Da janela da minha sala, no 12.º andar de um prédio de 20, eu vejo - do oeste para o leste - o lago Guaíba (que parece radioativo com o reflexo da luz do sol), a Usina do Gasômetro (onde pela primeira vez eu participei dum show de rock, tocando baixo, guitarra e berrando pela Larissa No Penhasco; era para eu tocar o meu teclado Roland JX-3P, que era a própria Larissa No Penhasco, a "alma" da banda, mas o case abriu quando eu fui passá-lo de cima da minha cabeça para o chão, e o teclado quebrou; depois, foi submetido a cirurgia e hoje funciona ainda melhor, com o controlador que potencializa ele como um sintetizador), a Ponte do "Rio" Guaíba (que levanta para navios passarem e isso marcou a minha infância, nas viagens de Pelotas, onde eu morava, para Estância Velha, na casa dos meus avós), aviões aproximando-se do solo em direção ao Aeroporto Internacional Salgado Filho (aviões são outra marca desde a infância), urubus planando bem perto das janelas, as bandeiras sacudidas pelo vento em cima da Assembléia Legislativa do Estado, a cúpula da Igreja Matriz (cuja praça, em frente, deu nome à gangue responsável por um famoso assassinato de um jovem, da qual fazia parte, dizem, o China, mais conhecido como Ricardo Macchi), a Praça dos Açores (que me marcou na infância como a imagem que aparecia atrás do Mendes Ribeiro em seu comentário no Jornal do Almoço, na RBS), o Largo da Epatur (onde foi meu último show com a Tom Bloch, pelo II Fórum Social Mundial; em frente ao Dr. Jekyll, onde foi a estréia do O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO).
Vejo os prédios da metrópole capital gaúcha formando uma obra de arte de cores e luzes e sombras e contrastes com o fundo do céu azul de um dia ensolarado. A beleza estética de obras destrutivas do planeta que não provocam mais esse tipo de reflexão de tanto que fazem parte da paisagem urbana e mental. Avenidas e ruas asfaltadas igualmente lindas, com carros feios que parecem leves à distância, quando não se está pisando em embreagem, freio e acelerador, cuidando para não bater no carro da frente e dos lados e para não ser batido pelo carro de trás, pisando os músculos e os nervos e a tranqüilidade necessária para se estar feliz. Ouvindo buzinas por procedimentos corretos de trânsito e buzinando em vão por procedimentos errados alheios contra a lei porém aceitos pelo costume do ele-também-fez e todo-mundo-faz. Pelo menos garças e revoadas de pássaros ainda mantêm parte da originalidade da obra, sem a manipulação dos mercenários de um racionalismo falso, em nome do Progresso - mas este é um outro capítulo.
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