Por parecer que há um oito de luz nessa foto tirada de mim pela Angela Francisca, chegamos ao oitavo arcano maior do tarô, a Justiça, coincidentemente (não existem coincidências, Douglas Dickel) representada pela balança de Libra, meu signo zodiacal. Consultamos o livro com que eu a presenteei, que relaciona o tarô com Jung, coincidentemente o cara que criou uma teoria sobre as coincidências, a famosa Teoria da Sincronicidade. Pois, a descrição simbólica da carta tem tudo a ver comigo.
NICHOLS, Sallie. Jung e o tarô - uma jornada arquetípica.
Essencialmente, a Justiça não se preocupa com a exatidão matemática, senão, como Astréia, com a harmonia, a beleza funcional e uma espécie de verdade que transcende a mensuração mecânica... "A beleza é a verdade, a verdade é a beleza..." A realidade da famosa equação poética de Keats, inspirada pelos Mármores de Elgin, foi novamente imortalizada nas colunas do Partenão, que parecem exatas mas que são, na verdade, côncavas no topo. Se as suas proporções tivessem sido medidas pelas regras da lógica, em vez de o serem pelas escalas da harmonia, essas colunas teriam parecido grosseiramente desequilibradas. Suas dimensões foram criadas para corresponder às limitações e à perspectiva do olho humano. Através da sua verdade imperfeita, lograram a beleza imortal.
Esse tipo de justiça poética opera, aparentemente, nos tribunais tanto do céu quanto da Terra. Não se ocupa da moralização severa nem das questões de crime e castigo. Dedica-se, antes, à restauração das leis universais da harmonia e do equilíbrio criativo.
A psique, como o corpo, faz parte da natureza, de modo que não nos surpreende que ela também opere de acordo com leis similares de compensação. O inconsciente sempre age de maneira compensativa em relação à consciência. Um sonho não traz uma figura diametralmente oposta ao ponto de vista consciente. Ou melhor, as figuras do sonho modificam a posição do ego. Não são inimigas da consciência; devem ser vistas mais como adversários num jogo amistoso ou como sócios empenhados numa tarefa mútua. Jung acentua o fato de que os nossos sonhos são complementares em relação ao ponto de vista do ego e que a palavra complementar significa "tornar completo". A completação, diz ele, não é a perfeição. A psique é um sistema auto-regulador que não visa à perfeição, senão à totalidade e ao equilíbrio.
Como os dois lados da balança da Justiça, o consciente e o inconsciente travam um diálogo constante. O comportamento deles é um comportamento de gangorra, um bailado de compensação sempre em movimento.

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