, e o artista kaxinawa nunca deixa de marcar essa singularidade por meio de um detalhe sutil. Assim, a qualidade de ser único apesar de parecido é conscientemente feita visível através da introdução de pequenas distorções nos padrões clássicos, distorções estas que dão à peça o seu caráter.

O punctum é, portanto, a dissonância próxima do detalhe invisível, a surpresa necessária para a dinâmica visual, aquilo que dá vitalidade estética ao todo, um ponto assimétrico no interior de uma simetria. É necessário que exista certa homogeneidade nos elementos visuais para que a pequena diferença seja capaz de tocar nossos olhos. A arte kaxinawa explora elegantemente o entrelaçamento do studium e do punctum. Dessa maneira, para um pano tecido ou para uma face pintada, a primeira impressão será a de uma superfície coberta por um padrão geométrico constituído pela infinita repetição de unidades iguais. Um olhar mais acurado, porém, perceberá que um dos losangos do padrão colmeia contém um círculo interior a mais que os outros. Este é o punctum, e sua ocorrência na arte kaxinawa é sistemática. Outro exemplo desse fenômeno pode ser visto nos colares. Se um colar de contas, por exemplo, é composto pela alternância de seis contas vermelhas e seis azuis, em algum lugar no meio do colar se encontrará uma conta branca perturbando, propositalmente, a perfeita simetria e repetição do padrão.

Outra característica que aumenta a particularidade e a qualidade distinta de uma peça de tecido desenhado é a transformação suave de um padrão em outro. Essas transformações ocorrem somente em panos decorados com motivos que cobrem uma superfície extensa. O fenômeno me foi explicado da seguinte maneira: "Na pele de Yube tem todos os desenhos possíveis. A cobra tem vinte e cinco malhas, mas cada uma dá em vários outros desenhos. No fim das contas, todos os desenhos pertencem à mesma pele da jiboia." (Agostinho Kaxinawa) Edivaldo, jovem liderança, expressou-se em termos similares: "O desenho da cobra contém o mundo. Cada mancha na sua pele pode se abrir e mostrar a porta para novas formas. Há vinte e cinco manchas na pele de Yube, que são os vinte e cinco desenhos que existem."

Peter Roe chamou a atenção para a correspondência entre esse estilo artístico e um estilo de pensamento. O autor argumenta que a "ambiguidade visual" dos desenhos shipibo (grupo pano do Peru) corresponde a uma "ênfase na ambiguidade mental" (Roe 1987:5-6). "Ambiguidade mental" é uma expressão problemática que pode ser facilmente substituída por "perspectivismo" sem, contudo, transformar o significado primordial dessa analogia. Para Roe, a significação da ambiguidade perspectiva na arte indígena "abstrata" repousa no que ela nos fala sobre a atitude cognitiva do artista e do público pretendido. Para os ameríndios, o universo é transformativo. Isto significa que o que vemos pode, repentinamente, mudar diante de nossos olhos. O mundo é composto por muitas camadas, os diversos mundos são pensados enquanto simultâneos, presentes e em contato, embora nem sempre perceptíveis. O papel da arte é o de comunicar uma percepção sintética dessa simultaneidade.
Ideia de desenho tida por mim durante experiência em ritual xamânico no dia 08/06/2013. "Qualquer pergunta: faz pro fogo, ele te responde."
O frio intenso está trazendo estilo aos mascarados anarquistas que protestam no Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Aquele que mesclar a inocência de uma criança com a consciência de um adulto estará enfim liberto das amarras do mundo. Terá finalmente sublimado Maya." (libertesedosistema.blogspot.com.br)
"A verdade não pode ser dita; se for dita, não é a verdade." (Lao Tzu)

sábado, 20 de julho de 2013



Rafucko
A Biossemiótica é um campo crescente que estuda a produção de ação e interpretação dos sinais do reino biológico, em uma tentativa de integrar as descobertas científicas da biologia e da semiótica para formar uma nova visão da vida e do significado de imanentes elementos do mundo natural.

