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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Prometheus, de Ridley Scott (EUA, 2012)

Fernando Toste/Revista Cinética


Se há algo que move Prometheus, filme que marca o retorno tardio e benvindo de Ridley Scott ao território da ficção científica depois de três décadas, é uma pergunta - uma bastante simples, aliás, e a mais antiga de todas: “por que?”. É a pergunta que surge irremediavelmente quando nos deparamos com os grandes mistérios e que, basicamente, nos define enquanto espécie. Ah, sim, vale lembrar: é uma pergunta que não tem resposta.

Scott, o cineasta britânico famoso pelo apuro técnico e pelo olho clínico na composição de um plano, parece ter redescoberto sua vocação para os grandes temas aos 74 anos de idade, na outra ponta de uma carreira que começou promissora e desandou depois de sua maior aposta artística, Blade Runner - seu terceiro longa-metragem, recebido com frieza e confusão generalizadas em 1982. Era um filme que ousava flertar com as grandes questões e por cuja audácia Scott foi condenado a ter o fígado devorado pelos abutres de Hollywood por toda a eternidade - preso a projetos que não exigiam mais do que a aplicação e disciplina do bom artesão e que lhe permitiam realizar voos ocasionais, a uma meia-altura. É impossível refutar o talento que Scott exibe na maior parte de seus filmes, mas também é impossível desfazer a impressão de se ter acompanhado a obra de um artista frustrado ao longo dos anos.

(...)

Ao eleger como tema a busca - e não o destino -, Scott parece liberar toda a energia represada há anos, e o resultado é exuberante. Dispondo de um orçamento gigantesco e de grande liberdade criativa, o cineasta investe no que tem de melhor e tece um espetáculo visual de enorme impacto, extravagante, atmosférico e desbragadamente pessoal. Uma viagem delirante que mescla o pesadelo sexual de Alien com o imaginário pagão de A Lenda e a auto-crítica cristã de Cruzada. Uma mistura, por sua vez, temperada com a obsessão por imagens de sacrifício (que encontramos em Gladiador, Thelma & Louise e Black Hawk Down) e por uma inusitada, inédita e muito benvinda irreverência.


Mas trinta e poucos anos de obediência bovina aos modelos e tendências da grande indústria também cobram seu preço - e Scott não abre mão de ser um "player", ainda que desta vez a balança tenha pendido para o seu lado. O resultado final é uma aberração hollywoodiana e um triunfo artístico que se ressente um pouco de sua incapacidade de cumprir plenamente a promessa do espetáculo - um pouco como Blade Runner antes dele. A impressão de obra inacabada não é nova para Scott. Poucos diretores acumulam na carreira tantas “versões do diretor” e com Prometheus o público já assiste ao filme esperando pelo blu-ray com a versão mais longa e satisfatória. (...)

Com tudo o que tem de imperfeito e estranho, Prometheus é um filme que resgata um artista da mediocridade e revela a alma de um replicante. (...)

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