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sábado, 17 de dezembro de 2011
"Ninguém mais que Florian Hecker parece hoje tão empenhado em ampliar as noções do que se entende por música. A tarefa é árdua, porque aparentemente tudo que um dia não era considerado 'musical' hoje já o é: barulhos avassaladores, registros de campo, exercícios com frequências sonoras e mesmo o silêncio total já são assimilados pela história e pelas práticas artísticas como elementos legítimos de construção musical. E essas práticas criam gêneros, e esses gêneros vão tornando-se instituições, que vão criando padrões, historicidade, e rapidamente a legitimação transforma-se em domesticação, com sons áridos e ríspidos obedecendo aos mesmos padrões de ordenação temporal, estrutura progressiva e nexo lógico, perdendo o frescor e a imprevisibilidade que outrora tiveram. Noise e field recordings, para citar apenas dois 'gêneros' (eletroacústica numa chave menor), já são avaliados a partir de uma história pregressa, comparados a marcos do gênero, trabalhos similares etc., sem o caráter inaugural das primeiras obras desbravadoras. Florian Hecker está bastante ciente disso, e vai procurar suas inspirações completamente fora do espectro 'musical': de um lado, nas pesquisas acústicas dissociadas das questões de composição propriamente ditas (no que partilha terreno com gente como Maryanne Amacher), e de outro na inspiração vinda da teoria e da filosofia, como forma de imaginar mundos sonoros ainda não criados e arrumar inspiração para novas articulações, novas estruturas, novas formas de organização. E o intento é bem sucedido, pelo menos em seus aspectos preliminares: a música de Hecker não soa como nada mais nesse planeta, e seus discos são como monolitos magnéticos, envolvidos numa aura de mistério e impacto inaugural. Disco a disco." (Ruy Gardnier)
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