1.1.3 Temas da [Teoria da] Complexidade
1.1.3.1 Auto-organização, fractalidade e emergência
1.1.3.2 Mudança, evolução e realimentação
1.1.3.3 Campo, cultura, ecologia e ambiente
1.1.3.4 Caos, desordem e incerteza
1.1.3.5 Ampliação da consciência e relação corpo-mente
1.1.3.6 Desconstrução, novas organizações, criatividade e pedagogias críticas
1.1.3.7 Paraconsistência e lógicas não-convencionais
1.1.3.8 Transdisciplinaridade, meta-sistemas e pensamento complexo
1.1.3.9 Virtualidade, novas tecnologias

LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil.


Inexiste entre os povos indígenas uma distinção entre artefato e arte, ou seja, entre objetos produzidos para serem usados e outros para serem somente contemplados, distinção esta que nem a arte conceitual chegou a questionar entre nós, por ser tão crucial à definição do próprio campo. Somente quando o design vier a suplantar as ‘artes puras’ ou ‘belas artes’ teremos nas metrópoles um quadro similar ao das sociedades indígenas.

A inexistência da figura do artista enquanto indivíduo criador - cujo compromisso com a invenção do novo é maior que sua vontade de dar continuidade a uma tradição ou estilo artístico considerado ancestral – é outra diferença crucial. Não que artistas contemporâneos metropolitanos não trabalhem dentro de tradições estilísticas bem definidas. Vale lembrar que o fundador da arte conceitual, Marcel Duchamp, instalou seu urinol há praticamente um século, em 1917, e desde então o paradigma do fazer artístico não mudou, mas ideologicamente a figura do artista se projeta como inventor do seu próprio estilo, como inovador incessante, ao modo de um Picasso – emblema do Modernismo na arte. A fonte de inspiração e legitimação se encontra no gênio do artista, que é visto como agente principal no processo de relações e interações que envolvem a produção de sua obra, uma obra produzida com o único fim de ser uma obra de arte.

Por mais que a arte moderna sempre se constitua como lugar de reflexão sobre a sociedade, ela tem sido enfática na defesa de sua independência de outros domínios da vida social. “A arte pela arte” é um credo tanto de artistas quanto dos que pretendem levar a arte a sério, e reflete, segundo Overing, nossa dificuldade ocidental de pensar a criatividade individual e a autonomia pessoal juntas com a vida em sociedade. Em nossa tradição pós-iluminista o artista assume a imagem do indivíduo desprendido, livre das limitações do “senso comum” sociocêntrico. O pensamento ocidental associa coletividade com coerção e se vê desta maneira obrigado a projetar o poder de criatividade para fora da sociedade.


O fator considerado responsável pelo êxito de um artefato depende do tipo de arte em questão: pintura corporal, tecelagem, trançado, cerâmica, escultura, produção de máscaras ou arte plumária. Quando predomina a dificuldade técnica, serão prezadas a concentração, habilidade, perfeição formal e disciplina do mestre. Mas quando predomina a expressividade da forma, a fonte de inspiração é quase sempre atribuída a seres não humanos ou divindades que aparecem em sonhos e/ou visões. Dificilmente se responsabilizará a ‘criatividade’ do artista pela produção de novas formas de expressão. O artista é antes aquele que capta e transmite ao modo de um rádio do que um criador. Preza-se mais sua capacidade de diálogo, percepção e interação com seres não humanos, cuja presença se faz sentir na maior parte das obras de aspecto figurativo, do que a capacidade de criação ex nihilo, criação do nada. Esta ideia de ser mais receptor, tradutor e transmissor que criador vale para a música, a performance e a fabricação de imagens visuais e palpáveis.

