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segunda-feira, 2 de junho de 2014
"No momento em que você está dentro do carro, o seu self passa a ser o próprio carro, como se a sua pele fosse o espaço ocupado por ele naquela via pública. Tanto é assim que, se alguém passar a mão no carro, ou der um tapa, mesmo sem arranhá-lo, a pessoa pode se sentir incomodada com aquilo, como se o próprio corpo dele estivesse sendo tocado [que nem quando eu dei um tapa de cachecol num carro, na faixa de pedestres do Santander Cultural, e o motorista desceu, me alcançou e encostou um revólver na minha cintura e ameaçou no meu ouvido]. A evolução nos dotou do cortisol, da adrenalina, como uma resposta ao estresse, que vai fazer com que a gente possa lutar com o inimigo ou fugir dele. Isso possibilitou que sobrevivêssemos e passássemos os genes adiante. Mas essa leitura da natureza era para situações agudas: eu vou na floresta, caço, de preferência não sou caçado, e volto. Então, naquela situação o cortisol me ajuda: dilata a pupila, o coração bate mais rápido, se eu tiver que me locomover com mais velocidade. Isso faz sentido para que dê só aquela descarga, eu resolva o problema e volte. Mas a natureza não pensou evolutivamente que nós teríamos descargas constantes desses hormônios estressores; que eu vou entrar no automóvel, sentar ali e ficar duas horas para andar um trajeto curto, e começo, na falta de a quem culpar, culpar o vizinho, culpar o carro que representa outro que está lutando comigo frente àquele espaço. Leitura essa que só vai acontecer porque o estresse vai fazer o pedido para que o corpo demande aquela resposta que é impossível; eu tenho que continuar na velocidade em que eu posso andar, não há como fazer um movimento diferente, e por isso a intolerância com o que quer entrar... 'puxa, mas só falta isso; já estou atrasado, estou cansado e esse doido quer me roubar um segundo do meu tempo!'. Então, a chance de ter uma discussão, algum agravamento, é realmente maior quanto mais os sistemas sociais coloquem um impasse entre o que diz a biologia – o que pede a biologia para que façamos – e o contexto social que diz como seria mais prudente a gente se comportar." (Jayme Vaz Brasil, psiquiatra)
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