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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"A música [dos Mécanosphère] fica a cargo de Benjamin Brejon, onde os beats, os loops, os estilhaços e as violações sonoras são evidentes, criando uma ruptura com as sonoridades mais tradicionais, transformando a música num exercício claro de experimentação e novidade. A voz surge como um instrumento, contaminando a música de Brejon, cumprindo um dos móbeis do projecto – cruzar as fronteiras da música. A forma como Adolfo Luxúria Canibal declama os seus textos é conhecida por todos e funciona na perfeição com as sonoridades sombrias e muitas vezes angustiantes de Brejon. Em 'Bailarina' é contada uma história. Somos confrontados com vários cenários e as imagens surgem na nossa cabeça como flashes de memória. Uma auto-estrada, um acidente, imagens de carros acidentados, uma bailarina a dançar no capot de um Rolls-Royce, sangue, astronautas, sexo, mortos e muito sofrimento. O som que acompanha estas imagens é angustiante e deixa quem ouve com níveis de ansiedade elevados. Os ritmos muitas vezes sombrios e claustrofóbicos são muitas vezes transformados em percurssões nervosas, gemidos e gritos sofridos numa experiência sonora única e para muitos perturbante. “Bailarina” é uma viagem pelo mundo do fantástico, pela auto-estrada dos nossos medos e receios com um princípio, meio e fim. Um objecto sonoro irrepetível e impossível de colocar ao vivo da forma sofrida e dramática registada neste disco." (Rua de Baixo)

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