O complexo processo de criação artística e performance do xamã entre os Araweté é descrito por Viveiros de Castro nos seguintes termos:
O xamã é como um rádio, dizem. Com isto querem dizer que ele é um veículo, e que o corpo-sujeito da voz está alhures, que não está dentro do xamã. O xamã não incorpora as divindades e os mortos, ele conta-canta o que vê e ouve: os deuses não estão “dentro de sua carne”, nem ocupam o seu hiro (corpo). Excorporado pelo sonho, o xamã ou seu “ex-corpo” (hiro pe) fica na rede, enquanto sua i~ – aquela que será do céu – sai e viaja. Mas é quando ele volta que o xamã canta. E, quando os deuses descem à terra com ele – que é quem “faz descer” (...) os deuses -, descem em corpo, não em seu corpo... Um xamã encena ou representa os deuses e mortos, ele torna visíveis e audíveis suas ações, mas não os encarna em sentido ontológico.

Os colecionadores de arte ‘primitiva’ muitas vezes só reconheciam peças incomuns, ‘espetaculares’ e de uso não cotidiano como candidatas a serem incluídas nas coleções de arte não ocidental, desconhecendo o fato de a maior parte da produção artística indígena se encontrar no campo da chamada ‘arte decorativa’ de uso cotidiano.


É exatamente esta distinção entre arte e artefato que a maioria das etnografias sobre a produção de artefatos e artes indígenas vem negando há mais de dez anos: não há distinção entre a beleza produtiva de uma panela para cozinhar alimentos, uma criança bem cuidada e decorada e um banco esculpido com esmero. Como afirmam os Piaroa (Venezuela) todos estes itens, desde pessoas a objetos, são frutos dos pensamentos (a’kwa) do seu produtor, além de terem capacidades agentivas próprias: são belas porque funcionam, não porque comunicam, mas porque agem.

No universo artefatual ameríndio, a cópia é muitas vezes considerada como sendo da mesma natureza que o modelo, e tende a ser produzida através das mesmas técnicas que o original. Por essa razão podemos afirmar que, entre os ameríndios, artefatos são como corpos e corpos são como artefatos. Na medida em que a etnologia começa a dar mais atenção ao mundo artefatual que acompanha a fabricação do corpo ameríndio, a própria noção de corpo pode ser redefinida. Um dos aspectos principais da concepção ameríndia sobre a corporalidade, que concebe o corpo como fabricado pelos pais e pela comunidade e não como uma entidade biológica que cresce automaticamente seguindo uma forma predefinida pela herança genética, ganha deste modo um relevo todo especial.


Ver BELAUNDE (2005 e 2006) para um estudo comparativo da ‘hematologia ameríndia’, ou seja, das concepções ameríndias sobre o papel do sangue no transporte dos pensamentos. A compreensão de que o pensamento é transportado pelo sangue explica muitas práticas particulares largamente difundidas entre os Ameríndios como o resguardo e dieta depessoas próximas a pessoas doentes ou recém-nascidos como a couvade (o resguardo) do pai. O sangue continua ligado às pessoas de onde provém e tanto o que as pessoas ingerem quanto o que fazem atinge pessoas ligadas pelo sangue, não somente por nascimento mas também através da convivência, pela partilha de substâncias. A afirmação que o sangue transporta pensamentos e emoções ajuda igualmente a entender frases como as dos Kaxinawa que sustentam que ‘é o corpo que pensa’ e que um ‘coração forte’ caracteriza uma pessoa que sabe controlar suas emoções e seus pensamentos.

O corpo e a pessoa não são concebidos como entidades biológicas que crescem e adquirem suas características automaticamente, por determinação biológica e genética, mas como verdadeiros artefatos, moldados e esculpidos ao modo e no estilo da comunidade. Daí a crucial importância dos ritos de passagem e dos períodos de reclusão para jovens em muitas destas sociedades, especialmente rigorosos e longos no Xingu, pois é nestas ocasiões que a sociedade fabrica corpo e pessoa simultaneamente. É por esta razão que praticamente toda a produção artística dos indígenas brasileiros gira em torno da produção e decoração do corpo humano, de onde ressaltam especialmente a arte plumária, as pinturas corporais e as máscaras rituais, mas também os instrumentos para alimentar e hospedar este corpo, assim como os utensílios de obtenção dos alimentos.

