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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Árvore da Vida (The Tree of Life),
de Terrence Malick (EUA, 2011)

por Fábio Andrade/Revista Cinética

A Árvore da Vida usa . . . uma abordagem formal e estrutural em um primeiro momento bastante impressionante. Experiência sem paralelos claros na história, A Árvore da Vida vem com a marca dos filmes malditos que abrem novas possibilidades para o cinema que parecem impossíveis de serem levadas adiante (Aurora, de Murnau; Limite, de Mário Peixoto; os filmes de Leos Carax), decupado, filmado e montado a partir de uma língua absolutamente própria (...).

. . . enquadramentos absolutamente vertiginosos, cortes arriscadíssimos e uma decupagem circular, que cisca em torno dos momentos narrados pelo filme, construindo não exatamente uma narrativa, mas um mosaico de impressões de vida. Em A Árvore da Vida, há falas, não diálogos. (...)

Quando há a necessidade constante de uma representação perfeitamente apreensível (e o excesso de perfeição em cada plano é o que faz de A Árvore da Vida o filme mais imperfeito de toda a carreira de Malick), é inevitável resvalar nas tentações do didatismo e das simplificações. Se a casa é um útero e o nascimento é uma benção da natureza, por que não representar um parto logo por uma casa dentro de um lago, que cospe o protagonista pela porta da frente? Se um homem faz as pazes com sua história, porque não dobrar o tempo e colocar todos os personagens caminhando em uma praia, fazendo carinhos fantasmas na cabeça do protagonista? Se há uma passagem espiritual a se fazer, por que não colocar o protagonista atravessando uma porta no meio de uma paisagem sem paredes? (...)

Não é à toa que os grandes momentos de A Árvore da Vida - e não há dúvida que eles existem - sejam aqueles que parecem, e apenas parecem, menos preocupados em dizer claramente alguma coisa. São momentos em que a materialidade bruta da representação evoca sentidos e sensações; mas esses sentidos provêm dessa representação, eles não são representados por ela. (...) [Na minha opinião a tomada da queda da cachoeira é exatamente isso.]

E é neste tipo de procedimento - pesadas cortinas que por vezes se abrem e permitem breves vislumbres de maravilhamento - que A Árvore da Vida sai da vertigem extasiada de quem gira incessantemente em círculos, feito uma criança que se deleita com o torpor de seu próprio movimento, e passa a de fato girar em falso, espanando seus próprios encaixes, banalizando suas maiores conquistas.

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