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domingo, 26 de setembro de 2010

A nova facada de Lukas Moodysson no estômago: 'Mammoth'.



Por que cantam as baleias...?
(Maico Silveira)


O homem usa o mundo a seu proveito. O homem produz canetas de vários mil dólares com restos de mamutes congelados. Enquanto uns lutam para fechar negócios, outros lutam para salvar vidas; e crianças tentam entender o mundo e o universo enquanto há gente lutando para tentar sobreviver. Lukas Moodysson escreve e dirige um dos filmes mais impactantes que vi nestes últimos tempos. Por que impactante? Talvez porque nos faz constatar o estado em que as coisas estão nesse mundo, "a que ponto chegamos" como humanidade. Mas talvez porque pessoalmente eu tenha me identificado com muitos dos personagens que ali estavam, como se de uma maneira ou outra esse filme estivesse contando como foram as relações pessoais nos últimos dois anos de minha vida. Claro que poderia fazer uma relação pessoal direta com o personagem de Gael - Leo - por motivos óbvios, mas não é só isso: são outras redes, outras frases, vindas de outros personagens e que podem facilmente ser aplicadas. Aí me pergunto: só pra mim? Claro que não. Acho que aí está o impactante: é um filme que proporciona essa identificação sem cair no lugar-comum, mostra as coisas como elas são, sem dizer se é certo ou errado, sem apontar culpados ou inocentes. A vida em cadeia, uma coisa como consequência de outra, a famosa busca da felicidade desde vários pontos de vista. Por que busco isso? Por que busco aquilo? Posso ter tudo e não ser feliz. Posso ter a geladeira cheia, mas não conseguir conquistar a atenção de quem quero bem. Posso viajar a trabalho com tudo pago e me entediar. Posso descobrir um outro eu, que existe, e que estava guardado em algum canto por algum motivo. Posso. É humano.

No fundo, fica essa sensação de que o que vale são as relações, os contatos pessoais, as experiências. A última cena do filme, a última imagem, aquela antes que baixe a tela negra, é dessas que nos fazem deixar cair uma lágrima solitária simplesmente porque quase se chega a compreender a vida. Quase. Logo acordamos, saímos do cinema e nos damos conta de que tudo continua e que não, o equilíbrio ainda não foi restituído: seguimos vivendo em desmedida a nossa tragédia quase clássica de cada dia. E não importa em que ponto do globo estamos: somos humanos e isso basta.

A resposta para a pergunta-título desta postagem é dada por um dos personagens em um dos momentos cruciais do filme: "pelo de sempre, para dizer 'oi', 'como estás?' 'tenho saudades', etc."


Cecília Barroso:
(que já escreveu 784 artigos no Cenas de Cinema)


Uma mãe cirurgiã bem sucedida, um pai nerd que ganha muito dinheiro criando jogos eletrônicos e uma filha que se identifica mais com a empregada, imigrante filipina, do que com eles. Este é o núcleo da trama de Corações em Conflito, que de forma batida trata do tema preferido do diretor Lukas Moodysson, a infância.

Crianças criadas por babás; mães que deixam os filhos em segundo plano para conseguir vencer na carreira e/ou para melhorar a vida da família; mães que querem se ver livre do problema; crianças que são obrigadas a vender seus corpos para sobreviver; trabalho escravo infantil e outras mazelas que precisam ser discutidas são, ou parecem ser, os motivadores deste drama.

Cheio de boas intenções, o filme até faz pensar, mas não consegue cumprir seu objetivo por ser tão quadrado e ao mesmo tempo artificial. Relações superficiais e mal desenvolvidas reforçam a impressão de que nada daquilo possa acontecer ou já ter acontecido de verdade.

Personagens estranhos e deslocados, como o pai, têm mais espaço do que precisam e outros, secundários, passam pelo máximo de situações apelativas possíveis, como se estivessem ali para tentar fazer o público chorar. Como se a temática precisasse de clichês para isso.

A falsidade do resultado acaba deixando o público alheio ao que acontece na tela e a sensação de tempo perdido acaba prevalecendo. (...)

Comprovando que cinema é uma arte subjetiva, o filme foi indicado ao urso de ouro no Festival de Berlim, ou seja, talvez outras pessoas gostem mais do que vão ver.


Eu:

O filme não é sobre os problemas que você enumera, nem sobre o drama deles, mas sobre o que está por trás, sobre o esqueleto daquilo tudo. É que o filme é sutil. A mente humana sempre busca símiles pra interpretar aquilo com que se depara. (Pessoas aqui na internet já mencionaram 'Babel' e 'Lost in translation', e eu inclusive poderia acrescentar 'Paris, Texas'.)

Mas 'Mammoth', sutil (inclusive tem título sutil, ao contrário do didático nome em português), é sobre ESCOLHAS e sobre a SOLIDÃO decorrente de certas escolhas dos seres humanos de agora. Sobre o valor do TRABALHO e o valor do DINHEIRO. A caneta de mamute é vendida por 30 dólares, com mais dois relógios, sendo que ela "custa" (para quem??) 12.500 reais; Leo compra tudo o que quiser; a médica compensa a filha com uma luneta cara; os dois trabalham sem parar para, no final, reafirmarem suas escolhas, enquanto que a babá decide mudar a vida; as pessoas esperam desastres pra tomarem decisões.

Lukas Moodysson é um dos melhores diretores da atualidade. Mesmo se fosse exatamente o mesmo tema batido, porque não é, o cienasta sueco constrói os personagens de modo que sejam EXTREMAMENTE humanos, TODOS, coisa que é difícil fazer - e encontrar - no cinema e na arte em geral.



"Desde 2001, a multinacional de produtos de papelaria Faber-Castell tem procurado mostrar ao mundo que faz mais do que lápis de cor. Numa estratégia de concorrência com a alemã Montblanc, tem lançado produtos cada vez mais sofisticados. É o caso da caneta Graf von Faber-Castell, da qual, a cada ano, é lançada uma edição diferente. Da coleção de oito peças já produzidas, fazem parte canetas de materiais insólitos, como marfim de mamute fossilizado. A edição 2008 foi produzida com uma madeira indiana chamada cetim e arrematada com detalhes de ouro e quartzo. Para vender o produto no Brasil - apenas dez unidades foram trazidas ao país, por 12 500 reais cada uma -, a Faber-Castell tem procurado eventos com grande potencial de atrair consumidores de alta renda (...)". (Caput Consultoria)

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