No universo ameríndio ressalta a onipresença da figura da anaconda ou jiboia primordial ou sobrenatural como dono/a original de todos os motivos decorativos usados na pintura corporal, na pintura das panelas, no trançado dos cestos e na tecelagem de tecidos. Os diferentes mitos de origem do desenho relatam de modo diferente as estratégias de obtenção desta riqueza usadas pelos primeiros humanos. O fato de existir, em todas estas culturas, uma associação entre desenhos e a sucuri, mostra que se trata de algo mais do que uma simbologia idiossincrática de uma cultura particular, trata-se de um dado transcultural amazônico, um símbolo-chave da região.

Entre os Wauja, a cobra-grande aparece na forma de cobra-canoa carregando panelas cantantes. Estas panelas tinham todos os motivos possíveis, que por sua vez foram derivados da pele da anaconda. O aspecto monstruoso da cobra está nas panelas, pois esses seres são os mais temidos monstros devoradores. Seu perigo reside na transformação irreversível que impõem ao corpo. Uma vez devorado por um monstro-panela, o ser não poderá ter vida post-mortem, visto que sua imagem também foi aniquilada.

Através dos cantos e da visão provocada pela bebida cujo dono é a grande cobra mítica, Yube, a pessoa aprende através do yuxin, ou alma do olho, a ver o mundo que a luz do sol esconde: a outra face da floresta com seus animais, uma face onde ‘todos são gente’.

Levando em conta a ênfase ontológica fundamental da concepção amazônica do mundo, na constante transformação de um ser em outro, somos obrigados a reinterpretar a relação entre, por um lado, percepção e criação (com a percepção sendo, de alguma maneira, uma criação) e, por outro, entre aparência, ilusão e realidade. Encontramos nas reflexões de Schweder sobre estados da mente indicações que estão relacionadas a questões próximas a nossa problemática:
Alguns argumentam, por exemplo, que a imaginação é oposta à percepção… Outros sustentam que percepção é uma forma de imaginação (como a afirmação de que a percepção visual é uma “construção”), enquanto outros argumentam que imaginação é uma forma de percepção (por ex., que o sonho é o testemunho de outro nível de realidade). Outros ainda argumentam em ambas as direções, e de forma dialética, a favor da percepção imaginativa e da imaginação perceptiva.
Para os Kaxinawa e para a maior parte dos grupos ameríndios, a função do desenho [corporal] não é a de distinguir humanos de animais e sim o de marcar a especificidade da produção estética e corporal kaxinawa, diferente de todos seus vizinhos. O que, por outro lado, é interessante notar é que nenhuma das pinturas [faciais] segue a lógica da nossa cosmética: não realça os olhos ou a boca, suavizando ou realçando traços naturais do rosto, mas impõe outro padrão.

Uma característica propriamente kaxinawa é o de inserir, num padrão aparentemente simétrico, um elemento assimétrico que propicia unicidade emovimento à peça, além de em alguns casos levar à transformação de um padrão em outro.

Funcionalidade e contemplação se tornam inseparáveis, resultando a eficácia estética da capacidade de uma imagem agir sobre e, deste modo, criar e transformar o mundo. Se a arte, a nossa e a dos outros, fascina, é porque não podemos nunca parar de sonhar a possibilidade de criar novos mundos. Esta possibilidade da coexistência e sobreposição de diferentes mundos que não se excluem mutuamente é a lição ainda a ser aprendida com a arte dos ameríndios.





sexta-feira, 19 de julho de 2013

Neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra. Philip Low: "Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência." (Veja)

Estarei esperando o manifesto sobre as plantas.
Atitudes que drenam energia
(Autor Desconhecido)


1 – Pensamentos obsessivos

Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos – mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

2 – Sentimentos tóxicos

Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

3 – Maus hábitos – Falta de cuidado com o corpo

Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

4 – Fugir do presente

As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5 – Falta de perdão

Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica ”energeticamente obeso”, carregando fardos passados.

