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terça-feira, 12 de setembro de 2017

<< Durante todo o fim de semana houve uma intensa batalha para definir os atos desse aluno [que havia assassinado diversas mulheres a tiros numa universidade]. Vozes dominantes insistiam que ele tinha uma doença mental, como se isso o definisse, como se o mundo estivesse dividido em dois países chamados "Normal" e "Louco", que não compartilham uma fronteira ou uma cultura. Entretanto, a doença mental é geralmente uma questão de grau, não de tipo, e muitas pessoas que sofrem com isso são gentis e compassivas. E de muitas maneiras - incluindo a injustiça, a ganância insaciável e a destruição ecológica - a loucura, tal como a mesquinharia, é um fenômeno central à nossa sociedade, não fica simplesmente nas margens. Em um artigo fascinante publicado em 2013, T. M. Luhrmann observou que na Índia, quando os esquizofrênicos ouvem vozes, provavelmente elas lhe dirão para limpar a casa, enquanto para os norte-americanos as vozes em geral ordenarão que cometam alguma violência. A cultura é importante. Ou como disse um amigo meu, investigador de defesa criminal, que conhece intimamente a insanidade e a violência: "Quando se começa a perder o contato com a realidade, o cérebro doente se agarra, de maneira obsessiva e ilusória, naquilo em que está imerso - na doença da cultura ao redor." O assassino de Isla Vista também foi chamado repetidamente de "aberrante", como que para enfatizar que não era, em absoluto, como o restante de nós. Mas outras versões dessa violência estão em toda parte ao nosso redor, e principalmente na pandemia de ódio e violência contra as mulheres. >>

SOLNIT, Rebecca, "Os homens explicam tudo pra mim". São Paulo: Cultrix, 2017. P. 156-157.

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