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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

Uma vez eu tinha que economizar tempo e comi meu lanche sentado no vaso do banheiro da universidade, defecando. A porta não trancava e a fatalidade aconteceu: um cara burro empurrou a porta que estava encostada, só não estava trancada, me viu e começou a gargalhar. Larguei o lanche em cima da mochila que estava no meu lado, no chão, respirei fundo e chutei a porta de volta, com toda a força que pude produzir. Ela bateu na sobrancelha esquerda do cara, que começou a sangrar. O rapaz caiu por causa da dor inesperada. Sem levantar minha calça, juntei uma bosta minha de dentro da água do vaso, enfiei na boca do cara e mexi o maxilar dele para cima e para baixo. Falei:

- Por que eu não posso comer e cagar ao mesmo tempo? Nada me impede. O cu é na bunda e a boca é na cara, e isso nem é tudo, se eu quisesse eu poderia comer cocô. Nada me impede.

Na verdade eu não fiz nada disso, nem falei. Só empurrei a porta delicadamente de volta e ouvi quieto a gargalhada do cara, como se eu estivesse sendo humilhado. Mas hoje - hoje, especificamente - pensei o quanto é idiota e imbecil uma pessoa que pensa como aquele cara pensou. Ele nunca ouviu falar de alguém que tivesse feito aquilo que ele viu (porque isso é feio, viu? Que nem passar fio dental na frente dos outros, não pode!), por isso considerou uma aberração. Assim como ele considera tudo que não é padrão da Massa Humana como aberração. Alguém já parou para pensar que padrão não existe de fato, a não ser as leis da natureza e a ética (que ainda assim é subjetiva às vezes)? A Massa Humana existe de fato. E essa, sim, cheira a merda - metaforicamente. [Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002]

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