Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

sexta-feira, 7 de novembro de 2003

Vanguarda. O que esta palavra representa para mim, no post em que eu reclamo da falta dela, é um som realmente que não se encaixa em nenhum rótulo, não serve para ser ouvido com freqüência por sua natureza anticonvencional, mas que mexe com alguma coisa dentro da minha mente, muda minha visão de música, meu panorama do que pode ser feito com instrumentos musicais. Apresenta uma sonoridade impactante. Reclamei mais do RS. No Brasil deve ter alguma coisa, e o limite entre a vanguarda e a não-vanguarda, mesmo para um sujeito só, no caso eu, situação em que não há necessidade de concordância de opiniões diferentes, é nublado. O Ivan Santos, da De Inverno Records, de Curitiba, fez um longo comentário no post abaixo sobre o assunto e indicou várias bandas, de vanguarda ou não, que ele acha interessantes nos cenários alternativos paranaense e brasileiro em geral. Achei que valia a pena trazer o comentário aqui para o main stage.

Ivan em 06/11/03 16:59

Aí Douglas, atrasado, eu volto aqui pra comentar aquela história da falta de bandas de “vanguarda” no Brasil; eu diria o seguinte; sobre “vanguarda” acho complicado dizer, porque esse conceito é muito discutível hoje em dia, mas com certeza atualmente tem muita gente fazendo coisas legais, diferentes, autorais no Brasil. Só pra ficar em alguns exemplos de coisas que chegaram até a gente, eu que eu lembro agora e te recomendo a dar uma procurada : 1) Hurtmold, de São Paulo, banda que tocou no Rock de Inverno 3, e tem dois cds lançados pela submarine records, e faz um som que transita entre Mogwai e Tortoise (a comparação é minha), o que eu já vi alguns chamando de pós-hardcore [e eu, de math rock]; 2) de Vitória, tem o lesi.o.nada grupo que tem um ep ótimo lançado em 2000, e combina longas passagens instrumentais com vocais sussurrados; 3) tem o Wandula, de Curitiba, que combina música européia, trilha de filme, minimalismo; 4) e a Edith, vocalista do Wandula e do Svetlana, que já tem dois discos lançados, com instrumentação de piano, violoncelo, acordeon, escaleta, teclado, e canções em várias línguas; 5) tem o Vurla, de SP, que tocou recentemente aqui no Curitiba Pop Festival, e também faz rock instrumental, na linha de Mogwai e etc (está pra ser lançado o primeiro disco pela slag records); 6) tem o Continental Combo, de SP, novo projeto do Sandro Garcia (Momento 68), que reúne influências que transitam sonoramente entre: folk rock, mod, levadas jazzy, rock psicodélico, pós-punk e rhythm and blues, somado a letras em português que referenciam à poesia surrealista, e lançou recenmentente o EP “Nova manhã”; 7) o mesmo sandro tem outro projeto, Dellatrons, que lançou um cd que é uma trilha de um filme que na verdade não existe, o pretexto pra eles fazerem um som experimental e climático. 8) daqui de Curitiba, teve recentemente o lançamento do cd solo do Lúcio Machado (parceiro da De Inverno Records, responsável pela parte técnica da maioria das gravações/lançamentos do selo), chamado x´tru metal (não sei como se escreve direito) e que é isso mesmo, um cd de rock, pesado, psicodélico e climático, só que todo instrumental, sem vocais; 9) aqui tem também uma outra banda chamada Naftalanja, que também lançou um cd instrumental, quase jazz psicodelic rock, e cujos shows são verdadeiros happenings; 10) tem o Blue Afternoon, que acaba de lançar disco pela Bizarre Records, de SP, e faz um som na linha do Tindersticks, com vocais graves e melodias soturnas; 11) tem o disco solo do Maurício Takara (submarine records), baterista do Hurtmold (e que também toca com Oto, Stela Campos), ele gravou o disco tocando quase todos os intrumentos, tudo instrumental, com um detalhe, nenhuma música tem nome, elas são identificadas simplismente como 001,002, etc; 12) ainda de Curitiba, tem o Vitoriamario, um dos muitos projetos do Guilherme Glerm, ex-vocalista do Boi Mamão; esse projeto não tem uma formação fixa, e as apresentações são descritas como “rituais eletroacústicos”; 13) e tem um dos meus preferidos dos últimos tempos, o Gianoukas Papoulas, de SP, que não é vanguarda, nem revolucionário ou experimental, nem se pretende a reiventar a roda, mas apenas a fazer boas canções, bem tocadas, com arranjos interessantes, boas letras, enfim, uma aula de simplicidade e bom gosto (lançou ótimo ep recente disponível na trama virtual e na página deles, que também é bem legal) 14) e tem o cidadão instigado, banda liderada pelo guitarrista Fernando Catatau, de Fortaleza, que um disco que soa como se o tom zé tocasse numa banda de jazz rock psicodélico, todo gravado analogicamente. (...)

Nenhum comentário: