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sexta-feira, 6 de setembro de 2002

Letícia todas as noites tinha o mesmo sonho. Ela andava pela rua e sentia-se atraída para uma casa. Chegava na porta e batia. Ninguém atendia, mas ela entrava mesmo assim, e um mordomo aparecia dizendo "Bom dia, senhorita Mônica". Era aí que Letícia acordava suando. Foi assim por quatro meses.

Ficou apavorada no começo, mas depois procurou pensar que era apenas uma torturosa coincidência - afinal, sonhos recorrentes são rotinas do sono humano. Quando começou a se acostumar, até sentia-se bem e empolgava-se quando deitava a orelha no travesseiro para dormir. Viciou naquilo. Até no suor.

O meu primeiro sonho recorrente foi uma floresta e a iminência de aparição e ataque do Lobo Mau. Sair para a rua pelado ou de pantufas. Elevador caindo. Ver no céu chuva de meteoros ou dezenas de aviões se chocando ou um caindo no meio da cidade. Fugir de bandidos. O mar invadindo a cidade e eu e outras pessoas tentando se salvar. Coisas assim.

Mas depois de quatro meses, aquilo parou para Letícia e tudo foi absolutamente normal por anos. Um dia ela andava pela rua e sentiu-se atraída para uma casa. Chegou na porta e bateu. Ninguém atendeu, mas ela entrou mesmo assim, e um mordomo apareceu dizendo "Bom dia, senhorita Letícia".

Mônica acordou suando. Por quatro meses teve o mesmo sonho, todas as noites.

(Baseado em A Casa Assombrada, de André Maurois.)

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