6 – Mentira pessoal

Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7 – Viver a vida do outro

Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8 – Bagunça e projetos inacabados

A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do auto-conhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9 – Afastamento da natureza

A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

"Quase todos nós temos uma história e nos rotulamos: 'eu sou professor', 'eu sou avó', 'eu sou mãe', 'eu sou marido', eu sou isto ou aquilo, eu sou... Essa nossa história é como um programa de computador instalado entre nossas orelhas, que nos controla a vida. Nós o levamos ao trabalho, às viagens de férias, às festas. Passamos a vida tentando nos adaptar à nossa história. Tentar ajustar-se a uma história torna qualquer um infeliz. Você não é a sua história e ninguém dá a mínima para isso. Você não pertence a uma categoria, a um compartimento. Você é um ser humano justamente porque tem uma série de experiências. E, quando você parar de arrastar uma história por aí, você vai ser muito mais feliz." (Andrew Matthews)


Ayahuasca e psiquiatria.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Los primeros efectos pueden ser: una profunda relajación y una sensación de bienestar que empieza a inundar el cuerpo. La reacción emocional empieza a ser satisfactoria y puede darse el caso de que te den ganas de reir. Las primeras visiones pueden ser simples, o pequeños píxeles de colores flotando. Pueden presentarse también sensaciones desagradables, como el deseo de vomitar. Si es así, no debe preocuparle, pues puede ser un síntoma de desintoxicación física, necesaria para el cuerpo. Como posiblemente comprobará en su experiencia, el vómito suele lanzar emociones negativas arraigadas en el cuerpo. Cuando el efecto de la ayahuasca está en su apogeo, produce una especie de embriaguez que dificulta al cuerpo el ponerse de pie, por lo que de ser posible, debe vaciar la vejiga y los intestinos antes de la experiencia o durante sus primeros momentos.

Durante la fase en que se ha “entrado” completamente en la experiencia, puede experimentarse una despersonalización unida a la experiencia de la belleza, y la empatía con otros seres y fenómenos. Se experimenta a un nivel muy profundo la unidad entre todos los seres y una ausencia de límites subyacente a todo lo existente. Las sensaciones corporales pueden ser: piel liquida, distorsión en las proporciones del cuerpo, pero en todo caso una conciencia total del cuerpo como una unidad de energía vibrante, no como un saco de carne y huesos. Las emociones en éste nivel ya han tomado unas dimensiones abrumadoras. Se experimenta una felicidad o un amor sin límites. Las visiones pueden ser complejos objetos de una belleza exquisita, o representaciones de ideas arquetípicas que nos están enseñando algo. La experiencia puede ser, de principio a fin, de un contacto con el Espíritu y la belleza más profunda. O puede enfocarse en algunos momentos en la curación de heridas emocionales y psicológicas. Si se está curando algo en el interior es posible experimentar sensaciones físicas desagradables o sentir que la experiencia se está tornando difícil. Recuerde que aunque la experiencia se torne difícil, la sensación de libertad y ligereza experimentados tras la purificación harán que pasar por ésos momentos haya valido la pena. Lo peor que puede hacer en ésos momentos es resistirse al proceso. Cultive siempre una actitud de abandono a la experiencia. Evite hablar con las otras personas que están tomando la experiencia. Si necesita hablar o que le asistan en otras necesidades, recuerde que siempre puede contar con los ayudantes.

No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas:

  • A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma/Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
  • A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora do corpo. Este voo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
  • Viagem por mundos paralelos (Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
  • O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
  • Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
  • Interação com espíritos da natureza
  • Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe/estados alterados de consciência (tambores, maracás etc.)
  • Conhecimento sobre o fogo
  • Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
  • Canções de Poder
  • Danças
  • Respiratórios e dietas
  • Contação de histórias, preleições

terça-feira, 9 de julho de 2013

"Mestre Linji disse: 'Se nesse momento presente você não é capaz de encontrar o Buda pessoalmente, então por incontáveis vidas que virão você terá que renascer nos três reinos do samsara, sempre procurando por algo para se agarrar que te fará se sentir mais confortável, e continuamente renascendo no útero de um boi ou asno.' Mestre Linji perguntou: 'Hoje, em cada atividade ordinária que você fez, você sentiu que faltava algo? Houve algum momento em que os seis raios milagrosos de luz não brilharam?' As seis luzes milagrosas são nossas consciências dos sentidos: visão, audição, olfato, toque, paladar e pensamento. Na nossa consciência, a mente brilhante se manifesta. Se usarmos estas seis luzes milagrosas de modo habilidoso, então nós somos Budas." (Thich Nhât Hanh)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Teoria do Divertimento

