(Cláudio Weber Abramo)
Um dos benefícios de se viver em ambientes não-colonizados é a presença de estímulos diversos ao exercício da imaginação. O Brasil, como sabe quem enxerga, não é um desses ambientes. Por aqui, a última atitude que o ambiente tolera é o pensamento imaginativo. Imaginação, por aqui, só ganha espaço quando voltada para a embromação, a picaretagem, o puxa-saquismo. Se o sujeito demonstrar alguma imaginação no trabalho, será visto como ameaça e perderá o emprego.
O gancho para essa reflexão pessimista (como é o hábito aqui) vem de uma iniciativa da Volkswagen na Suécia, e que me foi apontada por minha enteada de 15 anos, que a encontou navegando pela Internet. A iniciativa tem o nome de “Teoria do Divertimento”. Trata-se de estimular pessoas a desenvolver ideias que levem a incremento de atitudes socialmente relevantes por meio do estímulo do divertimento. Cada ideia apresentada é examinada por um júri. As escolhidas recebem um prêmio de 25 mil coroas suecas (cerca de R$ 6.250). Até o momento, três ideias foram desenvolvidas. Uma delas, não entendi. Ver aqui os filmes que exibem a materialização das ideias. São geniais. As duas outras são as seguintes:
1) Piano-escada
Pessoas que se transportam de metrô usam preferencialmente escadas rolantes para entrar e sair das estações. Como forma de estimular o uso das escadas comuns, alguém apareceu com a idéia de instalar, nos degraus dessas escadarias, sensores que emitem sons quando submetidos a pressão. Os sons foram programados conforme a escala de um piano e os degraus receberam revestimentos que simulam essa escala. A engenhoca foi instalada numa estação de Estocolmo. Resultado: houve um aumento de 61% no uso das escadas comuns.
2) Lixeira-abismo
Outro projeto escolhido se dirige ao estímulo do uso de lixeiras em parques. Numa lixeira de um parque de Estocolmo instalou-se um dispositivo mecânico-eletrônico sensível a movimento. Toda vez que um objeto é jogado para dentro da lixeira, o dispositivo emite o som de algo que cai, cai, cai até chegar ao fundo de um abismo. Quando alguém joga um pedaço de papel dentro da lixeira, a coisa soa mais ou menos assim: fiiiiuuuuuuu…… bum! Houve um aumento de 41 quilos depositados nessa lixeira em relação a outras lixeiras situadas proximamente.
O eventual leitor poderá dizer: bem, legal, mas e daí? Não há coisas mais importantes no mundo? Decerto há outras coisas importantes. Mas imaginação, inventividade, criatividade verdadeira, são muitíssimo relevantes. Submeto ao eventual leitor a seguinte pergunta: Qual é a chance uma inventividade do tipo relatado manifestar-se no Brasil?
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quinta-feira, 4 de julho de 2013
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