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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O fascismo de cada dia 
(Adriel)

(...)

As atrocidades e crueldades que se cometem contra a vida em todas as suas manifestações, sejam elas humanas ou não, têm sido assustadoramente frequentes, tornando familiar e habitual o terror e o horror no cotidiano; de modo que, diante dos excessos, é a mídia quem tem determinado o espanto ou não das pessoas diante de cenários tão comuns.

O real já não mais espanta, o cheiro de morte no cotidiano já se tornou habitual às pessoas, e tem sido pela virtualidade dos meios de comunicação que a morte do dia-a-dia tem sido vivificada pelas pessoas que de momento se sentem horrorizadas. Horrorizadas até o amanhecer, quando a presença real das barbáries contra a vida passam a se constituir como mera paisagem durante o trajeto do trabalho, as reuniões de negócios e as compras no shopping.

O fascismo mais perigoso é aquele que se presta homenagem no dia-a-dia, preterindo uma situação inaceitável por outra. Dizer que os direitos humanos devam se sobrepor aos direitos dos animais ou vice-versa é substituir um modo de vida fascista por outro. E o nosso fascismo de cada dia tem sido tão sufocante que já se começa hierarquizar preferências entre barbáries para poder fazer escolhas do tipo “yorkishire espancado” ou “crianças africanas passando fome”. É necessário muita pobreza de espírito para começar a pensar que pessoas que estão sensibilizadas com o “yorkishire espancado” sejam a favor de outras barbáries.

O meio virtual tem se tornado um cenário onde as atrocidades muitas barbáries ganham suas formas de expressão das mais diversas maneiras “multimídicas”, mas quase sempre destituídas de forças para lutar. O facebook, por exemplo, tem sido uma rede social para duelos fascistas entre massas. Uma massa lança uma opinião aqui, outra lança uma contra-opinião ali, quando no fundo legitimam e dão voz a uma mesma lógica perversa.

Mas tão logo as pessoas caminham pelas ruas da cidade para que as expressões nas virtualidades se mimetizem como fazendo parte do próprio cenário urbano.

No fundo, as cristalizações microfascistas vão sendo substituídas por outras, e tem sido natural que um operário tenha que ter a obrigação de agradecer todos os dias porque tem um emprego com salário mínimo porque ainda há muito trabalho escravo no mundo.

Uma desgraça menos pior que a outra, essa tem sido a ética revolucionária de hoje!

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