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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Disco quente, homem frio
(Miguel Arsénio/Bodyspace.net)



A frio, há que referir que Ben Frost tem, em 'By the throat', um impressionante disco sem atalho para inversão de marcha. Disco em que o ruído ataca em matilha, monumento de atrito sinfónico e núcleo tão hostil quanto irresistível, armadilha assegurada pela claustrofobia d'O Reino, de Lars Von Trier, e dos primeiros filmes de John Carpenter. A lei de Murphy é a única a imperar em 'By the throat': o que pode correr mal, corre mal. E o colapso provocado por isso contribui para uma escuta paranormal e a qualquer momento vertiginosa. Mergulhamos nas duas mini-séries incluídas em 'By the throat' ('Peter Venkman' e 'Through the...') e aí ficamos retidos. Aviso: isto é tudo excepto uma escuta gratuita.

De modo a obter os tais píncaros de intensidade de 'By the throat', a família Frost contou com os já habituais membros Valgeir Sigurðsson (co-produtor) e Nico Muhly (arranjos), e estendeu, desta vez, os seus ramos às Amiina, ao metal sueco dos Crowpath e à percussão de Jeremy Gara, dos Arcade Fire. A força esteve com todos.

No próximo dia 5 de Novembro, quando vigiar as baleias, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, em parceria com Sam Amidon, Nico Muhly (o tal) e Valgeir Sigurðsson, é provável que Frost ocupe o lugar do manipulador de crescendos ofuscantes, entre outros fenómenos. Ou, então, nada disso, porque a visão desobedece ao previsível, e aí está um dos mais prodigiosos e ecléticos ensembles internacionais, capazes de contrariar as palavras escritas nas brochuras, nos comunicados de imprensa e mesmo nesta introdução. Ben Frost neutraliza expectativas a curto prazo ao criar ficção científica sonora para os anos vindouros. Antes da intempérie na avenida de Roma, respondeu a algumas questões do Bodyspace.

'Theory of machines' e 'By the throat' parecem, às vezes, transmitir a noção de um estado clínico, que vai de uma pulsação fraca ao estado de hiperventilação e fricção intensa, para regressar depois ao início. Procuras jogar com a vitalidade da "coisa" nas músicas que compões?

Aí está uma pergunta interessante. Agradeço-te, pois não costumam ser frequentes. Tenho consciência absoluta da forma da minha música e do formato dos meus álbuns. No fundo, remover uma peça de Theory of Machines ou de By The Throat cria um vazio na narrativa sónica desses trabalhos, que os destrói precisamente por esse motivo. Enquanto trabalho, preocupo-me com as macrodinâmicas do disco, assim como com os pormenores microscópicos de cada peça de música; dentro disso, há um lado dramático que me atrai a atenção, mesmo que seja alheio à música e à melodia. Mesmo assim, quando enquadrado num campo auditivo, restringido à imagem estéreo e incolor do som, esse drama ultrapassa o que os olhos alcançam, com a excepção do artwork que acompanha o disco e de alguma iluminação em palco. Por isso, tendo a procurar instrumentos sónicos que componham o meu estado emocional como ouvinte e que, inflexivelmente, criem um espaço para a narrativa. A natureza "condicional" de aparelhos como o electrocardiógrafo ou o dialisador produzem em mim um efeito emocionalmente forte, talvez porque, tal como a respiração dos animais, aqueles sons de raiz partem de imagens humanas e físicas, que, na ausência de vocalizações e letras, fazem falta a grande parte da música mais "experimental". Eu exijo mais da minha música. Não sei se sou capaz de o explicar, nem tão-pouco sinto necessidade de o fazer com maior detalhe, mas devo dizer que é eminente a proximidade entre a minha personalidade e os elementos que mencionas. Estão entranhados nas raízes essenciais do meu trabalho.

Fala-me dos teus trabalhos recentes para as companhias de teatro na Austrália.

Estou, neste preciso momento, num avião a sobrevoar a Austrália Central, a caminho da minha casa na Islândia. Estive na Austrália, durante o último mês, para a produção de uma peça de dança intitulada Black Marrow para a companhia de dança Chunky Move.

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