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sexta-feira, 1 de setembro de 2006

" . . . a multiplicidade dos objetos que nos causam felicidade não garante que sejamos mais felizes. Por isso é que existem ricos infelizes e pobres felizes. Mais: até a satisfação dos desejos tem um teto. Essa pode ser até outra lição sobre os caminhos que podem nos levar à felicidade. Não adianta acumular (ou ter) demais. Parece bobo, mas muita gente ainda escorrega nisso. É só perguntar para um colecionador de automóveis: até um determinado ponto, adquirir mais um carro para a coleção traz uma grande felicidade (que dura só até a próxima aquisição). Depois de determinado número, porém, a emoção e o prazer vão diminuindo. Só um carro excepcional, raro e difícil de se conseguir vai trazer um pouquinho da felicidade já sentida antes. Mesmo assim, o colecionador continua comprando compulsivamente, na vã esperança de que a felicidade possa ser tão intensa quanto nas primeiras vezes (onde se lê colecionadores de carros, leia-se também aqueles que gostam de colecionar qualquer outra coisa, como sensações, emoções ou... paixões).

"A frugalidade dos desejos é o ponto básico dos filósofos epicuristas, por exemplo. Diferentemente do que se pensa hoje, eles não propunham uma orgia de prazeres sensuais, um hedonismo desenfreado. Afinal, eram gregos e sábios. O que diziam é que, para fruir verdadeira e intensamente a felicidade e o prazer, era preciso escolher. Portanto, 'hay que saber selecionar'. E a lista do que realmente pode nos fazer felizes tem de ser bem restrita, pensada. Pelo simples motivo de que ninguém vai conseguir preencher todos os itens de uma lista quilométrica. Exigências demais atrapalham, desejos demais também. 'Menos, menos', nos segreda a sabedoria grega (e certamente alguns namorados, ou namoradas, insastisfeitos com nossas cobranças).

"(...) A artista plástica Susana Urribarri . . . diz que aprendeu a ser feliz com a liberdade de pintar. 'Quando se tem um papel branco pela frente, podemos usar cores horrorosas que jamais poderíamos pensar em combinar, traços livres que podem ou não dizer alguma coisa, formas cheias e definidas ou não-formas. Nada está errado, nada tem de ser nada', diz. Ela acha que, assim como na pintura, a abertura é uma condição bastante essencial na busca da felicidade, já que não existe um padrão fixo para ela. É aquela história da borboleta: se você vai muito atrás da felicidade com uma rede, ela pode se espantar e não chegar perto de você. Se você ficar quietinho e aberto, pode até ser que ela pouse em seu ombro." (Liane Alves/Vida Simples)

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