Dia 3. O carro não pegou por causa dos dezoito dias de inatividade. Fui de ônibus almoçar no RU da Unisinos. Tenho que comer tudo o que não comi por esquecimento e por reflexo dos dez dias ininterruptos de sessões de auto-reflexão. Nessas alturas, estar chapado é estar de cara e estar de cara é que é estar chapado. Alô Caco, saudade. Luís também, tenho dar para ele um exemplar do Apanhador com o texto dele sobre o Planeta Dos Chimpanzés. O Caco e o Luís não se dão :( A sala pública de informática da Unisinos só abre dia 18 de fevereiro, merda. Nesse meio tempo vou ter que usar internet à manivela. Por exemplo, este texto está sendo digitado no bloco de notas, e não online no Blogger. (P.S.: Na hora de postar, o site do Blogger levou mais de trinta minutos para carregar.)
Dia 2. Quatro pessoas. Seis potinhos de tinta guache e vinte e uma folhas A4, um copo com água e um pano de chão. Seis latinhas de skol e meia dose de absinto. Um ray-ban azul. Um blog do Pernapalm, vários Exploding Dog e muitos Mondo Guigui. Três travesseiros, cinco marias e alguns pedaços rasgados de jornal. Choros de três pessoas. Duas mochilas e uma bolsa. Duas escalas, três decolagens e três aterrissagens, quatro nútris e quatro copos de refrigerante e quatro sacos de amendoim, seis blablablás em português e seis em inglês aeromóceo. Mais um trem e mais cinqüenta minutos. Vinte e sete horas acordados e um sono.
Seis horas depois eu acordei sem saber o que pensar e chorei. Mais uma volta de viagem na minha vida. Qual a razão da tristeza? Saudade adiantada dos amigos (cada vez mais amigos), mudança brusca de ambiente (casa), retorno à rotina (obrigações), fim de férias (viagem), tudo pode ser. O mais engraçado e triste é que quando a gente volta parece que a viagem foi um sonho e que o tempo congelou pois tudo em casa está como a gente deixou. É por causa da referência. No Rio Grande do Sul eu não fico pensando "Eu estou no Rio Grande do Sul", mas em Brasília eu não paro de pensar "Eu estou em Brasília, de viagem, minha casa é em outro planeta". Pegue um mapa do Brasil e observe a distância entre São Leopoldo e Brasília, é muito triste.
Dia reveião teve ceia de hash pipe.
Agora, um aviso de utilidade pública:
Se você tem algum vínculo com a Unisinos e usa os seus laboratórios de informática, saiba agora, se ainda não sabe, que tudo o que você faz na rede é vigiado: todos seus arquivos e por onde você navega. Há um departamento para isso, cuja sede, entre o redondo e a banca de revistas, é cercada de espinhos e na porta de entrada tem uma câmera para identificação.
O meu login foi suspenso por um mês, com base na resolução 010/99, artigo 5º, inciso I, que diz que é expressamente proibida a utilização dos equipamentos de informática para produção, obtenção, armazenamento e remessa de imagens, documentos e/ou arquivos que veiculem conteúdos ou imagens imorais.
Fotos alternativas de mulheres nuas das décadas de 20 a 70 eu estava vendo no Nerve, e elas foram consideradas imorais. Nas salas de computadores há cartazes lembrando que é proibida a pornografia. Mas é muito urgente especificar o que é imoral e o que é pornográfico, pois são conceitos subjetivos. (Não há um consenso sobre isso.) Em nome da ética e da justiça tão citadas na Missão e no Credo da Unisinos.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2002
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