Não há progresso de melhoria na arte, porque senão Radiohead seria 30 anos melhor do que Beatles; sempre as novas bandas criativas seriam superiores às que as antecederam; os anos 90 seriam superiores aos 80, que seriam superiores aos 70, e assim por diante; e isso não é verdade. O que há é o pogresso de progredir no tempo, ir além no tempo, avançar no tempo; de fazer diferente, já que muitas coisas já foram feitas antes; é o mecanismo de eterna inovação da arte, possibilitado justamente pelo tempo, pelo acúmulo de vanguardas no decorrer do tempo, que servem como base facilitadora - e dificultadora - para os criadores do agora, que nunca pára. Cada obra de arte é uma unidade completa que chega ao infinito na alma do fruidor, e não há como comparar infinito com infinito. Mas isso não quer dizer que não é importante verificar o progresso temporal da arte, as interinfluências que vão movimentando o progresso da arte no tempo, o contínuo renascimento da arte e a contínua infinitude das possibilidades (sem incorrer na repetição de combinações, pois as notas musicais são sete e só existem elas para serem eternamente repetidas, em infinitas combinações), o que comprova a inesgotabilidade da vanguarda.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
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