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quarta-feira, 19 de novembro de 2003

Imagine você. Você encontra o amor da sua vida, aprende a amar, vive o amor como sentido da existência, tem como lema é-um-pelo-outro. Até então, você era responsável por praticamente 100% de cada decisão a ser tomada, cada passo no longo passeio. Na nova realidade, a coisa muda: você passa a ser responsável por, em média, 50% de cada decisão a ser tomada - uma lógica automática de tão natural e intrínseca ao tipo de relação humana de que estamos tratando aqui. Seus amigos - incluem-se parentes-amigos - que estavam acostumados com o 100 e que ou são menos inteligentes, ou estão menos atentos, ou estão imersos num recalque umbilicocêntrico que visa à infelicidade alheia como forma de autoconforto, acham que você está sendo mandado pelo seu amor, que você está obedecendo ordens de outrem. E então a real percepção dessa nova realidade pelo amigo é prejudicada, até mesmo impedida. É necessário ter os olhos inclusive fora da cabeça para compreender as coisas todas, para ser justo; para reconhecer os próprios problemas a serem resolvidos e perceber que cada outro é um ser único e complexo como si próprio.

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