Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

segunda-feira, 3 de novembro de 2003

Por que será que praticamente não há bandas de vanguarda em Porto Alegre e no Brasil? Não se ousa e não se cria. Será que o Massari é chamado de Reverendo Massari porque gosta de catequizar? Eu gosto de catequizar. Emprestei três CDs de MP3 para o meu amigo-de-almoço, que, no ano passado, não sabia que música era arte assim como um quadro. E o Experimental Jet Set, Trash And No Star. Quem sabe se espalhando mais bandas, mais cores diferentes do rock alternativo, esse quadro pobre da arte musical no país não vai mudando, a trote de lesma? Eu gosto de pesquisar bandas e de sugeri-las aqui, assim como mostrar e emprestar CDs para os amigos. A parceria mais direta é com o Muriel, que geralmente é aberto e, mesmo que não goste na primeira audição, ouve mais vezes e, não raro, acaba gostando, de fato. Aliás, não quer ler o Mate-me Por Favor? A Manuela disse que o presenteia com um. Meu amigo-de-almoço, o Flávio, resumiu numa palavra os MP3: tristes. Para ele, o melhor foi Air e o pior, Cat Power. Eu disse para ele não desistir do Sonic Youth na primeira audição, a qual adiantei que seria esquisita. Ele estava ansioso para ouvir a minha banda preferida e estudar o "UFO", como eu sou chamado pelos colegas de trabalho dele. Ele disse que gosta das músicas que ele ouve e gosta, que não acha certo isso de se acostumar, de ouvir mais vezes. Eu aprendi a ouvir mais vezes na Showbizz de fevereiro de 1997, com a Courtney Love na capa. A resenha era do Earthling, do David Bowie, feita pelo Pedro Só. Ele escreveu que ouviu oito vezes para descobrir o que aquela sonoridade queria dizer. Eu levei mais de dez anos - e muitas audições de muitas sonoridades - para entender The Ramones. É maravilhoso como a história do gosto musical - de ouvintes pesquisadores-obsessivos e interessados como eu - progride como uma árvore: um galho mais grosso origina uns outros mais fininhos, enquanto que alguns aparentemente fortes apodrecem e caem ou não crescem mais a partir dali. Eu quero ir para Nova York, assistir a shows que signifiquem um avanço no pensamento artístico. Ou pelo menos para outras capitais brasileiras. Porto Alegre está pobre.

Nenhum comentário: