O metrô é o melhor lugar para se observar pessoas e flertar (melhor que a *Noite*, pasmem e morram discordando os ordinários). Cheguei a esta conclusão ontem. Os bancos e os ferros de se segurar são dispostos minuciosa e harmoniosamente para tornar o ambiente agradável e facilitar o contato visual - e até físico - entre os passageiros. Coisa que não acontece numa merda de ônibus.
Passei a usar metrô todos os dias desde o cursinho pré-concurso público, no qual eu passei e por isso agora eu trabalho em Porto Alegre morando em São Leopoldo. No meio, teve um intervalo de três meses e meio, apenas. (Durante TODA a minha carreira - blargh - de jornalista - blergh.)
No metrô eu não dirijo e não corro o risco de bater o carro e por isso não fico nervoso e com os músculos pedra, eu leio livros no tempo longo necessário para transportar-me de uma cidade até a outra ou observo as pessoas, principalmente a estética das mulheres, o que não deixa de ser um flerte (Luft: namoro leve, de passatempo).
A julgar pelo Regime de Contato Visual e Físico da nossa Cultura e pelas estatísticas de ocorrências desse tipo comigo, o metrô é o melhor lugar para se observar pessoas e flertar. Esta semana, foram duas ocorrências graves, uma de contato visual e outra de físico.
O físico foi o clássico de filmes mão-na-mão no ferro de se segurar. Eu estava segurando com a mão esquerda num ferro dos verticais. Entrou uma menina numa estação adiante e segurou com a mão direita no mesmo ferro. Embaixo da minha. Mexeu de leve e encostou a mão dela na minha. Trocou de debaixo para em cima. Mexia um pouco a cada minuto até que as mãos ficaram se encostando. Eu senti algo gelado. Ou a mão dela estava fria, ou era algum anel no dedo mínimo, ou as cerca de dez pulseiras fininhas douradas. Eu olhava para as janelas do lado do Lago Guaíba e ela olhava para as janelas do lado da BR-116. Quando vagou lugar para sentar ela destacou a mão e foi sentar, ficando na mesma posição até na hora de descer. Sentada curvada para a frente com uma mão segurando o queixo. Talvez arrependida.
O visual foi quando eu fiquei sentado entre o Gordinis e um outro cara que trabalha com o mesmo tipo de coisa que ele, encostados na janela do lado da BR-116. Embarcou uma menina de uns 19 anos com casaco amarelo. Parou se segurando no ferro vertical de se segurar bem na minha frente. Ouvia as conversas e olhava para os três, sobretudo para mim, que estava mais tempo calado e para não ficar olhando para a direita e para a esquerda e para a direita e para a esquerda fiquei olhando para frente, mesmo porque a menina era bonita. No tempo em que esteve ali vestiu o capuz amarelo. Ficou apertando os lábios bem existentes no sentido vertical. Roeu unhas e deixou o dedão da mão esquerda molhado de saliva. Tinha a braguilha da calça jeans não totalmente fechada. Quando um cara parou entre ela e mim, ela desviou mais para a minha esquerda, direita dela, encostando-se no ferro para continuar olhando, talvez para a rua.
P.S.: Hoje eu estava sentado ao lado de uma mulher com saia jeans bem curta, meia-calça preta até o tornozelo e um chinelo fechado na frente, mas que deixa apenas os dedos escondidos. Tinha a voz bonita, mais média-grave que a maioria das vozes femininas. Falava com uma amiga e eu lia um livro. De repente ela se virou para mim, para a sua esquerda.
- Tu tá de prova que ela só tá me maltratando! - disse simpaticamente.
- ...não sei... - respondi, quase gargalhando.
- Se tu tá me tratando assim, eu tenho que falar com meu amigo - falou, voltando-se novamente para amiga, à direita.
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

Nenhum comentário:
Postar um comentário