(Cláudio Weber Abramo)

Um dos benefícios de se viver em ambientes não-colonizados é a presença de estímulos diversos ao exercício da imaginação. O Brasil, como sabe quem enxerga, não é um desses ambientes. Por aqui, a última atitude que o ambiente tolera é o pensamento imaginativo. Imaginação, por aqui, só ganha espaço quando voltada para a embromação, a picaretagem, o puxa-saquismo. Se o sujeito demonstrar alguma imaginação no trabalho, será visto como ameaça e perderá o emprego.

O gancho para essa reflexão pessimista (como é o hábito aqui) vem de uma iniciativa da Volkswagen na Suécia, e que me foi apontada por minha enteada de 15 anos, que a encontou navegando pela Internet. A iniciativa tem o nome de “Teoria do Divertimento”. Trata-se de estimular pessoas a desenvolver ideias que levem a incremento de atitudes socialmente relevantes por meio do estímulo do divertimento. Cada ideia apresentada é examinada por um júri. As escolhidas recebem um prêmio de 25 mil coroas suecas (cerca de R$ 6.250). Até o momento, três ideias foram desenvolvidas. Uma delas, não entendi. Ver aqui os filmes que exibem a materialização das ideias. São geniais. As duas outras são as seguintes:

1) Piano-escada

Pessoas que se transportam de metrô usam preferencialmente escadas rolantes para entrar e sair das estações. Como forma de estimular o uso das escadas comuns, alguém apareceu com a idéia de instalar, nos degraus dessas escadarias, sensores que emitem sons quando submetidos a pressão. Os sons foram programados conforme a escala de um piano e os degraus receberam revestimentos que simulam essa escala. A engenhoca foi instalada numa estação de Estocolmo. Resultado: houve um aumento de 61% no uso das escadas comuns.

2) Lixeira-abismo

Outro projeto escolhido se dirige ao estímulo do uso de lixeiras em parques. Numa lixeira de um parque de Estocolmo instalou-se um dispositivo mecânico-eletrônico sensível a movimento. Toda vez que um objeto é jogado para dentro da lixeira, o dispositivo emite o som de algo que cai, cai, cai até chegar ao fundo de um abismo. Quando alguém joga um pedaço de papel dentro da lixeira, a coisa soa mais ou menos assim: fiiiiuuuuuuu…… bum! Houve um aumento de 41 quilos depositados nessa lixeira em relação a outras lixeiras situadas proximamente.

O eventual leitor poderá dizer: bem, legal, mas e daí? Não há coisas mais importantes no mundo? Decerto há outras coisas importantes. Mas imaginação, inventividade, criatividade verdadeira, são muitíssimo relevantes. Submeto ao eventual leitor a seguinte pergunta: Qual é a chance uma inventividade do tipo relatado manifestar-se no Brasil?

Hedionda corrupção

Tornar corrupção crime hediondo é uma medida simbólica, é mais discurso que prática, disseram os debatedores há pouco, no Programa Alexandre Garcia (Globo News). "Não adianta nada se o nosso CPC e o nosso Código Penal estão cheio de brechas pra entrar com recurso", disse o diretor do Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. Ele disse que iniciativas de prevenção são bem mais importantes, como a Emenda Peluso, que faz com que o réu espere julgamento de recurso cumprindo a pena, e o projeto de tornar possível a criminalização de pessoa jurídica. Abramo ainda disse que tornar corrupção crime hediondo abre caminho pra tornar outros crimes igualmente hediondos, como sonegação fiscal.